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25 de Abril de 2022

SIDERURGIA

Investing - SP   25/04/2022

Em relatório publicado na manhã de sexta-feira (22), o BTG (SA:BPAC11) reiterou sua recomendação de compra para Gerdau (SA:GGBR4), com preço-alvo de R$ 43,00, e reiterou que a empresa segue como sua principal escolha em siderurgia.

A análise sucede a uma série de questionamentos sobre os resultados decepcionantes da Usiminas (SA:USIM5) e se haveria uma comparação que justifique a queda das ações da Gerdau também.

Além do fato conhecido de que os resultados do 1T22 das siderúrgicas brasileiras devem ser pressionados por alguns descontos de preços, volumes fracos (sazonalidade) e pressões de custo, o BTG acredita que existem diferenças importantes entre os dois casos.

Como ponto de partida, analistas modelaram o EBITDA (sigla para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para a Gerdau no 1T22 em R$ 5,7 bilhões, mas ainda esperam que as margens EBITDA no Brasil se contraiam perto de 7p.p. t/t para cerca de 24-25%.

Mesmo que o EBITDA seja apenas um pouco acima de R$ 5 bilhões, como alguns estimam, o BTG calcula que isso ainda implicaria um EBITDA anualizado de R$ 20 bilhões para o ano – ao considerar as expectativas de R$ 13-14 bilhões algumas semanas atrás.

Analistas do BTG também acreditam que a força dos EUA oferece um fator de compensação interessante para a história, além de ser uma história operacional, fluxo de caixa e alocação de capital muito mais “limpa”.

Embora entenda que esta seja uma alocação mais consensual, o BTG reitera sua preferência de longa data pela Gerdau sobre a Usiminas, e espera que a primeira continue com desempenho superior no futuro próximo.

A Gerdau negocia abaixo de 3x EBITDA 22 e entrega rentabilidade de fluxo de caixa de dois dígitos.

Valor - SP   25/04/2022

O volume do mês obtido pela entidade global do setor foi de 161 milhões de toneladas

A produção mundial de aço bruto — material sem acabamento — manteve o ritmo de queda no ano e encerrou março com decréscimo de 5,8% ante um ano atrás, informou nesta manhã a World Steel Association (Worldsteel). O volume do mês obtido pela entidade global do setor foi de 161 milhões de toneladas.

Os 64 países que se reportam à Worldsteel representaram aproximadamente 98% da produção mundial total de aço em 2020.

O desempenho da indústria siderúrgica global vem sofrendo os efeitos da desaceleração da China, maior produtor mundial da commodity, desde meados de 2021. O governo chinês impôs restrições às zonas produtoras do país para amenizar impactos ambientais e inflacionários. A alta dos preços do minério de ferro e carvão, duas matérias-primas essenciais do aço, estavam pressionando índices econômicos.

No trimestre, o desempenho do setor, segundo a Worldsteel, registrou queda de 6,8%, para 456,6 milhões de toneladas, comparado aos três primeiros meses de 2021. Ásia (que tem o peso da China) e Oceania produziram 331,3 milhões de toneladas no período — menos 7,8% ao se comparar com o mesmo trimestre do ano passado.

Duas outras regiões relevantes também apresentaram decréscimo entre janeiro e março — União Europeia, com menos 3,8%, e América do Norte, liderada por Estados Unidos, com 0,9%.

A guerra na Ucrânia também gerou impacto na indústria do aço, com o conflito iniciado pela Rússia em 25 de fevereiro. A CIS, região dos chamados países independentes, incluindo Rússia, Ucrânia e outras nações, reportou queda de 8,5% comparado ao mesmo trimestre de 2021.

Desaceleração na China

Em março, a siderurgia chinesa produziu 88,3 milhões de toneladas, recuo de 6,4% na base anual. No trimestre, o país teve decréscimo de 10,5%.

Outros países, entre os dez maiores na fabricação de aço no mundo, tiveram desempenhos diversos no mês passado — a Índia cresceu 4,4%, enquanto o Japão, terceiro no ranking global, reportou queda de 4,3%. Ainda na Ásia, a Coreia do Sul teve retração de 6,1% no período.

Segundo a Worldsteel, estima-se que a Rússia tenha registrado baixa de 1,8%. A entidade não divulgou separadamente os dados da Ucrânia — 14° maior produtor global.

A Alemanha, revelou surpreendentes 11,8% de decréscimo no mês ao se comparar com um ano atrás. Os Estados Unidos tiveram alta de 1,7%.

Para o Brasil, a entidade também fez estimativa — produção em março de 3 milhões de toneladas, com aumento de 5,4% sobre o mesmo mês do ano passado.

Na próxima terça-feira, o Instituto Aço Brasil vai divulgar os números de produção, consumo aparente, vendas internas, exportação e importações do mês e do trimestre. A entidade do setor no país vai também revisar as projeções para 2022.

Valor - SP   25/04/2022

As empresas dos setores de mineração, siderurgia, papel e celulose entram no atual ciclo eleitoral brasileiro em uma posição muito melhor em seus balanços do que em 2018

As empresas dos setores de mineração, siderurgia, papel e celulose entram no atual ciclo eleitoral brasileiro em uma posição muito melhor em seus balanços do que em 2018, diz o Itaú BBA. O caixa amealhado pelas companhias nos últimos 18 meses, se beneficiando da alta nas commodities, serve de escudo para o cenário atual de incertezas.

Os analistas liderados por Daniel Sasson escrevem que o período entre julho de 2020 e dezembro de 2021 será lembrado como um dos mais lucrativos para as companhias dos setores que lidam com as commodities, aproveitando a recuperação nos preços dos insumos e um real desvalorizado.

“Olhando para 2022, notamos que Suzano, Klabin e CSN têm importantes projetos de crescimento, enquanto Gerdau, Usiminas e Vale continuam a focar em aumentar a remuneração para seus acionistas”, comentam.

Eles notam que a média de preços dos últimos 18 meses para o minério de ferro é 59% maior que em 2019, enquanto o aço negociado na China e na Turquia foram 50% e 36%, respectivamente, mais altos que no período. Já a celulose fibra curta negociada na China subiu 41% na mesma base de comparação.

Com o caixa, o banco destaca que empresas de siderurgia conseguiram reduzir a alavancagem, aumentaram investimentos e retornaram lucros aos seus acionistas. CSN e Vale, com poucas oportunidades de crescimento, aceleraram o pagamento de dividendos e recompra aos acionistas.

As companhias de papel e celulose, por sua vez, geraram caixa com a recuperação do mercado de celulose. A Suzano reduziu sua dívida líquida e aumentou investimentos em projetos de expansão. A Klabin continuou a investir no projeto Puma II e deve continuar a ir atrás de novas avenidas de crescimento.

Investing - SP   25/04/2022

Na quarta-feira (20), a Usiminas (SA:USIM5) deu largada a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2022. Para a Genial Investimentos, os números reportados vieram abaixo do esperado em quase todos os indicadores de maior relevância: receita, EBITDA (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro.

A queda na receita, de acordo com a corretora, reflete uma menor participação da mineração em virtude das chuvas o que por sua vez provocou volume inferior de produção e consequentemente de vendas.

Já na parte dos custos, de modo geral todos os segmentos foram fortemente afetados, por exemplo pelos preços das commodities, com carvão e minério de ferro em preços elevados, sem contar o aumento dos preços do petróleo aumentando custo de transporte, dentre outros.

A produção de minério de ferro no 1T22 totalizou 1,7 mil toneladas, uma queda de 13% a.a e 30% t.t, que culminou com um total de vendas de 1,6 mil toneladas também em quedas de 17% a.a e 38% t.t.

Do lado de receita, este segmento obteve R$ 812 milhões (-45,1% a.a e -12,7% t.t).

Dentre os principais fatores de pressão ficaram o menor volume produzido em razão das chuvas (efeito sazonal) e a depreciação do dólar, enquanto do outro lado da balança se beneficiou de uma elevação no preço do minério.

Para os custos, houve um aumento do custo-caixa (cash-cost) de produção por tonelada, a R$ 112,7 por tonelada vs. R$ 92,6 por tonelada no quarto trimestre do ano passado.

A produção de aço bruto na usina de Ipatinga foi de 677 Kt (-13% a.a e -6,4% t.t), o de placas adquiridas foi de 451 Kt (-33% a.a e -3% t.t) enquanto a produção de laminados das usinas de Cubatão e Ipatinga totalizou 1091 Kt (-16% a.a -6,4% t.t)

O total de vendas foi de 1135 Kt de aço (+6,6% t.t), com 76% destinado ao mercado interno e 24% para o externo.

A receita foi de R$ 6,9 bilhões (+20,1% a.a e +0,3% t.t), semelhante ao do 4T21, enquanto os custos foram maiores em virtude da elevação dos preços do carvão, coque, energia e combustíveis, evidenciado por um CPV de R$ 5,8b (+30,5% a.a e +6,7% t.t)

As despesas com vendas cresceram com os maiores níveis de exportação, enquanto despesas gerais e administrativas caíram, pelas mesmas razões vistas na mineração.

Devido a esses fatores, o EBITDA foi de R$ 1,3 bilhão (-24,4% a.a e -44,1% t.t), com uma margem de 19,0% (-15,1 p.p t.t).

Já a receita de transformação do aço no 1T22 foi de R$ 2,1 bilhão (+22,6% a.a e +6,9% t.t) como resultado de um maior volume de vendas +11,4% t.t. O CPV foi de R$ 2,0b (+36,0% aa e +5,3% t.t).

