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11 de Fevereiro de 2021

SIDERURGIA

Como a decadência de uma siderúrgica da Venezuela ajuda o Brasil a conseguir oxigênio contra a Covid-19

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Globo Online - RJ   11/02/2021

CIDADE DE GUAYANA - Quando o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na semana passada uma segunda remessa de oxigênio para ajudar o Brasil a tratar pacientes com Covid-19, ele atribuiu à "classe trabalhadora" da siderúrgica estatal Sidor o gesto de solidariedade.

Maduro se aproveitou dos envios para o Amazonas, cujos hospitais no mês passado ficaram sem oxigênio devido a um grave surto, para fazer um contraste entre o que ele chama de benefícios do modelo socialista da Venezuela e o direitismo radical do presidente Jair Bolsonaro.

Mas o presidente venezuelano não mencionou o motivo pelo qual a Sidor tinha oxigênio de sobra: a produção de aço, que usa o oxigênio como insumo, quase parou por completo na usina, após anos de declínios constantes desde a nacionalização da empresa pelo ex-presidente Hugo Chávez, antecessor do atual presidente.

— Se as siderúrgicas estivessem em plena produção, não haveria capacidade de envuar oxigênio — disse José Luis Alcocer, trabalhador com 34 anos de serviço na Siderúrgica del Orinoco (Sidor).

Fornos de oxigênio são usados para fundir ferro e ligas em aço. Hoje em dia, no entanto, as instalações de aço da Sidor operam apenas intermitentemente. A planta produziu 17 mil toneladas de aço líquido em 2020, menos de 1% de sua capacidade de 5,1 milhões de toneladas, de acordo com documentos da empresa vistos pela Reuters.

— Está tudo parado — disse um trabalhador da fábrica, que pediu para não se identificar por medo de retaliação. — A única área operacional, que é a usina de pelotização, usa nitrogênio e não oxigênio.

As disputas trabalhistas e a deterioração das instalações da usina por falta de investimento levaram à queda da produção desde que o governo a nacionalizou em 2008 do conglomerado siderúrgico Ternium, controlado pelo Grupo Techint, da Argentina.

A Sidor retomou as atividades de uma das plantas produtoras de oxigênio em abril de 2020, depois de ter ficado parada por mais de 15 meses. A siderúrgica passou então a fornecer oxigênio para hospitais nas proximidades da usina, perto de Ciudad Guayana, no Sul da Venezuela, às margens do rio Orinoco.

Como resultado, os dois principais hospitais da cidade têm suprimento de oxigênio suficiente no momento, disse Hugo Lezama, secretário de uma associação médica local. O sistema de saúde da Venezuela se deteriorou substancialmente nos últimos anos em meio a uma crise econômica, deixando os hospitais mal equipados para lidar com a Covid-19.

Embora em Ciudad Guayana existam tanques de oxigênio em alguns hospitais, o mesmo não ocorre em outros centros de atendimento.

Por vezes, ocorrem interrupções no fornecimento de oxigênio no hospital Ruiz Páez, a cerca de 100 quilômetros a oeste de Ciudad Bolívar, afirmou Camilo Torres, vice-presidente de uma associação de enfermeiras de uma cidade próxima a Ciudad Guayana.

— Há pacientes que aguardam para serem operados, ou para entrarem na sala de cirurgia. Partos e outras intervenções de emergência são adiadas — acrescentou Torres.

O Ministério da Informação não respondeu a um pedido de comentários.

A Venezuela, com uma população de cerca de 25 milhões de pessoas, relatou oficialmente cerca de 131.096 casos da Covid-19 e cerca de 1.247 mortes, embora muitos políticos e médicos questionem os números. O Brasil, com uma população de cerca de 211 milhões, registra 9,5 milhões de casos e 231.534 mortes, o segundo maior nível atrás dos Estados Unidos.

Maduro se referiu à crise na Amazônia como "o desastre da saúde de Bolsonaro". O presidente brasileiro respondeu dizendo que o oxigênio da Venezuela é bem-vindo, mas que Maduro deve se concentrar em cuidar dos venezuelanos.

Menos

ECONOMIA

Brasil perde R$ 4,6 bi em exportações com barreiras comerciais, estima CNI

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

BRASÍLIA - As medidas de defesa comercial adotadas contra o Brasil em 2020 farão com que o país deixe de exportar US$ 856,8 milhões por ano (R$ 4,6 bilhões). O cálculo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em levantamento repassado com exclusividade ao Estadão/Broadcast.

