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13 de Junho de 2022

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

A indústria siderúrgica brasileira tem expectativa que as cotas de exportação de aço para os Estados Unidos sejam revistas neste ano, após um aceno do presidente norte-americano, Joe Biden, sobre o assunto durante reunião com o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, afirmou o presidente da associação que representa o setor nesta sexta-feira.

“Temos expectativa que saia neste ano” a revisão das cotas, disse o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

As cotas foram criadas em 2018 no governo de Donald Trump e impuseram um limite anual de 3,5 milhões de toneladas de exportações placas do Brasil sem cobrança de sobretaxa de 25%. Além disso, o governo Trump também criou um redutor de 30% sobre o volume de vendas de produtos siderúrgicos acabados brasileiros, com base em uma média dos volumes vendidos entre 2015 e 2017.

Diário do Aço - MG   13/06/2022

A Usiminas, em comemoração ao mês do meio ambiente, convidou o artista plástico Rafael Mattos, do projeto “Plante Amor, Colha o Bem”, para criar um painel artístico na portaria 3 da Usina de Ipatinga.

Na medida em que os funcionários iam chegando ao local, na sexta-feira (10), o artista perguntava sobre quais mensagens importantes gostariam de ressaltar, sobre o meio ambiente, para registrar na obra. Com desenhos gráficos, criados “ao vivo”, o painel exibe mensagens sobre a importância de atitudes sustentáveis para um futuro melhor.

O painel ficará exposto até o dia 17 de junho. A ação é uma contrapartida do projeto 13º Salão do Livro Vale do Aço patrocinado pela Usiminas e realizado pelo Instituto Usiminas, com a produção executiva da Base Projetos Especiais, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Portal Fator Brasil - RJ   13/06/2022

Para celebrar liderança em incentivos à cultura e ao esporte em Minas Gerais . Empresa mostra seu orgulho em ser parceira de iniciativas que valorizam o desenvolvimento das pessoas ao contar histórias de beneficiados pelos patrocínios.

A ArcelorMittal, líder em aços no Brasil, lançou uma campanha para celebrar um importante marco conquistado: o título de maior incentivadora da cultura e do esporte em Minas Gerais, por meio das leis de incentivo estaduais. Nos últimos anos, a companhia investiu mais de R$ 80 milhões, por intermédio da Fundação ArcelorMittal, em iniciativas como o programa Diversão em Cena e as parcerias com Sada Cruzeiro, Palácio das Artes, Grupo Corpo e Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, entre outros.

Com mote “Minas é nosso lugar”, o storytelling ressalta a forte relação da ArcelorMittal com o estado, onde a produtora de aço começou a operar há mais de 100 anos, em Sabará (MG). Ao contar histórias como a da ginasta e campeã pan-americana Jennifer Lopes dos Santos, a empresa reforça seu compromisso de contribuir para a formação de cidadãos integrais para o amanhã e o orgulho de ser parceira de ações que valorizam o desenvolvimento das pessoas por meio da cultura e do esporte.

“A campanha é também uma forma de dar visibilidade a quem escreve conosco essa história centenária e nos ajuda a construir uma sociedade mais preparada para o futuro, mais plural e inclusiva. Essa cocriação é fundamental para que a ArcelorMittal continue sendo uma empresa que une propósito e estratégia e, por acreditar no poder transformador da cultura e do esporte, realiza investimentos cada vez mais robustos em iniciativas sociais nessas áreas”, explica Paula Harraca, diretora de Futuro da ArcelorMittal e presidente da Fundação ArcelorMittal.

A divulgação da campanha, que segue sendo veiculada até este mês de junho, conta com uma estratégia 360º. Estão sendo realizadas inserções em TVs aberta e fechada, mídia impressa, digital e em OOH (mídia out of home). A campanha também está sendo reforçada por ações presenciais, como o espetáculo gratuito do Grupo Corpo, aberto à sociedade, realizado no Palácio das Artes no fim de maio, e as apresentações para empregados, realizadas nos escritórios e unidades operacionais da companhia, de parceiros apoiados pela ArcelorMittal, como a Orquestra Jovem das Gerais. “Esperamos nos aproximar ainda mais das pessoas e, também, apresentar o propósito da ArcelorMittal, que é criar aços inteligentes para as pessoas e o planeta. A empresa tem uma trajetória de protagonismo na economia e na indústria nacional, e vem marcando seu espaço fomentando a cultura e o esporte em todo Brasil”, destaca Cristiano Cunha, Gerente-Geral de Comunicação, Marca e Relacionamento na ArcelorMittal Aços Longos Latam.

Cliente: Cristiano Cunha, Luís Gustavo Pracchia e Maria Laura Soares | Criação: Vicente Zanatta | Atendimento: Erick Machado, Bruna Lobato e Caroline Paulino | Mídia: Leila Rocha | Equipe Nitro Histórias Visuais | Coordenação geral: Leo Drumond | Direção: João Flores | Produção executiva: Marcela Rincon | Produção: Mariana Freitas | Direção de fotografia: Túlio Cipó | Assistente de camera: Daniel Brandão e Ciro Thielmann | Eletricista e Maquinaria: Paulinho Maquinaria e Otinho Leroy | Som direto: Gustavo Campos | Still: Marcus Desimoni e Alexandre Motta | Motorista: Cleberson Mai | Montagem, edição e finalização: Flora Servilha | Assistente de montagem e finalização de imagem: Fabrício Januário | Trilha sonora original e mixagem de som: Aeromúsica | Locução: Flávia Moreira.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   13/06/2022

A inflação nos portões das fábricas da China atingiu o ritmo mais lento em 14 meses em maio, pressionada pela demanda fraca por aço, alumínio e outras commodities industriais importantes devido às restrições contra a Covid-19 e contrariando a tendência global de aceleração rápida dos preços.

O índice de preços ao produtor subiu 6,4% em relação ao ano anterior, disse o Escritório Nacional de Estatísticas nesta sexta-feira, após um aumento de 8,0% em abril e em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters. Foi a leitura mais fraca desde março de 2021.

O índice de preços ao consumidor subiu 2,1% em maio em relação ao ano anterior, em linha com o resultado de abril. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 2,2% dos preços ao consumidor.

A desaceleração da inflação marca um forte contraste com as leituras em máximas de décadas observadas em outras economias importantes e reflete a queda na demanda devido aos controles rigorosos contra a Covid-19 da China, que afetou as atividades industrial e varejista nos últimos meses.

As pressões de preços fracas também permitem que o banco central da China libere mais estímulo para sustentar a economia, mesmo quando as autoridades monetárias na maioria dos outros países se esforçam para reduzir a inflação com aumentos agressivos das taxas de juros.

“A inflação nos portões das fábricas continuará em sua trajetória descendente durante o resto do ano”, disse Sheana Yue, economista na Capital Economics.

Ministério da Economia - DF   13/06/2022

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia (ME) divulga na próxima segunda-feira (13/6) os dados preliminares da balança comercial do mês de maio.

As informações serão entregues às 14h45 a jornalistas que fazem a cobertura do Ministério da Economia, com embargo até as 15 horas, quando serão publicadas pela Subsecretaria de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior na página de estatísticas da balança comercial.

