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27 de Abril de 2022

SIDERURGIA

IstoÉ Online - SP   27/04/2022

A produção brasileira de aço bruto em 2022 deve subir 2,2% em relação ao ano passado, para 36,97 milhões de toneladas, afirmou nesta terça-feira a entidade que representa as empresas do setor, Aço Brasil.

A instituição previu também alta de 2,5% nas vendas internas de aço em 2022, para 23 milhões de toneladas; e avanço de 1,5% no consumo aparente da liga no país, a 26,88 milhões de toneladas, segundo dados de apresentação a jornalistas.

Em março, a produção brasileira de aço bruto somou 2,946 milhões de toneladas, aumento de 4,9% sobre um ano antes. Mas o consumo aparente do produto caiu 14,2%, a 2,079 milhões de toneladas.

Segundo o presidente da Aço Brasil, Marco Polo Lopes, um dos desdobramentos do conflito Rússia-Ucrânia foi a intensificação da guerra comercial ao redor do mundo para países produtores defenderem seus mercados, com medidas incluindo salvaguardas, subsídios e elevação de tarifas.

No fim de 2021, o mercado produtor já tinha um excesso de capacidade de 518 milhões de toneladas.

Lopes disse ser normal que países eventualmente facilitem a importação de produtos como forma de equilibrar preços. E o aço tem sido uma das commodities globais que mais subiram nos últimos meses, inflacionando custos de várias indústrias.

“Mas o Brasil não pode ser o destinatário do desvio do comércio de outros países”, disse Lopes.

O executivo também rejeitou a classificação do aço como um dos principais vilões da inflação brasileira, que tem estado acima de dois dígitos ao ano desde 2021, muito acima da meta oficial.

Segundo a entidade que ele preside, a contribuição do aço no Índice de Preço ao Atacado (IPA) da FGVs é baixa. Em 12 meses até março, considerando o IPA total de 17,6%, a participação do vergalhão foi de 0,013 ponto percentual e da bobina a quente de 0,103 ponto.

“O aço não pode ser responsabilizado pela inflação”, afirmou Lopes.

Valor - SP   27/04/2022

A siderúrgica reportou lucro líquido de US$ 877,5 milhões no primeiro trimestre; a receita da companhia somou US$ 4,3 bilhões, alta de 32%

A siderúrgica Ternium reportou lucro líquido de US$ 877,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 24,2% ante o mesmo período de 2021. O lucro por ação ficou em US$ 3,95, ante US$ 3,07 do primeiro trimestre do ano passado.

A receita total da Ternium somou US$ 4,3 bilhões, alta de 32% na mesma base de comparação. Já o Ebitda da companhia foi de US$ 1,21 bilhão entre janeiro e março, ou US$ 409,5 por tonelada.

De acordo com a Ternium, a queda de 23% no Ebitda por tonelada ante o quarto trimestre do ano passado reflete os menores preços de aço e os maiores custos de matéria-prima.

Os embarques de aço somaram 2,95 milhões de toneladas, queda de 5% ante o primeiro trimestre do ano passado, enquanto os embarques de ferro caíram 13%, para 897 mil toneladas.

A receita da tonelada da companhia caiu 5% ante o quarto trimestre de 2021, para US$ 1.427, em razão da queda de preços do aço nas operações do México. Em outros mercados da Região Sul, a receita ficou estável no comparativo ao fim do ano passado.

Ao final do trimestre, a posição de caixa da companhia ficou em US$ 1,6 bilhão, ante US$ 1,2 bilhão ao final do ano passado.

As ações da Ternium registravam há pouco alta de 0,65% no pós-mercado de Nova York, a US$ 40,31. Os papéis recuaram 4,21% no pregão regular, para US$ 40,05.

Siderúrgica Ternium — Foto: Divulgação

Portos e Navios - SP   27/04/2022

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta segunda-feira (25), a aquisição e incorporação da Metalgráfica Iguaçu pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em contrapartida, a CSN cederá aos atuais acionistas da Iguaçu um percentual de ações que será aprovado em assembleia geral extraordinária das companhias.

A CSN atua em toda a cadeia produtiva do aço, desde a extração do minério de ferro até a produção e comercialização de uma gama diversificada de produtos de aço, por meio de áreas de negócios próprias e de suas controladas. Já a Iguaçu, empresa brasileira, atua na fabricação de embalagens metálicas e detém, como sua principal controladora, a Merisa Engenharia e Planejamento.

De acordo com a CSN, a operação tem como objetivo manter um fabricante no mercado de embalagens metálicas e, consequentemente, a demanda por folhas metálicas; adquirir linhas de produção de embalagens metálicas mais modernas e produtivas; e garantir a retomada e o crescimento da atividade produtiva da Iguaçu. No caso da Iguaçu, o negócio é considerado pelos acionistas como imprescindível para sanear as contas e evitar o endividamento.

Após analisar o mercado afetado pela operação, a Superintendência-Geral do Cade verificou existirem fatores que geram pressões concorrenciais de forma a tornar improvável o exercício de poder de mercado por parte das empresas envolvidas. Por essa razão, decidiu aprovar o negócio sem restrições.

Se o Tribunal do Cade não avocar os atos de concentração para análise ou não houver interposição de recurso de terceiros interessados, no prazo de 15 dias, as decisões da Superintendência-Geral terão caráter terminativo e as operações estarão aprovadas em definitivo pelo órgão antitruste.

IstoÉ Online - SP   27/04/2022

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou que ocorreu um incêndio em um galpão de embalagens e componentes no final da noite da segunda-feira, 25, na Usina Presidente Vargas em Volta Redonda.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirma que o fogo foi controlado sem trazer impacto para a produção ou segurança da operação.

A CSN reforça também que não havia colaboradores no local no momento do incêndio e que está averiguando as causas que originaram o incidente.

Money Times - SP   27/04/2022

Apesar dos resultados ruins do primeiro trimestre, a Usiminas (USIM5) conseguiu manter uma liquidez “extremamente satisfatória”, avalia a Ativa Investimentos.

Segundo a corretora, fechando o ano “caixa líquida” em mais de R$ 1 bilhão, a Usiminas poderá, ao fim do investimento esperado para a reforma do Alto Forno 3, rediscutir a sua política de dividendos.

No entanto, a revisão deve acontecer no segundo semestre de 2023. Por enquanto, a companhia seguirá pagando o mínimo previsto em sua política (25% do lucro líquido), diz a Ativa.

Nos últimos resultados, a Usiminas reportou lucro de R$ 1,26 bilhão nos primeiros três meses do ano, o que corresponde a uma alta de 5% comparado com o mesmo período de 2021.

A receita líquida totalizou R$ 7,8 bilhões, expansão de 11% no comparativo.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado veio 36% abaixo do montante registrado um ano antes, atingindo R$ 1,56 bilhão. A margem Ebitda ajustada caiu 14,4 pontos percentuais, a 19,9%.

Curto prazo nem tão bonito

A Ativa reiterou sua recomendação neutra para as ações da Usiminas, mas cortou o preço-alvo de R$ 19 para R$ 16.

Apesar do valuation atrativo (empresa é negociada a 2,3 vezes EV/Ebitda [valor da empresa sobre Ebitda] versus mediana de 6,3 vezes nos últimos cinco anos), a corretora acredita que o curto prazo deve colocar pressão sobre os papéis.

“Não vemos o mercado convergindo à valores mais ‘justos’ no curto prazo em função dos cenários enfrentados em siderurgia e mineração“, diz Ilan Arbetman e Tadeu Lourenço, que assinam o relatório da Ativa divulgado nesta terça-feira (26).

A Ativa tem incertezas quanto ao desempenho da Usiminas no segmento de mineração ao longo de 2022. A companhia depende da demanda chinesa para atingir seu guidance de produção, lembra. Os preços de minério de ferro também são altamente expostos ao mercado chinês.

Na avaliação da corretora, o cenário futuro em mineração é melhor que o atual.

Em siderurgia, o momento vivido pela Usiminas é igualmente delicado.

“Embora as vendas domésticas neste primeiro trimestre tenha nos surpreendido e a empresa esteja com um nível adequado de estoques, o cenário futuro é um tanto desafiador, ao menos para 2022”, avalia o time de análise da Ativa.

A corretora vê o segmento de siderurgia pressionado pela pressão de custos, que acabou levando à postergação da reforma do Alto Forno 2.

As pressões de custos acabam impedindo que a Usiminas obtenha melhores margens nessa unidade de negócio.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   27/04/2022

Após três semanas sem publicação por causa da paralisação dos servidores, o Banco Central voltou a divulgar o boletim Focus, que reúne as projeções do mercado, nesta terça-feira. Nesse período “no escuro”, as expectativas de inflação subiram de 6,86% neste ano, no relatório divulgado em 28 de março, para 7,65% nesta semana. A expectativa, assim, é mais que o dobro da meta oficial da inflação para o ano, de 3,5%, e está em elevação há 15 semanas.

O mercado também elevou a sua projeção para a Selic neste ano, que passou de 13% para 13,25%. A expectativa de crescimento do PIB variou de 0,5% para 0,65%.

As expectativas do mercado contrastam com as do governo. Na última edição do Boletim Macrofiscal, divulgada pelo Ministério da Economia em março, a projeção de inflação para 2022 era de 6,55% para o IPCA. Já a expectativa para crescimento do PIB é de 1,5%.

Em março, quando o último relatório foi divulgado, já fazia sete semanas que economistas recalculavam a inflação de 2022 para cima, cada vez mais longe da meta de 3,5% estabelecida para este ano. Mesmo considerando o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo, o número ainda ficaria acima do teto, que seria de 5%, o que implicaria no descumprimento da meta pelo segundo ano consecutivo. A atual projeção extrapola o teto da meta em 2,65 p.p..

