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23 de Maio de 2022

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

O câmbio do real tem ido de um lado para o outro desde o início do ano, confundindo um pouco quem foca muito em fatores domésticos, como a balbúrdia política e as incerteza fiscais, e em fatores clássicos como o juro americano (e o diferencial com o brasileiro) e a aversão global a risco.

Uma possível peça do quebra-cabeça que dá mais sentido às oscilações recentes do real é a China.

Antes de chegar lá, como analisa Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, é útil levar em conta que o mais difícil de explicar era o nível muito depreciado de R$ 5,7 do final do ano passado. Chegaram a ser considerados fatores técnicos como “overhedge” de bancos no exterior e o envio sazonal de lucros e dividendos para as matrizes por parte de multinacionais.

A partir daí, no entanto, o real entrou em rota de valorização, até chegar a um valor máximo em torno de R$ 4,6 por dólar em fevereiro e novamente em abril (no intervalo entre esses dois pontos, o real oscilou, chegando a R$ 4,74 no momento de maior desvalorização).

Na visão de Sobral, o movimento de apreciação a partir de janeiro (não necessariamente o nível mais valorizado a que a moeda chegou) pode ser visto mais como uma normalização a partir daquele patamar exageradamente desvalorizado do final de 2021.

“Os astros se alinharam, o grande diferencial de juros começou a contar, o fiscal melhorou um pouco, o lado político se acalmou, as commodities subiram”, ele resume.

A partir do final de abril, entretanto, o real voltou a se desvalorizar, atingindo um pico de desvalorização de R$ 5,14 em 11 e 12 de maio. É possível estabelecer algum paralelo entre esse movimento e o desempenho do mercado acionário americano (o S&P 500 caiu a partir do final de março) e o juro dos Estados Unidos – a rentabilidade do Treasury de 10 anos, por exemplo, vem em forte alta desde o início de ano e teve um pico (3,12%) no início de maio.

Mas como explicar a recuperação do real na última semana, com a moeda sendo cotada hoje a R$ 4,89 quando esta coluna estava sendo escrita [quinta-feira, 19/5]? É verdade que a rentabilidade do Treasury caiu um pouco, mas ainda está no nível muito alto de 2,85%. Já o S&P 500 praticamente só fez cair.

É aí que a peça ‘China’ entra no quebra-cabeça. Como nota Fernando Rocha, economista-chefe da JGP, o real começou a depreciar de novo, depois do movimento de alta do início do ano, justamente em abril, quando as medidas de contenção da variante ômicron na China, com destaque para o severo lockdown de Xangai, assumiram proporções mais drásticas.

Sobral, por sua vez, acrescenta que, de meados de abril até o início de maio, foi justamente quando o renmimbi se desvalorizou, tendo estabilizado e até tido ligeira apreciação desta última data para cá.

O que tudo isso significa? Bem, a China como grande consumidora de commodities é uma economia cujo vigor tende a fazer valorizar moedas de emergentes como o real brasileiro. É verdade que boa parte das commodities sustentou a alta nesse período mais complicado da economia chinesa, mas, ainda assim, a incerteza sobre o motor asiático pode ter influenciado negativamente as moedas de vários emergentes.

E, como nota Rocha, foi justamente na última semana que simultaneamente começou a se falar na reabertura de Xangai e que o real voltou a se apreciar.

Se for verdade que o fator China está tendo um papel importante nos movimentos recentes do real e de outras moedas emergentes, é bom ser cauteloso, porque está longe de certo que a China, com sua política de Covid zero, não vá de novo ter que apertar o torniquete da economia com mais lockdowns.

De qualquer forma, tanto Rocha como Sobral veem as flutuações recentes do real sendo determinadas muito por fatores externos, sem que a incerteza eleitoral – por enquanto – tenha entrado de forma relevante no jogo.

Monitor Digital - RJ   23/05/2022

Os países do G7, grupo que reúne as sete nações liberais mais ricas, estão determinados a conter a inflação crescente, disse o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, nesta sexta-feira. Falando em uma coletiva de imprensa após a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G7, realizada em Petersberg, na Alemanha, Lindner pediu aos BCs que reduzam a inflação crescente.

“Na maioria dos países do G7, as taxas de inflação atingiram níveis não vistos em décadas”, disse um comunicado divulgado após a reunião. “Os bancos centrais do G7 estão monitorando de perto o impacto das pressões de preços nas expectativas de inflação e continuarão a calibrar adequadamente o ritmo de aperto da política monetária de maneira dependente de dados e claramente comunicada, garantindo que as expectativas de inflação permaneçam bem ancoradas, ao mesmo tempo em que estão atentos para salvaguardar a recuperação e limitar as repercussões negativas entre países.”

Joachim Nagel, do banco central alemão, Bundesbank, também expressou sua preocupação com a inflação durante a coletiva de imprensa com Lindner. No início deste mês, Nagel, também membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), propôs explicitamente que o BCE encerrasse as compras de títulos como o primeiro passo no final de junho e começasse a aumentar as taxas de juros em julho.

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

Os analistas começaram o ano animados. Previam boa recuperação da atividade econômica, mas, desde março, bandearam para previsões sombrias. É possível que estejam pessimistas demais e que se tenham alarmado com duas incógnitas da equação que envolvem as principais locomotivas da economia global: a dos Estados Unidos e a da China.

Foram três os fatores que empurraram os analistas para o mais sombrio: a inflação global e, a partir daí, a reação dos grandes bancos centrais; as consequências imediatas da guerra na Ucrânia; e a brecada acionada pelo governo chinês para conter a nova onda de covid-19.

Em abril, a inflação anual chegou a 8,3% nos Estados Unidos e a 7,4% na zona do euro. Vem sendo puxada pela disparada do petróleo, de 48,7% no primeiro quadrimestre; pela alta dos alimentos, principalmente trigo; e pelo forte consumo nos Estados Unidos.

A inflação se espalha e os grandes bancos centrais aumentaram os juros para esfriar a atividade econômica. O presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, chegou a advertir que não se pode assegurar pouso suave da economia americana.

Além de provocar novas disparadas nos preços do petróleo e dos alimentos, a guerra contribuiu para intensificar a desorganização das cadeias de produção e distribuição. O governo da China paralisou a produção em Xangai e Pequim, para contra-atacar o alastramento da pandemia.

A partir deste cenário, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções do crescimento global do ano, de 4,4% para 3,6%, mas o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), que trabalha para os bancos, passou a contar com avanço do PIB global de 2,2% .

Não há indicação de fim da guerra. Entre as lideranças europeias cresce a apreensão do que possa de ruim acontecer na Rússia se o desfecho vier a ser mais favorável à Ucrânia. A depender de que essa percepção se acentue, os chefes de governo do bloco podem conter a ajuda que vêm dando à Ucrânia e/ou reduzir as sanções à Rússia.

Nos Estados Unidos, não ficou claro até que ponto a inflação e a alta dos juros poderão conter o avanço do PIB. O consumo continua voraz e o desemprego vive baixas históricas, de 3,6% em março. Para cada desempregado há duas vagas de trabalho não preenchidas.

A incógnita mais sensível é a China. As medidas de lockdown começam a ser abrandadas. Nesta sexta-feira, o Banco do Povo da China (banco central) afrouxou os juros de longo prazo para catapultar o investimento e a construção civil. As projeções de um avanço do PIB da China em 2022, de apenas 3,5%, podem não se confirmar e, nesse caso, a segunda maior economia do mundo pode voltar a liderar o crescimento global, com novo impacto sobre a demanda de petróleo e commodities.

