ESQUECEU A SENHA?

Seja bem-vindo ao INDA!

Olá, seja bem-vindo
ao INDA!

19 de Abril de 2021

SIDERURGIA

Consumo de aço se fortalece na América Latina, diz Alacero

Ler Notícia

Portal Fator Brasil - RJ   19/04/2021

Concentrada em abastecer o mercado local, a indústria siderúrgica melhora seu nível de produção, e recupera o nível anterior ao início da pandemia da Covid-19. O Brasil foi o país que mais contribuiu para a melhora do desempenho da demanda de aço, com um aumento de 8,8%, e o quinto mês consecutivo acima de 2 Mt mensais, nível que não era registrado desde junho de 2018. A Argentina também apresentou uma alta de 10,8% no consumo de janeiro, em comparação com dezembro de 2020.

O consumo de aço continua crescendo devido à recuperação da demanda, ao aumento do índice de produção industrial e da manufatura, e à recomposição dos estoques, tanto dos consumidores finais quanto da cadeia de distribuição. O consumo de aço em janeiro de 2021 subiu pelo nono mês consecutivo, 0,8% em comparação com o mês anterior, totalizando 6,09 milhões de toneladas (Mt), ou seja, 12,7% mais do que em janeiro de 2020. Com isso, recupera o nível anterior ao início da pandemia da Covid-19, de acordo com dados divuldgados pela Associação Latino-americana do Aço (Alacero), no dia 16 de abril(sexta-feira).

As perspectivas de curto prazo se mostram favoráveis ao fortalecimento da demanda de aço na região. Há alguns dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a atualização de abril das suas previsões para este ano, que apontam que a economia global crescerá 6%, os países desenvolvidos 5,1%, as economias emergentes 6,7% e a América Latina 4,6%; na região destacam-se o Brasil, com uma taxa de 3,7%, e o México, com 5%.

Brasil — O Brasil foi o país que mais contribuiu para a melhora do desempenho da demanda de aço, com um aumento de 8,8%, e o quinto mês consecutivo acima de dois milhões de toneldas mensais, nível que não era registrado desde junho de 2018. A Argentina também apresentou uma alta de 10,8% no consumo de janeiro, em comparação com dezembro de 2020.

As importações registraram um aumento de 5,7% na comparação com janeiro de 2020. As exportações do mês caíram 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado, porque a indústria está se concentrando em abastecer o mercado local de maneira prioritária. Este último resultado foi 12,4% inferior a dezembro do ano passado, e representou só 11,4% da produção regional em janeiro, abaixo da participação de 15,6% em 2020.

Como consequência desse desempenho, houve um agravamento do déficit da balança comercial, que já tinha sido registrado em novembro e dezembro. Em janeiro, as importações representaram 35% do consumo regional, contra 33% observados durante 2020.

— Enfrentamos um período de incertezas e estamos no processo de conseguir o equilíbrio entre a demanda e a produção. No entanto, neste momento devemos cuidar das condições do mercado diante da ameaça crescente das importações e do aumento do déficit comercial — disse Francisco Leal, diretor-geral da Alacero.

A produção acumulada de aço bruto até fevereiro foi de 10,21 milhões de toneladas, representando um aumento de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2020. O acumulado da produção de aço laminado cresceu 3,4%, atingindo 4,18 Mt em fevereiro, 2% acima do mês anterior. — A recuperação macroeconômica deverá se acelerar na segunda metade do ano, e esperamos que a produção mantenha sua curva ascendente e que o consumo sustente seu crescimento em nível regional, com o déficit comercial sob controle — acrescentou Leal.

Perfil — Associação Latino-americana do Aço (Alacero) — é a entidade civil sem fins lucrativos que reúne a cadeia de valor do aço da América Latina para fomentar os valores de integração regional, inovação tecnológica, excelência em recursos humanos, segurança não trabalho, responsabilidade empresarial e sustentabilidade socioambiental. Fundada em 1959, é integrada por mais de 60 empresas produtoras e afins cuja produção é de perto de 60 milhões de toneladas anuais. A Alacero é reconhecida como Organismo Consultor Especial pelas Nações Unidas.

Menos

Preocupações climáticas deixam siderúrgicas à beira da crise

Ler Notícia

Exame - SP   19/04/2021

Poucos materiais são mais essenciais que o aço, mas as siderúrgicas estão entre as principais indústrias poluidoras – queimam coque, um derivado do carvão, e liberam gases de efeito estufa.

Com o aumento das preocupações climáticas, uma crise parece inevitável para essas empresas. Os impostos sobre o carbono estão aumentando, e os investidores têm cautela em colocar seu dinheiro em negócios que poderiam ser regulados à extinção.

Todos sabem disso na gigante siderúrgica ArcelorMittal. Durante meio século, Lakshmi Mittal se dedicou a construir e a administrar o que se tornou o maior império mundial das grandes siderúrgicas, empregando cerca de 170 mil pessoas.

Agora, seu filho, Aditya Mittal, de 44 anos, que recentemente sucedeu o pai como executivo-chefe, diz que a indústria que fez o nome e a fortuna da família precisa mudar seus hábitos poluentes. "O maior desafio que o mundo enfrentará nos próximos 30 anos é o de descarbonizar."

A empresa está gastando 325 milhões de euros (cerca de US$ 390 milhões) em programas piloto que incluem a fabricação de aço com hidrogênio e o uso de bactérias para transformar o dióxido de carbono em produtos químicos úteis. O montante é inferior a um por cento da receita da siderúrgica em 2020, mas Mittal, que havia sido seu diretor financeiro, afirmou que a empresa tinha mais recursos técnicos e maior escala global do que a maioria das rivais e que estava bem posicionada para liderar a limpeza. "Agora podemos imaginar que é possível fazer aço sem emissões de carbono", declarou.

Contudo, os custos futuros da conversão de uma série de altos-fornos em operações limpas provavelmente chegarão a dezenas de bilhões apenas na Europa, revelou a empresa.

Nos últimos anos, a indústria de gás e petróleo vem sendo pressionada por governos que adotam metas climáticas cada vez mais ambiciosas. Um dos resultados é a grande expansão dos investimentos em energia renovável. Agora, muitos veem o foco regulatório se voltando para a indústria siderúrgica e outros poluidores pesados.

Ferro e aço são a fonte de cerca de sete por cento das emissões globais de dióxido de carbono. Embora o metal seja necessário para muitos produtos, incluindo veículos elétricos e turbinas eólicas, o processo de produção do aço é agora visto como uma bandeira vermelha em potencial para investidores e até mesmo clientes.

A tarefa é imensa na ArcelorMittal. "Eles têm muitas coisas a melhorar. Contam com grandes instalações na Bélgica, na França, em todo lugar", disse Gerrit Ledderhof, gerente de investimentos responsáveis da gestora de investimentos holandesa Aegon.

A Aegon está estimulando a ArcelorMittal a controlar sua poluição em nome de um grupo de grandes investidores chamado Climate Action 100+, e seus representantes têm esperança de que a siderúrgica possa acelerar a mudança. "Acho que ele está bem aberto", afirmou Heike Cosse, que lidera o diálogo da Aegon com a ArcelorMittal, a respeito do novo executivo-chefe.

A ArcelorMittal tem fábricas em todo o mundo, mas as pressões ambientais são particularmente agudas na Europa, onde a empresa produz cerca de metade de seu aço. Sua sede fica em Luxemburgo, e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia desde 2019, está aumentando os esforços de controle da poluição.

Espera-se que as sanções para as emissões do programa europeu de comércio de carbono e outras medidas aumentem rapidamente nos próximos anos, reduzindo os já escassos lucros das siderúrgicas. "Todos esperam que os regulamentos sejam impostos de forma muito rigorosa", disse Akio Ito, sócio sênior da consultoria Roland Berger, em Munique.

