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28 de Junho de 2022

SIDERURGIA

Exame - SP   28/06/2022

Em entrevista à Bússola, Frederico Ayres Lima, diretor-presidente da Aperam South America, comentou sobre a jornada da empresa em busca de neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa. A empresa anunciou recentemente que se tornou a primeira do mundo no segmento de aços planos especiais a alcançar esse marco, em estratégia que alia captura de carbono da atmosfera com redução de emissões.

Bússola: A siderurgia é conhecida como uma das principais emissoras globais de CO2. Como vocês decidiram assumir o desafio de neutralizar as emissões da Aperam?

Frederico Ayres Lima: A produção de aço por definição gera gases de efeito estufa. O processo começa com o alto forno, que gera CO2 como um coproduto do processo químico. No Brasil, nós temos uma Jabuticaba, sendo a produção de aço através de carvão vegetal. O grande diferencial dessa rota é que o carbono que eu coloco para transformar o minério de ferro em aço ele vem do ar, capturado pelas florestas plantadas de eucalipto.

O nosso processo de atingir a neutralidade nos escopos 1 e 2 começou em 2011, quando migraram os altos-fornos da empresa para carvão vegetal. Anteriormente, utilizava-se o coque, sendo de origem mineral e não renovável. Esse foi o primeiro passo. Ao longo dos anos, fomos trabalhando com a redução das emissões e coroamos com uma análise auditada que demonstrou que nos anos de 2020 e 2021 as remoções e estoques das florestas se equipararam com o volume gerado de CO2. Ou seja, os nossos produtos não contribuíram para as mudanças climáticas, porque tudo que foi emitido ao longo do processo foi capturado.

Na época, em 2011, a decisão já considerava a redução das emissões, uma decisão que naquele momento era pouco considerada pelo mercado.

O atingimento da meta 30 anos antes do prazo não é um sinal de subdimensionamento da própria meta?

Nós não tínhamos uma metodologia clara e aceita de remoção. Esse é um primeiro ponto. O segundo é que o Brasil vive uma realidade diferente do restante do grupo, sendo a possibilidade do carvão vegetal. Além disso, a matriz energética é mais favorável. Isso não é realidade nos outros países, o que nos dá uma responsabilidade adicional de buscar ser negativo e contribuir com a neutralidade do grupo.

O uso de carvão vegetal é a principal alavanca de neutralização utilizada por vocês, certo? Como vocês lidam com os impactos decorrentes da plantação de florestas exóticas aos biomas locais, como no caso do eucalipto?

A geração de GEE é um dos indicadores que a gente controla, mas temos vários outros. Na parte social, a empresa sabe de sua responsabilidade e temos um instituto com o qual trabalhamos junto às comunidades. As regiões em que atuamos tem IDH baixo e é muito claro como nossa atuação com geração de empregos de qualidade e benefícios contribuem com a melhora de índices da região.

Na frente de impactos ambientais, temos as certificações de manejo sustentável, como a FSC. Ela mede, controla e proíbe o uso de transgênicos e agrotóxicos. Temos todo um manejo sustentável, um percentual de reservas superior ao exigido, adotamos os mosaicos com faixas contínuas de vegetação nativa, entre outras ações. Outro exemplo que posso dar é que não usamos mais irrigação. Fizemos um estudo para plantar somente no período de chuva — algo que parece simples, mas tem uma complexidade de gestão de equipes e tarefas do time ao longo do ano.

Vemos que foi um esforço grande em compensação das emissões e captura de carbono. E quais foram as ações de redução das emissões diretas?

Nesse campo, nós trabalhamos a eficiência. Toda vez que eu consigo produzir a mesma tonelada de aço com menos energia, nós vamos reduzir as emissões. Isso acontece ao utilizar energia renovável, algo que hoje fazemos em 100% dos nossos novos contratos de energia. As nossas metas de redução em relação a 2015 eram de 30% até 2030 — isso sem qualquer remoção. Nisso temos coisas como melhorias de eficiência dos fornos, motores e iluminação, contratos de energia renovável, cogeração de energia, aproveitamento de combustíveis oriundo de sobras de outros processos e queimadores de gases.

Em que medida a estratégia utilizada pela Aperam é replicável para outras indústrias do setor?

Não tenho dúvidas. Penso que pode ser aproveitado e reutilizado em qualquer uma. O que  precisamos é que quando vamos ao supermercado e a pessoa queira saber o quanto gerou de CO2 até chegar ao consumidor. Quando isso acontecer, você vai empurrar o setor todo.

Vocês percebem algum tipo de reconhecimento de clientes com relação ao fato de produzirem aço carbono neutro?

Acredito que percebem muito menos do que deveriam. O Brasil tem desafios relativos a atender necessidades básicas, então o grande público ainda não tem a consciência e engajamento para empurrar esse processo. Eu tenho receio de que depois eu vá competir com um produtor com uma base muito mais poluente e que na hora de decidir o consumidor vá escolher a mais barata.

Esse é um desafio que temos neste momento em conjunto com nossos clientes: como transformar isso tudo em valor para o consumidor final. E o Brasil tem oportunidade de liderar essa agenda na siderurgia global, pelos recursos naturais e matriz energética. Temos chance de estabelecer uma vantagem competitiva e liderar a conversa sobre o aço verde.

E por parte de outros stakeholders, como setor financeiro?

Sim. Conseguimos acessar crédito com taxas melhores e linhas de financiamento que são exclusivas a empresas com determinados padrões de práticas ESG. Isso é uma verdade em nossas finanças, centralizadas na sede global da empresa.

Como os esforços de neutralização de CO2 se relacionam com a estratégia mais ampla de sustentabilidade da empresa?

Dentro do nosso roadmap  tem metas de redução do CO2, de emissão de particulados, de uso de água e de energia. Em social, temos a Fundação Aperam, que eu sou presidente do conselho. Ela é muito ligada à geração de renda e educação. Outro trabalho que vem sendo executado é a inclusão, que começamos com a questão de gênero, mas que estamos abrindo para outras dimensões. É um negócio que começou “top down”, em uma decisão nossa de tornar a empresa mais diversa, mas que debaixo para cima veio quase que um tsunami com um número enorme de pessoas se voluntariando para trabalhar e contribuir. E em governança, é uma empresa com capital aberto em bolsas europeias, o que nos impõe os padrões de compliance e governança mais rígidos existentes.

Como os stakeholders locais da Aperam podem se informar sobre o desenvolvimento da estratégia de sustentabilidade da empresa?

Temos um relatório de sustentabilidade publicado anualmente. Há alguns anos, fazemos o relatório global e nos países com footprint importante tem uma página do país. No Brasil, distribuímos o relatório com um capítulo sobre o Brasil. E sempre que sai o relatório, nos esforçamos de comunicação com os públicos de relacionamento.

Você acredita que esses públicos de interesse reconhecem as ações da empresa? Existe engajamento no sentido de desenvolver processos de geração de valor compartilhado?

Cada stakeholder valoriza em um grau diferente. Vejo que nossos colaboradores valorizam muito, compartilham nas redes sociais. O mesmo vale para investidores. As comunidades têm outras formas de conhecer o que a empresa faz, como as visitas às unidades.

Temos diálogos positivos com os stakeholders mais estratégicos. Com governos, construímos um relacionamento aberto e de colaboração. Na Fundação, temos o edital de projetos pelo qual as ONGs se candidatam a receber os recursos, distribuídos de acordo com critérios pré-estabelecidos com objetivo de gerar o melhor impacto possível. Esse é um trabalho que nós fazemos em parceria com a comunidade e que de alguma forma volta, na forma de uma relação mais saudável com nossa empresa.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   28/06/2022

O pior momento da inflação no Brasil já passou, disse nesta segunda-feira (27) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacando que o Brasil está muito perto de finalizar todo o trabalho de elevação de juros para domar a alta de preços.

No Fórum Jurídico de Lisboa, Campos Neto disse que as ferramentas do Banco Central vão frear o processo inflacionário, repetindo que grande parte do trabalho do BC já foi feito.

“O Brasil tem uma memória de inflação muito maior e mecanismos de indexação muito mais vivos, isso denota uma preocupação maior para o Brasil. A gente vê que todos os países estão caminhando, subindo juros, o Brasil já está muito perto de ter feito o trabalho todo, alguns países estão no meio do caminho”, disse.

Há duas semanas, o Banco Central subiu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, e disse que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto.

A autoridade monetária não especificou na ocasião se esse seria o último ajuste do agressivo ciclo de aperto monetário iniciado em 2021.

