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11 de Abril de 2022

INDA

Globo Online - RJ   11/04/2022

O custo do aço subiu 20% este mês, puxado pelos preços do carvão e do minério de ferro, suas matérias-primas. A guerra na Ucrânia é um dos principais fatores para isso, já que a Rússia é um importante exportador destes insumos. Além disso, o conflito afetou a logística global, elevando o preço do frete.

O reajuste já está sendo repassado para a indústria, como a automotiva, linha branca e construção civil. O repasse ao consumidor final e o impacto no bolso vão depender de cada setor, mas devem começar a ser sentidos em maio.

Peso limitado

Na construção civil, a alta ainda não foi totalmente repassada, mas, por causa da inflação que o segmento vem enfrentando desde o ano passado e da alta de outros materiais, as construtoras vêm adiando projetos e, nos próximos meses, os imóveis estarão até 8% mais caros, afirma José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic):

— Tem muita construtora guardando projeto na gaveta porque não tem mercado. A inflação da construção chegou a cerca de 30%, sendo o aço responsável por quase metade disso. É muito maior do que a inflação oficial. Por isso as vendas estão caindo.

O IPCA, índice oficial, atingiu 11,3% em março, no acumulado em 12 meses.

Mas o presidente executivo do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Jorge Loureiro, pondera que o repasse não pesa tanto ao consumidor em imóveis e automóveis, por exemplo. Ele cita a quantidade de aço usada em um carro: em torno de 800 quilos, que valem cerca de US$ 1 mil. Se o preço subir 20%, o carro ficará US$ 200 mais caro.

— Não é por isso que a pessoa deixa de comprar. O problema é quando sobe tudo — pontua Loureiro.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, que representa as usinas siderúrgicas, também pondera que o valor dos produtos é estabelecido por meio de uma relação entre fornecedor, cliente e consumidor, e que, no fim, o peso do aço não é tão relevante:

— Qualquer que seja o aumento, o aço tem peso físico, mas no preço o impacto é pequeno.

Estoques antigos

Loureiro, por sua vez, ressalta que, mesmo as usinas já cobrando 20% a mais pelo material, as fábricas repassam o aumento gradualmente, em torno de 5% a 10%, porque algumas ainda têm estoques:

— O distribuidor consegue segurar o repasse quando há pequenos aumentos. Mas, se continuar como está, sem recuo de preço, no próximos três a quatros meses terão de repassar os 20% ao consumidor final.

A Açovisa compra o aço e depois vende em barra bruta e acabada para as indústrias de autopeças, motores e bélica, entre outras. Giovanni Marques da Costa, gerente de marketing da empresa, concorda que muitas empresas ainda têm estoques com o preço antigo. Segundo ele, o consumidor só vai perceber o aumento de abril a partir do mês que vem.

A indústria de eletroeletrônicos e eletrodomésticos é outra que tem procurado evitar repasses, diz Jorge Nascimento, presidente da Eletros, associação que representa o setor. Mas ele ressalta que o cenário atual, de guerra, câmbio e inflação em alta, é preocupante.

As siderúrgicas ArcelorMittal e Usiminas informaram que não comentam suas políticas de preços. Procurada, a CSN não retornou. A Gerdau não quis se pronunciar.

SIDERURGIA

Monitor Digital - RJ   11/04/2022

Em 2021, a produção de aço bruto aumentou 15,7% em relação ao ano anterior, atingindo um total de 64,8 Mt, enquanto a produção de laminados aumentou 19,5% (55,7 Mt). O ano terminou com um consumo regional total de 74,8 Mt, um aumento de 26,6% em relação ao ano anterior (59,1 Mt) e 15,4% em relação a 2019 (64,8 Mt). Exportações que atingiram 9,0 Mt, 19,9% a mais que em 2020 (7,5 Mt). As importações acumuladas já somaram 28,8 Mt, 46,7% acima do mesmo período de 2020 (19,6 Mt).

“Os números do ano passado mostram mais uma vez a forte resiliência do nosso setor, impulsionado pelos setores de construção, agrícola e automotivo”, afirma Alejandro Wagner, diretor-executivo da Associação Latino-Americana de Aço (Alacero). “Para 2022, espera-se uma leve queda de 2,1% no consumo aparente, principalmente devido a uma forte recomposição de estoque na cadeia. Mesmo assim, é um bom nível em relação aos anos pré-pandemia (2017-19 a média de 66,1 Mt/ano)”.

No entanto, em fevereiro de 2022, a produção de aço bruto diminuiu 6,8% em relação ao mês anterior, atingindo 4,8 Mt. Com o acumulado entre ENE-FEB de 10,0 Mt, 2,2% inferior ao mesmo período de 2021. Enquanto a produção de laminados foi 3,3% menor em relação a janeiro, totalizando 4,2 Mt. A produção acumulada de laminados nos dois meses foi de 8,6 Mt, com 2,3% a mais que no ano anterior. Em janeiro de 2022, o consumo aparente foi de 5,6 Mt (-8,0% em relação a janeiro de 2021 e +4,6% em relação ao mês anterior).

O déficit comercial acumulado para 2021 ainda é crítico, 63,5% superior ao ano anterior, com -19,8 Mt.

“Ainda não saímos do período de incertezas, pelo contrário, começamos um ano com incertezas domésticas com eleições, inflação e políticas monetárias rígidas que podem ter impacto sobre a atividade industrial. E a tudo isso se soma a incerteza de um conflito global, com o aumento das matérias-primas do aço, bem como o custo da energia global”, conclui Alejandro Wagner.

Outro ponto importante para o setor siderúrgico em 2022 é o impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia. A Ucrânia é o 14º maior produtor de aço bruto (21,4Mt em 2021) e o oitavo maior exportador de aço do mundo (15Mt em 2021), segundo dados da OCDE. Outro estudo da mesma organização indica que a Rússia é o nono maior exportador de minério de ferro do mundo, com produção de 25,7Mt em 2020, e o terceiro maior exportador de carvão. Portanto, o conflito entre os países pode ter um impacto substancial nos preços das matérias-primas.

“O mercado internacional teve que buscar novas alternativas devido à indisponibilidade de aço e matérias-primas da Ucrânia ou da Rússia. Isso afeta principalmente os EUA e a Europa, embora os efeitos não sejam descartados em alguns países da América Latina. Devido à quebra de oferta devido à indisponibilidade de fornecimentos da Ucrânia ou da Rússia, a situação tem causado uma situação generalizada no mundo de aumentos de preços, quer porque estes novos fornecedores têm custos mais elevados, quer por simples excesso de procura de matéria-prima que alguns fornecedores têm”, diz Alejandro Wagner.

No mercado dominicano, por exemplo, a maior parte da matéria-prima utilizada para o acabamento dos produtos siderúrgicos veio da Ucrânia. Devido à guerra, o país teve que buscar novas fontes de produção para garantir o abastecimento da República. Ainda outro fator que prejudica os países latino-americanos com a compra de aço é a taxa de inflação. Os governos aumentaram as taxas de juros para contê-lo, mas com as eleições de 2022, mudanças nas linhas políticas podem impactar a implementação das reformas econômicas. “Então, é importante buscar o equilíbrio entre demanda e produção e também a cooperação dos países para continuar alcançando melhores resultados. Por exemplo, há uma oportunidade de modernizar e renovar a siderurgia com novos investimentos verdes no médio e longo prazo, pois a renovação em um momento de escassez de energia aumentaria os custos”, conclui.

Brasil Mineral - SP   11/04/2022

A pegada de carbono em uma das atividades econômicas mais importantes do planeta é uma realidade e o desafio global de deter e reverter as taxas atuais da crise climática é urgente: atualmente, estima-se que aproximadamente 7% de todo dióxido de carbono lançado na atmosfera em todo o mundo é produzido pela indústria siderúrgica, devido à dependência dos combustíveis fósseis como matéria-prima, especialmente o carvão mineral. A demanda global por aço, impulsionada por uma maior urbanização, crescente população mundial e padrões de vida cada vez mais altos, pressiona a indústria a inovar e fornecer um material sustentável. Mas, por mais que a taxa de reciclagem de aço chegue a impressionantes 90% ou mais, a sucata de aço disponível atende apenas 25% dessa procura mundial.

Essa pressão da sociedade, dos governos e dos consumidores em todo o mundo, acelerada pela COP26, pretende mudar a cara da economia global, já que líderes das nações desenvolvidas se comprometam com a neutralidade de emissões até 2030 e as em desenvolvimento, até 2040.

A siderurgia tem potencial para desempenhar um papel significativo no corte e na compensação das emissões de gases causadores do efeito estufa e aumento da temperatura da Terra. Algumas companhias vêm agindo e investindo em tecnologias e iniciativas que indicam escalabilidade no mercado e inovando ao fornecer aço sustentável para atender à demanda atual e futura. É o caso da SSAB, multinacional sueca líder mundial na fabricação de aços de alta resistência, que está liderando a transição verde na indústria por meio da iniciativa HYBRIT, que substitui o carvão e coque, tradicionalmente necessário para a produção de aço à base de minério de ferro, por uso do gás hidrogênio. A eletricidade produzida sem combustíveis fósseis será utilizada para a produção de hidrogênio a partir da eletrólise da água. O subproduto desse processo é a água, não o CO2, eliminando as emissões de dióxido de carbono.