Mittal está sendo cauteloso, tentando várias abordagens. A principal fábrica da empresa perto de Gent, na Bélgica, é central para esse esforço. Em um dos vários experimentos, os trabalhadores constroem grandes tanques onde as bactérias poderão se banquetear com o dióxido de carbono liberado pela fábrica, transformando-o em etanol, que pode então ser usado na fabricação de produtos químicos. Em outra fábrica, em Hamburgo, na Alemanha, a equipe realizou testes laboratoriais com hidrogênio, que leva vantagem como combustível limpo em relação ao coque. Mittal também está pensando em ligar os fornos elétricos da empresa, que são mais limpos que os altos-fornos, a uma fonte de energia renovável, visando produzir aço com o selo de baixo carbono.

Executivos indicam que o uso do hidrogênio pode acabar sendo a melhor solução, mas a tecnologia está a muitos anos de distância. O hidrogênio produzido sem causar emissões é caro e limitado. "Hoje, isso é impossível porque não há hidrogênio", afirmou Geert Van Poelvoorde, executivo-chefe da ArcelorMittal Europa.

A ArcelorMittal calcula que, dependendo dos métodos, serão necessários até 40 bilhões de euros de investimento nas próximas três décadas para eliminar as emissões da siderurgia apenas na Europa. O custo de produção de aço também aumentará acentuadamente.

Pelo menos uma empresa siderúrgica europeia, a SSAB da Suécia, pode estar fazendo progressos. Com o apoio do governo, planeja eliminar os combustíveis fósseis usando hidrogênio feito com a eletricidade gerada pela energia hídrica. Se tudo correr bem, uma fábrica pode começar a operar em cerca de cinco anos. "No início, pode custar um pouco mais", disse Martin Pei, diretor de tecnologia da empresa, acrescentando que esta teria um novo produto a oferecer, que seria vendido a um alto custo.

A ArcelorMittal é um gigante do setor, mas mesmo ela não pode se dar ao luxo de jogar dinheiro pela janela. Em 2020, quando as economias pararam por causa da pandemia, a empresa relatou um prejuízo líquido de US$ 733 milhões. Preocupada com a dívida, no ano passado vendeu grande parte de seus negócios nos EUA.

A indústria e os governos, incluindo a União Europeia, passam por negociações complexas sobre como pagar pela redução das emissões. Os Estados podem querer limpar a siderurgia, mas também tomarão cuidado para não colocar em risco uma indústria que emprega cerca de 330 mil pessoas na região.

A ArcelorMittal e outras empresas estão solicitando financiamento de programas europeus para seus esforços de redução de carbono. A indústria siderúrgica também busca o que chama de ajustes fronteiriços, o que imporia tarifas sobre as importações de aço de países com menos regulamentações ambientais – abordagem que pode causar atrito comercial e deixar o aço europeu menos competitivo nos mercados de exportação.

Sem o apoio financeiro dos governos, concluiu Mittal, "o incentivo para produzir aço na Europa não existiria".

Menos

WEG anuncia fábrica em MG para segmentos de energia, mineração e siderurgia

Ler Notícia

IstoÉ Online - SP   19/04/2021

A WEG anunciou nesta sexta-feira, 16, uma nova fábrica na cidade de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), voltada para a produção de eletrocentros, utilizados na geração solar e outras aplicações industriais, como mineração e siderurgia. Sem abrir valor do investimento, a companhia informou que 100 novos postos de trabalho serão gerados nos próximos três anos.

“Somos a maior fabricante de salas elétricas da América Latina e esta unidade será parte importante da nossa capacidade produtiva nos próximos anos. Vai também fortalecer a nossa posição em um dos mais importantes mercados de equipamentos elétricos para geração de energia e mineração do País”, afirma em nota o diretor superintendente da WEG Automação, Manfred Peter Johann.

Em janeiro de 2020, a WEG adquiriu em Betim uma unidade fabril de transformadores de alta tensão, voltados principalmente para projetos de grandes linhas de transmissão. Juntas, as duas operações no município vão empregar, em breve, mais de 300 colaboradores.

Menos

Moody’s eleva rating da CSN de B2 para Ba3, com perspectiva estável

Ler Notícia

IstoÉ Online - SP   19/04/2021

A Moody’s elevou o rating em escala global da CSN de B2 para Ba3, e o rating em escala nacional de Ba1.br para A1.br. Os ratings têm perspectiva estável, diz a agência, que atribui a nova classificação à “melhora substancial” na liquidez e no perfil da dívida da empresa, após a conclusão do IPO de sua subsidiária na mineração, a redução de cerca de R$ 4 bilhões em dívida bruta anunciada pela companhia desde o início de 2021 e a perspectiva pela continuidade de “operações fortes” durante o ano atual.

Em comunicado, a Moody’s destaca ações recentes da empresa, como a oferta pública de ações da subsidiária, em 17 de fevereiro, cujo montante recebido será usado para reduzir dívida, aumentar a posição de caixa consolidado e financiar investimentos.

Também cita o trabalho da empresa para refinanciar uma dívida de R$ 3,4 bilhões com o Banco do Brasil e a Caixa, prevista para 2021-2022.

A agência diz ainda esperar que a CSN refinancie suas notas previstas para 2023.

Com as medidas, a Moody’s considera que o calendário de amortizações de dívidas da companhia “será confortável”.

Menos

Companhia Siderúrgica do Pecém completa 13 anos

Ler Notícia

Portal Fator Brasil - RJ   19/04/2021

No aniversário, usina comemora a geração de 22 mil empregos diretos e indiretos; os investimentos sociais superiores a R$ 40 milhões; e a ampliação de seu portfólio de aços de alta tecnologia.

A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) completa 13 anos de constituição no dia 16 de abril (sexta-feira), em um ano também representativo pela marca de cinco anos do início da sua operação, com a produção da primeira placa de aço. Hoje, após 1.761 dias operando, já foram produzidas 12,5 milhões de toneladas de placas de aço. Atualmente, a siderúrgica é responsável por 28% da produção de placas de aço no Brasil. Representa ainda 50% das exportações cearenses e 63% das movimentações de cargas, entre matérias-primas, equipamentos e produtos exportados, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

O aço produzido na CSP é hoje parte da cultura de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ao longo desses 13 anos, o Ceará consolidou-se como um estado produtor e exportador de aço de alta qualidade. Esse aço já foi exportado para mais de 23 países, sendo os principais: Estados Unidos, México, Coreia do Sul, Turquia e República Tcheca. A CSP é a única siderúrgica do Brasil com a capacidade de produzir placas de aço com 300 mm de espessura, ideais para a indústria naval, compondo um portfólio com mais de 200 tipos de placas. O produto CSP conquistou as certificações de Qualidade (ISO 9001), Meio Ambiente (ISO 14001) e de Alta Tecnologia (International Automotive Task - IATF, Maxion Wheels, Siemens Gamesa, Caterpillar e Scania).

O presidente da CSP, Marcelo Botelho, destaca que a siderúrgica é uma empresa nova, que iniciou a produção de placas de aço em junho de 2016, mas cuja trajetória já expressa o compromisso com a excelência. —A CSP é uma das mais modernas siderúrgicas do Brasil e do mundo, e nós queremos consolidá-la como referência em segurança, qualidade, custo, desenvolvimento tecnológico e sustentável na produção do aço. Os desafios inerentes ao setor estão sendo superados pela CSP por meio da inovação, investimentos em tecnologia e sucessivas melhorias em todas as áreas. O compromisso com o melhor desempenho se reflete nas certificações que já conquistamos —compartilha Marcelo Botelho.