A inflação vem se mantendo alta e persistente no Brasil. Os preços também são impactados pelos reflexos da guerra entre Ucrânia e Rússia nos combustíveis e alimentos em todo o mundo. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já admitiu que o núcleo de inflação está muito alto e disse que o indicador do IPCA de março, o maior para o mês desde 1994, foi uma surpresa.
Atraso nas divulgações

A paralisação dos servidores do BC vinha afetando a divulgação de relatórios desde meados de março, quando começaram os atrasos nas divulgações de indicadores – além do Focus, o Ptax, taxa de câmbio usada como referência para o dólar comercial, foi afetado.

Em abril, vários relatórios deixaram de ser publicados, como de estatísticas fiscais, de crédito e do setor externo, e o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB. Especialistas alertavam que a não divulgação dessas pesquisas poderia afetar até mesmo a reunião do Copom, marcada para os dias 3 e 4 de maio.

Os servidores, no entanto, após algumas rodadas de reuniões com Campos Neto optaram por interromper a greve. A avaliação é de que a sinalização de reajuste de 5% por parte do governo para todos os servidores aliada ao avanço de reivindicações dessa carreira que não estão relacionadas a questão salarial permitiam uma “pausa” na mobilização. A categoria aguarda uma proposta oficial do governo até o dia 2 de maio.

Investing - SP   27/04/2022

A China vai intensificar a construção de infraestrutura para impulsionar a demanda interna e alimentar o crescimento econômico, informou a TV estatal na terça-feira, citando uma reunião econômica de alto nível presidida pelo presidente Xi Jinping.

A segunda maior economia do mundo corre o risco de forte desaceleração, uma vez que as restrições devido à Covid-19 em uma grande parte do país atingem os gastos dos consumidores, o mercado imobiliário continua em retração e as exportações parecem estar prestes a diminuir ainda mais

Os investimentos serão antecipados para projetos de infraestrutura que são benéficos ao crescimento industrial e à segurança nacional, de acordo com a reunião, e os recursos para transporte, energia e água estarão entre os focos.

O governo irá acelerar a construção de bases energéticas verdes e de baixo carbono, melhorar as redes de oleodutos e gasodutos, e construir uma série de aeroportos regionais e de carga, acrescentou.

Novos tipos de infraestrutura, incluindo supercomputação, computação em nuvem, plataformas de inteligência artificial e banda larga também serão incluídos, de acordo com a reunião

As necessidades de financiamento para estes projetos serão atendidas e os gastos fiscais serão elevados.

O Estado de S.Paulo - SP   27/04/2022

A confiança do consumidor subiu 3,8 pontos em abril ante março, na série com ajuste sazonal, informou nesta segunda-feira, 25, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 78,6 pontos, maior nível desde agosto de 2021, quando era de 81,8 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice aumentou 1,5 ponto.

“Os resultados positivos deste mês parecem estar relacionados ao fim do surto da variante Ômicron e ao anúncio de um pacote de medidas para aliviar a pressão da inflação e dos juros sobre as finanças familiares mediante a liberação de saques do FGTS, antecipação de 13º de aposentados e facilitação de acesso ao crédito. Houve diminuição do pessimismo com relação ao mercado de trabalho mas a da inflação e os juros elevados ainda preocupem as famílias, que continuam cautelosas com relação à realização de compras de alto valor”, avaliou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Em abril, o Índice de Situação Atual (ISA) aumentou 3,8 pontos, para 69,1 pontos. O Índice de Expectativas (IE) cresceu 3,6 pontos, para 86,1 pontos.

A avaliação dos consumidores com relação à situação financeira das famílias subiu 5,5 pontos, para 62,4 pontos. Houve melhora também da percepção sobre o estado geral da economia, que cresceu 2,0 pontos, para 76,4 pontos.

O item que mede a perspectiva sobre a situação econômica geral nos próximos meses avançou 8,3 pontos, para 101,6 pontos. As expectativas para as finanças familiares tiveram alta de 1,2 ponto, para 90,9 pontos.

"Apesar do resultado positivo das perspectivas sobre economia e finanças familiares, a intenção de compras de bens duráveis segue fraca e com tendência indefinida. O indicador relacionado a este tema acomodou na margem ao variar 0,9 ponto, para 67,7 pontos", ressaltou a FGV.

A análise por faixa de renda mostrou piora da confiança apenas no grupo com renda familiar mensal entre R$ 2.100,01 e 4.800,00, com queda de 0,9 ponto, para 68,8 pontos.

A alta mais forte na confiança ocorreu entre consumidores mais pobres, com renda familiar de até R$ 2.100,00 mensais: alta de 7,2 pontos, para 76,2 pontos, maior valor desde março de 2020.

A Sondagem do Consumidor coletou entrevistas entre os dias 1 e 19 de abril.

O Estado de S.Paulo - SP   27/04/2022

O Banco Central (BC) tem feito o possível para segurar os choques inflacionários que seguem atingindo a economia brasileira. A principal ferramenta é o aumento da Selic (a taxa básica de juros da economia), que continua em ritmo de alta e deve ter novo ajuste para cima na reunião que ocorre nesta semana. Mas o ciclo de aperto vai surtir efeito desejado e trazer a inflação para o centro da meta?

Somente no mês de março, o aumento da inflação foi de 1,62%, a maior marca para o mês em 28 anos. Na soma dos últimos 12 meses chegou a 11,30%. A situação vem se deteriorando desde a pandemia e, agora, ainda sofre com os efeitos da Guerra na Ucrânia. Tudo isso casado com diversos problemas domésticos, como o descontrole fiscal e os impactos de um ano eleitoral.

Fato é que este processo vem corroendo o poder de compra do brasileiro, que não vê seu salário recomposto de acordo com os aumentos inflacionários. Isso faz com que grande parte da população tenha que repensar as prioridades do orçamento doméstico, em especial na compra dos alimentos, o grupo mais atingido pela inflação. Até o pesadelo da era pré-real volta a assombrar a vida de muitas famílias.

Nos últimos meses, 73,1% dos consumidores deixaram de comprar carne, quase 10% cortaram iogurte, queijo, laticínios e bebidas alcoólicas e perto de 6% não levaram para a casa biscoito e feijão, alimento básico. Esses são dados de uma pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), feita pela JFP Consultoria e obtida pelo Estadão.

No episódio desta segunda, 25, do podcast, conversamos com a repórter de economia, Márcia de Chiara, que destrinchou os dados dessa pesquisa e foi a campo identificar personagens atingidos por uma inflação permanente. E para analisar o cenário macroeconômico, entrevistamos Guilherme Moreira, Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   27/04/2022

A Vale (VALE3) divulga seu balanço trimestral nesta quarta-feira (26) e a expectativa dos analistas é, em geral, que o documento trará números neutros: de um lado, a mineradora deve ver seus embarques recuarem, por conta das fortes chuvas registradas no Brasil, mas por outro, terá prêmios maiores, com a alta do preço do minério.

Conforme o consenso da Refinitiv, a Vale deve registrar um lucro de US$ 4,240 bilhões, abaixo dos US$ 5,546 bilhões de um ano antes. Já a projeção para o lucro líquido reportado é de US$ 3,926 bilhões, também inferior à mesma cifra do mesmo período do ano passado, US$ 5,546 bilhões.

Para o Ebitda, o consenso da Refinitiv aponta para US$ 6,466 bilhões neste primeiro trimestre, ante US$ 8,350 bilhões do mesmo intervalo de 2021. Enquanto isso, a receita projetada é de US$ 11,433 bilhões, inferior à reportada um ano antes, de US$ 12,645 bilhões.

Em sua prévia operacional, a companhia trouxe números que dividiram os analistas, que os definiram entre “neutros” e “ligeiramente negativos”. De qualquer forma, não houve grandes surpresas – a queda de produção já era esperada bem como os maiores ganhos com o preço da commodity.

Tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI, com isso, mantiveram suas projeções de Ebitdas inalteradas em US$ 6,5 bilhões após a publicação das prévias da Vale.

“Estamos confortáveis com a nossa projeção de Ebitda para o primeiro trimestre de 2022. Apesar de a perda de duas toneladas, 3% abaixo da nossa projeção, a nossa previsão provavelmente será compensada por um prêmio de qualidade mais forte do que o esperado e melhor mix de vendas”, comentam os analistas Daniel Sasson, Edgard de Souza, Marcelo Palhares e Bárbara Soares, do Itaú BBA.

O BBA projetava que a Vale traria uma produção total de 63,9 milhões de toneladas entre janeiro e março, pouco mais do que as 60,6 milhões realmente registradas. O prêmio conseguido pela companhia foi de US$ 9 por tonelada, frente US$ 4,7 por tonelada no quarto trimestre de 2021.

“Isso devido a um maior spread de 65%/62%, e por conta de um mix de venda mais rico, já que alguns altos volumes de sílica estavam concentrados em plantas de beneficiamento chinesas antes da venda final”, explica o BBA.

Para o BBI, os embarques de minério de ferro nem ao menos frustraram as projeções, ficando em linha com o consenso. Os prêmios, por outro lado, ficaram acima daquilo que estimado pelo banco, que via algo próximo a US$ 6,5 por tonelada.