De acordo com o estudo, em 2020, 27 medidas de defesa comercial foram aplicadas contra o Brasil por 12 países. O maior impacto é justamente das ações adotadas pelos Estados Unidos, que, no ano passado, era presidido por Donald Trump, de quem o colega brasileiro Jair Bolsonaro dizia ser aliado.

Os EUA aplicaram sete medidas no período com impacto potencial de US$ 636 milhões por ano (R$ 3,4 bilhões). México (US$ 138 milhões), África do Sul (US$ 54 milhões) e União Europeia (US$ 17,5 milhões) também estão na lista.

“Historicamente, os Estados Unidos sempre foram muito ativos na defesa comercial e, durante a última administração, isso foi ainda mais forte. Em 2020, como foi um ano eleitoral, houve uma pressão ainda maior pela adoção de medidas”, explica o gerente de Negociações Internacionais da CNI, Fabrizio Panzini.

As medidas de defesa comercial são autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) quando um governo entende que há concorrência desleal em determinado mercado. Mas devem seguir regras do organismo, como abertura de investigação, comunicação aos governos e empresas atingidos e possibilidade de defesa.

Podem ser adotadas salvaguardas– quando um país eleva o imposto de importação de forma igual para todos os países exportadores de um determinado produto por considerar que há prejuízo ou ameaça à indústria nacional – medidas antidumping - sobretaxa aplicada quando o governo entende que um produto está sendo exportado por um preço menor do que o cobrado no mercado interno - e medidas compensatórias para neutralizar subsídios à exportação.

Para a CNI, o governo brasileiro precisa ser “mais enérgico” na defesa comercial do País. “O governo tem monitorado os casos e feito um trabalho articulado junto ao setor privado em relação a isso. Mas é preciso uma ação diplomática mais enérgica junto aos outros países”, afirma Panzini.

Ele defende que sejam dadas respostas mais rápidas às investigações abertas. Além disso, diz que o Brasil deveria ainda rever a atual política de defesa comercial para proteger a indústria doméstica. Como mostrou matéria do Estadão/Broadcast publicada em dezembro, o número de novas medidas antidumping caiu de 17 em 2016 para zero em 2020.

“O mundo tem aumentado práticas de subsídios e dumpings e aplicado cada vez mais medidas de defesa comercial. Temos que reavaliar nossa política e avaliar se estamos alinhados com o resto dos países”, completou.

Procurado, o Ministério da Economia informou, em nota, que o governo brasileiro trabalha ativamente no apoio a exportadores brasileiros em investigações de defesa comercial por outros países.

“Um exemplo recente, por exemplo, foi a não imposição pelo governo dos Estados Unidos de direito antidumping às exportações brasileiras de madeira, processo de investigação que teve acompanhamento ativo do Ministério da Economia e dos Ministério das Relações Exteriores na defesa dos exportadores brasileiros”, lembrou.
Produtos

De acordo com a confederação, as ações adotadas em todo o mundo podem afetar 233 produtos, sobretudo no setor de siderurgia, o mais atingido pelas medidas de defesa comercial. Afetam o setor 17 medidas adotadas no ano passado, que atingem 99 produtos, o que faz com que as siderúrgicas deixem de exportar US$ 417 milhões (R$ 2,2 bilhões) por ano.

“Existe no mundo todo um excesso de capacidade muito elevado na Ásia, sobretudo na China, mas ainda assim o setor continua sendo muito estimulado por subsídios. Por isso, os países acabam aplicando medidas de defesa comercial que acabam afetando muito o Brasil”, completou Panzini.

Em relação ao impacto, o segundo setor mais afetado foi o de madeira, com duas investigações que atingem nove produtos e têm o potencial de reduzir em US$ 386,5 milhões (R$ 2 bilhões) a exportação anual da área, segundo a CNI.

Menos

Real cai 16,6% ante o dólar na pandemia, enquanto demais moedas emergentes sobem 1,7%

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

O real tem apresentado desde o início da crise da covid-19 comportamento descolado ante as demais principais moedas emergentes. Enquanto a divisa brasileira cede 16,6% ante o dólar desde março do ano passado, uma cesta que representa 16 dessas nações registra avanço de 1,7%. Entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2020 - antes, portanto, da pandemia - essas divisas tinham comportamento semelhante. A conclusão é de um estudo realizado pela Austin Rating, a qual o Estadão/Broadcast teve acesso.

No estudo, as moedas de 16 países emergentes - China, Índia, Rússia, Indonésia, México, Arábia Saudita, Polônia, Tailândia, Filipinas, Malásia, Bangladesh, África do Sul, Colômbia, Romênia, Chile e Peru - formam um índice de referência ponderado pelo PIB de cada um dos países. Esse indicador tem base 100 em 2 de janeiro de 2018.