Ao longo dos últimos meses, Campos Neto chegou a fazer algumas previsões de quando seria o pico da inflação no país, mas surpresas nos indicadores fizeram com que as estimativas não se confirmassem.

Nesta segunda, ele indicou que esse momento passou, ponderando que é preciso avaliar medidas em discussão no Congresso para segurar os preços de combustíveis.

“Os últimos dois números [de inflação] acho que foram pela primeira vez dentro da expectativa. A gente acha que o pior momento da inflação no Brasil já passou, temos algumas medidas desenhadas pelo governo que precisamos entender qual será o efeito no processo inflacionário e ainda não está claro”, afirmou.

Em maio, o IPCA desacelerou e veio abaixo do esperado pelo mercado ao registrar uma alta de 0,47%. O IPCA-15, no entanto, voltou a acelerar em junho e ficou em 0,69%, acima do esperado sob o peso do reajuste dos planos de saúde, com a taxa acumulada em 12 meses permanecendo acima de 12%.

No evento, o presidente do BC citou desafios do cenário global para a inflação, ressaltando que um número crescente de países está adotando medidas protecionistas como forma de lidar com a alta de preços de alimentos.

Segundo ele, há uma desconexão nas áreas de alimentos e energia porque os investimentos nesses setores não estão subindo na mesma proporção das altas de preços dos produtos.

Sem mencionar diretamente críticas feitas por políticos à política de preços da Petrobras, Campos Neto disse que o governo tem que lidar com o problema das classes sociais mais baixas “mas a gente não pode desviar das práticas de mercado” porque, segundo ele, é o mercado que produz energia e alimentos.

Campos Neto afirmou que componentes como energia e alimentos contaminam a inflação como um todo. Citando que está havendo uma disseminação da alta desses preços para os componentes menos voláteis da economia no mundo, ele disse que o BC atua “de outra forma” quando a inflação está mais espalhada.

Em relação à atividade, ele afirmou que o Brasil é um dos poucos países que está passando por revisões de crescimento para cima. Para ele, o país provavelmente terá um resultado forte do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, ponderando que a atuação do BC vai gerar uma desaceleração no segundo semestre.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/06/2022

O Brasil pode ser o país emergente mais suscetível ao impacto da desaceleração chinesa, na visão do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), uma espécie de banco central dos bancos centrais. Ao seu lado, estão países como a Coreia do Sul, que seria a mais afetada, na visão da entidade, com sede em Basileia, na Suíça, além de Índia e México.

O BIS compara uma queda de 1 ponto porcentual (p.p.) no crescimento da economia da China com uma redução em torno de 0,7 p.p. no ritmo de expansão do Brasil em seu relatório econômico anual, publicado neste domingo. Como base, utilizou dados entre os anos de 1996 e 2019.

“Muitas economias emergentes estão altamente expostas ao crescimento chinês mais lento, especialmente países da Ásia emergente e alguns exportadores de commodities”, afirma o BIS, em seu relatório econômico anual, publicado no domingo, 26.

A Coreia do Sul, conforme a entidade, é o emergente que seria mais afetado por um menor ritmo de crescimento da China, poderia ter impacto de 1% em seu crescimento. No caso do México, tal reflexo seria de 0,45%, enquanto na Índia poderia chegar a quase 0,50%.

Na visão do BIS, o menor crescimento da China é um dos fatores de pressão, juntamente com a guerra na Ucrânia, para uma estagflação global, fenômeno que atinge países com baixo crescimento econômico e preços descontrolados por um extenso período. Isso porque o país tem sido responsável por uma parte relevante do crescimento mundial, de cerca de um quarto, sendo uma demanda externa relevante para o resto do mundo, principalmente, para matérias-primas.

“Bloqueios locais e outras medidas para aplicar a rígida política de covid das autoridades podem interromper ainda mais as redes de produção, tanto na China quanto com parceiros comerciais”, avalia o BIS, no estudo. “A luta contra o vírus está longe de terminar”, acrescenta.

No ano passado, a economia chinesa cresceu 8,1%, mas esse ritmo já desacelerou para 4,8% no primeiro trimestre de 2022. Organismos mundiais e bancos de investimento têm revisado o ritmo de expansão da China para baixo diante da política de covid-zero implementada pelo país.

Recentemente, o Citi cortou sua estimativa para o PIB chinês neste ano, que passou de uma alta de 4,2% para 3,9%.

O Estado de S.Paulo - SP   28/06/2022

Com a inflação ainda muito alta e espalhada pela economia, o Banco Central (BC) deve ter dificuldade de interromper o ciclo de alta de juros agora. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, afirma que o banco ainda mantém sua projeção de Selic terminal em 13,75%, mas vê riscos de os juros continuarem escalando depois da reunião do Copom da primeira semana de agosto. "Estamos com projeção de 13,75%, mas é o mínimo", aponta.

Porto acredita que, uma vez no pico, a Selic deve ficar intacta até, pelo menos, o fim do primeiro semestre do ano que vem. Para ele, se retornarem no ano que vem, os impostos federais zerados nos combustíveis levariam a inflação para 5,2%. O Citi, contudo, trabalha com a possibilidade de nenhum dos candidatos líderes nas pesquisas eleitorais ter pressa em reverter a desoneração.

Porto pondera ainda que, até o momento, tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), têm propostas que caminham para dinâmicas de dívida parecidas. Prevê, assim, bem menos volatilidade advinda das eleições neste ano. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O Citi manteve a previsão de inflação para 2023, apesar da reversão de parte das desonerações dos combustíveis no fim deste ano. Por quê?

Nós temos várias desonerações. A desoneração do ICMS dos Estados, consideramos permanente. As desonerações de imposto federal sobre combustíveis, que têm vencimento no fim do ano, têm impacto de 70 pontos-base (0,7 ponto porcentual). Como nossa projeção é 4,5%, deveria subir para 5,2%. Mas temos de assumir uma hipótese: será que vai voltar mesmo? Achamos que é mais provável que o presidente a ser eleito em outubro, com nível de preços de combustíveis ainda elevado, deve optar por estender isso. Então, esses 70 pontos não sobem a inflação, mas piora no fiscal porque a arrecadação federal saiu da nossa conta do ano que vem. Nosso resultado primário para o ano que vem piorou com essa hipótese. Mas esse efeito do imposto não interfere a inflação somente por esse canal, existem outros canais.
Quais?

A inflação vai estar mais baixa este ano do que o previsto. Nossa previsão era 9,3% e foi para 8%, o que significa que, pelo efeito inercial, pode ajudar a inflação do ano que vem. Por exemplo, o salário mínimo, se estivermos corretos, vai reajustar em 8%, não em 9,3%. E tem outro componente: na hora em que você devolve o imposto, está dando renda disponível para as pessoas, e essa renda vai ser consumida. Em outras palavras, é um estímulo fiscal dado via desoneração e isso pressiona a inflação para cima. É um resumo de três canais: o canal direto do imposto, a inércia mais baixa que ajuda a inflação potencialmente e o estímulo fiscal, que teoricamente piora a inflação. E tem o quarto ainda, que é o canal do prêmio de risco. Quando o governo desonera, abre potencial discussão de saída de capitais, e o câmbio mais depreciado pressiona a inflação. Mas é algo marginal e pontual. Consideramos que esse canal seria praticamente nulo.
O quanto esse peso no fiscal preocupa de fato, já que a desoneração seria temporária e há surpresa arrecadatória?

Tem um excesso de arrecadação que, sem dúvida, está ajudando o fiscal. A pergunta que cabe aqui é quanto desse excesso de arrecadação vem de componentes permanentes e quanto vem de componentes transitórios. Eu posso contar duas histórias. Uma positiva, que é o fato de o PIB estar mostrando um crescimento muito mais robusto do que imaginado. O PIB muda o nível de arrecadação e esse é um componente permanente. Mas eu poderia contar outra história, negativa, de que essa arrecadação está vindo mais forte só por causa de surpresa inflacionária. A gente fez esse cálculo e, na nossa conta, a surpresa inflacionária explica cerca de dois terços. O outro terço pode ser decorrente de efeitos permanentes. Então a resposta é um meio termo, o que dá alguma margem para o governo devolver, porque existe uma parte permanente. Mas não dá para ficar muito leniente.
Não acha que começa a se desenhar um cenário fiscal muito difícil para 2023?

