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19 de Março de 2021

SIDERURGIA

Por alta de preços, construção civil no Ceará já considera importar aço para reduzir custos

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Diário do Nordeste 19/03/2021

Escrito por Samuel Quintela

Os empresários da construção civil cearense já estão se preparando para comprar aço do exterior para poder dar continuidade à construção de imóveis no Estado, confirmou o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias. De acordo com o empresário, a nova estratégia está sendo pensada para reduzir os impactos da alta do aço no Brasil.

Segundo Patriolino, o preço do insumo teve um aumento de cerca de 100% nos últimos 12 meses e isso preocupa os empresários do setor. Para tentar driblar a inflação do aço, a estratégia seria organizar movimentos de compra do insumo fora do Brasil.

Insumo teve valorização de cerca de 100% em um ano, segundo o presidente do Sinduscon-cE, Patriolino Dias. Ele avalia que a alta deverá ser repassada ao consumidor caso os custos sejam mantidos no patamar atual

 O mercado estadual mantinha a expectativa de que a alta do aço fosse algo pontual e que voltasse ao patamar considerado normal após os primeiros meses deste ano, segundo o presidente do Sinduscon-CE, o que não aconteceu.

Dias ainda comentou que a pressão inflacionária está sendo sentida em vários outros produtos necessários para construção de imóveis, e que, se a alta continuar, o setor deverá repassar os custos ao consumidor. A decisão deverá encarecer os próximos lançamentos de apartamentos e casas no Estado.

"Em um ano, o aço dobrou de preço. Tivemos lançamentos no ano passado sem reajuste, e teremos lançamentos esse ano que ainda sairão sem reajustes de preço. Mas não teve aumento só no aço, tivemos, também, no cimento e outros insumos.Isso tudo complica muito a vida das empresas e a viabilidade dos empreendimentos. Achávamos que seria momentâneo do cenário do ano passado, mas isso tem se mantido e teremos de repassar as altas ao consumidor", afirmou Dias.

Previsão de custos

Apesar da perspectiva apresentada, o presidente do Sinduscon-CE afirmou que ainda não é possível prever a porcentagem de aumento que deverá chegar ao bolso do consumidor. Ele ponderou que a dinâmica do mercado tem estado incerta nos últimos meses, e que seria importante checar a logística e dinâmica de cada empresa.

"Como isso ainda é recente, eu não consigo ter um cenário mais preciso, mas estamos fazendo as contas para importar aço de fora, sim. É muito difícil precisar esses números de repasse ao consumidor porque ainda esperamos que isso possa baixar e que isso seja do momento, mas se a alta se mantiver, vamos ter de repasse. Hoje, é insustentável a gente vender pelo preço normal. O setor está assustado no Brasil inteiro", afirmou Patriolino.

Dinâmica de mercado

Consultado sobre o assunto, o Instituto Aço Brasil se limitou a dizer que os preços do insumo dependem da dinâmica de mercado entre comprador e fornecedor. Contudo, o Instituto afirmou, também, que o aço está passando por uma valorização mundial por conta de um novo boom no mercado de commodities, o que pode elevar os custos na indústria.

"Por força estatutária e em respeito às regras de compliance, o Instituto Aço Brasil não comenta preço. Questões relacionadas a esse tema dizem respeito à relação comercial mantida entre fornecedor e cliente. No entanto, cabe mencionar que, ao acompanhar os índices de preço oficiais, se constata fenômeno que vem acontecendo no Brasil e no mundo. É o chamado novo ciclo das commodities / boom de commodities que vem elevando de forma expressiva o preço das matérias-primas e insumos que compõem o processo produtivo do aço e de outros elos da indústria de transformação", disse o Instituto Aço Brasil em nota.

Procurada também para comentar a dinâmica de mercado, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), preferiu não se posicionar sobre o assunto.

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Minério de ferro e do aço sobem na China com maior uso de metais na indústria

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BOL - SP   19/03/2021

Os futuros de metais ferrosos avançaram nesta quinta-feira na China, impulsionados por um consumo crescente de metais na indústria, enquanto preocupações com cortes na produção de aço também apoiaram os preços.

"Os estoques de produtos siderúrgicos mostraram o ponto de virada e a demanda está melhorando", disseram analistas da Huatai Futures em nota, em referência à queda dos estoques nesta semana.

Os estoques dos cinco principais produtos siderúrgicos mantidos por comerciantes na China caíram para 21,7 milhões de toneladas até quinta-feira, de 22,2 milhões de toneladas na semana anterior, segundo a consultoria Mysteel.

Enquanto isso, rumores recentes no mercado sobre "neutralidade de carbono" e "restrições à produção" também alimentaram os preços pelo lado da oferta, disse a Huatai Futures.

Os futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian subiram 2,5%, para 1.089 iuanes por tonelada.

A Huatai alertou, no entanto, que controles de emissão e planos de corte de produção de aço em geral podem derrubar o consumo de minério de ferro.

No aço, os futuros do vergalhão para construção na bolsa de Xangai para entrega em maio fecharam com alta de 0,4%, a 4.759 iuanes (732,23 dólares) por tonelada.

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ECONOMIA

BC faz maior aumento de juros em dez anos. Vai funcionar? Veja o que dizem economistas

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Globo Online - RJ   19/03/2021

A decisão do Banco Central (BC) de subir a taxa básica de juros, Selic, de 2% para 2,75% na quarta-feira pegou boa parte dos analistas de surpresa. O consenso é que o BC decidiria pela primeira alta desde 2015, mas que seria mais contida, para 2,5%.

Apesar da surpresa, os economistas de mercado ouvidos pelo GLOBO receberam bem a decisão e mesmo a indicação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve subir novamente a Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião.

Já os representantes da indústria e do comércio criticaram, ressaltando o impacto negativo da alta dos juros para a atividade econômica no momento em que os casos e mortes da Covid-19 estão aumentando.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco

Para o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, a decisão do Banco Central surpreende no ritmo, mas não deve se traduzir em uma mudança significativa do patamar já esperado pelo mercado.

A trajetória de alta, avalia, vai depender muito da resposta do câmbio. Para que a inflação fique no centro da meta (3,75%) este ano, diz o economista, o câmbio deveria estar em algo como R$ 4,70. Ele acredita que se o aumento da Selic conseguir deter a alta do dólar, as críticas do setor produtivo, que considerou a medida preciptada, serão revertidas:

— Imaginávamos, de fato, que o BC adotaria um movimento mais moderado para ver os efeitos da pandemia, mas o caminho escolhido foi de antecipar a alta, não de mudar o ponto terminal. Isso faz pouca diferença para a economia. Minha impressão é que, se o BC conseguir o efeito de apreciação do real, a decisão será vista como acertada lá na frente pelo setor produtivo.

Para Honorato, a vacinação coloca pressão positiva para a atividade se ela se acelerar.

— A economia se abriria mais rapidamente. O Copom trabalha com o cenário de que é transitória a atual piora da pandemia. Caso contrário, a economia será mais fraca.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados

O economista defende a medida do Copom e estima que os juros cheguem a 5,5% no fim do ano.

— O comunicado do Copom foi mais explícito sobre o que será feito na próxima reunião, o que é bom, tira uma nuvem de incerteza. A inflação alta pode prejudicar mais o setor produtivo no futuro do que uma alta na Selic agora. Se o BC não fizesse nada agora, machucaria mais a atividade econômica quando fosse obrigado a fazer um ajuste mais drástico nos juros — afirma.

Carlos de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC)

Para entidades representativas de setores produtivos, no entanto, a alta foi precipitada. O temor é de que o aumento dos juros agora tenha um impacto negativo nos níveis de atividade econômica já deprimidos em meio ao pico da pandemia.