O EBITDA foi de R$ 67m (+R$ 68m frente ao 4T21), obtendo uma margem de 3,1% (+3,2% p.p t.t).

A Genial Investimentos reiterou recomendação de compra para USIM5, ao preço-alvo de R$ 19,00 - o que implica em um potencial de valorização de 45,04% sobre o preço no encerramento do pregão anterior, 20 (R$ 13,10).

Click Petroleo e Gas - RJ   25/04/2022

O novo projeto da Vale para a construção da sua nova fábrica de siderurgia, a Tecnored, será essencial para o desenvolvimento da região, uma vez que as obras para a planta de produção de ferro devem oferecer cerca de 2 mil empregos para os moradores do Pará

Já neste mês de abril, a mineradora Vale deu início às obras de construção da Tecnored, a sua nova fábrica de produção de ferro para a siderurgia. E na última quinta-feira, (21/04), seus representantes comentaram sobre os 2 mil empregos que serão gerados para os moradores do Pará ao longo do projeto de construção da planta, o que será essencial para o crescimento econômico do estado.

Tecnored será a nova fábrica de produção de ferro da Vale focada na siderurgia e está sendo construída na região de Marabá, no estado do Pará

A Vale não só está cada vez mais focada no segmento da siderurgia nacional, como também está desenvolvendo uma nova fábrica para a produção de ferro. Assim,a siderúrgica será uma subsidiária da Vale focada no desenvolvimento de um processo de ferro gusa de baixo carbono, feito por meio do uso de fontes de energia, como biomassa, gás de síntese e hidrogênio, para o mercado nacional. 

O projeto está sendo denominado Tecnored e as obras de construção já foram iniciadas na região de Marabá, no estado do Pará, para que o processo de início da produção do ferro seja finalizado o quanto antes. Além disso, a nova unidade em Marabá terá capacidade inicial de produção de 250 mil toneladas de ferro gusa verde por ano e tem previsão de poder chegar, futuramente, a 500 mil toneladas a cada doze meses, o que poderá tornar a empresa ainda mais competitiva dentro do segmento da siderurgia. 

A companhia também anunciou algumas projeções para o projeto e está prevendo que a fábrica tenha as obras finalizadas no ano de 2025, para o início imediato da produção de ferro. Além disso, os investimentos para o projeto estão orçados em mais de R$ 1,6 bilhão e a empresa pretende adquirir equipamentos de ponta para investir na produção dessa matéria-prima, que está sendo cada vez mais demandada dentro do mercado nacional e internacional no segmento da siderurgia, além de ser uma nova aposta para a sustentabilidade no setor.

Construção da fábrica de produção de ferro Tecnored será essencial para a sustentabilidade da mineradora e irá gerar mais de 2 mil empregos para o estado

O principal objetivo da administração do estado do Pará com o apoio às obras de construção da nova fábrica de produção de ferro da Vale é o desenvolvimento socioeconômico do estado. Isso acontece pois, a empresa espera que sejam gerados cerca de 2 mil empregos no pico das obras, além de que, no início da fase de produção da matéria-prima, cerca de 400 empregos diretos e indiretos devem ser criados para a população local. 

E, além da geração de empregos para a população do estado do Pará, o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeu, comentou sobre a importância da fábrica para a sustentabilidade e afirmou que “A implantação da Tecnored contribui para tornar a cadeia do processo cada vez mais sustentável. O projeto Tecnored é de grande importância para a Vale e para a região e trará ganhos de competitividade, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento para a região. Além disso, gradualmente, vamos substituir o carvão por biomassa carbonizada até atingir a meta de 100% de biomassa”.

Dessa forma, o estado não só será beneficiado com os empregos disponibilizados no projeto de obras, como também será palco de uma fábrica totalmente voltada para o compromisso ambiental e as práticas ESG na produção de ferro.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   25/04/2022

Ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós diz que a inflação alta pode continuar surpreendendo e que o processo de desinflação será mais difícil e longo do que se imaginava. “Podemos falar em pelo menos um par de anos a mais”, prevê. Torós avalia que mudou o cenário que existia desde 2016, com a política fiscal andando junto com a política de juros. 

Enquanto a primeira pisa no acelerador, a outra tem de pisar no freio. Sócio da Ibiuna Investimentos, com R$ 27 bilhões de recursos sob sua gestão, Torós diz que a mensagem dos investidores hoje é de grande incerteza e de vontade de ter o dinheiro mais protegido.

A economia vive um momento difícil de inflação alta e persistente que vem surpreendendo, como aconteceu em março com o IPCA de 1,62%. O que esperar daqui para frente?

Não dá para pensar no Brasil sem ver o que está acontecendo no resto do mundo. O mundo está assim: crescendo muito e com inflação. Os bancos centrais, tanto do Brasil quanto dos mercados lá fora, falavam que era meio transitório. Mas estamos vendo que a inflação tem um caráter mais persistente no mundo todo e vai ficar por mais tempo. O processo de desinflação, que todo mundo achava que ia ser muito rápido, será mais lento.

No seu horizonte, quanto é esse tempo a mais para o processo de desinflação?

Numa hipótese relativamente boa, podemos falar em pelo menos um par de anos a mais. O ano de 2022 e 2023. Os próprios BCs já estão convencidos de que é um processo longo. A inflação cheia dos Estados Unidos saiu a 8,5%. A despeito disso, as reações dos BCs de modo geral têm sido muito mais paulatinas.
Como fica o Brasil nesse cenário internacional?

O BC iniciou esse ciclo mais rápido, botando a política monetária num nível bastante restritivo. Com o nível de juros que temos, os efeitos da política vão fazer com que o crescimento desacelere no segundo semestre, além das incertezas eleitorais. O que difere mais o Brasil dos outros não é nem a questão da inflação, mas o crescimento, que de fato é muito mais baixo tanto em relação aos países emergentes quanto aos desenvolvidos. Essa é uma questão que tem de ser discutida mais profundamente.
Quais as razões para o baixo crescimento brasileiro?

Não há um único fator, mas uma combinação. Temos uma produtividade bastante baixa. O Brasil tem problemas estruturais que não conseguem fazê-lo crescer de forma sustentável. Os primeiros passos são persistir nas reformas. Não é uma panaceia. Cada reforma é um tijolo numa construção.
Não se está depositando muita fé nas reformas para o Brasil crescer mais?

Repito que não há atalho para o crescimento sustentado. Não é que haja muita fé nas reformas. Elas são condições necessárias, mas não necessariamente suficientes para garantir o crescimento. Tem de persistir nesse negócio. Eu vejo falarem ‘se fez a reforma trabalhista e a taxa do desemprego não mudou ou mudou pouco’. Mas ela é um fator, e sozinha não consegue resolver os problemas da economia. As mais importantes são de fato aquelas que mudam o perfil do gasto fiscal. E isso precisa estar claro. A reforma tributária em si também não resolve. O problema é que temos um gasto fiscal de mais de 30% do PIB.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, se disse surpreso com a inflação. Há poucas semanas, ele dizia que o pico da inflação seria em abril e depois cairia.

Ele fala do pico da inflação ‘logo na frente’ desde o início de 2021, e de fato não tem sido isso. Não é só com o Brasil. Os BCs têm sido surpreendidos pelo processo inflacionário. O Brasil tem um processo inflacionário forte e tem um processo de desinflação a fazer longo e difícil. Grosso modo pode-se dizer que a inflação no Brasil está 10%, 11% e tem talvez um processo para fazer para ela ir a 6%, 7%. Depois, o mais difícil é trazê-la para 3%, que é o patamar que os países emergentes em geral almejam.

Quando a inflação cair no Brasil vai ficar com inflação nesse nível de 6% e 7% por muito tempo?

Sim, é possível. É possível que tenhamos um processo lento de desinflação. Vai acontecer não só no Brasil como nos emergentes.
Como o sr. avalia a comunicação dos BCs?

O Roberto Campos falou que está pensando em parar (a alta de juros), que o nível já estava bom, e agora já disse que não é bem assim. É um momento de muita incerteza. A comunicação dos BCs é um elemento hoje que já sabemos ser chave. Tanto quanto ou até mais do que a definição da taxa básica de juros. Vários países díspares, como o Chile e a República Checa, já deram mensagens de que já subiram os juros e está na hora de parar. Essa não é uma mensagem que só o Brasil deu. Como o ambiente é de muita incerteza, por exemplo, a República Checa deu essa mensagem e já mudou. O Chile está mais ou menos igual ao Brasil, que está próximo de parar, mas aí os dados de inflação saíram muito mais altos do que se imaginava.

Há críticas reservadas de integrantes da equipe econômica à comunicação do BC e uma avaliação de que a alta dos juros deveria ter sido mais agressiva, além do incômodo da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, com alertas do Copom para os riscos fiscais. Como o sr. avalia esse ponto?

Esse integrante quer que o Paul Volker (ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos que ficou conhecido por elevar drasticamente os juros) volte. 

Há momentos e momentos na economia. No passado era assim. Ao longo do tempo fomos aprendendo que, na gestão de política monetária, existem outros mecanismos de transmissão que são menos nocivos à atividade econômica do que simplesmente dar uma ‘porrada’ na taxa de juros. O BC fez uma escolha e a tem seguido. Você poderia dizer que ele poderia deixar um pouco mais em aberto as decisões ou não. Alguns BCs têm feito de um jeito e outros de outro. 

No frigir dos ovos, lá no final, não fará grande diferença, embora eventualmente possa ter um pouco mais de volatilidade no mercado quando se dá uma comunicação sobre os próximos passos de forma mais clara como está dando o BC.