A partir das 15h15, haverá apresentação dos dados e entrevista coletiva virtual, com a participação do subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, e do coordenador-geral de Estatísticas, Saulo Castro. A coletiva será transmitida no canal do Ministério da Economia no YouTube

Divulgação dos dados preliminares da balança comercial do mês de maio/2022

Data:  13/06/2022 (segunda-feira)

Horários: Entrega do material embargado às14h45; divulgação às 15 horas

Coletiva virtual: Das 15h15 às 15h45

Transmissão: canal do Ministério da Economia no YouTube

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Acho inacreditável que a melhora da relação dívida/PIB leve a interpretações da existência de um ajuste fiscal estrutural no País. Explico o porquê.

A aceleração da inflação reduz o coeficiente, porque o PIB nominal cresce mais rápido do que a dívida. Além disso, cai o salário mínimo e, em consequência, reduzem-se os gastos da Previdência. Da mesma forma, derruba a folha de salários em termos reais. O problema é que isso será revertido em prazo curto, tanto pela queda na inflação resultante dos juros altos como porque as grandes corporações irão brigar pela reposição salarial em 2023.

A arrecadação de impostos cresceu em boa parte por conta do choque de commodities. Ora, é bastante provável que o ciclo desses preços se reverta no próximo ano pela esperada redução no crescimento global.

Da mesma forma, o forte crescimento do PIB de 2021 teve efeitos positivos na coleta de impostos, que em parte são pagos neste ano, como o ajuste do Imposto de Renda. Isso não mais se repetirá, dadas as modestas projeções para 2022 e 2023.

Além disso, o processo orçamentário regular está completamente destruído por conta do crescimento das emendas parlamentares, especialmente as de relator. Essas transferências são paroquiais, mal distribuídas, pouco transparentes e de escasso efeito no crescimento. Basta pensar em obras inacabadas e shows sertanejos.

O pior de tudo é que não existe mais uma regra fiscal, pois o teto foi tantas vezes perfurado que virou uma ficção. Não há estabilidade macroeconômica sem uma âncora fiscal crível.

O populismo fiscal chegou com tudo. Convencido de que não ganhará a eleição com a inflação tão alta, o presidente da República, com o entusiasmado apoio do seu ministro da Economia, enviou para o Congresso um pacote de medidas que busca reduzir os preços da energia. Ele tem três elementos: a limitação do ICMS em vários produtos em 17%, a zeragem dos impostos federais nos combustíveis e um pretenso estímulo para que Estados reduzam a zero a alíquota desses produtos, pelo menos até depois das eleições. O pacote total tem o astronômico custo fiscal de R$ 90 bilhões em 12 meses.

O pior de tudo é que, mesmo se aprovado, os preços na bomba podem não cair. Dificilmente os Estados concordarão em, voluntariamente, reduzir a zero o ICMS. É esperado que até o fim do ano o preço internacional do petróleo suba ainda mais. E o real deve se desvalorizar em resposta à farra fiscal, como já ocorreu nos últimos dias.

A herança fiscal será lamentável.

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Em meio à greve dos servidores, o Banco Central ainda não informou se publicará uma atualização do Boletim Focus, ainda que parcial, na semana que vem, antes do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na terça e na quarta-feira. “Como de praxe, avisaremos a tempo se for ter uma parcial da Focus na segunda-feira”, se limitou a dizer o BC.

A incerteza preocupa o mercado, pois parte das expectativas de mercado divulgadas na Focus é utilizada pelo BC em seus modelos de inflação, que, por sua vez, são relevantes no processo de decisão da taxa Selic. Os juros básicos estão em 12,75% ao ano atualmente e a maioria do mercado espera aumento para 13,25% ao ano nesta semana.

Na atualização parcial divulgada na última segunda-feira, o IPCA de 2022 estava em 8,89% (acima do teto da meta, de 5%) e de 2023, em 4,5% (superior ao alvo central de 3,25%, mas inferior ao teto de 4,75%).

Ontem, a autoridade monetária já havia informado que, devido ao movimento dos funcionários, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), previsto para o dia 23, só seria publicado no dia 30, prazo final.
Paralisação

A greve dos servidores do BC foi iniciada em 1.º de abril e se intensificou nas últimas semanas, após o governo informar que não haveria reajuste para o funcionalismo público federal este ano. Nesta semana, cresceu a participação dos funcionários de maior hierarquia na paralisação, com adesão de chefes-adjuntos e consultores.

Os servidores pedem agora a inclusão de um bônus de produtividade na minuta que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, prometeu encaminhar ao Ministério da Economia, com pautas não salariais. O Sindicato Nacional de Funcionários do BC (Sinal) ainda informou que cortou pela metade a demanda de reajuste, de 27% para 13,5%.

Há diversos impactos da greve além do atraso nas publicações. Várias agendas normativas estão paradas, como a regulação prudencial das instituições de pagamento, questões relacionadas à Basileia 3 e novas regras de sustentabilidade, além de reuniões com o mercado sobre a regulamentação do novo marco de câmbio.

CNN Brasil - SP   13/06/2022

Mais uma vez neste ano, as decisões de juros no Brasil e Estados Unidos ocorrerão no mesmo dia, quarta-feira (15), em uma data apelidada por investidores como “super quarta”, já que as duas definições devem mexer com o mercado.

Entretanto, as atenções para as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve estão concentradas menos nas altas de juros em si, e mais nos comunicados que serão divulgadas após os encontros.

O motivo é que o mercado já tem uma decisão quase consensual sobre os dois movimentos. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os juros devem subir 0,5 ponto percentual, uma aposta que foi reforçada com indicadores econômicos divulgados entre maio e junho.

Por isso, especialistas consultados pelo CNN Brasil Business afirmam que o foco estará nas sinalizações dos dois bancos centrais sobre os próximos passos do ciclo de alta. Em relação ao brasileiro, sobre seu possível fim, e no caso norte-americano, sobre sua velocidade.

No Brasil, o fim de um ciclo?

O Copom começou a subir a taxa básica de juros, a taxa Selic, em março de 2021, colocando a economia brasileira como uma das primeiras dentre as maiores a iniciar um ciclo de alta de juros para combater uma inflação, em geral, com causas semelhantes pelo mundo.

Mais de um ano depois, e com um recorde de 10 altas seguidas, a Selic saltou de 2% para 12,75% ao ano, e o mercado acredita que o Banco Central não deve parar por aí.

A visão da maioria dos agentes financeiros é que o Copom optará por elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, passando os juros para 13,25% ao ano. O grande mistério é se a autarquia sinalizará que vai parar por aí ou deixará a porta aberta para outra alta em agosto.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, avalia que o dado de inflação de maio veio um pouco melhor que o esperado pelo mercado, mas que, na análise por componentes, ainda está “muito ruim”.

“[Por isso] o mercado quer entender o que o Banco Central vai falar se vai parar, pelos sinais de melhora na inflação, ou se vai dar 0,5 p.p. e deixar o que vai fazer em aberto pela situação dos núcleos”.

Ela aponta que, com um grau de disseminação da inflação acima de 70%, não seria prudente que o Copom fechasse a porta para uma possível alta em agosto dependendo do cenário inflacionário.

Mesmo achando que essa não deveria ser a ação ideal, ela não descarta que o Banco Central já indique no comunicado ao fim da reunião que optou por encerrar o ciclo atual de alta.

Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, tem uma visão divergente. Ele acredita que o Banco Central deve indicar o fim do ciclo após a alta de 0,5 p.p. ou deixar em aberto a possibilidade de uma outra elevação futura, de 0,25 p.p.

Ele vê a taxa de juros atual como “muito contracionista”, e defende que “talvez seja melhor ficar em uma taxa de 13,25% por mais tempo do que subir mais e precisar voltar mais cedo. Se fizer 13,25% e vai até o meio do ano que vem assim, caindo só no segundo semestre, faria mais sentido que ir além”.