A XP Investimentos foi a única casa que definiu os resultados prévios da Vale como levemente negativos, por conta da produção menor. A corretora, contudo, tem visão otimista, indo na mesma linha das outras casas, afirmando que uma produção mais baixa, “apesar de reduzir a alavancagem operacional da empresa, mantém a oferta global de minério apertada, sustentando preços mais altos” – isso pelo fato de a Vale ter forte peso na produção mundial do produto não manufaturado.
Produções de cobre e de níquel também devem ser impactadas

Se a produção de minério foi impactada pelas fortes chuvas registradas no Brasil, as extrações de cobre e de níquel foram reduzidas por motivos diferentes – a primeira por obras de manutenção na mina do Sossego, no Carajás (PA), e a segunda por conta de um desempenho mais fraco da companhia na Indonésia, também por conta de manutenções e obras programadas.

A produção de cobre da Vale somou 56,6 mil toneladas nos três primeiros meses do ano e a de Níquel, 46 mil toneladas – ambas com quedas de, respectivamente, 5% e 27% na base trimestral e de 5% e 26% na anual.

No entanto, os dois bancos destacam que a mineradora manteve a sua projeção de guidance para os dois metais em 2022. “Isso implica na continuação da normalização para operações depois de 2021”, comenta o BBI.

A mesma opinião vale, de forma geral, também para a produção de minério da produtora, uma vez que, apesar da produção mais fraca no primeiro trimestre, a empresa reiterou seu gudance de produzir algo entre 320 a 335 milhões de toneladas da commodity no ano.

“Chuvas e outras paralisações devem deixar de afetar a produção da Vale ao longo do ano, daí a manutenção do guidance de produção pela empresa”, comenta a XP Investimentos.

XP Investimentos, Bradesco BBI e Itaú BBA têm, todos os três, recomendações de compra para as ações ordinárias da Vale. A corretora fixou o preço-alvo de R$ 97,1 por ação, enquanto os dois bancos têm alvo de, respectivamente, US$ 25 e US$ 19 para os ADRs.

Valor - SP   27/04/2022

Com esse desempenho, a principal matéria-prima do aço reduziu a 12% as perdas acumuladas no mercado transoceânico em abril. No ano, os ganhos se aproximam de 17%

Os preços do minério de ferro no mercado à vista acompanharam o desempenho positivo dos contratos futuros e terminaram a terça-feira em alta, apagando uma parte das perdas da véspera. Ainda assim, a atividade comercial nos portos chineses permanece limitada e os planos da China de controlar a produção de aço em 2022 devem seguir pressionando as cotações.

Segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o minério com teor de 62% avançou 2,4% no norte da China, para US$ 138,95 por tonelada.

Com esse desempenho, a principal matéria-prima do aço reduziu a 12% as perdas acumuladas no mercado transoceânico em abril. No ano, os ganhos se aproximam de 17%.

Os contratos futuros de minério de ferro registraram nesta terça-feira ganho modesto frente ao tombo da véspera. Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para setembro, avançaram 1,83%, a 809 yuan por tonelada, apagando uma parte da perda de quase 11% vista ontem.

Receios de que o surto de covid-19 na China pressione ainda mais a demanda de aço e sinais de que o governo chinês seguirá controlando a taxa de operação das usinas siderúrgicas seguem rondando o mercado.

Revista Mineração - SP   27/04/2022

Quedas de produção e redução de compras da China afetam desempenho da indústria mineral brasileira no 1º trimestre.

A China, principal compradora de minérios do Brasil, reduziu em 31% as importações no 1º trimestre de 2022 (1T22), na comparação com o 1º trimestre de 2021 (1T21), e em 29%, em relação ao 4º trimestre de 2021 (4T21). Além disso, a queda na produção mineral brasileira foi observada, principalmente devido às fortes chuvas em Minas Gerais e diversas manutenções em unidades operacionais pelo país. Assim, depois de apresentar números crescentes em seu desempenho nos últimos meses, a indústria da mineração do Brasil passou por um período de baixa nos resultados no 1T22.

Na comparação entre o 1T22 e o 1T21, estima-se que a produção em toneladas caiu 13%; o faturamento teve queda de 20%; as exportações diminuíram 22,8%; a arrecadação de tributos caiu 20% (acompanhando o faturamento) e a de royalty baixou 25%, conforme dados divulgados nesta terça-feira (26/04) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O Ibram informou que, entre os fatores que mais contribuíram para resultados inferiores da indústria mineral brasileira, estão: medidas de isolamento decretadas pela China em reação à pandemia de Covid-19 em diversas cidades; queda na produção de minério de ferro, devido ao forte nível de chuvas em janeiro em Minas Gerais e desempenho abaixo do esperado em grandes unidades de produção no norte do país; manutenções em unidade produtivas; redução da demanda por minérios pelo governo chinês como medida de controle de preços e queda na produção de aço de várias siderúrgicas chinesas em resposta às medidas de controle de qualidade do ar durante as Olimpíadas de Inverno em fevereiro.
Saldo comercial mineral positivo

Mesmo com queda nos principais indicadores, o resultado da mineração foi fundamental para sustentar o saldo comercial brasileiro, segundo o Ibram. O saldo comercial mineral (US$ 6,2 bilhões), que é a diferença entre exportações e importações de minérios, equivale a 52% do saldo Brasil (US$ 11,8 bilhões), apontam os dados do 1T22. No mesmo período, o setor mineral arrecadou R$ 19,4 bilhões em tributos e royalty.

Ainda segundo o instituto, os investimentos do setor mineral em cinco anos, de 2022 a 2026, são estimados em US$ 40,4 bilhões, sendo 46% já em execução. Desse total, US$ 4,2 bilhões serão investimentos socioambientais e US$ 36,2 bilhões em produção e em infraestrutura.

Os investimentos socioambientais da indústria da mineração são realizados em várias áreas, como: preservação de áreas protegidas; aproveitamento de resíduos; processamento a seco e redução de dependência de barragens; redução no consumo de água; planos de descarbonização; geração de energia solar; autossuficiência energética de fontes renováveis.

O minério de ferro receberá os maiores aportes até 2026: US$ 13,6 bilhões, à frente de minérios de fertilizantes US$ 5,75 bilhões e de bauxita US$ 5,56 bilhões.

Para os próximos meses, o Ibram projeta ligeira recuperação dos resultados, em relação ao 1T22. “Embora a China possa prosseguir em estratégias para buscar estabilidade nos preços de minérios não há sinais de desaceleração na atividade econômica daquele país. Além disso, a produção brasileira não deverá ser impactada por fenômenos naturais de início do ano, caso das chuvas nas localidades onde se situam as principais unidades de produção”, informou o instituto.

“Os resultados do 1º trimestre e os volumes expressivos de investimentos ajudam a compreender melhor a importância da indústria mineral para o desempenho econômico do Brasil. Mesmo quando há alguma queda nos resultados, as exportações de minérios geram divisas das quais o país não pode abrir mão. Daí é muito conveniente ao país estimular a pesquisa mineral para que possa haver expansão planejada da mineração sustentável e, além disso, precisa haver a consciência de que essa indústria não pode estar exposta a seguidas tentativas de sangrar sua competitividade por meio da elevação de seus tributos e encargos, como se tem observado”, disse Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram, na apresentação dos dados setoriais.
Mineração pouco diversificada

Ainda segundo o Ibram, o ciclo observado no 1T22 evidencia outras questões envolvendo a mineração do Brasil. A produção mineral ainda é pouco diversificada. O minério de ferro é o protagonista, ou seja, o carro-chefe da produção mineral e um dos mais relevantes da pauta de exportações brasileiras, o que é muito positivo para gerar divisas ao país. No 1º trimestre o minério de ferro respondeu por 58% do faturamento de toda a indústria da mineração, por 95% das exportações de minérios em toneladas e por 68% em dólar.

“O minério de ferro também é importante para gerar arrecadação tributária e de encargos significativos para o setor público. No 1º trimestre, esse minério respondeu por 73,2% de toda a arrecadação do royalty do setor, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A CFEM é uma receita patrimonial, de caráter não-tributário”, declarou o Ibram.

De acordo com o instituto, apenas 3% do território nacional encontrava-se mapeado, até 2019, na escala 1:50.000, que proporciona um nível de detalhamento geológico adequado para a produção mineral. A diversificação da pauta mineral brasileira pode se tornar realidade com a intensificação da pesquisa mineral e com o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável pela regulação e fiscalização do setor, mas que está com recursos financeiros contingenciados há anos. O Ibram complementa que a diversificação irá contribuir para expandir a rede de países importadores dos minérios produzidos no Brasil e reduzir a dependência verificada junto à China. “Quando a China promove alguma mudança na condução de suas políticas, a indústria mineral brasileira fica à mercê. Precisamos refletir se esta dependência não está em níveis excessivos”, avaliou Raul Jungmann.