— Parece que o Copom está precificando já uma vacinação que não ocorreu. A economia está parada, especialmente os serviços. O BC exagerou na dose com essa alta na Selic. Os setores de serviços estão endividados, bem como as famílias — diz o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos de Freitas.

Para Freitas, o BC também erra ao sinalizar uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic para a próxima reunião do Copom.

— Antecipou a próxima alta, mas a autoridade monetária não tem bola de cristal, nem o Fed (Banco Central americano) faz isso.

Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

A CNI também considera precipitada a decisão do Copom, uma vez que o recrudescimento da pandemia tem levado a novas medidas restritivas que devem reduzir a demanda e, assim, diminuir o ritmo de elevação nos preços de bens e serviços.

— Consideramos que a decisão deveria ter sido postergada até que os efeitos das (novas) medidas de isolamento sobre a demanda e, consequentemente, sobre a trajetória da inflação pudessem ser avaliados — afirma o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.

O aumento da taxa de juros agora, para a CNI, é um elemento adicional de contração da demanda, o que a entidade julga desnecessário na atual conjuntura econômica.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter

A alta de 0,75 p.p surpreendeu positivamente a economista Rafaela Vitória. Ela avalia que a decisão foi bem embasada e técnica e deve auxiliar a sanar uma “certa insegurança” causada pelas seguidas altas nas projeções de inflação para este ano.

A economista ressalta também há um risco embutido nesse aumento mais brusco dos juros para a retomada da economia, mas como o patamar está muito baixo e a inflação vem subindo, a alta na Selic não deve impactar o crescimento do país.

— O Banco Central tomou a decisão certa. É muito pior você desancorar as expectativas de inflação e perder a credibilidade, nesse caso você teria que subir (os juros) muito mais lá na frente — disse.

Silvio Paixão, professor de macroeconomia da Fipecafi

Para o professor de macroeconomia da Fipecafi Silvio Paixão, a decisão do Copom denota uma preocupação com a inflação, mas deveria vir acompanhada de ações que destravem a concessão de crédito na ponta.

— Essas duas altas, a de agora e a já antecipada, terão um impacto singelo sobre a inflação de 2021, que está dada e não é uma inflação de demanda, e sim de alta do preço das commodities. A Selic, agora, tem a pretensão de segurar o aumento inflacionário em para 2022 — avalia Paixão.

Elisa Machado, economista da ARX Investimentos

A economista avalia que a decisão do BC foi positiva para controlar a inflação e espera outras altas no restante do ano, até chegar a 6% no final de 2021. Ela avalia que mesmo essas possíveis altas seguidas não vão prejudicar o crescimento do país.

— A perspectiva de ter uma inflação descontrolada prejudica muito mais. Você ter um Banco Central que zela pelo poder de compra, zela pela inflação, cumpre seu mandato, é sempre positivo para o ambiente macroeconômico — explicou Elisa.
Fernando Fenolio, economista-chefe da gestora Wealth High Governance

Para o economista-chefe da gestora Wealth High Governance (WHG), Fernando Fenolio, a decisão do Copom foi a mais acertada, considerando o comportamento da inflação no país nos últimos três meses.

— Todos fomos surpreendidos com a aceleração da inflação. Quando você olha a projeção do próprio BC para inflação, estamos falando de algo em torno de 5% este ano. O teto da meta é de 5,25% — pondera o economista. — O BC vai estourar o teto da meta no primeiro ano de autonomia? — acrescenta.

Apesar do aumento e da sinalização de que haverá novo ajuste na próxima reunião do Copom, Fenolio lembra que a taxa de juros básica continuará num patamar bastante baixo.

Para o economista, a decisão dos diretores do BC deve reduzir a pressão sobre o dólar, o que traz alívio para o preço de produtos e serviços que são impactados pela variação da taxa de câmbio.

Apesar das reclamações do setor produtivo, o economista-chefe da WGH acredita que a ação do BC trará bons resultados no longo prazo.

— Entendo o desconforto do setor produtivo, mas no contexto geral, é melhor fazer isso e arrumar alguns desequilíbrios agora.

Fenolio acredita que a Selic encerrará o ano em 5% ao ano. Além de um novo aumento de 0,75 ponto na próxima reunião, o Copom ainda fará outros três ajustes de 0,50 ponto cada.

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Fitch eleva previsão de alta do PIB brasileiro em 2021, de 3,1% a 3,3%

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IstoÉ Online - SP   19/03/2021

A Fitch elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, de 3,1% para 3,3%, diante do desempenho melhor do que o esperado do País no ano passado. Em 2020, a economia brasileira sofreu contração de 4,1%, menor do que a queda de 4,6% que a agência de classificação de risco estimava no seu relatório de perspectiva econômica global de dezembro. Apenas no quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu 3,2% ante os três meses anteriores.

Segundo a Fitch, a revisão também reflete um cenário externo mais favorável, como a recuperação da China, a alta dos preços das commodities e o contexto internacional de acomodação da política monetária.

De qualquer forma, a Fitch considera que a recuperação esperada para 2021 será “morna”, após a forte retração do ano passado.

A Fitch prevê que o aperto fiscal pesará no ritmo de recuperação do Brasil e que estímulos monetários serão revertidos agressivamente ao longo do ano.

A agência também aponta riscos ligados à evolução da pandemia de covid-19 no País, como atrasos na campanha de vacinação, que já começou em ritmo lento.

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IGP-M: inflação do aluguel sobe 2,98% na 2ª prévia de março

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Exame - SP   19/03/2021

Os preços ao produtor e ao consumidor avançaram e ajudaram o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) a acelerar a alta a 2,98% na segunda prévia de março, de 2,29% no mesmo período do mês anterior, com destaque para o comportamento dos combustíveis.

Com isso, a taxa acumulada em 12 meses alcançou 31,15%, de 28,64% antes, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral, teve na segunda prévia de março alta de 3,72%, contra 2,98% no período anterior.

"A inflação de março deve repetir a tônica de fevereiro, confirmando os repasses de pressões inflacionárias iniciadas em commodities agrícolas e industriais; menor pressão entre os preços das matérias-primas (4,11% para 3,89%) e aceleração dos preços de bens intermediários (3,76% para 5,04%) e bens finais (0,66% para 2,05%)", disse em nota André Braz, coordenador dos índices de preços.

"Os aumentos do diesel e da gasolina também seguem influenciando a inflação ao produtor e ao consumidor", completou.

No varejo houve maior pressão, uma vez que a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, subiu a 0,89% no período, de 0,29% na segunda prévia de fevereiro.

O grupo Transportes foi o principal responsável por esse resultado, ampliando seus ganhos de 1,19% para 3,52% no segundo decêndio de março, refletindo a aceleração dos preços da gasolina de 3,65% para 9,99%.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, subiu 1,31% na segunda prévia de março, de uma alta de 1,00% antes.

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis.

A segunda prévia do IGP-M calculou as variações de preços no período entre os dias 21 do mês anterior e 10 do mês de referência.

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Goldman Sachs: Copom não está focado em escalada da Selic rumo à taxa neutra

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IstoÉ Dinheiro - SP   19/03/2021

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) que na noite desta quarta-feira (17) elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual (pp) dá mostras de que a autoridade monetária não deve subir a taxa de juros rapidamente em direção a uma postura monetária neutra, mas demonstrou, sim, a intenção de retirar boa parte do atual nível extraordinário de estímulo monetário. Essa é a avaliação do Goldman Sachs, em relatório a clientes assinado pelo economista Alberto Ramos.

