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22 de Junho de 2022

INDA

IstoÉ Online - SP   22/06/2022

As vendas de aços planos pelos distribuidores subiram 3,1% em maio quando comparadas a abril, atingindo o montante de 312 mil toneladas contra 302,7 mil. Em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram vendidas 320,3 mil toneladas, foi registrada queda de 2,6%.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 21, pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as compras de maio registraram alta de 46,6% ante abril, com volume total de 366,7 mil toneladas contra 250,1 mil. Frente a maio do ano passado (345,6 mil toneladas), foi apresentada alta de 6,1%.

Em número absoluto, o estoque de maio obteve alta de 7,6% em relação ao mês anterior, atingindo 776,4 mil toneladas contra 721,8 mil. O giro de estoque fechou em 2,5 meses.

As importações encerraram o mês de maio com alta de 28,1% em relação ao mês anterior, com volume total de 140,6 mil toneladas contra 109,8 mil. Comparando-se ao mesmo mês do ano anterior (189,0 mil toneladas), as importações registraram queda de 25,6%.

Para junho de 2022, a expectativa da rede associada é de que as compras tenham uma queda de 10% e as vendas uma redução de 5% em relação ao mês de maio.

Investing - SP   22/06/2022

Os distribuidores de aços planos do Brasil tiveram alta de vendas em maio, mas o setor responsável por cerca de um terço do consumo de aço das siderúrgicas do país está cauteloso sobre elevação de estoques, principalmente em um momento de incertezas e de volatilidade cambial.

As vendas do setor subiram 3,l% em maio ante abril e caíram 2,6% em relação a maio de 2021, para 312 mil toneladas, segundo números divulgados nesta terça-feira pela entidade que representa os distribuidores, Inda.

A expectativa para junho é que as vendas recuem 5% ante maio e que as compras de aço pelos comerciantes do setor caiam 10%, afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas.

Segundo ele, o ambiente de cautela, refletindo também a queda nos preços internacionais do aço, tem forçado as usinas a reverem parte dos aumentos de preços da liga anunciados no Brasil em meses anteriores.

"Com o mercado abastecido e preços em tendência de queda, todo mundo (distribuidores) se retém nas compras...A rede de distribuição está com estoques para 2,5 meses de vendas e isso é um número baixo", disse Loureiro. Na comparação com abril, os estoques de maio subiram 7,6%, atingindo 776,4 mil toneladas.

"Dificilmente vamos ter aumentos de preços de aço das usinas nos próximos meses", afirmou, citando que há ainda cerca de 200 mil toneladas de aço importado estocado só no porto de São Francisco do Sul (SC). No início do ano, o volume estava próximo de 400 mil toneladas, disse o executivo. "Olhando os 'line-ups' dos navios, há alguns ainda esperando espaço para descarregar."

Segundo os dados da entidade, o porto de São Francisco do Sul foi responsável por 61% das importações de aço plano pelo Brasil em maio e por 58% nos cinco primeiros meses do ano.

Para os próximos meses, as expectativas sobre consumo de aço no país serão mediadas pelo cenário eleitoral, segundo o Inda. Apesar disso, como o segundo semestre do ano passado foi mais fraco do que o primeiro, o Inda espera certa recuperação no período neste ano por questão estatística.

"Na comparação vai dar possibilidade de fechar o ano em alta de um dígito baixo", disse Loureiro, referindo-se à expectativa do Aço Brasil, entidade que representa as siderúrgicas, de alta cerca de 2% no consumo aparente.

De janeiro a maio, o consumo aparente de aço, que mede vendas internas da liga produzida no país, mais importações, mostra queda de 15%.

SIDERURGIA

Brasil Mineral - SP   22/06/2022

A adesão reforça a participação da empresa no engajamento e troca de conhecimento e a co-criação de soluções circulares.

A Gerdau assinou o Manifesto para Transição Circular, documento elaborado pelo Hub de Economia Circular Brasil (Hub-EC) para formalizar o compromisso de empresas e instituições com um novo equilíbrio econômico. A adesão reforça a participação da empresa no engajamento e troca de conhecimento e a co-criação de soluções circulares, apostando no modelo de colaboração para transformar o mindset de negócios. Além da Gerdau, outras treze organizações que também são membros do Hub-EC chancelaram o manifesto, incluindo nomes como IPT, Nespresso, Electrolux, RCRambiental, CEBRI, Covestro e Wise.

O Manifesto foi desenvolvido a partir do aprendizado dos dois primeiros anos do Hub-EC, posicionando o ecossistema como o primeiro da América Latina a reunir empresas de diversos setores e tamanhos para a construção de negócios circulares. O texto destaca que a transição circular é mais um elemento-chave para a competitividade de negócios, tratando-se de uma agenda estratégica para trabalhar junto a fornecedores, parceiros, clientes e órgãos reguladores. A partir dessa sinergia, é possível determinar ações em larga escala e estabelecer novas relações comerciais. “É um orgulho para a Gerdau fazer parte dessa iniciativa, que reforça o compromisso com a criação de soluções sustentáveis e transformadoras para os nossos negócios e todo o ecossistema em que estamos presentes. Historicamente, a empresa trabalha na busca de soluções aos desafios enfrentados pela sociedade e, mais uma vez, se une a parceiros para deixar um legado positivo, uma vez que entende que a economia circular guiará o futuro das organizações. A Gerdau busca equilibrar os pilares econômico, social e ambiental, alinhando suas práticas ao conceito de economia circular”, afirma Paulo Boneff, líder de Responsabilidade Social da Gerdau.

O Manifesto aborda a economia circular não como um ativo de marketing, mas como uma prioridade entre as discussões internas das empresas, do chão de fábrica à presidência, visando ao redesenho de processos. Além disso, a Gerdau reitera que a definição de lucro e de geração de valor se dá, agora, por uma nova régua econômica, que inclui as fases de design, seleção de matérias-primas, uso e pós-uso de um produto. O documento do Hub-EC defende, ainda, a economia circular como parte de uma agenda estratégica nacional para o alcance dos 17 ODS, da Organização das Nações Unidas (ONU), e o combate às mudanças climáticas. “É muito gratificante acompanhar o aprendizado das empresas-membro, que resulta da criação de uma inteligência coletiva única, capaz de demonstrar que ações isoladas não são o suficiente. Toda a cadeia tem que trabalhar junta, é uma tendência global de ecossistemas de impacto”, diz a diretora do Hub-EC, Beatriz Luz. Ela quer que outras empresas, instituições e órgãos públicos assumam o compromisso de colocar a economia circular em suas principais prioridades e metas.

Revista Mineração - SP   22/06/2022

Dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IAB), nesta segunda-feira (20/06), apontam que em maio, a produção brasileira de aço bruto foi de 3 milhões de toneladas, uma queda de 4,9% frente ao apurado no mesmo mês de 2021. Já a produção de laminados foi de 2 milhões de toneladas, 17,5% inferior à registrada em maio de 2021. A produção de semiacabados para vendas foi de 644 mil toneladas, uma queda de 19,2% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2021.

As vendas internas recuaram 13,4% frente ao apurado em maio de 2021 e atingiram 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,1 milhões de toneladas, 15,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2021.

As exportações de maio foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 1 bilhão, o que resultou em aumento de 43% e 64,8%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2021.

As importações de maio de 2022 foram de 276 mil toneladas e US$ 429 milhões, uma queda de 49,9% em quantum e 12,1% em valor na comparação com o registrado em maio de 2021.

Já em relação ao mês anterior, a produção brasileira de aço bruto (3 Mt) representa uma alta de 1,7% frente ao apurado no mês de abril de 2022. As vendas internas de maio tiveram crescimento de 3,5% e o consumo aparente de produtos siderúrgicos foi 5,8% acima do verificado em abril.
Janeiro a maio de 2022

No acumulado de janeiro a maio, a produção brasileira de aço bruto foi de 14,5 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 2,2% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 10,1 milhões de toneladas, redução de 8,5% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2021. A produção de semiacabados para vendas totalizou 3,6 milhões de toneladas de janeiro a maio de 2022, um acréscimo de 7,2% na mesma base de comparação.

