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12 de Abril de 2021

INDA

Preço do aço ainda tem espaço para subir (assim como as ações da Gerdau e da Usiminas)

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Money Times - SP   12/04/2021

Os preços do aço, que já estão em patamares elevados, têm espaço para subir ainda mais, aponta a Ágora Investimentos em relatório enviado a clientes.

Segundo os analistas Thiago Lofiego e Luiza Muss, a Usiminas (USIM5) anunciou um novo aumento de 10% nos preços para abril.

A informação também foi confirmada pelo Itaú BBA.

“Considerando a BQ (aços laminados a quente) de exportação chinesa a US$ 810 por tonelada e o real a R$ 5,60, calculamos que os preços domésticos de BQ estão sendo vendidos com um desconto de aproximadamente 9% “, apontam.

Para a dupla, não seria nenhuma surpresa se o preço da commodities sofresse mais aumentos após abril. A construção civil forte somada às incertezas em torno de cortes na produção e cortes de descontos nas exportações continuam inquietando o mercado.

“Os preços da BQ chinesa já estão em alta de US$ 90 por tonelada na comparação com o mês anterior, e os participantes do mercado veem mais alta no curto prazo”, completam.

De acordo com a Inda, entidade que representa distribuidores de aço plano, CSN (CSNA3) anunciou aumento de preços para abril na ordem de 10% e a Gerdau (GGBR4) elevou seus produtos planos entre 8% e 10%.

Qual melhor empresa para capturar essa alta?

Os analistas reiteram a preferência pelas ações da Usiminas.

Além das condições favoráveis no exterior, aqui no Brasil a demanda doméstica mantém o ritmo aquecido, com os principais participantes sugerindo que o reabastecimento de aço ao longo da cadeia ainda não acabou.

“A demanda de uso final por bens de capital, maquinário, construção e automóveis continua forte”, afirmam.

Tarifas de importação não são ameaça

Para eles, uma possível redução das tarifas de importação de aço no Brasil não irá impactar os preços no mercado interno.

“Mesmo no pior cenário de tarifas caindo de 12% para 0% (o que vemos como altamente improvável), os recentes aumentos de preços, que ainda não estão totalmente em nosso modelo, compensariam totalmente o impacto negativo de tarifas mais baixas em nossas estimativas”, dizem.

A Ágora tem recomendação de compra para Usiminas, com preço de R$ 22, e Gerdau (preço-alvo de R$ 33).

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SIDERURGIA

Aperam investe para enobrecer linhas de aços especiais

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Valor - SP   12/04/2021

 

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TRF-4 anula multa de R$ 363 milhões aplicada à Gerdau por ágio interno

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Consultor Jurídico - SP   12/04/2021

Até a vigência da Lei 12.973/14 não havia proibição legal para a amortização de ágio nas operações de reestruturação societária entre empresas relacionadas. Além disso, a norma não pode produzir efeitos para o passado, pela simples razão de que a legislação anterior não tinha qualquer previsão sobre o ágio interno.

Com base nesse entendimento, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região anulou um auto de infração de R$ 363 milhões, referente a ágio interno, imposto à empresa Gerdau Aços Especiais. O ágio teria sido gerado a partir da reorganização do grupo empresarial entre 2004 e 2005.

O ágio é o preço pago a mais por uma empresa a ser adquirida. Quando a operação é feita, a compradora paga um valor acima da soma de todos os ativos da empresa a ser adquirida, que corresponde ao potencial de ganho futuro dessa empresa. O ágio interno ocorre quando tanto a compradora quanto a adquirida são empresas do mesmo grupo.

Essa quantia excedente, que é avalizada por uma auditoria, pode constar como despesa no balanço da empresa e ser amortizado para reduzir o Imposto de Renda e CSLL. No entanto, a Receita pode autuar o contribuinte se achar que uma operação entre empresas foi feita somente para reduzir o pagamento de tributos.

A decisão do TRF-4 se deu por maioria de votos, em julgamento estendido. Foram três votos a favor da anulação da multa e dois contrários. O relator, juiz federal Alexandre Rossato da Silva Ávila, levou em consideração que a Lei 2.973/14, que passou a proibir o ágio interno, entrou em vigor após a reorganização do Grupo Gerdau.

"A pessoa jurídica, antes da vigência da Lei 2.973/14, que absorver patrimônio de outra em virtude de incorporação ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, baseado em rentabilidade futura, ainda que o aumento do capital social que deu origem ao ágio tenha sido integralizado com ações de sociedade do mesmo grupo econômico, juntamente com capital de terceiros, poderá amortizá-lo na forma prevista no artigo 7º, III, da Lei 9.532/97", disse.

De acordo com o magistrado, a adoção de regras contábeis não pode se sobrepor às regras jurídicas que disciplinavam o ágio gerado na reorganização societária sem qualquer distinção em relação a empresas do mesmo grupo econômico.

"A interpretação fundada na substância econômica das operações de reorganização societária não autoriza que a autoridade administrativa transforme atos jurídicos perfeitos em imperfeitos na ótica exclusivamente tributária com o escopo de encaixá-los em uma tributação mais favorável aos interesses fazendários, violando a autonomia da vontade, a liberdade econômica, a proteção da confiança, a segurança jurídica e o princípio da legalidade", explicou Ávila.

Assim, afirmou o juiz, se o contribuinte seguiu rigorosamente o que estabelecia a lei vigente, sem adotar práticas proibidas pela legislação tributária e societária, como ocorreu no caso da Gerdau, "carece de fundamento legal a pretensão da administração de conferir ao ágio tratamento tributário diverso daquele previsto na lei, fundada na prevalência da substância econômica subjacente às operações de reorganização societária".

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Estudantes da USP podem colaborar na construção de estratégia de negócios da ArcelorMittal

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Brasil Mining - SP   12/04/2021

A ArcelorMittal lançou um novo desafio com a Universidade de São Paulo ( USP ) para a participação efetiva dos estudantes na construção da estratégia de negócios da empresa. O objetivo do “Ideathon USP e ArcelorMittal” é estimular estudantes da universidade a proporem soluções inteligentes, inovadoras, sustentáveis e que tenham grande potencial de serem aplicadas. As inscrições estão abertas até o dia 23 de abril e são voltadas para alunos da graduação e da pós-graduação da instituição. O desafio terá a duração de quatro meses.

É a primeira vez que a produtora de aço permite que estudantes da graduação e pós-graduação de universidade no Brasil auxiliem no planejamento de seu modelo de negócio. “O Ideathon USP e ArcelorMittal é uma oportunidade para os alunos da universidade participarem do movimento de inovação aberta da empresa. A nossa expectativa é que as ideias sugeridas sejam de alto nível e possam se tornar negócios no futuro, tendo em vista a excelência e o papel relevante da USP no cenário da inovação e do empreendedorismo brasileiro”, disse Rodrigo Carazolli, gerente geral de Inovação, Novos Negócios e Açolab na ArcelorMittal Aços Longos LATAM.

As propostas apresentadas podem envolver temas ligados à sustentabilidade; economia circular; redução de emissão de CO2 na cadeia de aço; soluções envolvendo coprodutos da siderurgia e construções inteligentes utilizando aço e aplicando tecnologias da indústria 4.0 na construção civil. A participação pode ser individual ou em grupos de até três pessoas. A etapa de ideação (em que serão submetidas as ideias) contará com webinars sobre mapeamento de personas, como ter boas ideias e como priorizá-las.

Professor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da parceria, Vanderley John destaca que o Ideathon é a forma que a USP e a ArcelorMittal encontraram para engajar os alunos no processo de inovação. “A única maneira do Brasil reduzir a pobreza e se desenvolver é com a inovação: criar produtos e serviços novos, que o mundo deseje e esteja disposto a pagar por isto”. John esclarece que o ensino tradicional educa a aplicar soluções existentes a problemas conhecidos, e a inovação é a busca de uma nova solução, ou até mesmo identificação de um novo problema. “Esta habilidade não está nos nossos currículos de engenharia”.

Um dos diferenciais do desafio será a capacitação dos estudantes por especialistas da USP e da ArcelorMittal para a elaboração das propostas. De acordo com Carazolli, os eixos temáticos selecionados estão alinhados às necessidades relevantes de mercado e têm também como meta gerar contribuições importantes para a sociedade. “É com esse entusiasmo que a ArcelorMittal e o Açolab – hub de inovação da empresa – estão encarando esse desafio”, complementa.