O presidente do BC se disse surpreendido com a aceleração da inflação de março. O BC e o mercado podem se surpreender de novo nos próximos meses?

Quem não disse isso de fato não é um observador da cena econômica. É possível. Minha visão é que existe uma incerteza com a política fiscal, independente de qual será o candidato que vai ganhar. O mercado está dizendo para a gente (nos preços) que a política econômica que está vendo daqui para frente é de volta um pouco da política do passado, em que a política fiscal pisa no acelerador e a monetária tem de pisar no freio. Essa é a política que eu vivi no BC. Desde 2016, as políticas monetária e fiscal passaram a andar juntas. Isso permitiu que a taxa de juros real de longo prazo começasse a cair, com a perspectiva de que o País estava começando a endereçar a questão fiscal de forma mais estrutural, e não conjuntural.
Esse cenário mudou?

Hoje, mudou. Se olharmos a taxa de juros real de longo prazo do Brasil, ela voltou para um patamar acima de 5% e rondando em 6% há algum tempo. É muito alta e difícil de sustentar tendo uma dívida em relação ao PIB na ordem de 80%. Essa questão está associada a uma inferência de qual seria a política econômica que poderia vigorar no próximo governo, independentemente de qual seria o eleito.
Esse pé no acelerador atrapalha a política do BC restritiva?

O problema não é exatamente a política atual. É a perspectiva e incerteza da política fiscal futura. Isso sim está criando uma restrição de crescimento, à medida que passamos a ter uma taxa de juros real muito acima do que seria sustentável para a economia.
Qual a mensagem que os investidores estão passando para vocês nesse momento?

É uma mensagem de grande incerteza, de vontade de ter o dinheiro mais protegido. O que vemos quando olhamos a indústria dos fundos é que temos um fluxo de investidores domésticos muito grande de novo voltando para a renda fixa.
O que fica do imbróglio em torno da troca de comando da Petrobras, depois que o presidente Bolsonaro cobrou a queda dos preços dos combustíveis?

A primeira constatação é que a Petrobras é muito provavelmente um dos ativos mais baratos do mundo. É uma pena, porque a sociedade brasileira é dona de um terço da Petrobras em ações totais e tem o controle. Esse valor está desvalorizado por questões políticas. Fazem essa confusão toda, mas não conseguem, até porque institucionalmente se criaram mecanismos de mercado que impedem esse tipo de intervenção. Só fica com a confusão que desvaloriza o que, em essência, é da sociedade brasileira.
Por outro lado, há um movimento capitaneado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, para mudar a lei das estatais e permitir mudanças no estatuto da empresa?

Assim é o Brasil. No final das contas, tudo isso se resume numa coisa: crescimento mais baixo no futuro.
Como o País chegará em 2023?

Primeiro, tem a questão de quem vai ser o presidente do Brasil, entre os vários candidatos. Em segundo, qual a política econômica que vamos ter. Isso tudo eu acho que ainda está em aberto. Seria bom que a gente tivesse uma maior compreensão sobre isso hoje, porque certamente impacta o crescimento do futuro.
O mercado escolheu um candidato?

Eu não sei se o mercado escolheu. Eu não tenho essa percepção. O que eu posso dizer é a minha visão. A gente, como gestor não tem de ter um candidato. Temos de olhar as propostas, olhar os candidatos, analisar as probabilidades que estão implícitas na vitória de um ou de outro candidato. A partir daí, ver qual é a gestão de política econômica que esses candidatos podem fazer, e isso dá como resultante o preço para determinar o ativo. Essa é a função que eu vejo dos gestores de recursos. Eu tenho essa postura. Não tenho preferência por nenhum candidato como gestor. Eu não escolho a pauta. A pauta é dada pelos candidatos que estão aí. Essa pauta é que determina como será o comportamento do preço dos ativos.

O Estado de S.Paulo - SP   25/04/2022

Um aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros estará “na mesa” quando o Federal Reserve (Fed) se reunir em 3 e 4 de maio para aprovar a próxima do que se espera que seja uma série de altas de juros neste ano, disse o presidente do banco central dos EUA, Jerome Powell, em comentários que apontavam para um conjunto agressivo de ações do Fed.

Com a inflação atingindo cerca de três vezes a meta de 2% do Fed, “é apropriado avançar um pouco mais rapidamente”, disse Powell em uma discussão sobre a economia global nas reuniões do Fundo Monetário Internacional. “Cinquenta pontos básicos estarão na mesa para a reunião de maio.”

Os traders de contratos vinculados à taxa de fundos federais overnight esperam que o Fed a aumente para um intervalo entre 2,75% e 3% até o final do ano, um ritmo que envolveria elevações de 0,50 ponto porcentual nas três próximas reuniões e aumentos de 0,25 ponto nas três outras sessões do ano.

“Realmente, estamos comprometidos em usar nossas ferramentas para recuperar a inflação”, disse Powell, reconhecendo que a esperança do Fed de que a inflação iria cair durante a reabertura da pandemia foi equivocada até agora – a ponto de o Fed não contar mais com a ajuda da melhora das cadeias de suprimentos globais, por exemplo.

“Tínhamos uma expectativa de que a inflação atingiria o pico por volta dessa época, e cairia ao longo do resto do ano, e depois mais”, disse Powell. “Essas expectativas foram decepcionadas no passado. Queremos ver o progresso real. Não vamos contar com a ajuda da cura do lado da oferta. Vamos aumentar as taxas e chegar rapidamente a níveis mais neutros, e depois mais alto, se necessário.”

O Estado de S.Paulo - SP   25/04/2022

Com crescimento de 0,8% neste ano e de 1,4% no próximo, o Brasil continua correndo bem atrás dos outros emergentes e até dos países mais desenvolvidos, segundo os balanços e projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Já observado nos últimos dez anos, esse descompasso deve continuar nos próximos cinco, em todo o horizonte coberto, portanto, pelo Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), na versão divulgada na terça-feira. Pelas novas estimativas, severamente afetadas pela guerra na Ucrânia, a produção global das economias avançadas deve aumentar 3,3% em 2022 e 2,4% em 2023. Para o conjunto dos países emergentes e em desenvolvimento as taxas previstas para esses períodos são 3,8% e 4,4%, com alguma moderação do desempenho chinês.

Com a invasão da Ucrânia, já foram cortadas as projeções de crescimento de todos os grupos de economias. Terminar a guerra é a maior prioridade, afirmou o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, levando em conta, além da tragédia humanitária imediata, os efeitos econômicos do conflito e das sanções à Rússia.

Sem ter ainda vencido os desajustes ocasionados pela pandemia, o mundo enfrenta agora a crise provocada pelo governo russo. Menor crescimento e inflação maior ameaçam a economia global, revertendo as perspectivas de recuperação. Pelos novos cálculos, o crescimento mundial deve ser, neste ano, 0,8 ponto inferior ao estimado em janeiro. A taxa prevista para 2023 ficou 0,2 ponto menor que a indicada no início do ano.

A guerra, segundo Gourinchas, agrava os choques de oferta enfrentados pela economia global nos últimos anos. Seus efeitos devem propagar-se “como ondas sísmicas de choques” pelos mercados de produtos básicos e pelos canais financeiros.

Diante dos novos desajustes, foram revistas para baixo as perspectivas de médio prazo de todos os grupos de países, mesmo daqueles exportadores de commodities, porque deverão beneficiar-se da alta dos preços da energia e dos alimentos.

O Brasil é um desses exportadores e deve, portanto, ser um dos beneficiários do aumento das cotações internacionais de produtos básicos. Esse efeito benéfico já tem sido observado nas contas externas do País. Nenhum desses detalhes foi examinado na apresentação geral de Gourinchas, mas o crescimento previsto para o País neste ano ficou 0,5 ponto maior que o projetado em janeiro. O estimado para 2023, no entanto, diminuiu 0,2 ponto. Além disso, a economia brasileira se destaca, na análise do FMI, pela inflação já elevada e persistente, pela perspectiva de baixo crescimento e pelo alto desemprego.

Neste ano e no próximo, o crescimento do Brasil deve ser inferior às médias da América do Sul, de 2,3% em 2022 e de 2,1% em 2023. As médias anuais da inflação brasileira, estimadas em 8,2% para este ano e 5,1% para o próximo, devem ser maiores que as taxas da maior parte dos sul-americanos. O desemprego, calculado de acordo com critérios do FMI, deve ficar em 13,7% e 12,9%, superando também os números da maior parte do continente.

O Estado de S.Paulo - SP   25/04/2022

A economia global está sob pressão. Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou uma série de estatísticas que indicam um cenário turvo para o mundo todo – e a aceleração da inflação é uma das principais responsáveis por esse panorama. Além de reduzir a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global para este ano de 4,4% para 3,6%, o FMI também disse projetar que a inflação “se mantenha elevada por mais tempo do que previa anteriormente” tanto nos países emergentes quanto nos desenvolvidos.

Em janeiro, o Fundo estimava que a alta dos preços neste ano ficaria em 3,9% nas economias avançadas e 5,9% nas emergentes. Agora, esses números passaram para 5,7% e 8,7%, respectivamente.

Para o Brasil, o órgão estima inflação de 8,2% em 2022 e 5,1% em 2023. Para os Estados Unidos, a projeção é de 7,7% neste ano. Se confirmado, o número ficará 5,2 pontos porcentuais acima da meta da inflação. O Departamento do Trabalho americano divulgou, na semana passada, que os preços estão avançando a um ritmo que não se via há 40 anos.

