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20 de Junho de 2022

SIDERURGIA

Valor - SP   20/06/2022

Conforme relatório da publicação especializada SteelBenchamarker, o valor de exportação do produto siderúrgico caiu 11,4% na média mundial, 13,3% na Europa Ocidental, 10,2% nos Estados Unidos e 0,5% na China

Os preços do aço estão desabando em junho no mercado internacional em consequência dos temores de uma forte recessão econômica nos Estados Unidos, a qual poderá se alastrar por outras partes do mundo. Os mercados financeiros, desde quinta-feira (16), estão enfrentando forte baixa com esse cenário.

A tonelada da bobina de aço a quente (BQ), material de referência nas negociações para o mercado, sofre uma queda acima de US$ 100 no mercado americano e em outros relevantes — Europa Ocidental e China.

Conforme relatório da publicação especializada SteelBenchamarker, o valor de exportação do produto siderúrgico caiu 11,4% na média mundial, 13,3% na Europa Ocidental, 10,2% nos Estados Unidos e 0,5% na China.

O preço da bobina a quente registrado nos EUA na segunda-feira (13), teve o terceiro recuo neste mês, para US$ 1.375 a tonelada, na usina siderúrgica; são US$ 156 a menos do que o valor de duas semanas anteriores.

O material continuou também em espiral descendente na Europa Ocidental, pela quinta vez, com baixa de US$ 150 por tonelada (122 euros), negociado a US$ 975 por tonelada.

A média da exportação mundial da BQ caiu ainda mais, para US$ 778 a tonelada, colocada no porto para embarque. É o quarto recuo, depois de atingir recorde em maio, com US$ 100 de baixa.

Na China, o preço da BQ foi negociado a US$ 616 por tonelada pela quarta vez, US$ 3 a menos por tonelada ante duas semanas atrás.

No Brasil, segundo uma fonte do setor, as usinas começaram a praticar cortes (descontos) de metade do reajuste de 20% aplicado em abril para todos os tipos de aços planos.

Brasil Mining - SP   20/06/2022

A GK Ventures, gestora fundada por Eduardo Mufarej, e os investidores Daniel Goldberg, ex-Farallon, e Marco Kheirallah, ex-BTG Pactual, se uniram para apostar em soluções que geram negócios a partir de resíduos de siderurgia e mineração.

O trio está fazendo um aporte de R$ 30 milhões para ficar com 36,7% da holding Negócios Verdes, criada no ano passado e que controla duas empresas, a Rolth do Brasil e a Sulminas.

Enquanto a Rolth consegue dar uma destinação integral e rentável à escória das siderúrgicas, a Sulminas reaproveita os resíduos da produção de pedras ornamentais em São Tomé das Letras (MG), diz Thomaz Pacheco, sócio da GK Ventures e responsável pelos investimentos dentro do tema de mudanças climáticas.

Segundo Pacheco, as soluções oferecidas pela Negócios Verdes são “aterro zero”, sem uso de água, com baixo consumo de energia e, principalmente, geram receita enquanto resolvem um problema ambiental da mineração e da siderurgia.

Valor - SP   20/06/2022

A Graphene iniciou produção industrial da tinta C-Fix

Corrêa, diretor-executivo da Gerdau Graphene: plano de lançar 5 produtos neste ano. “A C-Fix é a primeira tinta imobiliária do mundo, à base de água, com grafeno” — Foto: Divulgação

Siderúrgico na essência, o grupo Gerdau está chegando ao mercado com materiais industriais à base de grafeno. A empresa controlada Gerdau Graphene, criada há um ano, já está produzindo comercialmente aditivos à base de água que contém grafeno para tintas imobiliárias. É o primeiro produto de uma família voltada para diversas aplicações - plásticos, borrachas, cimentício (concreto e argamassas), lubrificantes, além de tintas.

A empresa foi formada, após anos de pesquisas para desenvolver aplicações do grafeno na Universidade de Manchester, Inglaterra. Faz parte da estratégia do grupo de lançar negócios adjacentes ao aço. A nova área ficou sob o guarda-chuva da Gerdau Next, inicialmente uma vice-presidência responsável por novos negócios que será uma divisão.

Alexandre Corrêa, diretor-executivo da Gerdau Graphene, disse ao Valor que a empresa leva ao mercado um produto inédito no mundo - um aditivo químico com grafeno embarcado - e ao mesmo tempo, uma tinta própria, a C-Fix. “E a primeira tinta imobiliária do mundo, à base de água, que utiliza grafeno em escala comercial”, diz o executivo.

Corrêa informa que o produto é fruto da parceria com a fabricante de tintas Grafftex e com a Polystell, empresa de São Bernardo do Campo (SP) que faz pesquisa e desenvolvimento de aditivos químicos. Entre as aplicações, diz que a C-Fix pode ser utilizada em pisos de concreto, cimento, asfalto e metais, em áreas de tráfego leve, em quadras esportivas, escadarias, áreas de lazer, pisos comerciais, entre outras.

Descoberto em 2004, o grafeno é uma das formas cristalinas do carbono, oriundo do mineral grafite. Segundo informação da Graphene, “tornou-se o maior condutor elétrico, um dos melhores condutores térmicos e um dos materiais mais resistentes”. O grafeno também está sendo utilizado em pesquisas para compor parte de baterias para carros elétricos.

Corrêa diz que o mercado de tintas tem grande potencial para utilização de aditivos com grafeno. Segundo informa, no Brasil, no ano passado, as vendas de tintas somaram R$ 25,7 bilhões, representando 1,9 bilhão de litros. Desse valor, R$ 14 bilhões foram das imobiliárias (1,5 bilhão de litros).

A Graphene informa que a C-Fix e suas tintas de piso foram utilizadas pela primeira vez na pintura de parte da usina de aços especiais da Gerdau em Pindamonhangaba (SP) e o objetivo é usar em todas as fábricas de aço ao longo do ano. “É uma tinta mais resistente à abrasão e forma uma barreira a umidade”, diz Corrêa.

Segundo o executivo, a C-Fix já está sendo vendida para clientes estratégicos da Gerdau no setor da construção civil e industrial. A Graphene já trabalha com uma segunda linha de aditivos voltada para tintas anticorrosivas, reduzindo zinco, para aplicações industriais. Plano é chegar ao mercado em 2023. A linha automotiva, por ter formulação complexa, virá depois.

O foco da empresa são os aditivos químicos, minerais e master batches (este último de uso em resinas plásticas PE e PP na fabricação de embalagens) com grafeno. Para este ano, prevê lançar novos aditivos e seus primeiros master batches. Começou também a se preparar para os aditivos minerais (usados na indústria cimentícia), montando uma unidade fabril em Ouro Branco (MG), ao lado da siderúrgica da Gerdau.

Já há plano de começar a exportar aditivos para América do Sul, cujo mercado movimenta US$ 8 bilhões ao ano. O passo seguinte será o enorme mercado dos EUA.

A empresa, atualmente, tem sede em São Paulo, filial em Tampa, nos Estados Unidos, um posto no Centro de Inovação de Manchester, a compartilhação de um centro de aplicação no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, que recebeu aporte de R$ 7 milhões junto com Finep e o IPT) e laboratórios próprios em Mogi das Cruzes (SP).

Até o final do ano, a empresa prevê dobrar o número atual de 30 funcionários e no início de 2023 mudar-se para o prédio 41, alugado, do IPT, que está sendo reformado, ficando ao lado de laboratórios que desenvolvem as aplicações.

O grafeno, segundo Corrêa, é importado de vários fabricantes do Canadá, Inglaterra, Austrália e EUA. A Graphene, diz, comprou 42 toneladas nos últimos meses. “Vamos ter cinco produtos até o final do ano”, afirma o executivo.