“No geral, o Copom viu valor em entregar um movimento hawkish em direção às expectativas de mercado e, acompanhado ainda por uma orientação hawkish a fim de impedir uma deterioração significativa nas expectativas de inflação ou no balanço de riscos, o Copom também antevê outra elevação de 0,75 pp no encontro de maio. Isso tudo dentro de um plano de jogo maior que prevê a retirada de boa parte do atual nível de acomodação monetária, mas ficando aquém de chegar à taxa neutra”, escreveu Ramos.

No relatório, o Goldman Sachs destaca a surpresa causada pela decisão do Copom, já que a maior parte do mercado apostava em uma alta de 0,50 pp. O ajuste mais acelerado foi justificado pelo Copom pelo benefício de “reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos”.

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Para analistas, BC ficou sem saída ao ver inflação e dólar altos

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IstoÉ Online - SP   19/03/2021

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de elevar os juros básicos em 0,75 ponto surpreendeu a maior parte dos analistas, que esperavam um aumento menor da Selic. Na visão de economistas ouvidos pelo Estadão, no entanto, a medida demonstra a preocupação do BC em lidar com a alta de preços e do dólar e era inevitável – embora haja divergências sobre a velocidade desse aumento.

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), e ex-diretor do BC, apesar de a entidade entender que os choques recentes na economia são temporários, eles estão em uma dimensão relevante, e o quadro para a inflação se tornou preocupante. “Quando se olha o comportamento dos preços ao produtor, a alta é substancial.”

Ele completa que a questão fiscal no Brasil também é preocupante e que há uma falta de apetite pelo enfrentamento desse problema. “Principalmente para conter a evolução das despesas obrigatórias. E há sinais de traços de populismo na condução da política econômica.”

Já a consultora econômica Zeina Latif diz que o movimento do BC poderia ter sido mais modesto, para acompanhar os desdobramentos da economia. Ela também avalia que a eficácia da alta de juros será baixa. “No curto prazo, o dólar deve recuar, mas os principais fatores para o descolamento do dólar são a questão fiscal, a falta de uma agenda de governo e a incompetência para lidar com a pandemia. A tendência é termos um aperto mais forte dos juros do que se imaginava.”

André Perfeito, economista-chefe da Necton, destaca que a Selic deveria ter subido antes. “Juro mais alto, porém, pode cair mal e precisamos observar os efeitos políticos disso. Mas tudo piorou rapidamente e não adianta ter juros no lugar certo e a economia no lugar errado.”

Já Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, critica a elevação dos juros. “Foi um grande erro de análise. Não era para fazer nada agora, pois há uma inflação de custos, não de demanda. Em vez de esfriar os preços, vai esfriar a ainda frágil demanda.”

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Próxima alta da Selic deverá ser de pelo menos um ponto percentual, prevê Felipe Guerra, da Legacy

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Infomoney - SP   19/03/2021

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu a maior parte do mercado ao decidir ontem elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano, contra a aposta majoritária dos agentes econômicos de uma alta de 0,50 ponto.

E embora no comunicado divulgado junto à decisão a autoridade monetária tenha sinalizado que deve manter o mesmo ritmo de aperto no próximo encontro, já tem gente no mercado que entende que o movimento precisará ser ainda mais agudo.

Durante live realizada na noite de quarta-feira (17) pela casa de análise Spiti, Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, disse que sua expectativa é de que, na reunião de maio, o Copom leve a Selic para ao menos 3,75%, com uma alta, portanto, de um ponto percentual.

Na avaliação do especialista, os próximos dados de inflação ainda devem se mostrar bastante pressionados pela influência dos preços do atacado, forçando o BC a aumentar o ritmo de alta dos juros.

“O BC certamente será surpreendido com uma inflação mais alta do que está projetando”, afirmou Guerra. A gestora trabalha com uma inflação para 2021 de 5,5%, acima do teto da meta, de 5,25%.

“Quanto mais rápido você sobe e ajusta algo que está muito errado, mais rápido são colhidos os benefícios de convergência da inflação, e se consegue reorganizar a economia”, afirmou o gestor, que entende que o BC já poderia ter começado o ciclo de aperto monetário com uma alta de um ponto percentual, ou até mais.

Segundo Guerra, pelas condições macroeconômicas do país, o patamar mais equilibrado para a taxa básica de juros hoje seria mais próximo de 5%.

Alta dos juros, da Bolsa e do real

Pela leitura de que a autoridade monetária terá de acelerar o ritmo de ajuste da taxa Selic, o gestor da Legacy entende também que o movimento de abertura dos juros futuros de mais curto prazo, que já vinha ocorrendo ao longo dos últimos dias, ainda tem espaço para continuar por mais algum tempo.

“A renda fixa de curto prazo está realmente muito vulnerável”, afirmou Guerra, acrescentando que o aumento dos juros locais também é influenciado pelo mesmo movimento visto atualmente nos mercados mais desenvolvidos.

Por esse motivo, a carteira do multimercado da gestora está com posições tomadas nos juros, no Brasil e no exterior, o que significa que o fundo deve ganhar dinheiro caso as taxas venham de fato a sofrer novas aberturas, isto é, um aumento dos prêmios.

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Em relação ao câmbio, a expectativa do gestor é de valorização do real, o que se reflete em uma aposta comprada (que prevê a alta) da moeda brasileira, embora não em tamanho relevante no portfólio.

O aumento da Selic e uma consequente queda dos prêmios nos vértices mais longos da curva de juros, somados uma política fiscal que mantenha seus alicerces sem maiores desvios e a uma pandemia que volte a arrefecer nas próximas semanas, devem formar a combinação necessária para permitir uma descompressão do câmbio, projeta o especialista.

Guerra disse ainda que a postura sinalizada pelo BC, de maior preocupação com o controle da inflação via aperto monetário, o faz ficar mais otimista com as perspectivas para as ações da Bolsa local. “Com o BC buscando a credibilidade, a gente está mais animado com todos os ativos de Brasil.”

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Alta da Selic deve pressionar dívida e PIB do País, alertam especialistas

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O Estado de S.Paulo - SP   19/03/2021

Os sinais contraditórios por parte do governo federal no enfrentamento da pandemia da covid-19 e a falta de um compromisso claro com a manutenção da política de controle de gastos públicos deixaram o Banco Central sem muitas saídas, além de iniciar um novo ciclo de aumento da Selic, segundo avaliação de economistas ouvidos pelo Estadão.

Segundo eles, a elevação de 0,75 ponto porcentual, levando a taxa básica de juros para 2,75% ao ano, demonstraria a falta de alternativa do BC, que precisava agir rapidamente para controlar as expectativas de inflação. O aumento, no entanto, deve ter um efeito negativo sobre o custo da dívida pública e pode deprimir ainda mais a atividade econômica, agravando o desemprego – no momento em que o País bate recordes de mortes e a pandemia de covid-19 segue fora de controle.

Como uma parte da dívida interna é diretamente atrelada à Selic, ao subir os juros, sobe também o custo de carregamento da dívida. Uma estimativa da corretora Necton aponta que a alta de 0,75 ponto nos juros básicos pode levar a um aumento de R$ 25 bilhões da dívida no curto prazo. Juros mais altos também tendem a ter um impacto negativo sobre a atividade econômica.

Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), é fato que o ciclo de alta de juros vai ter um efeito negativo sobre a atividade econômica, que já está fraca. Mas a alta da Selic não será causa da fraqueza, mas uma consequência de todo esse cenário.

“Não dá para pensar apenas nos juros. É preciso avaliar que o País está em um desequilíbrio grande. Antes da pandemia, a dívida era alta, mas convergindo. Depois de um choque, com gastos de curto prazo, a gente vai ter um segundo ano de gastos extraordinários e uma dificuldade grande de conter a pandemia.”