O que importa para o investidor é a dinâmica de médio e longo prazos. Quem garante isso hoje é o teto de gastos, que está mais enfraquecido do que era em 2016. Preocupa muito mais como é que vai ser essa discussão do teto de gastos ou de uma nova âncora, seja no período eleitoral ou no novo governo em 2023. Essa discussão é muito mais crítica.
Considera alto o risco de perder o teto?

Existe reconhecimento da importância do teto de gastos. Mas ele não é a palavra final do ponto de vista da ancoragem fiscal, é um instrumento. O que importa para investidores não é o teto em si, é a trajetória da dívida. Se revogar o teto e colocar outra âncora que dê trajetória de dívida semelhante à de hoje, o impacto sobre preços de ativos será muito neutralizado.
No último relatório, vocês apontaram risco para cima sobre a previsão de Selic do banco, de 13,75%. O que está em jogo no cenário?

Não dá para parar (a alta dos juros) com inflação rodando sistematicamente a dois dígitos. Não estou falando aqui de inflação acumulada em 12 meses, estou falando da medida de núcleo calculada no mês da ponta e anualizada. Essa inflação é muito mais alta do que a meta, o que está produzindo uma continuidade no processo de desancoragem das expectativas. Expectativas essas que já estão se aproximando do teto da meta do ano que vem. Numa condição como essa, é muito complicado o BC parar de subir juros, porque pode alimentar ainda mais esse processo. Hoje, temos uma condição de que a inflação não está só alta, ela está espalhada em todos os componentes. Estamos com call de que é 13,75% (o patamar final da Selic), mas é o mínimo. Aa mensagem agora é: estamos na região de sintonia fina na política monetária. Quando está nesse momento, tem de ficar mais sensível aos dados. Nas duas últimas reuniões, achávamos que BC não ia ter condições de pausar. Para agosto, temos de ver o que vai acontecer, mas me parece que a inflação ainda está num nível muito preocupante.
A inclusão de 2024 no comunicado do Copom não seria uma sinalização de que o Banco Central está disposto a aceitar uma inflação mais próxima ao teto no ano que vem para interromper o ciclo de alta dos juros?

A mensagem da ata do Copom é de que há mais trabalho a ser feito. O documento deixa muito claro que o horizonte relevante da política monetária, neste momento, é 2023, quando o BC projeta a inflação em 4%. Vai ter de fazer, então, mais para que esses 4% convirjam para a meta (3,25%).
Por quanto tempo o BC vai manter a Selic na taxa terminal do ciclo de aumento de juros?

O nosso cenário mais provável é que o ciclo de afrouxamento só seja iniciado no segundo semestre do ano que vem. Ou seja, praticamente um ano, um período longo, de juros estáveis. A diferença entre o nível de inflação, hoje em dois dígitos, e a meta é tão grande que exige uma política monetária em patamar bastante contracionista por tempo razoável.
Qual é o efeito desse aperto dos juros prolongado na atividade econômica?

A política monetária é contracionista desde o quarto trimestre do ano passado. Estou surpreso com a resiliência da atividade econômica. Mais do que com a resiliência, estou surpreso com a aceleração do crescimento do PIB no quarto trimestre e, principalmente, no primeiro trimestre deste ano, apesar do cenário em que a política monetária se tornou contracionista. Mesmo os dados do segundo trimestre, tempo mais do que suficiente para que os impactos da política monetária começassem a acontecer, os indicadores seguem sólidos. Mas eu continuo achando que o grande impacto sobre a atividade ainda vai se dar neste ano, no segundo semestre. Se eu estiver errado, e o impacto ficar mais para o ano que vem, o PIB deste ano pode se aproximar de 2%.
Por que os efeitos não aparecem ainda na economia?

Tenho algumas suspeitas. Pode estar ligado ao maior controle da pandemia, ainda que esta seja uma explicação incompleta. As pessoas querem consumir serviços, viajar, ir a shows... Não são as empresas investindo, é o setor privado consumindo serviços. O mercado de trabalho está melhorando, mas não o suficiente para justificar isso. Então, outra possível explicação é o consumo da poupança acumulada na pandemia, circunstancial ou precaucional. Uma hora, porém, a poupança acaba, e uma hora as pessoas terão a demanda por serviços saciada.
Como tem acompanhado a pressão sobre a política de preços da Petrobras?

Do ponto de vista da governança, a lei das estatais foi um marco importantíssimo da independência das estatais. É um ativo que deveria ser preservado. Dar subsídio para o preço do combustível é uma decisão de governo. Que entre na conta orçamentária, no teto dos gastos, e corte outro gasto para dar o subsídio. Alterar a lei das estatais seria retrocesso.
O sr. vê tendências diferentes para a economia, a depender do resultado das eleições?

Hoje, temos um cenário não muito diferente entre Lula e Bolsonaro na política fiscal, que é o calcanhar de Aquiles na definição dos preços de ativos brasileiros. Talvez Lula tenha intenção de gasto um pouco maior do que Bolsonaro, mas também tem aparentemente maior intenção de subir a carga tributária. Isso faz com que, no fim, a trajetória da dívida, que é o que mais importa, não seja tão diferente. Como a percepção de política fiscal não é muito diferente, a volatilidade nos mercados pode ser menor. Estou muito mais preocupado com a volatilidade gerada pelo cenário global, que tem se tornado mais adverso a países emergentes.

MINERAÇÃO

Brasil Mining - SP   28/06/2022

As etapas de construção e expansão do empreendimento no Pará ocorrerão em diferentes fases até 2033

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) acompanhou, na última quinta-feira (23), o evento que marcou o início oficial das atividades da planta experimental da empresa brasileira Ligga, que tem como produto o minério de ferro.

A solenidade de instalação da Planta Experimental ocorreu na sede do Projeto Ferro Sul, localizada na zona rural de Parauapebas, sudeste do estado. As etapas de construção e expansão do empreendimento no Pará ocorrerão em diferentes fases até 2033.

Beatriz Oliveira, coordenadora de Gemas e Metais Preciosos da Sedeme, que esteve no evento, destacou os benefícios do projeto.

“A inauguração da planta experimental da empresa Ligga, localizada no município de Parauapebas, é um marco na mineração do Pará que deixa para trás o monopólio do minério de ferro e possibilita o fornecimento dessa matéria-prima para o polo metal-mecânico, localizado no município de Marabá, um projeto que tem relação com a verticalização da produção de mineral do Pará.

Assim, a empresa convidou formalmente o Governo do Estado através da Sedeme, na pessoa do seu Secretário José Fernando Gomes, e teve como ápice, após a solenidade,  o acionamento botão que põe em funcionamento a planta experimental.

Ainda de acordo com Beatriz, projetos como este sempre contarão com o apoio da Secretaria. “Para a Sedeme, sempre será de um valor muito grande o acompanhamento desses projetos, propondo o diálogo para prioridade no licenciamento ambiental, como o projeto Ferro-Sul, bem como de todo projeto que traga desenvolvimento e renda para o povo paraense. Portanto, é com muita satisfação que vemos o crescimento dessa empresa, construindo uma relação estreita não só com o Governo do Pará, mas com o poder municipal também, além de se propor a ter um diálogo maior com as comunidades locais”, informou.

De acordo com a empresa, o projeto irá gerar novos postos de trabalho no Pará e Maranhão conectando o presente ao futuro, com inovação e sustentabilidade e valores e ao conceito ESG (sigla, em inglês, para Meio Ambiente, Social e Governança).

A companhia possui recursos minerais potenciais acima de 5,5 bilhões de toneladas e visa ter uma produção de 75 milhões de toneladas/ano a ser atingida até 2033. A empresa conta, atualmente, com três projetos sendo eles: Ferro-Sul, sediado em Parauapebas e Curionópolis; Inajá com sede em Santa Maria das Barreiras; Santana do Araguaia e Trairão, que está localizado no município de Bannach.

Nas fases de implantações dos três projetos da Ligga, serão gerados cerca de 19 mil empregos diretos e nas fases de operações dos projetos Ferro Sul, Inajá e Trairão a previsão de geração de empregos é de 11 mil diretos e cerca de 38 mil indiretos.

“A Ligga já nasce com um posicionamento moderno e conectada com o futuro através de práticas sustentáveis como zelo, respeito e relacionamento com as comunidades; diversidade e segurança dos colaboradores e do entorno; energia com fontes renováveis; busca do carbono zero e gestão ambiental proativa”, disse o CEO da Ligga, Gerson Luiz Petterle.