Cooperação com a USP – A instituição paulista e a ArcelorMittal assinaram um convênio para desenvolvimento de pesquisas em conjunto e atração de talentos em 2019. O lançamento da cátedra “Construindo o Amanhã”, voltada para a construção civil, foi o primeiro passo.

O convênio prevê ainda a construção do novo prédio do Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS) na Cidade Universitária. A iniciativa visa montar um espaço para demonstrar, testar e otimizar, em condições reais de uso, a eficácia de diferentes soluções construtivas antes que sejam introduzidas ao mercado. Com foco na inovação e sustentabilidade, o CICS testará os conceitos do futuro como internet das coisas, zero energy, e desmontagem e reuso aplicados em obras de todos os portes.

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Siderurgia e mineração podem construir agenda conjunta de soluções para superar gargalos e expandir negócios

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Brasil Mining - SP   12/04/2021

Os setores de mineração e de siderurgia estão dispostos a construir agenda conjunta com indicação de problemas e respectivas soluções para superar gargalos e possibilitar a expansão dos negócios com reflexos positivos no desenvolvimento socioeconômico e sustentável do Brasil no longo prazo.

O tema foi abordado em reunião online nesta 5ª feira (8/4), com a participação de Sergio Leite, presidente da Usiminas, de Marco Polo Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, e de conselheiros, diretores e associados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

Entre os temas comuns estão a defesa das reformas estruturais – como tributária, fiscal e administrativa; elaboração e adoção pelas empresas de uma agenda de boas práticas em ESG (aspectos ambientais, sociais e de governança); reforço da segurança jurídica; desburocratizar e aprimorar marcos regulatórios; planejamento nacional para promover a instalação de mais indústrias no país; expansão dos investimentos em infraestrutura; redução/eliminação de encargos sobre exportação e estabelecimento de maior isonomia tributária/competitiva com outros países.

O setor siderúrgico, segundo Sergio Leite, acredita que esta agenda irá, também, estimular o aumento do consumo de aço per capita no Brasil, estagnado há 40 anos, o que é também positivo para a indústria da mineração, fornecedora de insumos para a siderurgia. Em 2019, o consumo no país era de 98 kg por habitante/ano. A média mundial é de 229 kg.

“As agendas da mineração e das empresas siderúrgicas são muito próximas. Nossa visão e o que nos propomos a fazer são similares. Acredito que devemos unir os dois setores cada vez mais. É uma forma de contribuirmos para que o Brasil se torne um país ainda mais competitivo e, se isso não for uma realidade, as empresas brasileiras não conseguirão ser mais competitivas”, disse Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM.
Sergio Leite apresentou detalhes sobre desativação de barragens – crédito: divulgação

“Mineração e siderurgia têm apresentado muitas contribuições positivas ao país ao longo da história e estão entre os setores fundamentais para a retomada da economia e o desenvolvimento sustentável do Brasil”, comentou Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do IBRAM.

“Somos parte de uma mesma cadeia de valor, de uma mesma cadeia de produção. Sem minério não há como ter o aço. É uma relação umbilical”, comentou Sergio Leite, ao concordar com a proposta. “Estamos à disposição no Instituto Aço Brasil para construir esta agenda conjunta para os dois setores e, assim, colaborar para o desenvolvimento socioeconômico do país”, acrescentou Marco Polo.

Sergio Leite disse ainda que as reformas estruturais poderão recuperar o poder de investimento do Estado brasileiro, o que seria importante para os multiplicar os investimentos em infraestrutura no país.

Panorama da indústria do aço

O presidente da Usiminas foi convidado pelo IBRAM a apresentar um panorama da indústria do aço no Brasil e no mundo.

As tendências de sustentabilidade para a siderurgia e a mineração são, igualmente, comuns, disse. Segundo ele, está havendo mudanças nos requisitos do cliente e uma crescente demanda por produtos de aço ecologicamente corretos em toda a cadeia de valor; maior rigor nas regulamentações de emissão de carbono; e crescente interesse público e de investidores em sustentabilidade, o que reforça a necessidade de as empresas assumirem e cumprirem compromissos com o desenvolvimento de negócios com responsabilidade ambiental e investimentos sustentáveis.

O presidente da Usiminas disse que a agenda ESG é um exemplo de ação que o setor industrial precisa tomar à frente, incluídos a siderurgia e a mineração. Para ele, esse é um tema estratégico e a Usiminas tem tomado várias decisões para avançar na agenda ESG.

Na próxima semana, por exemplo, vai aderir ao Pacto Global da ONU. A empresa já é signatária de três outros importantes iniciativas ligadas à promoção da diversidade e equidade de gênero, além de manter desde 2019 um ambicioso programa interno de Diversidade e Inclusão. Incrementou o monitoramento dos principais temas da matriz da agenda sustentável da companhia e, entre outras iniciativas, implantou uma gerência-geral corporativa de sustentabilidade e um comitê de sustentabilidade ligados à alta direção.

“As indústrias de aço e de mineração têm suas operações atreladas aos interesses sociais. E comunicação e transparência são essenciais como elementos de conexão entre as empresas e as comunidades”, disse Sergio Leite, comparando os interesses comuns dos dois setores nos aspectos sociais atrelados à produção.

A Mineração Usiminas, braço do grupo siderúrgico, caminha no mesmo sentido da agenda ESG. Em termos de segurança operacional, Sergio Leite disse que a empresa não vai mais utilizar barragens convencionais de rejeitos a partir do próximo ano. O empilhamento a seco permitirá à empresa operar sem disposição de rejeitos em barragens a partir de sua completa implementação, prevista ainda para 2021.

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Ações de CSN e Usiminas saltam mais de 15% na semana com reajuste; Sabesp sobe 2,7% após revisão tarifária e varejistas caem

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Infomoney - SP   12/04/2021

Mais uma vez, as siderúrgicas registraram ganhos: na sessão desta sexta-feira (9), os destaques do Ibovespa ficaram para CSN (CSNA3, R$ 43,09, +4,84%) e Usiminas (USIM5, R$ 19,20 3,39%) fecharam entre os maiores ganhos do índice.

No radar da Usiminas esta semana, bancos como Itaú BBA e Bradesco BBI informaram que a companhia anunciou aumento de preços de aço a distribuidores válido a partir de 12 de abril, sendo esta a terceira elevação no ano, após altas em janeiro e fevereiro. Na semana, os papéis USIM5 subiram 15,59%, enquanto os ativos CSNA3 avançaram 17,09%.

Entre as altas, também estiveram as ações dos shoppings após o governo do estado de São Paulo anunciar que a região saiu da fase emergencial e voltou para a fase vermelha. Nesta fase, ainda bastante restritiva, os shoppings podem funcionar somente com o drive-thru (entrega por automóveis) ou para delivery (compra online e entrega). Os clientes não podem circular dentro das lojas. Mesmo assim, a notícia gerou certo ânimo e as ações de Iguatemi (IGTA3, R$ 36,92, +2,58%), brMalls (BRML3, R$ 9,94, +1,84%) e Multiplan (MULT3, R$ 23,70, +1,37%) fecharam em alta.

Quem também se destacou entre os ganhos no índice foi a Sabesp (SBSP3, R$ 42,98, +2,70%), ainda que amenizando a alta que chegou a ser de 4,87% com a revisão tarifária considerada positiva pelos analistas de mercado (veja mais clicando aqui).

Por outro lado, após a forte alta da véspera, ações de empresas com exposição ao e-commerce e ao segmento de tecnologia, como Totvs (TOTS3, R$ 30,57, -1,70%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 21,91, -2,14%), Via Varejo (VVAR3, R$ 12,47, -3,48%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 21,67, -0,82%) registraram baixa. Na véspera, a sessão foi de alta para o setor na esteira dos EUA, uma vez que o rendimento dos títulos de dívida dos EUA registrou queda, beneficiando as ações de tecnologia. Já nesta sessão, a intensidade das baixas foi bastante variada: enquanto VVAR3 caiu mais de 3%, Magalu teve baixa de menos de 1% após subir mais de 8% na véspera.