O economista ressalta que os efeitos das altas de juros possuem uma defasagem até impactarem na inflação, que costuma ser de nove meses a um ano.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, o Banco Central deve sinalizar que encerrou o ciclo de alta, mesmo com apostas de uma elevação de 0,25 p.p. em agosto ganhando força.

“Acho que 13,25% cumpre muitos dos objetivos. A taxa de juros vai estar positiva, a taxa real deve aumentar. Mas é tanta coisa recente que até a boa notícia do IPCA mais fraco gerou um sentimento ruim”, pondera.

Entretanto, ele considera que a autarquia precisará fazer um bom trabalho de comunicação com o mercado. O motivo é que o IPCA de maio aparentou um pico na inflação, mas surgiram novas incertezas que podem piorar o quadro atual.

“O governo tem feito um monte de medidas para controlar preços que têm custos fiscais, e isso deve entrar na comunicação do BC, em relação ao que pretendem fazer e como veem a questão lá para frente”, diz.

O plano do governo federal de isentar impostos sobre combustíveis e compensar financeiramente estados que isentem tributos deve impactar as contas públicas em R$ 40 bilhões, e gerou temores no mercado sobre um possível descontrole fiscal e desrespeito ao teto de gastos, o que por consequência fez o dólar voltar a valorizar.

“O problema é que o mercado lê que o governo resolveu jogar a inflação para frente, em 2023”, afirma Perfeito.

Espírito Santo, da Órama, pondera que outro projeto sobre o tema, que estabelece um teto de 17% na cobrança de ICMS para combustíveis, deve reduzir a inflação em torno de 1,5 p.p., ajudando a dar um conforto ao Banco Central para encerrar o ciclo.

Para 2023, porém, “as expectativas estão desancorando, então, o BC pode querer esperar, verificar se o que tem feito já está dando resultado ou vai um pouco mais para cima”.

Já o plano de isenção de impostos até o fim de 2022 é visto por ele como “trocar a dor de cabeça. Você empurra o problema para o próximo ano, não com preço subindo, mas por expectativa que o lado fiscal será prejudicado, e a inflação é muito influenciada por isso”.

Com isso, a medida cria um “dilema” para a autarquia, que precisará ser enfrentado. Ele espera que o tema seja abordado pelo Copom, como já foi enfatizado em outras reuniões, mas provavelmente não de forma explícita, reforçando apenas os riscos com uma desancoragem fiscal.

Já Fontes acredita que o risco fiscal não deve aparecer muito no comunicado. “Por um lado tem toda a questão de alteração de ICMS, reajustes, mas os dados fiscais recentes têm mostrado melhora, então, o Banco Central pode se abster, não entrar nessa polêmica”.
Os próximos passos do Fed

Nos Estados Unidos, o quadro é outro. O Federal Reserve iniciou o ciclo atual de elevação de juros apenas em março deste ano. Desde então, os juros subiram do intervalo de 0% a 0,25% para 0,75% e 1% ao ano, enquanto a inflação se mantém no maior nível em quatro décadas.

O Fed sinalizou explicitamente que pretende subir os juros em 0,5 p.p. tanto em junho quanto julho. O foco, portanto, deve ser em possíveis atualizações nessas projeções, englobando agora a reunião de setembro.

André Perfeito observa que o dado de inflação divulgado na última sexta-feira (10), do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), apontou que a inflação no país está muito persistente, e sem sinal de queda, diferente do caso brasileiro.

“O Fed está tento que correr atrás para controlar a inflação, e deve tentar sinalizar isso pelo comunicado. O tom deve ser mais duro, porque não tem como ignorar mais o cenário. O BCE também não subiu juros, então eles vão precisar ser mais duros”.

Segundo ele, o mercado já passou a esperar uma taxa em torno de 3,25% em 2022, podendo chegar até acima de 4% em 2023, um valor maior que a taxa neutra e, portanto, contracionista.

Mesmo assim, ele não espera que o Fed reverta a posição de descartar altas de 0,75 p.p. “O perfil da diretoria atual não parece ser de ajustes mais fortes. Mas subindo de 0,5 p.p. em 0,5 p.p., é muita coisa, e tem também o corte no balanço, que tem um efeito forte”.

O problema, avalia, é que a autarquia parece estar de “mãos atadas” para lidar com muitas das causas da inflação atual, como lockdowns na China e alta do petróleo com a guerra na Ucrânia.

“A política monetária serve para controlar a inflação atual? Não sei. São várias questões que extrapolam a política monetária tradicional, aqui e lá. Mas o mercado vai continuar exigindo taxas maiores, porque não querem um prêmio negativo”, opina.

Fontes, da Nord, acredita que o Fed não deve ser tão agressivo quanto o mercado está esperando, e buscará manter os juros no patamar neutro, entre 2% a 3%, como indicado anteriormente.

“Se quer subir para 4% ou 5%, precisaria acelerar o passo, porque de 0,5 p.p. em 0,5 p.p. demoraria muito. Acho que deve continuar nessa toada de 0,5 p.p. a cada reunião, mas em vez de falar de duas, já avise que vai seguir nisso para mais uma [em setembro]”, diz.

Nesse sentido, ela afirma que a possibilidade do Fed pausar o ciclo de alta em setembro, como avaliado pelo mercado anteriormente quando a inflação em abril desacelerou, não deve ocorrer, em especial após o dado de inflação de sexta-feira, que indiciou que o pico ainda não foi atingido.

Ela acredita que existe hoje na autarquia um medo de que uma mudança de discurso para um tom mais duro provoque quedas muito fortes no mercado, por isso a decisão deve ser de manter a estratégia mais cautelosa, indicando apenas os movimentos para as próximas duas reuniões.

Na visão de Espírito Santo, o Fed errou ao considerar que a inflação seria transitória, e acabou ficando refém dela, em um nível muito maior que o esperado, demandando uma mudança de discurso.

Ele também descarta uma pausa no ciclo em setembro, e acredita que, no lugar dela, possa ocorrer uma elevação de 0,25 p.p., e espera que os juros terminem o ano na casa dos 3%.

O economista acredita que o dado do CPI de maio será considerado pela autarquia mesmo não sendo o Índice das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), que é o indicador referência para o Fed.

“É um número que acende a luz, um alerta, e os mercados já estão refletindo isso”, diz.

Para ele, o momento atual demanda cuidado, e o Fed deve ser cauteloso para evitar um “grande maremoto” nos mercados financeiros.

“É um grande medo. As bolsas já estão caindo há um bom tempo e podem cair mais, e há o risco de uma crise financeira, daí a necessidade de cautela. Precisa ter cuidado com as palavras, no comunicado, para não trazer mais turbulência e despertar uma crise”, afirma.

Correio Braziliense - DF   13/06/2022

A semana com mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no radar e a expectativa que permeia grande parcela do mercado é que o Banco Central deve elevar a taxa de juros atual de 12,75% para 13,25%. Um aumento de 0,5 ponto percentual.

A reunião ocorre na semana seguinte em que foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de maio, que indicou uma desaceleração da inflação. Alguns analistas preveem que essa tendência seja mantida nos próximos meses, o que pode influenciar a taxa de juros do BC. Após aumentos sucessivos, o movimento esperado por economistas é que, nas próximas reuniões do Copom, os brasileiros já poderão perceber uma estabilização na taxa Selic e, futuramente, uma queda para um valor de juros de um dígito.