Gerando riquezas para o Ceará — Ao longo de 13 anos, a CSP investiu mais de R$ 40 milhões em programas de responsabilidade social, beneficiando cerca de 28 mil pessoas. Este ano, está investindo R$ 1,1 milhão no 3º ciclo do programa Território Empreendedor, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Ceará (Sebrae-CE), fortalecendo os pequenos negócios existentes e promove o desenvolvimento sustentável da região.

Foram gerados 22 mil empregos diretos e indiretos. O município de São Gonçalo do Amarante registrou ganhos de participação no PIB do Ceará de 2002 a 2018, passando de 0,26% e 2,91%. O estudo foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), em parceria com o IBGE, em dezembro de 2020. Conforme o órgão, os ganhos de participação dos municípios decorreram, em grande parte, do CIPP e da instalação da CSP.

Reconhecimentos à CSP: — A Companhia Siderúrgica do Pecém é uma realização histórica para o Ceará e tem representado uma mudança no perfil econômico do Estado. Além de gerar milhares de empregos diretos e indiretos, a CSP traz um novo campo de investimentos e oportunidades para o povo cearense. Eu gostaria que todos os cearenses tivessem a chance de conhecer a CSP para entender a dimensão do que representa o empreendimento para o Ceará — Camilo Santana, governador do Estado do Ceará.

— A criação da Companhia Siderúrgica do Pecém marcou e continua marcando a história de desenvolvimento de São Gonçalo do Amarante. Desenvolvimento anda lado a lado da geração de emprego e renda para nosso município. A CSP cumpre este papel e somos gratos por fazermos parte disso — Marcelo Ferreira Teles, prefeito de São Gonçalo do Amarante.

— A CSP é a maior empresa instalada no Complexo do Pecém, produzindo placas de aço para mais de 20 países, aço made in Ceará. Por isso, celebramos juntos as marcas alcançadas, que contribuem diretamente na balança comercial do Ceará, gerando emprego e renda. Aqui no Complexo do Pecém, aço é desenvolvimento, é orgulho de todos nós cearenses — Danilo Serpa, CEO do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A).

— Gostaria de parabenizar a todo o time de gestores e de trabalhadores da CSP. Em especial, saudar todos os ex-alunos do IFCE que trabalham na CSP, e constroem suas carreiras neste que considero um dos mais importantes empreendimentos do Estado do Ceará nos últimos vinte anos. Além dos impactos econômicos, é importante destacar o volume de ações de integração social e comunitária desenvolvidos pela CSP, que credenciam socialmente a empresa como importante agente de desenvolvimento econômico e humano dos municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia — Marcel Ribeiro Mendonça, ex-diretor do campus avançado do IFCE Pecém e atual pró-reitor de Gestão de Pessoas do IFCE.

— A CSP fez e faz uma grande diferença, basta você comparar a cidade de São Gonçalo do Amarante com o que era 13 anos atrás. Ela tem um destaque imenso no social e está presente em todas as comunidades do entorno. Nós, lideranças de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, sonhávamos em ter um conselho comunitário. Todos nós viemos de uma longa história de trabalho social, mas seria muito difícil para nós alcançarmos isso sozinhos. A CSP contratou consultorias e nos dá assessoria até hoje. O conselho atualmente representa 16 comunidades. Mesmo com a pandemia, conseguimos beneficiar mais de quatro mil famílias por meio do comitê de crise que criamos — Socorro Silva, coordenadora executiva do Conselho Comunitário do CIPP.

Menos

Gerdau vai pôr R$ 1 bi em aços especiais no Brasil

Ler Notícia

Valor - SP   19/04/2021

Menos

Mais sucata no Brasil

Ler Notícia

Valor - SP   19/04/2021

Menos

ECONOMIA

Waller, do Fed, diz que economia dos EUA está “pronta para decolar”

Ler Notícia

IstoÉ Online - SP   19/04/2021

A economia dos Estados Unidos deve decolar neste ano, à medida que mais norte-americanos recebem vacinas contra a Covid-19 e se sentem confortáveis para retomar uma ampla gama de atividades, mas qualquer decorrente aumento na inflação provavelmente será temporário, disse o mais novo membro do conselho do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) nesta sexta-feira, ecoando a visão da maioria de seus colegas do Fed.

Um índice das expectativas de inflação divulgado nesta sexta-feira –indicador que cresceu em importância entre os formuladores de política monetária do Fed– endossou a avaliação de Christopher Waller. O dado mostrou aumento nas expectativas de inflação no primeiro trimestre, mas não ofereceu nenhuma indicação de que elas escaparam da meta do Fed.

“Acho que a economia está pronta para decolar”, disse Waller durante entrevista à CNBC. “Todo mundo está ficando muito mais confortável em ter o vírus sob controle e estamos começando a ver isso com a atividade econômica.”

A economia dos EUA pode crescer 6,5% neste ano, e a taxa de desemprego pode recuar para cerca de 5% ao fim do ano, disse Waller, que se tornou no ano passado o sexto membro da diretoria do Fed, na qual um assento permanece vago.

A inflação pode acelerar para cerca de 2,5% neste ano, disse Waller, mas “qualquer aumento temporário na inflação que vemos agora não vai durar”.

Os aumentos de preços devem se estabilizar à medida que gargalos causados pela pandemia forem resolvidos e qualquer aumento na demanda dos consumidores que gastam seus cheques de estímulo diminuir, afirmou Waller.

Menos

Boom de commodities deve trazer de volta superávit nas contas externas após 14 anos

Ler Notícia

O Estado de S.Paulo - SP   19/04/2021

Com um novo boom das commodities (produtos básicos, como petróleo, grãos e minério) no mercado internacional, o Brasil deve voltar a fechar em 2021 as contas externas no azul após 14 anos. De acordo com o Banco Central, depois de um rombo de US$ 12,5 bilhões no ano passado – já considerado baixo para os padrões brasileiros – a estimativa é de saldo positivo de US$ 2 bilhões em 2021, o primeiro superávit desde 2007.

A conta de transações correntes no balanço de pagamentos engloba todos os negócios do Brasil com o exterior, incluindo o saldo comercial de mercadorias e serviços, as remessas de lucros e dividendos e os juros pagos pelas empresas, além das transferências pessoais.

A última vez em que o resultado ficou no azul ocorreu no boom global das commodities do começo deste século, quando o Brasil registrou superávits por cinco anos consecutivos a partir de 2003. Até o fim do ano passado, o BC previa um novo déficit de US$ 19 bilhões nas contas externas para 2021. Mas, com o aumento nos preços das commodities que o Brasil produz, o BC elevou a projeção de resultado em US$ 21 bilhões, para saldo positivo de US$ 2 bilhões.

Com as estimativas para as contas de serviços e de renda primária praticamente estáveis, a grande diferença veio na projeção para a balança comercial em 2021, que passou de superávit de US$ 53 bilhões para US$ 70 bilhões. Se o valor se confirmar, será o maior da história para o saldo comercial medido pelo BC. Pelas contas da instituição, somente as exportações devem alcançar US$ 256 bilhões este ano, superando o recorde de US$ 253,185 bilhões de 2011.

“Apesar de terem começado o ano em nível deprimido, espera-se que as exportações aumentem a partir de março, impulsionadas pelo escoamento da boa safra de soja, pelo patamar elevado para preços de commodities e pela recuperação da demanda internacional”, destacou o BC no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

O Ministério da Economia também espera um superávit comercial recorde em 2021, de US$ 89,4 bilhões, crescimento de 75% ante o saldo de US$ 50,9 bilhões no ano passado. Enquanto a pasta considera os valores de todos os contratos de exportações e importações, a métrica do BC inclui apenas os recursos que efetivamente saíram e entraram no País.
Alta

No mercado internacional, os preços das commodities subiram 50% no último ano, conforme o BC. No mercado brasileiro, em reais, os preços das commodities tiveram alta de 66% no mesmo período. O impacto das commodities nas contas externas é cada vez maior porque o peso dos produtos básicos nas exportações brasileiras é crescente, passando de 53% do total embarcado em 2019 para 57% no ano passado.

O presidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destaca que o crescimento nas vendas desses produtos ocorre muito mais pelo preço do que pela quantidade produzida. “Há um aumento generalizado nos preços de todos esses produtos que o Brasil já produz em grande volume, como soja, milho, minério e petróleo. Além do aumento na demanda por países que já começaram a sair da crise, há um gargalo de falta de navios e contêineres que ajuda a pressionar os custos”, diz.

Para Castro, diferentemente do que ocorreu na primeira década deste século, a alta nos preços das commodities não deve continuar por muitos anos: “Ainda estamos no meio da pandemia, e não consigo imaginar esse movimento como uma coisa duradoura. Pode até haver alguma expansão na produção de alimentos para atender a uma demanda conjuntural decorrente de auxílios de renda, mas na metalurgia não vejo investimentos para a ampliação da capacidade que não terá demanda no futuro. ”

Já o economista chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, projeta um ciclo mais extenso de valorização das commodities, pelo menos enquanto durarem os grandes pacotes fiscais lançados pelas principais economias avançadas. “No meu cenário, o boom das commodities é algo que veio de maneira mais duradoura, porque o ambiente é de liquidez (quantidade grande de recursos) e com uma perspectiva longa no tempo. A União Europeia, por exemplo, já anunciou que vai manter seu pacote até 2026”, conclui o economista.

O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, possui uma visão mais crítica sobre o superávit em conta corrente projetado para 2021. Segundo ele, apesar do desempenho das commodities, o resultado esperado faz parte de um diagnóstico ruim da economia brasileira. “É sinal de um quadro doméstico deteriorado, com câmbio fora do lugar e dificuldades para a população, o que reduz as importações”, afirma.

Menos

Dólar pressionado vira pesadelo para parte da indústria

Ler Notícia

O Estado de S.Paulo - SP   19/04/2021

A forte valorização do dólar, que já subiu mais de 7% este ano em relação ao real, após alta de quase 30% em 2020, é um pesadelo para boa parte da indústria. Isso ocorre por causa do aumento de custos que a moeda americana provoca, seja pela importação direta de matérias-primas e componentes ou pelo fato de os insumos usados, mesmo que produzidos localmente, serem cotados a preços do mercado internacional.

Esse equilíbrio de forças entre benefícios e prejuízos ocasionados pela alta do dólar depende, no entanto, do peso das exportações em cada negócio. Fabricantes de calçados e frigoríficos de aves e suínos, por exemplo, que vendem grande parte da produção para o mercado externo estão conseguindo se sair bem neste momento de câmbio pressionado, pois embolsam receita em dólar.

Já empresas de setores que usam insumos importados, mas são voltadas para o mercado doméstico, como fabricantes de eletroeletrônicos e medicamentos, estão sendo penalizadas pelos aumentos de custos sem ter a contrapartida do faturamento em moeda estrangeira. Neste caso, a saída é buscar alternativas para compensar as perdas de margens.

Na indústria de medicamentos, onde 90% das matérias-primas são importadas e os preços dos remédios são controlados pelo governo, há empresas que resolveram deixar de fabricar determinados itens porque não querem operar com prejuízo, conta o diretor executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada. Outras farmacêuticas tentam compensar a pressão de custos provocada pelo câmbio, aumentando a escala de produção de um mix de medicamentos. “Sempre o reajuste autorizado pelo governo foi inferior aos custos, mas agora piorou porque o câmbio está alto”, diz o executivo.

No segmento de eletroeletrônicos, onde boa parte dos componentes são importados, a pressão do dólar é visível. Em 12 meses até março, os preços ao consumidor de televisores, equipamentos de som e itens de informática acumulam alta de quase 23%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mesmo período, a inflação geral aumentou 6,1%.

A Multilaser, uma das maiores indústrias nacionais de eletroeletrônicos, que fabrica tablets, televisores, computadores, entre outros, registrou aumento de mais 40% nos custos nos últimos meses por conta do câmbio e da escassez de componentes, como chips de memórias. “Não repassamos integralmente esses custos, no entanto isso não assegura um aumento inexpressivo na ponta, já que a pressão é muito alta”, diz o presidente da empresa Alexandre Ostrowiecki.

Para contrabalançar a retração nas vendas que os aumentos de preços podem provocar, Ostrowiecki conta que a companhia está desenvolvendo linhas de produtos mais simples e competitivas para caber no bolso do consumidor.

José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, explica que as indústrias estão repassando os aumentos de custos para os preços porque as empresas não têm como absorver. Apesar da situação complicada, ele ressalta que as companhias do setor não pensam em ajustar a produção e o emprego. Mesmo com a demanda fraca neste momento, os fabricantes enxergam uma recuperação do consumo no segundo semestre, com o avanço da vacinação.
Exportadores

Apesar do peso da alta do dólar nos custos de vários componentes e matérias -primas, fabricantes de calçados e frigoríficos que vendem para o exterior parcela significativa da produção conseguem obter ganhos com o avanço do câmbio.

O Grupo Dok, fabricante de calçados femininos e infantis com as marcas Ortopé, Dok e Dijean, com unidades em Birigui (SP) e em Frei Paulo (SE), viu dobrar no último ano a fatia das exportações na produção de 16 mil pares por dia. Hoje a empresa exporta 16% da produção. “Esse resultado é por conta do desabastecimento que houve no mercado externo em razão da pandemia e da alta do dólar”, diz o diretor de Negócios, Otávio Facholi.

Ele conta que desde o ano passado a empresa tem sido afetada pela retração nas vendas domésticas por causa da covid-19 e as exportações para 25 países, a maioria da América Latina, têm contribuído para manter as duas fábricas em funcionamento. Juntas, elas empregam 1.300 trabalhadores.

O cenário de alta do câmbio também é favorável para frigoríficos de aves e suínos, mas apenas para aqueles que têm uma parcela significativa da produção voltada para exportação. Ricardo Santin, diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), observa que a alta do câmbio foi boa para os frigoríficos que são grandes exportadores “porque deu mais competitividade aos produtos, apesar dos custos malucos”.

Pressionado pelo milho e pelo farelo de soja, commodities cotadas em dólar que são a base da alimentação de suínos e frangos, o custo de produção dessas carnes subiu, em média, 45% nos últimos 12 meses. Essa alta afetou os frigoríficos voltados para o mercado doméstico, onde há hoje empresas que operam no vermelho.

Santin diz que não é possível dizer qual é a posição geral do setor. “Depende da representatividade das exportações na produção de cada um. Para quem exporta muito foi maravilhoso.” Em março, as vendas externas de frango e suínos superam a meta de 500 mil toneladas estabelecida pelo setor. Foram 109 mil toneladas de suínos e 396 mil toneladas de frango. “Essa marca foi atingida muito em função do câmbio.”

Menos

MINERAÇÃO

Divergências entre consultorias de voto de acionistas aquecem eleição para conselho da Vale

Ler Notícia

O Estado de S.Paulo - SP   19/04/2021

As consultorias internacionais de orientação de voto a acionistas Institutional Shareholder Services (ISS) e Glass Lewis manifestaram posições distintas sobre a eleição ao conselho de administração da Vale, marcada para 30 de abril. A divergência entre as agências vai obrigar cada acionista a fazer o seu dever de casa e adicionar emoção à já disputada eleição para o mandato 2021-2023.

O ponto em comum foi que nenhuma delas recomendou voto no agora ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, indicado por acionistas minoritários da companhia à presidência do colegiado, em oposição a José Penido, apontado pelo Comitê de Nomeação da Vale. Os relatórios falam em “abstain” (abstenção).