Exame - SP   23/05/2022

"O Fed elevou suas taxas em meio ponto percentual". O anúncio provavelmente pareceu vago e distante para uma parte do público em geral. No entanto, esta decisão do Federal Reserve dos Estados Unidos tem consequências para todos os setores da economia mundial.

O "Fed", o banco central dos Estados Unidos, não é o único a tomar tal medida. Os bancos centrais do Reino Unido, Canadá e Polônia, para citar alguns exemplos, mudaram sua política monetária para combater a inflação crescente.

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Por enquanto, o Banco Central Europeu (BCE) adiou esta decisão, apesar de já ter começado a retirar o seu apoio à economia.

Essa mudança marca o fim da era do dinheiro grátis ou quase grátis, após anos de taxas de juros muito baixas que permitiram que Estados, empresas e famílias tomassem empréstimos baratos.
Instrumento dos bancos centrais

As taxas de juros são os principais instrumentos dos bancos centrais. São taxas aplicadas a depósitos ou empréstimos de bancos comerciais.

"Indiretamente, eles baixam ou aumentam as taxas que os bancos vão cobrar de seus clientes", explica Éric Dor, diretor de estudos econômicos do IESEG School of Management.

Também influenciam as taxas do mercado de títulos: as dos Estados, que têm impacto nas taxas de juros das empresas, dispararam. Por exemplo, a taxa do título do Tesouro dos EUA para 10 anos dobrou em cinco meses e atualmente é de 3%. A da França passou de zero para 1,5% no mesmo período.

Embora o BCE ainda não tenha dado o passo de um aumento, "as taxas de longo prazo sobem na Europa porque os mercados já antecipam" que isso aconteça, continua Dor.
Aumentar as taxas: por quê?

"Os bancos centrais aumentam suas taxas quando querem combater uma inflação excessiva devido a uma demanda muito alta", diz esse especialista.

Atualmente, as empresas elevam seus preços para compensar as dificuldades de abastecimento e o aumento de algumas matérias-primas.

Por sua vez, as famílias que pouparam durante a pandemia de covid-19 podem gastar mais, fazendo com que os preços subam.

É difícil prever até quando o aumento das taxas de juro terá efeito no consumo, mas o poder de compra das famílias "já foi reduzido com a inflação e a subida das taxas do crédito ao consumo vai travar os seus gastos", antecipa Maximilien Monot, gestor de fundos da Monocle AM.

A situação também mudará para os empréstimos imobiliários. As taxas já começaram a subir nos Estados Unidos, impulsionadas pela forte demanda de pessoas físicas e dificuldades das construtoras em concluir seus projetos devido a problemas de abastecimento global.
Freio nos investimentos

Se contrair dívidas não for mais grátis, as empresas terão que pensar duas vezes antes de fazê-lo. Inicialmente, o impacto nas contas será sentido no momento do refinanciamento das dívidas contratadas à taxa zero.

Para novos empréstimos, a empresa deverá apresentar um projeto com maior nível de rentabilidade para garantir sua capacidade de pagamento. Bancos e investidores serão mais exigentes antes de fornecer seu apoio financeiro.

De forma mecânica, "os investimentos e a inovação vão desacelerar pela capacidade de endividamento", alerta Maximilien Monot.

No entanto, não há muita preocupação no curto prazo, pois esses efeitos serão sentidos nas empresas dentro de um ano.
Risco de recessão

Entre uma queda no consumo - que vai diminuir as vendas das empresas -, investimentos reduzidos, inflação ainda muito alta e empréstimos menos acessíveis para Estados e empresas, Éric Dor acredita que "o risco de recessão é forte".

É o fim do "custe o que custar" dos Estados, já que agora ajudar as empresas custará muito mais, é um freio a mais e pode levar à falência das "empresas zumbis" que vivem da perfusão há anos.

Os mercados financeiros já estão mostrando sinais de medo de uma onda de inadimplência corporativa.

Correio Braziliense - DF   23/05/2022

O dólar encerrou a semana com desvalorização de 3,63% ante o real, terminando a sexta-feira cotado a R$ 4,87 para venda. Segundo especialistas, o enfraquecimento da moeda norte-americana é resultado de um maior fluxo de dólares para o país, em conseqüência de fatores internos, como o avanço da privatização da Eletrobras, e externos, como a perspectiva de maior atividade econômica na China, que estimulou o preço de commodities exportadas pelo Brasil.

O economista Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis, explicou que a aprovação da capitalização da Eletrobrás pelo Tribunal de Contas da união (TCU), na quarta-feira, animou investidores internacionais. “Com o processo aprovado, o governo poderá ofertar um maior rol de ações da companhia, atraindo capital e investimentos”, disse. “Já no cenário internacional, o relaxamento das regras de lockdown em algumas regiões de Xangai, promoveu um realinhamento do consumo no país.”

“A sinalização de reabertura teve impacto positivo nas ações de empresas exportadoras de commodities, favorecendo o Brasil”, afirmou. “Além disso, o anúncio do governo chinês de corte na taxa de juros do setor imobiliário anima os investidores que passam a vislumbrar a possibilidade de uma retomada econômica ao invés de novo ciclo de recessão naquele país.”

Inflação

A queda do dólar é uma boa notícia, pois pode ajudar a reduzir a inflação no país, desde que a queda permaneça por um tempo razoável. Toda uma cadeia de produção dos mais variados itens de matéria prima, é importada. De acordo com Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, com um dólar mais baixo a nossa inflação é beneficiada com um custo de produção menor. “Consequentemente, você consegue baixar para seu consumidor final esse curso de produção”, explicou. “Toda a cadeia produtiva de importação fica mais barata. Isso pode fazer com que a gente sofra um pouco menos com a inflação.”

Para Matheus Lima analista da Top Gain, geralmente há uma expectativa de que com a queda do dólar a inflação seja um pouco aliviada. “Porém, ainda temos — principalmente por conta dos conflitos na Europa — uma alta de algumas commodities, principalmente petróleo, que, por mais que a gente saiba da importância do dólar, continua tendo impacto na nossa inflação.”

Lima explicou que o petróleo tem uma relevância ainda mais forte, por conta do aumento no preço dos combustíveis. “O combustível no Brasil é o que mais impacta na nossa inflação. Com isso, a gente ainda tem uma inflação crescente, e consequentemente, seguimos aumentando a taxa de juros.” (FS)

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

O salto da taxa de investimentos no Brasil entre 2015 e 2021, de 15,52% para 19,17% do Produto Interno Bruto (PIB), com aumento de quase 3,7 pontos porcentuais, traz expectativas animadoras. Aferido pelo Centro de Estudos de Mercados de Capitais (Cemec) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados do IBGE e estimativas próprias, esse avanço pode sugerir que a economia brasileira recuperou sua capacidade de investir. Desse modo, o Brasil teria conseguido reduzir sua distância em relação aos países em desenvolvimento que cresceram em ritmo intenso nas últimas décadas e, assim, readquirido sua própria capacidade de voltar a crescer com maior velocidade.

Embora auspiciosos, os dados precisam ser examinados com cuidado, como faz o Cemec, e estão longe de projetar crescimento rápido e sustentado nos próximos anos. Problemas recentes e históricas restrições estruturais ao aumento dos investimentos do setor público ainda desafiam o País e, se não enfrentados, manterão a economia em ritmo exasperantemente lento, com o que velhos problemas sociais persistirão, se não ficarem mais graves.

Mesmo eliminados os registros de exportações fictícias de plataformas de petróleo, a evolução da taxa de investimentos é expressiva. Entre 2019 e 2021, ela passou de 16,2% para 18,2% do PIB, uma evolução de 2 pontos porcentuais num período marcado pela pandemia da covid-19.