A Gerdau Next já reúne hoje, além da Graphene, as empresas G2Base (obras de base em edifícios), Juntos Somos + (parceria para e-commerce de materiais de construção), Brasil ao Cubo (construtech), G2L (logística digital) e Parque Solar Aquarela (de energia renovável, com a Shell).

Gerdau

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Quase 50 países aumentaram as taxas de juros nos últimos seis meses, enquanto bancos centrais nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Índia e em outras nações aumentam os custos de empréstimos na mais rápida tentativa de conter a inflação em décadas.

Na quarta-feira, o Federal Reserve elevou sua taxa de juros básica – é o terceiro aumento este ano e o maior desde 1994. Poucas horas após a declaração do Fed, Brasil, Arábia Saudita e outros países anunciaram mudanças nas taxas de juros. A Suíça e o Reino Unido seguiram o exemplo na manhã de quinta. Até agora, em 2022, pelo menos 45 países elevaram as taxas de juros, mostram dados da FactSet, e há mais mudanças a caminho.

Taxas mais altas são ferramentas poderosas para combater o aumento dos preços: tornam mais caro o empréstimo de dinheiro, o que pesa na demanda do consumidor e na expansão de negócios, por sua vez, acalmando o crescimento econômico e desacelerando as contratações. Isso pode se traduzir em um crescimento salarial mais fraco para as famílias e menor poder de precificação para as empresas, finalmente reduzindo a inflação.

Trata-se de um exercício de equilíbrio delicado, que coloca pressão sobre os formuladores de políticas para controlar a economia sem fazer o crescimento cair. Economistas e investidores veem isso como um desafio cada vez mais pavoroso. À medida que o Banco Mundial e outras instituições divulgam previsões desanimadoras, crescem as preocupações com uma iminente recessão.

“As persistentes pressões inflacionárias e a deterioração das expectativas estão obrigando os bancos centrais a se tornarem mais agressivos”, escreveram economistas do Barclays na semana passada. “Conforme as condições financeiras pioram e o sentimento cai, a economia real pode seguir.”

TENDÊNCIA

O Fed está preparado para continuar aumentando as taxas este ano, provavelmente em um ritmo rápido. O Banco Central Europeu sinalizou que aumentará as taxas de juros em julho pela primeira vez em 11 anos, e os investidores acreditam cada vez mais que o banco agirá rapidamente enquanto tenta desacelerar a economia. O Bank of Canada talvez também anuncie um grande aumento no próximo mês, depois de já ter aumentado as taxas de juros há duas semanas. Mudanças semelhantes foram anunciadas por muitas das maiores economias do mundo.

Um ponto fora da curva é a Rússia. Seu banco central elevou as taxas de juros acima de 20% logo após o país invadir a Ucrânia. Nos meses seguintes, a Rússia fez quatro reduções para levar as taxas ao que eram antes de o conflito começar – ainda que o curso da economia permaneça incerto.

O desfile de altas de juros pelo mundo é um grande abandono da estratégia política após a crise financeira, quando os banqueiros centrais frequentemente realizavam aumentos aos trancos e barrancos – quando era possível.

Antes da pandemia, os economistas pensavam que o mundo poderia estar preso em uma armadilha de baixa taxa de juros, baixa inflação e crescimento lento – e muitas das economias do mundo começaram a empurrar as taxas para baixo.

Mas após o início da pandemia, os pacotes de estímulo do governo americano destinados a amortecer as consequências econômicas da crise sanitária acabaram despertando a demanda. As cadeias de suprimentos foram abaladas por paralisações de fábricas, problemas de transporte de mercadorias e escassez de mão de obra. Combinadas, essas forças ressuscitaram as pressões de preços há muito adormecidas.

Os preços ao consumidor americano subiram novamente segundo um relatório da semana passada. A guerra na Ucrânia pode continuar a aumentar os preços das commodities, enquanto os esforços para conter a covid-19 na China e as greves de trabalhadores na Coreia do Sul ameaçam prejudicar ainda mais a fabricação de peças.

“A guerra na Ucrânia, os lockdowns na China, os transtornos na cadeia de suprimentos e o risco de estagflação estão atingindo com força o crescimento”, disse David Malpass, presidente do Banco Mundial, em um relatório este mês. “Para muitos países, será difícil evitar a recessão.”

Agência Brasil - DF   20/06/2022

O governo brasileiro tem US$ 1,3 bilhão para investir em projetos sustentáveis na área de infraestrutura. O valor faz parte de um acordo firmado entre o Ministério da Infraestrutura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID, durante o Fórum Brasil de Investimentos, que ocorreu nesta semana em São Paulo.

A informação foi confirmada pelo ministro da pasta, Marcelo Sampaio, que participa neste domingo do programa Brasil em Pauta. “O acordo com o BID, ele visa então essa estruturação dessa agenda buscando a redução da emissão de gases de efeito estufa, o CO2, equilibrar esta matriz de transporte, e é uma doação que o BID está fazendo para nós em torno de US$ 1,3 bilhão”.

Durante o encontro de dois dias, organizado pelo BID em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o governo brasileiro buscou atrair mais investimentos para o país, por meio de reuniões de alto nível com investidores de outros países.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, o Brasil recebeu no ano passado US$ 50,367 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, aqueles que vão diretamente para a atividade produtiva.

Marcelo Sampaio adiantou que em encontros com delegações da Suíça e do Canadá, o tema também esteve na mesa de negociações. “É uma pauta que nós estamos, especialmente na área de infraestrutura, levando com muito afinco em nossos projetos. Nossos projetos hoje estão todos elegíveis para receber investimento verde”.

Entrada do Brasil na OCDE

O ministro da Infraestrutura também falou sobre o processo de adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Sampaio defendeu que a adesão vai trazer um selo de qualidade, confirmando a melhoria do ambiente de negócios do país.

Sampaio lembrou que muitos investimentos ao redor do mundo só podem ser direcionados para países que fazem parte da OCDE. “No final do ano passado eu estive em Portugal e fomos ter uma reunião com a Brisa, que é a concessionária que opera boa parte das concessões rodoviárias de Portugal. Eles querem operar no Brasil, com um apetite enorme de entrar no Brasil, mas, infelizmente, eles falaram: a gente só pode entrar em países que são membros da OCDE.”

A OCDE foi criada em 1961. Com sede em Paris, na França, tem 38 países membros, entre ricos e em desenvolvimento, que buscam harmonizar suas legislações em prol de um crescimento econômico sustentável.

O Brasil em Pauta com o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, vai ao ar neste domingo, 19 de junho, às 22h30, na TV Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Economistas do Bank of America Securities veem cerca de 40% de chance de uma recessão nos Estados Unidos no ano que vem, com a inflação permanecendo persistentemente alta.

Eles esperam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA diminua para quase zero até o segundo semestre do próximo ano “à medida que o impacto defasado das condições financeiras mais apertadas esfria a economia“, enquanto eles veem apenas uma recuperação “modesta” no crescimento em 2024, de acordo com um relatório de pesquisa desta sexta-feira.

“Nossos piores temores em torno do Fed foram confirmados: eles ficaram muito atrás da curva e agora estão jogando um jogo perigoso de compensação”, escreveu Ethan Harris, economista global do BofAS, acrescentando que a empresa espera que o Fed aumente os juros para “acima de 4%”.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Com a inflação medida pelo CPI ultrapassando 8% ao ano, na última quarta-feira os diretores do Fed decidiram elevar a taxa dos fed funds em 0,75 ponto porcentual. O objetivo é levar a política monetária gradualmente para o território restritivo, controlando a inflação ao custo de uma recessão em 2023 ou 2024.