Na Europa, os números também batem recordes, principalmente devido ao aumento da energia, fornecida em grande parte pela Rússia. Na Alemanha, a inflação dos últimos 12 meses chegou a 7,3% em março, o maior patamar registrado desde a unificação do país, em 1990. O Fundo estima que a economia alemã termine o ano com inflação de 5,5%, também acima da meta de 2% da zona do euro.

Futuro

O documento do FMI destaca que problemas de abastecimento decorrentes da guerra na Ucrânia vão ampliar ainda mais as pressões que já vinham sendo registradas nos preços, principalmente em energia, metais e alimentos. O órgão também afirma que os gargalos de produção – que surgiram com a pandemia e são uma das causas da inflação – podem durar até 2023.

O economista-chefe da Santander Asset, Eduardo Jarra, também já vê o próximo ano com preocupação. Antes da guerra, ele trabalhava com a hipótese de que as cadeias de produção e fornecimento se normalizariam em 2022, ano em que os Bancos Centrais (BCs) também fariam um aperto monetário, elevando os juros. Tudo isso garantiria um retorno da inflação de diferentes países para meta. “Jogamos todas essas projeções para frente. Atrasamos a normalização em um ano”, diz.

Agora, o cenário base da Santander Asset é de inflação na meta apenas em 2024. Os riscos para que isso ocorra ainda mais tarde, no entanto, são altos, acrescenta o economista. “Tem o risco de as cadeias demorarem um pouco mais para se normalizarem e de os BCs estarem mais atrasados (no aperto monetário). Em uma escala de risco de um a cinco, o risco seria quatro”, acrescenta Jarra.

Na visão do chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), José Júlio Senna, “há uma enorme dificuldade para enxergar quando a inflação vai perder o ritmo”. O economista explica que a inflação atual decorre sobretudo de fenômenos observados na pandemia: um aumento de liquidez promovido pelos governos para evitar a crise quando a quarentena foi imposta, gargalos na produção que surgiram com fechamentos abruptos de fábricas e aumento na demanda por bens, em detrimento de serviços, também durante a quarentena. “É uma inflação de pandemia, e pandemia é um evento raro. Então, não existe um protocolo e é difícil entender até onde o processo vai.”

Senna destaca também que uma possível mudança estrutural no mercado de trabalho das economias avançadas, sobretudo na dos Estados Unidos, pode pressionar ainda mais a inflação nos próximos meses. Nesses países, observa-se falta de mão de obra desde o ano passado. Parte da população está menos disposta a trabalhar nas condições de antes da pandemia. Outra parcela se tornou autônoma.

Houve também a redução de imigrantes devido ao fechamento de fronteiras. Esses fatores têm obrigado as empresas a pagar mais para conseguir contratar, elevando a inflação. “Quando o mercado de trabalho está pressionado, a cara da inflação fica pior e mais preocupante. E é esse o ponto em que estamos”, diz Senna.

Recessão

Além de prejudicar a população ao reduzir a renda disponível das pessoas, a inflação alta também preocupa porque deve levar os BCs em todo o mundo a adotar medidas para tentar controlá-la. A principal delas é aumentar a taxa de juros, dificultando a concessão de crédito na economia e, assim, reduzindo a demanda por serviços e bens.

Economistas têm se preocupado, entretanto, com a possibilidade de os EUA terem de elevar muito a taxa de juro, o que poderia provocar uma recessão no país em 2023 ou 2024, derrubando a economia global. Esse não é o cenário mais provável por ora, segundo analistas ouvidos pelo Estadão, mas a probabilidade tem crescido.

Em relatório do início deste mês, o Itaú Unibanco afirmou que um de seus modelos sugere probabilidade de recessão de 50% nos EUA nos próximos dois anos. Já o modelo do Fed (Federal Reserve, o BC americano) de Nova York indica risco de 30%. “O sentimento ainda é de uma economia forte neste ano e uma desaceleração em 2023, que chamamos de pouso suave. Mas há um risco (de recessão) crescente”, diz André Matcin, economista do Itaú.

O banco projeta que, neste ano, a economia americana deverá crescer 3,2% e, em 2023, 2%. A desaceleração será puxada pelo aumento da taxa básica de juros para o patamar entre 3,75% e 4% – hoje está entre 0,25% e 0,5%.

Jarra, da Santander Asset, também trabalha, por enquanto, com uma desaceleração gradual do PIB dos EUA como cenário base, mas frisa que o risco de recessão é “considerável”. “A inflação vindo mais alta do que imaginamos leva o Fed a uma postura mais agressiva. Aí aumenta a chance de uma aterrissagem rápida e, eventualmente, uma recessão em 2023 e 2024. Esse cenário seria de desaceleração global forte e bastante negativo para os emergentes.”

IstoÉ Dinheiro - SP   25/04/2022

O desafio do Banco Central vai além dos problemas derivados da inflação externa, tendo uma relação muito forte com a estrutura da economia brasileira, preparada durante décadas para se resguardar do aumento dos preços e, portanto, estruturada para perenizar choques temporários, diz o economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio de Souza Leal. No relatório “Alfabeto Econômico”, que envia a clientes aos finais de semana, o Alfa discute condições para o BC manter a indicação de parar de subir os juros ao nível de 12,75% ao ano em maio, além da missão de colocar a inflação no País na meta.

Lembrando os filmes da franquia Missão Impossível, Souza Leal afirma que colocar a inflação na meta em 2022 é, sim, uma “missão impossível”, mas fazê-la convergir em 2023 não seria tão impossível assim, desde que haja disposição a incorrer nos custos de fazê-lo. Nos filmes, acrescenta, o personagem Ethan Hunt e equipe estão sempre prontos a ir ao limite, “o que invariavelmente rende boas cenas de ação e grandes bilheterias”. “Se o BC fizer o mesmo, a audiência vai aplaudir o resultado?,” questiona.

“Para começar a discussão, vamos aos fatos. Para uma meta de inflação de 3,25% em 2023, as expectativas para o IPCA do ano que vem coletadas pelo Broadcast na quinta-feira, 14, indicaram um número ao redor de 4,00%, e a inflação corrente está em 11,29% no acumulado em 12 meses. Usando uma regra de Taylor simples para a economia brasileira, a conclusão é que os juros deveriam chegar a 15,50% ao ano para que houvesse convergência da inflação para a meta em 2023”, emenda o economista.

Partindo dos modelos de pequeno porte do próprio BC, os juros teriam que ser elevados até 14,75% ao ano. O custo adicional em termos de crescimento seria de algo entre 1 ponto porcentual e 1,50 pp, quando comparado com o cenário de juros a 12,75% ao ano, continua o texto.

“Portanto, a primeira pergunta que vale a pena fazer é: será que o BC está disposto a incorrer nesse custo? Pelas suas últimas declarações, parece que não”, afirma Souza Leal, citando palestra do presidente da instituição, Roberto Campos Neto, em evento do Traders Club e Arko Advice no dia 11.

A despeito de ter deixado a porta aberta para níveis de juros acima dos 12,75%, preconizados na ata da última reunião do Copom, “não nos parece que o BC estaria disposto a chegar a patamares tão elevados”. “Interessante que mesmo os economistas mais pessimistas não preveem níveis de taxa de juros compatíveis com a convergência tempestiva da inflação”, escreve Souza Leal, acrescentando que o teto das projeções coletadas pelo Broadcast ficou em 14,25%.

Estratégia

Ao comentar se a melhor estratégia para combater a inflação seria uma política de juros mais suava ou agressiva, Souza Leal pontua que existem “boas argumentações” de ambos os lados, “mas devemos lembrar que, mesmo que a alta dos juros parasse em 12,75%, poderíamos chamar esse ajuste de qualquer coisa, menos de comedido”.

“Estamos falando de uma alta, já implementada, de 9,75 pontos porcentuais em apenas 12 meses, de 2% ao ano para 11,75%. Além disso, considerando os parâmetros do BC, os 12,75% ‘prometidos’ representariam um avanço de 6 pontos no terreno contracionista. Em termos comparativos, os 14,25% de 2015 representaram um alta total de 7 pontos desde o início do processo (quando a Selic estava em 7,25% a.a.), que demorou 27 meses para ser atingida.”

Segundo o economista, ainda usando os parâmetros do BC à época, isso representou um avanço de 5,25 pontos no terreno contracionista. Considerado um caso de sucesso pelo próprio presidente do BC, esse processo trouxe a inflação do pico de 10,71% em janeiro de 2016 para 2,57% em setembro de 2017.

“Notemos que o nível de inflação chega ao mais alto seis meses após o BC parar de subir os juros e só atinge o seu patamar mínimo 26 meses após a interrupção do processo de elevação das taxas. Portanto, independentemente de qual a natureza da incerteza de política monetária nesse momento, não se pode negar que o BC atuou com uma agressividade ímpar na alta de juros. Ou seja, o tempo dessa discussão a respeito de choque ou gradualismo já passou”, finaliza.

Exame - SP   25/04/2022

O desafio do Banco Central vai além dos problemas derivados da inflação externa, tendo uma relação muito forte com a estrutura da economia brasileira, preparada durante décadas para se resguardar do aumento dos preços e, portanto, estruturada para perenizar choques temporários, diz o economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio de Souza Leal. No relatório "Alfabeto Econômico", que envia a clientes aos finais de semana, o Alfa discute condições para o BC manter a indicação de parar de subir os juros ao nível de 12,75% ao ano em maio, além da missão de colocar a inflação no País na meta.