Mas, em boa medida, o aumento se deveu a uns poucos segmentos da economia. Ele foi puxado, em primeiro lugar, por máquinas e equipamentos, mas, desses itens, os que mais cresceram foram os voltados para o setor agrícola. O segundo fator foi a construção civil. Outros setores tiveram papel pouco expressivo nos investimentos nos últimos anos.

A eficiência da agropecuária tem sido demonstrada há décadas. Seus ganhos de produtividade e a expansão notável de sua produção, bem como seu papel na geração de superávits excepcionais da balança comercial, o destacam dos demais setores. É o campo que, num período de estagnação ou baixo crescimento, tem evitado resultados econômicos ainda mais decepcionantes. É preciso observar, no entanto, que o aumento recente de sua demanda por bens de capital tem muito a ver com a boa cotação internacional. Surgem indicações fortes de que o bom momento do mercado mundial para os produtos agrícolas pode estar passando.

No caso da construção, o grande estímulo nos últimos tempos foi a oferta abundante de crédito a custos historicamente baixos. Desde meados do ano passado, porém, os juros básicos vêm sendo elevados pelo Banco Central para conter a inflação, que já passa de 12% em 12 meses. O aumento do custo dos empréstimos imobiliários, a maior cautela das instituições financeiras em razão da evolução da inadimplência e a corrosão da renda real pela inflação podem reduzir os negócios no setor.

Além dessas mudanças para os dois setores que mais têm estimulado os investimentos, há o caso do setor público. Os investimentos públicos estagnaram e os bons resultados observados nos últimos anos são frutos apenas dos investimentos privados. O desafio é, ao mesmo tempo, recuperar a capacidade de investimento do setor público e assegurar condições para atrair mais e mais investimentos privados.

Quanto ao setor público, na atual estrutura fiscal, as despesas correntes crescem mais do que a inflação, o que, paulatinamente, reduz o espaço para os investimentos. Romper essa evolução que degenera o gasto público exigirá uma verdadeira reforma do Estado, que permita o controle efetivo da evolução dos gastos correntes de modo a assegurar o aumento dos investimentos.

Ao mesmo tempo, a economia terá de crescer mais rapidamente, com ganhos de produtividade por meio da incorporação das inovações tecnológicas em ritmo e em volumes compatíveis com os observados no exterior. A economia terá de se abrir efetivamente ao mercado mundial.

É difícil ver algo parecido com isso entre as muito poucas ideias e raríssimos projetos que os principais candidatos à Presidência vêm apresentando.

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

Estamos vivendo um choque de juros como nunca tivemos. No último ciclo de alta, com início em abril de 2013, o Banco Central do Brasil levou 27 meses para subir a Selic em sete pontos porcentuais. Dessa vez, espera-se um salto de quase 12 pontos porcentuais em apenas 18 meses.

A razão é conhecida: a combinação (rara) entre alta no preço internacional das commodities e forte desvalorização cambial, magnificada ainda pelas condições climáticas desfavoráveis aqui no Brasil. Uma tempestade perfeita. O remédio para tantos males é subir juros, subir ainda mais, mais um pouco e aguardar o resultado conhecido: desaceleração do nível de atividade e, um dia desses, queda da inflação.

Economistas não ortodoxos gostam de pontuar que, como a inflação não é de demanda, refrear a atividade de nada adianta para combatê-la. O preço da alface, que subiu 45% nos últimos 12 meses, pouco se importa com as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Tampouco o repolho, que aumentou 54,7%. A opinião convencional, sustentada por evidências empíricas, é que juros altos podem combater os efeitos secundários de um choque de oferta e, portanto, continuam sendo uma ferramenta necessária. E tome juros.

Confrontar a relação entre juros e inflação pode ser perigoso. Na Turquia, o autocrata Erdogan sentiu-se à vontade para urdir uma teoria tão inusitada quanto criativa, que custou a cabeça de três presidentes do Banco Central. Para ele, juros altos são o problema, não a solução. Assim, quando a inflação turca deu um salto em 2021, o Banco Central deles não só não aumentou a taxa básica, como promoveu sua redução. Os juros reais ficaram fortemente negativos, estimulando o consumo, e a economia cresceu 9% no ano passado. A inflação? Saltou de 20% para 70% ao ano, no rastro de uma forte desvalorização cambial e um frenético faniquito dos mercados financeiros. A cloroquina econômica do presidente turco tem sido desastrosa.

A campanha eleitoral oferece oportunidades para que a agenda econômica seja discutida com maior amplitude. Não subir juros quando a inflação se eleva não dá certo. Mas os efeitos colaterais de um choque de juros são perversos, devastadores. A queda da inflação será lenta e dolorosa, para comiseração de todos. O remédio fará mal ao doente, mas sem ele seria ainda pior. Isso é pouco animador. É preciso ampliar o debate e discutir novos ingredientes na política anti-inflacionária.

MINERAÇÃO

Globo Online - RJ   23/05/2022

O rio Slaná, na Eslováquia, ficou laranja após receber a água suja que flui de uma mina de ferro. A poluição mata os peixes e animais selvagens da região no entorno do corpo d'água, pouco antes da chegada do rio à Hungria.

As autoridades da Eslováquia afirmaram terem tomado medidas para diminuir o fluxo de água oriundo da mina. Moradores da região, no entanto, relataram preocupação conforme a situação piora:

— Não há criatura viva debaixo dos seixos, podemos ver apenas ferrugem. Este alto teor de ferro cobre as guelras dos peixes e reduz a superfície onde eles respiram. Com isso, eles começam a sufocar — disse Tibor Varga, 35, cirurgião local e pescador experiente, que acompanha a situação do rio Slana desde fevereiro, quando os sinais da poluição começaram a aparecer.

De acordo com a mineradora Rudne Bane, a água poluída estava em um bolsão de minério de ferro, que se encontra inundado. Ferro foi extraído do local até 2008.

Revista Mineração - SP   23/05/2022

O contrato de minério de ferro para setembro na bolsa de commodities da China encerrou as negociações diurnas em alta de 5,3%.

Os contratos futuros de minério de ferro de referência nas bolsas de Dalian e Cingapura subiram nesta sexta-feira (20/05), aumentando os ganhos semanais, já que a China cortou sua taxa de referência para hipotecas por uma margem inesperadamente ampla, aumentando as esperanças de mais apoio para revitalizar a economia.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na bolsa de commodities da China encerrou as negociações diurnas em alta de 5,3%, a 842,50 yuans (US$ 126,23) a tonelada, recuperando-se após queda em dois dias.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de junho mais ativo da matéria-prima siderúrgica subia cerca de 6%, para US$ 134 por tonelada, no início da manhã (horário de Brasília).

Os preços do aço na Bolsa de Futuros de Xangai e outros insumos siderúrgicos em Dalian também avançaram. O vergalhão de Xangai ganhou 2,6%, enquanto a bobina laminada a quente subiu 2,3% e o aço inoxidável avançou 3,4%.

Máquinas e Equipamentos

SóNotícias - MT   23/05/2022

O governo do Estado informou, hoje, que a chegada da gigante chinesa Xuzhou Construction Machinery Group (XCMG) marca o início das atividades empresariais no Parque Tecnológico Mato Grosso,  no Chapéu do Sol, em Várzea Grande. A empresa é a quinta maior do mundo na fabricação de máquinas pesadas para construção civil. A primeira linha de produção fora da China está instalada no Brasil, em Pouso Alegre (MG).

A estrutura moderna de contêineres será instalada provisoriamente pela prefeitura para a chegada da empresa. O espaço será adequado no próprio Chapéu do Sol, a poucos metros das obras do Parque Tecnológico. A expectativa é de que em menos de 60 dias a gigante chinesa inicie suas atividades .