Dessa data até fevereiro de 2020, a Austin constatou que o real acompanhou efetivamente o comportamento das demais moedas emergentes. A partir de 2 de março de 2020, contudo, a covid-19 começou a ganhar força pelo globo e o descolamento teve início.

São apresentados dois cenários: o primeiro mostrando a cotação nominal do real e o segundo o quanto estaria cotada a moeda brasileira se ela tivesse acompanhado os emergentes. Desta forma, pelas contas da Austin, caso mantivesse o mesmo ritmo que os pares, a moeda americana teria fechado a R$ 4,40 no mercado à vista na última sexta-feira. Na data, a divisa encerrou a R$ 5,39.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, além de fatores globais, como a pandemia, o Brasil tem um conjunto de condições internas que causa esse descolamento. "Podemos citar como principais fatores a taxa de juros baixa, o alto risco fiscal, a saída de investidores do País, o ambiente político conturbado e a demora na aprovação de medidas econômicas importantes", destaca.

Agostini lembra que, em março, com a pandemia, todos os países tiveram de aumentar os gastos para conter a crise da covid, que paralisou a economia mundial. Gradualmente, contudo, os emergentes da lista tiveram uma volta mais rápida das atividades e, consequentemente, suas moedas se valorizaram ante o dólar. Embora o Brasil tenha tido recuperação também, a situação fiscal tornou-se mais delicada.

O economista aponta que, embora com endividamento em alta, os países emergentes dessa lista têm uma perspectiva de equilíbrio da dívida ao longo do tempo, honrando compromissos e gerando confiança para os investidores.

"Esse cenário é diferente do Brasil, que, com toda a crise fiscal, gera dúvidas. Desde o início da pandemia, surgiu a preocupação de quais planos o governo brasileiro teria para combater o aumento de gastos e, no fim, não existe nada. Então, os investidores ajustam sua posição e desvalorizam o real", afirma Agostini.
Panorama

Agostini evita fazer projeção de quando a taxa de câmbio brasileira vai se reaproximar das dos demais emergentes. Mas ele pondera que, se as reformas forem aprovadas no Congresso, entre o final de 2021 e começo de 2022, o real voltará a se valorizar internacionalmente.

"É impossível projetar o comportamento do câmbio, que depende de inúmeras variáveis. Mas nós sabemos quais são os fatores que causaram essa desvalorização. Dessa forma, podemos concluir que, na medida que esses fatores forem mitigados, com a aprovação de pautas econômicas importantes, como a PEC Emergencial e a reforma tributária, há grande expectativa de que o real se valorize e se aproxime da curva dos países emergentes", explica Agostini.

Além do cenário político, o economista aponta que os juros também são um fator importante. Em janeiro, o Copom 'adotou um tom mais duro', dando brecha para um aumento em breve da taxa Selic, o que revela a possibilidade de um cenário mais positivo para o real.

Menos

China ganha terreno na América Latina

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IstoÉ Dinheiro - SP   11/02/2021

Pequim investe em projetos de infraestrutura na região, e sua influência continua crescendo. Agora se volta também ao México.Minas de metais preciosos, linhas ferroviárias e usinas hidrelétricas: a gama de projetos com financiamento chinês na América Latina é ampla. No início dos anos 2000, a potência emergente da Ásia descobriu a região do outro lado do Pacífico como um mercado de vendas, fonte de matéria-prima e destino de investimentos. Mas, depois de um verdadeiro boom chinês, especialmente na América do Sul, o interesse da China pela região pareceu diminuir.

De acordo com um estudo da Universidade de Boston e da organização sem fins lucrativos Inter-American Dialogue, com sede nos EUA, Pequim e seus bancos de desenvolvimento investiram em média 1,7 bilhão de dólares por ano na América Latina entre 2005 e 2015. Desde 2016, esse número vem caindo, para 275 milhões de dólares em 2019. E em 2020 a China não concedeu um único empréstimo na América Latina.

Durante o mesmo período, o comércio de mercadorias também enfraqueceu: entre 2000 e 2013, o comércio bilateral cresceu em média 30% ao ano, no meio tempo chegou a diminuir, só retornando aos níveis de 2014 em 2019.

Dependência mútua

Margaret Myers, uma das autoras do estudo, não vê isso como um verdadeiro resfriamento. “Muitos países latino-americanos tiveram dificuldades econômicas”, diz a chefe do programa da China e da América Latina na organização Inter-American Dialogue.