Lembrando os filmes da franquia Missão Impossível, Souza Leal afirma que colocar a inflação na meta em 2022 é, sim, uma "missão impossível", mas fazê-la convergir em 2023 não seria tão impossível assim, desde que haja disposição a incorrer nos custos de fazê-lo. Nos filmes, acrescenta, o personagem Ethan Hunt e equipe estão sempre prontos a ir ao limite, "o que invariavelmente rende boas cenas de ação e grandes bilheterias". "Se o BC fizer o mesmo, a audiência vai aplaudir o resultado?," questiona.

"Para começar a discussão, vamos aos fatos. Para uma meta de inflação de 3,25% em 2023, as expectativas para o IPCA do ano que vem coletadas pelo Broadcast na quinta-feira, 14, indicaram um número ao redor de 4,00%, e a inflação corrente está em 11 29% no acumulado em 12 meses. Usando uma regra de Taylor simples para a economia brasileira, a conclusão é que os juros deveriam chegar a 15,50% ao ano para que houvesse convergência da inflação para a meta em 2023", emenda o economista.

Partindo dos modelos de pequeno porte do próprio BC, os juros teriam que ser elevados até 14,75% ao ano. O custo adicional em termos de crescimento seria de algo entre 1 ponto porcentual e 1 50 pp, quando comparado com o cenário de juros a 12,75% ao ano, continua o texto.

"Portanto, a primeira pergunta que vale a pena fazer é: será que o BC está disposto a incorrer nesse custo? Pelas suas últimas declarações, parece que não", afirma Souza Leal, citando palestra do presidente da instituição, Roberto Campos Neto, em evento do Traders Club e Arko Advice no dia 11.

A despeito de ter deixado a porta aberta para níveis de juros acima dos 12,75%, preconizados na ata da última reunião do Copom "não nos parece que o BC estaria disposto a chegar a patamares tão elevados". "Interessante que mesmo os economistas mais pessimistas não preveem níveis de taxa de juros compatíveis com a convergência tempestiva da inflação", escreve Souza Leal, acrescentando que o teto das projeções coletadas pelo Broadcast ficou em 14,25%.
Estratégia

Ao comentar se a melhor estratégia para combater a inflação seria uma política de juros mais suava ou agressiva, Souza Leal pontua que existem "boas argumentações" de ambos os lados, "mas devemos lembrar que, mesmo que a alta dos juros parasse em 12 75%, poderíamos chamar esse ajuste de qualquer coisa, menos de comedido".

"Estamos falando de uma alta, já implementada, de 9,75 pontos porcentuais em apenas 12 meses, de 2% ao ano para 11,75%. Além disso, considerando os parâmetros do BC, os 12,75% 'prometidos' representariam um avanço de 6 pontos no terreno contracionista. Em termos comparativos, os 14,25% de 2015 representaram um alta total de 7 pontos desde o início do processo (quando a Selic estava em 7,25% a.a.), que demorou 27 meses para ser atingida."

Segundo o economista, ainda usando os parâmetros do BC à época, isso representou um avanço de 5,25 pontos no terreno contracionista. Considerado um caso de sucesso pelo próprio presidente do BC, esse processo trouxe a inflação do pico de 10 71% em janeiro de 2016 para 2,57% em setembro de 2017.

"Notemos que o nível de inflação chega ao mais alto seis meses após o BC parar de subir os juros e só atinge o seu patamar mínimo 26 meses após a interrupção do processo de elevação das taxas. Portanto, independentemente de qual a natureza da incerteza de política monetária nesse momento, não se pode negar que o BC atuou com uma agressividade ímpar na alta de juros. Ou seja, o tempo dessa discussão a respeito de choque ou gradualismo já passou", finaliza.

Agência Brasil - DF   25/04/2022

O Banco Central (BC) está pronto para aumentar os juros mais do que o previsto caso a inflação seja maior ou mais persistente que o esperado, disse o presidente do órgão, Roberto Campos Neto. Em viagem aos Estados Unidos, ele repetiu que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve elevar a taxa Selic (juros básicos da economia) para 12,75% ao ano na próxima reunião, em maio, mas deu a entender que ajustes adicionais podem ocorrer.

“O Copom avalia que o momento exige serenidade para avaliar o tamanho e a duração dos choques atuais. [O comitê] persistirá em sua estratégia até que o processo de desinflação e a ancoragem das expectativas em torno de suas metas se consolide”, declarou Campos Neto em apresentação a investidores.

Com a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) no maior nível desde 1994, Campos Neto repetiu declarações recentes de que o BC está aberto a revisar o cenário de política monetária. Originalmente, estava previsto que o Copom elevaria os juros dos atuais 11,75% ao ano para 12,75% ao ano no próximo mês. Com a persistência da inflação, uma elevação adicional não está descartada para a reunião do Copom em junho.

“O Copom ressalta que seus futuros passos de política monetária poderão ser ajustados para garantir a convergência da inflação para suas metas e dependerá da evolução da atividade econômica, no balanço de riscos e nas expectativas e projeções de inflação para o horizonte relevante à política monetária”, acrescentou Campos Neto, que está em Washington para reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e do G20 (grupo das 20 maiores economias do planeta).
Guerra

Na apresentação, divulgada aos jornalistas, Campos Neto afirmou que a guerra entre Rússia e Ucrânia pode agravar as pressões sobre a inflação em todo o planeta. De acordo com ele, os preços estão sujeitos a sofrer efeitos, tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento, estão sofrendo com os impactos econômicos do conflito.

Segundo ele, a guerra pode atrasar a transição para uma economia verde. Isso porque que diversos países têm de recorrer a combustíveis fósseis no curto prazo para suprir a falta do gás natural russo e à escassez de insumos dependentes do petróleo, como fertilizantes.

MINERAÇÃO

Revista Mineração - SP   25/04/2022

Contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian caiu 2,4% nesta sexta-feira.

O preço do minério de ferro na bolsa de Dalian fechou em queda nesta sexta-feira (22/04), encerrando a semana com a primeira perda semanal em dois meses, já que preocupações com a fraqueza da demanda na China, maior produtora mundial de aço, superaram os riscos de oferta sinalizados pelas maiores mineradoras do mundo.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian caiu 2,4%, para 881 yuans (US$ 136,16) a tonelada, depois de atingir 876 yuans no início da sessão, o menor nível desde 14 de abril. No acumulado da semana, o recuo foi de 2,6%.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de minério de ferro mais ativo para maio subiu 0,4%, para US$ 151,80 a tonelada, mas também caminhava para uma perda semanal.

A China prometeu continuar reduzindo a produção de aço este ano, de acordo com sua meta de reduzir as emissões de carbono.

As perspectivas de demanda também foram obscurecidas pelo risco de surtos recorrentes de Covid-19 na China, especialmente nos centros de produção de aço. Vários distritos da cidade de Tangshan foram colocados novamente em isolamento esta semana.

O Grupo BHP alertou sobre a continuidade de uma produção de minério de ferro mais baixa após a produção do primeiro trimestre ficar aquém das estimativas, enquanto a Rio Tinto registrou embarques abaixo do esperado no período e a Vale apresentou queda de 6% na produção.

O vergalhão de aço para construção na Bolsa de Futuros de Xangai caiu 2,4%, enquanto a bobina laminada a quente recuou 2,1%. O aço inoxidável subiu 0,6%.

O carvão metalúrgico de Dalian perdeu 1,1% e o coque caiu 2,5%.

Valor - SP   25/04/2022

Cosan, de Rubens Ometto, e J&F Investimentos, holding da família Batista, pretendem se tornar players relevantes no setor

Em um novo ciclo de alta, os preços do minério de ferro atraíram dois grandes importantes grupos econômicos do país ao setor. A holding J&F, dos irmãos Batista - dona da gigante de carnes JBS -, anunciou a compra de ativos da Vale no início do mês em Corumbá (MS). Poucos meses antes, a Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, tinha feito a estreia em mineração ao comprar, em agosto, o porto de São Luís (MA), com planos de trazer minério de uma jazida no Pará.

Embora sejam projetos ainda modestos de exploração de minério, os dois gigantes estão dispostos a fazer investimentos bilionários para que essa nova divisão de negócio se torne relevante no faturamento, apurou o Valor.

Na J&F, os planos não se restringem a ficar com as duas minas recém-adquiridas da Vale, com produção atual de 2,7 milhões de toneladas - mas podem atingir 6 milhões de toneladas. Depois da compra das minas, a J&F avalia novas oportunidades, segundo pessoa próxima ao grupo. “Esse foi o primeiro passo”, disse a fonte, que preferiu não se identificar.

Assim como fez na indústria de proteína animal, a J&F planeja se consolidar como “player” relevante e erguer a “JBS da mineração”, acrescentou. Ir às compras tem sido estratégia recorrente da família Batista para avançar nos mercados em que apostou suas fichas.

A Vale confirmou a venda das minas à J&F, conforme antecipado pelo Valor, há cerca de duas semanas. A transação avaliou os ativos em US$ 1,2 bilhão (“enterprise value”, EV), incluindo contratos de longo prazo de “take or pay” na logística de transporte do minério.

Considerando-se o EV e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 110 milhões, o múltiplo da transação foi de 10,9 vezes, “um atrativo múltiplo de saída” para a Vale, na avaliação do Bank of America (BofA).