O Ibram destacou ainda que, a diversificação pode acontecer, principalmente, em substâncias minerais voltadas à inovação tecnológica e fomentadoras da economia de baixo carbono, de acordo com as pautas globais relacionadas às mudanças climáticas. “O Brasil apresenta potencial para a produção desses minérios (terras raras, vanádio, níquel, lítio e outros), mas a pesquisa mineral está ainda fragilizada, além de outros aspectos que precisam ser revistos, como o burocrático e oneroso processo de licenciamento ambiental”, onde o Ibram defende uma proposta de licenciamento com regras específicas para a indústria da mineração, como já existe para óleo e gás.
Mais dados do 1º trimestre (1T22)

• Produção mineral – a produção mineral estimada foi de 200 milhões de toneladas, 13% a menos do que a do 1T21;

• Faturamento setorial – o faturamento foi de R$ 56,2 bilhões, 20% abaixo do 1T21 (R$ 70,3 bilhões) e 31% menor do que no 4T21 (R$ 81,5 bilhões);

• Faturamento por estado – MG e PA, estados que apresentam produção e exportação mais significativas, registraram queda. Em MG, o faturamento foi de R$ 20,2 bilhões – 28% menor do que no 1T21 e 40% menor do que no 4T21. MG representou 36% do faturamento total no 1T22. No PA, o faturamento foi de R$ 22,8 bilhões – 27% menor do que no 1T21 e 33% menor do que no 4T21. O PA representou 41% do faturamento total no 1T22. Houve aumento do faturamento na BA (8%), GO (33%), MT (4%) e SP (33%) na comparação com o 1T21;

• Faturamento por substância – o minério de ferro apresentou o maior faturamento no 1T22: R$ 32,7 bilhões (33% a menos do que no 1T21 e 43% a menos do que no 4T21); o ouro representa 11% do faturamento total. Ele apresentou faturamento de R$ 6,5 bilhões (14% a menos do que no 1T21 e 7% a menos do que no 4T21); o cobre representa 9% do faturamento total. Ele apresentou faturamento de R$ 5 bilhões (30% a mais do que no 1T21 e 1% a menos do que no 4T21); o faturamento da bauxita foi de R$ 1,4 bilhão (1% a menos do que no 1T21 e igual ao do 4T21); o do granito R$ 1,1 bilhão (15% a mais do que no 1T21 e 2% a mais do que no 4T21); o do calcário dolomítico R$ 1,2 bilhão (31% a mais do que no 1T21 e 35% a menos do que no 4T21).

• Empregos – Dados oficiais do governo federal (Novo CAGED) indicam que foram geradas 1.048 vagas diretas de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022. Assim, o setor totalizava quase 200 mil empregos diretos em fevereiro.

Agência Brasil - DF   27/04/2022

A indústria mineral no Brasil experimentou uma queda de desempenho no primeiro trimestre de 2022. Os dados foram divulgados hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa as maiores empresas do setor em atividade no país. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a produção, de 200 milhões de toneladas, caiu 13%, e o faturamento, de R$ 56,2 bilhões, encolheu 20%. As exportações fecharam com redução de 22,8%.

Segundo o Ibram, dois fatores tiveram contribuição importante para o novo cenário, já que os últimos balanços trimestrais do setor registraram alta de produção e faturamento. O primeiro está relacionado com a China, principal compradora dos minérios do Brasil. Nos três primeiros meses do ano, as exportações para o país asiático caíram 31% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao último trimestre de 2021, a queda é de 29%.

"Tivemos uma redução da produção das siderúrgicas chinesas relacionada aos Jogos Olímpicos de Inverno. Havia uma determinação do governo chinês para melhorar as condições ambientais para a realização do evento esportivo. Também houve um maior controle de preços por parte da China", explicou Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram.

A entidade também chama atenção para as medidas de isolamento decretadas em diversas cidades do país asiático para o combate à pandemia da covid-19.

O segundo fator que exerceu forte influência no desempenho do setor foram as chuvas torrenciais ocorridas em janeiro em Minas Gerais. Em algumas localidades, foram registrados mais de 200 milímetros em apenas dois dias. Diversas unidades operacionais foram paralisadas por precaução ou para realização de manutenção, impactando na produção. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recomendou intervenção preventiva em 18 estruturas.

No Pará, a produção também ficou abaixo do que o esperado. "Tivemos problemas associados ao licenciamento ambiental, sobretudo em unidades situadas no Norte do Brasil", disse Jungmann.

Dessa forma, os dois principais estados mineradores - Minas Gerais e Pará - somaram 77% do faturamento do país. Nos três primeiros meses de 2021, as unidades mineiras e paraenses responderam por 85% da produção.

A queda no desempenho do setor no trimestre trouxe impacto para a arrecadação dos cofres públicos. Os dados indicam que, na comparação com os primeiros três meses de 2021, as empresas minerárias pagaram 20% a menos de tributos e 25% a menos de royalties, que é cobrado por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Foram arrecadados R$ 1,5 bilhão de CFEM, enquanto entre janeiro e março de 2021 foram R$ 2,1 bilhões. Considerando a soma de royalties e de todos os tributos, o setor recolheu R$ 19,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano e R$ 24,2 bilhões no mesmo período do ano passado.

Para o Ibram, o desempenho trimestral também está associado à natureza cíclica da atividade minerária, que é afetada pela sazonalidade do clima. A expectativa é de que uma ligeira recuperação seja observada nos próximos meses, com o fim do período chuvoso.

A entidade aponta ainda que, apesar da redução na produção e no faturamento, o saldo comercial mineral, que é a diferença entre exportações e importações de minérios, foi de US$ 6,2 bilhões.

"Mesmo quando há alguma queda nos resultados, as exportações de minérios geram divisas das quais o país não pode abrir mão”, disse Jungmann. O minério de ferro, carro-chefe da produção mineral brasileira, respondeu por 95% das exportações de minérios em toneladas e por 68% em dólar. Além disso, foi responsável por 58% do faturamento de toda a indústria. O ouro respondeu por 11%, o cobre por 9% e os demais minerais por 22%.

O balanço trimestral também traz dados de investimentos estimados para um período de 5 anos, entre 2022 e 2026. Espera-se que sejam gastos pelo setor US$ 40,4 bilhões, sendo US$ 36,2 bilhões em produção e em infraestrutura e US$ 4,2 bilhões em projetos socioambientais, que envolvem preservação de áreas protegidas, aproveitamento de resíduos, processamento a seco e redução de dependência de barragens, redução no consumo de água, planos de descarbonização, geração de energia solar e autossuficiência energética de fontes renováveis. Segundo o Ibram, 46% dos investimentos previstos já estão em execução.
Novo mandato

Este é o primeiro balanço trimestral apresentado por Jungmann. O ex-deputado federal e ex-ministro da Defesa durante o governo de Michel Temer substituiu Flávio Ottoni Penido, tomando posse como diretor-presidente do Ibram no dia 1º de março. Também no mês passado, foi eleito um novo presidente para o Conselho Diretor da entidade: Wilson Brumer deu lugar à Wilfred Bruijn, CEO da mineradora Anglo American no Brasil. Penido e Brumer ocupavam os postos desde 2019.

Jungmann aproveitou a apresentação dos dados trimestrais para enumerar algumas diretrizes do seu mandato. Ele defendeu a intensificação da pesquisa mineral, criticou a elevação da carga tributária do setor e pediu o fim do contingenciamento de recursos destinados à Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão responsável pela regulação e fiscalização do setor.

Outra bandeira levantada pela gestão de Jungmann é a da diversificação da produção mineral, de forma a reduzir a dependência do minério de ferro e explorar o potencial brasileiro de vanádio, níquel, lítio e outros minerais. Essa é uma medida que o novo diretor-presidente considera fundamental também para diminuir a dependência do mercado chinês.

Jungmann disse que a sustentabilidade e a segurança serão preocupações prioritárias da sua gestão e anunciou que, em junho, será lançado um aplicativo para celulares em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

"[O aplicativo] Vai possibilitar a qualquer brasileiro consultar a situação das barragens. Isso é devido a toda a sociedade brasileira, sobretudo levando em conta os acidentes trágicos que vivenciamos em Mariana e em Brumadinho", anunciou, lembrando dos grandes desastres ambientais ocorridos em 2015 e em 2019.

Valor - SP   27/04/2022

O segmento de minério de ferro concentra um terço dos aportes planejados, mas há também previsão de elevados recursos para fertilizantes e bauxita

A indústria da mineração no país investirá US$ 40,4 bilhões (cerca de R$ 200 bilhões) nos próximos cinco anos, afirmou nesta terça-feira (26) o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), em entrevista na qual cobrou do governo mais verba para a agência reguladora do setor e voltou a criticar o projeto que libera mineração em terras indígenas.

O segmento de minério de ferro concentra um terço dos aportes planejados, mas há também previsão de elevados recursos para fertilizantes e bauxita, cada um com previsão de investimentos de US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) entre 2022 e 2026.

O volume total de recursos estimados é de US$ 900 milhões (R$ 4,5 bilhões) inferior à projeção feita para o período entre 2021 e 2025 e inclui também aportes em descaracterização de barragens semelhantes às que se romperam em Brumadinho (MG) e Mariana (MG).

Na entrevista desta terça, o presidente do Ibram, Raul Jungmann criticou o contingenciamento de verbas da ANM (Agência Nacional de Mineração), que é responsável por regular o setor e arrecadar os royalties cobrados sobre a produção mineral.

"É estratégico o fortalecimento da ANM, o que infelizmente não tem se verificado no orçamento, na destinação dos recursos", disse Jungmann, que já foi ministro da Defesa e da Reforma Agrária nos governos Temer e FHC, respectivamente.

Avaliação do Ibram

A agência tem hoje poucos recursos de fiscalização e tecnológicos para cumprir seu papel. Jungmann diz que ela deveria ficar com cerca de 7% da arrecadação com royalties, que somou R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre, mas tem recebido apenas 1%.

A produção e o faturamento do setor mineral caíram nos primeiros três meses de 2022, diante da desaceleração da demanda chinesa, que tenta impedir uma nova onda de covid-19 e reduziu sua produção de aço durante a Olimpíada de inverno.

O faturamento caiu 20% em relação ao primeiro trimestre de 2021, para R$ 56,2 bilhões. A produção recuou 13% no mesmo período, para 200 milhões de toneladas. As fortes chuvas que caíram sobre Minas Gerais também contribuíram para o recuo.

Contrário aos termos do PL 191/2020, que libera a mineração em territórios indígenas, o Ibram tem feito pressão sobre governo e Congresso para mudança no texto, que avalia não resolver as lacunas legais para a atividade industrial nessas áreas.