Ela ressalta que seria preciso compensar o aumento de gastos decorrentes da pandemia com contrapartidas de médio e longo prazos e reduzir os gastos obrigatórios. “Ficamos com uma dívida alta e ainda não resolvemos a questão da pandemia. Não era para estarmos falando de subida de juros agora, pela fraqueza da economia, mas o BC está agindo de acordo com os seus objetivos.”

A economista-chefe do Credit Suisse no Brasil, Solange Srour, concorda que a alta dos juros era um movimento necessário. “É um processo que começou agora e só deve acabar quando os juros chegarem a 6,5% ao ano. É preciso ancorar a expectativa de inflação. Certamente, isso tem impacto na dívida, mas o BC não pode fazer política de juros olhando para a dívida.”

“O Brasil acaba tendo de subir juros antes do que poderia, como não aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial mais robusta, com gatilhos mais duros. E a gente deveria estar apresentando uma proposta efetiva de corte de gastos, com a reforma administrativa, mas não parece haver empenho em aprová-la.”
Alternativas

Alexandre Schwartsman, consultor e ex-diretor do Banco Central, argumenta que houve um choque vindo da combinação de preços de commodities (os produtos básicos) em alta e do dólar, também em alta, o que normalmente não ocorre.

“O BC tinha alternativas? Desconfio que não. O governo tinha alternativas? Com certeza. Se conseguisse sinalizar uma mudança na trajetória de gastos, déficits e dívida, provavelmente o dólar estaria menos pressionado e teria caído em resposta ao aumento das commodities, o que permitiria ao BC normalizar a política monetária mais tarde e em ritmo mais lento”, diz.

“A desvalorização do real não tem ligação com a Selic”, descarta o economista da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro. “O que levou à desvalorização da moeda foi a incerteza causada pela pandemia, a política ambiental do governo que afasta investidores estrangeiros e o próprio combate à pandemia”, diz.

Oreiro acrescenta que o cenário para a economia brasileira em 2021 é de auxílio emergencial menor que no ano passado, o BC iniciando um novo ciclo de aumento de juros e a adoção de medidas de lockdown para tentar conter o aumento de mortes e contaminações por covid-19. “O efeito dos juros mais altos na economia vai vir a partir do segundo semestre deste ano.”

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Reviravolta nos juros

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O Estado de S.Paulo - SP   19/03/2021

Incapaz de conter o presidente Jair Bolsonaro, o Banco Central (BC) limitou-se a uma decisão mais convencional, porém mais custosa. Apertou a política de juros, tentando mexer nas expectativas, tornar o dólar menos instável e encaixar a inflação, de novo, nos objetivos oficiais. Com os preços disparados e muita incerteza sobre o futuro das contas públicas, analistas davam como inevitável uma alta da Selic, a taxa básica. Vários especialistas, no entanto, qualificaram como surpreendente a elevação de 2% para 2,75%, anunciada no começo da noite de quarta-feira, depois da reunião periódica do Copom, o Comitê de Política Monetária do BC. Poucos haviam apostado num aumento superior a 0,50 ponto porcentual.

A decisão foi um recado forte. Além da alta de 0,75 ponto, o comitê, formado por diretores do banco, anunciou como quase certo um ajuste igual em sua próxima reunião, em 4 e 5 de maio. Mas já se especula sobre um ajuste mais amplo. Até o fim do ano, segundo se estima no mercado, a taxa deverá chegar a 4,50%, encarecendo a dívida pública e atrapalhando, talvez, o crescimento.

O recado poderá afetar, no curto prazo, as expectativas de inflação e, talvez, a evolução do câmbio. De certa forma, a decisão do Copom é uma resposta a cobranças de investidores e de economistas. Mas o alcance efetivo da nova política é obscuro.

Não se pode falar seriamente de inflação de demanda, quando dezenas de milhões de pessoas dependem da volta do auxílio emergencial para sobreviver. Não se trata de cuidar de um mercado superaquecido. Juros mais altos serão inócuos contra um problema inexistente. Mas poderão funcionar, de outra forma, contra ameaças de outro tipo.

O aumento de preços internacionais das commodities, com reflexos no mercado brasileiro, aparece no comunicado emitido pelo Copom logo depois da reunião. Alimentos e matérias-primas de origem agropecuária têm ficado mais caros. Economistas discutem se ocorre um novo superciclo das commodities. Enquanto o debate prossegue, os consumidores pagam mais pela comida. As cotações internacionais do petróleo, assim como o câmbio, também afetam direta e indiretamente o conjunto dos preços internos.

Enquanto sobe o custo do sustento familiar, pioram as projeções de inflação e números acima da meta – 3,75% em 2021 – já são correntes. Mas o Copom mantém o diagnóstico de choques temporários. Nesta altura, essa é uma insistência um tanto estranha.

Mas há, no comunicado, outras passagens curiosas. Exemplo: “... o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado”. Isso faria sentido se a alta de preços, no Brasil, dependesse apenas, ou principalmente, da demanda final. Mas o caso brasileiro é diferente.

Como o agravamento da pandemia, no País, é associado ao negacionismo e a outros erros do governo, a ampliação do desastre sanitário realimenta as incertezas, pressiona o câmbio e se reflete na inflação. Há um evidente parentesco, certamente percebido no mercado, entre a má condução da política de saúde, inegável até agora, e as decisões inseguras e erráticas sobre a política econômica e, de modo especial, sobre as contas oficiais e a dívida pública.

Resumindo: o risco fiscal mencionado no informe do Copom é indistinguível do aumento de contágios e de mortes na pandemia. Os dois conjuntos de fatos têm uma origem comum – a cabeça de um presidente obcecado por interesses eleitorais e familiares. A intervenção do presidente na política de preços de combustíveis e na gestão do Banco do Brasil é irmã gêmea de sua atuação catastrófica nas questões ligadas à pandemia.

Impossível evitar estranheza, também, diante do aparente otimismo em relação ao andamento da economia. “O cenário atual”, segundo o comunicado, “já não prescreve um grau de estímulo extraordinário.” Mesmo com a piora, a cada semana, das projeções de crescimento? Mais detalhada, a ata da reunião deve sair na próxima terça-feira. Talvez seja mais esclarecedora e menos estranha.

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MINERAÇÃO

'Queremos extirpar a mineração ilegal, o desflorestamento e desmatamento ilegais', diz Guedes em reunião do BID

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Globo Online - RJ   19/03/2021

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o país trabalha para combater a mineração e o desmatamento ilegais na Amazônia e que a agenda de desenvolvimento sustentável da região, que exige esforço amplo, é uma prioridade para o Brasil. As declarações foram feitas em um vídeo exibido na 61ª Assembleia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nesta quinta-feira.

— Queremos extirpar a mineração ilegal, o desflorestamento e desmatamento ilegais.

Guedes destacou que, para além da agenda de reformas estruturais e a busca por um ambiente de negócios mais favorável aos empreendedores, o ministério da Economia tem como prioridade estabelecer as bases para uma agenda de crescimento verde.

— A exploração insustentável da floresta é um sintoma de sistema econômico de baixa produtividade, à margem da lei e com perspectivas limitadas a curto prazo. O desenvolvimento sustentável da amazônia deve ser parte de um esforço mais amplo, de aumento de produtividade, melhoria de infraestrutura e do ambiente de negócios, de desburocratização, transformação e modernização do estado brasileiro.

O ministro citou como avanços nessa frente a inclusão, no Programa de Parceria de Investimento (PPI), de seis projetos para concessão florestal e de dois parques nacionais na região amazônica. Além disso, a regularização fundiária e destinação de terras da União na região, dentro da perspectiva de segurança jurídica e garantia de direitos de propriedade, contribui para trazer produtores rurais para a legalidade.