As relações já são intensas demais para que haja grandes mudanças de rumo, diz Myers: “Se, digamos, o fornecimento de soja da Argentina e do Brasil vacilar, os governos de ambos os lados terão um grande problema”. Por sua vez, o Brasil já fornece quase 100% de sua safra de soja para a China, afirma. “A relação comercial é saudável, mas é improvável que vejamos taxas de crescimento como uma década atrás”, diz Myers.

China apostou em regimes de esquerda

No entanto, quando se trata de investimentos diretos, aparentemente está ocorrendo uma mudança na forma de pensar dos chineses. Durante anos, o país havia concedido enormes empréstimos, especialmente a governos de esquerda, inclusive os do Equador, Argentina, Brasil e − acima de tudo − Venezuela.

Quase metade do dinheiro que a China emprestou à região entre 2005 e 2019 foi para o regime socialista de Caracas, que deveria usá-lo para expandir a produção de petróleo, entre outras coisas, a fim de pagar suas dívidas. “Em vez disso, a produção de petróleo caiu desde então para 20% a 25%”, observa Harold Trinkunas, especialista em América Latina da Universidade de Stanford nos EUA. “A China poderia se decepcionar amargamente com a América Latina, como já aconteceu com muitos doadores internacionais.”

Segundo Margaret Myers, a mídia chinesa evita mencionar a Venezuela, talvez porque a liderança do partido esteja esperando que o investimento ainda compense no longo prazo.

Riscos em investir

Críticos costumam acusar os Estados Unidos e a Europa de assistirem sem reação à expansão da China na América Latina. Mas há boas razões para os investidores ocidentais relutarem em investir na região. Embora a Venezuela possa ser um caso extremo, é sabido que investir na América Latina acarreta altos riscos comerciais e políticos.

Os compradores de títulos do governo argentino já tiveram más experiências. Um exemplo é a empresa petrolífera espanhola Repsol, cuja participação na subsidiária argentina YPF foi expropriada por Buenos Aires em 2012. Já a aventura de construir uma siderúrgica no Brasil custou ao tradicional grupo alemão ThyssenKrupp cerca de 10 bilhões de euros. E esses são apenas dois exemplos.

Também a China já teve experiências negativas. Isso levou Pequim a repensar seus investimentos, quase não concedendo mais empréstimos de governo a governo, aponta Myers. O investimento direto das empresas chinesas, por exemplo, em projetos de infraestrutura nos setores de energia ou transporte, ganharam em importância. “Apesar de ter cada vez mais experiência com a América Latina, a China continua sendo surpreendida por problemas”, conta Myers.

Clara vantagem para ambas as partes

Pequim, entretanto, aceita esses riscos, esperando obter vantagens políticas. “Assim como em outras regiões do mundo, a China usa empréstimos e investimentos para garantir votos nos órgãos da ONU e apoio a sua política”, explica o pesquisador Harold Trinkunas. “Mas isto funciona principalmente com países pequenos e extremamente endividados.”

No fim de 2018, por exemplo, El Salvador rompeu laços diplomáticos com Taiwan em troca da promessa da China de ajudar o país a construir um estádio, uma biblioteca de vários andares e uma estação de tratamento de esgoto. Antes disso, a República Dominicana e o Panamá já haviam reconhecido a política de “uma China única”, voltando as costas também para os Estados Unidos.

“Pode ser muito útil para países menores colocar as duas superpotências uma contra a outra”, diz Trinkunas. O objetivo dessa troca de lados, diz ele, poderia ser não apenas atrair investimentos chineses, mas também conseguir ainda mais apoio americano em troca.

Muitas vezes, no entanto, a China e suas empresas são simplesmente financiadoras mais atraentes para os governos latino-americanos. E isso apesar de muitas vezes vincularem seus investimentos ao uso de equipamentos e mão-de-obra chineses. Porque, ao contrário de parceiros ocidentais, eles não se importam com direitos humanos, conservação da natureza ou corrupção, diz Trinkunas.

Interesse pelo México

A retirada da China da região, portanto, não está absolutamente à vista. Pelo contrário, Pequim até vem cortejando o governo do México, o único país da região que ainda tem fortes laços econômicos com os EUA. Mas é também uma as poucas nações nas quais a China vem investindo mais.

No início de 2021, o ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou que seu país pretende intensificar a parceria estratégica com a China. No fim de janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou mensagens de rápida recuperação ao chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que contraíra covid-19.

Na crise causada pelo novo coronavírus, a China ajudou muitos países da América Latina, por exemplo, com máscaras de proteção. O Brasil teve um papel importante na pesquisa clínica da vacina chinesa CoronaVac. O Chile deve receber ainda esta semana 2 milhões de doses da vacina chinesa.