Jungmann citou como exemplo a falta de uma obrigação pela consulta prévia aos povos atingidos, como previsto em convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O Ibram pede também maior foco no combate ao garimpo ilegal.

"É necessário que nesse projeto fique absolutamente clara a questão da mineração ilegal, do garimpo", diz o diretor do instituto Julio Nery. "Garimpo ilegal é crime. Garimpo ilegal destrói a natureza e a comunidade."

Defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), a abertura das terras indígenas à mineração encontra resistência entre lideranças indígenas, organizações ambientalistas e o Ministério Público Federal, que em março veio a público novamente para demonstrar contrariedade à proposta.

Máquinas e Equipamentos

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   27/04/2022

Nos dias atuais, a John Deere – assim como outras fabricantes – já não é mais apenas uma fabricante de máquinas pesadas, mas sim uma empresa de tecnologia agrícola.

Já há quem preveja que a companhia se tornará uma empresa de inteligência artificial nos próximos 15 anos.

De fato, há décadas que a John Deere vem investindo forte em robótica e autônomos. No final dos anos 90, a empresa adquiriu a NavCon, desenvolvedora de tecnologias por GPS, preparando-se para construir sistemas de orientação por satélite para tratores.

E, em poucos anos, a fabricante foi capaz de desenvolver um sistema com precisão centimétrica para uso no campo.

Depois disso, a empresa associou-se a ninguém menos que a NASA para criar o primeiro sistema de localização por GPS do mundo baseado em internet, pavimentando o caminho para os veículos autônomos modernos.

Atualmente, a empresa conta com vários tratores, veículos e equipamentos inteligentes, que oferecem características que vão desde a assistência ao condutor à identificação e erradicação autônoma de ervas daninhas.

Mas a recente mudança para a autonomia vai mais longe ao posicionar a empresa como um importante player no setor de inteligência artificial.

O vice-presidente de autonomia e automação da John Deere, Jorge Heraud, explica que a empresa aborda a tecnologia de IA por dois ângulos: automatização, fazendo com que as máquinas atinjam um desempenho inédito, e autonomia, tirando o condutor do equipamento.

Como exemplo desse tipo de tecnologia, Heraud menciona os sistemas alimentados por IA para identificar e abater ervas daninhas em tempo real.

Parece ser um problema simples, mas ninguém quer pulverizar um campo inteiro com pesticida. Além disso, o uso de seres humanos nessa tarefa é incrivelmente dispendioso e proibitivo em termos de disponibilidade de mão de obra.

Do outro lado, a autonomia de tratores sem condutor, como o 8R, é uma tecnologia diferente de qualquer outra que a empresa produz.

“Não é apenas assistência ao condutor... o agricultor pode sair e fazer outra coisa. Ele pode sair da cabina e operar tudo a partir de um aplicativo”, comenta Heraud.

Os sistemas anteriores de AI manejavam curvas e mantinham as filas alinhadas, mas os agricultores ainda precisavam se manter na cabine para lidar com obstáculos, lama e outras eventualidades que pudessem surgir pelo caminho.

Agora, os 8R podem encontrar o caminho e operar inteiramente por conta própria, sem humanos à vista. Ao se deparar com algo que não saiba manusear, o equipamento alerta o operador, que pode então retomar o controle para evitar o objeto ou tratar pessoalmente da situação, quando necessário.

Para o futuro, a Deere tem planos para automatizar quase todos os equipamentos de seu portfólio, construindo a base para uma “lavoura autônoma”. O que, aliás, deve demorar menos do que se imagina.

“Isso não estará disponível em 15 ou 20 anos, mas antes ainda do final desta década”, projeta Heraud.

AUTOMOTIVO

Globo Online - RJ   27/04/2022

A crise dos semicondutores, que paralisou as fábricas de automóveis durante a pandemia, pode deixar pelo menos um saldo positivo para a indústria brasileira. Está no forno um projeto para fomentar a produção desses componentes no país. É um plano que deve levar entre dois e três anos até sair do papel, não resolve a crise neste ano, mas já é um primeiro passo, conta Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a associação que reúne as montadoras no Brasil.

Moraes encerra, esta semana, seu mandato de três anos à frente da entidade tendo enfrentado um cenário inesperado: Covid-19, paralisação de fábricas, falta de componentes, alta de juros, inflação e guerra na Ucrânia. Será substituído por Márcio de Lima Leite, da Stellantis.

Moraes conversou com GLOBO durante a Agrishow, a maior feira de agronegócios do país, a primeira realizada presencialmente em dois anos.

O que está na nossa mão é tentar eliminar os custos adicionais, baixar a tributação, que é absurda no país, tirar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) definitivamente. A gente pode influenciar e alertar.

Qual o futuro do parque automotivo brasileiro com as mudanças que a eletrificação vai trazer?

Aos poucos os clientes começam a se preocupar com essa questão, sejam frotistas ou donos de máquinas agrícolas. Essa preocupação da sociedade vai influenciar a decisão da compra de veículos. A infraestrutura é outro elemento. Daqui para a frente você precisa da infraestrutura. Não é algo que a montadora faz sozinha.

A infraestrutura é o maior gargalo?

O grande gargalo são os pontos de recarga. Estamos discutindo com eventuais parceiros. A indústria do biocombustível precisa fazer investimento relevante. Enquanto não tem a solução definitiva da célula de combustível e bateria, você pode descarbonizar usando biocombustível.

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Hoje, se você me perguntar a solução para o Brasil, não tem. Na Europa tem porque o governo puxa, a sociedade puxa. Na China também.

Estamos atrasados na eletrificação?

Sim. A descarbonização não se resolve só com veículo novo. Você precisa trocar a frota circulante, a exemplo de outros países. A Anfavea brigou muito pela renovação da frota de caminhões nos últimos 20 anos.

Nós trouxemos a questão da descarbonização, pensamos o que pode ser feito, e apresentamos um estudo aos quatro ministérios (Minas e Energia, Economia, Infraestrutura e Meio Ambiente). Os ministérios precisam conversar para que as políticas não sejam conflitantes.

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Como está esse plano?

Teve boa repercussão, mas precisa dar continuidade. Não é um plano de governo, mas de Estado. China, Índia, Alemanha, EUA têm programa. Até 2040 ou até 2050 estabeleceram metas para diminuir a emissão de carbono. A Europa tem metas. A partir daí, as empresas vão fazer seus ajustes. Aqui, ainda não sabemos a direção.

Quando vamos produzir veículos elétricos em escala? O Brasil será um hub exportador?

Já produzimos caminhão e ônibus elétrico. Temos iniciativas importantes nos veículos pesados que estão sendo usados para aplicações urbanas. Para longa distância, estamos pensando em definir rotas prioritárias. Temos híbridos. Mas é preciso escala.

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O setor privado está interessado em atuar na área de energia limpa. Algumas empresas têm suas políticas ESG para o bem do meio ambiente e da sociedade. Agora é preciso ajustar para o investimento ir para o lugar certo, já que os recursos são limitados e é preciso planejar. Não é simples.

Qual o balanço da sua gestão?

Foi desafiador, mais do que a gente esperava. Já tinha dimensão do tamanho da indústria, mas obviamente não imaginava que ia acontecer tudo o que aconteceu: pandemia, paralisação de linha de montagem, falta de matéria-prima, como aço e resinas, e de capital de giro. Culminou na crise de semicondutores. Ainda temos fábricas paradas. Agora, veio a guerra. Tem muito chicote (condutor de energia no veículo) que era feito na Ucrânia. Bagunçou tudo.

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Valor - SP   27/04/2022

O lucro por ação foi de US$ 1,35, abaixo dos US$ 2,03 registrados um ano antes

A General Motors (GM) reportou lucro líquido de US$ 2,94 bilhões no primeiro trimestre de 2022, queda de 2,7% na comparação com o mesmo período de 2021. O lucro por ação foi de US$ 1,35, abaixo dos US$ 2,03 registrados um ano antes.

O lucro antes de juros e impostos ajustado da companhia somou US$ 4,04 bilhões de janeiro a março, enquanto a margem ajustada fechou o trimestre em 11,2%. Já o lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,09, acima das estimativas de US$ 1,65, segundo a pesquisa FactSet.

A receita total da montadora alcançou US$ 35,9 bilhões, alta de 10,8% ante o mesmo trimestre do ano passado.

Para 2022, a General Motors espera lucro líquido entre US$ 9,6 bilhões e US$ 11,2 bilhões, um pouco acima da projeção divulgada junto aos números do quarto trimestre de 2021, de US$ 9,4 bilhões a US$ 10,8 bilhões. No critério ajustado, a expectativa é de lucro entre US$ 13 bilhões e US$ 15 bilhões.

Nesta terça, as ações da companhia tinham leve alta de 0,5% no pós-mercado na bolsa de Nova York, cotadas a US$ 38,25. No pregão regular, os papéis recuaram 4,47%, a US$ 38,04. Com a queda de hoje, a ação da GM acumula perda de 35% em 2022.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Agência Brasil - DF   27/04/2022

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou inflação de 0,87% em abril deste ano. A taxa é superior ao índice 0,73% de março, mas ficou abaixo do 0,95% de abril de 2021.

Com isso, o INCC-M acumula taxas de inflação de 2,74% no ano e de 11,54% em 12 meses, de acordo com os dados divulgados hoje (26).

A alta da taxa de março para abril foi puxada pelos materiais e equipamentos, cuja taxa de inflação passou de 0,29% para 1,35% no período.

Por outro lado, os serviços e mão de obra tiveram queda na taxa. Os serviços passaram de 0,79% para 0,73%, enquanto a mão de obra recuou de 1,12% para 0,46%.