— O aproveitamento sustentável dos recursos florestais, seja para a produção de madeira seja para o turismo, geram renda e emprego para as comunidades locais, e trazem novos aliados para o combate ao desmatamento ilegal.
Discurso propositivo

Paulo Guedes participou do painel que tratava do papel dos ministros de Fazendo, Planejamento ou Economia no desenvolvimento de uma agenda sustentável. Sua fala, previamente gravada, dialoga com o recado transmitido pelo presidente Jair Bolsonaro no mesmo evento, que também defendeu o compromisso do governo com o fim do desmatamento ilegal.

Mas essas falas contrastam com declarações anteriores do ministro sobre a situação da Amazônia e tentativas de interferências de outros países na política ambiental brasileira. O risco de desmatamento foi apontado como causa da resistência de alguns países para o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O país também foi pressionado por fundos internacionais, que enviaram carta aberta a embaixadas brasileiras manifestando preocupação com a condução das políticas ambientais.

Em mais de uma ocasião, Guedes ironizou essas críticas recebidas de estrangeiros a respeito da política ambiental do Brasil. Durante um evento do Credit Suisse, em setembro do ano passado, o ministro relembrou um episódio em que acusou americanos de desmatarem florestas e matarem índios.

Em relação a críticas de países como França e Holanda, Guedes classificou as falas como “oportunismo protecionista”. O presidente da França, Emmanuel Macron, é um grande crítico da condução das ações ambientais do governo. Na avaliação de Guedes, essas críticas refletem o medo que os franceses sentem do agronegócio brasileiro. Ao argumentar que o país “queima” as florestas, eles impedem a entrada de produtos agrícolas brasileiros por lá.

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A pandemia e os desafios do setor em 2021

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Brasil Mineral - SP   19/03/2021

Pela primeira vez de forma virtual, o Forum Brasil Mineral, juntamente com a cerimônia de premiação das Personalidades do Ano do Setor Mineral foi realizado no 17 de março, com transmissão ao vivo pelo canal da Brasil Mineral no Youtube e pode ser visto pelo link https://lnkd.in/gNc4Fx5.

Na ocasião, houve a premiação dos homenageados como Personalidades do Ano: Rodrigo Vilela (Minerais Ferrosos), Rodrigo Barbosa (Metais Preciosos), Paulo Castellari (Minerais Não-Ferrosos), Luiz Antonio Vessani (Minerais Industriais, Cimento e Agregados), Paulo César Abrão e Vania Andrade (Engenharia/Tecnologia Mineral), João Cavalcanti e Jorge Bettencourt (Exploração Mineral), Patrícia Procópio (Liderança Feminina) e Sérgio Fráguas – In Memoriam (Pioneiros da Mineração). Eles foram eleitos pelo voto direto dos leitores, que votaram em uma lista de indicados ratificada pelo Conselho Consultivo de Brasil Mineral.

No Forum Brasil Mineral, os premiados debateram sobre os desafios apresentados pela COVID-19 para o setor mineral em suas áreas de atuação e como veem as perspectivas do setor em 2021. O editor-chefe da Brasil Mineral, Francisco Alves, abriu o evento dizendo que a partir de 2015 a revista iniciou a premiação às personalidades. “Achamos necessário criar um prêmio que valorizasse as pessoas do ambiente da mineração, que ajudam a impulsionar o setor”.

O primeiro bloco do Forum Brasil Mineral, moderado pela conselheira Maria Amélia Enriquez, teve a participação de Rodrigo Vilela, presidente da Samarco (Minerais Ferrosos); Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals (Metais Preciosos); Luiz Antonio Vessani, presidente do Grupo Edem (Minerais Industriais, Cimento e Agregados) e Vania Andrade, consultora (Engenharia/Tecnologia Mineral).

Rodrigo Vilela, presidente da Samarco, disse que a gestão da pandemia em 2020 foi o principal desafio da mineradora, com a criação de novos protocolos. Vilela comentou que o setor como um todo está de parabéns, pois conseguiu lidar na prevenção e combate à pandemia, além de ajudar as comunidades próximas de diversos projetos. ”Na Samarco implantamos um controle restrito, rígido, com testes, em um ano de retomada, após cinco anos de superação de uma empresa paralisada”. Para 2021, Vilela cita os desafios de enfrentamento da segunda onda da COVID-19, que se mostrou mais agressiva. “É de suma importância a união do setor mineral, para que haja um suporte junto à sociedade e todos saírem bem deste momento triste”. O executivo da Samarco disse ainda que a pandemia pode também afastar investimentos, o que pode atrasar uma série de desenvolvimentos. “Do ponto de vista de oportunidades, temos chance de crescer, desde que haja um controle da pandemia”.

Já o CEO da Aura Minerals, Rodrigo Barbosa comentou que 2020 foi desafiador para todas as indústrias. Para 2021, o executivo comenta da piora do quadro atual brasileiro, mas acredita que todos estão mais preparados após o ano passado. “Hoje temos mais testes e vamos, cada vez mais, trabalhar junto às comunidades para poder controlar a pandemia. No ponto de vista produtivo o ouro tem um mercado cíclico, e as perspectivas para 2021 são positivas”.

O presidente do Grupo Edem, Luiz Antonio Vessani, disse que 2020 começou com uma expectativa boa até o surgimento da pandemia. Se teve algo de bom em 2020, ele cita a oportunidade do trabalho conjunto de entidades para defender o setor de minerais industriais e agregados. .”Conseguimos criar o conceito de essencialidade que nos é útil hoje e é parte do debate para nos aprofundarmos junto à sociedade”. Em relação aos cuidados durante a pandemia, Vessani reiterou o trabalho realizado por todas as empresas de mineração com a realização de testes, utilização de EPI’s, home office, entre outras medidas. Para 2021, o executivo diz que o ano começou aquecido para o segmento de minerais industriais e agregados. “Os minerais industriais geram insumos para a indústria e nosso plano é o de seguir na verticalização”. “Estamos investindo na geração de empregos, mas o que pode emperrar o setor são os gastos dos estados que as mineradoras terão que arcar”.

A consultora Vânia Andrade disse que a tecnologia permitiu que a mineração estruturada trabalhasse com os preceitos da pandemia. “A empresa estruturada permite que o funcionário esteja mais protegido no trabalho do que em qualquer outro lugar. Já no extrativismo mineral (garimpeiros ilegais), a conversa é totalmente diferente. A indústria estruturada é consciente de seu papel”.

A consultora disse que o pós-pandemia deve trazer uma mineração cada vez mais preocupada com a questão socioambiental (ESG). “No Brasil temos que olhar a sustentabilidade ambiental como prioridade para a mineração. Precisamos mostrar que podemos reduzir os impactos das mineradoras”. Vânia comentou que as mineradoras, ao término de um projeto, devem entregar à sociedade um espaço sem cicatrizes, para, inclusive, mudar a visão atual da nova geração em relação ao setor.

Comandada pelo conselheiro Giorgio De Tomi, a segunda mesa-redonda contou com a presença de Paulo Castellari, CEO da AppianGroup Brasil (Minerais Não-Ferrosos); Paulo Abrão, diretor da Geoconsultoria (Engenharia/Tecnologia Mineral); João Carlos Cavalcanti, presidente da Companhia Vale do Parnamirim (Exploração Mineral) e Patrícia Procópio, do Women in Mining Brasil (Liderança Feminina).

Paulo Castellari, CEO do Appian Group, disse que o setor vive um crescimento, com a alta dos metais e do preço do dólar, mas tem de conviver com a pandemia. “Em 2021, acredito que teremos uma situação similar a outras já enfrentadas em período pós-crise. Depois de uma crise, geralmente aparecem as oportunidades. É tudo uma questão de preparo, gerenciamento de risco”.