As vendas internas foram de 8,5 milhões de toneladas de janeiro a maio de 2022, o que representa uma retração de 14,7% quando comparada com o apurado em igual período do ano anterior.

O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 9,8 milhões de toneladas no acumulado até maio de 2022. Este resultado representa uma queda de 14,6% frente ao registrado no mesmo período de 2021.

As importações alcançaram 1,3 milhão toneladas no acumulado até maio, uma redução de 32,1% frente ao mesmo período de 2021. Em valor, as importações atingiram US$ 2 bilhões e avançaram 9,5% no mesmo período de comparação.

As exportações de janeiro a maio de 2022 atingiram 5,6 milhões de toneladas, ou US$ 4,8 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, aumento de 32,4% e 57,9% na comparação com o mesmo período de 2021.

ECONOMIA

Investing - SP   22/06/2022

O Banco Central indicou que há necessidade de manter a taxa básica de juros em nível elevado por período prolongado para levar a inflação a patamar próximo à meta fiscal em 2023, conforme ata do Comitê de Política Monetária publicada nesta terça-feira, reforçando que pretende fazer novo ajuste igual ou menor que 0,5 ponto percentual na Selic em agosto.

"O Comitê avalia, com base nas projeções utilizadas e seu balanço de riscos, que a estratégia requerida para trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência”, disse a autarquia no documento.

A reunião de junho marcou uma mudança de tom do BC, que passou a dizer que sua decisão é compatível com a convergência da inflação "para o redor da meta" ao longo do horizonte relevante, e não mais "para as metas", como dizia em maio.

Conforme explicitado na ata, mesmo a estratégia de convergência para o redor da meta exige uma taxa de juros mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência do BC por todo o horizonte relevante, que agora foca em 2023.

Na semana passada, Banco Central subiu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, e disse que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto.

Na avaliação do Copom, de acordo com a ata, eventual decisão de apenas manter a Selic em 12,75% ao ano na reunião de junho, travando essa taxa por período "suficientemente longo", não asseguraria a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante.

No comunicado da última semana, a autoridade monetária afirmou que as medidas de cortes de tributos para baratear combustíveis, energia e telecomunicações, em tramitação no Congresso, reduzem sensivelmente a inflação neste ano, mas elevam, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante da política monetária.

A afirmação foi reforçada na ata, destacando que as atuais projeções do BC não levam em conta possíveis efeitos dessas medidas.

"O Comitê reforça que a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que sustentem a demanda agregada podem trazer um risco de alta para o cenário inflacionário e para as expectativas de inflação", afirmou.

De acordo com a ata, o crescimento de grandes economias tem sido revisado para baixo, tanto para este ano quanto para 2023, em função da expectativa de reversão dos estímulos implementados durante a pandemia, destacando revisões negativas de crescimento na China, em parte refletindo a política de Covid zero.

"O Comitê já antecipa uma desaceleração da atividade global nos próximos trimestres, em função das tensões geopolíticas e do aperto na política monetária e nas condições financeiras em curso em diversas economias centrais", disse.

Para o BC, políticas que restringem o comércio de produtos agrícolas em países produtores de commodities, junto aos efeitos da guerra na Ucrânia, trazem um risco adicional para as pressões inflacionárias globais, podendo ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas.

A autarquia disse acreditar, porém, ser possível uma reversão ainda que parcial do aumento de preços das commodities internacionais.

ATIVIDADE

Em relação ao Brasil, o BC afirmou que indicadores sinalizam crescimento econômico maior do que o previsto, com o mercado de trabalho em recuperação. Ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre apontou ritmo de atividade acima do esperado, elevando o carregamento estatístico para este ano.

A autarquia lembrou ainda que a defasagem da política monetária deve fazer com que o ciclo de alta da Selic impacte a economia mais fortemente a partir do segundo semestre deste ano, levando a uma desaceleração da atividade.

O colegiado avaliou que a inflação ao consumidor no Brasil segue elevada e mais persistente que o antecipado, com choques ainda levando a um forte aumento de preços em componentes ligados a combustíveis e alimentos. Reforçou que as suspresas inflacionárias seguiram ocorrendo mesmo nos itens da inflação subjacente --que desconsidera componentes mais voláteis.

Conforme apresentado no comunicado da semana passada, o BC agora vê o IPCA em 8,8% no fim deste ano, ante projeção de 7,3% na última reunião. A projeção passou de 3,0% para 4,0% em 2023, acima do centro da meta. Em 2024, iria a 2,7%.

A meta de inflação para este ano, já abandonada pelo Banco Central, é de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A meta é 3,25% para 2023 e 3,0% para 2024, também com a mesma margem.

A autarquia também confirmou que as expectativas de inflação do mercado para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente.

O BC vem implementando um duro ciclo de aperto monetário desde o início de 2021 para tentar controlar a disparada da inflação.

Com a decisão deste mês, a autarquia levou a Selic a um patamar 11,25 pontos acima da mínima histórica de 2%, atingida em meio à pandemia de Covid-19 e que vigorou até março do ano passado. Foi a 11ª elevação consecutiva da taxa básica, ao nível mais alto desde janeiro de 2017, quando estava em 13,75% ao ano.

Em maio, o IPCA desacelerou e veio abaixo do esperado pelo mercado ao registrar uma alta de 0,47%. A inflação acumulada em 12 meses segue acima de dois dígitos, com elevação de 11,73%.

O Estado de S.Paulo - SP   22/06/2022

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve alta de 0,3% em abril ante março, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e divulgado nesta terça-feira, 21. Na comparação com abril de 2021, a atividade econômica teve expansão de 3,6% em abril de 2022.

“O crescimento de 0,3% do PIB em abril em comparação a março é o terceiro consecutivo, embora seja a uma taxa menor que as anteriores. A despeito do crescimento da agropecuária e da indústria, o setor de serviços parou de contribuir para o PIB da mesma forma que vinha contribuindo, principalmente devido à retração de comércio e transporte. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias também cresce pelo terceiro mês consecutivo. O único segmento de consumo a retrair foi o de produtos duráveis, o que pode ser reflexo da elevação da taxa de juros e das incertezas com relação ao desempenho econômico e político no ano eleitoral", afirmou Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB - FGV, em nota.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais. O IBGE divulgará os resultados oficiais sobre o desempenho do PIB no primeiro trimestre de 2022 no próximo dia 2 de junho.

No trimestre encerrado em abril de 2022 ante o mesmo período de 2021, o PIB avançou 2,8%. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 4,8%, sustentado pelo componente de serviços (7,5%), bens não duráveis (2,1%) e bens semiduráveis (13,3%).

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) encolheu 5,2% no trimestre terminado em abril de 2022 ante o trimestre terminado em abril de 2021, resultado negativo influenciado pela queda de 10,7% no componente de máquinas e equipamentos.

As exportações aumentaram 1,5%, e as importações tiveram retração de 8,2% no trimestre até abril.

Em termos monetários, o PIB alcançou aproximadamente R$ 2,988 trilhões de janeiro a abril de 2022, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 18,7% em abril de 2022.

Infomoney - SP   22/06/2022

O Banco Central admitiu na ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta terça-feira (21) que a inflação não deve convergir para o centro da meta em 2023, apesar do aperto no ciclo de alta de juros, e disse que a Selic vai precisar permanecer mais alta por mais tempo para combater a alta de preços.

A meta de inflação do BC para 2023 é de 3,25%, com uma margem de 1,5 ponto percentual (ou seja, ela será cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%), e a autoridade monetária fala agora em “trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante” (deixando de usar a expressão “centro da meta”, como já havia feito no comunicado divulgado após elevar a Selic para 13,25% ao ano).

O Copom diz que o IPCA não deve convergir para a meta mesmo com a continuação do clico de alta de juros e com a Selic mais alta por mais tempo (e acima do cenário de referência). Atualmente, o BC projeta uma taxa de juros de 13,25% ao ano no fim de 2022, 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024; nessas condições, a inflação termina os respectivos anos em 8,8%, 4,0% e 2,7%, respectivamente.