Em algum momento após 2025, daqui a apenas três anos, já será possível adquirir algum equipamento com componentes de aço fabricados por um processo de produção livre de combustíveis fósseis, levando as companhias que utilizam a matéria-prima a uma liderança ambiental e com um alto status de marketing verde.

Ter aços produzidos sem combustíveis fósseis significa que um produto ou serviço foi criado sem utilizar combustíveis fósseis ou matérias-primas fósseis, sem gerar emissões de CO2 e com o uso de fontes de energia que não empregam combustíveis fósseis. Esse aço “verde” agrega valor econômico e ambiental ao negócio e é um investimento empresarial para reforçar o compromisso de melhorar o ambiente de amanhã, para todos, além de tornar a indústria sustentável e livre de poluentes. Suas propriedades e qualidades serão equivalentes ao tradicionalmente já produzido, mas sem o impacto ambiental negativo, atendendo aos padrões atuais com o mesmo desempenho em todas as aplicações industriais.

Em todo o mundo, a legislação e os regulamentos estão forçando cada vez mais as indústrias a desenvolver infraestrutura e processos que atendam a condições ambientais específicas. Essa demanda por cadeias de valor sustentáveis só aumentará e também se estende a usuários e consumidores cada vez mais conscientes, que exigem que as empresas invistam em tecnologias e soluções que tornem produtos e serviços o mais ecológicos possível. Escolher aço livre de combustível fóssil é uma decisão ambiental que terá um impacto duradouro no sucesso dos negócios de amanhã, contribuindo para uma transformação em toda a indústria, além de demonstrar que sua empresa está comprometida em eliminar a pegada de carbono, vital para que o aquecimento global seja, de fato, interrompido.

Sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer. Se o objetivo é conduzir a indústria siderúrgica a um futuro descarbonizado, o aço livre de combustíveis fósseis será um componente chave para ajudar a cumprir as metas de emissões zero em todas as suas aplicações. A descarbonização do processo de fabricação de aço não é negociável se o setor quiser fazer a transição com sucesso de um dos maiores emissores de CO2 para um ator sustentável e livre de combustíveis fósseis na cadeia de valor global. Os caminhos para um planeta movido por energias limpas e despoluído já estão traçados e a siderurgia está no caminho certo para um futuro sustentável.

Diário do Aço - MG   11/04/2022

Celebrado no país desde 9 de abril de 1941, o Dia Nacional do Aço é uma data que, passados 81 anos, continua merecendo nossa reflexão dada a importância dessa indústria para o bem-estar das pessoas e para o desenvolvimento do país. Embora apresentando índices de crescimento ainda muito aquém de suas potencialidades, o Brasil é hoje um dos maiores produtores mundiais de aço e empresas como a Usiminas, que em outubro próximo completa 60 anos de operações, se tornaram referências globais não só pelo que produzem, mas pela qualidade dos seus produtos, serviços e pela atuação social.

O aço é uma liga metálica composta essencialmente de ferro e carbono e moldou à forma como entendemos a construção civil moderna, a indústria automobilística, o agronegócio, a área de geração de energia e inúmeros outros segmentos da economia dos dias atuais. Atualmente, o Brasil se mantém na sétima posição do ranking de maior exportador líquido de aço no mundo, com uma produção de, aproximadamente, 36 milhões de toneladas.

Outro dado importante, divulgado pelo Instituto Aço Brasil, mostra o potencial dessa indústria: em 2019, o consumo per capita de aço bruto no país foi de 109,4 quilos. Enquanto que em países como a Coréia do Sul e Taiwan, o consumo per capita variou de 837 quilos a 1.171 quilos, nesse mesmo período.

Falar da importância do aço, mesmo para uma pessoa que como eu atua na área há mais de 45 anos, é uma tarefa desafiadora em função da representatividade que este setor tem para todo o desenvolvimento do mundo contemporâneo. Além de gerar milhares de vagas de trabalho qualificado, a cadeia produtiva do aço impacta positivamente na preservação e no uso eficiente dos recursos naturais. Com propriedades que permitem sua reciclagem infinitas vezes, o aço é considerado um dos materiais com os maiores índices de reciclabilidade do planeta.

“Com propriedades que permitem
sua reciclagem infinitas vezes,
o aço é considerado um dos materiais
com os maiores índices de reciclabilidade do planeta”

A busca pelo impacto positivo na vida das pessoas e no meio ambiente é um dos muitos motivos que nos levam a promover, diariamente, resultados que transformem o nosso cotidiano. E falo não só do aspecto produtivo e de processos, mas ressalto a evolução que o setor teve no que se refere às novas missões que entraram na agenda dessa indústria, como ser sustentável e promover a diversidade e inclusão. Hoje, mais do que alcançar a excelência nos seus produtos, a indústria está engajada, por exemplo, na inserção de mais mulheres em seus quadros e na diminuição de suas emissões de carbono.

Passamos por muita evolução e avanços tecnológicos, porém, o mais importante de todo o aprendizado, é que estamos numa jornada para reforçar e construir dia a dia uma relação de respeito com as pessoas e com o meio-ambiente. Afinal, não existe produção sem a inteligência humana e da natureza.

Na Usiminas, somos líder no mercado brasileiro de aços planos e um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina. E para estar à frente do mercado contamos com profissionais que fazem do nosso Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, o mais inovador espaço de pesquisa latino-americano.

É um trabalho árduo: numa indústria do aço centenária no país e a Usiminas com 60 anos de operações. Foram muitas conquistas, que ao invés de nos levar a uma acomodação, nos impulsiona a aprender a cada dia, desenvolvendo, inovando, criando e reinventando perspectivas para o setor. Temos compromissos importantes para o futuro, como por exemplo, cumprir as metas estabelecidas pelo Pacto Global, da Organização das Nações Unidas (ONU), participar da Plataforma WEPS e do Fórum Empresas e Direitos LGBTI+ e ainda da Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero.

Para nós, o aço é mais do que um produto. É um propósito. É por meio dele que conseguimos transformar vidas, levar melhores condições às regiões em que atuamos e gerar valor para toda sociedade. Impactar cada vez mais positivamente a vida de milhares de pessoas, é isso que faz de hoje, o Dia Nacional do Aço, um motivo de celebração na Usiminas.

Diário do Aço - MG   11/04/2022

Líder no mercado brasileiro de aços planos e única produtora nacional de chapas grossas para blindagem, a Usiminas formalizou nesta quinta-feira parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) para a revitalização do estande de tiros da Gameleira, em Belo Horizonte. A empresa informou que fornecerá seus aços balísticos Usiprot e de alta dureza Ravur para equipar e modernizar o espaço.

A cooperação foi formalizada na quinta-feira (8), entre o presidente da Usiminas, Sergio Leite, e o comandante-geral da PMMG, Cel. PM Rodrigo Souza Rodrigues, durante visita ao Estande de Tiro do Centro de Material Bélico, localizado no Complexo Policial da Gameleira, em Belo Horizonte. A companhia vai fornecer o aço e oferecer orientações técnicas, além de acompanhar os testes. Já a PMMG ficará responsável pelas obras civis e projeto de engenharia.

“A qualidade dos produtos é uma marca da atuação da Usiminas. Somos pioneiros na produção de chapas de aço para blindagem e desenvolvemos uma solução que permitirá, inclusive, o país deixar de importar esse tipo de material. Para nós, é uma satisfação ter a qualidade dos nossos produtos e serviços reconhecida, também, por meio dessa nova parceria”, afirma o presidente da Usiminas.

Novas oportunidades

O produto da Usiminas passou por testes balísticos no Brasil, Estados Unidos e Israel, recebendo a certificação de qualidade da entidade TÜV Nord. Para a Usiminas, a ação com a PMMG também permitirá realizar testes balísticos de outras soluções em desenvolvimento na siderúrgica por meio do laboratório balístico da corporação, contribuindo para o aprimoramento do conhecimento das demandas da segurança pública e do desenvolvimento de soluções técnicas customizadas.

Estandes de tiros

O complexo de estandes de tiro da Gameleira, segundo informações da PMMG, foi inaugurado em 1969 e devido a inúmeras avarias ocasionadas pela instabilidade da frágil estrutura da construção antiga, teve de ser totalmente demolida. Um novo prédio administrativo foi reconstruído no ano de 2020. Além de ser utilizado para treinamento de policiais militares, o espaço também é usado pela Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Ainda de acordo com a PMMG, as placas de aço balístico doadas pela Usiminas garantirão aos estandes de tiro longevidade, pois o aço nobre tem a resistência mecânica necessária ao bom comportamento balístico, com expectativa de 30 anos de durabilidade.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   11/04/2022

Depois de duas décadas — em alguns casos mais — de estabilidade e controle na economia, a inflação voltou a assombrar vários países da América Latina ao mesmo tempo.

A tendência que já vinha aparecendo em 2021 se acentuou este ano com a guerra na Ucrânia, que turbinou a alta das commodities por trás da escalada dos preços de alimentos e combustíveis.

Especialistas alertam para os riscos de convulsão social e repercussões políticas, como se viu nos últimos dias no Peru. O presidente Pedro Castillo chegou a decretar toque de recolher para conter protestos no país que, em março, registrou inflação de 1,48%, taxa mensal mais alta desde fevereiro de 1996.

Na Argentina, as filas são gigantescas nos supermercados de atacado da Grande Buenos Aires. Os preços são reajustados toda semana.