Os ativos da Vale (VALE3, R$ 103,00, -1,44%) também fecharam em queda. A companhia informou em comunicado ao mercado no final da sessão desta sexta que a Samarco Mineração ajuizou  pedido de recuperação judicial perante comarca de Belo Horizonte para evitar que ações iniciadas por credores afetem a capacidade da empresa de manter suas atividades. A Samarco é uma joint venture entre a Vale e a BHP e ficou marcada pela tragédia de Mariana em 2015 com o rompimento da barragem de Fundão, considerado o pior desastre socioambiental do Brasil (veja mais clicando aqui).

Fora do índice, a SLC (SLCE3, R$ 47,52, +2,66%) amenizou os ganhos após chegar a subir 5,60% após a companhia anunciar contrato de arrendamento com a Agrícola Xingu, do grupo Mitsui, para explorar 39.034 hectares distribuídos entre os municípios de Correntina (BA) e Unaí (MG).

Confira mais destaques abaixo:
Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
CSNA34.8418543.09
USIM53.3925719.2
MRVE32.9314218.61
SBSP32.7001242.98
IGTA32.5840536.92
Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
VVAR3-3.4829712.47
PCAR3-3.2443333.7
UGPA3-2.4332120.45
BRDT3-2.2371421.85
CRFB3-2.2015223.1
Sabesp (SBSP3, R$ 42,98, +2,70%)

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) divulgou nota da revisão tarifária final da Sabesp em 2021, com tarifa de R$ 5,1251  por metro cúbico para 2021. A tarifa média máxima a ser vigente a partir de maio ficou acima do preço da fase preliminar do processo de 3ª revisão tarifária, de R$ 4,8413.

De acordo com as deliberações da Arsesp, a base regulatória de ativos líquida (RAB) foi calculada em R$ 55,89 bilhões  a preços de outubro de 2020.

O Credit Suisse aponta que houve um aumento tarifário de 7,6% para o segmento residencial (em linha com a estimativas do banco), com a proposição também de uma mudança na estrutura tarifária a partir de 2022. Portanto, melhor do que a proposta enviada em fevereiro, na visão do banco.

A revisão, apontam os analistas do Credit, implicou em uma RAB superior ao esperado, incluindo: (i) R$ 3,2 bilhões de investimentos não incluídos inicialmente em revisões tarifárias anteriores; (ii) estimativas para Santo André e Mauá (que não estavam no proposta), mas que foram compensados parcialmente por (iii) maior taxa de depreciação de 3,3% (2,5% anteriormente); e (iv) estimativas iniciais inferiores de RAB (R$ 50,4 bilhões versus R$ 51,9 bilhões anteriormente). Custos totais chegam a R $ 7,77 bilhões (em linha com a proposta, mas 8% abaixo das estimativas do banco).

Os volumes indicam uma taxa de crescimento media de 2,2% em comparação com a estimativa do banco de crescimento de 2,1% para 2021. Além disso, o regulador tem como meta um intervalo de receita exigida de 2021-2024 que deve reduzir os riscos de implementação das tarifas.

A nova estrutura tarifária inclui componentes fixos e variáveis, tabelas de tarifas iguais para diferentes regiões onde
a Sabesp presta serviços, incentivos para tratamento (tarifa de tratamento de esgoto) e reajustes tarifários reais de 2022 a 2024.

“Foi um bom resultado, com o RAB final da revisão tarifária melhor do que nossas estimativas, apesar de várias mudanças (uma avaliação inicial inferior, mas corrigindo as baixas de ciclos anteriores e incluindo novos municípios na revisão do ciclo. O aumento tarifário para 2021 está em linha com as estimativas, mas a nova estrutura tarifária implica maior Ebitda  no final do ciclo (2024) se totalmente implementado. Nós mantemos nossa recomendação outperform”, apontam os analistas do Credit, que possuem preço-alvo de R$ 60,90 para os ativos.

Os analistas da XP destacaram que os valores finais podem corresponder a um aumento tarifário significativo da ordem de 2 dígitos. Eles ressaltaram, contudo, que a base de comparação com as tarifas vigentes não seja trivial devido à alteração da estrutura tarifária da companhia e à exclusão do PIS/Cofins dos cálculos na nova metodologia.

“Temos uma visão positiva dos termos finais apresentados para a 3ª revisão tarifária da Sabesp, e acreditamos que o mercado deverá ter uma reação positiva”, afirmou a XP, que tem recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 50.

Eletrobras (ELET3, R$ 35,45, -1,50%; ELET6, R$ 35,96, -0,61%)

A Eletrobras informou nesta sexta-feira que foi editado o decreto 10.670/2021 que dispõe sobre a qualificação da companhia no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e a sua inclusão no Programa Nacional de Desestatização (PND). Com isso, poderão ser iniciados estudos necessários à estruturação do processo de capitalização da companhia.

Em meados do mês passado, o governo havia informado a Eletrobras sobre sua inclusão no PND.

O decreto foi publicado em momento em que a escalada nas tarifas de energia impacta debate no Congresso Nacional sobre privatização da Eletrobras.
Azul (AZUL4, R$ 39,35, -1,53%)

A companhia área Azul  divulgou os resultados preliminares do tráfego de março, quando houve uma melhora na comparação com igual mês de 2020. Já os dados do primeiro trimestre mostram uma queda.

Em março, o tráfego de passageiros doméstico medido pelo RPK (indicador que mede passageiros por quilômetro transportados) aumentou 11,2% na comparação com março de 2020. Já o ASK, que mede a oferta em assentos por quilômetro, subiu 15,4% no mesmo período, e a taxa de ocupação ficou em 71,7% – ante 74,4% em março de 2020.

No trimestre, o RPK caiu 7,3% na comparação com os três primeiros meses de 2020 e o ASK recuou 2,4%. A taxa de ocupação caiu 4,1 pontos percentuais, para 76,8%.

Segundo comunicado da companhia, a capacidade da empresa foi ajustada em março devido à segunda onda da Covid-19.

“Embora a demanda tenha sido impactada pelas medidas de quarentena implementadas em todo o país, a força e a conectividade de nossa malha, em conjunto com a flexibilidade da nossa frota, resultaram em um crescimento de 11% da demanda doméstica em comparação com março de 2020”, disse, em nota, John Rodgerson, CEO da Azul, reforçando que os próximos meses serão desafiadores.

Os recuos são mais intensos quando se olha o tráfego internacional, já que ainda há uma série de restrições para as viagens internacionais.

O RPK e o ASK de março caíram, respectivamente, 89,3% e 87%. A taxa de ocupação ficou em 57,3%, ante 69,8% em março de 2020. No trimestre, as quedas foram de 90,4% (RPK) e 88,3% (ASK). A taxa de ocupação passou de 81,2% no primeiro trimestre de 2020 para 66,4% no primeiro trimestre de 2021.
Kepler Weber (KEPL3, R$ 45,39, +0,91%)

A empresa especializada em armazenagem de produtos agrícolas Kepler Weber irá realizar em 16 de abril o pagamento de R$ 25,4 milhões em dividendos.

Desse total, R$ 9,2 milhões são referentes a dividendos mínimos obrigatórios referente ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2020. O montante equivale a R$ 0,3483180 por ação ordinária.

Já a parcela de R$ 16,2 milhões (R$ 0,61710248 por ação ordinária) será pago a título de dividendo adicional, conforme Assembleia Geral Ordinária (AGO) do dia 30 de março de 2021.

As ações estão sendo negociadas “ex-dividendos” desde o dia 31 de março.

SLC (SLCE3, R$ 47,52, +2,66%)

A SLC Agrícola comunicou que arrendou da Agrícola Xingu S.A. uma área de 39.034 hectares para a exploração do plantio de grãos e algodão. Essa área está localizada entre os municípios de Correntina (BA) e Unaí (MG). O valor do arrendamento não foi informado.

As áreas arrendadas seguem a estratégia de expansão em terras maduras, com alto potencial produtivo e atendendo aos requisitos de adequação ambiental”, segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta quinta-feira.

O prazo do arrendamento é de 15 anos para a área localizada na Bahia e de dez anos para a propriedade em Minas Gerais.