“O Comitê avalia, com base nas projeções utilizadas e seu balanço de riscos, que a estratégia requerida para trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência”, diz a ata do Copom. “Dessa forma, a estratégia de convergência para o redor da meta exige uma taxa de juros mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência por todo o horizonte relevante”.

Para o cenário de referência, o BC projeta o câmbio a US$ 1 = R$ 4,902 e o barril de petróleo a US$110 no fim do ano, além de bandeira tarifária amarela nas contas de luz em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024. Essa projeção, no entanto, não incorpora o impacto dos projetos que estão sendo votados no Congresso para reduzir os preços dos combustíveis, da energia elétrica e das telecomunicações, como o PLP 18/2022 e a PEC dos combustíveis, e o Copom ressalta que “a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião”.

Agência Brasil - DF   22/06/2022

O Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou que, apesar de “bastante intenso e tempestivo”, o atual ciclo de aperto monetário foi necessário, por causa da defasagem da política monetária. "Mas ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado, bem como seu impacto sobre a inflação corrente”. É o que diz a ata da última reunião do comitê, divulgada nesta terça-feira (21), em Brasília.

Na semana passada, por unanimidade, o Copom elevou os juros básicos da economia - a taxa Selic, de 12,75% para 13,25% ao ano. Apesar de o aumento de 0,5 ponto percentual estar dentro do previsto, o comitê surpreendeu o mercado ao anunciar que pretende continuar a elevar a taxa nas próximas reuniões. Até então, a maioria dos analistas financeiros apostava que os juros básicos ficariam em 13,25% ao ano até o fim de 2022.
Maior nível

A taxa Selic está no maior nível desde janeiro de 2017, quando atingiu 13,75% ao ano. Este foi o 11ª reajuste consecutivo. Apesar da alta, o BC reduziu o ritmo do aperto monetário. Depois de dois aumentos seguidos de 1 ponto percentual, a taxa foi elevada em 0,5 ponto.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador fechou em 11,73% no acumulado de 12 meses, no maior nível para o mês desde 2015.

Apesar da queda no preço da energia elétrica, por causa do fim das bandeiras tarifárias, a inflação continua pressionada pelos combustíveis. O valor está bem acima do teto da meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3,5%, para 2022, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5% neste ano nem ficar abaixo de 2%.
Ata

“Com base nas projeções utilizadas e no balanço de riscos, que a estratégia requerida para trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência”, diz a ata divulgada hoje.

Na avaliação do comitê, o novo ajuste de 0,5 ponto percentual foi o apropriado “frente a um ambiente de elevada incerteza e o estágio significativamente contracionista da política monetária, que, considerando suas defasagens, deve impactar a economia mais fortemente a partir do segundo semestre deste ano”.
Aperto monetário

Diante das projeções apresentadas e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, o Copom acrescentou que se faz necessário manter o ciclo de aperto monetário “em território ainda mais contracionista”, e que diante da persistência dos choques recentes, “somente a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros por um período suficientemente longo não asseguraria, neste momento, a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante”.

Para a próxima reunião, o comitê prevê um novo ajuste, “de igual ou menor magnitude”. “A crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, justificou.

O órgão acrescenta que a política monetária poderá ser ajustada, se necessário, visando assegurar a convergência da inflação para suas metas, mas que isso dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções.
Contextualização

O Copom destacou, entre expectativas e riscos de alta inflacionária, a maior persistência das pressões inflacionárias globais; a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país; e políticas fiscais que impliquem na sustentação da demanda agregada.

“A reorganização das cadeias de produção globais, já impulsionada pela guerra na Ucrânia, deve se intensificar, com a busca por uma maior regionalização na cadeia de suprimentos. Na visão do comitê, esses desenvolvimentos podem ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas na produção global de bens.”

O documento acrescenta que a inflação ao consumidor segue elevada, “com alta disseminada entre vários componentes”, e que ela tem se mostrado “mais persistente que o antecipado”, mantendo, inclusive, a alta nos preços de serviços e de bens industriais. “Os recentes choques continuam levando a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustíveis.”
Petróleo e energia

O Copom lembra que as expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024, apuradas pela pesquisa Focus, encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente. Optou-se, então, por manter a premissa de que o preço do petróleo seguirá próximo à “curva futura pelos próximos seis meses”, terminando o ano em US$ 110/barril, passando então a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023.

“Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária amarela em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024. Neste cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024”, diz a ata.
Atividade doméstica

Sobre a recente revisão positiva de crescimento da atividade doméstica prevista para 2022, o Copom esclareceu que a melhora reflete ainda, majoritariamente, o processo de normalização da economia após a pandemia, tanto no maior consumo de serviços quanto na utilização do excesso de poupança observado em relação ao precedente histórico, bem como ao estímulo fiscal transitório efetuado no primeiro semestre do ano.

Segundo o comitê, a atividade doméstica deve desacelerar nos próximos trimestres, quando os impactos defasados da política monetária se fizerem mais presentes.

Globo Online - RJ   22/06/2022

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vê um enfraquecimento da atividade econômica nos próximos trimestres como resultado da alta nos juros e uma inflação mais elevada em 2023 por conta das medidas em discussão para reduzir o preço dos combustíveis. As constatações estão na ata da reunião do Copom divulgada nesta terça-feira.

CNI: País precisa dobrar investimento em infraestrutura, e concessões não são suficientesPetrobras: Lira pede que Bolsonaro aumente impostos e mude Lei das Estatais por medida provisóriaMinistro: Guedes cobra dívida e diz que BNDES deu rasteira no governo em evento de aniversário do bancoSubstituto do Bolsa Família: Em seis meses, fila de espera pelo Auxílio Brasil chega a 764,8 mil famílias

Na reunião que decidiu por um aumento de 12,75% para 13,25% na taxa básica de juros na semana passada, os membros do Copom ressaltaram que os indicadores de atividade econômica, como os números do mercado de trabalho e de consumo das famílias, contribuíram positivamente para a economia.

No entanto, riscos de desaceleração global estimulados pela alta de juros ao redor do mundo e a elevação da Selic no Brasil, que saiu de 2% para 13,25% em pouco mais de um ano, devem impactar negativamente o crescimento econômico.

“O Comitê avalia que a atividade deve desacelerar nos próximos trimestres quando os impactos defasados da política monetária se fizerem mais presentes”, aponta a ata.

Além disso, a avaliação do Copom é que os dados positivos de atividade econômica ainda refletem um processo de normalização da economia após a pandemia. Como exemplo, a ata menciona alta nos serviços, que foram bem impactados nos últimos dois anos, e a utilização da poupança que foi guardada durante o período.

Riscos fiscais

Como já havia feito no comunicado da última semana, o Copom voltou a mencionar que as medidas tributárias em discussão diminuem “sensivelmente” a inflação neste ano, mas devem aumentar, em menor magnitude, os preços em 2023.

Essas medidas tributárias fazem parte de um esforço do governo para diminuir os preços de combustíveis esse ano e incluem o teto do ICMS e a alíquota zero para alguns impostos federais sobre gasolina e etanol.

“O Comitê reforça que a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que sustentem a demanda agregada podem trazer um risco de alta para o cenário inflacionário e para as expectativas de inflação”, apontou.

Ainda de acordo com a ata, a conjuntura é "particularmente incerta e volátil" e requer serenidade na avaliação de riscos.

Depois da reunião do Copom, o Congresso passou a discutir com o governo uma elevação de cerca de R$ 50 bilhões de despesas fora do teto de gastos para tentar reduzir o preço dos combustíveis.

Juros mais altos

Na ata, o Copom ainda cita que a maior parte do efeito da alta nos juros ainda não impactou a economia. Esse movimento demora alguns meses para fazer algum efeito na economia real, um fenômeno conhecido como “defasagem da política monetária”.

“O Copom iniciou sua discussão com a avaliação do ciclo de ajuste empreendido até a presente reunião. Ressaltou-se que o ciclo de aperto monetário corrente foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”, diz o documento.