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), Maurício Munhoz, que teve audiência com o prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat.  “O Parque hoje está ancorado em três eixos estruturantes: a produção de tecnologia social, ambiental e governamental. Aparentemente independentes, os eixos se convergem e se relacionam na busca de soluções para os mais diferentes arranjos. Nossa proposta é reunir ofertas das mais diferentes tecnologias e colocar os atores para se falarem, linkar as cabeças pensantes. Hoje o mundo é network. Tem gente produzindo todo tipo de tecnologia, nos mais diversos ambientes e precisando se conectar. A vinda da XCMG não significa que ela vai produzir maquinário em Mato Grosso, mas traz consigo tecnologia e soluções para outras demandas. É relacionamento”, defendeu Munhoz.

A fabricante chinesa estará ao lado de um dos mais promissores projetos mato-grossenses: as Redes Inteligentes e Soluções Criativas (RISC), desenvolvido pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O projeto se tornou referência, dentro e fora do Estado, pela busca por modelos inovadores de interação com a sociedade e pela versatilidade em produzir tecnologia social.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

Custos em alta pressionam a construção civil, um setor importante pela criação de empregos e pela ampla demanda de insumos, como aço, alumínio, cobre, cimento, concreto, vidro, plásticos, produtos de cerâmica e madeira, além de equipamentos variados. Puxados principalmente pelos materiais, os custos da construção subiram 1,21% em abril, a maior taxa desde agosto do ano passado, e aumentaram 15% em 12 meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As pressões tendem a intensificar-se. Grandes fornecedoras anunciaram elevações de preços entre 10% e 16% para cimento, concreto e argamassas. Além disso, algumas deixaram de trabalhar com vendas antecipadas, passando a cobrar preços novos pelos produtos entregues depois de cada reajuste, segundo noticiou o Estadão na quarta-feira.

O aumento de custos da construção civil é parte do surto inflacionário iniciado em 2021. Com preços mais altos, ganhos menores e juros elevados, consumidores perdem acesso ao crédito imobiliário. Esse tipo de financiamento atingiu R$ 41,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com redução de 3,7% em relação ao valor de um ano antes, pelos dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). As unidades financiadas passaram de 188,4 mil para 176 mil, com diminuição de 6,6%. Na contramão dos bancos privados, no entanto, a Caixa vem procurando ampliar seus empréstimos, com redução de juros da linha atrelada à poupança e maiores facilidades para os tomadores de recursos. No ano passado, a participação da Caixa nesse mercado recuou de 69,3% para 66,5%. Com o novo impulso, essa perda talvez seja mais que compensada.

Esse movimento é especialmente importante quando a maior parte do poder central pouco faz para estimular a economia e garantir um crescimento maior que as taxas projetadas pelo mercado. Essas projeções têm raramente superado 1%.

Pelos vínculos com muitas indústrias fornecedoras de insumos, assim como por seu potencial de criação de empregos, a construção civil tem considerável importância estratégica. No ano passado, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,6%, a produção das construtoras aumentou 9,7%, compensando com folga a perda de 6,3% ocorrida em 2020. No primeiro trimestre deste ano o setor produziu 3,7% mais que nos três meses finais de 2021. Além disso, cresceu 12,4% nos 12 meses até março, segundo o Monitor do PIB-FGV, importante prévia das contas nacionais trimestrais do IBGE.

No balanço do emprego em 2021, o maior crescimento porcentual, 13,8%, ocorreu na construção, com aumento líquido de 845 mil postos de trabalho. No primeiro trimestre deste ano, porém, o setor perdeu 252 mil pessoas, segundo o IBGE, mas ainda manteve aumento de 815 mil em relação a um ano antes. Apesar disso, o quadro geral da ocupação se manteve muito ruim, com 11,9 milhões de desempregados no trimestre inicial de 2022. Os brasileiros estariam mais seguros se o poder central desse alguma importância a esses números.

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

As contratações de projetos do Casa Verde e Amarela caíram pela metade nos primeiros quatro meses do ano. As construtoras estão desistindo de lançar empreendimentos porque a inflação persistentemente elevada inviabilizou negócios.

Foram contratadas 68,8 mil unidades entre janeiro e abril, 51% menos do que no mesmo período de 2021, quando chegaram a 140,5 mil. Os dados são do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a fonte de financiamento para compra e construção de imóveis pelo programa habitacional. Mantida a média, o total de contratos em 2022 chegará a 206,4 mil, o mais baixo desde o início do programa, em 2009, e menos de um quarto do número do auge (912,9 mil em 2013), quando se chamava Minha Casa Minha Vida.

O gargalo está nos aumentos generalizados de custos de materiais, serviços e mão de obra no setor. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) subiu 8,8% em 2020, 13,8% em 2021 e já está em 2,9% neste ano.

Como resposta, as construtoras repassaram o aumento dos custos para o preço final das moradias, mas essa estratégia ficou desgastada por dois motivos: o valor de venda dos imóveis ultrapassou o limite máximo permitido pelo programa e o bolso dos consumidores já não tem mais fôlego para acompanhar essa alta.

Com contratações abaixo do previsto, sobra dinheiro no FGTS. Até metade de maio, só foi empenhado 27% do orçamento anual do fundo para o programa, de R$ 65 bilhões. Isso levou representantes da construção a procurar o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para propor que a verba ociosa seja usada para aumentar os subsídios à população. O MDR confirmou à reportagem que está “avaliando possíveis ajustes na política do programa”, mas sem citar o teor.

Construtoras cancelam projetos

Diante da perda de viabilidade para muitos projetos do Casa Verde e Amarela (CVA), as empresas do setor já sentem os prejuízos e vislumbram demissões nos próximos meses. O programa tem um peso enorme para o mercado imobiliário. Em 2021, o segmento respondeu por cerca de 45% dos lançamentos e das vendas no País.

A queda nas contratações tem sido mais cruel para as construtoras de pequeno e médio porte, que não têm gordura suficiente para lidar com a disparada nos custos das obras.

Um exemplo é a construtora Rottas, que comprou 20 terrenos nos últimos dois anos para erguer residenciais do CVA nos entornos de Curitiba e nas cidades de Londrina, Ponta Grossa (PR) e Joinville (SC). Hoje, metade das áreas já não serve mais para o programa. O orçamento feito pela companhia previa a venda de apartamentos a R$ 140 mil, mas a disparada nos custos levou esse valor para R$ 185 mil.

“Desistimos de lançar porque é um preço incompatível com a renda do nosso cliente”, contou o sócio e presidente da Rottas, Paulo Rafael Folador. “O que nos dói é que muitos terrenos foram comprados com recursos que conquistamos ao longo da nossa história de 12 anos no setor. Eram projetos viáveis e agora estão inviáveis. Se a situação não melhorar, temos a perspectiva real de reduzir as equipes de profissionais.”

O empresário avaliou que os ajustes dos últimos meses no CVA não surtiram efeito. “Não fizeram nem cócegas. Esperamos que haja sensibilidade do governo federal para tornar o programa viável de novo. Se matar o programa, depois demora para ressuscitar”, alertou.

O problema também é sentido pelas construtoras residenciais de grande porte, como MRV, Tenda e Plano & Plano, que perceberam uma queda considerável na margem de lucro nos últimos trimestres. Todas decidiram subir o preço final das vendas na tentativa de recuperar os ganhos, ainda que isso implique reduzir lançamentos e vendas. “O programa Casa Verde e Amarela está secando”, afirmou o copresidente da MRV Eduardo Fischer. “Alguma política pública vai ter de vir, senão o mercado vai continuar secando.”