Para os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Neratika e Guilherme Rosito, a venda demonstra o compromisso da mineradora de “aprimorar e simplificar seu portfólio e focar em ativos de alta qualidade”. Comparado a outras operações da Vale, o Sistema Centro-Oeste representa uma ativo de menor qualidade, com Ebitda por tonelada de minério de ferro de US$ 41, ante a média da companhia US$ 102 por tonelada, observaram.

Na avaliação da J&F, porém, o negócio não saiu caro, disse outra fonte. A grande parte do US$ 1,2 bilhão atribuído aos ativos se refere a contratos de “take-or-pay” firmados com a Hidrovias do Brasil até 2039. Dessa forma, a soma do que os Batista terão de desembolsar efetivamente, US$ 150 milhões, e das dívidas da operação gira em torno de R$ 1 bilhão, bem abaixo do valor de empresa. Ao fechar o negócio, a J&F indica que vê margem para elevar os ganhos na operação, o que poderia passar por aumento de produção, observou.

A J&F decidiu entrar em mineração por considerar o setor resiliente e por haver no mercado ativos que podem ser melhor explorados. “Vamos analisar crescimento em todos os negócios adquiridos, incluindo mas não se limitando a mineração”, disse uma das fontes.

Também com áreas de negócios consideradas resilientes, a Cosan pretende avançar nesse setor. Os planos do grupo para a área são antigos - Rubens Ometto tentou comprar a participação do fundo de pensão Previ na Vale, mas o negócio não foi adiante.

Em agosto, a Cosan fechou a compra do terminal portuário da chinesa CCCC, com meta de integrar logística e mineração. À época, também anunciou que fechou parceria com o empresário Paulo Brito, fundador da Aura Minerals, para começar a explorar minério no Pará e escoar a produção pela ferrovia da Vale até o Maranhão.

A parceria ainda está em formatação - as partes discutem a participação de cada um na joint venture, apurou o Valor. Brito detém direitos minerários na região de Carajás, onde estão as minas da Vale. A ideia é produzir, a partir de 2025, cerca de 10 milhões de toneladas por ano e triplicar o volume nos anos seguintes.

A Cosan tem à frente do negócio o executivo Juarez Saliba, ex-Vale e ex- CSN. Ele também será acionista minoritário no projeto.

A Cosan informou, em nota, que ingressa com um projeto robusto para explorar minério de ferro no Pará, com escoamento via porto privado no Maranhão. “O projeto contará com a consolidada expertise do grupo no setor de logística (ferroviária e portuária) e de parceiro estratégico, com a ambição de se tornar um ‘player’ relevante do setor nos próximos anos.

Segundo o grupo, a empresa que vai gerir o negócio de mineração e logística terá conselheiros e executivos com experiência no setor, para garantir mais tração ao seu desenvolvimento.

Para Patricia Muricy, sócia da Deloitte Brasil responsável pelo setor de mineração, o alto preço das commodities minerais deve atrair tanto novos entrantes quanto fundos de private equity (que compram participação em empresas). “Esse movimento representa também uma oportunidade para as grandes mineradoras que querem e que precisam reorganizar seu portfólio, focando em ativos de maior performance, menor impacto sócio-ambiental, menor pegada de carbono, muito em linha com os compromissos públicos assumidos referentes ao ESG.”

Para Muricy, é importante que os entrantes avaliem aspectos relevantes para todos os ‘stakeholders’ e não se restrinjam a uma análise econômico-financeira simplista, pois há muitos outros riscos que podem inviabilizar os retornos esperados.

Para fontes do setor ouvidas pelo Valor, esse novo momento de alta de preços do minério deve ativar projetos que estavam em stand-by, atraindo investidores. Entre eles, os planos de expansão da Bamin, na Bahia.

De acordo com pessoas a par do assunto, a Bamin vem buscando nos últimos anos um investidor financeiro para o projeto. Contudo, o valor pedido pela mineradora é considerado alto para entrada de um novo sócio.

Em nota, a Bamin informou que seu projeto, integrado, é de grande porte e de relevância para a Bahia. Envolve a Mina Pedra de Ferro, em Caetité, a construção do Porto Sul, em Ilhéus, e o trecho 1 da ferrovia Fiol. “São projetos de grande porte, que despertam interesse de parceiros diversos, com os quais a empresa estará sempre aberta para conversar.”

Os desembolsos maiores da empresa estão na conclusão da ferrovia e no terminal portuário. A implantação da mina é o menor investimento, diz um executivo que conhece o projeto.

Outro projeto que ficou em stand-by, mas que pode ser reativado é o de exploração de minério da Manabi, em Minas Gerais, de acordo com outra fonte. Tirar essa mina do papel depende de logística (ferrovia ou mineroduto) e portuária. Fica próximo da mina da Anglo American e de ferrovia da Vale. Nenhum porta-voz da empresa foi encontrado para comentar o assunto.

Em minério de ferro, o grande desafio para entrantes é definir se quer ser grande - projetos acima de 20 milhões de toneladas por ano - e dispor de fôlego financeiro (fluxo de caixa) para montar o empreendimento, avalia José Carlos Martins, sócio da Neelix Consulting & Metals e ex-diretor de ferrosos da Vale por dez anos. Muitos investidores preferem ser pequenos e vender a produção para Vale ou CSN.

A depender do projeto, o investimento é na faixa de bilhões de dólares e costuma levar de três a cinco anos para ser implantado. Costuma haver atrasos por causa de licenciamento ambiental e de problemas em obras de logística (ferrovia e porto). “No Brasil há pelo menos uns 20 projetos que aguardam oportunidade de sair do papel. Espaço há no mercado, neste momento. Fatores críticos são os que apontei, além do cenário de demanda, e preços, que deve ser considerado”, afirma o consultor.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   25/04/2022

Após sofrer um estouro de meio bilhão de reais nos orçamentos de obras no ano passado, a Tenda passou a adotar medidas amargas para equilibrar as contas. A companhia – um das maiores do programa Casa Verde e Amarela (CVA) – disparou uma carta aos fornecedores de materiais de construção avisando que os novos prazos de pagamento passarão de 30 dias para, no mínimo, 60 dias. A medida vai valer para todos os pedidos enviados e faturas recebidas a partir do mês que vem. A decisão de esticar os prazos dessa forma é incomum no setor e não tem sido uma medida adotada por outras construtoras de grande porte neste momento, pegando de surpresa os fornecedores da Tenda.

No comunicado, ao qual a Coluna teve acesso, a Tenda não dá explicações sobre a sua decisão, limitando-se a informar que a mensagem “visa (sic) uma maior transparência e efetividade no cumprimento dos prazos compromissados junto aos parceiros”. Também avisa que, em caso de dúvidas, os fornecedores devem procurar o representante da construtora responsável pelas compras. O documento é assinado pelo diretor Financeiro, Marcos Antônio Pinheiro Filho. Procurada, a Tenda não se manifestou.
Inflação afetou custos de todo o setor de construção

Na sua última apresentação de resultados a investidores, a Tenda relatou perdas de R$ 350 milhões com estouros de orçamento no quarto trimestre de 2021 e um total de R$ 532 milhões no acumulado do ano. Isso ocorreu devido à disparada nos preços de materiais no mercado combinada com a falta de um controle periódico da empresa sobre os custos de boa parte dos insumos.

A inflação arranhou a rentabilidade de várias empresas do setor de construção nos últimos trimestres, mas nada que se compare ao rombo da Tenda. A empresa prometeu a investidores que fará um controle mais rígido dos orçamentos e que vai privilegiar empreendimentos com preços e margens de lucro maiores neste ano, ainda que isso implique em diminuir a velocidade de vendas e o volume total de lançamentos.

Globo Online - RJ   25/04/2022

Realizar o sonho da casa própria ficou mais difícil em 2022. O preço dos imóveis deve ser reajustado acima da inflação este ano, segundo especialistas, com o aumento da taxa básica de juros (Selic), que encareceu o financiamento ao consumidor e às incorporadoras.

Os custos da construção civil subiram, pressionados também pela guerra na Ucrânia. A alta será mais concentrada no segmento de alto padrão, que tem mais condição de absorver o impacto, e em cidades e regiões em que o estoque de unidades prontas foi reduzido nos últimos dois anos.

— Em 2021, houve cidades em que o preço subiu acima da inflação. Foi um ano bom em lançamentos e vendas. Com mais venda do que lançamentos. Isso reduz o estoque de imóveis prontos e a tendência é que os novos cheguem ao mercado com preço maior — prevê Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio.

Ele diz que não dá para repassar todo aumento de custo sob risco de não vender:

— O ajuste será onde há maior demanda e no alto padrão.

Em 2021, lançamentos e vendas de imóveis residenciais bateram recordes. Cresceram 27% e 4%, respectivamente, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e Fipe em pesquisa com 18 incorporadoras.

Também no ano passado, o índice FipeZap+, que acompanha preços em 50 cidades, subiu 5,29%, a maior alta em sete anos. Os preços tiveram ajuste abaixo da inflação, que foi de 10,06% em 2021.

A economista Larissa Gonçalves, do DataZAP+, fez um recorte com dados do Índice FipeZap+ mapeando a variação para residenciais em São Paulo, Rio, Curitiba, Florianópolis, Goiânia e Recife, em imóveis novos e usados de dois e três quartos em 2021. Houve alta em todas as cidades. Para ela, o aumento segue este ano:

— As vendas ainda estão altas como reflexo do aquecimento do ano passado. A tendência é que os preços continuem a subir, porém menos, em razão da queda na demanda, com o aumento da Selic.