Em todas as reuniões do Copom, os membros avaliam o cenário econômico e constroem cenários de referência. Na reunião da última semana, esse cenário tinha juros em 13,25% ao final de 2022, 10% em 2023 e 7,5% em 2024.

Dessa maneira, a inflação ficaria em 8,8% este ano, 4% em 2023 e 2,7% em 2024. No entanto, a ata aponta que os juros deverão ser um pouco mais altos e deverão ficar em um patamar mais elevado por mais tempo para que a inflação de 4% em 2023 seja atingida.

“Dessa forma, a estratégia de convergência para o redor da meta exige uma taxa de juros mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência por todo o horizonte relevante”, aponta a ata.

Assim como já havia sinalizado no comunicado da semana passada, o Copom citou novamente que na próxima reunião deve fazer mais uma elevação de 0,5 ponto percentual (p.p) ou menos.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, diz.

O Estado de S.Paulo - SP   22/06/2022

Para conter uma inflação maior e mais persistente do que se previa, o aperto monetário, com dinheiro caro e crédito escasso, também deverá prolongar-se por mais tempo, segundo informa o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC). Com seu efeito contracionista, o arrocho deverá impactar a economia mais fortemente no segundo semestre, estima o comitê, e a partir daí a alta de preços deverá perder impulso. O objetivo é levar a inflação, projetada em 4% no próximo ano, para o centro da meta, fixado em 3,25% para 2023 e 3% em 2024. Essas informações aparecem na ata da última reunião do Copom, encerrada na quarta-feira da semana passada, quando a taxa básica de juros foi elevada de 11,75% para 13,25% ao ano. O texto só menciona o ano-calendário de 2023 quando se refere ao “horizonte relevante” da política monetária.

Em nova alta, prevista para o começo de agosto, a taxa básica deverá atingir 13,50% ou 13,75%, segundo indicação do Copom. Ao descrever as pressões inflacionárias externas e internas, a ata, divulgada nesta terça-feira, é bem mais sombria que a nota publicada logo depois da reunião, na quarta-feira anterior. O ambiente externo continuou em deterioração, com revisão para baixo do crescimento previsto para as grandes economias, políticas monetárias mais contracionistas e piora das condições financeiras. Internamente, o crescimento econômico tem superado as previsões, mas a inflação ao consumidor continua elevada e mais persistente do que se esperava. Contudo, os dados da atividade recente “ainda refletem, majoritariamente”, a normalização depois da pandemia e também “o estímulo fiscal transitório efetuado no primeiro semestre”. Houve, além disso, a utilização de parte da poupança acumulada pelas famílias na fase de maior restrição.

Esgotados esses efeitos, a atividade perderá impulso nos próximos trimestres, “quando os impactos defasados da política monetária se fizerem mais presentes”. Também está pressuposta, naturalmente, alguma contenção da alta de preços, como consequência da alta de juros.

A defasagem normal dos efeitos da política monetária explica parcialmente a forte alta de preços nos últimos meses. Mas a ata assinala também uma “deterioração tanto na dinâmica inflacionária de curto prazo quanto em suas projeções mais longas, ainda que o cenário esteja cercado de incerteza e volatilidade acima do usual”. Em outras palavras, o desajuste dos preços ainda se agravou, enquanto o Copom apertava sua política. Sobra da leitura, portanto, uma dúvida importante. Dada essa deterioração, será mesmo possível esperar um efeito positivo da política anti-inflacionária neste semestre?

Mesmo com algum efeito positivo do arrocho, pressões inflacionárias ainda serão provavelmente sensíveis em 2023. Quem estiver no Executivo quase certamente será forçado a enfrentar uma combinação tóxica de inflação intensa, juros altos, desemprego ainda elevado (apesar de alguma redução em 2022) e contas públicas contaminadas pelo jogo eleitoral deste ano.

O Estado de S.Paulo - SP   22/06/2022

A evolução do governo Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto tem guiado o rumo da política econômica nos últimos meses. O resultado do que vem sendo implementado (com a ajuda de um perverso consenso populista entre bolsonaristas e lulistas) no Congresso Nacional será um velho conhecido do brasileiro: deterioração nas contas públicas, aumento da percepção de risco, depreciação da moeda e maior taxa de juros para controlar a inflação. Isso tudo refletindo-se em menos crescimento do desemprego, mas na queda consistente no rendimento real da renda.

Observam-se atitudes bem incoerentes para um governo dito liberal e comprometido com a responsabilidade fiscal – de tentativas de intervenção na Petrobras à redução arbitrária da carga tributária sobre os combustíveis e energia elétrica, com a criação do teto do ICMS sobre estes produtos e serviços. Isso tudo temperado com um episódio de desespero do presidente, ao apelar aos proprietários de supermercado para que contribuam com o controle dos preços. Essa atitude nos faz lembrar as propostas de congelamento de preços da década de 1980. Só faltam entrar no palco os fiscais do Sarney.

Neste contexto, o Banco Central (BC) fica sozinho tentando controlar a inflação. Na decisão da semana passada, elevou a Selic em 50 bps, para 13,25%, sinalizando ao menos mais um ajuste pela frente. O Comitê de Política Monetária, da maneira técnica como tem de ser, aumentou o alerta sobre a situação fiscal ressaltando tanto o ponto de políticas fiscais que incentivam a demanda – enquanto a autoridade monetária trabalha para esfriá-la para controlar a inflação – como o fato de que as medidas tributárias ajudam a reduzir um pouco a inflação deste ano, mas a elevam no horizonte relevante da política monetária.

Ainda que, diferentemente do Banco Central norte-americano – claramente atrás da curva –, o BC brasileiro já esteja trabalhando no ajuste das condições monetárias há um bom tempo, o fato é que com essa maré contrária vinda do Executivo (com a chancela do Ministério da Economia) e do Congresso, a tarefa de controlar a inflação fica bem mais complicada. Ou seja, o BC terá de subir mais a Selic e mantê-la alta por mais tempo. Inclusive, na última decisão, poderia ter sido mais duro e ter aumentado os juros em 75 bps, para evidenciar, além do discurso, o custo do populismo econômico.

O risco diante das medidas eleitoreiras é a volta do populismo sistêmico, que por tantos anos mergulhou o Brasil numa inflação crônica, em processos de congelamento de preços e manipulação das contas públicas. Com a evidente fragilização do arcabouço fiscal – Lei de Responsabilidade Fiscal e do Teto de Gastos –, o cenário ficará ainda mais claro a partir de 2023, com juros mais altos, crescimento menor e crescente déficit fiscal.

A situação ficará ainda mais desafiadora para o Brasil pelo contexto global, marcado por forte desaceleração das principais economias mundiais diante do enfrentamento da inflação com juros muito mais altos. Nos EUA, o último índice CPI (inflação ao consumidor) divulgado ultrapassou 8,5% ao ano, o que promoveu a reação do Fed elevando a taxa básica em 75 bps, ratificando que o objetivo é levar a política monetária gradualmente para o território restritivo, para controlar a inflação ao custo de uma recessão em 2023 que, possivelmente, pode se prolongar para 2024.

Este, inclusive, foi o alerta recentemente emitido por Larry Summers, William Dudley e James Bullard. Eles argumentam que, para o controle da inflação provocada pelo superaquecimento da economia e reforçada pelos choques de oferta, torna-se praticamente inevitável a recessão. Uma forte evidência do superaquecimento está no mercado de trabalho americano, com a demanda por profissionais excedendo em muito a oferta, tendo como consequência os salários em elevação.

Este contexto torna muito provável uma estagflação mundial. O surto inflacionário global causado pelos substanciais estímulos, inclusive monetários, promovidos pelos bancos centrais por meio de taxas de juros reais negativas, com o objetivo de superar a recessão gerada pela pandemia, que atingiu fortemente a oferta mundial de bens e serviços, precisa agora ser enfrentado. Já foram anunciados planos de tapering (redução da liquidez) gradual por diversos bancos centrais. Este processo de enxugamento pode provocar mais turbulências, como, por exemplo, o contínuo crescimento do custo para financiar o elevado nível de endividamento de países como Itália e Espanha, aumentando o risco de uma crise da dívida soberana europeia. A guerra na Ucrânia complica ainda mais a situação, aumentando a pressão sobre os preços das commodities e gerando uma grave sensação de instabilidade política e econômica mundial.