“A ajuda da China em tempos de covid-19 é certamente um gesto de solidariedade”, diz Myers. “Mas é também uma oportunidade para apresentar os avanços das empresas chinesas em biomedicina e diagnósticos com inteligência artificial.” Grande parte da ajuda ocorre ainda em nível local, por exemplo, no âmbito da crescente rede global de parcerias de cidades com a China, ressalta Myers.

Da mesma forma como nos níveis econômico e político, isso destaca outro aspecto que distingue a China dos Estados Unidos como parceira dos latino-americanos: “Muitos desses países enfrentam os mesmos problemas e estão abertos a trabalhar em soluções conjuntas”.

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FGV: dúvidas na recuperação econômica mundial impactam indicadores

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Agência Brasil - DF   11/02/2021

As dúvidas sobre a velocidade de uma possível recuperação da economia mundial no primeiro semestre de 2021 e uma grande diversidade entre as regiões provocaram, em fevereiro, uma desaceleração na alta do Barômetro Global Coincidente na comparação com janeiro e um recuo no Barômetro Global Antecedente, que se aproximou do nível de neutralidade.

Enquanto o Barômetro Global Coincidente subiu 1,3 ponto em fevereiro e passou de 96,3 para 97,6 pontos, o Barômetro Global Antecedente registrou queda de 6,9 pontos, indo para 104,1 pontos. Os resultados foram divulgados hoje (10), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Segundo a análise, no horizonte Coincidente, enquanto a região da Ásia, Pacífico&África evolui favoravelmente, áreas da Europa e Hemisfério Ocidental influenciaram negativamente o desempenho. Segundo o Ibre, no Barômetro Antecedente o Hemisfério Ocidental teve comportamento diverso das demais regiões e contribuiu ligeiramente de forma positiva para o agregado.

Para o pesquisador Paulo Picchetti,  da FGV/IBRE, apesar do resultado positivo da região da Ásia, Pacífico&África, nas demais áreas o avanço da pandemia provocou o endurecimento das medidas de isolamento social e, em consequência, a desaceleração de suas contribuições para o Barômetro Coincidente. Segundo o pesquisador, entre os setores, as variações positivas de curto prazo se relacionam à baixa base de comparação, mas a indústria, que vinha recuperando em maior intensidade, voltou a registrar variação negativa na margem.

“Todos os setores e regiões, excetuando o Hemisfério Ocidental, contribuíram negativamente para o Barômetro Antecedente, evidenciando os desafios para que o processo de imunização cumpra seu objetivo dentro do horizonte de planejamento dos próximos meses”, disse.
Regiões e setores

No Barômetro Global Coincidente de fevereiro, a região da Ásia, Pacífico&África contribuiu com 2,1 pontos para a alta, mas o Hemisfério Ocidental e a Europa agiram ao contrário em 0,5 e 0,3 ponto, respectivamente.

Conforme a análise, as dificuldades enfrentadas pelas campanhas de vacinação junto com a chegada de mutações ainda mais infecciosas da covid-19 podem ter influenciado no resultado dessas duas últimas regiões.

Os setores do comércio, serviços e o conjunto de variáveis que refletem a evolução das economias em nível agregado (Desenvolvimento Econômico Geral) contribuíram positivamente para o resultado entre os cinco segmentos da pesquisa. Já os demais setores caminharam em sentido inverso, sendo que o comércio foi a maior contribuição positiva e a indústria o maior peso negativo.

Ainda de acordo com a pesquisa, a região da Ásia, Pacífico&África foi responsável por 70% da queda do agregado do Barômetro Antecedente Global em fevereiro.

O indicador antecipa os ciclos das taxas de crescimento mundial de três a seis meses. Na sequência, ficou a Europa, que provocou impacto negativo com 2,2 pontos, ou 32%. “Os resultados refletem as incertezas sobre a velocidade de recuperação dos países frente ao desafio da imunização global e controle da pandemia. O Hemisfério Ocidental contribui em sentido oposto ao das demais regiões, agora de forma ligeiramente positiva no mês”, informou o Ibre.

Também em fevereiro houve recuo em todos os Barômetros Antecedentes Setoriais. Os mais otimistas, no entanto, continuaram sendo o conjunto de variáveis que refletem a evolução das economias em nível agregado (Desenvolvimento Econômico Geral) e a indústria, com 111,1 e 110,0 pontos, respectivamente, ainda que o último tenha registrado a maior queda entre os setores no mês.