Neste início de abril, com economistas e políticos locais falando abertamente sobre o risco de hiperinflação no médio prazo, os argentinos estão em pânico diante do impacto negativo da guerra num país que fechou 2021 com alta de 50,9% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e caminha para encerrar este ano com 60% ou mais.

O caso argentino é dramático, mas não é isolado. O fantasma da inflação paira sobre a maioria dos países da América Latina e agrava as já muitas dificuldades econômicas da região.

Se na primeira década deste século o ciclo de valorização das commodities trouxe crescimento econômico elevado e recursos para financiar com folga programas sociais nos países latino-americanos, o cenário atual é bem diferente.

Agora, a inflação agrava o cenário de baixo crescimento e aumento do desemprego enquanto os bancos centrais são obrigados a responder com alta de juros.

— Ninguém na região vai escapar do choque de preços das commodities. A guerra só piorou um cenário que já era ruim, depois de um período longo de crescimento baixo — , diagnostica Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e membro do Policy Center for the New South.

Ele não considera exagero falar em hiperinflação na Argentina:

— A partir do momento em que se consolidam expectativas de inflação tão elevadas, eventuais choques acabam levando para cima essa dinâmica.

Antecedentes traumáticos

A América Latina tem antecedentes traumáticos quando se fala em hiperinflação, que se caracteriza por alta de preços de mais de 50% por pelo menos 30 dias seguidos, nas décadas de 1970 e 1980.

Um dos casos mais graves ocorreu justamente no Peru, no primeiro governo de Alan García (1985-1990), quando a inflação mensal alcançou 397%. Na Argentina, em 1989, a inflação chegou a 197% num único mês, e na Bolívia, em 1985, a 183%.

De acordo com dados do Banco Mundial, a inflação acumulada em 12 meses mais alta já registrada na América Latina foi na Bolívia, em 1985: 23.443%. O segundo recorde é argentino, com 20.262% em março de 1990. Em seguida vêm os 12.378% em agosto de 1990 no Peru e os 6.821% no Brasil em abril de 1990.

Os índices atuais estão muito longe desses episódios extremos, mas agravam um quadro já dramático de simultâneos aumentos da pobreza, desemprego e desaceleração dos crescimentos regional e global.

No México, os preços subiram 0,99% em março, acumulando alta de 7,45% em 12 meses, a maior dos últimos 21 anos. No Chile, em fevereiro passado, os preços subiram 7,8% e já se projeta inflação entre 8% e 10% para este ano, o que levou o banco central local a subir juros pela primeira vez em 20 anos.

Na Colômbia, em março a inflação foi de 1%, acumulando alta de 4,36% no primeiro trimestre, frente a 1,56% do mesmo período do ano passado e muito acima da meta de 3% do país.

— O que está acontecendo de diferente desta vez é que com o boom das commodities não está entrando uma quantidade de dinheiro que permita uma apreciação (valorização) das moedas (locais). No começo do século, a apreciação permitiu crescimento sem inflação — explica Daniela Campello, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV EBAPE) e pesquisadora residente do Wilson Center, para quem a perspectiva de alta dos juros nos EUA, que também enfrenta inflação alta, piora a situação porque tende a desviar capitais de mercados emergentes.

O Goldman Sachs acabou de revisar suas projeções para países da região, mas ainda parecem conservadoras diante dos números do primeiro trimestre deste ano. A previsão para inflação no Brasil subiu de 5,5% para 6,5%.

No Chile, passou de 5,5% para 6,2%. No Peru, foi de 3,5% para 4,8%. Os números são parecidos com os do JP Morgan. Veja no quadro abaixo:

No Brasil: Maior alta desde antes do Plano Real

No Brasil, após fechar 2021 com o IPCA em 10,6%, março registrou inflação de 1,62%, a mais alta para esse mês desde 1994, pouco antes do Plano Real, superando previsões.

Roberto Campos: Presidente do BC diz que vai elevar previsão de crescimento para o Brasil, apesar da Guerra na Europa

Em 12 meses, o índice acumulado chegou a 11,3%. Os preços de combustíveis, transportes e alimentos seguem os vilões, tirando poder de compra das famílias, inclusive na classe média.

A aposentada Thina Alvarez, de 66 anos, que mora sozinha no Rio, mudou hábitos alimentares por causa das remarcações no supermercado e pensa duas vezes antes de assar um bolo com gás de cozinha e energia elétrica mais altos.

Ela estima que seu gasto mensal com itens básicos dobrou, mesmo com menos produtos na sacola e aproveitando promoções:

— Reduzi bastante o consumo de alguns itens, principalmente carne vermelha.

Encruzilhada política na Argentina

Na Argentina, os bancos esperam inflação acima dos 50% neste ano. Em alguns supermercados, produtos podem subir 20% por semana.

O governo do presidente Alberto Fernández está numa encruzilhada: continuar a emitir pesos para financiar programas sociais correndo o risco de acelerar ainda mais a inflação ou reduzir a circulação de dinheiro e enfrentar movimentos sociais e sindicatos às ruas.

Na semana passada, os chamados piqueteiros (beneficiados por programas sociais) acamparam no centro de Buenos Aires para exigir mais ajuda do Estado. No início de março, protestos contra o acordo de renegociação da dívida do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sacudiram a capital.

No Chile, o recém-empossado presidente Gabriel Boric já anunciou medidas para evitar uma crise de inflação com recessão. Entre fevereiro de 2021 e o mesmo mês deste ano, o IPC acumulou 7,8% e, pela primeira vez, em 20 anos, o banco central elevou a taxa referencial de juros de 2,75% para 7,5% em menos de seis meses.

Denúncia no BID: Presidente do banco pode ser investigado por relação 'íntima' com funcionária e uso indevido de recursos

Ex-editor da The Economist e autor de uma coluna sobre América Latina na publicação britânica, Michael Reid viajou ao Peru e viu o clima de revolta social provocado pela disparada da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice atingiu 6,8% e, como observa Reid, esteve concentrado em alimentos, combustíveis, transporte e energia. Houve saques em cidades do interior do país.

— Sente-se a frustração e a raiva das pessoas. O Peru tem hoje um governo absolutamente incompetente para lidar com estes problemas — comenta o escritor e jornalista, para quem “um certo populismo fiscal” que não se via desde a década de 1980 preocupa os economistas. — Todos estão revisando suas previsões, porque acharam que o surto inflacionário duraria menos, mas hoje o consenso é de que a inflação vai durar pelo menos uns três ou quatro anos. O problema ficou mais sério.

O Estado de S.Paulo - SP   11/04/2022

Com inflação em alta, Selic pode chegar a 13,5%, diz economista Sergio Vale Com inflação recorde em março, mercado eleva projeções do IPCA para o ano Cenoura sobe 166% em 12 meses; veja itens que dispararam e puxaram a inflação

O galope da inflação em março, que atingiu 1,62%, a maior taxa em 28 anos, e a perspectiva de um cenário turbulento dos preços para os próximos meses devem fazer com que o Banco Central (BC) suba ainda mais a taxa básica de juros neste ano.

Nas contas do economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, a Selic deve chegar em 2022 a 13,5% para conter as expectativas inflacionárias para 2023, que são crescentes. “Não vai bastar subir a Selic para 12,75%. Será preciso subir mais do que isso”, prevê.

Vale acha difícil que o BC consiga trazer a inflação para a meta de 3,25% no ano que vem, especialmente porque a autoridade monetária está sozinha no combate à inflação. Hoje o BC não conta com a ajuda da política fiscal para segurar os preços e é muito provável que esse quadro se repita em 2023. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual é a sua avaliação do resultado da inflação de março de 1,62%?

É um resultado muito ruim acima do que esperávamos, alta de 1,27%. Março obviamente teve todo o impacto mais agressivo por conta da guerra. Esse resultado foi atípico e não deve se repetir até o final do ano nesse patamar. Mas há preocupações muito grandes para os meses de abril e maio, especialmente abril. Em abril teremos o benefício da bandeira verde da tarifa de energia. Mas, por outro lado, teremos a pressão dos medicamentos e as repercussões da alta das commodities. Provavelmente o IPCA acumulado em 12 meses chegará a 12% em abril.

E qual é a perspectiva?

Temos uma inflação ainda sob muito risco para os próximos meses. Com IPCA em 12 meses em 12% em abril, para fechar o ano com 7,8% é preciso ter uma média mensal de 0,42% a cada mês até o final do ano. E não vemos essa média no IPCA acontecer faz muito tempo. É preciso ter um processo de desinflação muito grande para chegar a 7,8% e isso está sob risco. O câmbio está começando a voltar agora com a subida dos juros nos EUA, tem o risco eleitoral no segundo semestre que pode jogar o câmbio mais para cima. As benesses que teremos com energia elétrica, talvez não sejam suficientes para se contrapor às pressões que teremos até o final do ano.

O sr. mudou a previsão de 7,8% para este ano?

Não. Mas há uma grande chance de o IPCA fechar 2022 acima de 8%. Isso traz preocupação para o ano que vem. Trazer a inflação em 12 meses de um nível de 12% em abril para perto de 3% em 2023, não vai ser tão simples assim. Tem a pressão na questão dos fertilizantes que ainda está em aberto, tem a pressão no câmbio por conta do novo presidente e o que ele fará da política econômica. 2023 será um ano arriscado para a inflação. Estou com um IPCA para 2023 de 4,2%, o mercado está sistematicamente subindo as expectativas. O BC tem que impedir que essas expectativas para o ano que vem começam a acelerar.
O que fazer?