A MRV é a maior construtora residencial do País e maior operadora do CVA, o que lhe permite fazer compra de materiais em grande escala, negociar preços com fornecedores e diluir custos. Mesmo assim, viu o lucro cair pela metade no começo do ano devido à pressão dos custos. A resposta foi subir o preço de venda: a alta para unidades do CVA foi de 14,7%, para R$ 180 mil. “O cenário inflacionário ainda não aponta para reversão. Eu vendo o imóvel na planta para construir depois, então tenho de subir os preços recorrentemente para suportar as margens”, explicou Fischer.
Negociações

Em busca de alternativas, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) conversam com o governo. Fontes dizem que a sinalização sobre a necessidade de ajustes foi positiva até aqui, mas afirmam que qualquer mudança precisa ser aprovada antes pelo conselho curador do FGTS, responsável pelo orçamento do fundo.

A ideia é encontrar uma fórmula para recalibrar o programa o mais rápido possível a fim de agilizar a retomada das contratações. Caso contrário, as empresas devem começar a demitir os funcionários nos próximos meses, coincidindo com o período eleitoral – um estímulo a mais para o governo agir.
Mudanças de regras não impedem tombo

O tombo nas contratações do programa Casa Verde e Amarela está ocorrendo mesmo após o governo federal ter mexido duas vezes nas regras do programa nos últimos seis meses, na tentativa de recompor o poder de compra da população de baixa renda (são atendidas famílias com renda bruta até R$ 7 mil).

Em outubro, subiu de 10% a 15% o valor máximo dos imóveis que podem ser vendidos pelo programa (o teto vai de R$ 135 mil a R$ 264 mil, dependendo do município). Também foram concedidos descontos temporários de até 0,5 ponto porcentual na taxa de juros dos financiamentos e aumento de até cerca de R$ 10 mil no subsídio máximo, chegando a R$ 47,5 mil.

Em março de 2022 foi anunciada nova revisão. O subsídio máximo passou a ser concedido para famílias com renda mensal de até R$ 1.650, em vez de R$ 1.450. Também foi dilatado o grupo 1, que oferece taxa reduzida de juros: passou a aceitar famílias com renda de até R$ 2.400 ante R$ 2.000 até então.

O Ministério do Desenvolvimento Regional afirmou, em nota, que tem atuado em ajustes com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito pelas famílias de baixa renda. Entretanto, com a pandemia, houve “queda substancial” na renda das famílias, admite.

FERROVIÁRIO

Valor - SP   23/05/2022

As primeiras autorizações foram aceitas na vigência da MP 1.065, enviada pelo governo ao Congresso em 2021

Vitale, diretor-geral da agência: “Estamos tentando enxergar o que realmente precisa ser regulamentado agora” — Foto: Ricardo Botelho/MInfra

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pretende regulamentar a Lei 14.273/21, em breve, e retomar assim a análise de novos projetos de ferrovias sob o regime de autorização.

As primeiras autorizações foram aceitas na vigência da MP 1.065, medida provisória enviada pelo governo ao Congresso Nacional em agosto de 2021. No fim do ano passado, entretanto, a MP “caducou” - ou seja, perdeu efeito após o estouro do prazo de até 120 dias para sua aprovação.

Os parlamentares preferiram votar um projeto de lei com teor semelhante e que vinha sendo discutido há mais tempo no Legislativo. O projeto, sancionado em dezembro e que resultou na Lei 14.273, exigiu a definição de novos critérios para a análise e liberação de projetos pelo órgão regulador. Diante das exigências, a ANTT precisou colocar suas avaliações em compasso de espera.

“No período da MP, a gente conseguiu fazer um teste no mercado. A lei trouxe algumas inovações, alguns requisitos a mais. Estamos tentando enxergar o que realmente precisa ser regulamentado agora e o que pode ficar para um segundo momento”, afirmou ao Valor o diretor-geral da agência, Rafael Vitale, que assumiu no ano passado e tem mandato até 2025.

Ele informou que, dos 78 requerimentos de autorização feitos pela iniciativa privada, a ANTT fez a “análise de compatibilidade locacional” - atribuição que lhe foi dada pela MP - de 49 empreendimentos. Desses, 27 projetos tiveram contrato assinado e se transformaram em atos jurídicos perfeitos. Os outros 51 terão que ser avaliados, alguns deles novamente, conforme a regulamentação ainda pendente.

Em vez de fazer a regulamentação toda de uma só vez, ela deverá sair por etapas, de forma “modular”, segundo Vitale, indo dos critérios de viabilidade até os de operação. “A gente está focando em retomar as análises para, somente depois, regulamentar a construção e a operação”, disse.

A nova lei define ainda a modalidade de “chamamento”, que também demandará regulamentação por parte da ANTT. “Na autorização, o investidor encontra uma demanda, uma origem-destino, onde ele quer fazer a ferrovia. No chamamento, é a administração pública que levanta uma bandeira dizendo que existe um trecho ferroviário com viabilidade e que tem interesse de passar ao privado.”

Em recente entrevista ao Valor, o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, informou que o megaprojeto da Ferrogrão, ferrovia de 933 quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), deverá ser lançado por um chamamento.

Sem fazer previsão para publicação das normas, o diretor-geral afirmou que a agência quer manter em alta o ânimo do mercado, que deu uma resposta rápida à edição da MP. Outra preocupação da ANTT é com o rigor da avaliação dos projetos. “Estamos indo com cautela porque há algumas críticas que poderiam ser ferrovias de ‘papel’”, disse Vitale, em alusão a projetos com porte grandioso e orçamento bilionário, mas tendo à frente empresas com capacidade financeira incompatível, com capital social abaixo de R$ 1 milhão.

“Buscamos o ponto de equilíbrio, algo que não vá engessar demais e fazer com que só alguns pedidos sejam aceitos, nem flexibilizar excessivamente, ao ponto de muitos projetos não saírem do papel”, acrescentou Vitale, ressaltando que haverá “alguns pré-requisitos” ou “condições que precisam ser comprovadas”, sem tirar a atratividade dos projetos.

O diretor-geral admitiu que a elaboração das normas tem deixado os pedidos de novas ferrovias parados na agência por mais tempo do que gostaria. “Está levando um pouco mais de tempo do que imaginávamos, mas para entregar uma coisa mais madura e alinhada com a expectativa do mercado. O que estamos querendo não é ter milhares de contratos e alguns quilômetros de ferrovias. Queremos alguns contratos, com milhares de quilômetros de ferrovias.”

Engenheiro civil formado pela USP, com especialização em ferrovias, Vitale é um técnico respeitado no setor, que atuou no Ministério da Infraestrutura e na Casa Civil antes de assumir na ANTT.

Rodoviário

O Estado de S.Paulo - SP   23/05/2022

Em um leilão sem concorrentes, a EcoRodovias levou a concessão do Sistema Rodoviário Rio de Janeiro - Governador Valadares (MG), após oferecer um desconto de 3,11% sobre a tarifa básica de pedágio proposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com o pacote, a concessionária passa à condição de maior operadora de ativos rodoviários do País, com mais de 4,1 mil quilômetros de malha.

Ao todo, o sistema leiloado nesta sexta-feira, 20, tem 726,9 quilômetros, e inclui trechos das BRs 116, 465 e 493, passando por regiões como o Arco Metropolitano do Rio e a Serra de Teresópolis. Serão cerca de R$ 21 bilhões aplicados nos 30 anos de concessão, entre investimentos e custeio operacional. Estão previstas obras como a duplicação de 303 quilômetros de pistas.