Na avaliação da Guide Investimentos, a notícia é marginalmente positiva. “As áreas agregadas a produção da SLC são importantes, mas com parcela limitada sobre a área total já plantada pela companhia. Em todo caso, o movimento confirma uma tendência mais agressiva de ampliação de áreas da companhia após a aquisição das operações da Terra Santa por meio de arrendamentos. Avaliamos que o bom momento para o agronegócio deve favorecer a expansão de áreas da companhia e seguimos atentos a este processo”, afirma a equipe de análise.

A Guide aponta que, apesar de gostar do case, segue com visão neutra para SLC, pois avalia que grande parte das sinergias com a aquisição das operações da Terra Santa já está no preço da ação.
Localiza (RENT3, R$ 62,99, -0,96%)

A empresa de locação de automóveis e gestão de frotas Localiza comunicou a conclusão da oferta de emissão de R$ 1,2 bilhão em debêntures simples e não conversíveis em ações. Os papéis vencem em 15 de março de 2031.

Ao todo são 1,2 milhão de debêntures com valor de face de R$ 1 mil. Os fundos de investimentos foram os maiores compradores, respondendo por 62,6% da oferta. As pessoas físicas ficaram com 18,2%.
Neoenergia (NEOE3, R$ 16,18, -0,31%)

A Companhia de Energética de Pernambuco (Celpe), controlada pelo Grupo Neoenergia, infomrou que irá realizar o pagamento de R$ 109,5 milhões em dividendos referente ao exercício de 2020.

O valor equivale a R$ 1,4656306654 por ação ordinária, R$ 1,4656306654 por preferencial classe A e R$ 1,6121937319 por preferencial classe B.

O pagamento será realizado até 31 de dezembro de 2021, sem atualização monetária, com base na posição acionária de 8 de abril. A partir de 9 de abril, as ações serão negociadas sem esse direito.

Já a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), também do Grupo Neoenergia, aprovou o pagamento de dividendos no valor de R$ 23,1 milhões). O pagamento irá ocorrer até o dia 31 de dezembro, sem atualização monetária.

Esse montante equivale a R$ 0,0854355202 por ação ordinária, R$ 0,0854355202 por ação preferencial classe A e R$ 0,0939790722 por preferencial da classe B, segundo definido em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGO e AGE).

O pagamento será feito com base na posição acionária do dia 8 de abril.
Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,19, +0,27%)

O Banco do Brasil reiterou no final da quinta-feira que avalia constantemente suas participações no segmento de meios de pagamento e que a abertura de capital da Elo continua em estudo ainda não conclusivo.

Na véspera, a Reuters noticiou que a bandeira de cartões, que tem como acionistas Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, escolheu seis bancos para coordenar uma oferta inicial de ações, segundo quatro fontes familiarizadas com o assunto.

A Elo escolheu Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan como os principais coordenadores do IPO, além das unidades de banco de investimentos de seus próprios sócios. “O BB avalia constantemente suas participações no segmento de meios de pagamento, visando identificar oportunidades e alternativas que contribuam com sua estratégia corporativa e que agreguem valor aos seus acionistas”, afirmou o banco.

CCR (CCRO3, R$ 12,60, -1,64%)

A empresa de concessões na área de transportes CCR irá realizar no dia 30 de abril o pagamento de dividendos obrigatórios e adicionais no valor total de R$ 181,5 milhões (R$ 0,08984205744 por ação ordinária).

Para esse pagamento, será utilizada a base acionária do dia 8 de abril. Portanto, a partir do dia 9, as ações serão negociadas “ex dividendos”.
EVEN (EVEN3, R$ 10,94, +4,89%)

A construtora Even divulgou os dados operacionais do primeiro trimestre do ano, em que realizou o lançamento de sete empreendimentos imobiliários, sendo três em São Paulo e quatro no Rio Grande do Sul.

Esses empreendimentos somam um valor geral de vendas (VGV) de R$ 902,6 milhões, sendo que a parte que cabe à Even é de R$ 715,6 milhões. O VGV é o valor potencial de venda de todas as unidades de um empreendimento.

Já as vendas líquidas da Even medidas pelo VSO (venda sobre oferta, que é o indicador que analisa a oferta de unidades em relação ao que foi comercializado) totalizaram R$ 587 milhões, sendo que R$ 412 milhões foram de lançamento e R$ 175 milhões de unidades em estoque.

Já os distratos, quando o comprador desiste da aquisição, somaram 8,6% das vendas brutas no primeiro trimestre, ante os 21,8% registrados nos primeiros três meses de 2020.
Melnick (MELK3, R$ 5,54, +1,65%)

A Melnick lançou 4 projetos no primeiro trimestre de 2021, totalizando R$ 334,9 milhões em VGV (R$ 250 milhões a mais do que o quarto trimestre de 2020). De acordo com a XP, o número mostra um sólido início para o ano e posiciona a companhia para atingir nossa estimativa de R$1,0 bilhão em lançamentos para 2021.

Já as vendas líquidas foram de R$ 109 milhões (alta de 252% trimestre contra trimestre e 30% ano contra ano), dos quais R$ 102 milhões são atribuíveis a venda de lançamentos e R$7 milhões a venda de estoque. Isso levou a uma velocidade de vendas de 11% no trimestre (e 31% de VSO de lançamentos recentes). Adicionalmente, os distratos caíram para R$26 milhões (19% das vendas brutas).

“A Melnick publicou um resultado operacional misto referente ao primeiro trimestre de 2021 com lançamentos em recuperação, mas desempenho de vendas ameno em vista das recentes restrições às atividades comerciais na Região Sul (devido ao covid-19). Embora esperamos que essas restrições continuem impactando as operações no curto prazo, mantemos nossa visão positiva para a companhia no longo prazo”, afirma a XP, que mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9 por ação.
Aura Minerals (AURA33, R$ 59,81, +0,52%)

A Aura Minerals, que opera minas de ouro, prata e cobre em Honduras, Brasil e México, anunciou sua prévia operacional referente ao primeiro trimestre do ano.

Nesse período, a companhia atingiu a produção de 66.782 onças equivalentes de ouro (GEO), uma alta de 68% na comparação com os primeiros três meses de 2020. Esse montante é o segundo maior já registrado pela companhia em um único trimestre – o maior são os 68.964 GEO reportados no quarto trimestre.

Em nota, a companhia informou ainda que a mina de Aranzazu, localizada no México, com produção de 100 mil toneladas em março, já está próxima da capacidade total. Além disso, espera que a produção atinja níveis mais elevados em outra mina, a de Ernesto, no estado do Mato Grosso. Isso deve ocorrer nos terceiro e quarto trimestres.

O Credit Suisse avalia que os números foram um pouco abaixo das projeções do banco, mas sinalizam que a empresa está caminhando na direção certa e que deve conseguir entregar o guidance de 250 mil a 290 mil GEO em 2021, uma vez que  produção anualizada está em torno de 267 mil GEO.

O próximo ponto de alta da produção parece ser o avanço em Gold Road, finalização da expansão de Aranzazu, além de Ernesto/Pau-a-Pique no segundo semestre. Os analistas seguem com recomendação outperform para os BDRs, vendo o papel como um case de crescimento e dividendo, com um valuation atrativo.
Petrobras (PETR3, R$ 23,50, +0,43%; PETR4, R$ 23,65, -0,21%)

A Petrobras informou que acionistas que possuem, em conjunto, mais de 5% de ações ordinárias da companhia solicitaram a adoção do sistema de voto múltiplo na eleição de oito membros ao Conselho de Administração. Esse pleito irá ocorrer no dia 12 de abril em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) em ambiente digital.

No mesmo comunicado, a estatal informou que o boletim de voto à distância (BVD) divulgado aos acionistas para a AGE já contempla a hipótese de adoção do processo do voto múltiplo e os BVDs devidamente preenchidos e enviados através dos canais disponíveis terão seus votos computados na eleição para o conselho.
Hypera (HYPE3, R$ 33,43, -1,24%)

A Hypera estima lucro líquido das operações continuadas ao redor de R$ 1,55 bilhão em 2021, de acordo com projeções da empresa farmacêutica divulgadas nesta sexta-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para o Ebitda ajustado das operações continuadas, a projeção da companhia é de R$ 2 bilhões neste ano, quando a receita é calculada em R$ 5,9 bilhões.
Vivo (VIVT3, R$ 44,45, -0,54%)

A Telefônica Brasil, que opera no país sob a marca Vivo, informou nesta quinta-feira que fechou acordo vinculante com a CDF, marketplace de assistência residencial e tecnológica.