O BC optou por algo escalonado: trazer a inflação para a meta no ano que vem. Só que essa inflação na meta no ano que vem está começando a ficar arriscada de não acontecer. Isso irá demandar um esforço adicional do Banco Central daqui para frente. Não vai bastar subir a Selic para 12,75%. Será preciso subir mais do que isso.

A Selic pode chegar a quanto?

Estamos com a previsão de Selic a 13% ao ano, mas possivelmente vamos revisar esse número para cima. Diria que a Selic pode chegar a 13,5%. Não vejo chegando a 14%, apesar de ser uma possibilidade.
A taxa de difusão, que mede a fatia de itens que estão subindo de preço, veio muito forte em março, foi de 76%. Por que a inflação está tão espalhada e acelerada?

Esse é o grande problema de termos choques contínuos como tivemos agora. Vimos uma discussão nos últimos dois anos de pessoas dizendo que o Banco Central não precisava fazer nada com a inflação porque era um choque de oferta que iria se dissipar. Estamos tendo a comprovação agora de que não é isso. Os choques de oferta que tivemos por conta da pandemia, guerra, são vistos na inflação e a inflação se espalha. O indicador mais importante é o de difusão. O que vemos hoje são choques que começaram na base da cadeia de tudo que se produz e consome. Não tinha como se imaginar que uma pressão na base da cadeia não seria repassada, especialmente num momento de saída da pandemia.

É factível atingir a meta de 3,25% em 2023?

Acho difícil. É um ano que vamos estar sofrendo o impacto da inflação deste ano. O Banco Central tem insistido que não abre mão de tentar levar a inflação para a meta em 2023. Mas, para isso acontecer, o BC vai ter que ter que subir mais juros e ter um esforço conjunto de todo o governo. Hoje o BC está sozinho para segurar a inflação. A política fiscal abandonou a ajuda que deveria dar à política monetária. O BC corre o risco de, no ano que vem, estar sozinho de novo. Talvez, vamos ter uma inflação acima da meta.

A inflação descontrolada vai ter impacto nas eleições?

É muito provável. Se pegarmos o IPCA acumulado em 12 meses, mês a mês, é provável que a gente tenha inflação de dois dígitos até agosto, pelo menos. Em agosto estaremos no auge da eleição. E a taxa de desemprego também estará elevada, acima de dois dígitos. O índice de miséria é a soma das taxas de desemprego e de inflação. Esse indicador estará elevado no auge do período eleitoral. Isso é uma sinalização bastante persuasiva para a população que há problemas graves na economia. Isso dificulta, com certeza, a reeleição do governo Bolsonaro.

O Estado de S.Paulo - SP   11/04/2022

O mercado financeiro está no escuro com o “apagão de dados” do Banco Central, que deixou de publicar indicadores e projeções por causa da greve dos servidores. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no começo de maio, também pode ter sua preparação afetada pelo movimento dos funcionários do órgão, que pedem um reajuste salarial de 26,6%. Em média, um analista do BC ganha R$ 26,3 mil mensais.

As decisões do Copom são embasadas em um conjunto de apresentações técnicas do corpo funcional do BC, que tratam da evolução e de perspectivas das economias brasileira e mundial, das condições de liquidez e do comportamento dos mercados.

“O mercado está no escuro. Isso é verdade. Por outro lado, o BC já telegrafou a alta para 12,75% em maio (aumento de 1 ponto porcentual), o que fica mais incerto são os próximos passos”, disse o economista Alexandre Schwartsman, que já esteve em uma das cadeiras do Copom.

O economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio Souza Leal, disse que o mercado acompanha a greve de “soslaio”, dado que ainda falta tempo para a reunião. “Mas não é uma situação confortável, além de ser inédita.”

Numa das maiores greves da categoria, no governo Lula, em 2007, ocorreram atrasos no Boletim Focus, mas a realização do Copom foi preservada.

Copom

O Sindicato dos Funcionários do BC (Sinal) afirmou que a lista de serviços essenciais (que não podem ser interrompidos durante a greve) ainda está em negociação e que a categoria não aceita que as atividades preparatórias para o Copom estejam entre elas. Como a mobilização dos servidores tem sido forte, com a entrega de 725 cargos comissionados, segundo o Sinal, incluindo chefes adjuntos de departamentos, é possível que faltem subsídios para análise do Copom, segundo um técnico do BC.

A greve foi iniciada no dia 1.º de abril e tem prazo indeterminado. Em nota, o BC afirmou que “a produção das apresentações de conjuntura para o Copom é atividade essencial e, portanto, será realizada durante a greve”.

Com o acirramento da greve, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, receberá amanhã representantes dos funcionários do órgão. No dia seguinte, os servidores farão uma nova assembleia geral para reavaliar o movimento à luz do que “de concreto” Campos Neto trouxer para a mesa de negociação.

Outras categorias

Além dos funcionários do BC, outras oito categorias atuam na chamada operação-padrão, mas os efeitos da insatisfação dos servidores ainda não chegaram aos cidadãos comuns.

Estão reivindicando reajustes os servidores do Tesouro, da Receita Federal, da Secretaria do Orçamento Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência de Seguros Privados (Susep), os analistas de comércio exterior e os auditores fiscais agropecuários.

No Tesouro Nacional, por exemplo, a operação-padrão dos servidores no dia 1.º de abril adiou até a hora limite o envio de repasses para Estados e municípios e chegou a atrasar o pagamento de salários para algumas categorias do serviço público. No entanto, ao contrário de movimentos anteriores do órgão, o atendimento aos cidadãos ainda não foi prejudicado.

A Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal do Ministério da Economia realizou algumas reuniões com representantes dos sindicatos. Entretanto, a equipe econômica não fez qualquer proposta de reajuste ou reestruturação das carreiras.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é contra a concessão de reajustes para servidores. Entretanto, o movimento das diversas categorias começou após o governo reservar R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 para conceder aumentos apenas para as carreiras policiais.

Exame - SP   11/04/2022

Os bancos centrais da América Latina estão enfrentando uma pressão para aumentar as taxas de juros depois que os preços ao consumidor ultrapassaram as estimativas. O aumento de custos das matérias-primas, de combustível e alimentos por conta da invasão russa da Ucrânia estão entre os principais motivos para o aumento na taxação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março no Brasil, divulgado nesta sexta-feira, 8, registrou a maior alta mensal de preços desde 2003 – com itens como gasolina saltando 6,95%. Os preços ao consumidor do Chile registraram o maior ganho mensal em cerca de três décadas, com o pão subindo 5,9% e a energia subindo 2,6%.

Por aqui, a inflação de março põe à prova a estimativa do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que tem repetidamente sinalizado planos para um aumento final em maio. O mesmo ocorre no Chile, onde a presidente do banco central do país, Rosanna Costa, disse semana passada que os formuladores de políticas serão capazes de desacelerar o ritmo de aumentos futuros das taxas.

Por outro lado, alguns economistas não têm tanta certeza de aumentos ainda mais agressivos de juros. “Em vez de olhar para a inflação atual, eles estão olhando para a inflação de 12 a 24 meses à frente. Isso é o que realmente importa para os bancos centrais”, disse Alejandro Arreaza, economista do Barclays.

As autoridades monetárias da América Latina foram as primeiras no mundo a aumentarem os custos do dinheiro à medida que as restrições globais de oferta e, em alguns países, medidas de estímulo contra a pandemia reacenderam a inflação.

O gás de cozinha e a gasolina impulsionaram a inflação no México, com o valor anual atingindo a maior alta em 21 anos. Mesmo assim, os aumentos de preços poderiam ter sido muito piores.

“Os preços do gás e da gasolina subiram muito menos do que as referências internacionais”, Alonso Cervera, economista-chefe para a América Latina do Credit Suisse, sobre o México. “A inflação seria muito maior, quero dizer, muito, se não fossem os subsídios.”

No Brasil, por exemplo, a petroleira estatal Petrobras tem segurado os preços dos combustíveis. A empresa anunciou em março que aumentaria os preços dos combustíveis em até 25%, porém, o presidente Jair Bolsonaro, que se candidata à reeleição em outubro, demitiu o presidente da empresa duas semanas depois, quando as pesquisas mostraram que os eleitores estavam furiosos com a inflação.

O Estado de S.Paulo - SP   11/04/2022

Mais um recorde sinistro foi batido na administração do presidente Jair Bolsonaro, com a inflação atingindo em março a taxa de 1,62%, a maior para o mês desde 1994, quando o governo cuidava da implantação do Plano Real.

A alta de preços ao consumidor chegou a 11,30% em 12 meses, mantendo o Brasil como um dos países com maior desajuste no custo de vida. Aumentos anuais superiores a 7% têm ocorrido em poucas economias capitalistas, embora todo o mundo tenha sido afetado, recentemente, por uma grande onda inflacionária. Os dados de março mostram o forte impacto do custo dos combustíveis nos preços do transporte e de alimentos, fenômeno observável também no mercado internacional. Mas seria um erro menosprezar dois fatos: a inflação brasileira é amplamente difusa e fora dos padrões globais há muito tempo.

Em março, houve alta de preços em oito dos nove grupos de bens e serviços cobertos pela pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, em cinco grupos a elevação foi maior que no mês anterior. Segundo avaliação recente do Banco Central (BC), a inflação deve continuar em alta pelo menos até abril e em seguida arrefecer. Por enquanto, a primeira parte da previsão está sendo confirmada. Em outras condições talvez se pudesse apostar com razoável segurança na confirmação da segunda. Mas seria uma aposta arriscada, tanto pela instabilidade internacional quanto pela insegurança gerada em Brasília, principalmente no Palácio do Planalto.