FERROVIÁRIO

Portos e Navios - SP   27/04/2022

A VLI estabeleceu um novo contrato com a Viena Siderúrgica que prevê a movimentação de 720 mil toneladas de ferro-gusa com destino à exportação ao longo do biênio 2022/2023. “Temos uma parceria de longa data com o cliente e a extensão deste compromisso evidencia a eficiência proporcionada pela integração de modais para conectar a produção nacional e o mercado internacional”, afirma André do Carmo, gerente comercial da VLI.

O itinerário tem como ponto de origem um entreposto localizado em Açailândia (MA) e é integralmente realizado por meio da malha ferroviária da Estrada de Ferro Carajás (EFC). O ferro-gusa será transportado até o Terminal Portuário de São Luís (TPSL), por onde se dará o processo de embarque à exportação.

A Viena é uma das maiores produtoras de ferro-gusa do país, com capacidade para produzir 600 mil toneladas por ano nas suas operações. Com forte presença no mercado externo, a matéria-prima produzida no Maranhão e em Minas Gerais é exportada principalmente para os Estados Unidos, além da Ásia e Europa.

Produto imediato da redução do minério de ferro, o ferro-gusa é bastante utilizado na produção de aço e os volumes nacionais de exportação do material têm aumentado de forma significativa. Apenas em 2021 o país exportou ao todo cerca de três milhões de toneladas, sendo os mercados chineses e norte-americanos os principais destinos.

Valor - SP   27/04/2022

Em fase final de análise pelo TCU, concessão da FIPS inclui R$ 891 milhões de investimentos para ampliar capacidade

Fernando Biral, presidente da Santos Port Authority (SPA), reitera plano de realizar a privatização ainda neste ano, cenário considerado improvável no mercado — Foto: Divulgação

Para além da privatização, o porto de Santos planeja tirar do papel até o fim de 2022 a nova operação de suas ferrovias internas, a concessão da FIPS (Ferrovia Interna do Porto de Santos). O contrato, que prevê R$ 891 milhões de investimentos, deverá ser deliberado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no próximo mês. A ideia é abrir em julho o chamamento público para as interessadas - Rumo, VLI e MRS.

“Após o chamamento, está prevista uma transição operacional, e assinatura do contrato no quarto trimestre”, disse Bruno Stupello, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Santos Port Authority (SPA), em evento com investidores realizado ontem.

A concessão prevê mais do que dobrar a capacidade das ferrovias internas do porto, que hoje já estão próximas ao limite. Com os investimentos bilionários que operadores ferroviários estão realizando para ampliar suas malhas no interior do país, há uma preocupação de que o porto não suporte esse aumento de carga e se torne um gargalo.

Atualmente, a capacidade das ferrovias do porto é de 50 milhões de toneladas por ano. Em 2021, a movimentação já chegou a 47,3 milhões de toneladas. “O porto está muito próximo de um gargalo de capacidade. Se não fosse a quebra da safra de milho no ano passado já teria havido problemas. Então há um risco [para este ano]”, afirma o diretor. O plano da FIPS é elevar o limite para 115 milhões de toneladas, em um prazo de cinco a dez anos.

Hoje, a gestão das ferrovias é feita por uma concessão da Rumo, o Portofer, que venceria em 2025. A proposta da FIPS, apoiada pelas empresas, é encerrar antecipadamente o contrato e iniciar uma nova concessão, com modelo associativo. Nele, todos os operadores de ferrovias que acessam o porto poderão participar e farão uma gestão compartilhada.

Os investimentos serão divididos entre as companhias, com base no histórico de movimentação das ferrovias e na projeção dos próximos anos. Dessa forma, os aportes serão proporcionais aos benefícios obtidos a partir das obras. O custeio também será calculado com base nos volumes de carga. “Caso alguma empresa não tenha interesse de participar também poderá movimentar seus trens, mas pagará uma remuneração pelo capital investido”, explicou Stupello.

Inicialmente, o FIPS previa cerca de R$ 2 bilhões em obras, mas parte delas foram transferidas ao processo de renovação antecipada do contrato da MRS. Outra parcela das intervenções já foi feita ou sofreu redução de valor (como o acesso na entrada da cidade).

O diretor se diz otimista em relação à análise do TCU. “A área técnica avaliou o projeto como muito positivo. Acreditamos que não haverá nenhuma surpresa com o acórdão e poderemos seguir como planejado”, afirmou.

No evento, os executivos também reforçaram a intenção de realizar a privatização da SPA ainda neste ano. “Entre os interessados, há todo tipo de perfil, desde terminais, fundos de investimento em infraestrutura e empresas que tradicionalmente não olham para ativos de concessão, com vocação de construção”, afirmou o presidente, Fernando Biral.

“É um ativo que não tem problema de demanda, tem possibilidade de inúmeros negócios na nova área [‘greenfield’ incluída na poligonal do porto]. Os fundos de investimento já demonstraram interesse no leilão da Codesa [Companhia Docas do Espírito Santo] e acredito que vão vir também em Santos”, completou.

Questionado sobre o impacto do ano eleitoral no processo, Biral diz que “não tem sentido efeito de questões políticas”. “É claro que tudo tem um risco. Se tiver atraso, mudança política [em 2023], pode sim haver problemas no futuro. Mas acredito que, pela forma como o projeto foi estudado, debatido, será um atraso caso não for em frente. É um processo irreversível”, afirmou.

No mercado, há uma forte descrença em relação à viabilidade de realizar a licitação ainda neste ano. Porém, para fontes próximas ao projeto, há uma expectativa de ao menos publicar o edital até o fim de 2022.

Rodoviário

O Estado de S.Paulo - SP   27/04/2022

O governo de São Paulo informou nesta terça-feira, 26 que decidiu suspender temporariamente o leilão do Rodoanel Norte, devido a "incertezas geradas pela crise econômica". O certame estava previsto para acontecer nesta quarta-feira, 26.

"A exemplo do que acontece em concessões aeroportuárias e rodoviárias federais e estaduais em todo Brasil, o governo do Estado de São Paulo resolveu adiar o leilão de concessão do trecho Norte do Rodoanel devido às incertezas geradas pela grave crise econômica nacional", afirma o comunicado.

O investimento previsto no projeto era de R$ 3 bilhões, incluindo a conclusão das obras e a operação de todo o trecho. O critério do leilão era o de menor valor de prestação do serviço.

As obras do trecho tiveram atrasos e foram questionadas por órgãos de controle, o que levou o governo do estado a decidir leiloar o trecho.

A nota do governo acrescenta que o aumento da inflação da construção civil e a alta taxa de juros (Selic) são alguns dos entraves para o crédito de longo prazo aos investidores, que "se tornou mais caro e pouco atrativo".

"O cenário de inflação crescente, juros altos e escassez de insumos impõem o adiamento temporário do leilão do Rodoanel Norte, para que se possa fazer uma adequação do modelo de concessão à atual conjuntura nacional", afirma o comunicado.

NAVAL

Valor - SP   27/04/2022

A nova concessão prevê R$ 891 milhões de investimentos, que deverão ser realizados ao longo dos próximos cinco anos

O Porto de Santos (SPA) tem R$ 5,4 bilhões de investimentos em curso, já contratados nos terminais portuários. Com os próximos projetos que o governo tenta tirar do papel neste ano, a previsão é contratar mais R$ 5,8 bilhões de obras, caso todos os leilões se concretizem.

Dos investimentos em curso, que incluem contratos antigos e arrendamentos recentes, se destacam os novos terminais STS08A, conquistado no ano passado pela Petrobras, e o STS11, arrematado recentemente pela chinesa Cofco.

Já nos próximos investimentos, a serem contratados ao longo deste ano, a maior parte do valor referente ao leilão do STS10, mega terminal de contêineres. O projeto tem sido alvo de controvérsia devido a questionamentos quanto à participação das empresas de navegação Maersk e MSC.

Sobre a privatização do Porto de Santos, que o governo federal corre para tirar do papel ainda neste ano, Fernando Biral, presidente da Santos Port Authority (SPA), estatal responsável pela administração do porto, diz que tem atraído interesse de diversos grupos.

“Tem todo tipo de perfil, desde terminais, fundos de investimento em infraestrutura e empresas que tradicionalmente não olham para ativos de concessão, com vocação mais de construção. Todo mundo que orbita ao redor da comunidade portuária tem buscado se informar”, afirmou o executivo, em encontro realizado nesta terça-feira (26).

Ele diz que “não vai faltar capital” para o projeto. “É um ativo que não tem problema de demanda, tem possibilidade de inúmeros negócios na nova área. Os fundos já demonstraram apetite no leilão da Codesa [Companhia Docas do Espírito Santo] e acredito que vão vir também com apetite para Santos”, completou.

Em relação a realizar o processo em meio a um ano eleitoral, Biral diz que “não tem sentido efeito de questões políticas” e reforçou a intenção de fazer o leilão neste ano.

“É claro que tudo tem um risco. Se tiver atraso, mudança política [em 2023], pode sim ter problema no futuro, mas acredito que pelo projeto, como foi estudado, debatido, será um atraso se não for em frente. É um processo irreversível”, afirmou.

No mercado, há uma forte descrença em relação à viabilidade de realizar a licitação ainda neste ano. Porém, para fontes próximas ao projeto, há uma expectativa de ao menos publicar o edital até o fim de 2022.

Ferrovia Interna do Porto de Santos

A concessão da FIPS (Ferrovia Interna do Porto de Santos), que deverá substituir a atual concessão Portofer, que administra as ferrovias internas do porto, deverá ser deliberada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao longo do próximo mês, segundo Bruno Stupello, diretor de desenvolvimento de negócios e regulação.