Da lista alternativa dos minoritários, a conselheira do Grupo Soma, Rachel Maia, teve indicação favorável da ISS. O documento enviado aos acionistas da mineradora diz que ela “acrescentaria experiência relevante ao conselho, aumentaria a sua independência, assim como a diversidade de gênero e racial”.

A mesma consultoria deu recomendação de voto positiva a todos os nomes apontados pela Vale, com exceção de Ken Yasuhara, ex-diretor da Mitsui e da Sumitomo no Brasil, levando em conta sua pouca experiência como membro de conselhos.

Ao indicar abstenção de voto em relação aos nomes do advogado e conselheiro da Vale Marcelo Gasparino, do ex-presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, e de Castello Branco, a ISS disse que faltou aos acionistas que articulam as candidaturas apresentar uma justificativa convincente e/ou uma estratégia para mudanças adicionais com sua eleição ao colegiado.

Menos

Máquinas e Equipamentos

Abimaq envia carta a Guedes pedindo reedição de medidas emergenciais

Ler Notícia

IstoÉ Online - SP   19/04/2021

A Abimaq, entidade que congrega as empresas fabricantes de máquinas e equipamentos, enviou nos últimos dias carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, intercedendo pelo setor, especialmente pelas micro, pequenas e médias empresas, que mais têm, segundo a entidade, sofrido com os impactos da crise provocada pelos reflexos da pandemia.

“As micro, pequenas e médias empresas que já sofrem com os problemas de liquidez, possuem mais um desafio que é o de manter em dia seus compromissos como o pagamento de salários, fornecedores, bancos e de impostos”, escreveram ao ministro o presidente do Conselho de Administração da Associação, João Carlos Marchesan, e o presidente-executivo, José Velloso.

O resultado de todas estas dificuldades enfrentadas pelas empresas, de acordo com os dois executivos, é a diminuição do ritmo da retomada da economia para esse ano de 2021.

Por tudo isso, a Abimaq pediu ao ministro a aprovação Programa que está sendo revisto com novas condições de financiamento (Pronampe), do BNDES Crédito Pequenas Empresas, com aumento do rol de beneficiárias. A carta pede também a redução do spread do BNDES, de 1,25% para 0,95% ao ano e aumento do limite de financiamento de R$ 10 milhões para R$ 70 milhões.

Na carta, Marchesan e Velloso pedem também a reedição do Programa de Suporte a Empregos (Pese), redução à zero da alíquota do IOF sobre operações de crédito, câmbio e seguros, o que reduz o custo efetivo para o tomador do crédito.

Outro pedido feito ao ministro foi para que se proponha à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) a realização de um mutirão para oferecer renegociação de dívidas com bancos públicos, privados, de cooperativismo, desenvolvimento e fomento além da prorrogação pelo prazo de quatro meses do recolhimento dos tributos federais como PIS, COFINS, IPI, IRPJ, CSLL e INSS.

Num outro documento, também enviado ao ministro Guedes,a Associação pede a prorrogação dos atos concessórios de drawback que vencem em 2021, uma vez que ainda há relato de dificuldades pelas exportadoras para o cumprimento de suas obrigações devido ainda ao impacto da crise ocasionada pela pandemia.

Menos

FERROVIÁRIO

Apesar de entraves, governo espera leiloar Ferrogrão ainda em 2021

Ler Notícia

Revista Ferroviaria - RJ   19/04/2021

Apesar de revés no STF (Supremo Tribunal Federal) e de questionamentos do Ministério Público Federal, o Ministério da Infraestrutura ainda vê possibilidade de licitar até o fim de 2021 a Ferrogrão, um dos maiores projetos de infraestrutura do país, com investimentos previstos em R$ 21,5 bilhões.

A pasta defende que os pontos levantados tanto pelo tribunal quando pela Procuradoria podem ser resolvidos e que o projeto, além de reduzir o custo do transporte da produção de grãos da região Centro-Oeste, teria saldo positivo na questão ambiental.

“Não iríamos à frente com o projeto se não acreditássemos realmente na viabilidade técnica, econômica e ambiental”, diz a secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura, Natália Marcassa.

Incluída no PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) em 2016, a Ferrogrão foi proposta por produtores agrícolas como alternativa ao escoamento da safra pelo porto de Santos, mas enfrenta grande resistência de ambientalistas e comunidades indígenas.

Com 933 quilômetros de extensão, o projeto prevê a ligação ferroviária do Mato Grosso aos portos de Miritituba e Santarém, no Pará, trajeto hoje feito majoritariamente de caminhão, pela BR-163. A possibilidade de impactos sobre a Floresta Nacional do Jamanxim e sobre 23 povos indígenas são alguns dos pontos críticos hoje.

Esta semana, o Ministério Público Federal foi ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedir que o projeto seja devolvido à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e só seja levado adiante após consulta obrigatória aos povos indígenas afetados.

“A consulta aos povos indígenas não pode ser vista como mera formalidade a ser cumprida para alcance de um desiderato já pré-definido”, escreveu o procurador Júlio Marcelo de Oliveira em representação entregue ao tribunal. “Não é isso que prevê a legislação.”

A ação reforça outra representação ao TCU feita em outubro de 2020 sobre o mesmo tema. Em dezembro, a Procuradoria decidiu iniciar ação judicial para proibir o governo de realizar qualquer ato relativo à licitação antes da consulta.

Segundo o Ministério Público Federal, levantamentos iniciais identificaram impactos sobre os povos Munduruku, Panará, Kayapó e Kayapó Mekragnotire, além de seis terras indígenas no Mato Grosso, incluindo áreas de povos isolados e o Parque Indígena do Xingu.

Marcassa diz que as consultas aos povos afetadas foram atrasadas pela pandemia e serão feitas assim que a vacinação dos moradores for concluída. O estudo de viabilidade do projeto, porém, identifica apenas duas comunidades indígenas na área de influência da obra, ambas na região de Miritituba.

Em outra frente, o ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu, em liminar concedida em março, a eficácia de uma lei aprovada no governo Michel Temer que alterava os limites da Floresta Nacional do Jamanxim para viabilizar a passagem da ferrovia.

Moraes entendeu que o tema não poderia ter sido tratado pela conversão de uma medida provisória em lei, como ocorreu. O Ministério da Infraestrutura defende que a jurisprudência na época permitia essa possibilidade, mas o entendimento do tribunal mudou depois.

Hoje, após revisões do projeto, o governo avalia que a Ferrogrão pode ser construída sem necessidade de acessar a área protegida, mas diz que o traçado final sobre o tema dependerá do detalhamento do projeto da ferrovia.

O entendimento do ministério é que a liminar de Moraes pode ser revertida no julgamento do mérito. O projeto do governo, diz Marcassa, prevê R$ 750 milhões em compensações ambientais, desde a construção de passagens subterrâneas para a travessia de animais a projetos sociais e de qualificação da população afetada.

Defensores da ferrovia, os produtores de soja criticaram a decisão de Moraes. “A obra é extremamente importante para o setor produtivo e representa enorme desenvolvimento com pouco impacto ambiental”, disse, em nota, a Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso).

O governo e os produtores defendem que a substituição dos caminhões pela ferrovia garante, além de redução nos custos de transporte, uma redução de emissões de gases do efeito estufa –o ministério fala em corte de até 1 milhão de toneladas de gás carbônico por ano.

“A gente não tem dúvida que, do ponto de vista ambiental, a Ferrogrão é solução logística muito melhor do que [a logística que] a gente tem hoje”, diz a secretária do Ministério da Infraestrutura. Segundo ela, o traçado usará a faixa de servidão da BR-163 e, por isso, não demanda grande supressão vegetal.