Alertas sobre uma recessão nos EUA têm sido emitidos por Larry Summers, William Dudley e James Bullard. Todos insistem que o controle de uma inflação provocada pelo superaquecimento da economia, e que é apenas reforçada por choques de oferta, torna praticamente inevitável uma recessão. Evidências do superaquecimento estão no mercado de trabalho, com o número de vagas abertas excedendo de muito a oferta de emprego, e com os salários em elevação.

O Fed terá de aumentar a taxa dos fed funds acima da soma da taxa real neutra de juros e das taxas de inflação esperadas um e dois anos à frente. Na prática, ao final de 2022 a taxa dos fed funds deverá situar-se próxima de 3%, continuando a crescer em 2023. O aumento das taxas das treasuries já reflete essa previsão.

Tudo seria mais simples se não vivêssemos uma inflação mundial, que vem sendo combatida simultaneamente por todos os países. Como as sanções impostas pelos EUA à Rússia estão longe de validar a previsão “catastrófica” de que o dólar deixaria de ser uma moeda reserva, a política monetária dos EUA continua afetando as de todos os demais países. O aumento dos juros fortalece o dólar, ou seja, deprecia as moedas de todos os demais países em relação ao dólar, elevando suas inflações. Assim, para que tenham sucesso esses países terão de adotar políticas monetárias ainda mais restritivas, contribuindo para a desaceleração do crescimento mundial.

Uma dificuldade maior é a da Europa. Embora não haja sinais de superaquecimento, o BCE não poderá evitar um aumento da taxa de juros e a redução de seu balanço, mas esbarra na restrição imposta pelas dívidas elevadas de países como Itália e Espanha, cujos spreads vêm crescendo. Por isso terá de estabilizar essas cotações, evitando uma crise de dívida soberana, como em 2011. A guerra Rússia-Ucrânia desacelera economias que estão distantes da exuberância da norte-americana, permitindo uma normalização monetária menos intensa, mas não evita a redução de seu crescimento.

Neste cenário teremos de nos preparar para mais uma queda do crescimento mundial, com recessões em muitos países e um inevitável aumento dos riscos.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/06/2022

O governo dos Estados Unidos está avaliando remover algumas tarifas sobre a China e uma possível pausa no imposto federal sobre o gás, à medida que luta para combater a alta dos preços da gasolina e da inflação, disseram duas autoridades de alto escalão neste domingo.

A secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, disse que algumas tarifas impostas à China pelo governo do ex-presidente Donald Trump não têm “propósito estratégico”, e acrescentou que o presidente Joe Biden está as revisando para tentar reduzir a inflação.

Outra autoridade do governo Biden, a secretária de Energia, Jennifer Granholm, acrescentou que o presidente também está avaliando suspender o imposto federal sobre o gás como uma opção para baixar os preços.

Os comentários das autoridades neste domingo acontecem no momento em que o governo Biden sofre para lidar com a inflação e o preço recorde da gasolina.

A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, disse que a inflação levará dois anos para cair para a meta de 2% do banco central, “caindo” gradualmente.

Yellen, falando à ABC News, disse que o governo está revisando sua política tarifária para a China, mas não citou detalhes e se recusou a dizer quando pode haver uma decisão.

“Todos reconhecemos que a China se envolve em uma série de práticas comerciais desleais, com as quais é importante lidar, mas as tarifas que herdamos, algumas não têm propósito estratégico e aumentam o custo aos consumidores”, acrescentou.

Yellen não listou tarifas específicas e se recusou a dizer quando o governo Biden pode tomar uma decisão sobre o assunto.

Biden disse em 2018 e 2019 que estava considerando retirar algumas tarifas impostas por seu predecessor sobre centenas de bilhões de dólares de bens chineses, em meio a uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

O Brasil se tornou signatário das Discussões de Comércio e Sustentabilidade Ambiental, iniciativa da Organização Mundial do Comércio (OMC), comprometendo-se a uma série de práticas sustentáveis no plantio. Durante a 12.ª Conferência Ministerial da OMC, o País se uniu a outras 15 nações latino-americanas em um compromisso por reformas do comércio agrícola contra posições protecionistas. Num momento particularmente crítico para o livre-comércio global e a principal organização destinada a promovê-lo, o Brasil felizmente parece ter escolhido o lado certo nesse conflito.

Desde sua criação, em 1995, a OMC tem derrubado barreiras e aplainado o caminho para a globalização. Os volumes do comércio global quase dobraram e a média das tarifas globais caiu para 9%. Bilhões de pessoas foram inseridas na economia global e, assim, alçadas da pobreza.

As dissonâncias nesta “hiperglobalização” começaram com Donald Trump e suas guerras comerciais contra a China e disputas tarifárias com a Europa. A pandemia precipitou uma queda aguda no comércio global. Agora, a guerra de Vladimir Putin exacerba tendências protecionistas.

O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, alertou para a fragmentação entre “distintos blocos econômicos com diferentes ideologias, sistemas políticos, padrões de tecnologia, pagamentos e sistemas de comércio transfronteiriços e reservas monetárias”. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, falou em “policrise”.

A amplitude da pauta da Conferência – sustentabilidade agrícola, subsídios à pesca, segurança alimentar, equidade nas vacinas, governança da OMC – refletiu o tamanho do desafio. Mas os avanços modestos mostram quão difícil será superá-lo.

Nos EUA, o Partido Democrata, agora no poder, mantém as tendências isolacionistas do republicano Trump, advoga mais subsídios à indústria e sustenta a recusa a restabelecer um dos pilares da OMC: o painel de resolução de disputas.

Os maiores entraves à globalização entre os países em desenvolvimento vêm precisamente de alguns dos que mais enriqueceram com ela. Sob Xi Jinping, a China distribui mais subsídios e créditos baratos às suas empresas e a economia de serviços permanece fechada. A Índia insiste em manter privilégios reservados a países pobres e na prerrogativa de comprar grãos de seus fazendeiros a preços majorados, estocá-los e impor barreiras à exportação.

Nesse contexto de fragmentação das alianças multilaterais, políticas isolacionistas e uma eventual “desglobalização”, os posicionamentos do Brasil são louváveis.

No setor agrícola, em especial, preços subsidiados e restrições alfandegárias têm crescido no mundo. Ao prejudicar a alocação eficaz de recursos domésticos, debilitar a oferta de alimentos de regiões superavitárias para as deficitárias e contribuir para a volatilidade dos preços, essas políticas impactam a segurança alimentar global.

No Brasil, a tendência é inversa. Os subsídios são baixos e vêm caindo. Os que existem focam cada vez mais nos produtores vulneráveis ou em pesquisa e desenvolvimento e estão condicionados a indicadores ambientais e boas práticas agropecuárias. Num ambiente global de políticas agrícolas altamente distorcidas, o agro brasileiro prova que é possível ser, a um tempo, produtivo e sustentável sem prejuízo aos princípios do livre mercado.

Às vésperas da Conferência da OMC, a Câmara de Comércio dos EUA e a Confederação de Negócios Europeia emitiram um comunicado afirmando que o seu “objetivo primário” deveria ser “reafirmar o multilateralismo e um comércio baseado em regras como o caminho preferencial para impulsionar o crescimento econômico global” e exortando a OMC a “demonstrar que pode responder aos desafios mais prementes de nosso tempo, particularmente a saúde, as mudanças climáticas e a segurança alimentar”. Por mais debilitado que o Brasil esteja na cena internacional por causa da indigência diplomática de seu presidente, ao menos nessa ocasião o País se mostrou mais à altura desses desafios do que muitas potências do mundo desenvolvido e em desenvolvimento.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Uma combinação de fatores fez a inflação, no mundo e no Brasil, disparar no último ano. Há nove meses, o IPCA acumulado em 12 meses alcança dois dígitos. A preocupação é que o choque de preços dado pelo câmbio, pela alta das commodities e entraves nas cadeias de produção se transforme numa inflação inercial. Quanto mais tempo passa, mais o componente inercial aparece e se fortalece.