Em suma: teremos tempos difíceis pela frente, e o enfrentamento precisa ocorrer com serenidade, políticas econômicas responsáveis e continuidade de reformas estruturais. Diante do cenário eleitoral que se apresenta, o Brasil carece de uma força política alternativa que resgate o protagonismo do Executivo na condução das agendas junto do Legislativo e apresente um plano econômico e estratégico semelhante a um Plano Real II elaborado por uma equipe que tenha credibilidade comprovada perante a sociedade.

Exame - SP   22/06/2022

É possível, e ainda bastante possível, que o Brasil tenha de conviver com uma taxa de juros elevada por um tempo maior do que o esperado hoje pelo mercado. “A incerteza ainda é muito alta”, avalia Mansueto Almeida, sócio do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) e ex-secretário do Tesouro Nacional. Na última reunião do Comitê de Política Monetária, o Banco Central elevou a Selic para 13,25% ao ano.

Na ata do encontro, divulgada na manhã de hoje (21), o BC surpreendeu. Decidiu antecipar as previsões de inflação e juros para 2024. Normalmente, as perspectivas para dois anos à frente começam a ser sinalizadas somente com o avançar do segundo semestre. A mensagem que sobrou é que a Selic vai ficar alta pelo tempo “suficientemente necessário” para que a inflação possa convergir para a meta, de 3% ao ano.

Pelas previsões do Copom, a inflação ficaria em 8,8% neste ano, 4% em 2023 (ainda acima da meta) e então cairia para 2,7% em 2024. Mansueto está mais cautelo com as expectativas do que o mercado, em geral. E o motivo é o cenário de emprego.

Ele explicou há pouco, durante sua participação no Global Managers Conference, evento organizado pelo BTG Pactual, que novas quedas na taxa de desemprego poderiam criar uma espiral de inflação de salários. “No Brasil, a chamada taxa natural de desemprego — aquela que não causa impacto na inflação — é muito alta, em torno de 8% e 8,5%. E nós já estamos muito próximos disso”, disse, lembrando que na última divulgação, a taxa mensalizada já estava em 9,5%, a menor desde 2016. Mais emprego, mais renda, mais consumo. Essa é a lógica. E é dela que advêm as conclusões do sócio do BTG Pactual.

“Eu não sei se a taxa de juros vai terminar 2023 em 10%, como o mercado espera, ou em 12%. Vai depender do cenário de inflação, e isso só vai começar a ficar mais claro no segundo semestre. O Brasil tem uma economia muito indexada.” A expectativa dele é que na próxima reunião, a taxa ainda aumente 0,5 ponto percentual, para 13,75%, o que marcaria o fim desse ciclo de aumento.

Mas a combinação dos indicadores leva o especialista em macroeconomia a acreditar que somente no terceiro trimestre de 2023 — e não no segundo trimestre, como muitos acreditam — é que a Selic pode começar a cair e "muito gradualmente."

“Nos últimos tempos, todo mundo que tentou prever errou. A inflação tem sido muito mais persistente, não só no Brasil, do que se previa.” O ambiente de incerteza e riscos ainda predomina, em especial sobre as cadeias de abastecimento global, devido principalmente à política de covid zero da China e à desorganização da produção ainda devido à pandemia.

Na visão de Mansueto, o Banco Central melhorou sua comunicação, com essa última ata do Copom, o que é muito positivo. Por isso, apesar das indicações de que a taxa de juros possa terminar o ano que vem em 10% e, 2024, em 7,5%, a instituição está correta ao falar em Selic elevada pelo tempo necessário, pois deixa o BC livre de amarras, podendo inclusive promover novos aumentos mais à frente, se necessário.

Mesmo assim, o Brasil já está pagando — e vai continuar — um preço bastante salgado para controlar a inflação. “Nesse ano, o PIB deve crescer entre 1% e 1,5%, mas no ano que vem há risco grande de retração da atividade.”

Com tudo isso, o país ainda está à frente do restante do mundo na luta contra o dragão. Enquanto aqui, a inflação já deu sinais de que está recuando, lá fora continua subindo. A fé dos mercados, para se manter ligeiramente otimista, é que por começar antes o ciclo de alta na taxa de juros, o Brasil também poderá ser pioneiro nos cortes — quando chegar o momento.

CNN Brasil - SP   22/06/2022

Se em 2021 os Estados Unidos apresentaram o maior crescimento percentual do Produto Interno Bruto (PIB) desde 1984, de 5,7%, agora o mercado tem piorado cada vez mais as perspectivas para o país em 2023, fazendo uma palavra temida voltar às discussões: recessão.

Instituições financeiras respeitadas no mercado, como o Goldman Sachs, o Citigroup e o Bank of America, aumentaram recentemente a chance de que a maior economia do mundo registre uma contração no ano que vem. Em geral, as probabilidades apontadas por essas instituições variam entre 30% e 40%.

Exatamente pelo seu tamanho, uma contração da economia norte-americana teria um efeito em cadeia no mundo, o que significa que o Brasil não escaparia ileso. A crise global de 2008, por exemplo, começou nos Estados Unidos antes de se disseminar, assim como a de 1929.

Isso não significa, porém, que todos os países seriam atingidos na mesma intensidade. No caso do Brasil, especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que algumas características econômicas podem limitar os danos, mas os estragos dependerão de fatores externos e internos ainda incertos.
Cenário nos EUA

Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs para a América Latina, aponta que a instituição subiu recentemente a porcentagem para a chance de a economia dos Estados Unidos entrar em recessão em 2023 ou 2024, e agora é de 48%.

Segundo ele, o aumento ocorreu devido à alta significativa das restrições das condições financeiras do país devido ao ciclo de alta de juros do Federal Reserve iniciado em março de 2022.

O movimento mais recente foi uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros, a maior desde 1994, deixando em aberto a possibilidade de realizar outra elevação nessa magnitude. Com isso, o mercado passou a projetar uma desaceleração econômica ainda maior, o que gerou os temores de uma recessão.

“O Fed está tentando caminhar em uma via estreita, de trazer inflação para baixo e reequilibrar um mercado de trabalho muito aquecido. É uma calibragem fina, e nem sempre dá para fazer sem levar a uma recessão no curto prazo”, avalia.

Ramos ressalta que, analisando dados históricos, não houve uma situação em que a taxa de desemprego de um país aumentou mais de três percentuais sem levar o país a uma recessão. Por isso, a tentativa dos Estados Unidos de ter uma “aterrissagem suave” é difícil.

André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, destaca que, até o momento, a mediana de projeções do mercado ainda não apontam uma recessão, mas o cenário pode “mudar rapidamente pela expectativa de aperto monetário mais agudo”.

“A leitura agora é que, para controlar a inflação, que foge da política monetária, precisa de aperto maior, e aí desacelera mais a economia”, diz.

O desafio do banco central, na visão dele, é conciliar uma desaceleração econômica, que conteria o nível mais alto de inflação em 40 anos, com uma geração de desemprego que prejudicaria a economia. A tendência no mercado tem sido apostar que a autarquia falhará.

Já Livio Ribeiro, pesquisador do Ibre-FGV, afirma que há uma necessidade de que o crescimento nos Estados Unidos desacelere para um nível inferior ao que poderia, mas isso não significa que ela precisa entrar em recessão também.

“A probabilidade hoje de ocorrer é baixo. O ponto é que pode ter um cenário com desaceleração pontualmente mais pronunciada, o que já seria perigosa”, diz.

O cenário norte-americano é ainda pior na visão de Ribeiro porque, ao mesmo tempo em que o país realiza uma restrição monetária via juros, também está cortando um impulso fiscal realizado durante a pandemia e um “aperto quantitativo”, termo que resume a redução do seu balanço.