O professor de economia do Ibmec-DF William Baghdassarian prevê que a taxa deve se estabilizar em 13,25%, mas indica que os efeitos de 2021, quando a taxa ainda era de 2%, ainda são sentidos na economia brasileira. Para ele, a decisão de diminuir drasticamente os juros em 2020 foi precipitada, visto que a pandemia de covid-19 já dava sinais de aumentar a inflação.

“Na minha visão, ele (Banco Central) baixou demais (a taxa). É aquela história do desespero. Você está tão desesperado para reaquecer a economia, que você entrega tudo. Só que, na hora que chegou o momento seguinte, você acabou tendo que subir demais”, pontua o professor.

“O modelo que o Banco Central utiliza foca na inflação, não do mês atual, mas na inflação de 18 a 24 meses à frente. Então, é como se eu tivesse uma certa doença e eu tomasse um remédio hoje, mas a gente soubesse que o efeito dele só vai se dar a partir de 18 meses à frente. Então por isso que é difícil você acertar um momento da entrada e o valor da subida de juros, porque você acaba tendo que acertar lá na frente”, explica Baghdassarian.

Pessimismo

Alguns economistas já enxergam o cenário futuro com certo pessimismo. Para o economista-chefe da Gladius Research, Benito Salomão, a taxa Selic deve atingir o patamar de 14,25%, e passar por um longo período de estabilidade. A queda, na visão dele, viria apenas no fim do próximo ano ou no início de 2024. “Nós teremos ainda um longo caminho a percorrer nessa desinflação e, na minha opinião, nós teremos taxas de juros em dois dígitos ainda por pelo menos um ano à frente”, analisa.

Mesmo com uma série de aumentos na taxa de juros, para conter a inflação, o IPCA continua subindo ao longo do ano. Especialistas dizem que o cenário de instabilidade política, gerado principalmente pela troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da alta probabilidade de um segundo turno acirrado nas eleições deste ano, prejudica a estabilidade econômica do país.

“Nós estamos presenciando uma disputa política todos os dias. Instituições sendo ameaçadas, instituições do estado democrático de direito. Então, tudo isso está muito maior e por isso que a taxa de juros tem subido”, analisa o economista Felipe Queiroz.

“Quando um país tem uma instabilidade política muito grande e os agentes econômicos não têm certeza de que as regras do jogo serão mantidas, então, eles têm uma tendência a não aplicar os recursos nesse determinado país. Esse é o fator que faz com que a taxa de câmbio se mantenha ainda no patamar que está mesmo com a taxa de juros”, completa.

Para tentar controlar a inflação, que se intensifica com o clima político desfavorável, o Banco Central então iniciou em 2021 uma série de aumentos na taxa de juros. Uma elevação de mais de 10 pontos percentuais, que dá indícios de recuo nas próximas reuniões. Para Salomão, o BC age sozinho para conseguir estabilizar a economia, que, na visão do professor, poderia estar menos volátil, não fosse a instabilidade política.

“Talvez nós poderíamos ter uma inflação mais baixa se nós não tivéssemos tido períodos de extrema volatilidade na taxa de câmbio, e que produziram um efeito inflacionário perverso na nossa economia, por via dos preços dos produtos importados. Então, nós temos que considerar que o Banco Central, embora ele esteja agindo bem para tentar controlar a inflação, ele está agindo sozinho”, pontua.

MINERAÇÃO

Valor - SP   13/06/2022

No ano, a principal matéria-prima do aço ainda exibe alta de 19% no mercado transoceânico

Os preços do minério de ferro marcaram a segunda queda consecutiva e fecharam a semana em baixa no mercado transoceânico, refletindo a piora nas margens das siderúrgicas chinesas e novos bloqueios na China para conter o avanço da covid-19.

Segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o minério com teor de 62% recuou 1,6% no norte do país asiático, para US$ 141,55 por tonelada, reduzindo a 3,7% a valorização acumulada em junho.

No ano, a principal matéria-prima do aço ainda exibe alta, de 19% no mercado transoceânico.

Já na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para setembro, caíram 1,7%, para 914,50 yuan por tonelada.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Trabalhadores da Caoa Chery de Jacareí (SP), aprovaram nesta sexta-feira, 10, em assembleia, proposta da empresa de demitir a maior parte deles com pagamento de indenização de nove a 15 salários (com teto de R$ 5 mil por salário), além dos valores legais do desligamento.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o valor vai variar de acordo com o tempo de serviço de cada um. As demissões oficiais devem ocorrer a partir de 1º de julho envolvendo os 489 funcionários da produção, de um total de cerca de 600 na unidade, incluindo administrativos.

No mês passado a empresa anunciou que vai fechar a fábrica até 2025, quando pretende retomar atividades com a produção apenas de carros híbridos e elétricos. Nesse período, vai preparar as instalações para as novas tecnologias.

Sem chegar a um acordo com o sindicato, a Caoa Chery chegou a demitir os funcionários por telegramas, mas o Ministério Público do Trabalho (MPT) suspendeu os cortes e as partes voltaram a negociar.

A empresa se comprometeu a estender o convênio médico, o plano odontológico e o vale-alimentação dos trabalhadores por um ano. Também assinou compromisso de dar prioridade aos atuais dispensados nas contratações após o processo de modernização da planta.

Nas negociações com o sindicato no MPT, os representantes da montadora afirmaram que em 2025, ou até mesmo antes, vai reabrir a fábrica. Dirigentes da entidade temem que a Caoa Chery decida concentrar sua produção na fábrica de Anápolis (GO) e encerre definitivamente as operações em Jacareí.

“Continuaremos organizado para que a fábrica volte a operar em Jacareí”, afirma o diretor do sindicato, Guirá Borba Guimarães. Segundo ele, a empresa informou que os trabalhadores que não forem demitidos vão atuar nos setores de vendas, pós-venda, manutenção, qualidade e logística.

A fábrica produzia o SUV Tiggo 3x, que saiu de linha, e o sedã Arrizo 6, que passou a ser importado. A empresa não comentou a decisão dos trabalhadores.

FERROVIÁRIO

Portal Fator Brasil - RJ   13/06/2022

Vai beneficiar escoamento da produção de açúcar do Triângulo Mineiro. Empreendimento recebeu investimentos de R$ 95 milhões privados e tem capacidade para movimentar dez mil toneladas do produto por dia

Com investimento privado de R$ 95 milhões, o terminal rodoferroviário Comendador Rubem Montenegro Wanderley, na cidade de Iturama (MG), vai possibilitar que o escoamento da produção de açúcar do Triângulo Mineiro ao Porto de Santos (SP) seja mais rápido e eficiente. A inauguração do empreendimento ocorreu no dia 09 de junho (quinta-feira) com a presença do ministro da Infraestrutura (MInfra), Marcelo Sampaio.

Anualmente, o terminal deve movimentar de dois milhões de toneladas de açúcar por ano e liga diretamente à Ferrovia Norte-Sul. Localizada na rodovia BR-497, na zona rural de Iturama, o terminal foi projetado para agilizar as operações tanto na recepção de cargas quanto no carregamento. Na parte de recepção rodoviária, o terminal poderá receber até 10 mil toneladas por dia, o que vale a 300 caminhões/dia.

— Para sanar o déficit de infraestrutura do país, é preciso uma combinação de investimentos públicos e privados. A ampliação do transporte ferroviário contribui na redução do custo do frete e da dependência do setor produtivo do transporte rodoviário. Vamos transformar a infraestrutura do país, a vida da população de Minas Gerais e impulsionar os principais setores que movem a economia — afirmou o ministro.