Por sua própria natureza, a inércia tende a gerar taxas crescentes por conta da indexação, formal e informal. Consiste em reajustar preços de bens e serviços pela taxa da inflação passada. A permanência do índice de preços em patamar elevado aumenta a frequência dos repasses e espalha esse comportamento nos setores econômicos.

A indexação é ambivalente. Ao oferecer uma sensação de proteção contra os efeitos da inflação, permite contratos em longo prazo e diminui a variação de preços relativos. Ao manter o valor relativo dos ativos financeiros, bloqueia a migração da liquidez para ativos reais ou dólares. Cria-se a ideia de que o valor do dinheiro está resguardado dos efeitos deletérios da corrosão monetária.

O problema é que, ao longo do processo, perde-se gradativamente a noção do poder de compra. O que prevalece é a percepção de que estamos enxugando gelo.

O fato é que a indexação retroalimenta os preços e vai tirando a força dos instrumentos de combate à inflação.

A indexação formal começou no Brasil em 1958, com a Lei 3.470, que permitiu a correção monetária do ativo imobilizado. Antes, havia contratos atrelados ao salário mínimo e, de maneira informal, ao dólar e à libra esterlina. Com os ciclos inflacionários, foram se acumulando as permissões para a indexação formal.

Atualmente, salários são indexados ao INPC, a maioria dos aluguéis, ao IGP-M, e a dívida pública e o crédito, a vários índices de preços. A política monetária está atrelada ao IPCA. Por conta da inflação de dois dígitos, a indexação informal está avançando.

Atualmente, o choque de preços dos alimentos, combustíveis e energia dissemina a alta dos preços.

O Banco Central aumentou a Selic, um remédio amargo, mas necessário. Sabemos como a indexação começa e como termina. Ou seja, com a contaminação e a desorganização da economia.

A boa notícia é que tudo indica que o ciclo de alta da inflação bateu no teto. É uma questão de tempo a inversão da curva, como mostram as projeções mensais. Mas todo cuidado é pouco.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   20/06/2022

O Ibovespa (IBOV) despencou 2,9% e perdeu a barreira psicológica dos 100 mil pontos, retornando para os patamares de novembro de 2020.

Assim como em um acidente aéreo, a causa para o “desastre” não foi motivada por um único fator, mas sim uma conjuntura de notícias negativas que vão do risco maior de recessão nos Estados Unidos ao vencimento de opções no Brasil.

Com grande peso na bolsa, as commodities foram as principais vilãs do pregão. Das cinco maiores quedas do Ibovespa, todas são ações ligadas ou ao minério de ferro ou ao petróleo, que, não por acaso, também despencaram.

A queda do minério de ferro se estendeu pelo sétimo dia consecutivo, com preços de volta a níveis vistos pela última vez em janeiro, à medida que a política Covid Zero da China gera preocupações de que as interrupções na atividade industrial durem meses.

Os contratos futuros da matéria-prima siderúrgica em Singapura caíram quase 7% na sexta-feira e ficaram abaixo de US$ 120 a tonelada pela primeira vez este ano. Na semana, o tombo foi de quase 15%, o maior declínio em nove meses.

O minério de ferro caiu 6.7% para US$ 119.50 a tonelada na sexta-feira em Singapura. Os futuros em Dalian tiveram queda de 4%.

Com isso, Gerdau Metalúrgica (GOUA4) perdeu 8,51%, Gerdau (GGBR4) 7,89%, Usiminas (USIM5) 6% e Vale (VALE3) 5,22%.

Para Pedro Galdi, da Mirae Asset, Vale é uma eterna compra, e a queda dos papéis só torna a ação mais atrativa. “Tem boa gestão e é uma excelente pagadora de dividendos“, completa.

Petróleo em derrocada

No fechamento, a 3R Petroleum (RRRP3) despencou 9,38%, cotada a R$ 36,80, seguida pela PetroRio (PRIO3), que caiu 8%, a R$ 23,24.

Os preços do petróleo caíram perto de 6% nesta sexta-feira, para uma mínima de quatro semanas, com preocupações sobre uma desaceleração econômica após aumentos das taxas de juros pelos principais bancos centrais.

A alta do dólar (USDBLR) também pressionou os preços, com a moeda subindo esta semana para seu nível mais alto desde dezembro de 2002 em relação a uma cesta de moedas.

Isso torna o petróleo mais caro para os compradores que usam outras moedas.

Maiores altas

Do lado comprador, destaque para CVC (CVCB3), que se recupera após liderar as quedas nas últimas semanas. A empresa realizou uma oferta de ações para expandir os negócios e aproveitar a retomada mais forte das viagens.

Já a Azul (AZUL4) e a Gol (GOLL4), que subiram 0,14% e 0,49% respectivamente, mostraram resiliência em meio a um dia de derrocada, com custos muito atrelados a petróleo e seus derivados.

“O setor bancário também é destaque positivo por conta da resiliência”, coloca Leandro Petrokas, da Quantzed.

Itaú Unibanco (ITUB4) fechou em baixa de 1,26% e Bradesco (BBDC4) teve declínio de 1,55%.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Os contratos futuros de minério de ferro estenderam as perdas para uma sexta sessão na bolsa de Dalian nesta sexta-feira, marcando a queda semanal mais acentuada em quatro meses, com as siderúrgicas chinesas optando por reduzir a produção em meio a lucros fracos e perspectivas de demanda deterioradas.

O contrato de minério de ferro mais negociado, para entrega em setembro, na bolsa de commodities de Dalian encerrou as negociações diurnas em queda de 5,9%, a 821,50 iuanes (122,64 dólares) a tonelada, após cair mais cedo para 815,50 iuanes, o menor nível desde 26 de maio.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de julho do ingrediente siderúrgico caiu 5,4%, para 121,15 dólares a tonelada, recuando pela sétima sessão consecutiva.

Máquinas e Equipamentos

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   20/06/2022

A Caterpillar Inc. anunciou que sua sede global deixará a atual localização em Deerfield, em Illinois, mudando-se para as instalações da empresa em Irving, no Texas.

A empresa diz que iniciará a transição de sua sede para Irving ainda este ano.

"Acreditamos que essa mudança representa o melhor interesse estratégico da empresa, apoiando a estratégia da Caterpillar de crescimento rentável à medida que ajudamos nossos clientes a construir um mundo melhor e mais sustentável", disse o Chairman e CEO, Jim Umpleby.

A Caterpillar tem presença no Texas desde os anos 60 com diversas áreas e operações da empresa.

Mesmo com a mudança, a operação de Illinois continua com a maior concentração de funcionários da Caterpillar em todo o mundo.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   20/06/2022

Os diretores financeiros de duas das maiores empresas automobilísticas disseram que a procura por veículos continua forte, mas estão atentos a sinais de recessão nos EUA

Os diretores financeiros de duas das maiores empresas automobilísticas dos EUA — General Motors e Ford Motor — disseram que a procura por veículos continua forte, mas estão atentos a sinais de recessão nos EUA.