Combinando isso, o movimento tende a ampliar a potência dos danos às condições financeiras. É uma dúvida, pode não levar a uma recessão, mas a calibragem demanda cuidado, está puxando muitos freios ao mesmo tempo
Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV IBRE Efeitos no Brasil

Para Ribeiro, antes de discutir o efeito de uma possível recessão, é importante lembrar que a própria desaceleração da economia dos Estados Unidos e o aperto de condições financeiras já afetaria os países emergentes, incluindo o Brasil.

“O problema é que levaria a uma alta de juros a nível global. Por si, torna o cenário mais desafiador, e com a inflação dando sinais de manutenção, e não desaceleração, fica ainda pior. É um tom de estagflação, com confluência de redução de crescimento e inflação”, diz.

Além disso, haveria uma elevação da incerteza global, o que impactaria ativos de países emergentes com uma retirada de investimentos.

O pesquisador avalia que o “timing” de uma possível crise econômica nos Estados Unidos é infeliz devido aos próprios desafios domésticos brasileiros, em especial com a eleição presidencial neste ano. “O próximo governo vai ter desafios importantes na seara doméstica. O cenário internacional ruim piora ainda mais”.

Entre os problemas trazidos por uma recessão, ele cita uma redução no comércio, exportação para os Estados Unidos e outros países e, principalmente, uma queda nos preços das commodities pela redução de demanda.

Ele destaca que o Brasil não costuma “descolar do ciclo global”. Ou seja, se o cenário piorar lá fora, tender a piorar internamente.

Na FGV, a previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 já seja ruim devido ao cenário de restrição monetária, mas ele opina que não é possível ligar diretamente uma recessão nos Estados Unidos com uma no Brasil, apesar de o risco aumentar.

Ramos, do Goldman Sachs, também afirma que o impacto para o Brasil seria negativo. Mesmo assim, ele avalia que o desempenho da economia brasileira no próximo ano dependerá muito mais de fatores domésticos, como o resultado das eleições, que externos.

Para ele, a recessão nos Estados Unidos levaria a uma tendência de fortalecimento do dólar, mas a projeção de que a taxa Selic continuará acima dos dois dígitos em 2023 reduziria esse espaço de valorização.

“O Copom provavelmente precisará manter uma política mais restritiva por mais tempo, e talvez exija cortes no Orçamento. Poderia cortar juros no segundo semestre, mas fica mais difícil com uma recessão”, afirma.

Segundo Perfeito, o principal impacto da recessão seria pela balança comercial, com redução de exportação para o país. Entretanto, a resiliência da balança em meio aos lockdowns recentes na China, um parceiro mais importante, indica que os efeitos podem ser menores.

“O que talvez seja ruim é que a recessão seria antecipada, não vão deixar a inflação gerar recessão, vão antecipar para controlar via alta de juros, e essa alta pode gerar efeitos piores para o Brasil”, avalia.

Ele cita consequências como uma redução de investimentos e, caso a política monetária for eficaz, controle de preços de commodities. Nesse sentido, os elementos que levariam à recessão nos Estados Unidos prejudicariam o Brasil mais que a recessão em si.

“A recessão pode prejudicar recuperação, crescimento, mas estamos adiantados nesse processo de alta de juros, e devemos cortar antes. Para 2023, precisa ponderar como seria o governo, entender o que vai fazer na parte fiscal. Pode gastar mais em um primeiro momento e ajudar PIB no curto prazo, ou podem não gastar, cortar e aí prejudicar o PIB”, pondera.
China e Estados Unidos

Perfeito afirma que, apesar da recessão dos Estados Unidos gerar preocupação, o impacto seria bem menor do que se o problema fosse na China.

“A nossa economia interage menos com a dos Estados Unidos, não é mais o maior parceiro comercial, e nossos juros estão em patamar confortável, com níveis de reservas bons, tudo isso cria uma perspectiva mais de blindagem, mas tudo vai depender do resultado das eleições”, diz.

Livio Ribeiro, do Ibre, avalia que crises na China e nos Estados Unidos teriam efeitos distintos. No caso chinês, o impacto maior seria pela queda dos preços de commodities, redução de balanço e valorização do dólar.

“O problema nos Estados Unidos é mais que cria um ambiente global muito pior, então é menos direta, mas cria um pano de fundo que torna os desafios maiores”, afirma.

Para o economista do Goldman Sachs, a desaceleração nos Estados Unidos impactaria mais países com fluxo de comércio mais intenso, como México e Colômbia, do que o Brasil, que é mais próximo da China.

Ele pontua, porém, que “o que exportamos para a China são commodities, e se não vende, pode vender em outros mercados, o local em si não importa, mas sim o preço. A China desacelerando impacta Brasil não necessariamente por perder mercado, mas sim por reduzir preços de commodities”.

Já no caso dos Estados Unidos, é mais difícil achar outros mercados para exportar os produtos brasileiros mais comprados e, portanto, os danos poderiam ser maiores.

“Tudo isso é questão de grau. Quanto mais profunda for a recessão nos Estados Unidos, pior, e poderia compensar qualquer desaceleração suave na China”, diz.

MINERAÇÃO

Globo Online - RJ   22/06/2022

Em audiência de conciliação nesta terça-feira, a Samarco e seus credores concordaram com a proposta do juiz Adilon Cláver de Resende de iniciar um processo de mediação na Justiça, disse a empresa. As duas partes interessadas terão de apresentar um cronograma de trabalho e regras de governança da mediação a definir até 4 de julho.

Consultoria: CSN estuda comprar mineradora Samarco, que entrou em recuperação judicial após tragédia de MarianaBondades: Auxílio de R$ 400 para caminhoneiros e aumento do vale-gás ganham força entre governo e CongressoANP: Diesel sobe pela terceira semana seguida nos postos

A Samarco ficou impossibilitada de pagar suas dívidas após o rompimento de barragem de resíduos em 2015, que matou 19 pessoas e quase destruiu duas vilas em Mariana, Minas Gerais.

A empresa interrompeu a produção e demorou até dezembro de 2020 antes de poder reiniciar parcialmente as operações. Ela listou cerca de R$ 50 bilhões em dívidas inadimplentes em seu pedido de recuperação judicial de abril de 2021.

Troca-troca: "É tentar culpar a empresa pelos aumentos de preço", avalia professora da FGV

A mediação será conduzida pela Cejusc Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, determinou o juiz Cláver de Resende.

Money Times - SP   22/06/2022

A mineradora Vale (VALE3) pretende encerrar o ano com 12 de suas 30 barragens a montante eliminadas, o que representará investimento de 400 milhões de dólares só em 2022 em obras de descaracterizaçao das estruturas, disse a empresa à Reuters.

O programa de eliminação das barragens, iniciado há quatro anos, já custou 857 milhões de dólares, dos 4 bilhões projetados pela empresa até 2035, uma vez que busca acabar com as estruturas existentes antes de desastres como os de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais.

O rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, resultou em uma onda de rejeitos de mineração que atingiu a região e deixou 270 mortos.

Até agora, sete estruturas foram eliminadas, sendo quatro em Minas Gerais e três no Pará.

Até o final do ano, outras cinco em Minas Gerais serão descaracterizadas: o Dique Auxiliar da Barragem 5, na Mina Águas Claras, em Nova Lima; os Diques 3 e 4, da barragem Pontal; a barragem Ipoema, em Itabira; e a Barragem Baixo João Pereira, em Congonhas.

Segundo a Vale, as 12 barragens que terão sido descaracterizadas até dezembro representam um volume total de 46,9 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Os processos envolvem os órgãos ambientais estaduais, além da Agência Nacional e Mineração (ANM) e os Ministérios Públicos estaduais, com suas respectivas auditorias.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   22/06/2022

Montadora queria utilizar créditos fiscais de R$ 13 bilhões, mas União contestou

Benedito Gonçalves: benefício fiscal foi sendo aperfeiçoado ao longo dos anos — Foto: Divulgação

A Fiat Chrysler venceu ontem, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma disputa envolvendo cerca de R$ 13 bilhões em créditos fiscais. Essa quantia foi obtida por meio de incentivos previstos em lei federal para empresas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A discussão era se a montadora poderia utilizá-la para pagar tributos devidos por qualquer uma de suas unidades no país ou somente pela localizada na região.