A segunda maior retração entre os Barômetros Setoriais foi do setor de serviços, que ainda não conseguiu recuperar as perdas causadas pela pandemia.
Funções dos barômetros

Os barômetros econômicos globais são um sistema de indicadores que permite analisar o desenvolvimento econômico global, sendo, ainda, uma colaboração do Instituto Econômico Suíço KOF da ETH Zurique, na Suíça, e da Fundação Getulio Vargas (FGV). Enquanto o Barômetro Coincidente reflete o estado atual da atividade econômica, o Barômetro Antecedente emite um sinal cíclico cerca de seis meses à frente dos desenvolvimentos econômicos reais. Esses indicadores se baseiam nos resultados de pesquisas de tendências econômicas realizadas em mais de 50 países. A intenção é ter a cobertura global mais ampla possível.

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Recuperação em ritmo menos intenso

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

A recuperação do mercado de trabalho pode estar perdendo ritmo. É uma conclusão possível da evolução de indicadores calculados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) quando comparados com outras pesquisas da instituição. O objetivo dos indicadores é indicar os rumos desse mercado. No momento, eles não são muito animadores.

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) – que acompanha a evolução do nível de emprego no País – caiu 2,2 pontos em janeiro, para 83,5 pontos. A média do trimestre móvel terminado em janeiro caiu 0,5 ponto, para 84,5 pontos, interrompendo a tendência de alta iniciada em julho.

Para o economista do Ibre/FGV Rodolpho Tobler, a queda sugere que a melhora do mercado de trabalho perdeu ritmo. “A provável desaceleração da atividade econômica no primeiro trimestre e o elevado nível de incerteza ainda não permitem que seja possível imaginar uma melhora desse indicador no curto prazo.”

Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) – que quanto mais alto indica desemprego maior, e vice-versa – cedeu 3,8 pontos em janeiro, para 98,8 pontos. Mas em médias móveis trimestrais mostrou alta de 0,8 ponto, para 100,3 pontos.

Essa variação discrepante e o fato de o indicador estar em nível muito alto recomendam cautela na avaliação da queda em janeiro. É preciso aguardar os próximos resultados, recomenda Tobler, para ter certeza de que houve uma inversão de tendência.

“Mas o fim dos programas do governo (de pagamento de auxílio emergencial, entre outros), a dificuldade que alguns setores ainda encontram na recuperação e a piora dos números da pandemia ainda não sugerem uma expectativa positiva para os próximos meses.”

Dos sete componentes do IAEmp, cinco tiveram queda, com destaque para aqueles que mostram a situação presente na indústria e nos serviços, com recuo, respectivamente, de 8,3 e 6,9 pontos.

Já no ICD, houve piora em todas as quatro faixas de renda familiar. Esse indicador procura captar a percepção das famílias sobre o mercado de trabalho, mas não reflete necessariamente diminuição da procura de emprego motivada por desalento. A classe familiar com renda entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil foi a que mais contribuiu para o resultado.

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MINERAÇÃO

Conselheiro da Vale aciona CVM por proposta de alteração do estatuto

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

A polêmica proposta da Vale de adotar o “voto negativo” na eleição do conselho de administração já chegou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O conselheiro independente da mineradora, Marcelo Gasparino, pede que o órgão regulador do mercado de capitais diga se é ou não regular contar votos contrários de acionistas a um candidato ao colegiado. A petição foi protocolada em 4 de fevereiro.

A Vale propõe que sejam eleitos os nomes com maior número de votos favoráveis, desde que superiores ao total de votos contrários. Gasparino foi um dos dois conselheiros a registrar em ata sua oposição à proposta, aprovada em 28 de janeiro.
Conselheiro apontou decisão contrária da CVM em seu voto

Na manifestação de voto, o conselheiro reproduziu posicionamento da CVM no processo RJ2015/2925, envolvendo a eleição do conselho da Usiminas. A Superintendência de Relações com Empresas da autarquia concluiu que “não há a possibilidade do cômputo de votos contrários na eleição de administradores, devendo este, se eventualmente proferido, ser desconsiderado para fins do quórum de deliberação”. A análise do caso Vale deve ser feita à luz do precedente.

Em uma lista de perguntas sobre a Assembleia Geral Extraordinária que vai deliberar sobre as mudanças, a Vale faz questão de dizer que sua proposta “não é ilegal e não contraria normas ou decisões do colegiado da CVM”. Cita ainda artigo publicado pelo diretor da CVM, Gustavo Machado Gonzalez, em que ele faz referência a um estudo da OCDE, segundo o qual a votação individual ou majoritária, constituiria “a forma mais comum de organizar a eleição do referido órgão em muitos ordenamentos jurídicos: em 65% dos países analisados o conselho de administração é eleito por meio de votação majoritária”.