Nos dois negócios do grupo no Brasil (Alagoas e Bahia), Castellari afirmou que a empresa trabalhou conjuntamente com as comunidades locais. “Não tivemos ninguém nas operações vitima de COVID-19, e a mineração se adaptou com as mudanças (medidas de isolamento, testes, EPI’s,etc)”.

Já Paulo Abrão, diretor da Geoconsultoria, disse que a COVID-19 impactou a área de geotecnia em relação às mudanças de legislação, a mudança de câmbio, exigências para fechamentos de minas, auditorias solicitadas por seguradoras e investidores. “Tudo isto traz impacto para demanda de serviços no setor”. Abrão disse que o setor não pode se esquecer dos dois acidentes com barragens (Mariana e Brumadinho) e ter consciência da responsabilidade da mineração. Entretanto, ele criticou o sistema de empilhamento a seco, que é novo para o Brasil. Segundo Abrão, o sistema é mais voltado para regiões com escassez de água. “É um custo alto para essas operações e nossa topografia não é plana como em outras localidade do mundo. Ela é mais acidentada e esses elementos não ajudam, não jogam a nosso favor”.

Abrão comentou ainda que a geotecnia perdeu muito durante 2020 com a COVID-19, pois houve a quebra de contato entre jovens e profissionais mais experientes, além da ausência do trabalho no campo, falta de networking em eventos, como feiras, simpósios, etc. Porém, para ele, o maior gargalo será sentido na educação, por conta das aulas à distância. “É uma judiação o que o vírus faz conosco. A geotecnia precisa de qualidade, mais do que pessoas”.

João Carlos Cavalcanti, presidente da Companhia Vale do Parnamirim, disse estar bastante animado para 2021 com a descoberta no Parnamirim. O empresário disse ainda que o Governo precisa realizar novos investimentos em geologia básica. “Temos que investir na prospecção e exploração mineral, logística e educação. Eu criaria um curso conjunto de engenharia mineral para atender geólogos e engenheiros de minas”.

Em relação à pandemia, Cavalcanti conseguiu manter isolamento e sua empresa seguiu todos os protocolos, sem interrupção das atividades de campo. “Outras empresas pararam, mas a pandemia é passageira e temos que continuar nossas atividades. Não podemos abaixar a cabeça e ficarmos presos”.

Patrícia Procópio, do Women in Mining, movimento que trouxe em 2019 para o Brasil, espera que nas próximas premiações tenha um número maior de mulheres. “Temos um histórico de desigualdade na indústria, na mineração. O WIM surge para colocar a pauta em discussão. O movimento existe há vários anos em outros países”.

No Brasil, Patrícia diz que luta pela equidade na mineração e que a pandemia só escancarou a desigualdade. “É o maior desafio que já enfrentamos na vida”. Para a geóloga, a mineração precisa se resignificar e a inclusão e diversidade fazem parte dessa mudança. Patrícia acredita que o WIM trouxe um novo olhar para a mineração.

Após o Forum Brasil Mineral, a conselheira Maria José Gazzi Salum presidiu a cerimônia de premiação das “Personalidades do Ano do Setor Mineral”, em que todos os premiados puderam falar de suas vidas e trajetória profissional em vídeos gravados. Jorge Bettencourt (Exploração Mineral) e Sérgio Fráguas – In Memoriam (Pioneiros da Mineração), representado pelo filho Sérgio Roberto Fráguas Filho, também deixaram seus recados. Os vídeos podem ser conferidos em https://www.youtube.com/watch?v=UYYSwpT_Bm8.

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Vale pode não conseguir recomprar títulos que pagam receitas sobre minas, mesmo com aprovação em assembleia

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O Estado de S.Paulo - SP   19/03/2021

O caminho para a Vale recomprar os títulos de dívida sem vencimento, as chamadas debêntures perpétuas, pode permanecer fechado, mesmo com a eventual aprovação de mudanças na escritura desses papéis por uma maioria de votos, em assembleia hoje. Emitidos em 1997, na privatização da mineradora, esses títulos remuneram seus detentores em 1,8% sobre as receitas de algumas minas da Vale, principalmente em Carajás. Ou seja: retorno garantido, eterno e que agora pode ser tirado desses debenturistas. Na privatização, o fato de não poderem ser recomprados foi um dos principais atrativos aos investidores. Porém, mesmo sem fazer parte da maioria dos R$ 23 bilhões desses papéis, os detentores podem reclamar de que a mudança fere um direito essencial.

“As debêntures conferem a seus titulares alguns direitos essenciais, de cunho econômico, que não podem ser tolhidos, mesmo que atingido o quórum majoritário. Existem limites ao poder da maioria. Por isso, alterações dessa natureza dependem de aprovação unânime”, diz Luiz Carlos Malheiros França, sócio do escritório FCDG Advogados.

Jurisprudência indica necessidade de voto unânime

Ele representa a Rede D’Or em caso semelhante, no qual a companhia é titular de debêntures emitidas pelo Trendbank S/A. Houve uma deliberação em assembleia, aprovada por maioria, que as tornou obrigatoriamente conversíveis em ações preferenciais da Trendbank. Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu o pleito da Rede D’Or e declarou a nulidade da assembleia, devolvendo às debêntures suas condições originais.

O direito de recompra não estava previsto na escritura original dos papéis e debenturistas menores vêm reclamando sobre a falta de transparência da companhia e do fato de sequer ter havido a apresentação de uma contrapartida financeira pela companhia para uma alteração tão relevante.

Nas condições previstas até aqui, os detentores dessas debêntures podem não ter muito poder de barganha na assembleia que votará a alteração amanhã, uma vez que 55% do lote emitido pertence ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à União. O BNDES pretende vender sua fatia, equivalente a algo como R$ 13 bilhões. A venda ainda está em processo de estruturação e a Vale não irá recomprar debêntures do banco de fomento. Procurada, a Vale não comentou.

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Máquinas e Equipamentos

New Holland lana novo compactador

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Construção Latino-americana - SP   19/03/2021

A New Holland Construction, marca da CNH Industrial, incorporou ao seu portfólio de produtos para o mercado latino-americano o rolo compactador V110, equipamento que estará disponível através da rede de distribuidores oficial da marca e que conta com as versões V110D e V110PD, cada uma desenhada para diferentes aplicações de compactação de solos.
Novo compactador New Holland V110

Em todas as suas configurações, este novo produto conta com um motor FPT Industrial S8000 de 3.9 litros turboalimentado e transmissão hidrostática. Além disso, tem cabine fechada com certificado de segurança ROPS (Roll Over Protective Structure) e FOPS (Falling Objects Protective Structure).

Compactação dinâmica

O V110 reforça o conceito de compactação dinâmica, combinando os efeitos de compactação estática e força dinâmica, com duas frequências (31 Hz e 34 Hz) e duas amplitudes de vibração (0,8 mm e 1,8 mm). Seu tambor dianteiro de 32 mm, o mais grosso de mercado, presta mais fiabilidade e maior carga no eixo dianteiro, aumentando a capacidade de compactação. Opcionalmente, o V110 pode ser equipado com um tambor de 25 mm. Por outro lado, a alta capacidade centrífuga do equipamento implica uma maior profundidade de compactação, entregando a máxima execução com economia, eficiência e disponibilidade operativa.

“O V110 é o primeiro equipamento da nova linha de compactadores da New Holland Construction para o mercado latino-americano. Com este lançamento complementamos nossa linha de produtos apresentando soluções às demandas do setor de infraestrutura rodoviária”, disse Rafael Ricciardi, gerente de Produto para a América do Sul.