Em comunicado, a operadora de telecomunicações afirma que a extensão da parceria com a CDF a permite ampliar a oferta de suporte tecnológico residencial, incluindo configuração de rede wifi e instalação e configuração de dispositivos inteligentes.

Pelo acertado, a Vivo terá o direito de comprar uma fatia minoritária da CDF, dependendo do atingimento de algumas metas. A operação está em negociação por até 120 dias. A CDF pediu no mês passado registro para realizar sua oferta inicial de ações (IPO).

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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ECONOMIA

Por que a inflação preocupa

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O Estado de S.Paulo - SP   12/04/2021

Não foi bom, mas poderia ter sido pior. Esta avaliação talvez possa sintetizar o significado da inflação de 0,93% em março, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Algumas comparações apontam para um quadro inflacionário que justifica alguma precaução. Esta é a maior alta do IPCA em março desde 2015, quando alcançou 1,32%. Um ano antes, a inflação mensal tinha sido praticamente zero, de apenas 0,07%; no mês anterior, fora de 0,86%.

Com o resultado de março, a variação acumulada de 12 meses alcança 6,10%, bem acima da meta de inflação para este ano fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 3,75% (para 2022, é de 3,50% e para 2023, de 3,25%). A última vez que a inflação de 12 meses superou a meta do ano foi em novembro de 2016, quando atingiu 6,99%, ante a meta de 6,5% para aquele ano, como lembrou o analista do Sistema de Índices de Preços do IBGE André Almeida.

A despeito dessas comparações, a maioria dos analistas do mercado financeiro previa um número maior, no intervalo entre 0,94% e 1,10%. Por essa razão, houve, no mercado financeiro, quem recebesse o resultado de março com alívio. “Foi uma boa surpresa”, comemorou um analista.

A situação, porém, não merece comemoração, mesmo estando distante de um quadro de crise. A pandemia, cujo controle exigiu severas restrições à aglomeração de pessoas e a todas as atividades econômicas, levou à forte redução da inflação. O resultado acumulado de 12 meses vinha caindo desde o início do ano passado, mas a queda se acentuou a partir de março – mês em que a covid-19 começou a se espalhar pelo País –, até atingir seu menor valor em junho, quando ficou em 2,13%.

Desde então, vem aumentando, mas a alta se acelerou nos últimos meses. Em janeiro, a inflação de 12 meses alcançara 4,56% e em fevereiro, 5,20%. Entre fevereiro e março, a alta foi de quase 1 ponto porcentual. É um comportamento que preocupa, pelo menos no curto prazo.

A aceleração da inflação nos últimos meses tem sido atribuída a altas nos preços dos alimentos e dos combustíveis. São dois itens com peso expressivo na composição do IPCA. Em um ano, os preços dos combustíveis subiram 23,26%.

Alimentos in natura, que há tempos registram alta expressiva de preços, continuam a pressionar. Em 12 meses, o grupo alimentação e bebidas registra alta de 13,87%. Mas a pequena variação, de apenas 0,13%, em março pode ser um sinal benéfico, de que a pressão dos alimentos pode estar diminuindo.

A provável causa dessa diminuição, porém, preocupa. Pode ser que a suspensão do pagamento do auxílio emergencial no primeiro trimestre, associada a medidas mais rigorosas para conter a pandemia, tenha comprimido a demanda por alimentos. “As pessoas compram menos alimentos perecíveis nesse período”, avalia o gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov.

Ou seja, os alimentos subiram menos porque provavelmente a população está comendo menos. Se verdadeira, será uma constatação deprimente num país extremamente desigual e com número crescente de pessoas em situação de extrema pobreza.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse, com razão, não ver um cenário de estagflação, isto é, de estagnação econômica combinada com aceleração da inflação. Essa combinação não existe.

Mas, no mesmo cenário em que a inflação sobe – embora possa vir a se reduzir dentro de algum tempo –, a atividade econômica se desacelera, a produção dá sinais de desorganização com o descompasso entre demanda e oferta de insumos em diversos segmentos, a taxa de desemprego permanece muito alta, o número de mortes diárias pela covid-19 bate recordes e a vacinação continua a patinar. E as principais autoridades do País parecem nada disso ver. É preocupante.

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Presidente do BC diz que alta da inflação é temporária

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Agência Brasil - DF   12/04/2021

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse hoje (9) que a alta da inflação que vem sendo observada no Brasil tem caráter provisório e está mais relacionada a uma reprecificação, principalmente de alimentos. Segundo a autoridade monetária, o cenário sofre influência também da desvalorização do Real, bem como das análises que o mercado faz da relação entre dívida pública, capacidade de pagamento e crescimento potencial do país.

Ao comentar as recentes altas inflacionárias em uma live na internet, Campos disse que elas refletem um contexto passageiro, em parte decorrente do efeito da pandemia na economia do país. Segundo ele, esse aumento nos preços “é provisório, e não estrutural”, e segue as expectativas anunciadas em 2020 e 2021. “A inflação implícita está aumentando em países emergentes, mas isso não é um processo de alta de inflação, mas de reprecificação”.

Diante desse cenário, Campos Neto acenou com a possibilidade de o Comitê de Política Monetária manter a programação de alta na taxa básica de juros em mais 0,75 ponto percentual, chegando a 3,5% ao ano. Atualmente, o centro da meta da inflação para 2021 está em 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dados divulgados hoje pelo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registram uma variação acumulada de 6,10% nos últimos 12 meses.

“Faremos o necessário para garantir que a inflação atinja o target. Mesmo reconhecendo que a inflação está aumentando, reconhecemos que a maioria dos componentes que levam a isso são temporários. Entendemos que a desvalorização da moeda tem impacto na persistência. A não ser que algo muito diferente aconteça, acho que estamos preparados para um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa [Selic]”, disse Campos. “Isso está decidido? Não. Mas sempre explicamos que o Banco Central sempre pode mudar. Se algo acontece diferente, a primeira coisa que fazemos é comunicar ao mercado o que está acontecendo”, acrescentou.

Campos Netos disse que as dificuldades impostas pela pandemia à economia apresentam “efeitos diferenciados” nos países emergentes, afetando, em especial, o preço dos alimentos, o que não ocorre da mesma forma em países desenvolvidos. “Em termos de efeito de curto prazo, como os emergentes tiveram de emitir muita dívida para enfrentar a pandemia, estamos vendo variáveis se comportando de um jeito que não é esperado. Por exemplo, as moedas em mercados emergentes não estão se comportando da forma esperada com as commodities subindo. Em parte, isso é explicado porque as pessoas [o mercado] colocam na equação essa dívida, que é de risco, mais elevada”.

Segundo o presidente do BC, o que mercado observa “é o relacionamento entre dívida e o que as pessoas veem em termos de crescimento potencial”. “Se você consegue crescer mais do que paga em taxas, você pode emitir mais dívidas e ser mais sustentável. É assim que o mercado olha para uma economia avançada. Mas não olha assim para mercados emergentes. É muito importante lembrar disso”, argumentou.

Campos Neto lembrou que a expectativa que se tinha com a economia do país já foi pior, com previsões de um Produto Interno Bruto (PIB) negativo em -9%. “Um pacote fiscal foi feito e conseguiu melhorar para -4%, o que é melhoria substancial. Temos agora uma previsão de crescimento de 3,5% para o ano que vem, mas isso dependerá de como a segunda onda da pandemia se desenvolverá e, também, de como ficará o esquema de vacinação no Brasil”.

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Inflação e mais incertezas

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O Estado de S.Paulo - SP   12/04/2021

A inflação de março medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,93%, algo abaixo do esperado. Mas esse número mostra coisas que apontam para direções opostas.

Como a tendência é de que abril terá uma inflação ainda mais baixa, por volta de 0,40%, não há como deixar de dar razão aos avisos do Banco Central: os de que, dentro de alguns meses, a inflação de custos deve recuar.

Primeiramente aos conceitos, que não são uma classificação abstrata. Têm implicações importantes tanto para a política econômica quanto para a vida de qualquer pessoa.