O acionamento da Planta Experimental pelas autoridades presentes, dando início à produção de minério de ferro da Ligga na Planta Experimental, fruto de um investimento de 26 milhões de reais, que já está gerando 130 empregos diretos e estimados 455 empregos indiretos. A produção anual esperada é de 600 mil toneladas/ano, mas o seu grande propósito é oferecer maior conhecimento sobre as reservas minerais e assertividade no desenvolvimento do Projeto Ferro Sul, bem como ser o protótipo do modelo de gestão da Ligga.

Além da Sedeme, representante do Governo do Pará, a solenidade contou com as presenças do secretário especial de Governo de Parauapebas Wesley Rodrigues; do presidente da Câmara de Vereadores de Parauapebas; Ivanaldo Braz; do secretário municipal de Meio Ambiente de Curionópolis, Fabricio Gomes Tuñas.

Revista Mineração - SP   28/06/2022

O minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian fechou em alta de 4%, a US$ 115,92 a tonelada.

Os contratos futuros de minério de ferro atingiram máximas de uma semana nas bolsas de Dalian e Cingapura nesta segunda-feira (27/06), apoiados por esperanças de que as siderúrgicas chinesas reiniciem dezenas de altos-fornos que haviam ficado ociosos devido à queda nas margens e à fraca demanda para reabastecer estoques.

A flexibilização das restrições da Covid-19 em Xangai e a suspensão ou relaxamento de mandatos de testagem em várias cidades chinesas também impulsionaram os mercados, que haviam sido afetados nas últimas duas semanas em meio a preocupações com a fraca demanda na maior produtora de aço do mundo.

O minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian fechou em alta de 4%, a 775 yuans (115,92 dólares) a tonelada, depois de atingir mais cedo 782,50 yuans, seu maior nível desde 20 de junho.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de julho do ingrediente siderúrgico subiu 5,7%, para US$ 120,60 a tonelada, seu maior valor desde 20 de junho. No porto de Qingdao, o minério de ferro fechou cotado US$ 120,25, alta de 4,17%.

O minério de ferro caiu 22% em Dalian após um sell-off recorde de 10 sessões até 23 de junho, enquanto o contrato em Cingapura registrou o fechamento mais fraco deste ano na quinta-feira passada, a US$ 108,14 a tonelada, arrastado pela desaceleração da produção de aço na China.

O pânico do mercado visto na semana passada diminuiu, disseram analistas da Sinosteel Futures em nota. A expectativa é de que a produção limitada de aço ajude a reduzir os altos estoques, disseram eles, e “a redução na oferta ajudará os preços a pararem de cair”.

Mas o cenário geral para o mercado de ferrosos da China não mudou fundamentalmente, disseram analistas.

Monitor Digital - RJ   28/06/2022

Diversas empresas brasileiras apresentaram inovações para o setor de mineração e energia durante a Exponor 2022. A feira aconteceu entre 13 e 16 de junho em Antofagasta, Chile, e contou com a presença de seis companhias brasileiras convidadas para participar do estande coletivo promovido pelo Programa Brazil Machinery Solutions (BMS), ação criada para fortalecer a imagem brasileira como fabricante de bens de capital mecânicos com tecnologia e competitividade, fruto da parceria entre Abimaq e ApexBrasil.

O evento, que ocorre a cada dois anos, contou com aproximadamente 700 expositores e cerca de 40 mil visitantes. O foco desta edição foi a sustentabilidade, sendo que a projeção de geração em negócios foi de US$ 850 milhões para este ano. Ao todo, 19 projetos sobre tecnologias e inovações para a indústria da mineração e energia foram exibidos durante a feira.

As empresas Fewtec, Henfel, Netzsch, Neuman & Esser, Porta Cabos e Steinert foram as representantes brasileiras durante a Exponor. Entre os principais mercados com volume de negócios na feira estão o Chile, Argentina, Peru e a Austrália. Ao todo, as companhias realizaram 134 novos contatos comerciais e estimam faturar, juntas, US$ 1,08 milhão nos próximos 12 meses.

O Brasil exportou US$ 179,7 milhões em máquinas e equipamentos para mineração em 2021. Com participação de 22,4% neste setor, o maior destino de maquinários foram os Estados Unidos, que proporcionou faturamento de US$ 40,2 milhões. O Chile movimentou US$ 19,9 milhões, aumentando suas importações em 26,3%, na comparação entre 2020 e 2021. As exportações para o Peru atingiram US$ 13,9 milhões no ano passado. Países como o México e o Paraguai também estão entre os destinos de mercadorias brasileiras, sendo que as negociações em 2021 foram, respectivamente, de US$ 9,9 milhões e US$ 9,2 milhões no período.

Entre as máquinas e equipamentos brasileiros mais exportados no segmento de mineração estão as partes de máquinas e aparelhos para selecionar, peneirar, separar, lavar, esmagar, moer, misturar ou amassar terras, pedras ou minérios. Estes produtos totalizaram US$ 94,4 milhões em vendas em 2021, participação que equivale a 52,6% de todos os maquinários comercializados no setor.

O Chile, segundo maior parceiro comercial do Brasil no setor, importou essas tecnologias, que totalizaram movimentação de US$ 15,5 milhões em 2021 – tais maquinários brasileiros representaram 78,3% das importações chilenas no setor.

Máquinas e Equipamentos

ADVFN - SP   28/06/2022

Caterpillar Inc. (NYSE:CAT) é uma indústria multinacional líder na construção de máquinas pesadas, desenvolvimento de soluções de energia e produção de locomotivas. Especificamente, a empresa é a maior entidade do mundo no campo de atuação de equipamentos pesados, com uma participação de mercado dominante no campo de máquinas de construção e mineração.

As principais operações da empresa se estendem por várias subdivisões. Por conveniência, dividimos os negócios da Caterpillar em quatro ramos: Construção, Recursos, Energia e Transporte e Serviços Financeiros.

O sentimento sobre as ações da Caterpillar é atualmente um pouco misto. Por um lado, a empresa está bem posicionada para aproveitar os ventos favoráveis impulsionados pela conta de infraestrutura de US$ 1 trilhão aprovada em novembro passado. Como esses projetos exigirão toneladas de maquinário pesado, a Caterpillar certamente verá um aumento nas receitas com o aumento dos gastos com infraestrutura.

Por outro lado, as receitas da empresa são fortemente determinadas pela expansão subjacente da economia. Com a turbulência macroeconômica e política em curso chocando os mercados, alguns investidores especulam que uma recessão está se aproximando. Nesse caso, o crescimento econômico pode pausar, resultando em níveis de CAPEX decrescentes em todas as organizações, prejudicando os fluxos de caixa da Caterpillar.

Na minha opinião, a Caterpillar é uma empresa de qualidade, e a recente queda no preço das ações pode ser vista como uma oportunidade para investidores de crescimento de dividendos de longo prazo. No entanto, com base no ambiente de mercado atual, um declínio potencial nos lucros da empresa pode resultar em compressão adicional da avaliação.
Resultados recentes

Apesar das preocupações do mercado em relação às perspectivas futuras da empresa como resultado do ambiente comercial em andamento, o impulso da Caterpillar durou até o primeiro trimestre. A empresa registrou receita de US$ 13,6 bilhões, 14,3% maior em relação ao ano passado.

Os segmentos de Indústrias de Construção, Indústrias de Recursos e Energia e Transporte registraram crescimento de 12%, 30% e 12%, respectivamente. O aumento das receitas foi impulsionado principalmente por volumes de vendas mais elevados, que por sua vez foram suportados pela maior demanda do usuário final por equipamentos e serviços. Além disso, os revendedores expandiram ainda mais os estoques durante o trimestre, influenciando positivamente o faturamento da empresa. A realização vantajosa de preços também contribuiu para os resultados da empresa.

No entanto, as despesas da empresa também aumentaram em função do ambiente inflacionário em curso. Particularmente, a margem de lucro operacional da Caterpillar foi de 13,7%, comparada a 15,3% no mesmo período do ano anterior. Consequentemente, o lucro líquido cresceu, mas em um ritmo consideravelmente menor do que a receita. Especificamente, o lucro por ação ajustado atingiu US$ 2,88 contra US$ 2,87 no primeiro trimestre do ano anterior.
Retornos de capital e avaliação

A Caterpillar possui um extenso histórico de retornos de capital crescentes. A empresa aumentou seus dividendos por 28 anos consecutivos e, portanto, é constituinte do S&P 500 Dividend Aristocrat Index. Sua taxa de crescimento anual composta de dividendos por ação de 10 anos é de 6,8%. A última alta do DPS ocorreu há apenas alguns dias, com a taxa trimestral crescendo 8,1%, para US$ 1,20. Isso implica uma aceleração em comparação com o crescimento dos dividendos e pode sinalizar que a administração da Caterpillar valoriza seus investidores orientados para a renda durante o ambiente inflacionário em curso.