Uma rara novidade positiva, na área dos preços, tem ocorrido no mercado cambial. Com juros muito altos e ativos baratos, o Brasil tem atraído um bom volume de investimentos financeiros. Graças a isso, o dólar está mais barato do que na virada do ano. A cotação tem oscilado, naturalmente, mas sem retornar aos níveis observados até há poucos meses. Ficou para trás, pelo menos por algum tempo, o forte efeito inflacionário do câmbio. Mas dois fatores poderão mudar esse quadro.

O câmbio poderá ser afetado pela evolução dos juros no mundo rico, especialmente no mercado americano. Forçado a cuidar de uma inflação muito alta, com taxa anual de 7,9% em fevereiro, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) poderá elevar a taxa básica mais velozmente nos próximos meses. Se isso ocorrer, haverá sensíveis efeitos nos fluxos internacionais de dinheiro, e o dólar poderá valorizar-se, de novo, em relação ao real. Nesse caso, o câmbio voltará a alimentar a inflação brasileira, encarecendo os produtos importados e, em seguida, contaminando os demais preços.

O segundo fator é político. Dedicado à disputa eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro ficará ainda mais concentrado nos objetivos pessoais e menos atento, se isso for possível, aos efeitos econômicos de suas atitudes e de suas decisões. Quanto maior a agitação política e quanto menor a segurança quanto aos seus desdobramentos, maior será a incerteza nos mercados. Mais provável, portanto, será a busca de segurança financeira no exterior, com aplicações fora do Brasil e consequentes movimentações na cotação do dólar. O cenário é bem conhecido.

Pelo menos um fator de atração de dólares deve permanecer nos próximos meses e, quase certamente, no próximo ano. Os juros permanecerão, no País, bem acima dos níveis observados comumente na maior parte do mundo capitalista. A taxa deve passar de 11,75% para 12,75% em maio, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), principal órgão político do BC. O mercado tem previsto taxas menores a partir de 2023, mas qualquer estimativa é muito insegura, diante das incertezas internacionais e, principalmente, das condições brasileiras.

Juros altos podem ser inevitáveis, neste ano, e benéficos no médio e no longo prazos, mas têm sido e serão um forte entrave à atividade econômica e um custo adicional para o Tesouro. A dívida pública brasileira já é bem maior que a de outros países de renda média, e será parte, também, da péssima herança prevista para a próxima administração.

MINERAÇÃO

Valor - SP   11/04/2022

No ano, a principal matéria-prima do aço ainda exibe valorização de 30% no mercado transoceânico

Os preços do minério de ferro encerraram a semana em queda no mercado à vista, em meio aos reflexos negativos das medidas para conter o surto de covid-19 na China sobre o consumo interno de aço e a taxa de operação das siderúrgicas locais.

De acordo com o índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o preço do minério com teor de 62% caiu 0,26% no norte da China, para US$ 154,65 por tonelada, elevando a 2,3% as perdas acumuladas em abril.

No ano, a principal matéria-prima do aço ainda exibe valorização de 30% no mercado transoceânico.

Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), porém, os contratos mais negociados, para setembro, avançaram 0,7% nesta sexta-feira, para 919 yuan por tonelada.

Com o desempenho de hoje, a commodity passou a exibir baixa de 2% no acumulado de abril e reduziu a 30,3% os ganhos acumulados em 2022.

Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para setembro, voltaram a exibir perdas e fecharam o dia em baixa de 3,02%, para 900 yuan por tonelada.

Minério de ferro: Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para setembro, fecharam o dia em baixa de 3,02%, para 900 yuan por tonelada — Foto: Pixabay

Máquinas e Equipamentos

Portal Fator Brasil - RJ   11/04/2022

A indústria siderúrgica passou por grandes avanços nos últimos dois anos em que vivemos a pandemia. O que foi motivo de crise para alguns setores, foi motivo de crescimento e expansão para a siderurgia. Empresas tiveram a oportunidade de abrir suas fronteiras e crescer para outros países. Isso muito contribuiu para novas alianças e conexões que se estabelecem além do Brasil.

Tratando-se de indústria siderúrgica, as evoluções são tamanhas e acontecem cada dia mais rápido. Junto do aumento das vendas é necessário aumentar ou no mínimo manter a produtividade e a tecnologia é um fator de extrema importância para ajudar na gestão das movimentações de centenas de máquinas que participam do processo de produção do aço. A união do planejamento & programação, execução e medição de contratos centralizados em uma única plataforma, por exemplo, é um ótimo exemplo de inovação que trouxe resultados para o setor.

Ao se tratar de automação da produtividade de máquinas móveis em siderurgia, posso afirmar que que ela chega com o potencial de aumentar a competitividade da indústria brasileira. Para fazer com que essas máquinas entreguem o seu esperado podemos adotar geoprocessamento, telemetria avançada, e algoritmos próprios de IoT. É possível automatizar de forma assertiva e personalizada a medição de contratos de prestação de serviços logísticos, bem como o acompanhamento de manutenção corretiva e preventiva em tempo real.

Toda a massa de dados enviada pelos hardwares é organizada em um software próprio com alta capacidade de entrega de insights e transparência de informações relacionadas a produtividade, segurança, manutenção e combustível

Logo, se estiver procurando uma plataforma IOT para gestão das máquinas móveis (próprias ou terceirizadas) que fazem a logística interna da usina, escolha quem domina hardware, software e conectividade. Se este tripé não estiver trabalhando de forma interdependente, com excelência, você encontrará problemas para alcançar os resultados desejados.

Portal Fator Brasil - RJ   11/04/2022

A mais completa feira de máquinas e equipamentos da América Latina, está de volta aos pavilhões, em cenário de retomada da economia. O evento ocorrerá de 03 a 07 de maio de 2022, com a presença de mais de 900 marcas expositoras confirmadas e a expectativa de receber mais de 50 mil profissionais do setor.

O evento ocorrerá de 03 a 07 de maio, com a presença de mais de 900 marcas expositoras confirmadas e a expectativa de receber mais de 50 mil profissionais do setor. Feira fortalece a jornada híbrida da indústria, que conta com atividades e conteúdos exclusivos para o setor, presenciais e digitais, ao longo de todo o ano.

O setor industrial segue com expectativas otimistas para 2022, ainda mais depois dos resultados positivos registrados pelo mercado durante o início do ano. Segundo os Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dois fatores, em especial, renovaram as esperanças do setor para a retomada da economia e para um ano mais pujante em termos de negócios.

Dados do levantamento mostram que o emprego industrial e o faturamento real das empresas do setor iniciaram 2022 em ascensão, seguindo o ritmo do fim de 2021, que vem registrando bons resultados desde novembro. De acordo com os indicadores, o emprego industrial subiu 0,5%, quando avaliados os resultados de novembro de 2021 a janeiro de 2022. No comparativo entre janeiro deste ano e o mesmo mês do ano passado, a alta é ainda maior, de 3,7%. O faturamento, por sua vez, aumentou 6,6% entre novembro e janeiro.

Esse contexto instiga a confiança dos empresários do setor e fortalece as expectativas de um novo ciclo de crescimento para os próximos seis meses, segundo a CNI. E é neste cenário de otimismo que acontecerá a Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos(Feimec) como o grande reencontro presencial do setor. Em sua terceira edição, a mais completa feira de máquinas e equipamentos da América Latina terá o evento presencial realizado no Centro de Exposições São Paulo Expo, em São Paulo (SP), de 03 a0 7 de maio de 2022.

Iniciativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos(Abimaq), com promoção e organização da Informa Markets Brasil, o evento ocorre em um ambiente ideal para a realização de networking e negócios, com todas as novidades e tendências do setor, e com muitas atrações e conteúdos qualificados. Seguindo na mesma direção do otimismo apresentado pela CNI, a Abimaq prevê, para este ano, um crescimento de 6% na receita de vendas do setor.

— Faltando apenas um mês para a realização, a Feimec, que é considerada um evento fundamental para as empresas e indústrias que se preparam para o reaquecimento econômico do país em 2022, já está com praticamente 100% dos mais de 60 mil metros quadrados de área de exposição comercializados. Ao todo, já são mais de 900 marcas expositoras na feira deste ano, para atender os mais diversos segmentos industriais do Brasil —diz a show director do evento, Liliane Bortoluci.

Atrações Confirmadas — Dentro do conceito de feira idealizada para promover o desenvolvimento comercial, econômico, tecnológico e profissional do setor, a Feimec 2022 oferece diversas atrações e experiências exclusivas aos visitantes.

Uma delas é o Parque de Ideias, espaço destinado a conteúdos de relevância sobre o setor industrial, para a atualização profissional da audiência de pequenas, médias e grandes indústrias. Nesta edição, o ambiente conta com o apoio de renomadas instituições do setor, como a própria Abimaq, o IQA (Instituto de Qualidade Automotiva), o nstituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e a Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha(VDI).

Haverá ainda o Demonstrador de Tecnologias da Indústrias 4.0, desenvolvido pela Abimaq e por diversas empresas parceiras da associação, que tem como objetivo apresentar, na prática e em tempo real, os principais conceitos e tecnologias aplicadas à Indústria 4.0. Neste ano, o espaço traz uma proposta ainda mais inovadora: soluções serão apresentadas por meio de cinco clusters, integrando tecnologias de empresas para a aplicação nas necessidades reais do setor.