O terminal rodoferroviário é um investimento da Usina Coruripe para facilitar o escoamento da carga pela Malha Central (Ferrovia Norte-Sul), administrada pela Rumo.

Rodoviário

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Concessão prevê construção de túnel submerso entre Santos e Guarujá Porto de Santos busca R$ 18 bi em privatização para se consolidar como líder na América Latina

Brasília - Uma das principais obras que o novo gestor privado do porto de Santos terá de assumir é a construção de um túnel submerso que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá. Hoje, esse caminho é feito por estrada, em um trecho de 43 quilômetros de extensão. Outra opção é cruzar os municípios por meio de uma balsa. Já o túnel submerso terá apenas 1,7 quilômetros de extensão.

O valor desta obra está estimado em R$ 2,9 bilhões e foi incluído como uma das exigências do leilão. Ainda não há prazo específico para início e conclusão da obra, mas esse cronograma será definido até a publicação do edital, no fim do ano.

Pelo projeto de engenharia, o túnel será construído em uma profundidade de 20 metros no canal de Santos. Dessa forma, não vai comprometer o tráfego de navios no local, onde o calado chegará a, no máximo, 17 metros – hoje essa profundidade é de 15 metros. Estão previstas três faixas por sentido, além de integração com veículo sob trilhos (VLT), ciclovia e passagem urbana. Uma vez pronta, a estrutura deverá ser utilizada por aproximadamente 40 mil pessoas por dia.

“Há uma preocupação de garantir a mobilidade urbana, em melhorar a qualidade de vida da população. Não se trata apenas de garantir estruturas internas do porto, mas sim de melhorar essa relação portuária com a cidade”, diz Rafael Furtado, secretário substituto de fomento, planejamento e parcerias do Ministério da Infraestrutura.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

O setor portuário nacional se aproxima de uma virada histórica em suas operações. Até o fim deste ano, está prevista a privatização do Porto de Santos, maior complexo da América Latina e rota de entrada e saída de 29% de todas as transações comerciais do Brasil. Com a conversão da gestão estatal em uma operação 100% privada, o que se pretende é fazer frente à necessidade bilionária de investimentos que precisam ancorar nos terminais de Santos, para suportar seu crescimento que já está contratado.

O leilão do porto de Santos prevê exigências que terão de ser atendidas por seu novo gestor e que alcançam a cifra de R$ 18,5 bilhões em projetos de melhorias, ampliação e manutenção. Paralelamente a esses compromissos obrigatórios, o interessado precisa apresentar o lance pela outorga do porto, critério que teve seu valor inicial fixado em R$ 1,38 bilhão. Esse é o parâmetro de desempate. Vencerá o leilão aquele que apresentar a maior proposta de outorga, taxa paga ao governo federal pela administração do terminal.

Com a licitação, a atual gestora do porto, a estatal Santos Port Authority (SPA, antiga Codesp), será integralmente privatizada e não retornará para a União. Já as áreas físicas do porto serão concedidas a esta mesma empresa pelo prazo de 35 anos, sem prorrogação.
Expectativa é de forte disputa

No Ministério de Infraestrutura, a expectativa é de que haja forte disputa pelo negócio, a maior privatização depois do governo Jair Bolsonaro depois da Eletrobras. O governo já apresentou a proposta a investidores de países como Estados Unidos, França, Emirados Árabes e Itália, além de ter realizado audiência pública no Brasil.

“É um momento único para o transporte portuário. Vamos dar um passo novo e com segurança para promover os portos, com participação do setor privado, que vai garantir a expansão logística nacional”, diz Rafael Furtado, secretário substituto de fomento, planejamento e parcerias do Minfra.

O edital do porto acabou de passar por uma etapa de audiências públicas, para colher sugestões. A proposta está em fase final de elaboração para ser encaminhada nas próximas semanas ao Tribunal de Contas da União, que pode solicitar mais ajustes e alterações.

A expectativa atual é a de que, até outubro, a corte já tenha concluído seu parecer favorável ao leilão e que o edital definitivo seja publicado. Como o prazo para realização da oferta costuma ser de 90 dias, pode ser que o leilão ocorra, efetivamente, só no início do ano que vem, embora o governo corra para fazer a licitação ainda neste ano.
Manutenção e obras

Dos R$ 18,5 bilhões de investimentos obrigatórios previstos, R$ 14,1 bilhões serão aplicados em manutenções durante os 35 anos da concessão. Outros R$ 3 bilhões estão reservados para a construção de um canal submerso para ligar Santos e Guarujá (leia texto abaixo). Os demais R$ 1,4 bilhão devem ser injetados em obras como novos acessos rodoviários, modernização portuária e aprofundamento do canal de Santos.

Os terminais do porto estão espalhados por um canal de 25 quilômetros de extensão. Hoje, esse canal tem profundidade de 15 metros. Toda estrutura terá de ser rebaixada para 16 metros numa primeira etapa, chegando a 17 metros em um segundo momento.

Os terminais de Santos têm autorização para receber embarcações com até 366 metros de comprimento, enquanto grandes portos no mundo já estão aptos a ancorar navios de 400 metros. Ao aprofundar seu canal, este novo calado vai permitir o acesso dessas embarcações, apesar destas não terem Santos como rota atual.
'Teste para operação privada

Os investimentos de R$ 18,55 bilhões incluídos como exigência do leilão não são os únicos previstos para Santos. Fernando Biral, presidente da estatal SPA, diz que outros R$ 11,2 bilhões já estão em curso, boa parte como resultado de 11 áreas dos terminais em fase de arrendamento para empresas. “Ao todo, são cerca de R$ 30 bilhões de recursos que entrarão no porto de Santos”, comenta o executivo.

Nos últimos dez anos, enquanto a média de crescimento do PIB foi de 1,1% ao ano, o porto de Santos registrou aumento médio anual de 4,9% e tem movimentado cerca de 150 milhões de toneladas por ano, próximo de sua capacidade plena. A projeção conservadora é de que esse volume chegue a 200 milhões de toneladas até 2030.

A decisão de privatizar o porto de Santos não reflete apenas uma visão sobre políticas públicas que defendam a redução do papel do Estado no setor. Na prática, esta é hoje a única forma encontrada para que o principal hub marítimo do hemisfério Sul faça frente à expansão que terá nos próximos 40 anos, já que não há dinheiro público que consiga assumir essa conta.

Para se ter uma ideia, o plano de expansão logística nacional aponta que o Brasil precisaria investir cerca de R$ 75 bilhões por ano, até 2035, para fazer frente às necessidades do País em todo setor de transporte. Neste ano, porém, a União conta com cerca de R$ 6,5 bilhões para todo setor logístico federal. “É menos de 10% do que seria necessário. É evidente que não há a menor possibilidade de o governo realizar o investimento necessário”, comenta Furtado.

Com a privatização de Santos, a SPA passará a ser uma empresa privada, fiscalizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Futuras modificações e expansões em Santos terão de ser submetidas ao crivo do plano nacional de logística, em acordo com o que prevê o Ministério da Infraestrutura.

A expansão interna já está garantida. O porto tinha uma área total de 8,5 quilômetros quadrados, mas esta foi expandida recentemente em mais 7,4 km², diz Fernando Biral, da SPA. “A ideia foi incorporar essa nova área para ser explorada pelo novo concessionário privado. O porto é um vetor de desenvolvimento e isso será fundamental para os novos investimentos que virão”, comenta.