Os juros têm papel central no mercado imobiliário. Até meados de 2021, a Selic estava no seu patamar mais baixo, em 2% ao ano, o que deu impulso às vendas.

Depois disso, para frear a inflação, o Banco Central elevou os juros nove vezes seguidas, chegando agora a 11,75%. Mas o mercado espera que alcance 13,75%, com a inflação em 11,3% no acumulado em 12 meses até março.

— Ninguém esperava, no início de 2021, a inflação acima de 10%. Este ano, as incorporadoras não terão mais como segurar o repasse. O reajuste, sobretudo nos lançamentos, será superior à inflação, com a alta dos materiais de construção — diz Paulo Pôrto, professor de Negócios Imobiliários da FGV.

Para ele, imóveis populares e até de médio padrão tendem a ser afetados porque a margem de negociação é estreita. Segundo ele, a conjuntura favorece o aluguel — já que muitos adiam o sonho da casa própria com preços mais altos — e o mercado de usados e de compra de imóveis remanescentes das construtoras (estoque), nos quais há mais espaço para barganhar.

O empresário Alan Victor Sales, de Araruama, na Região dos Lagos, pesquisava desde 2021 com a intenção de se mudar para o Rio, onde ficam seus clientes. Para fugir das idas e vindas, optou por um imóvel usado, em Copacabana, e teve desconto de R$ 40 mil:

— A ideia era comprar à vista, mas isso levaria mais uns três anos. E como eu queria para logo, acabei comprando.
Sem capacidade de pagar

O segmento de moradia popular foi, nos últimos anos, o motor de expansão da construção civil. Já o alto padrão, recupera lançamentos e preço. Entre os dois está a camada mais afetada atualmente.

— Tem o Casa Verde e Amarela e tem o topo. E tem um grupo que vai sofrer mais com esse aumento dos juros que é o de média renda. Há uma régua que tira a capacidade de pagamento de algumas famílias porque as condições mudaram. Serão menos famílias financiando — prevê Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV.

O financiamento de um imóvel de R$ 300 mil, em 350 meses, teria parcela de R$ 2.708 se tivesse sido fechado em junho de 2021, quando a taxa média de juros era de 7,66%, diz Ana Maria. Em dezembro, a taxa subiu para 9,49%, o que elevaria a parcela para R$ 3.132, alta de 15,7%:

— Não vejo a taxa retrocedendo. Se cabe no orçamento, é bom momento para comprar.

A Caixa Econômica Federal prevê alta de 10% nos empréstimos, menos da metade do ano passado, de 21%. Na última quarta-feira, o Conselho Curador do FGTS, gerido pela Caixa, autorizou o uso do Fundo para quem tem até 12 prestações do financiamento em atraso. Até agora, só quem tinha três parcelas vencidas poderia usar o Fundo. A medida é oportuna, segundo especialistas, com o cenário de desemprego alto e inflação crescente.

Em março, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), da FGV, acumulou alta de 11,63% em 12 meses. Mesmo com a queda do dólar, de R$ 5,70 para R$ 4,60, o conflito na Ucrânia aumenta a pressão nos custos nos derivados de petróleo e o aço.

Para o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Ramos Rocha Neto, os preços tendem a se manter estáveis:

— Tem inflação, juros e menos confiança. Mas, quando se põe na balança, o crédito imobiliário vai subir. Já tivemos juros de 11% em 2014, com grande volume de vendas.

FERROVIÁRIO

Valor - SP   25/04/2022

Velocidade dos trens está em queda e tempo de permanência nos terminais de carregamento tem aumentado, segundo o USDA

A piora das condições das ferrovias de carga dos Estados Unidos tem criado problemas para o transporte de grãos em todo o país. Em seu último relatório sobre a logística de grãos, o Departamento de Agricultura americano (USDA) diz que os transportadores têm recorrido ao mercado secundário (contratação de viagens por curtos períodos de tempo ou mesmo para um só deslocamento) para garantir que conseguirão despachar suas cargas.

"Nas sete ferrovias Classe I, a velocidade dos trens de grãos caiu 6% em comparação com a mesma semana do ano passado; o tempo de permanência na origem dos grãos aumentou 22%; o número de vagões de grãos que ficaram sem movimentação por mais de 48 horas subiu 32%; e o número de pedidos de vagões feitos por expedidores que ficaram sem ser atendidos cresceu 101%", diz o USDA.

O Conselho de Transportes Terrestres, uma agência governamental, programou uma audiência sobre o assunto para a próxima semana. Representantes das indústrias agrícola e ferroviária, além do vice-secretário de Agricultura dos EUA, Jewel Bronaugh, participarão do encontro.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   25/04/2022

O grupo BW se movimenta internamente para dar novos passos. Um dos braços da companhia, a BW Energy, focada em exploração e produção de petróleo, assinou um acordo para comprar o FPSO Polvo, que é de propriedade de outra empresa do conglomerado – a BW Offshore. A transação movimentou US$ 50 milhões. Além disso, a BW Energy também revelou que o plano de desenvolvimento para o campo é baseado em uma campanha inicial de perfuração de três poços, com o primeiro óleo planejado em 2025. Além disso, uma segunda campanha com mais três poços está prevista para 2027.

“Trabalhamos para otimizar o plano de desenvolvimento da Maromba desde a aquisição em 2019 e durante a pandemia de covid-19. Isso inclui avaliações técnicas, análise de espectro completo de dados geológicos, sísmicos e de poços, bem como extensa modelagem e simulações de reservatórios”, disse o CEO da BW Energy, Carl Arnet. “Com base em nossas descobertas, decidimos prosseguir com o desenvolvimento com seis poços de produção horizontais conectados a um FPSO para liberar uma produção significativa de petróleo e geração de valor a longo prazo para nossos stakeholders”, acrescentou.

A BW afirma que o desenvolvimento do campo em etapas permitirá melhorar o monitoramento do reservatório e a otimização da segunda campanha de perfuração. A produção total de petróleo no pico é esperada entre 30 mil e 40 mil barris por dia. A avaliação técnica revelou que a injeção de água não será necessária para os três primeiros poços e é uma contingência para a segunda campanha de perfuração.

Para lembrar, o FPSO Polvo encerrou recentemente seu contrato de afretamento com a PetroRio, no campo de Polvo. A unidade está atualmente em lay-up em Dubai. O campo de Polvo está localizado próximo ao campo de Maromba e possui características semelhantes de óleo e reservatório. Conforme detalhado pela BW Energy, o FPSO será projetado para até 10 poços produtores com capacidade de armazenamento de 1,2 milhão de barris.

O campo de Maromba está localizado na Bacia de Campos em aproximadamente 160 metros de lâmina d’água. Nove poços foram perfurados na licença entre 1980 e 2006, e óleo foi encontrado em oito deles em vários reservatórios. As reservas brutas de 2C em vigor são estimadas em 467 milhões de barris, com aproximadamente 100 milhões de barris estimados como volumes recuperáveis.

Valor - SP   25/04/2022

Contrato para julho do petróleo Brent caiu 1,67%, a US$ 106,15 o barril, na ICE, em Londres, enquanto o contrato para junho do WTI perdeu 1,66%, a US$ 102,07 o barril, em Nova York, na Nymex

O petróleo fechou em queda nesta sexta-feira (22), em meio à preocupação dos investidores de que um aperto monetário mais forte afete o crescimento das economias e, por consequência, a demanda pela commodity. Os bancos centrais têm demonstrado que devem seguir uma política mais rígida para controlar a inflação alta persistente, e diante disso, há analistas que já desenham retrações nos desempenhos econômicos dos países.

No fim da sessão desta sexta-feira, o contrato para julho do petróleo Brent, a referência global, caiu 1,67%, a US$ 106,15 o barril, na ICE, em Londres, enquanto o contrato para junho do WTI, a referência americana, perdeu 1,66%, a US$ 102,07 o barril, em Nova York, na Nymex. Na semana, o Brent acumulou perdas de 4,96%, enquanto o WTI caiu 4,56%.

O maior impacto sofrido pelo petróleo na semana ocorreu diante da reformulação das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento econômico global neste ano. O FMI anunciou que sua estimativa saiu de um avanço de 4,4% para uma alta de 3,6% em 2022. Com um desempenho menor da economia global, a busca por petróleo também deve ser reduzida.

Os investidores estão preocupados que "a demanda por petróleo pode não persistir em meio ao ambiente macroeconômico nebuloso", disse Manish Raj, diretor financeiro da Velandera Energy Partners, à “Dow Jones Newswires’. "Por um lado, temos uma potencial desaceleração do PIB devido ao aumento das taxas de juros e, por outro lado, estamos enfrentando a destruição da demanda devido aos altos preços da energia.

Hoje, não só as commodities, como os índices acionários em Wall Street são penalizados pela sinalização de que o Federal Reserve (Fed) deve consolidar sua intenção de seguir um aperto monetário mais severo. Ontem, o presidente do BC americano, Jerome Powell, disse que um aumento de 0,50 ponto percentual “estará na mesa” no encontro de maio e que seria adequado uma aceleração nas elevações das taxas.

Valor - SP   25/04/2022

Empresa prometeu se desfazer de seus investimentos em território russo em fevereiro após o início da guerra na Ucrânia, mas não disse se iria tentar vender a participação ou simplesmente sair da Rússia

A Shell iniciou a tarefa “infernal” de se livrar de seu maior projeto de energia russo, enquanto as empresas estatais da China se alinham como a única opção no momento para as grandes empresas ocidentais de petróleo e gás que estão se desfazendo de ativos russos que grande parte do mundo evitará.