Outros destaques serão as Rodadas Tecnológicas, em que a Abimaq traz como novidades diversas soluções em tecnologias para empresas interessadas em conhecerem resultados de investimentos em inovação, com potencial impacto no mercado e na criação de novos negócios. O ambiente também promoverá oportunidades e tendências do setor, que poderão ser aplicadas em diferentes áreas, segmentos e usos da indústria.

Fechando a variedade de atrações do evento em 2022, esta edição contará também com o Abinfer Business Center ABC, realizado em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), onde serão apresentadas empresas de ferramentarias com soluções industriais inovadoras.

— Tudo isso será realizado pensando na saúde e no bem-estar de cada um. Estamos preparando um evento seguro para todos, seguindo rigorosos protocolos de proteção, como os estabelecidos no Informa AllSecure. Trata-se de um conjunto de processos de saúde e segurança desenvolvidos pela Informa Markets para seus eventos, de forma que dê toda a tranquilidade e confiança a todos os envolvidos, para que se sintam parte de um ambiente controlado. Tanto é que, entre as medidas determinadas, será obrigatória a apresentação do comprovante do esquema vacinal completo contra a covid-19 para acesso ao evento. Além disso, seguimos também os protocolos firmados pelas autoridades estaduais e municipais —afirma Liliane.

Jornada Indústria Xperience — A Feimec será o ponto alto de interações da Jornada Híbrida do evento em 2022, que contará com conteúdos e experiências exclusivas no ambiente presencial e digital. Na semana seguinte à feira física, de 9 a 13 de maio, será compartilhada a cobertura das principais atrações da Feimec presencial para a audiência digital, por meio da plataforma online Indústria Xperience.

—E não para por aí. Manteremos a nossa comunidade Indústria Xperience ativa em nossas ações digitais, programadas para o ano todo, de maneira que o setor industrial se mantenha conectado os 365 dias do ano— finaliza a show director da Feimec 2022.

Novos webinars serão disponibilizados mensalmente na plataforma, com temas relevantes e nomes de peso do setor, que trarão muitas atualizações, networking e insights exclusivos de mercado aos profissionais da indústria. Haverá também diversas outras ações digitais no decorrer de 2022, como entrevistas, palestras e muito mais. Em breve, divulgaremos a programação completa.

. 3ª Feimec - Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos, de 03 a 07 de maio de 2022, sendo de terça a sexta-feira, das 10 às 19 horas e de sábado, das 9 às 17 horas, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center. Iniciativa: Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Promoção e Organização: Informa Markets Brasil. | Site: www.feimec.com.br/pt/HOME.html

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   11/04/2022

A inflação medida pelo Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,99% em março, após alta de 0,56% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumula variação de 15,75% em 12 meses, frente a 16,28% até fevereiro.

O custo nacional da construção por metro quadrado foi de foi de R$ 1.549,07 em março, sendo R$ 927,28 relativos aos materiais e R$ 621,79 à mão de obra. Em fevereiro, esse custo totalizava R$ 1.533,96 em fevereiro, sendo R$ 922,86 relativos aos materiais e R$ 611,10 à mão de obra.

A parcela dos materiais subiu 0,48%, numa queda de 0,29 ponto percentual em relação ao mês anterior (0,77%). Foi o menor índice desde julho de 2020. Em relação ao índice de março de 2021 (2,20%), houve queda significativa de 1,72 ponto percentual (p.p.).

Já a parcela da mão de obra, com taxa de 1,75%, apresentou alta de 1,52 ponto percentual frente ao índice de fevereiro (0,23%). Comparado a março de 2021 (0,47%), houve alta de 1,28 ponto percentual.

NAVAL

Consultor Jurídico - SP   11/04/2022

O governo promoveu no último dia 30 de março a mais arrojada rodada de leilões de privatização portuária da era republicana, desde a "primeira" Lei dos Portos (Lei 8.630/1993), não exatamente pelos valores envolvidos — que por si só não são desprezíveis —, mas pela mudança de paradigma, com a inauguração de uma nova modelagem jurídica para o setor.

Nos leilões, realizados em sessão na B3, foram concedidos à iniciativa privada a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), englobando os Portos de Vitória e Barra do Riacho, e mais três terminais: um de grãos no Porto de Santos (Terminal STS 11); um de carga geral no Porto de Suape (Terminal SUA 07), em Pernambuco; e um de granel no Porto de Paranaguá (Terminal PAR 32), no Paraná. Essas concessões totalizam mais de R$ 170 milhões em outorgas (pagamentos ao Tesouro), além de contribuições variáveis sobre as receitas ao longo de 25 anos de contrato, prorrogáveis por mais cinco.

Os investimentos em modernização e ampliação contratados são da ordem de R$ 1 bilhão, ao longo do prazo de concessão, somando projetos no âmbito da Codesa e nos outros três terminais leiloados. Entre os novos controladores, há investidores nacionais e estrangeiros, caso do grupo chinês Cofco, que arrematou o terminal santista sem concorrentes. No caso da disputa pela Codesa, vencida pela Quadra Capital, por meio de um Fundo de Investimento e Participações (FIP), superando o consórcio formado por Vinci Partners e Serveng, os aportes serão bem mais significativos.

Além da outorga de R$ 106 milhões, a Quadra Capital desembolsará R$ 327 milhões pelas ações da Codesa, arcará com R$ 520 milhões em custo de manutenção e investirá R$ 335 milhões em obras no decorrer da concessão. No entanto, mais do que pelas cifras, o leilão foi emblemático pela mudança da modelagem jurídica. A transferência da Codesa à iniciativa privada inaugura no Brasil um terceiro e inédito modelo de administração portuária, denominado Full Privatize Port, pelo qual o grupo adquirente se responsabiliza tanto pela infraestrutura quanto pela superestrutura do Porto Organizado (público), sem qualquer participação ou interferência do ente público, salvo indiretamente pelas normas regulatórias.

O Full Privatize Port a rigor significa a desestatização da própria "Autoridade Portuária". O modelo é pouco utilizado no Mundo, tendo em vista a importância dada pelos Estados ao controle de entrada e saída de mercadorias em seu território. Mas é também visto por muitos especialistas como o instrumento mais eficaz de se promover uma célere modernização de grandes estruturas portuárias. Deverá ser o modelo das privatizações da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), responsável pelo Porto de Santos, e da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), em leilões previstos para serem realizados ainda este ano.

Nas concessões de terminais em portos públicos no Brasil, prevalecia até hoje o conceito de Landlord Port, a exemplo do que ocorre na maior parte dos países. Por esse modelo, o governo permanece responsável pela infraestrutura (as áreas comuns do chamado Porto Organizado público), cabendo ao setor privado a administração da superestrutura, abrangendo máquinas e equipamentos, bem como o gerenciamento de pessoal e o controle da operação propriamente dita. Esse é o caso dos terminais sob concessão nos Portos Organizados (públicos) brasileiros, inclusive nos de Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá e Salvador, entre outros.

Introduzido pela primeira Lei dos Portos (Lei 8.630/1993), o Landlord Port propiciou a modernização e a ampliação da infraestrutura portuária do país, graças aos pesados investimentos feitos nas últimas três décadas por diferentes concessionários em dezenas de terminais nos nossos principais portos. Representou um grande salto em relação a um modelo arcaico, o Service Port, em que o governo se responsabiliza pela infraestrutura e operação, e é pouco utilizado no mundo, ou mesmo o Tool Port, pelo qual o Poder Público mantém o controle delegando apenas parte da operação à iniciativa privada.

No Brasil, a rigor, o arcabouço que regulamenta a atividade portuária é híbrido, uma vez que, paralelamente aos terminais sob concessão em portos públicos, existem os terminais eminentemente privados, os chamados Terminais de Uso Privado (TUPs). Essas estruturas, disciplinadas pela "nova" Lei dos Portos (Lei 12.815 de 2013), decorrem da implantação de terminais em terrenos de propriedade privada, fora dos Portos Organizados, e que passam a operar em regime de autorização, sob condições estabelecidas pela agência reguladora.

Com a introdução do modelo Full Privatize Port no leilão da Codesa, a questão é saber se o aprofundamento do hibridismo jurídico, com diferentes modelos, trará os resultados esperados, ou seja, uma aceleração na modernização do setor. Um grande desafio será o de compatibilizar a "convivência" entre as partes nos Portos Organizados a serem inteiramente passados à iniciativa privada e onde já existem terminais sob concessão, sobretudo tendo em vista os interesses potencialmente conflitantes entre os atuais concessionários, com direitos adquiridos, e o novo controlador de toda a infraestrutura. Esse será o caso da Codesp, responsável pelo Porto de Santos, onde operam, sob concessão, alguns dos maiores terminais da América Latina.

Uma coisa é certa: a partir dessa nova "arquitetura jurídica" para a desestatização, não se poderá culpar o governo pela falta de ousadia — o que não lhe garante isenção por um eventual aumento da judicialização do setor. De qualquer forma, a manutenção dos investimentos nos portos ganhou uma garantia a mais com a renovação do Reporto — o Regime Tributário de Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária. Isso foi possível graças à derrubada pelo Congresso, no último dia 25 de março, do veto presidencial à prorrogação do regime especial.