“A previsão é fazer o chamamento público no começo de julho, para identificar os interessados [que deverão ser os operadores ferroviários que atuam no porto, como Rumo, MRS e VLI]. E, com isso, devemos ter ao longo do ano uma transição operacional, com assinatura do contrato no quarto trimestre”, afirmou o executivo, em evento com investidores realizado nesta terça (26).

A nova concessão prevê R$ 891 milhões de investimentos, que deverão ser realizados ao longo dos próximos cinco anos, para ampliar a capacidade das ferrovias internas e acompanhar a ampliação das malhas ferroviárias no interior do país.

Inicialmente, o projeto previa quase R$ 2 bilhões de intervenções, mas parte delas foi transferida ao processo renovação antecipada da MRS, e outra parcela das obras já foi realizada ou teve redução de valor (como os acessos na entrada da cidade).

“O porto está muito próximo de um gargalo de capacidade. Se não tivesse tido quebra da safra de milho no ano passado já teria havido problemas, então [o gargalo] é um risco”, afirma o diretor.

Ele se diz otimista em relação à análise do TCU. “A área técnica avaliou o projeto como muito positivo. Acreditamos que não haverá nenhuma surpresa com o acórdão e possamos seguir como planejado”, afirmou.

PETROLÍFERO

O Petróleo - SP   27/04/2022

Os investimentos em petróleo e gás natural estão aumentando, apesar do impulso global em direção às energias renováveis. A transição global para a energia verde precisará da ajuda de combustíveis fósseis para atender à crescente demanda de energia. “Precisamos de energia fóssil como parte dessa transição. Esta é uma longa transição. Isso não é da noite para o dia.”

Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos estão firmemente no caminho para uma economia líquida zero. Isso ficou claro por autoridades de ambos os lados do Atlântico, apesar da busca da UE por mais gás e dos pedidos do governo Biden por mais produção de petróleo.

No entanto, antes que o zero líquido seja alcançado – se algum dia for alcançado – tanto a UE quanto os EUA precisarão de mais combustíveis fósseis, incluindo carvão. E isso significa que, apesar dos apelos por mais energias renováveis dos governos e da indústria de energia renovável, apesar da demonização ativa da indústria de combustíveis fósseis, os investimentos em mais produção de petróleo, gás e carvão provavelmente aumentarão – pelo menos no curto prazo.

Um relatório recente da Reclaim Finance, uma organização de campanha contra combustíveis fósseis, por exemplo, nomeou e envergonhou gestores de ativos que investem em petróleo, gás e carvão. De acordo com o relatório, 30 dos principais gestores de ativos do mundo investiram US$ 82 bilhões em empresas que desenvolvem novos fornecimentos de carvão e US$ 468 bilhões em 12 grandes empresas de petróleo e gás.

“O setor de gestão de ativos está mudando suas práticas de investimento de acordo com a ciência do clima, reduzindo os investimentos em expansão de carvão, petróleo ou gás? Infelizmente, a resposta é um enfático ‘não’”, disse uma das ativistas da Reclaim Finance, Lara Cuvelier.

“Vamos ser claros: perfurar um novo poço de petróleo ou abrir uma nova mina de carvão não é uma coisa normal de se fazer em uma catástrofe climática generalizada”, acrescentou o ativista.

Infelizmente para a Reclaim Finance e todos os outros ativistas climáticos, perfurar um novo poço de petróleo ou abrir uma nova mina de carvão é a coisa normal a fazer quando a demanda por energia excede a oferta disponível. E isso é exatamente o que as empresas estão fazendo em algumas partes do mundo onde a campanha climática não é uma força a ser considerada. Mesmo na Europa, alguns países estão reconsiderando seus planos climáticos, notadamente o Reino Unido e a Alemanha.

No início deste ano, o Reino Unido reconsiderou sua intenção de suspender gradualmente todas as perfurações de petróleo e gás no Mar do Norte em meio a uma crise de energia que começou no outono passado, fez com que o preço da energia disparasse e empurrou milhões de famílias para a pobreza energética. A mudança de postura do governo naturalmente provocou protestos de ambientalistas.

Na Alemanha, os planos para avançar gradualmente em direção a um sistema de energia 100% líquido-zero foram revistos à luz da potencial escassez de gás em meio à guerra na Ucrânia. A resposta do governo alemão a esse perigo potencial foi planejar a construção rápida de vários terminais de importação de gás natural liquefeito para substituir o gás russo. A maior economia da Europa e da UE, em outras palavras, está substituindo uma fonte de combustíveis fósseis por outra, em vez de substituir os combustíveis fósseis por renováveis.

Nos Estados Unidos, uma mudança semelhante está em andamento. Apesar da agenda decididamente verde e pró-transição com a qual o presidente Joe Biden chegou ao poder, agora esse mesmo presidente está chamando todos os produtores de petróleo dispostos a dar ouvidos para bombear mais porque os preços dos combustíveis no varejo estão altos e há eleições a serem vencidas. ou perdido — em novembro.

O governo diante do próprio presidente, do secretário de Energia e do secretário de imprensa da Casa Branca tem dito repetidamente que a agenda de transição e os atuais apelos por mais produção de petróleo não estão em desacordo porque esta última é apenas uma medida temporária até que, presumivelmente, , as energias renováveis se destacam. Temporária ou não, maior produção exigirá maior investimento.

“Precisamos de energia fóssil como parte dessa transição. Esta é uma longa transição. Isso não é da noite para o dia”, disse Keo Lukefahr, chefe de derivativos de energia e negociação de energias renováveis da Motiva, citado pela Bloomberg.

Não apenas a transição não acontecerá da noite para o dia, mas também exigirá muito esforço. E investimentos. No mês passado, por exemplo, um analista da CRU alertou que a indústria de mineração precisava investir cerca de US$ 100 bilhões em novas minas de cobre para evitar um déficit de oferta que poderia chegar a 4,7 milhões de toneladas até 2030. Todos os outros metais e minerais de transição estão potencialmente em falta. oferta com base em projeções de demanda.

A situação no momento é esta: o mundo precisa de mais energia do que está recebendo. As pessoas, na maioria das vezes, não se importam de onde vem a eletricidade, desde que ela esteja lá. E eles tendem a ficar bastante infelizes quando os preços de tudo sobem porque os combustíveis usados para transportar mercadorias de um lugar para outro são muito caros porque o suprimento de petróleo é escasso.

É óbvio que ninguém, nem mesmo o membro da UE mais feliz com as energias renováveis, pode construir parques eólicos e solares suficientes para eliminar a necessidade de suprimentos adicionais de petróleo e gás. O investimento na produção de petróleo e gás, portanto, aumentará apesar das advertências sombrias dos ativistas climáticos.

Alguns argumentam que o aumento será necessário apenas no médio prazo, mas as empresas de energia tendem a planejar com antecedência por longos períodos de tempo. Se não há sentido em assumir um compromisso de longo prazo com a produção adicional, eles provavelmente não o farão. Se eles assumiram esse compromisso, talvez esperem que a demanda por combustíveis fósseis permaneça estável por mais de três ou quatro anos.

O Petróleo - SP   27/04/2022

Os preços do petróleo caíram para a mínima de duas semanas, caindo abaixo de US$ 100 por temores das consequências adicionais da demanda de um bloqueio do COVID-19 na China que provocou sentimentos de baixa nos mercados, apesar do declínio do petróleo russo e dos estoques dos EUA em declínio.

O Brent estava em US$ 99,89 – queda de cerca de 5% – na segunda-feira às 11h50 EST, enquanto o WTI estava sendo negociado a US$ 95,67 , queda de 6%.

No fim de semana, a China intensificou os esforços de bloqueio, que antes se concentravam principalmente em Xangai, mas agora se espalharam para a capital Pequim. Os investidores agora estão preocupados com o aumento das restrições e que mais cidades sejam afetadas.

Um dos maiores distritos de Pequim registrou 11 novos casos em um único dia, levando os moradores a fazer uma corrida aos suprimentos em caso de bloqueio, informou a CNN. As autoridades também anunciaram testes em massa para todas as pessoas no distrito, aumentando ainda mais a sensação de pânico, com mais distritos sendo adicionados ao plano no início da tarde de segunda-feira EST.

Novas mortes por COVID-19 agora triplicaram em Xangai , com relatos de barreiras de metal sendo erguidas em alguns distritos para ajudar na contenção.

Os bloqueios, que agora parecem se intensificar, estão causando problemas na cadeia de suprimentos, congestionamento de portos e fechamento de fábricas, resultando em uma venda de ações chinesas.

As ações da China continental caíram mais acentuadamente do que em dois anos, de acordo com o South China Morning Post .

A China continua sendo uma das principais preocupações do mercado de petróleo”, disseram analistas do ING , em nota divulgada pelo Investing.com. “A situação do Covid na China parece estar se movendo na direção errada, com Pequim vendo um aumento nos casos no fim de semana. A política de zero covid da China significa que a demanda por petróleo será afetada à medida que as autoridades tentam controlar o surto”.

Valor - SP   27/04/2022

Setor tem saldo de 3,7 bilhões no primeiro trimestre

José Augusto de Castro: petróleo é um dos itens mais importantes da exportação — Foto: Leo Pinheiro/Valor

No primeiro trimestre do ano o Brasil registrou superávit comercial de US$ 3,7 bilhões em petróleo e derivados. O valor foi equivalente a 31% do saldo total da balança comercial do primeiro trimestre, ainda que, sob pressão resultante da guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços e volumes de importação desse grupo de produtos tenham rodado de forma mais acelerada que os das exportações. O quadro, segundo especialistas, mostra que a commodity e derivados ainda devem exercer papel influente por mais alguns anos na balança do país, mesmo com a esperada transição de matrizes energéticas.