O CEO e vice-presidente financeiro da Ecorodovias, Marcelo Guidotti, destacou que os novos trechos geram caixa desde o começo da concessão, o que melhora a saúde financeira da empresa. No Rio, a operadora é a responsável pela concessão da Ponte Rio-Niterói, e pretende avançar. "No Rio de Janeiro, onde operamos a Ecoponte, buscamos novas oportunidades", afirmou ele.

O leilão desta sexta ocorreu em um contexto de menor ímpeto nas concessões. Em abril, o governo de São Paulo suspendeu a concessão do trecho norte do Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo, diante das incertezas da economia. Em outras concessões, como a de hoje, houve apenas um interessado.

Questionado sobre a dificuldade em atrair novos operadores para as rodovias brasileiras, o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, minimizou a menor competição nos leilões recentes, dizendo que o foco do governo não é arrecadatório, e sim em bons projetos.

De acordo com ele, o ministério tem apresentado os ativos de infraestrutura do País a investidores internacionais, em especial grandes fundos, e o interesse continua alto a despeito do contexto internacional mais desafiador. "A agenda de infraestrutura é para aqueles players e operadores que estão olhando para o Brasil nos próximos 30 anos", afirmou.

Sampaio disse que o governo espera leiloar outro lote rodoviário, o da BR 381/262, entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, antes de outubro, mês de eleições presidenciais. O leilão foi suspenso em fevereiro, por falta de interessados, e segundo o ministro, o projeto está sendo remodelado, diante da disparada dos custos causada pela inflação.
Aeroporto de Congonhas

Ainda de acordo com o ministro, o governo espera realizar até agosto o leilão da 7ª rodada de concessões aeroportuárias. É nesse certame que está uma das 'joias da coroa' entre os aeroportos brasileiros: o de Congonhas, na capital paulista. Ao todo, o pacote inclui 15 aeroportos, mas "perdeu" em fevereiro o Santos Dumont (RJ).

"A gente sabe que tem um momento com desafios, mas estamos confiantes, Congonhas é um aeroporto que tem movimento cativo", disse Sampaio, que assumiu o ministério em março, após a saída de Tarcísio de Freitas para disputar o governo de São Paulo. O ex-ministro foi saudado em vários momentos do leilão, sendo chamado inclusive de "ministro emérito" por ex-colegas de governo.

Sampaio voltou a afirmar que ao menos três grupos de operadores aeroportuários já manifestaram interesse pela 7ª rodada, em geral nomes que já atuam no País, como a Zurich. Em diferentes ocasiões, outras companhias, como a CCR, também manifestaram interesse pelos ativos que irão a leilão.

O governo ainda depende do aval do Tribunal de Contas da União (TCU) para levar o leilão adiante. O ministério espera que a corte de contas aprove os documentos até o começo do mês de junho, e afirma ter as demais etapas do processo já negociadas. "A Anac assumiu o compromisso de publicar o edital até três dias depois do aval do TCU", disse o ministro.

NAVAL

Portos e Mercados - SP   23/05/2022

A agenda de concessões no setor portuário vai esquentar nos próximos dias. Ainda nesta semana, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) deve deliberar sobre o relatório de análise e a resposta à consulta pública do projeto de concessão do Porto de São Sebastião, em São Paulo.
O Ministério da Infraestrutura e o BNDES estão fazendo atualização dos documentos, e a expectativa do governo é que siga para a análise do Tribunal de Contas da União antes do fim do mês. O leilão está previsto para o quarto trimestre.
A avaliação dentro do governo é a de que o resultado do leilão da Codesa (ES), neste ano, serviu de teste para os outros projetos, que incluem os portos de Santos (SP) e Itajaí (SC).
Segundo quem acompanha o processo de São Sebastião, há investidores buscando informações sobre o projeto, que prevê R$ 23 milhões em investimentos privados. Delegado pela União ao estado de São Paulo, São Sebastião tem capacidade estática de 20 mil toneladas.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2022/05/concessao-do-porto-de-sao-sebastiao-deve-avancar-nos-proximos-dias.shtml

A Tribuna - SP   23/05/2022

Tendo como principal objetivo manter uma relação harmônica entre Porto e Cidade, a Prefeitura de Santos detalhou as notas técnicas enviadas à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o processo de desestatização da Santos Port Authority (SPA), estatal que administra o Porto de Santos.

Segundo a Secretaria de Assuntos Portuários e Desenvolvimento de Santos, o documento com os apontamentos busca aprimorar a relação Porto-Cidade com iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável no cotidiano da Autoridade Portuária santista, seja ela pública, como hoje, ou privada, como se tornará após a finalização do processo. “A Prefeitura aguarda um posicionamento da Antaq com relação a tudo que já foi enviado”, diz o secretário Júlio Eduardo do Santos, que destaca a boa relação com a SPA.

Entre os principais pontos levantados, está a falta de envolvimento da Administração Municipal na elaboração dos estudos da desestatização, além de questionamentos sobre os caminhões, que hoje não têm vagas suficientes para operar no complexo portuário. “A Autoridade Portuária futura terá a possibilidade de resolver essa questão?”, indaga Júlio, explicando que o documento enviado à agência foi elaborado pela equipe técnica da pasta.

Outro questionamento relacionado ao transporte rodoviário, essencial para a movimentação de cargas no Porto de Santos, se refere à implantação de balanças rodoviárias na área do complexo. “Não queremos mais as balanças dentro das áreas urbanas”, relata Júlio, citando as que já existem em Santos e refletem no trânsito do Município.

Obras e mudanças

Um dos apontamentos mais destacados pela Prefeitura é a mudança do Terminal de Passageiros, que hoje recebe os cruzeiros marítimos na região de Outeirinhos e, para a Administração Municipal, deve ser transferido ao Valongo, fomentando o turismo. “Queremos que o novo terminal possa ter uma ligação com a área urbana e, principalmente, um elo histórico, para que as pessoas que forem embarcar nos navios circulem no Centro e valorizem a região”.

A Administração ainda solicita a garantia, por escrito, de que uma das compensações ao Município no processo de desestatização seja a construção do túnel entre as zonas Leste e Noroeste. Em compromisso verbal do então ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em fevereiro deste ano, a obra foi incluída no pacote da privatização da SPA. “Mas no papel não temos essa resposta”, relembra Júlio. O mesmo ocorre em relação ao viaduto no trecho final da Alemoa, também em pauta na nota técnica.

A Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips), em processo de concessão, é outra preocupação do governo municipal. O projeto busca expandir em 65 milhões de toneladas a capacidade anual de movimentação de cargas pelo modal ferroviário. “Se não der certo até lá (desestatização), o novo concessionário irá assumir o compromisso?”.

Outros pontos

A Prefeitura ainda aponta a importância de se preservar o acervo cultural do Porto de Santos e a revisão do papel do Conselho de Autoridade Portuária (CAP). “Que ele tenha uma participação mais efetiva nos destinos do Porto”, explica Júlio.

A Administração se preocupa com as mudanças climáticas. Segundo a secretaria, estudos sobre medidas mitigadoras para enfrentar as mudanças climáticas devem continuar permeando a rotina da SPA.

Trabalho

Os trabalhadores portuários inspiraram apontamentos do documento elaborado pela pasta. O crescimento da automação das atividades preocupa a Prefeitura em relação a uma possível redução de mão de obra, o que ocasionará um problema social. Por isso, uma sugestão enviada à Antaq prevê a criação de novas atividades econômicas com foco no setor portuário para absorver a mão de obra que eventualmente possa ser descontinuada.

Além disso, a Administração quer garantias de que o cais público continue funcionando. Segundo a Prefeitura, 16 empresas santistas operam por meio dele. “Que não aconteça de a gente perder o cais público e ter um problema sério na Cidade, não só para empresários que vão deixar de operar, mas também para os trabalhadores”, destaca o secretário.