Menos

PT, PSOL e movimento de atingidos vão ao STF contra acordo bilionário da Vale em Brumadinho

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

Movimentos de apoio aos atingidos pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, e dois partidos, PT e PSOL, entraram nesta quarta, 10, com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a homologação do acordo no valor de R$ 37,68 bilhões fechado pela mineradora para pagamento ao governo de Minas como indenização pela tragédia.

O termo foi assinado no último dia 4. A barragem se rompeu em 25 de janeiro de 2019 matando 272 pessoas. Onze corpos seguem desaparecidos. A principal reivindicação dos representantes dos atingidos é que a aplicação do valor seja discutida com os moradores do município.

Durante protesto na data da assinatura do acordo, em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), onde o termo foi firmado, representantes dos atingidos defenderam que o valor correto a ser pago seria de R$ 54 bilhões, montante apresentado pelo estado no início das negociações.

O Palácio Tiradentes afirma que, dos R$ 37,68 bilhões, R$ 9,17 bilhões vão para programas de transferência de renda. Outra parcela, de R$ 4,7 bilhões, será para reformas em escolas e postos de saúde ao longo do Paraopeba, rio atingido pela lama que desceu da barragem ao se romper.

Do total, ainda segundo o Estado, R$ 6,55 bilhões serão para saneamento básico nos municípios atingidos, R$ 2,055 bilhões irão para captação de água para cidades da Grande Belo Horizonte, R$ 4,95 bilhões para estradas e ampliação do metrô da capital, R$ 4,37 bilhões para melhoria de hospitais e R$ 5,89 bilhões serão reservados para medidas emergenciais.

"Os valores são insuficientes para que as pessoas possam ter minimamente de volta seu modo de vida", afirma Maria Julia Zanon, da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

A ação argumenta que princípios constitucionais foram feridos no fechamento do acordo, como a publicidade do termo e a não participação dos atingidos nas negociações. Os movimentos dizem ainda, no pedido de suspensão da homologação impetrado no STF, que o acordo deveria passar por aprovação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O Coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andreoli, afirma que o acordo é uma "injustiça frontal" porque traz prejuízo real aos atingidos. "Acreditamos que o STF deve tomar providência no sentido de garantir que os atingidos participem do acordo", diz. O MAB está entre os apoiadores da ação.

Além do PT e do PSOL, assinam o pedido feito ao STF o MAM e a Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (Anab). A mineradora Vale informou que não irá se pronunciar sobre a ação. A reportagem aguarda posicionamento do governo de Minas
Autoridades assinam termo de medidas de reparação

O governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) assinaram termo de Medidas de Reparação em benefício das regiões atingidas e de sua população. As ações incluem a reparação ambiental integral da região, reforma de todas as escolas públicas, universalização do saneamento básico, obras de segurança hídrica, mobilidade e melhoria dos serviços públicos, entre outras medidas de reparação.

O termo trata dos danos socioeconômicos gerados ao Estado e à sociedade mineira pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019. A assinatura do termo não prejudica as ações individuais por indenizações e criminais, que seguem tramitando normalmente.

Desde o rompimento da barragem, a população das regiões atingidas tem sido atendida e escutada pelo Poder Público, por meio de diversos órgãos. Apenas por meio da Defensoria Pública do Estado, foram 11.800 atendimentos a pessoas atingidas, resultando em mais de 8 mil acordos individuais.

Nesse processo, foi garantida a criação de um Programa de Transferência de Renda e projetos para atendimento de demandas diretas dos atingidos, que somam R$ 9,17 bilhões. O Programa de Transferência de Renda sucederá o auxílio emergencial, que seria encerrado no fim de fevereiro.

As regras do novo programa serão definidas com participação dos atingidos e auxílio do MPMG, do MPF e da DPMG. Além disso, R$ 3 bilhões serão destinados a projetos de reparação a serem escolhidos pela população atingida, o que fará dessa ação o maior programa de orçamento participativo da história. MPMG, MPF e DPMG também auxiliarão nesse processo.

Menos

Minério de ferro toca máxima de 3 semanas com expectativa sobre demanda chinesa

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BOL - SP   11/02/2021

Os futuros do minério de ferro na China saltaram para o maior nível em três semanas nesta quarta-feira, caminhando para fechar a semana com alta de mais de 5%, após um impulso por expectativas de melhora na demanda pelo material usado na fabricação do aço após o feriado de Ano Novo Lunar na China.