A inflação de demanda é a alta de preços que tem como causa o aumento relativamente abrupto do consumo, ou seja, a situação em que a procura de mercadorias e serviços aumenta mais rapidamente do que a oferta. Em geral, é consequência do volume excessivo de dinheiro em circulação o que, por sua vez, tem a ver com despesas demais do governo.

O outro tipo é a inflação de custos. Não é provocada por aumento da procura, mas por choque de preços produzido ou por uma catástrofe, ou por uma alta internacional de mercadorias importadas, ou, ainda, por uma disparada do câmbio (alta das cotações da moeda estrangeira em moeda local). No caso da atual inflação do Brasil, a principal causa é o rali das commodities (petróleo, trigo, milho, soja, etc) conjugado com o avanço das cotações do câmbio.

A principal implicação de política econômica é a de que uma inflação de custos não pode ser combatida com redução do volume de dinheiro no mercado (alta dos juros). Exige um tempo de espera para que o mercado internacional restabeleça o equilíbrio ou, então, exige uma atuação sobre o câmbio.

Quando em março decidiu puxar pelos juros básicos (Selic) em 0,75 ponto porcentual e, ao mesmo tempo, acenou com aumento igual em maio, o Banco Central combate os efeitos colaterais dessa inflação de custos. Porém, as perspectivas são mais complexas e mais preocupantes.

Certa inflação de demanda poderá agora ser gerada pelo aumento da procura por alimentos em consequência da distribuição de mais auxílio emergencial a 45,8 milhões de pessoas classificadas entre os segmentos carentes.

Mas o que mais preocupa é a pressão proveniente da desorganização das contas públicas. O projeto do Orçamento da União montado pelo Congresso é arranjo artificial que lembra as pedaladas da presidente Dilma. Se o governo não vetar as aberrações, estará produzindo despesas acima do teto da lei. E se optar por decretar estado de calamidade, como certos políticos vêm defendendo, estaria autorizado a fazer despesas descontroladas.

Em ambos os casos, o nível de confiança, já precário (veja o gráfico), derreteria e as cotações do dólar iriam sabe-se lá para que alturas. E não estaria descartada a hipótese de saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que muitos já vêm desconfiando.

Embora a inflação tenda a cair, o momento é de fragilidade e de aumento de incertezas, o que pode puxar os preços novamente para cima.

CONFIRA

> Perda de confiança

O gráfico mostra que os investidores internacionais estão pedindo cada vez mais uma parcela extra para aplicar seu dinheiro em títulos do Tesouro do Brasil de 5 anos. É uma espécie de seguro que leva o nome de Credit Default Swap (CDS).

Esse adicional tem a ver com a perda crescente de confiança na política fiscal do governo do Brasil. Só neste ano, a alta foi de 78 pontos. Cada 100 pontos correspondem a um ponto porcentual de acréscimo. O que dá, só neste ano, um avanço de mais de 54%.

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Inflação acelera em março e vai a 6,10% em 12 meses, acima do teto da meta

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Globo Online - RJ   12/04/2021

A inflação acelerou em março e subiu 0,93% em relação ao mês de fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. A expansão é resultado, principalmente, do aumento nos preços de combustíveis e do gás de botijão.

Em 12 meses, o IPCA registra aumento de 6,10% e, com o resultado, se encontra acima do teto da meta de inflação estabelecida para este ano. A meta de inflação do Banco Central para este ano é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

A alta em 12 meses é a maior para desde dezembro de 2016, quando o indicador chegou a 6,29%.

A inflação de março veio um pouco abaixo das expectativas de mercado. Segundo a Reuters, a projeção dos analistas para a inflação era de 1,03% em março.

Gasolina tem alta de 23,48% em 12 meses

Segundo o IBGE, o grupo de Transportes foi o que teve maior impacto porque neste grupo ficam os combustíveis. Somente a gasolina teve uma alta de 11,26%. Em 12 meses, acumula 23,48%.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, explica que a aplicação de sucessivos reajustes nos preços da gasolina, óleo diesel e gás nas refinarias, entre fevereiro e março, impactou os preços de venda para o consumidor final nas bombas.

— Houve um ganho de peso do grupo Transporte nos últimos dois meses. Ano passado, foi o grupo Alimentação, mas agora voltou a ganhar peso o grupo de transportes por conta do preço da gasolina — destaca Kislanov.

Ele lembra, no entanto, que a Petrobras anunciou duas reduções no preço da gasolina e uma no diesel, no mês passado. Nesta sexta-feira, a estatal reduziu novamente o preço do diesel nas refinarias. Só que os repasses dos preços aos postos dependem também de fatores como impostos, estoques, margens de lucro de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis.

— É possível que venha a ser provocada uma queda, mas é preciso avaliar o cenário mês a mês — pondera Pedro Kislanov.

O estado do Rio, em particular, teve outros aumentos que impactaram a inflação no mês. O preço das passagens de trem subiu 6,38%, resultando em uma alta de 3,57% no custo dos transportes.

Outras pressões vieram dos reajustes das tarifas de energia da Enel e da Light, e do gás encanado, pressionando o bolso do consumidor.
Preço dos alimentos desacelera

A inflação do grupo Alimentação e bebidas, que teve alta de 14,09% em 2020, vem desacelerando e avançou 0,13% neste mês de março. O preço continua subindo, mas sobe menos a cada mês.

As variações anteriores foram de 1,74% em dezembro, 1,02% em janeiro e 0,27% em fevereiro.

Kislanov explica que os alimentos apresentam uma tendência de desaceleração desde dezembro. Fatores como estabilidade do câmbio e a redução na demanda por conta da suspensão do auxílio emergencial nos primeiros meses do ano contribuem para o resultado.

— Além das questões sazonais, pode ter efeito da ausência do auxílio emergencial e de uma menor demanda por legumes e verduras por conta do lockdown em algumas cidades, que faz com que as pessoas circulem menos e, por consequência, comprem menos alimentos perecíveis — avalia.
Perspectivas e meta de inflação

Com o IPCA avançando, aumenta a pressão sobre o Banco Central para subir a Selic, taxa de juros básica da economia. A perspectiva é de avanço de 0,75 ponto percentual da Selic na próxima reunião prevista para maio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para o Comitê, o segundo semestre deve mostrar uma retomada robusta da atividade com o avanço da vacinação.

Analistas avaliam, porém, que as pressões de custo no atacado não dão sinais de alívio em um primeiro momento, em razão do aumento dos preços de matérias-primas - como aço, soja e petróleo - e da alta da taxa de câmbio, o que resulta em aumento nos preços ao consumidor.

O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), que mede a variação dos preços de produtos primários com cotação internacional, teve alta de 5,32% em março e registra alta de 66% em 12 meses.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avalia que a inflação vai avançar nos próximos meses, atingindo um pico de 7,5% entre julho e agosto e fazendo uma convergência para o centro da meta de inflação no final do ano.

— O avanço no preço de commodities e alimentos ocorreu no segundo semestre do ano passado e esse nível de preço permanece. A inflação tende a se diluir, só que num processo longíquo que supera 12 meses — afirma o economista.

Por isso, ele avalia que a pretensão do Banco Central de elevar os juros na próxima reunião tem relação com a expectativa de inflação para 2022 e não com a inflação corrente, já que os efeitos mais robustos da alta de juros levam de seis meses a um ano para aparecer. Assim, Sanchez aposta na aceleração do ritmo de vacinação para retomada da atividade econômica:

— A melhor vacina para economia é a vacina do coronavírus. Avalio, aliás, que a política monetária não terá mais potência sobre 2021 na reunião. Mas não vejo processo de estagnação econômica, e a inflação de custo tende a se diluir — diz Sanchez.

Júlia Passabom, economista do Itaú Unibanco, prevê trajetória semelhante para a inflação: um pico no meio do ano tendo em vista os 12 meses e, em seguida, perda de força do índice, que deve encerar o ano dentro da meta estabelecida pelo BC.

A tendência, segundo ela, é de dissipação do choque de commodities diante das próximas elevações da Selic, que também traz espaço para apreciação do câmbio ao final de 2021:

— Quando olhamos em 12 meses, (a inflação) vai continuar acelerando bastante. Assusta o 6,10% e vai bater mais alto, com pico próximo de 7,7% a 7,8% na leitura de junho. Mas o juro faz o papel dele, o câmbio aprecia - com projeção para chegar a R$ 5,30 - e com isso a inflação deve ficar em 4,7% para o ano.