Em uma conferência do Deutsche Bank na quarta-feira, o financeiro da Ford, John Lawler, disse que uma desaceleração econômica é uma possibilidade e que a montadora está tentando avaliar o impacto da inflação e do aumento dos preços da gasolina na economia em geral. Na quarta-feira, o Federal Reserve aprovou um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa, o maior desde 1994.

Lawler disse que os custos mais altos das commodities já estão afetando a lucratividade em algumas áreas. Apesar de ter aumentado o preço de venda do Mustang Mach-E elétrico, o aumento dos custos de materiais para baterias de veículos elétricos nos últimos meses acabou com o lucro que se esperava obter com o modelo, disse Lawler.

A Ford Credit, braço de financiamento da empresa, também está vendo um aumento na inadimplência em empréstimos para automóveis, um sinal de piora na saúde financeira do consumidor, disse ele. Embora a situação ainda não seja uma preocupação significativa — principalmente porque as taxas de inadimplência foram baixas durante a pandemia — a Ford está monitorando de perto.

“Estamos procurando cada indicação e cada ponto de dados que pudermos para obter uma leitura sobre onde o consumidor está, para onde ele está indo", disse Lawler.

O financeiro da GM, Paul Jacobson, se recusou a dizer se a empresa também aumentou os preços dos veículos elétricos, enfatizando que deseja manter a flexibilidade no futuro para explicar os custos flutuantes das commodities.

“Não queremos acabar em uma situação em que um cliente encomendou um veículo há dois, três anos e não sabemos para onde está indo a inflação”, disse Jacobson.

Ambos executivos disseram que a dinâmica do mercado continua a seu favor, com muita demanda reprimida nos revendedores e pouco estoque para satisfazê-la. Ainda assim, os custos mais altos de combustível e a inflação estão criando um ambiente mais fluido, mesmo que não estejam restringindo imediatamente o apetite do comprador. O preço médio da gasolina nos EUA ultrapassou recentemente US$ 5 o galão.

Os dois diretores dizem que estão modelando os resultados de diferentes cenários de recessão. A GM, em particular, está trazendo mais escrutínio às decisões de contratação em resposta à incerteza econômica, disse Jacobson.

“Você não pode aumentar significativamente sua folha diante de uma grande recessão”, disse ele. “Estamos apenas sendo mais conscientes sobre o que vai acontecer em dois ou três anos e sobre todas as decisões que estamos tomando daqui para frente.”

A GM está dando prioridade aos gastos com iniciativas de longo prazo, como veículos elétricos, porque não quer reduzir apressadamente os investimentos que são considerados vitais para o futuro da empresa, disse Jacobson.

Os diretores, no entanto, acham que suas montadoras estão mais bem posicionadas para resistir a uma recessão do que estavam no passado. Eles recuaram nos descontos prejudiciais ao lucro e estão menos atolados com o estoque de veículos não vendidos, uma vantagem que os ajudou a ganhar mais por venda, dizem.

“É um ambiente completamente diferente, em direção ao que pode ser uma recessão, do que qualquer coisa que eu tenha visto no passado”, disse Lawler.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

O ambiente de crise econômica no Brasil - com inflação e juros altos por um período prolongado - está começando a esgarçar a lei dos distratos, criada há três anos e meio para definir regras claras para o cancelamento dos contratos de compra e venda de imóveis na planta.

Advogados do ramo relatam que há decisões judiciais reduzindo as multas firmadas nos contratos dentro dos parâmetros legais no intuito de dar uma forcinha a consumidores em dificuldades financeiras. A situação preocupa incorporadoras, que veem o risco de se estimular as rescisões, gerar prejuízos e criar um clima de insegurança para investimentos em novos projetos.

Para entender a questão, é preciso voltar um pouco no tempo. A lei dos distratos (lei 13.786/2018) surgiu depois que os cancelamentos de vendas explodiram a partir de 2014, quando o País entrou em recessão. Na época, não havia regras para esse tipo de situação, e as decisões judiciais obrigavam as empresas a devolverem 75% do valor pago pelos consumidores até a entrega das chaves.

Nesse época, as incorporadoras perderam dinheiro, deixaram prédios inacabados e amargaram anos com resultados no vermelho. Foi isso que levou à lona a PDG Realty, incorporadora residencial que já foi a maior do País em número de lançamentos.

Com a sanção da lei 13.786 ficou estabelecida a retenção de 50% do valor pago pelo consumidor até o momento da rescisão. Também foi definido que não haverá devolução da taxa de corretagem, que é de cerca de 5% do valor total do imóvel.

Outro ponto importante: as incorporadoras ficaram autorizadas a devolver o dinheiro só depois de entregarem o imóvel e receberem o habite-se, de modo a evitar que ficassem sem dinheiro para terminar a obra (o que afetaria os demais consumidores do mesmo empreendimento).

Todos esses pilares foram erguidos para inibir o distrato e proteger o caixa das empresas, evitando um colapso generalizado. E de fato, os cancelamentos de negócios caíram a partir daí.
Piora da economia começa a provocar solavancos

Agora, entretanto, o cenário é diferente. O mercado imobiliário está entrando numa fase de intensificação do término de obras após dois anos de recordes de vendas. E quem fechou a compra de um apartamento na planta tempos atrás está com mais dificuldades para obter o crédito imobiliário porque os juros dos financiamentos subiram bastante. Ou seja, o caldeirão reuniu os ingredientes para os distratos voltarem.

"Acho que vai ter mais pedidos de distrato nos próximos meses. E tem uma máxima no direito de que é nas crises que as leis são testadas", alerta o sócio do escritório VBD Advogados e consultor jurídico de Secovi e Sinduscon, Olivar Vitale. "Por enquanto, a lei dos distratos está sendo aplicada, mas não na sua totalidade. Há exceções, e isso preocupa".

Vitale menciona que há casos em que o Tribunal de Justiça de São Paulo têm optado por reduzir o valor da multa dos contratos quando interpreta que o porcentual está muito alto. Como a lei prevê até 50% de multa, é isso que as incorporadoras têm redigido nos documentos. Mas nem sempre o teto da multa é aceito pela Justiça.

"Tem alguns casos em que os desembargadores não respeitam os contratos firmados alegando que a cláusula é abusiva. Estão rasgando a lei", afirma Vitale. Embora isso aconteça na minoria dos casos, ele vê o risco desse tipo de flexibilização se propagar à medida em que aumente a quantidade de casos de distratos daqui para frente.

Os sócios Pedro Serpa e Daniel Gomes, do escritório SIDC Advogados, especializado em direito imobiliário, relatam que também estão notando um aumento nas demandas por esses tipos de processos e que já esbarraram com decisões judiciais baixando as multas previstas em contrato. Segundo eles, a lei 13.786 acabou deixando brecha para que os valores seja alvos de contestação nos tribunais. "O juiz tem a discricionalidade para reduzir a multa. Isso tira o caráter de segurança e previsibilidade que era esperado na construção da lei", lamenta Gomes.

Os sócios acrescentam que esse tipo de brecha pode até criar situações em que o consumidor em dificuldades financeiras veja o distrato como uma boa solução, já que tem a chance de recuperar mais de 50% do valor pago acrescido da correção monetária por INCC ou IGPM. "Com inflação e juros em alta, optar pelo distrato pode ser até um negócio atrativo", estima Serpa.

Na visão do advogado Marcelo Tapai, sócio do escritório Tapai Advogados, voltado a consumidores, é natural que haja flexibilização dos termos contratuais, pois é sabido que o juiz pode interferir quando vê desequilíbrio em favor a alguma das partes.