O projeto da Ferrogrão prevê o transporte de 30 milhões de toneladas por ano em sua fase inicial, com crescimento gradativo até atingir 45 milhões de toneladas por ano em 2035. O volume representa mais da metade dos 83 milhões de toneladas exportados pelo Brasil em 2020.

Por isso, tem grande apoio de grandes tradings globais de commodities agrícolas, como Bunge e Cargill. Por outro lado, sofre oposição da concessionária de ferrovias Rumo, do grupo Cosan, que vê o projeto como concorrente em um mercado onde tenta ampliar sua presença.

Crítico do projeto, o economista Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B, afirma que a obra não é factível com os números apresentados pelo governo.

Ele argumenta que as três princpais novas ferrovias construídas no país –Norte-Sul, Transnordestina e Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste)– sofreram com aumento de 48,7% nos custos e 218% nos prazos, em relação às previsões iniciais.

Comparando as premissas usadas pela Vale no projeto da Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), Frischtak calcula que a Ferrogrão demandaria R$ 27 bilhões só em obras, ante os R$ 8,4 bilhões projetados. “Não para em pé”, afirma.

O governo quer destinar R$ 2,2 bilhões de outorga paga pela Vale na renovação de suas concessões ferroviárias como um “colchão de liquidez” para eventuais imprevistos, mas a secretária do Ministério de Infraestrutura afirma que não se trata de dúvidas sobre a viabilidade.

A reserva é necessária, diz, porque ao contrário de outras concessões, esta não terá possibilidade de reduzir outorga ou aumentar tarifas em caso de elevação de custos, atrasos ou redução de demanda. “O governo não vai aportar recurso na obra”, afirma.

Entre julho e agosto de 2020, o governo foi ao mercado ouvir potenciais interessados nas obras, em encontros com construtoras, como a espanhola Sacyr e a chinesa CCCC, operadoras de ferrovias, como a China Railway Group, e instituições financeiras.

Marcassa diz que, pela complexidade do projeto, espera que concorrentes venham em consórcios, que ajudem a dividir os riscos do investimento e a permitam a sobrevivência dos empreendedores a ao menos sete anos de obras sem qualquer receita.

Menos

NAVAL

Relatório sobre Porto de Itaguaí apontou 'significativo risco à saúde da população e degradação ambiental'

Ler Notícia

Globo Online - RJ   19/04/2021

O relatório que embasou a interdição do Porto de Itaguaí na manhã desta sexta-feira apontou não só as consequências ambientais por causa das irregularidades flagradas mas também ameaças à saúde da população e dos trabalhadores do local. De acordo com a prefeitura, a CSN Tecar e a Sepetiba Tecon, braços da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cometeram pelo menos oito crimes ambientais no porto. A interdição é temporária, e será revista após as empresas comprovarem a adequação exigida.

Nos últimos anos, ambientalistas e pescadores da Baía de Sepetiba vinham denunciando a degradação daquele ecossistema marítimo, resultado de despejos irregulares oriundos do Porto. Houve inclusive representações ao Ministério Público do Rio, porém os procedimentos foram declinados para o Ministério Público Federal. A operação desta sexta, porém, foi de responsabilidade da prefeitura de Itaguaí, que, através da sua Secretaria de Meio Ambiente, fez uma vistoria no local e um relatório técnico foi elaborado no último dia 23 de março.

No relatório, elaborado por 13 técnicos, foram constatadas diversas irregularidades, com destaque ao lançamento irregular, e sem monitoramento adequado, de minério de ferro na Baía de Sepetiba, além do armazenamento irregular de produtos químicos, dispersão irregular de partículas de minério de ferro e carvão no ar, que formava uma "nevoada" no local, e presença de resíduo de minério aquoso no solo, que pode contaminar o lençol freático. Na operação, nesta sexta, houve o flagrante de um desses crimes ambientais: o despejo de água contaminada com minério no mangue.

O relatório gerou um parecer jurídico da prefeitura, que então determinou a interdição temporária do porto, além da aplicação de multa de R$ 2,3 milhões para reparar a poluição do solo, da água e do ar em Itaguaí. Procurada, a CSN disse não reconhecer as acusações e afirmou que possui todas as licenças ambientais necessárias para a sua operação.

Na vistoria, chamou a atenção dos técnicos o tratamento inadequado dos efluentes. Para o carvão, há um tratamento químico, mas para o efluente de minério é feito apenas uma filtragem simples, de pedra e areia, incapaz de proteger a Baía de Sepetiba, por não atender às exigências do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O despejo irregular afeta, por exemplo, a biodiversidade marinha do local, o que dá razão às denúncias recorrentes de pescadores, que apontam até a mortandade de peixes.

Além disso, o próprio tratamento de efluente sanitário do Porto não atende às exigências, apontou o relatório. Outras irregularidades observadas foram a presença de canaletas obstruídas por resíduo de minério, o armazenamento irregular de produtos químicos, resíduos de minério aquoso no solo, e a ressuspensão de partículas de minério e carvão, que é a formação de nevoadas no local, o que ameaça a saúde dos trabalhadores do porto. O parecer jurídico apontou que "a exposição humana aos poluentes atmosféricos gera dano à saúde devido às condições de trabalho, causado pela inalação de material particulado potencialmente tóxico". Por isso, foi constatado "significativo risco à saúde da população e degradação ambiental significativa". Outra ameaça à população ocorre de forma indireta, pela contaminação dos peixes.

Diante de todas as irregularidades, a prefeitura de Itaguaí determinou medidas que as empresas precisam tomar antes da operação no Porto voltar a ser liberada. As medidas estão divididas entre aquelas urgentes, ou seja, a serem tomadas de forma imediada, e outras em "caráter progressivo", a médio prazo. As medidas passam por apresentação de laudos de controle, adequar armazenamento de produtos, controlar vazão da Estação de Tratamento até apresentar plano de reparos e adotar sistema de controle de emissões atmosféricas.

A secretária de Meio Ambiente, Shayene Figueiredo Barreto, explicou que as empresas serão chamadas para uma reunião para elaboração de prazos para as medidas. Segundo ela, a prefeitura está tranquila quanto à possibilidade de recursos judiciais das empresas pois o relatório está bem embasado.

— Inclusive a Polícia Ambiental nos acompanhou no ato da interdição, e houve autuação de crime ambiental em flagrante. Nossa vistoria constatou ameaça a todo ambiente marinho, todas espécies estão ameaçadas. Além disso, nossos técnicos presenciaram nevoada de partículas de minério, que causa prejuízo a saúde humana. É um metal muito pesado — afirmou a secretária.
Ambientalistas já faziam denúncias sobre a operação no Porto

Em 2018, as irregularidades no Porto de Itaguaí já haviam sido alvo de representação do Movimento Baía Viva, liderado pelo ecologista Sérgio Ricardo, ao Ministério Público Federal. Procurado, o MPF não se manifestou antes do fechamento desta matéria.

— Nos últimos anos, houve processo de "sacrifício ambiental" na Baía de Sepetiba, com ameaça de extinção de espécies marinhas, entre elas o boto-cinza, animal símbolo da bandeira do Rio. Além do significativo impacto socioambiental nas comunidades pesqueiras o que ameaça extinguir a tradicional atividade pesqueira artesanal que (ainda) gera milhares de postos de trabalho nas baías do estado.

A secretária Shayene Figueiredo confirmou que as denúncias de pescadores foram anexadas no processo da prefeitura. Como destacou o relatório, nas adjacências do Porto de Itaguaí há oito Áreas de Proteção Ambiental (APAs), uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) , uma estação ecológica , três parques, três reservas e sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e bens naturais. Os técnicos ainda destacaram a presença dos manguezais do entorno, classificados como Unidades de Conservação

Para o biólogo Mario Moscatelli, a fim da interdição gerar um processo duradouro de transformação das práticas ambientais, o ideal seria fazer coleta e análise dos peixes, crustáceos e moluscos da região.