O grupo, sediado no Reino Unido, encontra em “estágios iniciais de negociação” com a Cnooc, a CNPC e a Sinopec sobre a venda de sua participação de 27,5% no projeto de gás natural liquefeito (GNL) Sakhalin-2, segundo informaram duas fontes a par do assunto.

A Shell prometeu se desfazer de seus investimentos na Rússia em fevereiro, depois que o presidente Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, mas não disse se iria tentar vender a participação ou simplesmente sair da Rússia.

Situado no extremo leste do país, o projeto é uma fonte importante de GNL para vários países do leste da Ásia, mas com a maior parte das empresas de energia reduzindo suas exposições à Rússia, a Shell encontra-se com poucas opções.

“É uma negociação infernal”, disse um veterano do setor a par do projeto. A Shell espera que uma venda possa ajudá-la a recuperar parte dos até US$ 5 bilhões que espera lançar como perda contábil por causa de sua saída da Rússia, mas qualquer acordo chinês provavelmente terá um grande desconto e exigirá negociações bilaterais entre a Rússia e a China, acrescentou a fonte. “É provável que essa seja a verdadeira negociação em andamento.”

Em 2014, depois que a anexação da Crimeia por Putin resultou em uma rodada de sanções ocidentais contra Moscou, empresas estatais chinesas fizeram uma série de investimentos em projetos de GNL na Rússia e acertaram com a Gazprom a construção de um gasoduto de 2.200 km ligando o leste da Sibéria ao norte da China.

James Waddell, da consultoria Energy Aspects, espera ver outra série de acordos com condições favoráveis para a China. “Estamos numa situação parecida, mas pior para a Rússia”, disse ele. “O único comprador dessas coisas é a China.”

Outras companhias ocidentais de energia com ativos para alienar incluem a ExxonMobil, que opera um projeto próximo de gás e petróleo, o Sakhalin-1, e a BP, que prometeu se desfazer de sua participação de 19,75% na produtora de petróleo russa Rosneft, que é apoiada pelo Estado.

Inaugurado em 2009, o projeto de Sakhalin-2 produziu cerca de 11,6 milhões de toneladas de GNL em 2020, das quais a Shell teria coletado cerca de 3,2 milhões de toneladas, em grande parte para venda adiantada ao leste da Ásia. Os outros acionistas são a Gazprom, que controla pouco mais de 50% do projeto e as companhias trading japonesas Mitsui e Mitsubishi, que detêm 12,5% e 10%, respectivamente.

Shell e Mitsubishi não quiseram comentar. A Mitsui não respondeu a pedidos para comentários.

Os outros acionistas do Sakhalin-2 não foram solicitados a aprovar a divulgação de informações sobre om projeto a terceiros, segundo disse uma fonte a par do assunto, em mais um sinal de que as discussões da Shell com as companhias estatais chinesas continuam em estágios iniciais.

Cnooc, CNPC e Sinopec não responderam imediatamente a pedidos para comentários sobre as negociações, assunto que foi noticiado em primeira-mão pela Bloomberg.

Hirokazu Matsuno, secretário-chefe do governo do Japão, não quis discutir as negociações comerciais de empresas individuais, mas disse que no geral a possibilidade de uma aquisição chinesa demonstra por que é importante para as companhias trading japonesas não se desfazer de investimentos.

“Se o Japão se retirar do projeto e a Rússia ou um outro país adquirir a concessão, nossa preocupação é de que isso leve a um aumento ainda maior nos preços dos recursos que favoreça a Rússia, o que não seria uma sanção eficaz”, disse ele na sexta-feira.

O Japão vê o acesso contínuo ao GNL da ilha de Sakhalin como vital para a sua segurança energética, mas proibiu as importações de carvão russo e concordou com os aliados do G-7 para reduzir sua dependência geral da energia russa.

A Mitsui e a estatal japonesa Jogmec também controlam 10% do projeto Arctic LNG 2, na península de Gydan, na Rússia, juntamente com o grupo russo Novat

AGRÍCOLA

Zero Hora - RS   25/04/2022

Foram três anos de espera até que uma das principais feiras do agronegócio brasileiro pudesse ter a edição presencial. A 27ª Agrishow, realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, começa na próxima segunda-feira, dia 25, carregada de expectativas. Primeiro, a da possibilidade de retomar o contato "olho no olho" com empresas e técnicos do setor. Segundo, porque o mercado de máquinas e implementos segue aquecido. Nos primeiros três meses de 2022, registrou uma expansão de 9% sobre igual período do ano passado, que é uma base elevada de comparação. Em 2021, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o segmento fechou com um avanço de 47%, depois de crescer 17% em 2020.

- Esses aumentos são excepcionais. Para 2022, nossa perspectiva é crescer 5%, porque é em cima de uma base grande - pondera Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq.

Ele acrescenta que, apesar da alta da taxa de juro e da falta de fertilizantes, as perspectivas são de um bom plantio da safra de verão, com as commodities em patamares valorizados.

Outro ponto favorável aos negócios é justamente a inovação desenvolvida pelas fabricantes no período em que a feira não pôde ser realizada, em razão do quadro da pandemia.

- Nesse período, o agro não parou, as indústrias continuaram fazendo lançamentos, implementando novidades. Por mais que o agricultor acompanhe, não é possível acompanhar tantas coisas ao mesmo tempo. A feira é essa oportunidade - acrescenta Bastos.

Avaliação compartilhada pelo presidente da Agrishow, Francisco Matturro. Ele destaca que evolução foi muito grande, "e as máquinas estão mais digitais do que há três anos":

- A expectativa dos expositores e fabricantes e do produtor é muito grande.

Sobre o crescimento dos negócios na feira - que somaram R$ 2,9 bilhões na edição de 2019 - , Matturro pondera que, qualquer percentual projetado teria de descontar a diferença de preços das máquinas no período.

- Estamos prevendo um grande volume de negócios - afirma o presidente.

Para a abertura oficial, confirmaram presença o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Agricultura, Marcos Montes.

Yahoo News - SP   25/04/2022

Após dois anos sem a sua edição presencial devido à pandemia da Covid-19, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), principal evento do agronegócio brasileiro, volta a ser realizada com a apresentação de máquinas que custam milhões e prometem economia aos produtores.

O evento acontece em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) entre esta segunda (25) e a sexta-feira (29).

A feira abriga 800 marcas de 16 setores, incluindo maquinário agrícola e de construção, aviação, agricultura de precisão, armazenagem, fertilizantes, serviços financeiros e transportes.

Fabricantes chegam à Agrishow apostando no crescimento nas vendas devido às boas safras de várias culturas nos últimos anos. Em comum, os equipamentos têm conectividade para a transmissão em tempo real dos dados coletados no campo.

A chamada agricultura digital, que consiste em interpretar essa infinidade de informações, tem feito com que fazendeiros produzam mais numa mesma área, gastando menos tempo e dinheiro. Os investimentos, contudo, são altos.

A Case apresentará uma colheitadeira de cana-de-açúcar com preços de até R$ 2,5 milhões. A empresa diz que o consumo de combustível foi reduzido em comparação a versões anteriores, e um novo sistema hidráulico aumenta em 10% a capacidade de colheita. Segundo a fabricante, as evoluções proporcionam uma economia de R$ 100 mil a cada safra.

Rodrigo Alandia, diretor de marketing de produto da Case IH para a América Latina, disse que a nova máquina colhe mais de mil toneladas de cana por dia, tendo chegado a 4.000 toneladas em testes.

Muitas empresas têm como foco a soja, que iniciou o ano com 5,6 milhões de toneladas processadas —o que representa alta de 18% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2021, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A Valtra lançará novos pulverizadores na Agrishow e promete 60% de economia de combustível em relação a outros modelos. Alexandre Vinicius de Assis, diretor de vendas da marca, disse que há recursos como os sensores de altura e de nivelamento de barras, que melhoram a distribuição das gotas.

Economia de combustível também é uma das promessas da John Deere com a colheitadeira de grãos X9, que oferece uma capacidade de colheita 45% maior em todas as culturas, de acordo com a fabricante.

A empresa apresenta ainda um novo distribuidor de nutrientes, além de plantadeiras e o trator conceitual 8R autônomo, que, por meio de câmeras e sensores, é capaz de executar suas funções sem intervenção humana.

No estande da Massey Ferguson, um dos destaques é o pulverizador projetado para economizar até R$ 50 mil por safra.

Segundo a fabricante, a nova série de tratores MF 3400 permite economia de até 12% de combustível por ter um sistema que gasta menos tempo de manobra, além de um sistema hidráulico que oferece 25% de ganho ao trabalhar com implementos mais pesados.

Na New Holland, haverá uma nova linha de colheitadeiras equipadas com duplo rotor e sistema Intellisense, que faz automaticamente as regulagens da máquina. Esse tipo de equipamento pode custar até R$ 3 milhões.

Haverá ainda o trator movido a biometano. "Esse trator dá ao produtor rural a possibilidade de utilizar o biogás gerado dentro da propriedade a partir dos dejetos dos animais, por exemplo, para abastecer o equipamento", disse Eduardo Kerbauy, diretor de mercado Brasil da New Holland Agriculture .

A tecnologia de propulsão por biometano, segundo a New Holland, tem vantagens como a redução de até 80% das emissões em comparação com um motor a diesel. "Ao usar o biometano, o impacto de carbono da máquina é virtualmente zero, e uma redução de custos entre 25% e 40% pode ser alcançada quando comparada com os combustíveis convencionais", afirmou Kerbauy.

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