Ele cita como exemplo o peso da multa na rescisão de um imóvel avaliado em R$ 500 mil. Nesse caso, o comprador geralmente pagou R$ 150 mil até receber a chave (30%) e outros R$ 25 mil (5%) como taxa de corretagem. Portanto, pagou um total de R$ 175 mil.

Em um distrato na letra fria da lei, serão retidos R$ 75 mil (50% do valor pago pelo imóvel até as chaves) e os R$ 25 mil da corretagem, totalizando R$ 100 mil. Esse montante equivale a 57% do valor total desembolsado pelo comprador até aquele momento.

"É um enriquecimento sem causa para a empresa. O consumidor não tem culpa que os juros dispararam no País. As pessoas que compraram o imóvel na planta e viram a sua situação financeira piorar estão ficando no meio do caminho. Para esses casos, a única solução é o distrato. Esse também é um risco da incorporadora que vendeu o imóvel na planta", argumenta Tapai.
De olho nos números

O volume de distratos teve um aumento considerável em termos nominais, mas segue relativamente estável como porcentual do total de unidades comercializadas. É preciso lembrar que o mercado teve recorde de vendas nos últimos dois anos.

Foram registrados 9.701 casos de distratos em 2019, 12.556 em 2020 (alta de 29,5% na comparação anual) e 13.104 em 2021 (alta de 4,5%). Os dados são de pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Em termos relativos, os distratos responderam por 11,8% das vendas em 2019, 11,1% em 2020 e 11,6% em 2021. Ou seja, apesar do aumento nominal, não se trata de uma crise generalizada. Os números ainda estão longe do pico de 2015, quando foram distratadas 19.050 unidades, ou 35,1% das vendas.

A Abrainc foi procurada para comentar a situação das entregas de obras e dos distratos, mas não concedeu entrevista.

NAVAL

Portos e Navios - SP   20/06/2022

Um relatório mensal de abril revela outro mês recorde de volumes de importação de contêineres oceânicos dos EUA em abril, mas reduziu os tempos de espera nos principais portos dos EUA.

O impacto antecipado dos bloqueios de Covid na China ainda não se materializou no volume geral de importações de contêineres dos EUA. A combinação de alto volume, bloqueios na China e conflito global continua a apontar para um desempenho desafiador do supply chain global em 2022, de acordo com o relatório de abril do Descartes Systems Group.

O mês continuou o início muito forte de 2022 com 2,47 milhões de importações de contêineres, estabelecendo outro recorde mensal para os volumes dos EUA. Os volumes de importação de contêineres caíram quatro por cento em relação a março de 2022, mas podem ser considerados semelhantes a março devido ao feriado da Páscoa e ao mês de abril ser um dia mais curto.

Em contraste com os anos anteriores, no entanto, os volumes de abril de 2022 aumentaram 4% em relação a abril de 2021 e 28% em relação à pré-pandemia de abril de 2019.

Mais um mês excedendo efetivamente a marca de 2,4 milhões de TEUs indica que as interrupções crônicas do supply chain (por exemplo, atrasos, variabilidade etc.) que os importadores e a comunidade de logística estão enfrentando não estão diminuindo no curto prazo.

“Como as importações da China foram quase um por cento maiores em abril de 2022 em relação a abril de 2021, pode-se concluir que, apesar do lockdown, um grande número de mercadorias ainda estava saindo da China em meados de fevereiro a meados de março”, disse. disse Chris Jones, vice-presidente executivo de indústria e serviços da Descartes.

“Enquanto os volumes de importação de contêineres estavam novamente em níveis recordes, abril mostrou uma redução contínua nos tempos de espera nos portos, embora a maioria ainda esteja enfrentando atrasos superiores a 10 dias.”

Os volumes entre os portos da costa oeste e leste dos EUA mudaram novamente em abril de 2022 em comparação com março de 2022, informou Jones. Os cinco principais portos da Costa Leste aumentaram para 45,4% do volume total de contêineres de importação, enquanto os principais portos da Costa Oeste representaram 41,2%. Os saltos de março, quando a divisão foi de 41,4% para a Costa Leste e 45,0% para a Costa Oeste.

Os volumes também estão se afastando dos 10 principais portos. Em abril de 2021, os 10 principais movimentaram 86,9% de todo o volume. Em abril de 2022, eram apenas 86,5%.

O relatório é o décimo da Descartes desde o início de sua análise em agosto de 2021.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

A ofensiva do Congresso contra a Petrobras também colocou na mesa das negociações a proposta de taxação das exportações brasileiras de petróleo. Quanto maior o preço do petróleo, maior a receita potencial do Imposto de Exportação (IE) com a venda ao exterior do petróleo produzido pela estatal. Esse tipo de imposto é raramente usado no Brasil. A ideia é que a sua arrecadação seja usada para bancar a redução dos preços dos combustíveis.

A proposta será discutida na reunião de líderes dos partidos que o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), convocou para a próxima segunda-feira para discutir a política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional.

No ano passado, as exportações chegaram a US$ 30 bilhões com a média do preço barril em torno de US$ 70. Hoje, o preço do petróleo brent projetado para agosto está em torno de US$ 113. Com média em US$ 110, como em 2022, as exportações podem chegar a quase US$ 50 bilhões neste ano.

Em reação ao reajuste de preços do diesel e da gasolina, Lira anunciou que os parlamentares vão aprovar proposta para dobrar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da Petrobras para bancar diferença do custo do diesel do exterior ou para ser usado para um vale para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativos, fora do teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas à inflação. Na prática, a medida sugerida por ele é de um subsídio.

Segundo ele, já há uma proposta similar a essa nos Estados Unidos, feita pelo presidente Joe Biden. “As petrolíferas lá pagam 21% de impostos sobre o lucro e eles estão discutindo dobrar para 42%”, ressaltou.

Por ser uma contribuição, o aumento da CSLL para entrar em vigor precisa de prazo de três meses (chamado de noventena). Já uma elevação do Imposto de Renda demandaria esperar a virada do ano para começar a ser cobrada. Hoje, a alíquota da CSLL para as empresas de petróleo é de 9%.

Em entrevista ao canal GloboNews, Lira disse que o Congresso vai abrir a “caixa preta” e mudar a política de reajuste, hoje atrelada ao preço em dólares praticado no mercado internacional. “Ela não revela como faz essa contabilização da política de preços. É necessário que agora tenhamos que discutir essa política de preços da Petrobras e chamar o Cade mais uma vez à responsabilidade pelo monopólio que existe na Petrobras”, afirmou.

Para o deputado Danilo Forte (União-CE), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata de biocombustíveis e faz parte do pacote anunciado pelo governo para reduzir os preços dos combustíveis, "está na hora" de cobrar o Imposto de Exportação. “A gente isenta a Petrobras do produto e ele vira margem de lucro para ela. Vamos discutir isso na reunião de segundo”, disse Forte ao Estadão. “De que adianta dar essa isenção se o povo brasileiro não está se beneficiando nesse momento de alta dos preços e de guerra”, ressaltou.

Forte é também relator da Medida Provisória 1118, que restringe até 31 de dezembro de 2022, o uso de créditos tributários decorrentes de contribuições sociais (PIS/Pasep e Cofins) a produtores e revendedores de combustíveis. Para conceder um subsídio, o governo terá que abrir uma exceção no teto de gastos. Já há uma PEC no Senado para mudar a regra e permitir a compensação pela União aos Estados que reduzirem a zero o diesel e o gás de cozinha.