O Reporto foi instituído em 2004 e vinha sendo renovado a cada cinco anos, até dezembro de 2020, quando expirou e não teve mais prorrogação. Inserido no PL 4.199 de 2020, de estímulo à cabotagem (conhecido como BR do Mar, convertido na Lei 14.301/2022), sua manutenção é fundamental para que os vultosos investimentos do setor, projetos financeiramente complexos, se concretizem. O regime suspende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto de Importação (II), de PIS e Confins, além de dar outros benefícios tributários na compra de equipamentos para investimentos em portos e ferrovias.

No caso do Imposto de Importação, a suspensão é dada quando não houver similar nacional. Sem o regime, os investimentos no setor portuário tornam-se até 30% mais caros, segundo entidades do setor, comprometendo todo o planejamento de longo prazo. Vários projetos ficaram paralisados no último ano à espera de uma definição. O veto presidencial à sua prorrogação dentro do BR do Mar teve como justificativa o risco de inconstitucionalidade em função de uma renúncia fiscal com forte impacto orçamentário e sem previsão de receita compensatória.

Com a derrubada do veto pelo Congresso, o risco de inconstitucionalidade deixou de ser um problema do Executivo. Do ponto de vista prático, a prorrogação é sem dúvida um fator de desenvolvimento dos portos. Na verdade, o sucesso das desestatizações no setor em grande medida depende de um regime especial de incentivos como o Reporto.

Portos e Navios - SP   11/04/2022

A movimentação cresceu 1,8% nos primeiros dois meses do ano. Portos públicos registraram aumento de 8% no período

O setor portuário nacional (portos públicos e terminais autorizados) movimentou 179,8 milhões no primeiro bimestre deste ano. O número representa crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Antaq e foram divulgados na quinta-feira (7).

De acordo com as estatísticas, os terminais privados movimentaram 120,1 milhões de toneladas em janeiro e fevereiro, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os portos públicos movimentaram 59,6 milhões de toneladas, aumento de 8%.

Um dos destaques foi o Porto de Vila do Conde (PA), que movimentou 27% a mais neste primeiro bimestre do que no anterior. Em 2022, a instalação paraense movimentou três milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Madre de Deus (BA) movimentou 3,2 milhões de toneladas, aumento de 16%.

Em relação aos perfis de carga, as instalações portuárias movimentaram 99 milhões de toneladas de granel sólido nos primeiros dois meses, crescimento de 3,9% em relação ao primeiro bimestre de 2021. A movimentação de granel líquido caiu 3,2%. Neste ano, foram movimentados 49,8 milhões de toneladas. A carga geral solta cresceu 19,8%, chegando a 11,3 milhões de toneladas. A carga conteinerizada registrou queda de 3,9% em relação ao primeiro bimestre de 2021. Em janeiro e fevereiro acumulados, foram movimentados 19,7 milhões de toneladas (1,8 milhão de TEUs).

Cargas

O minério de ferro foi a carga mais movimentada nesse início de ano. Em janeiro e fevereiro, movimentaram-se 49,4 milhões de toneladas: recuo de 8%. Soja, trigo e adubos (fertilizantes) cresceram 55,8%, 29,1% e 27,8%, respectivamente.

Ranking das Instalações Portuárias

O Terminal de Ponta da Madeira (MA) foi a instalação que mais movimentou nos primeiros dois meses do ano: 26 milhões de toneladas, recuo de 8,75% em relação ao mesmo período de 2021. Em segundo lugar, apareceu o Porto de Santos (SP), que movimentou 17,9 milhões de toneladas, crescimento de 14,2%. Na terceira posição, ficou o Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ), com 11 milhões de toneladas movimentadas (- 0,1%).

Navegações

A navegação de longo curso movimentou 122 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2022, crescimento de 3,2% em comparação com igual período de 2021. A cabotagem movimentou 46,3 milhões de toneladas, recuo de 3,4%. Já a navegação interior cresceu 10,2%, com 11 milhões de toneladas em janeiro e fevereiro acumulados.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   11/04/2022

A diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou hoje (8) a prorrogação por mais 15 dias da consulta pública que trata do edital de Chamada Pública Incremental para a contratação de capacidade incremental de transporte de gás natural no Gasoduto Itaboraí-Guapimirim (GASIG). Para participar da consulta pública, acesse esta página da ANP.

O GASIG terá uma extensão de 11 km e capacidade nominal de 18,2 milhões de m³/dia. O objetivo com a construção da linha é viabilizar a movimentação do gás natural oriundo do gasoduto Rota 3 e processado nas unidades de processamento de gás natural (UPGNs) do Polo Gaslub (antigo Comperj) até o sistema integrado de transporte de gás natural.

A linha será interligada com o Gasoduto Cabiúnas-REDUC (GASDUC III) na altura do km 143,7, em Guapimirim. O edital em discussão na consulta pública prevê a identificação da demanda pelo serviço de transporte dutoviário de gás natural ofertado e a contratação da capacidade de transporte na modalidade firme no Ponto de Entrada Itaboraí por 15 anos a partir de 1º de março de 2023.

“Devido à transição para um novo modelo de reserva de capacidade de transporte no Brasil e de tarifação dessa capacidade, é fundamental a participação dos agentes na discussão das cláusulas e documentos utilizados no Processo de Chamada Pública, uma vez que eles apresentam as tarifas de referência aplicáveis ao serviço de transporte firme objeto da contratação”, explicou a ANP.

A agência disse que depois de avaliar as sugestões recebidas na consulta pública, haverá a aprovação da minuta de edital e, como anexo, da minuta do contrato de transporte pela diretoria da ANP. Também deverão ser aprovadas a receita máxima permitida a ser auferida pela NTS com esse projeto e as tarifas de referência aplicáveis ao serviço de transporte firme a ser contratado por meio da Chamada Pública, que está sendo feita de maneira indireta pela Nova Transportadora do Sudeste S.A. (NTS).

O Estado de S.Paulo - SP   11/04/2022

O petróleo WTI para maio fechou alta de 2,32% (US$ 2,23), a US$ 98,26 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex)

O petróleo fechou em alta nesta sexta-feira, mas acumulou perdas ao longo da semana. Operadores reavaliam os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia, diante de notícias de liberação de reservas estratégicas da commodity pela Agência Internacional de Energia (AIE) e Estados Unidos. O lockdown em Xangai também esteve no radar.

O petróleo WTI para maio fechou alta de 2,32% (US$ 2,23), a US$ 98,26 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o Brent para junho subiu 2,19% (US$ 2,20), a US$ 102,78 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Os contratos acumularam perdas de 1,01% e 1,54%, respectivamente, na semana.

A Capital Economics destaca que as recentes liberações de reservas de petróleo têm adicionado pressão sobre os preços do petróleo. Ainda assim, a consultoria avalia que tais lançamentos no mercado “são mais um esparadrapo do que uma solução”. Mesmo ajudando a compensar as menores exportações pela Rússia, essa também é uma medida de último recurso e aponta para preocupação generalizada de cortes na oferta, avalia a Capital. Em relatório, a consultoria lembra que os estoques são finitos e que, em algum momento, a produção de petróleo terá que subir caso a commodity russa seja permanentemente banida por compradores do Ocidente.

Valor - SP   11/04/2022

Empresa é operadora dos Polos Macau, Areia Branca e Rio Ventura e detém participação de 35% no Polo Pescada, que é operado pela Petrobras

A produção média consolidada da 3R Petroleum somou 10.143 barris de óleo equivalente por dia (boed) em março de 2022, segundo dados preliminares divulgados pela empresa. Desse total, a parcela referente à 3R atingiu uma produção média diária de 9.396 boed.

A 3R é operadora dos Polos Macau, Areia Branca e Rio Ventura e detém participação de 35% no Polo Pescada, este último operado pela Petrobras, diz a empresa, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A companhia destaca que o Polo Macau teve produção de 7.453 boed em março, toda da 3R. Já o Polo Pescada e Arabaiana registrou produção de 1.150 boed, com a participação da 3R somando 402 boed. Por sua vez, o Polo Rio Ventura teve produção de 1.102 boed, enquanto no Polo Areia Branca a produção somou 439 boed, toda da 3R.

No primeiro trimestre de 2022, a produção dos quatro polos somou 9.962 boed, alta de 45,8% ante os 6.832 boed produzidos em igual período do ano anterior. A fatia referente à 3R totalizou 9.164 boed, avanço de 67,9% na mesma base de comparação, após a produção de 5.458 boed no primeiro trimestre de 2021.

Segundo a 3R, os dados de produção do Polo Fazenda Belém, do Polo Recôncavo, do Polo Potiguar, de 70% do Polo Peroá e 43,75% do Polo Papa-Terra serão incorporados assim que os processos de transição junto à Petrobras sejam concluídos e aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   11/04/2022

A produção de grãos no Brasil na safra 2021/22 poderá atingir 269,13 milhões de toneladas, o que representa 5,4%, ou 13,8 milhões de toneladas, a mais em comparação com a safra anterior 2020/21 (255,51 milhões de t). Os números fazem parte do sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 7.

Em comparação com o primeiro levantamento da estatal para a atual safra 2021/22, quando a previsão era de 288,6 milhões de toneladas, o volume representa uma redução de 6,7%, ou 19,3 milhões de toneladas. A queda pode ser atribuída em grande parte às "condições climáticas adversas observadas nos Estados da Região Sul e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, com perdas maiores na soja e no milho".