— Isso é fundamental para saber se os contaminantes de fontes potenciais diversas já foram ou estão sendo incorporados na teia alimentar e afetando seus consumidores
Mercado hoje cobra ações de sustentabilidade, diz especialista

Segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, a CSN utiliza o Porto, cujo nome técnico é Terminal de Granéis Sólidos (TECAR) para escoamento de 85% de sua produção de minério de ferro. Isso significa capacidade de exportação superior a 42 milhões de toneladas de minério de ferro anual, além da capacidade de armazenar 5 milhões de toneladas de carvão e 45 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Por isso, qualquer dia de paralisação representa um duro golpe nas finanças da companhia.

Mas, o economista e professor do Ibmec, Ricardo Macedo, destaca que a sustentabilidade é uma questão cara ao mercado de investidores. Por isso, ainda que recorra judicialmente, a CSN precisará provar que está adotando as chamadas "ações verdes".

— Cada vez mais, investidores estão preocupados com questão ambiental, uma tendência no mundo inteiro. E já há estudos que provam que o investimento nessas ações verdes não comprometem o rendimento econômico financeiro, pelo contrário.

Procurada, a CSN afirmou ter "todas as licenças ambientais no Porto de Itaguaí, o que atesta que sua atuação é completamente baseada no que a legislação determina" e que vai tomar as providências legais. Segundo a companhia, que não reconhece as acusações, não houve vazamento ou derramamento de minério no mar. Por fim, a empresa ainda respondeu que "não compete a uma prefeitura municipal interditar um porto com alfandegamento federal, devidamente licenciado pelo órgão ambiental estadual, e que é responsável por grande parte da balança comercial brasileira, sem que tenha sido sequer dada uma oportunidade de defesa e de prestação de informações devidas".

Sobre a questão da competência federal, a Prefeitura de Itaguaí respondeu que tem o poder para interditar o porto com base na Lei Municipal 3.296/2021. Ela garante, no Artigo 7º, “exercício do poder de polícia em relação a atividades causadoras de poluição e impacto ambiental e imposição das sanções administrativas estabelecidas em Lei, independentemente de a concessão de licença ter sido feita ao empreendimento ou atividade por órgãos ambientais estaduais ou federais”.

Menos

Gestão portuária: setor debate mudanças

Ler Notícia

A Tribuna - SP   19/04/2021

Uma gestão portuária descentralizada, autônoma, participativa e profissional é o modelo proposto pelos usuários dos complexos portuários brasileiros. Essas características foram destacadas na audiência pública promovida pela Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados, nesta sexta (16).

Na sessão, também foi debatida a desestatização da administração do Porto de Santos, planejada pelo Governo, mas alvo de críticas. O encontro, realizado virtualmente, contou com as presenças do secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, do Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Eduardo Nery, do presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Conceição da Silva, do presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, do presidente da Associação de Terminais Portuário Privados (ATP), Murilo Barbosa, e do presidente da Federação Nacional dos Estivadores (FNE), José Adilson Pereira, além do consultor portuário e articulista de A Tribuna, Frederico Bussinger, e do diretor de Investimentos para América Latina da Terminal Investment Limited (TIL), Antonio José de Mattos Patrício Júnior.

“Desestatizar por inteiro a gestão portuária talvez não seja omelhor caminho. Por isso que eu propus esse debate. Em outros lugares, que são exemplo, setores foram privatizados e não o porto como um todo. Sou defensor da privatização, mas na questão portuária, estudando o assunto, ouvindo a comunidade e os profissionais da área, a gente entende que a estatização, o modelo Landlord, ainda é um caminho a ser debatido. Em outros portos de sucesso como Roterdã, na Holanda, eles tiveram uma eficiência melhor apurada”, afirmou o deputado federal Júnior Bozzella (PSL), autor do pedido para a realização da audiência.

A opinião é a mesma de executivos do setor. “Quer olhemos para o mundo, quer olhemos para os desafios futuros, quer nos espelhemos em nossas experiências do passado recente, o mais prudente seria nos aliarmos ao benchmarking internacional. Um modelo Landlord com gestão descentralizada, autônoma e participativa e sob o comando de instâncias públicas”, disse Frederico Bussinger.

Isonomia

Para o presidente da ABTP, Jesualdo da Silva, é preciso avançar na quebra da burocracia e garantir segurança aos investidores, além de isonomia de tratamento entre todos os players. “O problema não está no modelo, está na cultura regulatória. Não importa o modelo, se não mudarmos a cultura, venha o modelo que vier, vamos ter as mesmas dificuldades”, afirmou. “Entendemos que o melhor modelo seria a descentralização”, completou.

Aquino defendeu a retirada do Estado em atividades que a iniciativa privada pode fazer, além de uma administração portuária descentralizada e sem interferências políticas. “Porém, não sendo possíveis tais objetivos, a administração portuária deve ser privatizada, segregando-se as funções de autoridade portuária que necessitam ser exercidas pelo poder público”.

Segundo o presidente da Fenop, o modelo Landlord é usado na maioria dos portos bem-sucedidos, mas não é totalmente adotado no País. “As duas possibilidades estão colocadas: alteração legal necessita de convencimento e participação de todos, governo, Congresso, setor laboral, empresarial e usuários. Há movimento para se alterar a legislação? Sem isso, não há Landlord. Se não, resta então
aproveitar a possibilidade de privatização, tomando cuidado com as consequências negativas vivenciadas da Austrália”.

O diretor da TIL também destaca a necessidade de regras sólidas diante dos investimentos. “O que a gente não pode é perder a oportunidade de ter participação irrestrita de todos os grupos econômicos. Muita gente pode dizer que vai ter conflito de interesse. É claro que vai ter. Toda vez que tem competição tem conflito de interesse. Só tem um jeito de resolver, com um regulatório sólido”.

Menos

O paradoxo do Porto de Santos

Ler Notícia

O Estado de S.Paulo - SP   19/04/2021

Em longo e detalhado artigo publicado por sua consultoria, a Ecostrat, o economista José Tavares expõe um aparente paradoxo do Porto de Santos.

Por um lado, o porto paulista, líder na América Latina, se modernizou e registrou crescimento no movimento de contêineres equivalente ao dos 50 maiores portos do mundo nessa categoria. Por outro, permanece a grande insatisfação dos usuários com os portos brasileiros, dos quais Santos é o principal. Segundo o Global Competitiveness Report (GCR), em 2019, numa lista de 139 países, o Brasil ficou em 104º lugar.

Em conversa com a coluna, Tavares acrescenta que outros portos brasileiros, como Paranaguá (PR), Suape (PE) e Rio Grande (RGS), passaram por um intenso processo de modernização tecnológica nos últimos 20 anos, mas continuam sendo considerados os piores do mundo pelos usuários

“A culpa disso é do governo federal, que concentra as decisões de investimentos em Brasília e desmoraliza as Cias. Docas”, ele diz.

Tavares é diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes, no Rio), com passagens pelo governo, e especialista em comércio internacional, política de competição e organização industrial.

Sua análise parte da decisão do governo federal, de março de 2020, de privatizar o Porto de Santos em 2022. A razão social da Codesp (Cia. Docas do Estado de São Paulo) foi alterada, com a adoção do nome de fantasia em inglês de Santos Port Authority (SPA). Em fevereiro de 2019, foi lançado o primeiro Plano Mestre do Porto de Santos, como metas quinquenais detalhadas até 2060.

No seu estudo, Tavares descreve minuciosamente os inegáveis avanços do Porto de Santos nas últimas décadas. O movimento de cargas saltou de 34 milhões de toneladas em 1994 para 147 milhões em 2020. Na década passada, o movimento de contêineres em Santos cresceu em linha com a tendência global, até ligeiramente acima.