A preocupação para o segundo semestre do ano, apontam economistas, é a possível pressão dos preços no setor de serviços com o avanço da vacinação e a retomada da economia. Se hoje há um choque de custo, poderá haver um choque de demanda:

— A gente está de olho em como será o segundo semestre, quando o setor de serviços de fato puder reabrir e como isso vai se refletir no segmento, se haverá pressão de oferta com a demanda voltando muito rápido e o que isso vai ter de impacto em preços — destaca Passabom.

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MINERAÇÃO

A mineração e a retomada econômica pós-pandemia

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O Estado de S.Paulo - SP   12/04/2021

Embora extremamente promissor e com enorme capacidade de alavancagem da economia nacional, o setor de mineração no Brasil pode e deve ser modernizado para ocupar, de fato, o destaque que merece. É por meio da mineração que podemos multiplicar nosso PIB e fazer uma verdadeira revolução econômica e social. Hoje, o setor representa 4% de tudo o que a nação produz e arrecada, em média, R$ 50 bilhões em impostos por ano. Os números podem parecer grandes, mas poderiam ser muito mais poderosos. Para tanto, a mineração nacional precisa acelerar o processo de modernização iniciado recentemente.

A percepção externa é a que ainda estamos ligados ao estatismo atrasado e às interferências políticas dos antigos mandatários. Esse fenômeno está resultando na fuga das chamadas junior companies – empresas de menor porte que funcionam como indutoras importantes da atividade. São as juniors que se aventuram a pesquisar o nosso subsolo e descobrir mais jazidas com viabilidade econômica, que possam ser operadas ou até compradas pelas majors, ou grandes mineradoras.

Apesar dos avanços, nosso ambiente regulatório ainda é confuso e inseguro e vem ampliando o risco para os empreendimentos dessas companhias, que muitas vezes levantam recursos em mecanismos nervosos como bolsas de venture capital (capital de risco). Quem se sentiria à vontade para carrear investimentos milionários quando o Estado é o primeiro a confundir expectativas e projeções?

Há vários fatores para que o potencial mineral do Brasil não seja transformado em riqueza palpável para o país seguir crescendo. A primeira delas é que a mineração é uma atividade econômica de altíssimo risco. Além de muito arriscada, ela também depende de grandes somas de capital. Geralmente ela ocorre em lugares ermos, mais distantes e inóspitos. E ela é arriscada também porque a taxa de sucesso dos projetos é muito baixa. Há o investimento de uma grande quantidade na fase de pesquisa mineral inicial. Esses investimentos vão desde a abertura de acessos para se chegar aos alvos, até a sondagem do solo que pode chegar a custar até milhares de dólares por metro pesquisado.

Aliados a esses riscos e dificuldades, a mineração é um setor altamente regulado. O bem mineral que permeia o subsolo pertence ao povo brasileiro, como preceitua nossa Constituição, e quem é delegado para administrá-lo é a União, que o faz através da recém-criada Agência Nacional de Mineração (ANM). Além do licenciamento mineral, os empreendimentos de mineração também precisam se licenciar do ponto de vista ambiental, bem como outras tantas licenças e alvarás que eles precisam vencer, até conseguir acontecer.

Esses processos de licenciamento podem levar muitos anos – e geralmente levam. A ANM, que sucedeu o extinto Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), leva mais de 15 anos para autorizar uma concessão de lavra. O processo ainda é burocrático, lento e confuso. Imagine que só em 2019 os procedimentos para análise de documentos tornaram-se virtuais. Somente atos pendentes de análise dentro da ANM, temos mais de 80 mil, tornando todo o processo extremamente demorado, caro e desestimulando quem pretende viabilizar uma mina no Brasil.

Esse custo afasta as pequenas empresas juniors de mineração. Elas precisam ter uma estrutura mínima de governança, tendo que montar conselho de administração, diretorias e ter suas contas auditadas. Essas regras já impõem às empresas ter que direcionar um bom pedaço dos seus recursos para garantir o pagamento desses profissionais e serviços. Para ter sucesso, uma junior precisa aplicar o restante do recurso, no menor tempo possível, na pesquisa do minério da área que escolheu, a fim de evitar ao máximo ter que despender recursos para sustentar essa estrutura administrativa. O tempo entre o requerimento de uma área e a concessão de seu alvará para o início da pesquisa é crucial para a sobrevivência e o sucesso dessas empresas.

Assim, o Brasil acaba sendo um destino cada vez menos atrativo para elas, pois aqui a média de tempo de aprovação de um requerimento de pesquisa gira em torno de dois anos. A consequência de tanta burocracia é que o Brasil sabe pouco sobre o seu subsolo. Desconhece suas riquezas e perde tempo em processos ultrapassados e pouco inteligentes sob o ponto de vista de gestão pública.

*Tomás de Paula Pessoa Filho é advogado especialista em Direito Empresarial e em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria. Ex-diretor da Agência Nacional de Mineração

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BNDES já tem demanda de R$ 12 bilhões para suas debêntures da Vale

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O Estado de S.Paulo - SP   12/04/2021

A demanda pelas debêntures da Vale que serão vendidas na segunda-feira pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já chegam a cerca de R$ 12 bilhões. Ou seja, mais do que o total em posse do banco de fomento e da União. A oferta ao mercado dependerá, no entanto, do preço que os investidores estiverem interessados em pagar pelos papéis.

O BNDES, que está à frente do processo, tendo o Bradesco BBI como coordenador-líder, estabeleceu preço de R$ 59,70. Mas como houve recentemente pagamento de dividendo de R$ 2,76 por debênture, o preço base cai para cerca de R$ 57. As debêntures participativas da Vale foram emitidas na privatização da companhia, em 1997. Elas pagam aos investidores remuneração equivalente a uma parcela com as receitas de minério de ferro, principalmente de minas em Carajás. Também são perpétuas, ou seja, não vencem nunca.

O BNDES informou ao mercado inicialmente que venderia 142 milhões debêntures, o equivalente de R$ 8,5 bilhões. Uma oferta adicional de 72,329 milhões de debêntures, ou R$ 4,3 bilhões, pode ser oferecida, se houver demanda. No total, a oferta soma o equivalente a 55% do total emitido pela Vale.

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AUTOMOTIVO

General Motors vai interromper produção em diversas fábricas por falta de chips

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Valor - SP   12/04/2021

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FERROVIÁRIO

FIOL, mais um capítulo da farsa dos leilões

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Diário do Aço - MG   12/04/2021

Sem ágio e com proposta única, pelo valor mínimo de outorga, míseros R$ 32,7 milhões. Assim foi o leilão da FIOL, Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que cobre 537 quilômetros, de Caetité a Ilhéus na Bahia. Mesmo com esse desempenho pífio, o resultado foi comemorado pelo governo federal, em mais um capítulo da farsa dos leilões.

Em vez de exaltar uma nova concessão cedida a preço de banana, deveríamos lamentar o rumo que a malha ferroviária e outros modais de transporte estão tomando sob a atual gestão em Brasília. A FIOL é apenas mais um exemplo da série desastrosa de erros que estão cometendo com os leilões de infraestrutura.

Descontando a controvérsia ambiental (que deveria sim, ser examinada com mais cuidado antes de bater o martelo com a concessão), a ideia da ferrovia – ligar o oeste da Bahia ao porto de Ilhéus – é boa. As administrações passadas até chegaram a se empenhar na construção do trecho, concluindo 80% das obras.

Mas, da forma como foi definida no recente leilão, a ferrovia só servirá para transportar commodities, quando deveria estar a serviço da integração de toda a rica região do interior baiano com outras áreas do estado e com o restante do país. Na verdade, o leilão só interessava a uma empresa, muito mais pelo acesso estratégico ao porto de Ilhéus do que pelo transporte de minério de ferro sobre os trilhos.

Levar o certame adiante nessas condições é mais um exemplo do que não deveríamos fazer com nossas ferrovias. Em países desenvolvidos, elas são um símbolo da integração nacional. Mas, aqui, preferimos a postura de país colonizado.