De acordo com o levantamento, a área plantada total no País está estimada em 72,9 milhões de hectares, ou seja, crescimento de 4,4% ante a safra 2020/21. Os maiores incrementos de área são observados na soja, com 4,1%, ou 1,6 milhão de hectares e, no milho, com 6,5% ou 1,3 milhão de hectares.

Em comunicado, o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, disse que "o resultado até o fim desta safra vai depender muito do comportamento climático, fator preponderante para o desenvolvimento das culturas". "Entre os meses de março e abril, aproxima-se a conclusão da semeadura da segunda safra brasileira, na qual se destaca a cultura do milho. As chuvas foram mais regulares em toda a região produtora, inclusive no Sul do País, o que permitiu o plantio em boas condições de umidade. O produtor fez sua parte. Agora vamos esperar pelo clima", acrescentou.
Soja

Nos resultados por cultivo, a soja tem produção prevista em 122,43 milhões de toneladas, uma redução de 11,4% em relação à safra anterior (138,15 milhões de t). “As boas precipitações ocorridas em praticamente todo o país ajudaram na recuperação de uma pequena parcela de lavouras semeadas tardiamente na Região Sul e em Mato Grosso do Sul, mas não reverteram o quadro de queda da produtividade, já anunciado em levantamentos anteriores”, comentou na nota o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen.

“O Rio Grande do Sul segue como o Estado mais atingido pelo déficit hídrico, seguidos por Paraná e Mato Grosso do Sul. Em cenário oposto, a maioria dos outros Estados conseguiu produtividades superiores às obtidas na última safra, com destaque para o Piauí, com rendimento positivo de 12,7%. No entanto, a queda na produção do País foi amenizada principalmente pelo aumento de 4,1% da área semeada, alcançando 40,8 milhões de hectares nesta safra", destacou De Zen.
Milho

Para o milho, a produção total estimada é de 115,60 milhões de toneladas, 32,7% superior ao ciclo anterior (87,10 milhões de t). A colheita da 1ª safra do cereal, de verão, está adiantada e pode alcançar 24,89 milhões de t (mais 0,6% ante 2020/21, que foi de 24,73 milhões de t). A segunda safra, de inverno, ou safrinha, predomina a fase de desenvolvimento a colheita pode atingir 88,54 milhões Det ante 60,74 milhões de t em 2020/21, alta de 45,8%. Já a 3ª safra inicia o plantio a partir da segunda semana de abril, com previsão de colheita de 2,18 milhões de t, aumento de 33,9% ante a anterior (1,63 milhões de t).

Apesar do aumento no volume total de milho, a Conab destaca a forte queda de 20,4% na produtividade da região Sul durante a primeira safra, fato que causou uma redução de até 15,6% da produção naquela região. “Isso é explicado por um severo déficit hídrico causado pela ausência de chuvas no Sul do País ao fim de 2021 e início de 2022”, esclarece a superintendente de Informações da Agropecuária, Candice Santos. Em contrapartida, ela ressalta que a Conab projeta um aumento de 36,3% da produtividade do milho ao longo da segunda safra, dado que permitirá uma produção de 88,5 milhões de toneladas do cereal no segundo ciclo”.
Outras culturas

Em outras culturas, como o algodão, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento, aliadas ao ganho de área, o que deve resultar numa produção de 2,83 milhões de toneladas da pluma, 19,9% superior à safra passada (2,36 milhões de t).

Para o feijão é previsto um total de 3,1 milhões de toneladas, 7,6% superior à safra anterior (2,89 milhões de t). A primeira safra da leguminosa está com a colheita encerrada (933 mil t ante 976,4 mil t, ou queda de 4,4%); a segunda está em andamento (previsão de 1,37 milhão de t, aumento de 20,3% ante a anterior, que foi de 1,14 milhão de t) e a terceira safra com o plantio ocorrendo a partir de meados de abril (projeção de colheita de 812,2 mil t , ou crescimento de 4,2% ante 2020/21, que foi de 779,6 mil t).

Já no caso do arroz, a produção estimada é de 10,53 milhões de toneladas, 10,5% inferior ao volume da safra passada (11,77 milhões de t), dos quais 9,7 milhões de toneladas de cultivo irrigado e 0,8 milhão de toneladas com o plantio de sequeiro.

Nas culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada trigo e triticale), a semeadura ainda é incipiente. A produção de trigo deve atingir 7,91 milhões de toneladas para o trigo, aumento de 3% sobre a safra do ano passado (7,68 milhões de t).
Exportação e estoque

Neste levantamento de abril, a Conab manteve a estimativa para 2022 das exportações de algodão em 2,05 milhões de toneladas, de arroz em 1,3 milhão de toneladas e de feijão em 200 mil toneladas. Para o trigo, considerando que a previsão de volume exportado entre agosto de 2021 e março de 2022 já supera 2,8 milhões de toneladas, é esperado um aumento no período correspondente ao ano comercial que vai até julho. Diante disso, a estimativa é que sejam exportadas 3 milhões de toneladas. Confirmado esse número, será o recorde da série histórica para o trigo.

Em compensação, para a soja houve redução no volume estimado de exportações, passando de 80,16 milhões de toneladas para 77 milhões de toneladas, motivada por um maior direcionamento para a produção e exportação de óleo, em detrimento do grão. Já em relação ao milho, a venda externa deve passar de 35 milhões de toneladas para 37 milhões de toneladas neste levantamento. “Acreditamos que o aumento da produção brasileira, alinhada à demanda internacional aquecida, deverá promover essa elevação de 77,8% das exportações do grão na safra 2022, compreendida entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023”, avalia o superintendente de Estudos de Mercado e Gestão da Oferta da Conab, Allan Silveira.

Em relação aos estoques finais esperados para as principais commodities brasileiras, o superintendente confirma que, no caso do milho, as alterações não foram significativas, sendo o estoque de passagem para a safra 2021/22 previsto em 10,84 milhões de toneladas, aumento de 5,16% em relação ao último levantamento e de 40,61% em relação à safra 2020/21, em consequência da perspectiva de recuperação da segunda safra. Para a soja em grãos, é esperado que o estoque ao final deste ano seja de 2,5 milhões de toneladas, praticamente em estabilidade em relação ao último levantamento, dado que o maior esmagamento, que saiu de 42,93 milhões de toneladas no mês de março para 46,5 milhões de toneladas nesse levantamento, foi compensado pela redução nas exportações de grãos previstas.

Globo Rural - SP   11/04/2022

O retorno das feiras presenciais neste início de ano animou os fabricantes de máquinas e implementos agrícolas. “Os negócios foram acima das expectativas e o público presente surpreendeu e mostrou confiança”, afirma João Carlos Marchesan, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). As feiras mostraram a resiliência do agricultor após a estiagem que provocou quebra da safra na Região Sul.

Realizada entre 7 e 14 de fevereiro em Cascavel (PR), a Show RuralCoopavel movimentou R$ 3,2 bilhões em negócios e superou os R$ 2,7 bilhões registrados na última edição, em 2020. O presidente daCoopavel, Dilvo Grolli, diz que o resultado surpreendeu, pois o público esperado, que era de até 150 mil pessoas, fechou em 285 mil.  A projeção inicial era de 400 expositores e atingiu 585.

Outra grande feira que abriu o calendário foi a Expodireto Cotrijal, realizada de 7 a 11 de março em Não--Me-Toque (RS). Nei Manica, presidente da Cotrijal, comemora o faturamento total de R$ 4,9 bilhões, do quais R$ 4,37 bilhões correspondem às intenções de negócio
protocoladas junto aos bancos oficiais e das fábricas. O movimento praticamente dobrou em relação a 2020, quando as vendas somaram R$ 2,65 bilhões, com participação de R$ 2,25 bilhões nas intenções de negócios na área de máquinas e implementos agrícolas.

Presente nas duas feiras, Fernando Gonçalves, presidente da Jacto, diz que, apesar dos prejuízos provocados pela seca, os agricultores buscaram novas tecnologias. O diretor de mercado Brasil da New Holland Agriculture, Eduardo Kerbauy, diz que 2022 é o ano de retomada das atividades e que é preciso superar entraves nos fornecimentos de peças e fretes, além do aumento dos preços dos insumos, mas “o setor deve crescer de forma contínua e sustentável”.

“Os preços das commodities, safras recordes e o impacto positivo do câmbio fazem com que o produtor continue investindo em máquinas para ter maior produtividade”, afirma o diretor de vendas da Massey Ferguson (AGCO), Alexandre Stucchi. A expectativa é grande em relação à Agrishow, principal exposição do agro brasileiro, que será realizada entre 25 e 29 de abril, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Após dois anos de cancelamentos, por causa da
pandemia de Covid-19, a organização aposta que os agricultores estejam ávidos por inovações tecnológicas para melhorar a produtividade, eficiência, sustentabilidade e rentabilidade no campo.

“Será um show de novidades, já que, apesar da pandemia, as indústrias de máquinas e implementos não pararam suas produções e os engenheiros continuaram desenvolvendo novas tecnologias que agora chegam aos agricultores”, promete o presidente da Agrishow, Francisco Matturro. Nem as recentes realizações da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), e do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), preocupam. “Essas feiras foram bem, mesmo com a longa estiagem e perda de safra no Paraná e no Rio Grande do Sul, por isso a nossa expectativa para a Agrishow é positiva”, emenda Matturro

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