Esse caso foi julgado pelos ministros da 1ª Turma. Eles analisaram um recurso da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) que pedia para que a utilização dos créditos ficasse limitada à fábrica da Jeep instalada na cidade de Goiana (PE). Mais do que isso: tais créditos deveriam ser usados somente para pagar débitos de IPI, não de outros tributos federais.

A PGFN afirma, no processo, que a Fiat está utilizando a quantia para pagar tributos federais devidos pela matriz e três filiais localizadas em São Paulo e Minas Gerais. A alegação aos ministros era de que esse formato, além de alterar o benefício regional - ampliando para unidades do Sudeste -, gera impacto imediato nas contas da União.

“O que se discute aqui não são os valores. Mas a antecipação do aproveitamento desses créditos bilionários”, diz o procurador da Fazenda Nacional Gabriel Bahia. “Se ficasse restrito à fábrica de Pernambuco, a Fiat levaria mais tempo para utilizar todo o crédito. Não significa que ela perderia. A Receita Federal reconheceu o direito aos créditos e podem ser usados para sempre.”

As discussões, na 1ª Turma, se deram em torno da Lei nº 9.440, de 1997. Essa legislação foi criada para estimular investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Previu um crédito presumido de IPI para as empresas. Essa era uma forma de ressarcir as empresas em relação aos pagamentos de PIS e Cofins - que, naquela época, eram cobrados de forma cumulativa.

Para a PGFN, essa lei previu três benefícios diferentes que foram se sucedendo no tempo. A possibilidade de compensar os créditos com quaisquer tributos federais estaria restrita a apenas um deles: o benefício que consta no artigo 1º da lei.

O que a Fiat tem direito está previsto nos artigos 11-A e 11-B e, nesses casos, para a procuradoria, o contribuinte beneficiado só poderia fazer a compensação com o IPI devido pela própria unidade produtora. A PGFN sustenta que esses três benefícios têm características de concessão e prazos diferentes.

Os ministros da 1ª Turma, no entanto, entenderam tratar-se de um só benefício que foi sendo aperfeiçoado ao longo dos anos. Eles aplicaram ao caso o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe sobre restituição e compensação de tributos.

“O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utiliza-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições”, afirmou no voto o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves.

Não houve discussão na turma. Os demais ministros que participaram da sessão concordaram integralmente com o voto do relator (REsp nº 1804942). A Fiat já havia obtido decisão favorável sobre a compensação dos créditos na primeira instância e no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região.

Os R$ 13 bilhões que estão envolvidos nessa discussão são estimados pela Fazenda Nacional conforme apuração ao longo do prazo do benefício, que se estende por 60 meses.

Procurados pela reportagem, os advogados que representam a Fiat no caso informaram que a montadora prefere não se manifestar. A PGFN ainda poderá apresentar o recurso de embargos de declaração à própria turma julgadora para esclarecer eventual obscuridade, omissão ou contradição.

Valor - SP   22/06/2022

A chinesa Great Wall Motors planeja começar a montagem do primeiro modelo no Brasil em 2023

Ramos, chefe da área comercial da Great Wall Motors: “A tecnologia híbrida atende melhor o consumidor que por vezes depende de um único carro, tanto para uso no dia a dia como em viagens” — Foto: Silvia Zamboni/Valor

Os asiáticos saíram na frente nos planos de produzir carros híbridos movidos a etanol no Brasil. Primeiro, foram os japoneses, com a Toyota iniciando a venda de veículos com essa tecnologia em 2019. Nos últimos sete dias, duas marcas chinesas anunciaram a decisão de seguir o mesmo caminho: na semana passada foi a CAOA Chery e ontem, a recém-chegada Great Wall Motors.

Numa apresentação on-line, a direção da GWM, como a direção da empresa gosta de chamá-la, explicou detalhadamente como será sua tecnologia híbrida. O evento de ontem foi o primeiro reunindo jornalistas desde a cerimônia da “entrega das chaves”, no fim de janeiro, quando a chinesa oficializou a compra da fábrica que pertenceu à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP).

Segundo o chefe da área comercial da GWM, Oswaldo Ramos, a empresa está em contato com fornecedores para produzir carros híbridos movidos a etanol a partir de 2023. Enquanto a produção no Brasil é preparada, será lançado, até o fim deste ano, um híbrido importados da China, movido a gasolina - o utilitário médio Haval H6.

“Entendemos que a tecnologia híbrida atende melhor o consumidor que às vezes depende de um único carro, tanto para o uso no dia a dia como em viagens”, afirma Ramos. Segundo o executivo, não é intenção da marca entrar no segmento premium. Embora a montadora tenha anunciado planos de vender carros 100% elétricos no futuro, a estreia no Brasil será com híbridos, diz Ramos, porque o país ainda é carente de infraestrutura para veículos que dependem de carregamento de baterias.

No modelo híbrido, o funcionamento elétrico é combinado com um motor a combustão, sem necessidade de carregar o veículo em tomadas. Mas a GWM também oferecerá, na linha importada, os chamados híbridos “plug-in”, que permitem o carregamento também em tomada. O sistema oferece maior economia de combustível e redução no nível de emissões.

O detalhamento, ontem, da tecnologia híbrida testada na China há dois anos e que a GWM considera “uma experiência real de conduzir um veículo elétrico” ficou a cargo de executivos brasileiros com larga experiência no setor, contratados pelos chineses para dirigir as áreas de planejamento, de produto e comercial. A empresa promete um sistema híbrido no qual a motorização elétrica será “o personagem principal”, com até 200 quilômetros de autonomia no modo elétrico.

Na fase que antecede as vendas, a empresa prepara a nomeação de concessionárias. Segundo Ramos, serão 130 pontos de venda e de assistência técnica em todos os Estados. Além disso, segundo o executivo, em sua estreia no país, os carros da marca serão oferecidos também pelo sistema de assinatura. A ideia, afirma Ramos, é apresentar a marca também a “quem ainda tem receio em relação à assistência técnica, qualidade e valor de revenda”.

Para entrar no mercado brasileiro, a GWM anunciou investimento de R$ 4 bilhões até 2025 e mais R$ 6 bilhões até 2032. Os recursos serão usados para ampliar a fábrica e lançar dez modelos - todos eletrificados. Adquirida da Mercedes em 2021, a fábrica em Iracemápolis terá a capacidade elevada de 20 mil para 100 mil veículos por ano, o que indica que a GWM tem intenção de estar entre as grandes.

Os investimentos anunciados contemplam, ainda, a criação de um centro de pesquisa e um projeto para tornar o Brasil uma base de exportação.

A empresa anunciou a intenção de abrir 2 mil empregos diretos e calcula que o número de postos de trabalho indiretos, criados com a sua atividade no país, poderá alcançar 8 mil.

A Great Wall Motors é uma empresa chinesa de capital privado e aberta. Especializada em utilitários esportivos e picapes, é uma montadora bem menor do que as gigantes do setor. Mas aparece entre os 20 maiores fabricantes do mundo e sua expansão é acelerada, com avanço de mais de 15% nas vendas em 2021, quando a companhia obteve receita equivalente a US$ 21,5 bilhões, segundo relatório financeiro do grupo.

Rodoviário

Monitor Digital - RJ   22/06/2022

Estradas de alta velocidade que podem transportar mercadorias em locais distantes aumentam a produtividade, reduzem a pobreza e são um importante contribuinte para o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, informa o Fundo Monetário Internacional (FMI), que desenvolveu uma medida da qualidade das estradas em 162 países usando o Google Maps para determinar o tempo médio ou médio que leva para dirigir entre grandes cidades que estão a pelo menos 80 quilômetros de distância.