Além disso, a empresa também tem um longo histórico de recompras de ações. Para contextualizar, desde 1994, a Caterpillar recomprou e retirou cerca de 34% de suas ações em circulação. Durante o primeiro trimestre, continuou devolvendo dinheiro aos acionistas por meio de recompras, recomprando outros US$ 820 milhões em ações.

Apesar do modelo de negócios cíclico da empresa, o domínio da Caterpillar em sua esfera de operações e os retornos de capital consistentemente crescentes resultaram em investidores atribuindo um múltiplo premium às ações, historicamente. As estimativas de consenso apontam para a empresa alcançar um EPS de US$ 12,44 no ano fiscal de 2022, o que significa que as ações estão atualmente vinculadas a um P/E futuro de cerca de 14,9. Eu tenho sentimentos mistos sobre este múltiplo. É justo assumir que os ganhos da Caterpillar sejam sustentados nos níveis atuais e até melhorem um pouco, como no primeiro trimestre. No entanto, pode ser rico se o crescimento da receita não puder sustentar o aumento contínuo dos custos, suprimindo ainda mais as margens da empresa. Assim, os investidores devem considerar os dois cenários antes de alocar capital para a ação.
Consenso de Wall Street

Voltando a Wall Street, a Caterpillar tem uma classificação de consenso de compra moderada (moderate buy) com base em 11 classificações Buy, três Hold e duas Sell atribuídas nos últimos três meses. A US$ 240,73, o preçp-alvo médio das ações da Caterpillar implica um potencial de alta de 29,78%.

O caso de investimento da Caterpillar está moderadamente polarizado neste momento. Há catalisadores que podem apoiar o crescimento da receita, mas também há argumentos de que apoiar o arrefecimento da economia pode resultar em declínio da receita.

A avaliação também parece bastante atraente do ponto de vista do investidor de longo prazo, com fortes retornos de capital fornecendo uma margem de segurança ao múltiplo atual. As ações atualmente rendem 2,44%, enquanto assumindo um EPS de US$ 12,44, o índice de pagamento fica em torno de saudáveis 38%. Combinado com a aceleração do último aumento de dividendos, os investidores em crescimento de dividendos provavelmente sustentarão volumes de compra robustos nas ações. Por outro lado, o mercado não gosta de incerteza nos dias de hoje, por isso é difícil dizer se a compressão múltipla em andamento será interrompida.

A Caterpillar também é negociada na B3 através do ticker (BOV:CATP34).
Por Nikolaos Sismanis
Isenção de responsabilidade: A ADVFN não faz recomendações de ativos. A matéria tem cunho jornalístico. As opiniões expressas neste artigo são exclusivamente do autor. O conteúdo destina-se a ser usado apenas para fins informativos. É muito importante fazer sua própria análise antes de fazer qualquer investimento.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   28/06/2022

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor de máquinas e equipamentos espera avançar, ao menos, 4% em 2022, com mais destaque para exportações (11%) e menos para o mercado doméstico (1,5%).

Segundo João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq, o setor deve ter um avanço superior a 20%. No começo do ano passado, a estimativa de aumento era de 12%, momento ainda repleto de inseguranças por conta da pandemia da Covid-19.

Com o retorno da produção brasileira e de outros locais, o setor sofreu um avanço, promovendo também um aumento na demanda dos setores minerais e agrícolas. Até outubro de 2021, as vendas no segmento de máquinas agrícolas aumentaram 44%, e máquinas para construção civil, 72%.

O setor também avançou quase 10 pontos percentuais em relação ao market share, tendo, em conjunto, mais contribuições por conta das concessões à iniciativa privada em ferrovias, aeroportos, terminais ferroviários e saneamento e benefícios por investimentos no setor de celulose. Para este ano, espera-se que os investimentos em obras de infraestrutura continuem. A carteira de pedidos deve crescer 25% ante 2019.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda prevê um crescimento de 14,7% na agricultura em relação à safra de grãos.

“É preciso ações que ofereçam ao produto nacional maior competitividade nacional e internacional, e isso passa por eliminar todas as ineficiências sistêmicas (sistema tributário perverso, elevado custo do capital, infraestrutura ruim, etc.) e garantir condições para investimento, desenvolvimento de bens e serviços sofisticados que demandam elevado volume de mão de obra e agregam renda à população”, explica Marchesan.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   28/06/2022

Como parte das comemorações dos 65 anos de atividades no País, a Scania lançou oferta com edição de produção limitada e vantagens em pacote de serviços. A empresa criou um kit de equipamentos e acessórios para 265 unidades dos modelos com cabine de teto alto R 450 4×2, R 450 6×2 e R 540 6×4.

Na cesta, além de cor e aparência diferenciadas com grafismo alusivo à data, o caminhão sairá de fábrica com defletores, saia lateral, faróis de milha no teto e na grade, climatizador e rodas de aço pretas.

Na oferta, a Scania também estende o programa de manutenção Standard Flexível com o acréscimo de manutenções preventivas e corretivas do trem de força por quatro anos e serviços de conectividade para mais eficiência na gestão do veículo.

O pacote comemorativo custa R$ 35 mil e, segundo Silvio Munhoz, diretor de vendas de soluções da Scania no Brasil, está disponível para os modelos já vendidos, ou seja, na fila de entregas da montadora. “O cliente fazer do caminhão que espera receber em um modelo exclusivo.” Independentemente da edição limitada, no entanto, a empresa também criou um selo para que o cliente possa aplicar em ônibus e motores.

Junto ao caminhão, o transportador ainda tem algumas facilidades de pagamento, por exemplo, seis meses de carência com a primeira parcela do financiamento somente em 2023.

Valor - SP   28/06/2022

A partir dessa segunda-feira (27), a fábrica de São Bernardo do Campo da Volkswagen do Brasil, na região metropolitana de São Paulo, concederá 10 dias de férias coletivas aos funcionários, em razão falta de semicondutores, conforme confirmou a empresa.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que 3 mil trabalhadores terão em férias coletivas em função da falta de peças e componentes eletrônicos para finalizar a produção dos veículos. Os metalúrgicos ficarão fora da fábrica até 7 de julho. A montadora não informou o número de funcionários envolvidos.

De acordo com informações do sindicato, a crise dos semicondutores tem diversos fatores, mas que para o setor automobilístico o principal é a disponibilidade restrita de fabricação dos componentes para o setor por parte de fornecedores. Ainda segundo a entidade, essa é uma crise bem ampla que envolve fatores geopolíticos, logística, pandemia e até fatores climáticos, e já vem de no mínimo três anos.

A montadora já havia colocado cerca de 2,5 mil metalúrgicos em coletivas no mês de maio por problemas na cadeia de fornecimento de peças. Dados do sindicato dão conta de que a empresa conta com cerca de 8,2 mil trabalhadores na planta de São Bernardo, sendo 4,5 mil na produção.

O coordenador-geral da representação do sindicato na Volkswagen, José Roberto Nogueira da Silva, avalia que a falta de componentes tem impactado não só o ramo automotivo, mas todo o setor industrial brasileiro. “Este é um problema que vem afligindo não só a indústria automobilística. Toda a indústria nacional vem sendo impactada. Isso acaba atingindo diretamente os trabalhadores. A falta de política industrial e de desenvolvimento no país tem causado a desestruturação da cadeia produtiva nacional”, disse, em nota.

Segundo Silva, um acordo vigente na montadora, negociado entre sindicato e a empresa, dá aos trabalhadores tranquilidade em relação aos empregos. “É muito importante neste momento termos um acordo de longo prazo que prevê situações como esta que vem perdurando há muito tempo. O acordo dá previsibilidade para trabalhadores se organizarem e também para a empresa pensar o futuro da planta”.