A SPA (antiga Codesp), que sempre deficitária e registro um prejuízo de R$ 470 milhões em 2018, passou para o azul no ano seguinte e fechou o ano passado com lucro de R$ 330 milhões. Neste ano, a expectativa é faturar R$ 500 milhões.

Valor - SP   13/06/2022

Foto:Reprodução/site PPI do governo federal

O prefeito de Santos diz que as cidades da região têm sido ignoradas pelo governo Jair Bolsonaro (PL) no processo de privatização do porto, que tem conclusão prevista para o fim de 2022, e nos leilões de terminais. Por isso, Rogério Santos (PSDB) acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) e estuda judicialização.

"Estamos falando do maior equipamento de logística do país. 30% da balança comercial passa pelo Porto de Santos. Algumas questões estão sendo resolvidas exclusivamente em Brasília, distante da região e distante da realidade de toda a cadeia que está presente no Porto de Santos", diz o tucano.

O prefeito ressalta que não é contra a desestatização ou os leilões, mas afirma que o governo federal tem atropelado etapas e levado a operação a toque de caixa, o que pode gerar prejuízos a Santos e às cidades vizinhas. Ele diz ter enviado duas notas técnicas à Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) que não tiveram resposta.

No caso da privatização, ele pede a manutenção de um espaço de cais público, hoje utilizado por pequenos e médios empresários para importações e que emprega 65% dos trabalhadores portuários avulsos da cidade.

O prefeito ainda destaca que a privatização sem a garantia de alguma participação pública na gestão do porto pode impactar negativamente o turismo e a economia da Baixada Santista.

"Quem vai fazer a gestão do porto vai ser uma empresa ou um consórcio, talvez internacional. Eles estão preocupados com resultado de bolsa de valores, acionistas, empresas. Mas o Porto de Santos cumpre um aspecto importante para outras políticas", diz Santos.

"O fluxo de turismo de passageiros de cruzeiros não é tão vantajoso economicamente quanto outras mercadorias. Será que essa empresa que vai vai fazer a gestão do porto vai priorizar os passageiros ou outros tipos de carga? A gente sabe que os navios ficam parados na entrada da barra. E é essa empresa gestora que faz o fluxo de entrada e saída", continua.

"Economicamente, os contêineres são muito melhores do que passageiros. Os passageiros não são importantes para o resultado econômico da gestora, mas são para o Brasil em relação ao desenvolvimento do turismo. É importante para o comércio da Baixada Santista", complementa.

Para ele, a tentativa de desestatização tem se concentrado exclusivamente no retorno econômico e tem ignorado questões ambientais, turísticas e trabalhistas locais.

A desestatização é uma das principais apostas de Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura, em sua campanha para o governo de São Paulo.

O leilão de um dos terminais, o STS 10, acarretará em aumento de 20% do fluxo de caminhões na cidade, afirma o prefeito, que então cobra obras viárias não entregues pelo governo federal no valor de R$ 200 milhões antes da transferência.

No caso do STS 53, o terminal de fertilizantes ficará ao lado de outro com passageiros. O prefeito pede, então, para que seja feito o processo de mudança de localização do terminal utilizado por turistas antes da realização do leilão, cuja outorga está estimada em R$ 650 milhões.

"Estamos extremamente interessados em desenvolvimento econômico, mas tem o lado social e ambiental. Os leilões e a desestatização impactam diretamente nesse equilíbrio", afirma Santos.

Grandes Construções - SP   13/06/2022

Na quarta-feira (8), a CS Infra iniciou a operação de dois terminais do Porto de Aratu – Aratu 12 e Aratu 18 –, na Bahia.

“A CS Portos irá trabalhar para oferecer o mais alto nível de serviço com o objetivo principal de elevar o nível de produtividade e qualidade aos clientes e usuários dos seus terminais, contribuindo com a geração de valor às empresas, desenvolvimento econômico e promovendo impacto positivo em toda a região”, destaca Marcos Tourinho, diretor-presidente da CS Portos, braço da CS Infra que será responsável pelos terminais portuários.

A empresa, que conquistou o leilão no final de 2020, investirá R$ 627 milhões em obras de melhorias e modernização nos primeiros três anos da operação, conforme previsto no Plano Básico de Implantação (PIB), aprovado pelo Ministério da Infraestrutura.

Os contratos do ATU12 e ATU18, somam 200 mil m² e tem duração de 25 e 15 anos, respectivamente. Ambos podem ser prorrogados por até 70 anos.

Antes de iniciar as operações, a empresa realizou uma avaliação técnica e operacional dos terminais e, por se tratar de terminais antigos, com mais de 50 anos, demandam obras preventivas e emergenciais.

As obras serão realizadas de maneira programada para garantir a movimentação de cargas no porto sem prejuízo aos clientes e usuários dos terminais.

Em quatro anos, a expectativa é que os terminais passem a receber navios com capacidade de 120 mil/ton e ampliem a movimentação diária para acima de 20 mil/ton, ante o limite atual de embarcações com capacidade de 50 mil/ton e média de 3 a 5 mil ton/dia.

“Os investimentos em infraestrutura e modernização dos dois terminais irão contribuir na geração de empregos e em mais oportunidades de negócios, fortalecendo a economia local, além de proporcionar investimentos do município e região portuária, com benefícios ao consumidor final”, completa o executivo.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Apesar de terem registrado alta semanal de mais de 1%, os contratos futuros de petróleo caíram hoje, diante do avanço do dólar+1,49%R$4,99 ante rivais, em meio à deterioração do sentimento de risco. O clima azedou após o índice de inflação ao consumidor (CPI) de maio dos Estados Unidos vir acima do esperado, o que fez com que o mercado passasse a esperar um aperto ainda mais hawkish do Federal Reserve (Fed). Outro indicador da economia americana, o índice de sentimento ao consumidor da Universidade de Michigan veio abaixo do esperado e também ajudou a gerar cautela entre os investidores. Do lado da demanda pelo óleo, novos lockdowns na China preocupam.

O petróleo WTI para julho registrou queda de 0,69% (US$ 0,84), a US$ 120,67 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para agosto caiu 0,86% (US$ 1,06), a US$ 122,01 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Na comparação semanal, os dois subiram 1,51% e 1,91%, respectivamente.

Xangai anunciou que realizará testes em massa para covid-19 em 7 de seus 16 distritos, de acordo com a Reuters. Em meio a novos bloqueios sendo impostos a essas regiões da metrópole, os moradores do distrito de Minhang já receberam ordens para se confinarem em casa por dois dias, em tentativa de conter o recente avanço do coronavírus.

Valor - SP   13/06/2022

Proposta prevê a centralização da comercialização do gás excedente pela PPSA, que negociaria com térmicas e indústrias, a preços de mercado

Depois de várias tentativas de se criar o Brasduto por emendas “jabutis” (sem relação com tema original de projetos de lei) que deixariam os custos do financiamento de gasodutos para consumidores ou contribuintes, há uma proposta em curso que pretende dar solução de mercado para a questão, apurou o Valor.

A emenda criaria o Brasduto por meio de uma saída de mercado. Hoje o país reinjeta em poços de perfuração 70 milhões de m3 /dia, sendo que 30 milhões de m3 /dia são usados para aumentar a produção de petróleo. Há 40 milhões de m3 /dia que poderiam ser utilizados, ainda mais em momento em que há escassez do produto no mercado internacional devido à guerra da Ucrânia.