As estradas mais rápidas do mundo são encontradas em economias mais ricas, incluindo Estados Unidos, Portugal, Arábia Saudita e Canadá. As estradas mais lentas são encontradas nos países mais pobres. O Brasil não está nesse pior grupo, mas quase. Figura no mapa entre as nações do segundo bloco (de 4), com velocidades entre 61 e 75km/h. Os vizinhos Argentina e Chile aparecem na ponta, com estradas de 91-110km/h. China, Rússia, México e até a Venezuela ficam no grupo intermediário (76-90km/h).

A deterioração da infraestrutura brasileira só piorou nos últimos 7 anos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o investimento está abaixo da taxa de reposição – ou seja, não é suficiente sequer para manter o que já existe.

A aposta no investimento privado para suprir a falta do público mostrou-se um grande equívoco. De 2015 a 2021, os valores vindos de empresas privadas vem diminuindo, enquanto o do Estado desabou: no ano passado, foram R$ 42 bilhões do setor público em infraestrutura, praticamente a metade do valor de 2015 (R$ 83,5 bilhões). Um erro ideológico que provoca danos econômicos.

NAVAL

Portos e Mercados - SP   22/06/2022

Vibra Energia pretende entregar mais de 50 milhões de litros do insumo em 2022 utilizando modal em sua logística de distribuição. Distribuidora afretou navio da Flumar para operação, que realizou 7 viagens na rota entre Rio Grande (RS) e Suape (PE).

A Vibra Energia pretende elevar em até 20% as entregas do biocombustível por cabotagem para o Nordeste em 2022, ultrapassando 50 milhões de litros. A companhia avalia que a demanda por biodiesel nos estados da região está aquecida. No passado, o carregamento total de biodiesel por cabotagem foi da ordem de 47.000 m³ (47 milhões de litros). De acordo com a distribuidora de combustíveis e lubrificantes, essa operação permitiu R$ 17 milhões de economia para seu caixa no custo logístico. A operação de biodiesel por cabotagem teve início em 2019 com a primeira viagem teste de cabotagem de B100, o que contribuiu com novas entregas no ano seguinte.
Em 2021, a empresa afretou um navio para esta operação, que realizou 7 viagens na rota entre os portos de Rio Grande (RS) e Suape (PE). A Vibra informou à reportagem que, após prospecção no mercado, contratou a empresa Flumar Transportes, do Grupo Odfjell, para realizar as operações de cabotagem de biocombustíveis. A empresa estima que cada navio substitui, em média, o equivalente a 200 caminhões das estradas.
A aposta da Vibra levou em consideração custos competitivos quando comparados aos custos do modal rodoviário e a redução das emissões de CO2. A empresa ressaltou que buscar modais mais eficientes e ambientalmente mais amigáveis está em suas diretrizes. Outro fator que influenciou a escolha desse modal, segundo a empresa, está relacionado à manutenção da garantia da qualidade do produto ao longo de todo o processo de transporte entre os portos da costa brasileira.

PETROLÍFERO

Valor - SP   22/06/2022

Os preços dos contratos do Brent para agosto terminaram em alta de 0,45%, a US$ 114,65 o barril, enquanto os preços dos contratos do mesmo mês do WTI avançaram 0,65%, a US$ 109,52 o barril

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira (21), no segundo dia seguido de valorização após o forte prejuízo da última sexta-feira (17).

No fim da sessão, os preços dos contratos do Brent, a referência global, para agosto terminaram em alta de 0,45%, a US$ 114,65 o barril, na ICE, em Londres, enquanto os preços dos contratos do mesmo mês do WTI, a referência americana, fecharam o dia em alta de 0,65%, a US$ 109,52.

Na semana passada, os investidores chegaram a penalizar os contratos de petróleo por conta de temores de uma possível recessão, diante do aperto monetário dos bancos centrais.

De acordo com o analista Ed Moya, as perdas dos contratos de petróleo na semana passada foram exageradas, dada a perspectiva de maior demanda de petróleo no curto prazo nos Estados Unidos e China. “O mercado de petróleo permanece muito apertado no curto prazo e as expectativas crescentes sobre sanções mais duras com o petróleo russo devem manter a demanda especialmente forte”, acrescentou.

Valor - SP   22/06/2022

Disponibilidade de gás pode acabar com a dependência de importação de fertilizantes e outros produtos petroquímicos, aponta Firjan

Eduardo Eugênio: “O Rio tem posição especial, o gás está na costa, tem infraestrutura de transporte interessante” — Foto: Paula Johas/Divulgação

Ampliar a demanda de gás do Estado do Rio de Janeiro, por meio do consumo na indústria petroquímica, pode levar a investimentos de R$ 20 bilhões na construção de novos gasodutos e infraestruturas associadas, como unidades de processamento. A conclusão é de um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que apontou que o Rio tem potencial para acabar com a dependência brasileira de importação de alguns produtos petroquímicos, como fertilizantes, devido à alta disponibilidade de gás natural na costa, utilizado na produção desses insumos.

O investimento estimado considera a construção de pelo menos três gasodutos para viabilizar a chegada da produção de gás à costa fluminense, nas cidades de Macaé, Itaguaí e São João da Barra. Juntos, esses projetos podem ampliar a capacidade de escoamento do Estado em 48 milhões de metros cúbicos por dia (m3 /dia) adicionais e resultar na criação de 180 mil postos de trabalho.

A gerente de petróleo, gás e indústria naval da Firjan, Karine Fragoso, explica que a indústria petroquímica tem demanda firme de gás, que pode servir como âncora para a construção desses novos dutos. “É mais uma opção para o gás que temos em reserva, que está sendo produzido e reinjetado. Isso caracteriza uma demanda para esse gás que pode vir a ser escoado através dessas rotas existentes e também daquelas que poderão vir a existir”, diz.

O estudo mostra que o desenvolvimento da petroquímica fluminense levaria à produção anual de 2 milhões de toneladas de metanol e 5,3 milhões de toneladas de ureia, além de 725 mil toneladas de eteno e um volume similar de propeno. Os volumes são suficientes para atender à demanda nacional. Hoje, o Brasil é dependente da importação desses produtos, muito usados no agronegócio.

“É preciso haver um olhar estratégico, que os atores econômicos privados entendam essa oportunidade. O Rio tem posição especial, o gás está na costa, tem infraestrutura de transporte interessante, com portos, para escoar esses produtos. Se o Rio se unir à malha ferroviária nacional, se torna ponto de exportação de grãos e pode levar ao campo os fertilizantes produzidos aqui”, diz o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.

O executivo lembra que a aprovação do novo marco legal do gás natural foi importante para garantir o acesso à infraestrutura pelas empresas do setor. Ele ressalta, entretanto, que é importante haver estabilidade para atrair os investimentos nessa indústria.

O Rio de Janeiro é o maior produtor de gás natural do país. Em abril, foram extraídos 96,6 milhões de m3 /dia no Estado, segundo os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Boa parte desse volume é reinjetada nos próprios reservatórios para aumentar a produção de petróleo e não chega ao mercado.

O Estado tem um grande gasoduto em operação, o Rota 2, que liga o pré-sal da bacia de Santos a Macaé. Um novo projeto vai entrar em operação este ano, o Rota 3, que vai conectar o pré-sal ao Polo Gaslub em Itaboraí. Juntos, esses projetos conseguem escoar até 38 milhões de m3 /dia.

O gerente de projetos de petróleo, gás e naval da Firjan, Thiago Valejo, aponta que novos projetos petroquímicos já podem surgir no Estado mesmo sem gasodutos adicionais. Ele lembra que no Porto do Açu, em São João da Barra, há disponibilidade de gás natural liquefeito (GNL). “Há potencial de agregar maior volume de gás para o Estado, mas isso não significa que o gás que já temos não pode ser utilizado para investimentos em petroquímica.”

Fragoso afirma que, apesar da abertura do mercado, a Petrobras ainda é a principal produtora de gás no país, mas que, com outros supridores, novos tipos de contratos podem surgir.

“É fundamental que a Petrobras esteja nesse jogo, também buscando essas demandas firmes. A possibilidade de ter um mercado mais dinâmico é que vai trazer competição e pode de fato construir um mercado competitivo. Isso vai possibilitar ao investidor ter a segurança necessária para fazer o investimento”, afirma.

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