As duas propostas poderão ser utilizadas para mudanças que as lideranças decidiram propor na segunda-feira. Outro projeto, o PL 1472 de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), também poderá ser utilizado nessa ofensiva política deflagrada contra a Petrobras, depois que a empresa reajustou o preço do diesel e da gasolina. Esse projeto já foi aprovado pelo Senado e tem apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele que cria diretrizes de preços para o diesel, a gasolina e o gás liquefeito de petróleo e contém brechas no texto que forçam a mudança na política de preços da Petrobras, como quer o governo e as lideranças do Centrão.

Para especialistas, o projeto, que foi aprovado no auge da disparada de preços por conta da guerra da Rússia e Ucrânia, é confuso, fragiliza a política de liberdade de preços e contém zonas cinzentas ao determinar que os preços internos praticados por produtores e importadores devem ter como referência as cotações médias do mercado internacional, os custos internos de produção e os custos de importação “conforme aplicáveis”. A leitura é de que esse ponto do texto – “conforme aplicáveis” – poderá ser usado de qualquer maneira colocando uma “espada na cabeça” para um controle de preços no futuro.

O projeto prevê a criação de uma conta de estabilização, prevista no projeto com receitas do governo para reduzir o impacto da volatilidade de preços. Pacheco quer que essa conta seja abastecida com os dividendos pagos pela Petrobras pelo lucro da empresa.

“Se a situação dos preços dos combustíveis está saindo do controle, o governo deve aceitar dividir os enormes lucros da Petrobras com a população, por meio de uma conta de estabilização de preços em momentos de crise", escreveu ele em sua conta no Twitter.

A área econômica sempre foi contra a criação dessa conta e adoção de subsídios. Para mudar a política de preços, integrantes da Petrobrás afirmam que será preciso mudar a Lei das Estatais e depois o estatuto. Uma das travas que foram incluídas depois dos escândalos descobertos pela Lava Jato é a autonomia do diretor de Governança e Conformidade. Ele tem poder de veto quando julgar que a matéria em discussão está violando a governança e conformidade da empresa. Essa posição é atualmente ocupada pelo diretor Salvador Dahan. "Para que ele não saia apertando alguns botões de emergência neste processo, é de se esperar que tentem alterar os poderes desta diretoria executiva", disse uma fonte.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

A temporada de carros na estrada e de maior demanda por combustível começou oficialmente nos Estados Unidos. Apesar da inflação em alta e da persistente ameaça da pandemia, os motoristas chegaram às rodovias com entusiasmo no recente fim de semana prolongado devido ao feriado do Memorial Day, na última segunda-feira de maio. Cerca de 40 milhões de americanos viajaram de carro, um aumento de 8,3% em relação ao mesmo fim de semana em 2021. Esse forte desejo de viajar surgiu mesmo quando os preços na bomba estavam cerca de 50% acima daqueles do ano passado, alta motivada por uma intensa limitação nas refinarias em todo o mundo.

Em tempos normais, a atividade de refino é um coadjuvante de baixa margem de lucro e pouco drama para as operações upstream de produção de petróleo, acusadas geopoliticamente, e para as operações downstream, acusadas do ponto de vista político. As refinarias costumam ter margens de lucro de US$ 5 a US$ 10 por barril e muitas vezes passam por períodos dolorosos sem lucros. Desta vez, entretanto, o refino está desempenhando um papel de protagonista – apesar das maquinações dos países produtores de petróleo, da guerra na Ucrânia e das sanções às exportações russas de petróleo. As margens para muitas refinarias dispararam e os gargalos no setor estão impulsionando os aumentos do preço da gasolina em todo o mundo.
Razões da apreensão

Três fatores explicam por que o refino está no centro das atenções. O primeiro é uma queda de longo prazo no investimento em economias avançadas. Com a previsão de redução da demanda de petróleo no mundo rico nas próximas duas décadas, os investidores estão com receio de gastar muitos bilhões de dólares em instalações que podem se tornar ativos improdutivos. Somando-se a isso está a pressão ambiental sobre o refino, que é visto como particularmente poluente, e as legislações na Califórnia e na Europa que favorecem combustíveis mais ecológicos. Fora da China e do Oriente Médio, onde a capacidade está se expandindo, a capacidade de refino diminuiu cerca de 3 milhões de barris por dia desde o início da pandemia, calcula Alan Gelder, da consultoria de energia Wood Mackenzie.

O segundo fator que abalou a atividade de refino é a formulação de políticas chinesas. A China historicamente é um país que exporta mais do que importa produtos refinados, vendendo grandes volumes para outros países asiáticos. No entanto, na tentativa de combater a poluição local e ajudar a atingir as metas climáticas, as autoridades reduziram as cotas de exportação de grandes refinarias de gasolina, combustível de aviação e outros produtos em mais de 50% este ano. Nos planos oficiais, a China deve parar de exportar a maioria dos produtos refinados com uso intensivo de carbono até 2025. O resultado perverso disso é que o país detém cerca de 7% da capacidade ociosa global, mesmo enquanto o resto do mundo está sedento por combustíveis para transporte.
O peso da guerra

A terceira grande força perturbadora é, sem dúvida, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e as consequentes sanções impostas às exportações de hidrocarbonetos de Moscou. Os EUA e o Reino Unido proibiram a compra de petróleo russo; a UE anunciou um embargo parcial às importações de petróleo bruto, inclusive um para produtos refinados ainda este ano. O efeito de tudo isso não é evidente. Segundo relatos generalizados (inclusive de especialistas em acompanhamento de navios-petroleiros), a Rússia atualmente está exportando mais petróleo bruto do que antes da guerra. O país está vendendo uma grande quantidade de petróleo bruto a preços reduzidos, em especial para a Índia, que está importando mais de 700 mil barris por dia a mais do que antes da invasão russa.

No entanto, quando se trata de produtos refinados, tanto as sanções oficiais quanto as sanções voluntárias adotadas por conta própria pelas empresas ocidentais parecem estar tendo efeito. De acordo com Natasha Kaneva, do banco JPMorgan Chase, a Rússia está vendendo aproximadamente 500 mil barris a menos de produtos refinados por dia do que antes da guerra, e talvez isso a tenha forçado a deixar de produzir até 1,4 milhão de barris por dia de capacidade de refino em maio. A consequência é uma mudança sem precedentes, defende Richard Joswick, da empresa de pesquisa S&P Global: “o mundo tem capacidade de refino suficiente, mas a capacidade ociosa está mudando para a Rússia e a China”. Como resultado, ele calcula que as taxas de utilização por refinarias no restante do mundo serão muito maiores do que o previsto anteriormente.

A crise nas refinarias pode continuar por um tempo ainda. A próxima temporada de furacões no Atlântico, prevista para ser mais intensa que o habitual, talvez paralise as refinarias no Golfo do México. Outro fator é o momento exato e a intensidade da última rodada de sanções da Europa às exportações russas de petróleo. Se implementadas de forma agressiva, elas podem comprimir ainda mais o setor.

As leis do mercado ainda poderiam salvar a pátria. Os picos dolorosos de preços vistos nas bombas de gasolina mais cedo ou mais tarde esfriarão um pouco a demanda e podem levar a melhorias na eficiência energética, ambos ajudariam a equilibrar os mercados.

Uma mudança nos fluxos comerciais também poderia socorrer a Europa. As refinarias de renome mundial da Índia, por exemplo, estão transformando a crise global em oportunidades locais. O RBC Capital Markets, banco de investimentos, avalia que o país “está se tornando, na prática, o centro de refino para a Europa”. Novas grandes refinarias estão programadas para entrar no mercado em breve no Kuwait e na Arábia Saudita, o que deve ajudar a amenizar a escassez também. Como observa Joswick, “com margens de lucro tão grandes, todo mundo tem um incentivo para operar as refinarias a todo vapor”.