O Brasduto seria um fundo estimado em R$ 100 bilhões para financiar a construção de gasodutos. A proposta previa o repasse de recursos pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que subsidia iniciativas do setor e tem orçamento de R$ 32 bilhões para 2022. Também cogitou-se o uso de recursos de fundos sociais a partir do petróleo do pré-sal, gerido pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).

Agora se prevê a centralização da comercialização do gás excedente pela PPSA, que negociaria com térmicas e indústrias, a preços de mercado, funcionando como comercializadora oficial. Cerca de 75% desse gás seria destinado à geração térmica e os 25% restantes poderiam ser ofertados a indústrias e a outros consumidores de porte menor do que uma termelétrica. Essa proposta não teria tanta resistência por parte de agentes do setor elétrico, já que a receita seria direcionada para o financiamento da expansão da malha dutoviária.

Apesar da forma que foi introduzida, por meio de “jabuti” na Lei da Eletrobras, a contratação compulsória de 8 GW de térmicas a gás teve dois objetivos, segundo a apuração do Valor: criar mercado e aumentar a segurança energética do país. Os 8 GW serão implementados paulatinamente, até 2030, em regiões sem infraestrutura de gás.

Especialistas afirmam que “ninguém vai ser contra a interiorização do gás”, em alusão ao fato de que essas térmicas ficariam em regiões sem infraestrutura. Como as térmicas são consideradas âncoras para a formação do mercado, a implantação delas poderia permitir industrialização e aumento de opções energéticas para o Centro-Oeste, região agrícola e que poderia contar com novas indústrias para produção de fertilizantes, por exemplo, com a oferta de gás.

Em meados de maio, o Valor havia apurado que o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, recém-nomeado para o cargo, havia afirmado a parlamentares que é contra o uso de dinheiro público, seja via conta de luz, seja via recursos do fundo social do pré-sal, para construção de gasodutos. Uma ameaça a essa proposta é o anúncio recente pelo governo da intenção de privatizar a PPSA e de se desfazer do excedente de óleo e gás a que a União tem direito nos contratos de partilha.

Valor - SP   13/06/2022

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma queda de 3 milhões de barris/dia do petróleo russo, o equivalente a quase toda a produção do Kuwait

O presidente-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, acredita que os preços do petróleo poderão aumentar para US$ 175 o barril ainda este ano. Jeremy Weir, o presidente da trader de commodities Trafigura, diz que o petróleo poderá ficar “enigmático”.

A consultoria Energy Aspects, que tem clientes que vão de fundos de hedge a companhias estatais de energia, diz que estamos enfrentando “talvez a maior fase de alta dos preços do petróleo em todos os tempos”. O Goldman Sachs acredita que os preços do petróleo estarão “em média” em US$ 140 o barril no terceiro trimestre deste ano.

É tentador classificar esse surto em massa de expectativa de alta como uma conversa de bancos e traders posicionados para um aumento dos preços do petróleo no curto prazo - que já chegaram a US$ 120 o barril.

As grandes companhias de petróleo ocidentais continuam relutantes em investir. Mesmo que elas ignorassem a pressão para se tornarem “verdes”, grandes empreendimentos fora da bacia de xisto dos Estados Unidos levam anos para entrar em operação

Aqueles com boa memória lembram-se do aumento do petróleo para US$ 147 o barril às vésperas da crise financeira, quando o Goldman Sachs estava entre os principais incentivadores de um rali que rapidamente se inverteu quando a economia despencou. O petróleo custava US$ 40 o barril no Natal de 2008 e ainda assim as bonificações recebidas pelos operadores de energia de Wall Street no ano entraram para o folclore do mercado.

Mas embora sempre haja uma saudável pitada de ceticismo quanto às previsões de preços, você só precisa arranhar a superfície do mercado de petróleo para ver que essas previsões de alta estão, desta vez, bem fundamentadas.

A crise energética, que começou com a Rússia reduzindo o fornecimento de gás natural para a Europa antes disso se espalhar para o complexo das commodities depois da invasão da Ucrânia, está longe de terminar. É provável que ela piore antes de melhorar, com graves ramificações para a economia mundial, já abalada pela inflação.

A questão-chave é simples: mal há petróleo suficiente para circular. E com a produção de petróleo da Rússia atingida por sanções e se deparando com um caminho cada vez mais difícil para o mercado, há temores legítimos de que a oferta possa cair muito mais.

A União Europeia (UE) acaba de proibir carregamentos marítimos de petróleo russo, forçando a Rússia a enviar seu petróleo por distâncias cada vez maiores para compradores dispostos a fazer vista grossa para suas ações na Ucrânia. Índia e China compraram cargas com grandes descontos depois que muitos compradores da Europa se auto-sancionaram. Mas à medida que os volumes de petróleo russo deslocado aumentam, há dúvidas sobre a capacidade e disposição das refinarias da Ásia de continuar absorvendo-os.

O grande desafio é a iminente proibição do seguro na União Europeia e Reino Unido para navios que carreguem petróleo russo. Isso efetivamente tiraria a Rússia dos principais mercados de navios-tanque, deixando o país com opções muito reduzidas para o envio de seu petróleo. Os navios petroleiros não só precisam fazer seguro de cargas caras, mas também contra riscos como vazamentos ao estilo do Exxon-Valdez, com custos de limpeza de muitos bilhões de dólares.

Rory Johnston, um estrategista de commodities, afirma que a maior parte dos grandes portos simplesmente não aceitará navios-tanque sem proteção e seguro de indenização - um mercado que o Reino Unido e a UE dominam - e faz uma estimativa conservadora de que a queda na produção russa dobrará para cerca de 20% em relação aos níveis anteriores à invasão da Ucrânia, ou 2 milhões de barris/dia, até o fim do ano.

A produção russa poderá cair muito mais, com a Agência Internacional de Energia (AIE) prevendo uma queda de 3 milhões de barris/dia - o equivalente a quase toda a produção do Kuwait.

Não será fácil substituir esse déficit em potencial. Os governos ocidentais já recorreram a reservas estratégicas, liberando cerca de 1 milhão de barris/dia desde a invasão. Mas isso apenas moderou o aumento dos preços, e não o reverteu, além de não poder continuar indefinidamente.

Os únicos países com capacidade de produção sobressalente significativa são a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, mas a capacidade de produção dos dois não é ilimitada. A produção da Arábia Saudita aproxima-se de 11 milhões de barris/dia, depois que ela concordou em aumentar ligeiramente a produção. Mas adicionar mais 1 milhão de barris/dia empurraria sua produção para um território desconhecido, sobrecarregando seus campos de petróleo se eles precisarem manter a produção lá por mais do que uns poucos meses.

Outros membros da Opep estão lutando para aumentar a produção até mesmo para os níveis pré-pandemia, depois de anos de má administração e investimentos insuficientes. Um possível acordo nuclear dos EUA com o Irã, que poderia liberar mais barris, é incerto. A disparada dos preços dos alimentos poderá causar distúrbios em muitos países produtores de petróleo, ameaçando ainda mais o abastecimento.

As grandes companhias de petróleo ocidentais continuam relutantes em investir. Mesmo que elas ignorassem a pressão para se tornarem “verdes”, grandes empreendimentos fora da bacia de xisto dos EUA levam anos para entrar em operação.

Se a oferta está profundamente perturbada, o equilíbrio do mercado passa a ficar a cargo da demanda. Mas os governos fizeram cortes limitados nos impostos sobre combustíveis para apoiar o consumo, enquanto que a população, frustrada por dois anos de rupturas provocadas pela covid-19, mostra-se disposta a pagar mais pela gasolina nas bombas.