O movimento de navios com calado superior a 12 metros, que revela o ritmo de modernização tecnológica do porto, saiu de 1, em 2002, para 49 em 2008 e 406 em 2020. Entre 2012 e 2019, o índice de desempenho ambiental – que vai de zero, o pior, para 100, o máximo – subiu de 63 para 94.

Mas por que, então, os usuários continuam insatisfeitos? Na visão de Tavares, é fundamentalmente um problema de governança. Ele menciona Elinor Nostrom, Prêmio Nobel de Economia em 2009, que estabeleceu o conceito de “governança policêntrica”.

Segundo Tavares, trata-se de “um sistema social no qual agentes formalmente independentes são forçados a tomar decisões que são disciplinadas pelos interesses dos demais membros daquele sistema (clientes, fornecedores, parceiros, competidores, vizinhos etc.)”.

É uma governança em que a dicotomia mercado-Estado é irrelevante, porque a melhor configuração possível só se alcança com “centros múltiplos de decisão, parcialmente independentes, e providos de mecanismos de solução de controvérsias que regulem as relações de cooperação e competição entre os distintos agentes”.

Nos últimos 30 anos, nota o economista, os principais portos do mundo foram na direção da “governança policêntrica”, na qual a configuração típica é a de criar empresas estatais municipais para coordenar o sistema. Operam dessa forma atual os portos de Shangai, Cingapura, Busan (Coreia do Sul), Hong Kong e Rotterdam – respectivamente, o 1º, 2º, 6º, 7º e 11º no ranking de movimentação de contêineres –, além de Antuérpia, Kaohsiung (Taiwan), Los Angeles, Hamburgo e Kobe (Japão).

Mas Tavares observa que, no Brasil, “não obstante os ganhos de eficiência promovidos pela Lei 8630/93 [Lei dos Portos], a gestão portuária vem evoluindo na direção oposta à do resto do mundo, através de uma centralização crescente das decisões no governo federal”.

Um dos problemas dessa configuração é impossibilitar que os investimentos previstos pelo governo sejam cumpridos pelas autoridades portuárias. Em Santos, entre 2004 e 2019, foram investidos em média somente 29% dos recursos autorizados.

O economista também comenta o irrealismo e irrelevância do Plano Mestre. O do Porto de Santos, de 2019, tem 1.538 páginas. Em contraste, os Planos Mestre do Porto de Los Angeles e de Rotterdam têm, respectivamente, 86 e 76 páginas.

Tavares aponta que o Plano Mestre do Porto de Santos usa um sofisticado modelo econométrico para projetar a demanda entre 2020 e 2060, mas que esbarra no fato de que variáveis, como câmbio, por exemplo, teimam em ter uma volatilidade que não tem como ser devidamente captada nesses exercícios.

Já Planos Mestre como os de Los Angeles e Rotterdam, nas palavras do economista, “são documentos sintéticos e didático, nos quais a autoridade portuária relata as providências encontradas para lidar com os desafios correntes do porto”.

Tavares cita casos absurdos na governança brasileira, como o Plano Mestre de 2020 do Porto de Estrela, no rio Taquari, no interior do Rio Grande do Sul, que está inativo desde 2014.

Outro problema é que o Plano Mestre, no caso de Santos, é incongruente com o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) de julho de 2020. Ele cita o caso da Marimex, terminal que oferece serviços de logística e armazenagem alfandegada, que é projetada parar se tornar líder no trânsito de caminhões das regiões de Paquetá e Ourinhos, segundo o Plano Mestre; enquanto consta no PDZ que o contrato de arrendamento da Marimex não foi renovado, e que a empresa estaria operando sob liminar judicial.

Finalmente, Tavares destaca os riscos de captura da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antac) pelos interesses do agentes regulados. Ele cita o caso da cobrança, por parte dos terminais, da taxa “THC2” nos recintos alfandegados, condenada pelo Cade por não corresponder à prestação de qualquer serviço.

Segundo o economista, a decisão do Cade foi baseada em nota técnica da própria Antaq, mas, em duas resoluções posteriores, a diretoria do órgão considerou legítima a cobrança da THC2, que passou a ser chamada de “Serviço de Segregação e Entrega de Contêineres” (SSE).

Menos

Desestatização do Porto de Santos: modelo será definido em julho

Ler Notícia

A Tribuna - SP   19/04/2021

O modelo de gestão desestatizada do Porto de Santos deve ser definido no fim de julho, quando os estudos seguirão para a avaliação e aprovação do Ministério da Infraestrutura. A informação é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nos bastidores, há planos do Governo Federal de adiantar a desestatização do cais santista para fugir do calendário eleitoral do próximo ano.

A previsão oficial, divulgada pelo Ministério da Infraestrutura, é que o edital de leilão da Autoridade Portuária de Santos (APS) será publicado no segundo trimestre do ano que vem. Isto só pode acontecer após as etapas de consulta e audiência pública. Todo o processo custou R$ 23,8 milhões ao Governo Federal.

Porém, é possível que o processo seja acelerado. O objetivo é evitar atrasos causados pelo processo eleitoral. No ano que vem, haverá votação para a escolha do presidente da República, dos governadores, senadores e deputados estaduais e federais.

Segundo apurado pela Reportagem, os defensores da ideia de adiantar a desestatização querem aproveitar o momento de vontade política, já que a privatização da administração do Porto de Santos é uma prioridade do atual governo, e o fato de os trabalhos estarem bem encaminhados.

O problema, nesse caso, é a necessidade de aprovação de todos os estudos referentes a essa privatização pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por isso, os planos incluem agilizar a entrega dos dados – uma das últimas fases do processo.

Esses levantamentos são feitos pelo consórcio Dagnl, que conta com a DTA Engenharia como líder e com as empresas Alvarez e Marçal Consultoria em Engenharia, pela Garín Infraestrutura Assessoria e Participações Ltda e com os escritórios de advocacia Lobo & De Rizzo e Navarro Prado.

Após serem aprovados pelo TCU, os dados serão repassados ao BNDES, que é responsável pelo processo de desestatização. De acordo com o banco, depois, o projeto passará pela tomada de decisão dos órgãos responsáveis e será aberta consulta pública, o que deve acontecer até setembro deste ano.

Procurada, a APS informou que tem mantido reuniões semanais com o BNDES e com o consórcio contratado para conduzir a desestatização. Além disso, segundo o Ministério da Infraestrutura, diversas discussões e visitas técnicas foram realizadas com usuários do Porto de Santos desde o ano passado.

Prévia

O leilão da APS seguirá algumas premissas adotadas na desestatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Segundo o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, o planejamento de longo prazo e a regulação da atividade portuária devem ser mantidos sob o comando do Poder Público.

O que se sabe até agora é que o leilão de privatização da estatal deve restringir a participação de operadores portuários. A ideia é evitar desequilíbrios concorrenciais e conflitos de interesses no cais santista durante o período de gestão privada da administração portuária.

Outra estimativa importante é que, apenas no cais santista, são esperados ao menos R$ 10,5 bilhões de investimentos do novo concessionário.
Tudo sobre: Fernanda Balbino Porto de Santos ASP Autoridade Portuária de Santos Desestatização.

Menos

Associe-se!

Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.

INDA

O INDA, Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, é uma Instituição Não Governamental, legalmente constituída, sem fins lucrativos e fundada em julho de 1970. Seu principal objetivo é promover o uso consciente do Aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema Siderúrgico Brasileiro como um todo.

Rua Silvia Bueno, 1660, 1º Andar, Cj 107, Ipiranga - São Paulo/SP

+55 11 2272-2121

© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.

TOP