Por fim, a Prefeitura reiterou, em documento assinado pelo prefeito Rogério Santos (PSDB) ao diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, o pedido para que a Administração receba todos os documentos gerados a partir das consultas e audiências públicas.

Próximas etapas

Após a análise das contribuições feitas à Antaq, os documentos jurídicos referentes à desestatização serão revisados conforme os apontamentos. Em seguida, o processo será encaminhado ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) para análise e o BNDES fará audiência pública. Depois, a documentação será encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU). Após eventuais ajustes, tudo será submetido à Antaq e ao Ministério da Infraestrutura para aprovação e publicação do edital.

Antaq analisa

Em nota enviada para A Tribuna, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) explicou que “as contribuições, subsídios e sugestões recebidas no âmbito da audiência pública 1/2022 (que abordou a desestatização e concessão da SPA) serão analisadas, incorporadas e respondidas pela agência”.

SPA destaca boa relação com o Município

Assim como o secretário de Assuntos Portuários de Santos, Júlio Eduardo dos Santos, também o diretor-presidente da Santos Port Authority (SPA), Fernando Biral, destaca a boa relação entre as duas entidades, Prefeitura e SPA, na construção do desenvolvimento sustentável do Porto de Santos.

Em texto assinado pelo presidente e enviado para A Tribuna, a SPA contesta trechos do artigo publicado em A Tribuna na semana passada pelo articulista Maxwell Rodrigues, especialmente quanto ao título, “Final de 1º tempo: Prefeitura 10 x 0 SPA”.

Diz o texto: “Ao listar os legítimos questionamentos da Prefeitura sobre o processo de desestatização do Porto de Santos, encaminhados à Antaq, o texto dá a entender que não houve transparência e diálogo por parte da Administração Pública Federal”. Biral destaca, ainda, que essas dúvidas serão formalmente esclarecidas pela agência reguladora, etapa essa obrigatória do processo.

“A consulta pública terminou em março e o estágio atual é justamente o de consolidação das contribuições para respondê-las, tarefa que cabe à comissão de licitação, da qual a SPA não é parte”, escreve Biral.

Todas as manifestações, explica, estão dentro do prazo para resposta, e o edital da licitação só será publicado após todas as contribuições serem analisadas e respondidas.

Mesmo time

Outro trecho da nota assinada pelo diretor-presidente da Autoridade Portuária diz que “Prefeitura e SPA não são adversárias. Antes, jogam no mesmo time: trabalham em uma agenda comum para que o desenvolvimento sustentável do Porto de Santos seja também o desenvolvimento da Baixada Santista. Desse relacionamento, marcado por reuniões periódicas de trabalho, importantes sugestões da Prefeitura Santista estão sendo incorporadas ao projeto de desestatização, notadamente na questão dos acessos”.

Ainda fazendo referência ao título do artigo publicado na última quarta-feira, Fernando Biral reafirma que não há antagonismo entre a Administração Municipal e a Autoridade Portuária, “cuja relação é cooperativa e crescente em prol do desenvolvimento do Porto de Santos”.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   23/05/2022

Lançado em 2020, os dados dinâmicos do Anuário de Petróleo no Rio foram atualizados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), consolidando o ano de 2021. Conforme a análise, as bacias em águas fluminenses mantêm posição de liderança nas reservas de petróleo no país. Desde 2011, em média, 81% das reservas totais estão localizadas no estado do Rio.

Já as reservas provadas de petróleo no estado em 2021 alcançaram volumes de 10,9 bilhões de barris, 13% acima do ano anterior. Novas descobertas e condições favoráveis nos preços do barril, viabilizando volumes adicionais, podem representar uma nova possibilidade de adição de reservas em 2022.

Somente nos quatro primeiros meses deste ano, todas as descobertas nacionais em mar ocorreram no Rio de Janeiro: blocos de Três Marias, Alto de Cabo Frio Central, C-M-791 e C-M-541. Estas descobertas representam metade do total de indícios registrados no país durante o período. Vale lembrar o início da produção em Mero nas águas fluminenses da Bacia de Santos e a previsão de mais 10 plataformas em construção para entrada em operação até 2025.

“A Bacia de Santos expandiu sua produção em 6% ano passado, com destaque para o crescimento dos volumes produzidos no Campo de Búzios, em águas fluminenses. E, a expansão de produtores independentes aponta para a retomada da produção na Bacia de Campos. Se o Rio de Janeiro fosse um país, estaria em 11º lugar entre os maiores produtores de petróleo do mundo”, destaca a gerente de Petróleo, Gás e Naval da Firjan, Karine Fragoso (foto). No início do mês, ela apresentou o potencial fluminense no mercado de petróleo e gás a investidores internacionais durante a Offshore Technology Conference – OTC 2022, maior feira offshore do mundo, em Houston, nos Estados Unidos.

A análise dos dados dinâmicos da publicação produzida pela Firjan destaca ainda que, com o preço do petróleo acima de 100 dólares o barril, surgem oportunidades e desafios para as economias. Porém, mesmo com impacto positivo nas arrecadações governamentais, há também uma pressão para aumento de produção, com manutenção do patamar de custos. Em 2021, o preço do petróleo retornou a patamares semelhantes a 2018.

Refino e abastecimento

Conforme o levantamento da federação, o parque de refino fluminense manteve taxa de 75% de utilização, 5 pontos percentuais maior que na média do país. Como o óleo produzido no país é de maior qualidade e não há expansão no parque de refino nacional, as exportações de óleo cru tiveram crescimento na ordem de 46% em 2021, adicionando impacto positivo em torno de R$ 7 bilhões na balança comercial.

Mesmo com a recuperação das vendas de combustíveis, apenas o GLP e óleo combustível fecharam 2021 em níveis acima do período pré-pandemia, apesar da tendência de recuperação em todos os derivados. A análise destaca, ainda, que os preços de todos os combustíveis sofreram aumento ao longo de 2021, mas o etanol hidratado teve maior aumento relativo, de 53%, frente aproximadamente 40% para os combustíveis fósseis.

O potencial fluminense também se reforça em investimentos nas áreas de inovação e desenvolvimento. Em 2021, 65% do total de recursos da Cláusula de PDI, que precisam ser aprovados pela ANP, foram direcionados para instituições no Rio de Janeiro. Por fim, com o aumento do preço do barril, produção e câmbio, a arrecadação de participação especial e royalties bateram recordes em 2021 e é previsto aumento contínuo ao longo de 2022.

“Com a manutenção do preço elevado do barril de petróleo e do câmbio, as perspectivas são de crescimento contínuo da arrecadação de participações governamentais e de recursos referentes à Cláusula de PDI. Isso se confirma com o anúncio da ANP sobre a distribuição de participação especial no primeiro trimestre de 2022, que bateu novo recorde. Com isso, são esperados reflexos nas economias locais do estado e de municípios produtores” explica Thiago Valejo, Gerente de Projetos de Petróleo, Gás e Naval da Firjan.

Petro Notícias - SP   23/05/2022

Com uma carteira invejável de novos desenvolvimentos de campos offshore, o Brasil deve atrair cerca de 10% dos recursos destinados a novos projetos em óleo e gás em todo o mundo até 2025. Além disso, o país receberá um total de US$ 36,7 bilhões em investimentos nesse período, que serão aplicados no desenvolvimento de ativos offshore. O cálculo é da Rystad Energy, que relembra ainda que as operadoras presentes no Brasil sancionaram 10 projetos ao longo do último ano. Para o futuro, uma série de outros desenvolvimentos também estão planejados, incluindo o projeto de revitalização de Barracuda-Caratinga, a descoberta de Natator, o projeto Neon da Karoon e os FPSOs adicionais em Sépia e Atapu.