Coordenador-geral da representação do sindicato na Volks, José Roberto Nogueira da Silva diz que falta de componentes tem impactado todo o setor industrial — Foto: Volkswagen do Brasil

Valor - SP   28/06/2022

Sueca vê carro híbrido como um ‘bilhete de entrada’ para eletrificação

Gustafsson, chefe da Volvo Cars Américas: “Sejamos honestos: com que frequência dirigimos o carro até atingir todo o alcance do combustível que temos?” — Foto: Silvia Zamboni/Valor

Recentemente, problemas de saúde obrigaram o presidente da Volvo Cars Américas, Anders Gustafsson, a uma mudança de rotina, com dieta rígida e exercícios físicos. Passada a fase de adaptação e com a saúde recuperada, o executivo sueco leva o exemplo pessoal para o trabalho e tenta imaginar o comportamento de quem compra carros elétricos, que dependem do carregamento em tomadas. “Como na saúde, é tudo uma questão de mudança de hábitos”, diz.

A Volvo é líder do segmento de carros 100% elétricos no Brasil, com 39% desse mercado no acumulado de janeiro a maio. Há cerca de um ano, a companhia decidiu abandonar a venda de carros a combustão no Brasil, passando a oferecer apenas híbridos e 100% elétricos. E no fim de 2021, anunciou investimento de R$ 10 milhões para ampliar a instalação de pontos públicos de carregamento de baterias, principalmente em rodovias.

Há poucos dias, Gustafsson, passou pelo Brasil. Entre os compromissos de trabalho, num encontro com concessionários ouviu o que ouve em todos os países que visita: faltam carros. É um problema que o frustra. Mas não há o que fazer enquanto persistir a escassez de semicondutores. Na conversa com o Valor, ele pega a tampinha da garrafa de água e compara: “sem essa pequena peça essa garrafa de água não serve para nada”.

Com formação na área de negócios e experiência em vendas, Gustafsson está, desde 2017, no comando das operações das Américas e é também o presidente da Volvo Cars nos EUA. Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Valor: A Volvo decidiu vender só veículos eletrificados no Brasil. Qual tem sido a reação do consumidor?

Anders Gustafsson: Muitos nos diziam que talvez fosse cedo demais para tomar essa decisão. Havia o receio da falta de infraestrutura. Mas estamos vendo que os consumidores estão se adaptando muito mais rápido do que poderíamos imaginar. Nossos clientes têm alto poder aquisitivo e gostam do que os leva até a tecnologia. Sair antes dos demais era um risco. Mas é mais fácil de vencer se você for o primeiro.

Valor: No Brasil se fala muito em iniciar o processo de eletrificação pelos híbridos. Qual é a sua opinião?

Gustafsson: Vemos nossos híbridos como o bilhete de entrada para o mundo da eletrificação, que deixa a pessoa viciada. Lembro da satisfação da minha esposa quando começou a carregar o carro e ao ver, depois, que podia monitorar o nível de carga pelo celular. Eu tenho três filhos. A mais nova fica extremamente incomodada quando ouve o ruído de um motor a combustão.

Valor: A sustentabilidade já é, então, um apelo de vendas para elétricos?

Gustafsson: Isso está crescendo. E acontece da mesma forma para todos nós. Todos estamos falando sobre isso. Eu costumo dizer que quando ficamos doentes nada é mais importante do que ficar saudável. E acho que é o mesmo vale para a sustentabilidade. Vemos o que está acontecendo no mundo. Vemos doenças que nunca experimentamos antes e que o poder da natureza é bastante único.

Valor: O senhor é presidente da Volvo nos EUA, onde o governo tem planos ousados para a eletrificação. Como tem sido esse processo?

Gustafsson: No fim, é sempre o consumidor quem decide. Mas incentivos podem levar os clientes a uma transformação mais rápida. Hoje temos eletrificação com apoio financeiro para o consumidor nos EUA e o governo dará estímulo financeiro adicional para acelerar o processo. Haverá, também, muito, muito dinheiro para infraestrutura; e não só na Califórnia. A combinação do apoio financeiro com a existência de infraestrutura certamente elevará o interesse pela eletrificação nos EUA.

Valor: E como andam os testes com carros autônomos por lá?

Gustafsson: Todas as marcas estão testando autônomos e temos avançado no desenvolvimento com nossos parceiros. Provavelmente daqui a dois meses vamos falar mais a respeito.

Valor: O Brasil é um país de economia instável. Fatores como inflação e alta dos juros preocupam uma marca de luxo como a Volvo?

Gustafsson: Eu não estou feliz com isso. Mas somos uma marca forte, com portfólio de produtos forte. Absorvemos só uma parte da indústria, que é o segmento premium. Não competimos com marcas convencionais. Administramos um negócio que é saudável. Quando o mercado cai normalmente ganhamos participação. E se o mercado cresce temos nosso ciclo de novos produtos.

Valor: Vocês planejam aumentar a oferta de produtos no Brasil?

Gustafsson: Nos próximos dois anos, vamos lançar dois novos modelos de segmentos em que não estamos hoje. Teremos um novo SUV totalmente elétrico. Avançamos com carros de segmentos inéditos. É assim que crescemos com lucratividade.

Valor: A Volvo optou por não ter fábrica no Brasil. Isso pode mudar algum dia?

Gustafsson: Somos uma empresa listada em Bolsa e, por isso, precisamos garantir retorno aos acionistas. Tomamos decisões com base no que precisamos. Estamos crescendo e a estrutura mudará se necessário. Mas antes de tudo, precisamos atingir volumes.

Valor: E como a Volvo enfrenta a escassez de semicondutores?

Gustafsson: É frustrante porque poderíamos vender 100% mais. Mas não temos os carros. Nossos fornecedores estão tentando fazer o melhor. Acontece que boa parte deles está na Ásia. E estiveram, no último mês, sob tremenda pressão. Mas agora as fábricas estão abrindo novamente e a produção volta a níveis para atender nossas expectativas.

Valor: O problema da falta dos chips deixou lições?

Gustafsson: Nós temos o metal, temos as baterias, temos a tecnologia, mas sem essa pequena peça não podemos produzir os carros. É incrível. Eu e minha esposa costumamos comprar coisas na IKEA para montar em casa. Ela sempre me pede para montar, mas acabo pedindo ajuda a ela porque, com base no meu gênero, nunca leio as instruções. Sempre tento sem ler instruções. Então, acabo deixando alguma peça de fora. Isso acaba com meu dia. É dessa forma que eu me sinto agora no trabalho em relação à falta dos semicondutores.

Valor: Sempre houve um excesso de dependência do abastecimento feito pela Ásia...

Gustafsson: Sim, e foi doloroso. Mas agora o governo dos EUA e de vários outros países trabalham com incentivos para atrair a indústria de semicondutores para que isso não aconteça mais. O semicondutor precisa ser feito em ambiente muito rigoroso, com muito investimento.

Valor: Voltando à eletrificação, embora marcas como a Volvo estejam investido em pontos de recarga públicos o Brasil ainda é carente de infraestrutura. Isso não prejudica os planos?

Gustafsson: Fico feliz quando vejo nossas estações de recarga e quando vejo que nossos concorrentes as usam. Por que temos que esperar o governo arrumar tudo? Se todos nós investirmos na infraestrutura será muito mais fácil vender mais veículos elétricos.

Valor: Mas a falta de infraestrutura ainda deixa o consumidor com receio de comprar um carro 100% elétrico...

Gustafsson: É tudo uma questão de mudança de hábitos. Quando tive que fazer uma dieta rígida, o primeiro mês foi difícil, o segundo mês também foi. Hoje não é mais. Odeio ter que ir para a academia. Mas passei a ir 30 minutos por dia. E agora me sinto mal quando não vou. Com a eletrificação é a mesma coisa. O consumidor vai aprender a mudar os hábitos. Sejamos honestos: com que frequência dirigimos o carro até atingir todo o alcance do combustível que temos? Ou: quanto por cento da memória do celular usamos? Eu realmente espero que o consumidor comece a pensar de forma diferente em relação aos carros elétricos.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Agência Brasil - DF   28/06/2022

O Índice Nacional de Custo da Construção-M (INCC-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou inflação de 2,81% em junho deste ano. Ela é superior ao valor de maio (1,49%) deste ano e maior que os 2,30% de julho de 2021.

Com o resultado, o INCC-M acumula inflação de 7,20% no ano e de 11,75% em 12 meses. Em julho de 2021, o INCC-M acumulado em 12 meses era de 16,88%.

Em junho deste ano, a taxa relativa a materiais, equipamentos e serviços ficou em 1,40%, abaixo do 1,55% de maio. Já o subíndice da mão de obra chegou a 4,37% em junho, ante 1,43%, em maio.