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NAVAL

Três principais complexos portuários do Rio Grande do Sul registram incremento de 10,82%

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Portal Fator Brasil - RJ   19/03/2021

Na movimentação no primeiro bimestre. Foram movimentadas no período mais de 4,9 milhões de toneladas em Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

A Superintendência dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS) divulgou nesta terça-feira, 16, o desempenho do primeiro bimestre de 2021 dos três portos públicos do Estado sob sua administração (Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) somado com a movimentação privada do complexo do Superporto do Rio Grande. Em janeiro e fevereiro, os complexos movimentaram 4.925.800 toneladas, um incremento de mais 10,82% em relação ao mesmo período do ano passado.

O complexo portuário do Superporto do Rio Grande, que envolve o Porto Público, os cinco terminais particulares arrendados, os dois estaleiros e os quatro terminais de uso privado de empresas, foi responsável pela maior parte deste montante: 4.591.852 toneladas no primeiro bimestre, um aumento de 11,37% na comparação com os dois primeiros meses de 2020. Em números absolutos, foram 468 mil toneladas a mais do que no ano passado.

Com relação às exportações no Superporto, os destaques ficam por conta das cargas de trigo, que aumentaram em 138,93%, e de farelo de soja, com saldo positivo de 82,64%. A soma de todas as exportações do complexo chega a 9,97%, no comparativo com igual período de 2020.

O desempenho de Pelotas e Rio Grande — O Porto de Pelotas registrou um volume 11,19% maior do que nos dois primeiros meses de 2020. No entanto, o que mais chama atenção é o comparativo da performance com o mesmo período de 2019, um salto de 39,08%. Em números absolutos, a estrutura pelotense movimentou mais de 51 mil toneladas de mercadorias do que em 2019 e mais de 18 mil toneladas do que em 2020 no mesmo período.

A movimentação do Porto de Porto Alegre mostrou uma grande diferença positiva em relação ao ano de 2019, com um incremento de 22,26%, soma superior a 27 mil toneladas no comparativo. Cargas como trigo, fertilizantes e cevada vêm mostrando um crescimento sólido no quantitativo de cargas, tanto em relação a 2019 quanto a 2020.

Sobre os principais destinos e origens das exportações e importações, foram registradas poucas diferenças percentuais em relação ao share dos países com o fechamento de 2020. A China continua detendo o primeiro lugar das exportações, com 18,64% das cargas. Nos países de origem das importações, houve uma troca no protagonismo. A Argentina pulou para o primeiro lugar no ranking. A maior parceira de importação pulou de 6,09% para 19,77% na participação dos países importadores.

— Os dados refletem uma sólida tendência de recuperação da logística hidroviária do Estado para o ano de 2021. Os resultados também mostram que os portos públicos regionais de Porto Alegre e Pelotas vêm apresentando uma movimentação sólida com uma tendência crescente de incrementar cada vez mais a capilaridade do sistema logístico e a vocação do Estado para a logística aquaviária em águas interiores — afirma o superintendente dos Portos do RS, Fernando Estima.

Os dados referentes aos demais Terminais de Uso Privado (TUPs) do Estado nos municípios fora do Superporto do Rio Grande são lançados juntamente com os dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. A previsão é que sejam divulgados em meados do mês de abril.

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SAAB VAI MODERNIZAR CINCO CORVETAS VISBY E PROJETAR UMA OUTRA GERAÇÃO COM NOVAS TECNOLOGIAS

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Petro Notícias - SP   19/03/2021

A FMV (Swedish Defense Materiel Administration) e a Saab assinaram dois acordos para as atualizações de meia-vida de cinco corvetas da classe Visby e a construção da Coverta Visby Generation-2. Criadas no estaleiro de estaleiro Kockums, em Karlskrona, na Suécia, a primeira corveta Visby foi lançada em junho de 2000, e os navios restantes foram lançados até 2006 e batizados  como os nomes de Helsingborg, Härnösand, Nyköping e Karlstad. Mas, o desenvolvimento das corvetas Visby começou em 1991, quando o estaleiro Karlskrona construiu o navio experimental Smyge, atendendo as necessidades da marinha sueca de criar uma plataforma para testar novas tecnologias stealth.

Composta 100% por fibra de carbono, a corveta da classe Visby, de 650 toneladas, possui a mesma capacidade de carga de um navio de aço. Além disso, a fibra de carbono permite que a embarcação tenha uma redução de pelo menos 50% no deslocamento em comparação com um navio de aço. Piet Verbeek, Diretor de Vendas da Saab, disse que a Corveta foi  “Construída em material compósito, muito resistente, a Visby possui uma incrível tolerância ao fogo. Por isso, foi considerado um dos melhores navios do mundo, pois entre tantos outros atributos, enfatiza a tecnologia de baixa visibilidade e a capacidade de guerra centrada em redes. Isso porque com um resultado até 90% mais stealth superior que as dos concorrentes, a Visby é capaz de passar quase desapercebida aos radares inimigos“,

O casco e a superestrutura de fibra de carbono da corveta da classe Visby não é apenas mais leve que o aço, mas também comparável em resistência ao fogo e propriedades balística. Além disso, este material também é superior em termos de vulnerabilidade a explosões na superfície e explosões subaquáticas. Quanto aos custos de ciclo de vida, o composto de fibra de carbono é totalmente superior ao aço e ao alumínio para o desgaste, fazendo com que sua resistência superior à corrosão reduza ainda mais os custos do ciclo de vida da plataforma.

Nova Geração

Graças as suas características de sua composição, as corvetas da classe Visby são 40% mais rápidas do que as convencionais, oferecendo também maior capacidade de manobra e calado raso, considerações táticas importantes em águas litorâneas. A corveta da classe Visby é um combatente de superfície flexível, projetado para uma ampla gama de funções, incluindo, mas de forma alguma se limitando a guerra anti-superfície, anti-submarina e contra-medidas de minas. A mesma capacidade ao usar outros navios requer duas vezes o custo de manutenção e tripulação, bem como são necessários vários navios para coordenar as operações, o que minimiza a eficiência da operação.

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PETROLÍFERO

A Lei do Gás foi aprovada. E agora?

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O Estado de S.Paulo - SP   19/03/2021

A Câmara dos Deputados aprovou na última terça (16) o Projeto de Lei nº 4476/2020, a Nova Lei do Gás. Fruto de discussões que ao longo dos últimos anos tiveram ampla participação dos diversos segmentos da cadeia, a lei, que agora segue para sanção da Presidência, deve contribuir para a otimização do uso das redes de gasoduto de transporte, modicidade tarifária, segurança jurídica e desverticalização da cadeia, com maior diversidade de agentes e liquidez.

Os impactos da nova lei deverão ser sentidos por todas as fontes do gás natural, seja o gás importado da Bolívia, o Gás Natural Liquefeito (GNL), o biogás ou o insumo produzido nas concessões marítimas e terrestres do próprio Brasil. Mas para destravar valor especialmente dessa produção doméstica, os passos seguintes à aprovação da lei serão determinantes.

Na esfera infralegal, a regulamentação do dispositivo demandará muitos esforços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apenas neste ano a agenda regulatória da autarquia prevê a realização de ao menos seis processos de consulta e audiência pública sobre o tema, cobrindo desde a autorização para a comercialização de gás natural até a elaboração de códigos comuns de acesso ao sistema de transporte pelos diferentes agentes econômicos.

Ainda no tocante ao acesso, a prova de fogo da Nova Lei do Gás vai ser o cumprimento do dispositivo que assegura que, de forma não discriminatória e negociada, terceiros interessados em utilizar gasodutos de escoamento da produção, instalações de tratamento ou processamento e terminais de GNL poderão fazê-lo mediante preço justo e adequado baseado em metodologia de apuração transparente. Até o momento não tem sido o observado na prática. Mercados locais inteiros têm enfrentado dificuldades para monetizar o gás natural mediante aproveitamento das infraestruturas essenciais existentes, como é o caso, no Rio Grande do Norte, da Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré, cujo acesso deveria acontecer ainda em março deste ano e é muito aguardado como a primeira experiência concreta de compartilhamento no âmbito do Novo Mercado de Gás.