Os números do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), organizados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/ME), mostram que o Brasil tem superávit da balança de petróleo e derivados desde 2016 e há quatro anos o saldo desse grupo equivale a pelo menos um quinto do saldo comercial total do país.

Em 2018 as trocas desse produtos resultaram em saldo equivalente a 20,8% do superávit comercial brasileiro, avançando para 27,8% em 2019, ainda antes da pandemia. Em 2021 o superávit comercial em petróleo e derivados foi recorde da série levantada pelo Icomex desde 1997, com saldo de US$ 14,31 bilhões, o equivalente a 23,3% do superávit total de US$ 61,4 bilhões.

Nos primeiros três meses deste ano, a ajuda da balança de petróleo e derivados foi um pouco menos representativa quando se olha igual período do ano passado. De janeiro a março de 2021, as exportações líquidas somaram US$ 3,24 bilhões, que corresponderam a 40% do superávit comercial total de igual período. No primeiro trimestre de 2020 o saldo em petróleo e derivados foi de US$ 3,62 bilhões, maior que o superávit comercial total do período, de US$ 2,8 bilhões. Em 2019 o saldo em petróleo e derivados de janeiro a março foi de US$ 2,1 bilhões, o equivalente a 46,2% do superávit comercial de iguais meses.

Lia Valls, economista e pesquisadora do Ibre, ressalta, porém, que não há tendência marcada pelos primeiros meses do ano. Os valores de embarques e desembarques de petróleo podem oscilar no decorrer do ano por vários fatores que influenciam volumes e preços. Entre eles, demanda doméstica, que impacta na quantidade de combustíveis importada, política de compras externas pela Petrobras e os preços da commodity, que mais recentemente também estão sob impacto maior da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos lockdowns na China. O que se pode dizer, diz, é que a transição energética para matrizes menos poluentes deve mudar o impacto do grupo de petróleo e derivados na balança como um todo, mas esse é um processo que ainda deve demorar.

Por enquanto, aponta Lia, os preços e volumes de petróleo e derivados importados iniciaram o ano de forma mais acelerada que os das exportações. De janeiro a março deste ano a quantidade importada nesse grupo subiu 25% ante igual período do ano passado, com alta de 71,1% nos preços. Nas exportações, o volume aumentou 10,2%, e os preços, 53%. A composição diferenciada para embarques e compras externas ajuda a explicar a diferença de ritmo nas duas pontas.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que divulga importação e exportação da commodity e derivados sob critérios diversos dos da Secex, mostram que esse grupo de produtos fechou 2021 com superávit de US$ 19,03 bilhões. Dos US$ 38,43 bilhões exportados, 80% foram em petróleo e apenas 20% em derivados. Na importação, a relação se inverte. Dos US$ 19,4 bilhões desembarcados, 79% foram em derivados. Ainda segundos dados da ANP, a exportação de petróleo e derivados somou US$ 7,34 bilhões no primeiro bimestre de 2022, e as importações, US$ 3,31 bilhões.

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e sócio da BMJ, avalia que o Brasil poderia estar aproveitando mais o impacto dos preços altos do petróleo na exportação se não houvesse estruturalmente dependência ainda grande da importação de derivados.

Além da diferença de composição da pauta de importação e de exportação, o tipo de petróleo vendido e comprado pelo Brasil também é diferente, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). O petróleo ainda é, ao lado do minério de ferro e da soja, um dos três itens mais importantes da pauta de exportação brasileira, lembra. “Mas, apesar de termos aumentado a produção de petróleo e também as exportações nos últimos anos, a capacidade dos brasileiros de negociar preços na hora de embarcar é limitada.”

Os três grandes produtores mundiais de petróleo hoje são Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia, explica Caio Carvalhal, sócio da Atmosphere Capital, especializada em investimentos no exterior. Ele explica que o conflito Rússia-Ucrânia e, mais recentemente, os novos lockdowns na China em razão da covid-19 interromperam o processo de ajuste de preços do petróleo. Para ele, ainda que haja ruptura no fornecimento de petróleo da Rússia - algo que parece começar a acontecer -, há bolsões que podem normalizar o suprimento. Ele exemplifica com produção de Arábia Saudita e Emirados Árabes e produção americana de “shale”. A normalização, diz, pode acontecer dentro de seis a nove meses após eventual ruptura. Com isso, a expectativa, diz, é de que o preço do barril de brent se mantenha perto de US$ 100, ainda que com picos momentâneos.

Luiz Carvalho, analista sênior de óleo e gás do UBS BB, diz que, de forma estrutural, em prazo maior, a expectativa é que o barril do brent fique entre US$ 70 e US$ 90. A estimativa se baseia em fatores como sinalização já feita por países produtores e custo de reposição de produção. Com a ressalva de fatores imponderáveis e considerando a expectativa de preços estruturais, a casa projeta média de US$ 95 o barril do brent, para 2022 e US$ 85 para 2023. Em 2021 a média ficou perto de US$ 70.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   27/04/2022

Depois de um hiato de dois anos por causa da pandemia de covid-19, a Agrishow, principal evento de agronegócio do País, retomou a edição presencial nesta segunda-feira, 25, com presença do presidente Jair Bolsonaro e expectativas de recordes de circulação de público e de negócios. No primeiro dia, porém, a expectativa do setor sobre o Plano Safra 2022/2023, que garante juros subsidiados ao agronegócio, ajudando a movimentar ainda mais o segmento, não foi satisfeita.

O bom momento das empresas do agronegócio, por causa da alta dos preços das commodities, amplia a expectativa para a Agrishow. O setor de máquinas agrícolas é um dos que vêm crescendo nos últimos anos. “Em 2020, as vendas de máquinas cresceram 17% e, em 2021, 42%, já descontada a inflação do setor no período, que foi maior do que a do IPCA (índice oficial de inflação)”, lembra Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da Abimaq, entidade que reúne as montadoras de máquinas agrícolas. “E para este ano esperamos crescimento de mais 5%, em cima de uma base que já aumentou muito.”

Presidente da Agrishow, Francisco Matturro afirma que a expectativa é positiva apesar do aumento dos preços dos maquinários – reflexo da suspensão de linhas do Plano Safra 2020/2021 – e da Selic (taxa básica de juros) mais alta. “Hoje existem outras fontes de crédito. Os bancos cooperativos avançam muito. Esperamos que não haja problema de recursos e que o próximo Plano Safra traga recursos em quantidade suficiente para pequenos e médios produtores.”

Apesar do otimismo, o novo Plano Safra, que garante taxas de juros subsidiadas para o setor, ainda não saiu do papel. O presidente Bolsonaro e o ministro da Agricultura, Marcos Montes, não anunciaram novidades para os subsídios relacionados ao próximo ciclo. No sábado, o BNDES suspendeu novas operações de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Custeio), única linha do Plano Safra 2021/22 que ainda estava com crédito liberado no banco.

Durante o evento, o presidente se ateve mais a temas políticos, como o indulto que concedeu ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “O artigo 53 da Constituição não garante que os deputados podem falar o que bem entender? É inviolável?”, disse o presidente, durante o evento, em Ribeirão Preto.
Mais espera

Na visão do diretor de agronegócio do Santander, Carlos Aguiar, os detalhes do Plano Safra 2022/23 podem ser conhecidos apenas no fim de junho. “Se não fosse pela greve dos entes públicos, deveria ser no fim de maio”, disse.

Ele ressaltou, porém, que a linha não tem grande efeito no planejamento do banco porque os recursos subsidiados representam R$ 6 bilhões de uma carteira de R$ 30 bilhões. “Nosso diferencial é o atendimento, e não atender um monte de gente com dinheiro público. O diferencial é o entendimento do produtor.”

Canal Rural - SP   27/04/2022

O Brasil precisa modernizar suas máquinas agrícolas e o Plano Safra é essencial para isso, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Marchesan, durante a cerimônia de abertura da Agrishow nesta segunda-feira (25), em Ribeirão Preto (SP). “Precisamos de um Plano Safra compatível, que considere que 50% das máquinas no campo têm mais de 15 anos de idade, que o parque precisa ser modernizado”.

O executivo informou o volume de recursos que ele espera para o programa. “Com relação ao Moderfrota, sugerimos ampliação de recursos para R$ 32 bilhões. Quanto ao Pronaf mais alimentos, sugerimos R$ 11 bilhões só para máquinas agrícolas. Em relação ao Inovagro e Moderagro, estimamos que sejam necessários R$ 8,15 bilhões”, afirmou.

“Quanto ao Programa Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), ferramenta ideal para atenuar e resolver de forma consistente o déficit de armazenagem de grãos no país, nossas sugestões pedem aporte de R$ 15 bilhões em recursos”.

Marchesan disse que as safras recordes no Brasil são um indício de que o Brasil consegue responder à demanda mundial crescente por alimentos. “Por outro lado, pressiona o déficit de armazenagem de grãos no país, perto de 100 milhões de toneladas, beirando o caos logístico”.

Ele defendeu também a ampliação da área irrigada no Brasil. “Assim, sugerimos que o Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada (Proirriga) tenha ampliação do volume de recursos para R$ 5 bilhões.”

qCom mais irrigação, diz ele, o país poderia, por exemplo, expandir a produção de trigo, commoditie da qual o Brasil é hoje importador líquido. “Podemos produzir 22 milhões de toneladas de trigo. Para ter ideia, a China irriga 70 milhões de hectares; os EUA, 17 milhões de hectares. O Brasil, só 7 milhões de hectares.”

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