Grandes Construções - SP   28/06/2022

Disponibilizado pela plataforma de educação financeira TC Matrix, o estudo “Perspectivas para o setor de construção civil” reúne análises sobre a conjuntura econômica atual no setor, avaliando aspectos como comportamento de custos, desempenho em financiamentos e demanda de insumos, além de projeções sobre lançamentos, vendas, riscos e oportunidades.

Um dos destaques do estudo é a análise setorial das companhias listadas em bolsa, com foco em construtoras e incorporadoras, especialidade da empresa.

“A conjuntura atual é desafiadora para o setor em termos de custos de matérias-primas e taxa básica de juros, pontos que já começam a impactar nos lançamentos das companhias”, diz a empresa, que utiliza referências do Banco Central, CBIC e IBGE nas análises.

O relatório também projeta que a alta nos custos da construção civil deve arrefecer com a desaceleração econômica esperada para 2023.

“Em paralelo, esperamos que a melhora da inflação ao consumidor possibilite o início da redução da taxa básica de juros ao longo do ano, convergindo para cerca de 8% a.a. em 2024”, completa a TC Matrix.

PETROLÍFERO

Valor - SP   28/06/2022

Novas sanções contra a Rússia e encontro da Opep e aliados foram alguns dos elementos sob avaliação

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, com uma menor apreensão por uma chance de recessão americana e também global. Além de leituras afastando o cenário de retração econômica, hoje o indicador do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de Atlanta sobre o Produto Interno Bruto (PIB) americano saiu de uma estimativa de estabilidade para um leve avanço no segundo trimestre deste ano, o que melhorou o humor do investidor sobre a demanda da commodity. Além disso, novas sanções do G7 contra a Rússia devem apertar ainda mais o mercado de petróleo, o que dá base para o avanço dos contratos.

No fim das negociações desta segunda-feira, os preços dos contratos para agosto do Brent, a referência global, fecharam em alta de 1,74%, a US$ 115,09 o barril, na ICE, em Londres, enquanto os preços dos contratos para o mesmo mês do WTI, a referência americana, subiram 1,81%, a US$ 109,57 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

No fim de semana, os países do G7 disseram que estão se movendo em direção a um acordo para expandir as sanções contra a Rússia, procurando um mecanismo para limitar o preço de compra do petróleo russo. Espera-se que os detalhes do teto do preço de compra de petróleo sejam concluídos antes da conclusão da cúpula na terça-feira.

Também nesta semana, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) devem se reunir para determinar a produção referente ao mês de agosto.

Enquanto decisões acerca da produção e das sanções contra a Rússia não determinam uma orientação para o investidor, projeções sobre a economia americana ajudam a desfazer o temor por uma recessão tão cedo. Segundo o indicador GDPNow, do Fed de Atlanta, a projeção divulgada nesta segunda é que o PIB americano suba 0,3% no segundo trimestre. Na projeção anterior, de 16 de junho, o medidor apontava para uma estabilidade.

Também nesta segunda, o JPMorgan, que havia alertado semana passada em seu relatório de projeções do meio do ano que a chance de uma recessão nos Estados Unidos havia crescido, interpretou seus números e ainda avaliou um cenário mais otimista para o planeta.

Petro Notícias - SP   28/06/2022

A PetroReconcavo vai ampliar seu fornecimento de gás natural para o Nordeste. A empresa anunciou na noite de hoje (27) que assinou um contrato para o fornecimento do insumo para a Companhia de Gás do Ceará (Cegás). Pelo acordo, a petroleira independente prestará fornecimento em base firme de 30.000 m³ por dia de gás natural. O contrato terá vigência de um ano a partir da data de início de fornecimento.

“O Contrato contempla ainda a possibilidade de fornecimento de volumes adicionais, nas mesmas condições comerciais definidas para o volume firme, caso exista o interesse das partes e disponibilidade das infraestruturas necessárias ao processamento e transporte do gás natural até os pontos de entrega”, disse a PetroReconcavo em comunicado assinado pelo diretor financeiro Rafael da Cunha.

A empresa detalhou ainda que o início do fornecimento depende ainda da contratação dos serviços de transporte junto a TAG. “O Preço do gás do referido contrato será constituído pela soma do repasse do custo de transporte (Parcela de Transporte) com a Parcela da Molécula, sendo esta última em função da cotação do Petróleo tipo Brent”, finalizou Cunha.

TN Petróleo - RJ   28/06/2022

Nos seis primeiros meses deste ano, a Pré-Sal Petróleo (PPSA) arrecadou R$ 1,23 bilhão com a comercialização da parcela de petróleo e gás de direito da União em contratos de partilha de produção.

Segundo informou a empresa, hoje (27), no Rio de Janeiro, o montante é recorde desde a sua criação e supera em 1% o valor arrecadado no ano passado (R$ 1,22 bilhão).

Criada em novembro de 2013, a Pré-Sal Petróleo atua na gestão dos contratos de partilha de produção, gestão da comercialização de petróleo e gás natural e a representação da União nos acordos de unitização ou individualização.

No primeiro semestre de 2022, foi comercializado o petróleo dos contratos dos campos de pré-sal de Mero, Tupi e Sapinhoá para a Petrobras, que arrematou as cargas em leilão realizado na B3, Bolsa de Valores. Esses campos ficam na Bacia de Santos (SP).
Volume

Até o fim do ano, está prevista a comercialização de 19 cargas de 500 mil barris de petróleo cada. Desse total, sete cargas já foram entregues. Entre janeiro e junho, também foi comercializado o gás natural dos contratos dos campos de pré-sal de Búzios, Sapinhoá e Tupi.

Na avaliação da PPSA, o resultado obtido no primeiro semestre deste ano confirma o crescimento esperado para a receita da União com a comercialização de sua parcela nos contratos de partilha de produção de petróleo. Até dezembro próximo, a expectativa é que a arrecadação alcance perto de R$ 4 bilhões. Os recursos são destinados ao Tesouro Nacional.

Desde 2013, a PPSA já arrecadou R$ 5,21 bilhões para a União, dos quais R$ 3,9 bilhões resultaram da comercialização e R$ 1,3 bilhão da Equalização de Gastos e Volumes (EGV), acerto financeiro decorrente dos Acordos de Individualização da Produção de Sapinhoá, Tupi e Tartaruga Verde.

Globo Online - RJ   28/06/2022

Grandes produtores de petróleo, países são alvos de sanções ocidentais que limitam suas exportações

Por O Globo; AFP — Schloss Elmau, Alemanha

27/06/2022 14h07 Atualizado 27/06/2022

A França defendeu durante o encontro do Grupo dos Sete (G7) desta segunda-feira a "diversificação das fontes de abastecimento de petróleo" no mercado, incluindo Irã e Venezuela — importantes produtoras de petróleo que tiveram suas economias estranguladas por sanções dos Estados Unidos. O apelo francês busca aliviar o aumento dos preços provocado pela invasão russa na Ucrânia, que na sexta-feira completou quatro meses.

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Segundo o governo do presidente Emmanuel Macron, "há recursos em outros lugares que também devem ser explorados", apontando para Caracas e Teerã e pressionando para um alívio das restrições. No caso do país persa, o Eliseu disse que "há um nó a desatar, se necessário", com os Estados Unidos, para que o petróleo iraniano possa "retornar aos mercados":

"As negociações [do acordo nuclear de 2015] estão encerradas no que diz respeito ao [âmbito] nuclear, mas não no que diz respeito à relação entre o Irã e os EUA em uma questão específica: as sanções relacionadas ao terrorismo", diz a nota.

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O governo de Macron refere-se às medidas reimpostas em 2017 após o então presidente americano, Donald Trump, retirar Washington do pacto nuclear de dois anos antes, com sua política de "pressão máxima". O acordo estipulava limites às atividades nucleares do Irã em troca do levantamento das sanções ocidentais que haviam começado em 2012, quando o país persa era o segundo maior exportador global de petróleo, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Devido ao pacto, as sanções que bloqueavam o acesso pleno de Teerã ao sistema de comércio internacional e a parcerias internacionais foram suspensas entre 2015 e 2017. Com a saída americana do tratado, no entanto, os obstáculos voltaram, assim como o estrangulamento da economia da República Islâmica.

Desde que Trump deixou o Salão Oval, todos os lados conversam para uma retomada do pacto — firmado entre Irã, EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha —, mas as negociações estão travadas desde março. No fim de semana, o chefe da diplomacia europeia disse que as conversas serão reiniciadas, mas não deu prazo para que isso aconteça.