Valor - SP   20/06/2022

Apesar de uma recente queda, os preços do barril de petróleo no mercado internacional devem permanecer em níveis elevados por causa da alta demanda, dizem especialistas

Apesar da queda na última semana, os preços do barril de petróleo devem permanecer em níveis elevados, indicam analistas do setor. Atualmente, as cotações estão altas devido à combinação da forte demanda, em recuperação depois da redução das medidas de isolamento adotadas nos momentos mais agudos da pandemia, e das restrições no fornecimento global pela guerra na Ucrânia e embargos à Rússia.

O cenário de altos preços de petróleo deve mudar apenas se confirmados os temores de uma recessão ao final do ano, que poderia reduzir o consumo e, consequentemente, os preços, apontam especialistas.

Na sexta-feira, o barril tipo Brent, principal referência global, fechou a US$ 113,12 em contratos para agosto, queda de 7,28% na semana.

O analista da consultoria S&P Global, Felipe Perez, explica que a recente diminuição dos preços reflete a demanda um pouco menor do que a esperada com a aproximação do verão no Hemisfério Norte. Segundo ele, a inflação também começa a dar sinais de impactos no crescimento da economia mundial e foi um dos motivos que contribuiu para a redução das cotações.

“Vamos ver uma queda aqui e ali [nos preços] mas não esperamos que caiam muito, a não ser que, de fato, se inicie uma recessão ao final do ano”, diz Perez.

Por enquanto, a demanda por diesel, petróleo e querosene de aviação segue forte, enquanto a capacidade de aumento de oferta está baixa, afirma o consultor.

Entre os fatores que contribuem para a restrição do crescimento do fornecimento de petróleo mundial estão os embargos europeus à Rússia, uma das principais produtoras globais, e a continuidade das restrições à produção do Irã, que segue sob sanções devido ao programa nuclear.

“A perspectiva de aumento da oferta de petróleo é mínima. A capacidade ociosa de produção está escolhendo. Não tem muito que se possa fazer hoje, mesmo com esses preços altos, para trazer um volume maior de petróleo para o mercado que consiga ajudar a reduzir os preços”, afirma Perez.

Os preços do barril de petróleo têm permanecido próximo aos US$ 100 desde fevereiro, quando começou o conflito na Ucrânia. Desde então, a cotação já chegou a ultrapassar a barreira dos US$ 130 por barril. O cenário tem pressionado os preços dos combustíveis no mundo todo e provocado debates sobre a inflação.

No caso brasileiro, essa situação tem gerado pressões sobre a Petrobras, que mantém uma política de preços de combustíveis alinhados às cotações do mercado internacional. Nos últimos meses, a estatal tem sido alvo de críticas do governo e de integrantes do Congresso pelas altas nos preços praticados nas refinarias às distribuidoras.

A companhia afirma que evita o repasse imediato de variações conjunturais nos preços e que realiza reajustes quando verifica mudanças estruturais no mercado.

Especialistas do setor explicam que o barril não deve voltar a ficar abaixo dos US$ 70 este ano. “Existe um prêmio de risco, devido à guerra na Ucrânia. Com o conflito, o mercado atribui um risco maior de suprimento”, diz um analista do setor que prefere não se identificar.

Analistas indicam que uma eventual queda nos preços do barril no mercado internacional poderia ajudar a aliviar um pouco a pressão sobre a Petrobras, mas dizem que é improvável que esse cenário se materialize no curto prazo. Há ainda a pressão do câmbio sobre os preços finais praticados pela empresa.

“O problema é que essa discussão se tornou política. Há ataques à companhia que são completamente infundados e desnecessários, fora de propósito. A empresa tem tido sensibilidade no sentido de tentar entender os melhores momento para repassar os aumentos, mas a companhia não tem responsabilidade de fazer políticas públicas”, diz um analista.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), associação que reúne as principais empresas do setor petroquímico, se posicionou contrário à taxação do Imposto de Exportação para a produção de petróleo do País vendida ao exterior e medidas de controle de preços. Em nota divulgada neste domingo, 19, a entidade diz que não apoia medidas que imponham “gravames” à exportação de petróleo e defendeu o alinhamento dos preços praticados no mercado nacional.

Sem citar o nome da Petrobras o IBP reforçou a posição de que o preço do combustível não é uma variável de escolha de uma determinada empresa, mas sim, o resultado da oferta e da procura global, por ser o combustível um bem de consumo comercializado mundialmente.

O posicionamento do IBP ocorre na véspera da reunião marcada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas- AL), para discutir medidas contra a Petrobras.

A reunião com o colégio de líderes foi marcada depois que a estatal anunciou o aumento da gasolina e do diesel na última sexta-feira sem atender o apelo feito pelo presidente da Câmara para que não fizesse o reajuste e esperasse a redução de tributos aprovada pelo Congresso na semana passada.

Em retaliação, Lira disse que os parlamentares vão aprovar medida para dobrar a tributação da companhia.

O Imposto de Exportação é uma das alternativas, como mostrou o Estadão, porque é não requer prazo para ser adotado e pode entrar em vigor de forma imediata. Já o aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), como sinalizou Lira, precisa do prazo de noventena (90 dias) para passar a ser cobrada.

Na nota, o IBP defende programas sociais focados nos setores mais sensíveis, caminhoneiros, motoristas de aplicativos e famílias que recebem o auxílio-gás.

O Instituto, que representa há 63 anos as empresas da indústria de óleo e gás instaladas no País, defendeu também a manutenção do amplo programa de desinvestimentos da Petrobras e medidas de modernização da frota, treinamento de caminhoneiros e calibragem de pneus que possibilitem a redução do consumo de diesel, além de uma reforma tributária ampla.

“O IBP defende os princípios da liberdade econômica e a livre formação dos preços dos produtos da cadeia petrolífera como o único caminho possível para a consolidação de um mercado mais competitivo no Brasil”, reforçou o IBP numa claro sinalização de preocupação com as medidas que o presidente da Câmara está patrocinando em retaliação à Petrobras.

Para o IBP, o parque refinador brasileiro é um dos mais eficientes e competitivos do mundo, operando dentro dos mais altos padrões ambientais, comprometido em atender a demanda de energia dos brasileiros e o abastecimento nacional.

Na avaliação da entidade, a situação atual é complexa e não tem uma solução rápida porque o mundo vive um desbalanço conjuntural entre oferta e demanda por energia causado principalmente pela retomada econômica pós covid-19 e pelo conflito na Ucrânia. “O aumento dos preços das commodities ocorre em todo o mercado global, não apenas com os combustíveis, mas também com outros produtos tais como trigo, carne, minérios e fertilizantes” diz a nota.

O IBP disse que o único caminho para a manutenção da segurança do abastecimento é o aumento do número de empresas competindo, e a ampliação da infraestrutura de alto volume.

O Estado de S.Paulo - SP   20/06/2022

Os preços do petróleo caíam cerca de 5% nesta sexta-feira, para uma mínima de três semanas, pressionados por uma queda nos contratos futuros de gasolina dos EUA, já que os aumentos das taxas de juros dos principais bancos centrais alimentaram as preocupações com uma forte desaceleração econômica.

Por volta das 13h (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent 4,3%, para cerca de 114 dólares o barril, após recuarem aproximadamente 5% mais cedo, enquanto o petróleo nos EUA perdia 6,22 dólares, ou 5,2%, para 111,43 dólares.

O Brent estava a caminho de sua primeira queda semanal em cinco semanas, enquanto o WTI pode registrar o primeiro declínio em oito semanas, à medida que crescem as preocupações de que os aumentos das taxas de juros possam causar uma recessão.

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