Além disso, é necessário que todo o avanço da legislação federal seja agora seguido pelos estados. Com atribuição constitucional por regular a distribuição do gás natural, ponta da cadeia em que o insumo chega de fato ao consumidor, a maioria dos estados ainda precisa superar legislações defasadas ou a ausência de qualquer legislação, o que acarreta na cobrança de tarifas pouco transparentes aos empreendedores e à população e, ao misturarem erroneamente os conceitos de distribuição e comercialização, impede a livre escolha dos fornecedores do gás,.

Um dia após a aprovação do PL nº 4476/2020 na Câmara Federal, foi justamente o que fez o Estado do Amazonas, estabelecendo condições factíveis para o enquadramento de consumidores livres e a possibilidade de tarifação diferenciada de acordo com os diferentes segmentos de consumidores, além de garantir segurança jurídica às atividades de transporte e distribuição de GNL ao remetê-las para a regulamentação federal. Caso modelos como esse sejam replicados pelos estados que ainda não conseguiram se tornar atrativos para investimentos em gás natural, serão abertas grandes possibilidades para aproveitamento do gás natural que hoje permanece embaixo da terra no interior do Brasil e, portanto, não se converte em riqueza para a sociedade.

O choque de energia barata prometido em 2019 só começou agora – e ainda é apenas uma fagulha. Para que ele seja mesmo viável, a mesma força que uniu Governo e investidores para aprovar a Lei do Gás deverá ser observada na regulamentação e enforcement da lei e na abertura dos mercados estaduais.

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DESENVOLVIMENTO DO BLOCO BM-C-33, NA BACIA DE CAMPOS, TERÁ GASODUTO PARA ESCOAR PRODUÇÃO ATÉ MACÁE

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Petro Notícias - SP   19/03/2021

Um final de quinta-feira (18) com muitas notícias referentes aos novos projetos da Equinor. A novidade da vez agora é que a petroleira norueguesa e suas parceiras Petrobrás e Repsol aprovaram o conceito de desenvolvimento do bloco BM-C-33, na Bacia de Campos – com a contratação de um FPSO e um gasoduto para escoamento de produção. Neste bloco, estão três acumulações de gás e condensado (óleo leve): Pão de Açúcar, SEAT e Gávea. De acordo com o conceito aprovado pelas companhias, a área terá poços conectados a um FPSO com capacidade para processar óleo condensado e gás. O navio-plataforma poderá processar até 20 mil m³ de óleo condensado por dia e 16 milhões de m³ por dia de gás natural. O óleo condensado será transferido por meio de navios aliviadores. Já o gás natural será escoado para a costa por meio de gasoduto submarino que se conectará à uma infraestrutura de recebimento localizada no Terminal de Cabiúnas (TECAB), em Macaé. O bloco BM-C-33 está a cerca de 200 km do litoral do Rio de Janeiro.

Geir Tungesvik

Geir Tungesvik, vice-presidente sênior de projetos da Equinor, disse que “o BM-C-33 é um projeto-chave em nosso portfólio e a seleção de conceito é um marco relevante em nosso esforço para amadurecer o projeto. É importante otimizar e melhorar ainda mais o business case do projeto para torná-lo mais robusto para o mercado futuro”. Os fluxos dos poços serão enviados para uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) localizada no campo. Tanto o gás como o óleo/condensado serão processados no FPSO. O óleo cru será descarregado por navios-tanque aliviadores e comercializado no mercado internacional após a transferência ship-to-ship (de navio para navio). Um novo casco foi selecionado para comportar 30 anos de vida útil do campo.

A solução de escoamento de gás é baseada em um gasoduto offshore desde o FPSO até uma nova instalação dedicada de recebimento de gás, onshore, dentro do terminal TECAB da Petrobrás, em Cabiúnas, antes de se conectar à rede de transporte de gás nacional. A Presidente da Equinor no Brasil, Verônica Coelho, destacou que o campo contém volumes substanciais de gás e falou da importância das recentes mudanças na legislação do mercado de gás natural. “A conclusão da liberalização em curso do mercado de gás natural no Brasil, de acordo com o plano atual, é fundamental para o desenvolvimento adicional do projeto. BM-C-33 é um ativo que tem o potencial de gerar valor para a sociedade, tanto pela criação de empregos diretos e indiretos, e consequente efeito cascata, quanto pela oferta adicional de gás que pode contribuir para o crescimento industrial, como já aconteceu em outros países”, explicou a executiva.

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EUA dão ultimato para empresas europeias abandonarem projeto de novo gasoduto russo

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Globo Online - RJ   19/03/2021

O Departamento de Estado dos EUA, mantendo uma política iniciada no governo Trump, deu um ultimato a empresas envolvidas na construção de um gasoduto ligando a Rússia à Alemanha, o Nord Stream 2 — para os americanos, a obra é uma “má ideia”, e que põe em risco a soberania política e energética da Europa, uma posição refutada por Moscou e pelo próprio governo alemão.

“Qualquer entidade envolvida no gasoduto Nord Stream 2 corre o risco de sanções e deve imediatamente abandonar suas operações na obra”, declarou o secretário de Estado do governo Biden, Antony Blinken, em comunicado nesta quinta-feira. No texto, ele reafirma a posição defendida pelo governo anterior, a de que o gasoduto “tem como objetivo dividir a Europa e enfraquecer a segurança energética”.

Um dos pontos em questão é o trajeto do Nord Stream 2, que corre em paralelo ao Nord Stream, já operacional: ao invés das tradicionais rotas pelo Leste Europeu, ele cruza o Mar Báltico — segundo os EUA, isso priva nações como Ucrânia dos dividendos obtidos com a passagem de gás natural por seus territórios, uma importante fonte de renda para alguns países.

Segundo medidas aprovadas pelo Congresso dos EUA em 2019 e 2020, empresas relacionadas à construção do gasoduto podem sofrer sanções do Tesouro americano, acarretando em congelamento de bens e a um veto com negócios com os Estados Unidos.

Antes das sanções entrarem em vigor, 20 empresas participantes do Nord Stream 2 deixaram a operação. Hoje, faltam cerca de 100 km dos 1.230 km previstos, e para superar a saída de parceiros, o consórcio liderado pela Gazprom passou a assumir algumas das obras. A expectativa é de que o gasoduto esteja operacional até o segundo semestre de 2021.

Posição alemã

Apesar da pressão dos EUA, que além das questões políticas com a Rússia tentam incrementar suas vendas de gás natural liquefeito (GNL) ao continente, o governo alemão defende a conclusão do projeto, alegando sua própria segurança energética e a necessidade de manter uma relação econômica e política com Moscou.

As vozes contra o Nord Stream 2 se amplificaram em agosto do ano passado, depois do envenenamento do ativista de oposição russo Alexey Navalny, supostamente a mando do Kremlin, e voltaram a ganhar força em janeiro, quando ele foi preso ao regressar a Moscou.

No entanto, a chanceler Angela Merkel não mudou sua posição.

— A posição sobre o Nord Stream 2 não será afetada por enquanto, esse é um projeto sobre o qual vocês sabem a posição do governo federal (da Alemanha) — afirmou Merkel, em fevereiro, dias depois da expulsão de três diplomatas europeus da Rússia, acusados de participar de protestos a favor de Navalny. Para ela, é um “dever diplomático” manter abertos os canais de comunicação com o maior vizinho do Leste.

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