A China está reabrindo sua economia. As pessoas voltaram a andar de avião. A demanda está indo na direção errada. Todos esses fatores apontam para o aumento dos preços do petróleo até um nível que reduza o consumo, provavelmente desencadeando uma desaceleração econômica grande o suficiente para reduzir a demanda. Em outras palavras, uma recessão para muitas economias.

As autoridades poderão encorajar a conservação, desde a redução dos limites de velocidade até o restabelecimento de impostos. Mas as evidências até agora sugerem que elas estão mais felizes tropeçando em desastres do que incomodando os motoristas. Elas precisam esperar que quando o petróleo ficar barato novamente, os eleitores ainda terão um emprego para onde se dirigir. (Tradução de Mário Zamarian)

David Sheppard é editor de energia do Financial Times.

Valor - SP   13/06/2022

Representantes da indústria do petróleo reforçam a defesa da prática de preços alinhados ao mercado internacional

Eberaldo Almeida Neto, presidente do IBP: “Restrição da oferta e aumento da demanda deixam o mercado curto“ — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Representantes da indústria do petróleo têm reforçado a defesa da prática de preços alinhados ao mercado internacional. O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e do Gás (IBP), Eberaldo Almeida Neto, disse a jornalistas na sexta-feira que as cotações do diesel e da gasolina estão defasados em relação ao exterior.

Segundo ele, a Petrobras tem buscado seguir os preços internacionais, mas hoje esses dois combustíveis são vendidos no Brasil com uma diferença em relação ao mercado externo. “Se isso perdurar, pode começar a distorcer o mercado”, disse.

Nos cálculos da Associação Brasileira de importadores de Combustíveis (Abicom), na sexta-feira pela manhã o diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras nas refinarias estava 18% abaixo do preço internacional, enquanto a gasolina tinha defasagem de 19%. A Petrobras mantém os preços da gasolina inalterados desde 11 de março e não realiza novos reajustes no diesel desde 10 de maio.

‘Não podemos cair na tentação e ir para preços tabelados como no passado’, afirma diretor da Petrobras

Almeida Neto afirmou que a prática de preços descolados aos do mercado prejudica a importação, necessária para garantir o suprimento de todo o mercado nacional. Nesse cenário, disse, há risco de problemas no abastecimento, com faltas pontuais de combustíveis, situação que tende a ser mais grave no segundo semestre, quando o consumo de diesel no país cresce. “Não vai acontecer uma falta generalizada, mas pode ocorrer algo pontual”, afirmou.

A Petrobras tem sido alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro pelo aumento dos combustíveis vendidos às distribuidoras nas refinarias, buscando seguir os preços internacionais. Este ano, com a retomada da demanda depois dos momentos mais agudos da pandemia e o conflito na Ucrânia, o barril de petróleo teve forte aumento no mercado externo.

O diretor de relacionamento institucional e sustentabilidade da Petrobras, Rafael Chaves, reforçou que a companhia deve seguir com a prática de preços em linha com o mercado: “Não podemos cair na tentação e ir para preços tabelados. Já aprendemos isso no passado. Se não aprendemos no passado, aprendemos com os vizinhos. O preço dá um sinal, segura a demanda e sinaliza para a oferta. Não podemos perder isso de vista”, disse em evento no Rio.

“Se a gente achar que tem alguém, seja do Legislativo, Executivo ou Judiciário, que é iluminado e usa a caneta para definir preços, estamos errados”, completou

O diretor da Petrobras disse ainda que o respeito a preços de mercado é importante para a atração de investimentos: “Temos que fazer do Brasil um porto seguro de investimento, é isso que vai resolver o problema.”

Chaves também afirmou que, para gerar investimentos, é preciso que as empresas tenham lucro. Nos últimos meses, autoridades também têm criticado a Petrobras por “lucro excessivo”. “O irmão do investimento é o lucro. Temos que ficar felizes quando há lucro, porque há investimento”, disse.

Nesse contexto, o presidente da Shell Brasil, André Araújo, reforçou as falas do diretor da estatal brasileira: “Precisamos ter cuidado para não cair na tentação com decisões de curto prazo. Já vivemos essa expectativa em momentos anteriores e isso é muito ruim. A sociedade pode cair na tentação e achar que o preço mais barato por dois meses é algo bom, mas sabemos as consequências”, afirmou.

O executivo reconheceu que a inflação nos combustíveis impulsionada pela guerra na Ucrânia impacta a população, mas lembrou a situação da Argentina, que enfrenta escassez de combustíveis, como consequência do congelamento de preços. “É só cruzar a fronteira para o Sul e se percebe claramente essas consequências negativas”, disse.

O presidente do IBP disse que o risco de falta de produtos também está relacionado ao mercado internacional, que passa por uma recuperação de demanda depois dos efeitos da pandemia e sente os efeitos de embargos ao petróleo russo: “A restrição da oferta, somada ao aumento sazonal da demanda, deixa o mercado curto e qualquer coisa que aconteça, como a parada de uma refinaria, pode gerar um problema”, afirmou.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   13/06/2022

Em 1993, quando foi fundada a Abag, sob a liderança do grande Ney Bittencourt Araujo, tínhamos uma meta: a produção de 100 milhões de toneladas de grãos pelos agricultores brasileiros. Parecia um sonho distante, mas aconteceu em 2001, quando foram colhidas 100,27 milhões de toneladas.

E, em 2015, chegamos a 200,7 milhões de toneladas (dados da Conab). Dobramos a produção em apenas 14 anos! Viva a tecnologia tropical sustentável desenvolvida por nossos institutos de pesquisa, nossas academias e as empresas nacionais e multinacionais que lidam com inovação tecnológica! E viva a determinação e o empreendedorismo dos nossos produtores rurais, que em todos os rincões agricultados introduziram novas variedades, novos insumos e equipamentos e colocaram o País no mais alto patamar de competitividade global.

E neste ano quase produzimos 300 milhões de toneladas. A seca que afetou os Estados do Sul nos tirou algo próximo de 27 milhões de toneladas de soja e de milho da safra de verão.

Mas, com seca e tudo, a Conab anunciou esta semana a perspectiva de colheita de 271,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2021/22, volume 6,2% maior do que o do ano passado. E o melhor: a área plantada tinha crescido 5,7%, ou seja, continuou a trajetória vitoriosa em que a produção aumentou mais do que a área nova. É bem verdade que no ano passado houve também seca no primeiro semestre, seguido de geadas no fim de junho e no começo de julho que afetaram duramente a produção da segunda safra de milho, a safra de inverno. Mas a marcha de progresso do agro é inquestionável.

A meta agora é superar as 300 milhões de toneladas em 2023.

Não será tão fácil. Os custos de produção aumentaram muito em função da pandemia, e a invasão da Ucrânia perturbou ainda mais o cenário, no qual infelizmente alguns segmentos aumentaram seus preços acima do necessário.

O governo foi ágil em garantir importação da maior parte da demanda de fertilizantes, de modo que a falta não será tão grave como se imaginava. Talvez o maior gargalo seja mesmo a falta de recursos para o crédito rural e a taxa de juros muito alta em função da inflação.

Mas o cenário mundial tem outras nuvens ameaçadoras. Começa hoje em Genebra uma importante reunião da OMC de ministros relacionados ao comércio internacional, e alguns países querem recriar regras protecionistas que, se aprovadas, poderiam reduzir a nossa competitividade global.

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