Transporte sobre trilhos não pode se resumir às cargas de commodities. É precisa ter um projeto nacional que conceba não apenas a exploração de todo o potencial ferroviário para o transporte de passageiros e outras matérias-primas, mas também a ligação das ferrovias com os demais modais. Brasília nunca se dedicou a fazer essa lição de casa, por inércia, comodismo, incompetência ou, pior, por estarmos vivendo um jogo de cartas marcadas.

Somos o país da fantasia, em que promessas de investimentos estéreis são comemoradas e vendidas para a mídia como grandes feitos, encobrindo o vazio em que estamos mergulhados pela falta de políticas públicas nacionais de desenvolvimento. Vamos pagar – já estamos pagando, na verdade, com os atuais leilões – um preço muito caro por essa omissão.

Vender ativos importantes como a FIOL a preço de banana, sem nenhuma contrapartida, a não ser o benefício privado, é um desserviço. Um crime perpetrado contra a nação.

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NAVAL

Santos Brasil leva 3 de 5 áreas de portos; leilão rende R$216 mi em outorgas

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IstoÉ Dinheiro - SP   12/04/2021

A Santos Brasil venceu nesta sexta-feira a disputa pela concessão de três dos cinco terminais portuários leiloados na B3, evento que rendeu ao governo federal 216 milhões de reais em outorgas.

A concessão dos três terminais arrematados pela Santos Brasil e outra vencida pelo Terminal Químico de Aratu são todas de 20 anos. Os ativos estão localizados no Porto de Itaqui, no Maranhão, e são usados para distribuição de combustíveis no Nordeste.

A Santos Brasil venceu a disputa pelo terminal IQI03, com oferta de 61,3 milhões de reais, vencendo sua única rival pela área, a Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais, que ofereceu 50 milhões de reais pela concessão.

Sem concorrência pelo terminal IQI11, este também foi arrematado pela Santos Brasil, com proposta única de 56 milhões de reais. A empresa também levou a concessão do armazém IQI12, com oferta de 40 milhões de reais, batendo a oferta rival de 37,5 milhões do Terminal Químico de Aratu que, no entanto, deu o troco, ao vencer a disputa pelo IQI13, oferecendo 59 milhões.

A CMPC Celulose Riograndense ganhou a concessão do armazém no Porto de Pelotas (RS) com proposta única de 10 mil reais.

A expectativa do governo é de que, juntos, os cinco projetos tragam investimentos de ao redor de 600 milhões de reais.

O evento fechou uma sequência de três dias seguidos de leilões na B3, com o governo do presidente Jair Bolsonaro tentando atrair capital privado para ativos de infraestrutura e animar a economia atingida pela pandemia da Covid-19.

Na véspera, a Bahia Mineração (Bamin) venceu o leilão de concessão do primeiro trecho da ferrovia de integração Oeste-Leste (Fiol), sendo a única concorrente pelo ativo, pelo qual ofereceu pagar outorga mínima de 32,7 milhões de reais.

Na quarta-feira, o governo levantou 3,3 bilhões de reais no leilão para concessão de 22 aeroportos, com ágios elevados em relação aos valores mínimos, mas com participação modesta de estrangeiros na disputa que teve como principal vencedora a brasileira CCR.

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Portos amazônicos vão desbancar os do restante do País no transporte de grãos

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O Estado de S.Paulo - SP   12/04/2021

Todos os olhos se voltam para o Norte. Pela primeira vez, os portos do chamado “Arco Norte”, localizados na região amazônica, desbancaram a preferência dos gigantes do Sudeste e Sul do País e se igualaram como destino dos grãos, com 50% cada, se considerada a movimentação portuária verificada em 2020 pelo agronegócio. A expectativa é que, neste ano, a movimentação nesses portos ultrapasse a do restante do País, já que a média de avanço anual tem sido de 4%.

Até dez anos atrás, terminais portuários de cidades como Itaituba, Santarém e Barcarena (PA), Santana (AP), Itacoatiara (AM) e Porto Velho (RO) eram tratados como “experiências” logísticas pela maior parte dos produtores de Mato Grosso, dada a precariedade – ou mesmo a inexistência – da infraestrutura de acesso aos terminais. Hoje, esses endereços se consolidaram como alternativa aos terminais de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

As informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontam que, em 2010, a movimentação nos portos do Arco Norte respondiam por apenas 23% da produção nacional de soja e milho. Em 2015, essa participação já tinha saltado para 31%, até atingir 50% no ano passado. A maior parte dos grãos é exportada para a Ásia, seguida por Europa.

Não é difícil entender por que o mapa logístico do agronegócio virou de ponta cabeça. Na última década, após sucessivos atrasos, o governo federal conseguiu, finalmente, dar condições razoáveis de trafegabilidade à BR-163, estrada que sai do Mato Grosso e segue até o Pará, onde passou a se ligar com a hidrovia do rio Tapajós. Melhorias também foram feitas na BR-364, que segue até Rondônia, para se conectar à hidrovia do Rio Madeira.

A partir dessas duas rotas que unem estrada e rios, a produção passou a acessar os terminais portuários amazônicos. O que mais pesou, porém, foram os aportes da iniciativa privada, que tratou de pôr dinheiro em estruturas de armazenamento, transporte e transbordo de grãos. O resultado foi imediato: redução da distância e do custo do transporte.

É o que mostram os dados medidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão ligado ao Ministério da Agricultura. Hoje, o produtor que embarca a sua carga em um caminhão em Sorriso (MT), por exemplo, e despacha para o porto de Santos, tem que fazer uma viagem de 2.171 km de extensão e pagar R$ 300 por tonelada de grão transportada. Ele pode até dividir esse percurso com o uso de uma ferrovia, a partir de Rondonópolis (MT), mas não verá o preço de seu frete mudar quase nada.

Agora, se este mesmo produtor de Sorriso escolhe como destino o terminal portuário erguido em Miritituba, no município de Itaituba, no Pará, verá a sua distância encolher para 1.017 km até chegar à hidrovia do Tapajós, com um preço de R$ 160 por tonelada. É praticamente metade do preço e da distância. A partir de Miritituba, a produção entra em barcaças e, pela hidrovia, ao porto de Vila do Conde (PA) para, então, ganhar o mundo.

Com mais alternativas de escoamento, o preço do frete caiu de forma geral. Em janeiro de 2020, uma tonelada de grãos que saía de Campo Novo (MT) para viajar 2.210 km até o porto de Santos custava R$ 310. Um ano depois, essa mesma tonelada custa R$ 290. O mesmo comportamento de queda é visto em relação aos principais polos de produção do Mato Grosso, como Primavera, Rondonópolis e Querência.

No Arco Norte, os preços caíram de forma ainda mais acentuada. Entre janeiro de 2020 e de 2021, a tonelada de grãos transportada de Sorriso a Miritituba viu seu frete reduzir em 16%, de R$ 190 para R$ 160. Quem partiu de Sorriso a Santarém (PA) pagou R$ 245 no ano passado, mas agora desembolsa R$ 220.

“É uma mudança muito forte no setor, algo que já era esperado há algum tempo e que veio pra ficar. Os portos do Norte estão trazendo mais competição e opções de saída, que são nosso maior gargalo hoje”, diz Antonio Galvan, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).
Prazo

Tarso Veloso, analista da consultoria agrícola AgResource Brasil, sediada em Chicago (EUA), chama a atenção para o encurtamento dos prazos. “Vemos redução no valor e no tempo de viagem dos grãos que saem do Norte do Brasil, em comparação com as ofertas do Golfo dos Estados Unidos, que é o principal ponto de saída das exportações americanas. Com investimentos na infraestrutura, o Brasil vai continuar a ser o principal produtor agrícola mundial pelas próximas décadas, levando em conta a área agrícola já disponível e o clima propício.”

A construção de uma nova ferrovia que ligue o Mato Grosso ao Pará, a chamada “Ferrogrão”, é vista pelos produtores como o passo crucial para ampliação do escoamento, dado o volume de produção do Mato Grosso previsto para os próximos anos. O projeto enfrenta resistências por causa de impactos ambientais e dentro do próprio setor ferroviário. Hoje, a única rota de saída ferroviária da produção se dá por meio das ferrovias da Rumo Logística, que controla a Malha Norte e Malha Paulista, trilhos que ligam o sul mato-grossense ao porto de Santos.

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