As negociações anteriores já solucionaram a maior parte dos termos para um retorno americano, mas o presidente Joe Biden resiste em aceitar a demanda iraniana de que a Guarda Revolucionária, a força de elite do país persa, deixe de ser classificada como uma organização terrorista. Segundo fontes da AFP, o governo iraniano teria aliviado suas demandas no privado, mas demanda maiores concessões americanas para maiores indícios de que a mudança de status ocorrerá, mesmo que gradualmente.

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Petróleo venezuelano

Segundo o governo de Macron, o "petróleo venezuelano também deve poder retornar ao mercado". Os americanos, que não reconhecem Nicolás Maduro como presidente depois de considerar sua reeleição fraudulenta em 2018, impuseram, em abril de 2019, um embargo que impede a Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo do mundo, de negociar no mercado americano o produto que representava 96% de suas receitas.

No dia 17 de maio, contudo, o governo Biden afirmou que algumas das medidas seriam flexibilizadas em uma tentativa de promover a retomada do diálogo entre os representantes de Maduro e da oposição. As ações incluem a retirada de um funcionário da estatal PDVSA da lista de pessoas sob sanções e uma permissão para que a petrolífera Chevron comece negociações com autoridades locais. Desde então, americanos e europeus já indicaram que alívios subsequentes são esperados.

Logo após o início da guerra na Ucrânia, países como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália anunciaram boicotes ao petróleo russo. A UE, que tem enorme dependência de Moscou para sua malha energética — em 2020, 29% do petróleo e 43% do gás importados pelo bloco vinham da Rússia —, anunciou um veto parcial e gradual no fim de maio, após semanas de impasse, que deve fazer suas exportações caírem em dois terços.

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O impacto, contudo, está aquém do esperado: China e Índia, os países mais populosos do mundo, investiram para comprar aproximadamente o mesmo volume de petróleo russo que teria ido para o Ocidente. Como o preço do produto disparou, Moscou recebe mais do antes do conflito eclodir.

Para comprarem dos russos, os chineses reduziram seus negócios com o Irã que tem grande dependência de Pequim para manter o que resta de sua economia funcionando. Portanto, a pressão francesa sobre os EUA vem também em um momento particularmente interessante para Teerã.

Os franceses defendem que haja um aumento "excepcional" da produção de petróleo. Quando a isso, afirmaram que o assunto será tratado por Biden durante sua controversa visita a Riad, no mês que vem. O Eliseu disse também que Macron está em contato com o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, o líder de facto da Arábia Saudita.

Teto no preço do petróleo

Os franceses também defendem que o debate sobre a criação de um teto para o preço do petróleo da Rússia, uma tentativa de minar a capacidade do Kremlin de financiar o conflito, seja ainda mais amplo. Afirmam, contudo, que é necessário ir além, discutindo preços máximos na Opep.

"Seria muito mais poderoso se viesse de todos os países produtores", afirmou no domingo o governo francês.

Paris defende também que seja debatido um teto para o gás, cujo preço continua a disparar na Europa: no fim da manhã, registaram um aumento de 2,3%, chegando a 131,5 euros por megawatt-hora. Na semana passada, cresceram 9,1%. A situação não deve melhorar, já que o gasoduto Nord Stream continua operando a 40% de sua capacidade e deve ser interrompido completamente por dez dias no mês que vem para manutenções pré-agendadas.

O gasoduto, que cruza o Mar Báltico da Rússia até o território alemão, era responsável por entregar mais de 40% de todo o gás que chegava na UE antes da guerra. O Kremlin diz que o corte deve-se a problemas técnicos, mas os alemães, que aumentaram o nível de alerta energético do país temendo que não haja energia suficiente para o continente se aquecer no inverno, diz que as motivações russas são políticas, em retaliação às sanções da UE.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   28/06/2022

Em ano eleitoral, o que não falta é a elaboração de propostas e programas para o governo em geral, abordando políticas públicas e econômicas relativas aos mais diversos setores.

É comum se tomar com um grão de sal essa profusão de ideias e boas intenções, em contraste com o descalabro na gestão do País que insiste em se manter por longo período de crise econômica, política e social.

Mas é um erro descartar a priori a produção de propostas da temporada eleitoral. Já houve casos em que boas ideias acabaram sendo postas em prática. O mais emblemático foi o da “Agenda Perdida”, pré-programa econômico coordenado por José Alexandre Scheinkman e Marcos Lisboa e adotado no primeiro mandato de Lula – apesar de o documento ter sido encomendado por Ciro Gomes.

Um documento atual oportuno, ao qual os candidatos de 2022 deveriam prestar atenção, tem o título de “Políticas Públicas para a Inserção Competitiva e Sustentável do Agronegócio Brasileiro no Mundo”, elaborado pelos pesquisadores Amanda Araújo, Camila Dias Sá, Claudia Cheron König e Marcos Sawaia Jank, numa iniciativa conjunta do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e do Insper.

O documento nota que o protecionismo e o nacionalismo vêm afetando o comércio agrícola internacional, com acesso crescentemente seletivo a mercados.

Nesse contexto, o Brasil aparece como grande player global no setor, com exportações agrícolas que sextuplicaram de US$ 20 bilhões para US$ 120 bilhões em 20 anos, abrangendo hoje mais de 200 países. Nesse período, China e outros emergentes substituíram a Europa como principais clientes agrícolas do Brasil.

O documento do Cebri e Insper identifica cinco desafios principais para a agricultura brasileira: estratégia internacional, levando em conta que novos concorrentes vêm surgindo com a expansão da fronteira agrícola em outros países; governança, com ênfase na coordenação entre o setor público e privado; acesso a mercado e diversificação e diferenciação da pauta exportadora; inovação e competitividade, em que entram fragilidades como logística, custo energético, mão de obra insuficientemente qualificada etc.; e agenda ambiental, no qual a rastreabilidade da produção é cada vez mais exigida nos mercados globais.

Os cinco grupos de proposições detalhadas do documento são elaborados a partir desse diagnóstico dos desafios.

Em termos de estratégia internacional, recomendam-se o foco em regiões como Sudeste e Sul Asiático e África Subsaariana – cujas parcelas na população humana já são ou se tornarão cada vez mais majoritárias – além de uma definição mais clara de prioridades nas negociações comerciais.

Na área de governança, algumas das pautas são os mecanismos de coordenação de atores públicos e privados; a reforma do arcabouço sanitário datado dos anos 50, com a introdução do “autocontrole” pelas indústrias da conformidade sanitária, acompanhado de duras punições ao descumprimento; a incorporação do princípio de “One Health”, que faz o amálgama entre saúde humana, animal e meio ambiente; e a criação de um banco de dados com respostas-padrão sobre o sistema de inspeção brasileiro.

Em termos de acesso a mercados, diversificação e diferenciação, os autores enfatizam que uma maior abertura no Brasil facilitaria a conclusão de novos acordos comerciais, e que o setor privado deve ser encorajado a tomar as rédeas em ações para defender seus interesses no mercado internacional.

Também se mencionam oportunidades trazidas por nichos de mercado, como produtos livres de transgênicos e insumos químicos no mercado europeu, ou nutricionalmente mais ricos, na Europa e em outras regiões.

No desafio da competitividade, entre diversos temas, mencionam-se avanços tecnológicos como geotecnologias, rastreabilidade, big data, gestão de informações e a chamada “agricultura de precisão”.

Além da sempre presente cobrança de melhoras e integração de rodovias, ferrovias, portos e setor marítimo, o documento trata também da redução da “dualidade da agricultura”, com a integração competitiva dos pequenos produtores e da agricultura familiar.

Na área de meio ambiente, finalmente, a proposta é a “construção da imagem (marca) do Brasil como potência agroambiental”. Os autores notam que o código florestal é uma “legislação moderna e das mais rigorosas do mundo”, mas tem problemas de implementação ligados a lacunas como a validação de dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (que só chegou a 1,6% do objetivo) e a implantação dos Programas de Regularização Ambiental (CAR).

O documento também observa que a desburocratização da governança de terras é bem-vinda, mas com cuidado para não “induzir a continuidade da ocupação de terras públicas e, por consequência, o desmatamento”.

Outros temas tratados são a expansão dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILFP) e o plantio direto, “aliados à baixa pegada hídrica e à matriz energética limpa e renovável do país, [que] certamente facilitam a construção da imagem do Brasil como um país com potencialidades agrícolas e em descarbonização”.

Na conclusão do conjunto de propostas, é mencionada também a questão da segurança alimentar, que ganhou destaque com o recente avanço da fome na esteira da crise econômica.

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