A Rystad ressalta que o impulso sancionador de petróleo e gás no Brasil aumentou no ano passado depois de estagnar em 2020 devido à pandemia de covid-19. Entre os projetos aprovados em 2021, estão quatro empreendimentos da Petrobrás: Mero 4, FPSO Maria Quitéria (Parque das Baleias) e os FPSOs Búzios 6 e 7. Antes, a petroleira brasileira já havia anunciado a sanção de grandes empreendimentos em 2019, incluindo Búzios 5, Mero fase 2 e os projetos de revitalização do campo de Marlim (FPSOs Anita Garibaldi e Anna Nery).

Além da Petrobrás, as empresas internacionais de petróleo também contribuíram para a crescente carteira de desenvolvimentos no Brasil. A lista abrange os planos de redesenvolvimento brownfield da Perenco nas áreas de Vermelho, Carapeba e Pargo, aprovados em janeiro de 2021. Enquanto isso, a australiana Karoon se prepara para o desenvolvimento de Patola. Já a norueguesa Equinor concentra esforços para seu projeto no campo de Bacalhau, primeiro empreendimento greenfield não operado pela Petrobrás na área do pré-sal brasileiro.

A Rystad Energy antecipa que mais cinco empreendimentos greenfield do pré-sal serão operados por companhias de petróleo nos próximos dois anos: o campo Gato do Mato da Shell e o campo Wahoo da PetroRio em 2022, e as descobertas de gás Pão de Açúcar, Gávea e Seat da Equinor, no bloco BM-C-33, no final de 2023. Espera-se que a atividade continue forte nos próximos três anos e meio, com vários projetos em linha para sanção, incluindo os FPSOs para Búzios 8 e Búzios 9, Berbigão/Sururu Fase 2 e os campos da Petrobrás em Sergipe-Alagoas Águas Profundas (SEAP). Existe ainda a expectativa de que mais três FPSOs sejam destinados ao campo de Búzios.

A Rystad também avalia que os gastos com petróleo e gás da América do Sul devem aumentar cerca de US$ 11 bilhões em 2022, registrando um salto de 27% em relação ao ano anterior, devido aos preços elevados do petróleo, à recuperação da demanda global por petróleo e aos balanços de E&P mais saudáveis. Isso marcará o maior aumento percentual ano a ano em quase 15 anos, contribuindo para o considerável crescimento geral de 54% na região de 2020 a 2023, quando os preços devem começar a estabilizar-se.

“Espera-se que um aumento relativamente grande no CAPEX ocorra em um momento de incerteza econômica, dominado pela inflação, potencialmente aumentando os custos para os proprietários que executarão os próximos trabalhos”, previu a empresa de pesquisa energética.

Money Times - SP   23/05/2022

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou hoje (20) a prorrogação contratual da fase de produção dos campos Leste de Poço Xavier (Bacia Potiguar), Boa Esperança (Bacia Potiguar) e Atlanta (Bacia de Santos).

O vencimento inicial dos contratos estava previsto para 5 de agosto de 2025, no caso do Leste do Poço Xavier e Boa Esperança, e para 26 de dezembro de 2033, de Atlanta, e foi estendido até 3 de dezembro de 2036, 5 de agosto de 2052 e 30 de junho de 2044, respectivamente.

Agora chega a 56 o número de campos, em sua maioria da Rodada Zero (1998), com a fase de produção prorrogada, sendo 29 em terra e 27 no mar, nas bacias de Campos, Recôncavo, Potiguar, Alagoas, Espírito Santo, Amazonas, Santos e Camamu.

A ANP esclareceu que, com a prorrogação da fase de produção, em vez do encerramento do contrato de concessão na data originalmente prevista, a produção não é interrompida.

Dessa forma, são mantidos os benefícios a ela associados, entre os quais o pagamento de participações governamentais, a contratação de serviços associados às operações e a manutenção e a geração de novos empregos.

Outro benefício, segundo a agência, é que o conhecimento detido pelo atual operador lhe permite construir modelos mais precisos sobre o comportamento do campo, de modo a maximizar a produção e gerar ganhos de eficiência.

A previsão é que nos próximos cinco anos os campos que já foram prorrogados recebam investimentos de US$ 17,3 bilhões.

Infomoney - SP   23/05/2022

A produção da Petrobras (PETR3;PETR4) em abril subiu 2,2% na comparação com março, para 2,815 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), voltando ao patamar de janeiro deste ano, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A estatal produziu em média 2,181 milhões de barris de petróleo por dia (b/d) no mês passado, alta de 2% contra março, e a produção de gás natural voltou ao nível de 100 milhões de metros cúbicos por dia (m3/d), também registrado em janeiro, e fechou o mês com produção média de 100,8 milhões de m3/d.

Já a produção nacional subiu 0,8% em abril contra março, para 3,859 milhões de boe/d, sendo 2,988 milhões de b/d de petróleo, 0,6% acima de março; e 136,8 milhões de m3/d de gás natural, 1,7% a mais do que no mês anterior.

A produção no pré-sal também evoluiu, para 2,911 milhões de boe/d, representando 75,45% do total produzido no País.

O campo de Tupi permanece como o maior campo produtor, contribuindo com 40,9% do petróleo produzido no pré-sal, seguido de Búzios, com 24,8%.

A produção de petróleo de Tupi, porém, registrou queda de 5,33% em abril, e a de gás natural, de 4,14%.

Infomoney - SP   23/05/2022

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira, em sessão na qual sinalizações de alta na demanda impulsionaram as cotações. Na China, houve alívio de parte das restrições para conter a covid-19, enquanto nos Estados Unidos o consumo de combustíveis tem indicativos de alta. Por outro lado, o fortalecimento do dólar nesta sexta limitou os ganhos do petróleo, uma vez que a commodity é cotada na moeda norte-americana.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para julho subiu 0,35% (US$ 0,39), a US$ 110,28. Na semana, houve avanço de 1,83%. Já o do Brent ganhou 0,46% (US$ 0,51), a US$ 112,55, na Intercontinental Exchange (ICE), com alta semanal de 0,89%.

O Commerzbank aponta que Xangai está saindo gradualmente de seu bloqueio, e que, além disso, a demanda de gasolina nos EUA parece robusta, apesar dos preços recordes.

De acordo com a Administração Federal de Rodovias dos EUA, o total de milhas percorridas pelos americanos em março foi de 8 bilhões a mais que março passado e 5 bilhões a mais do que neste mês de 2019.

O banco alemão lembra ainda que a temporada de verão, o período de maior demanda, começará nos EUA no final de maio.

Já o número de poços e plataformas de petróleo em atividade nos EUA subiu 13 na semana, a 576, informou nesta sexta a Baker Hughes, companhia que presta serviços no setor.

Para a Capital Economics, os preços do petróleo bruto estão atualmente pouco alterados em torno de US$ 110 por barril.

A consultoria acredita que a probabilidade de menos exportações russas nos próximos meses manterá os preços elevados, embora o crescimento mais lento da demanda e a maior oferta não russa devam aproximar os preços de US$ 100 até o final do ano.

Enquanto um acordo não é concretizado, o Financial Times publicou que a Itália aumentou suas importações de petróleo russo, apesar dos esforços da UE para encerrar os laços com a Rússia.

O país exportou cerca de 450 mil barris por dia para a Itália este mês, quatro vezes mais do que em fevereiro deste ano e o maior valor desde 2013, segundo a Kpler, uma empresa de dados de commodities.

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