Maior produtora de aço do mundo, a China, que abriga também os mercados futuros mais líquidos para o minério de ferro, entrará a partir de quinta-feira no feriado, com duração de uma semana.

O contrato do minério de ferro para entrega em maio na bolsa de commodities de Dalian subiu 2,4%, para 1.071,50 iuanes (166,43 dólares) por tonelada, após tocar 1.072 iuanes mais cedo, marcando a quinta sessão de altas e tocando o maior nível desde 22 de janeiro.

Na bolsa de Cingapura, o minério de ferro para março subiu 1,5%, para 160,95 dólares por tonelada.

Expectativas de que a oferta global siga apertada também apoiaram os preços, apesar de projeções de uma maior produção da brasileira Vale.

"Os aumentos de oferta dos grandes fornecedores de baixo custo estará restrito de novo", disse o economista Justin Smirk, do Westpac Group na Austrália, que projeta um déficit de cerca de 27 milhões de toneladas no mercado neste ano.

A produção das mineradoras australianas deve crescer apenas marginalmente, o que fará com que a Vale seja crucial para a recuperação da oferta em geral, acrescentou ele.

A Westpac espera que a produção global de aço cresça em torno de 5% neste ano, com alta de 2% na China. Ela projeta avanço de 4% nas importações chinesas de minério de ferro, após alta de 12% neste ano.

No aço, o vergalhão na bolsa de Xangai avançou 0,8%.

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AUTOMOTIVO

Ford recorre de liminares que suspendem demissões em Taubaté e Camaçari

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

A Ford recorreu hoje de liminares concedidas pelas Varas do Trabalho de Camaçari (BA) e de Taubaté (SP) aos Tribunais Regionais do Trabalho de ambas regiões proibindo a demissão coletiva de funcionários das duas fábricas. A montadora alega estar “engajada ativamente no processo de negociação com todos os sindicatos” sobre a decisão de fechamento das fábricas no País, anunciada em 11 de janeiro, e que vem realizando reuniões com os sindicatos.

As liminares atenderam pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) e foram concedidas na noite de sexta-feira. Ambas estabelecem que nenhum funcionário da empresa seja demitido até o fim das negociações com os sindicatos e que, ao longo desse período, todos os salários sejam pagos. Também impedem a empresa de retirar maquinários das fábricas.

Os juízes que concederam as liminares estabeleceram multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento da medida e pagamento de mais R$ 50 mil por trabalhador atingido em Camaçari – onde trabalhavam 4 mil funcionários – e de R$ 100 mil por trabalhador no caso de Taubaté, que tem 740 funcionários, segundo a montadora.

Em nota, a Ford afirma que “vem trabalhando de forma próxima com seus parceiros no desenvolvimento de um plano justo e equilibrado para minimizar os impactos do encerramento da produção no Brasil” e que “continuará a buscar um processo de negociação justo e equilibrado com os sindicatos”. Ressalta ainda acreditar “fortemente nas instituições brasileiras e no devido processo legal”.
Ford convoca funcionários

Ontem, a Ford voltou a convocar cerca de 40 trabalhadores da fábrica de motores no interior de São Paulo para a produção de peças com componentes que estão estocados mas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos local a orientação é para que ninguém retorne. Desde o anúncio do fechamento, um grupo de funcionários se reveza 24 horas em frente à planta para evitar que pessoas entrem ou que máquinas sejam retiradas.

Há duas semanas a Ford já havia pedido a um grupo de funcionários de Camaçari o retorno para concluir a produção de alguns veículos, mas também não foi atendida. A unidade produzia os modelos Ka e EcoSport. Até agora não houve avanços nas negociações, informa Júlio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

Segundo o sindicato de Taubaté, há um impasse nas reuniões com a empresa que quer apenas discutir as indenizações e encerrar rapidamente o processo de saída do Brasil, enquanto os trabalhadores e o sindicato buscam, prioritariamente, reverter a decisão da montadora. Em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira, 10, foi aprovada a realização de uma carreata na cidade na sexta-feira, 12, em protesto contra o fechamento.

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FERROVIÁRIO

Ferrovias e a dependência logística brasileira

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O Estado de S.Paulo - SP   11/02/2021

A greve geral dos rodoviários ocorrida em 2018 gerou bloqueios em estradas, grandes filas de caminhões nos acessos a terminais logísticos e impactos diretos para o abastecimento. Além disso, escancarou ainda mais a dependência da logística nacional em relação a esse modal e a necessidade de desenvolvimento de alternativas.

A edição da lei das relicitações (Lei nº 13.448/17) e a mudança de governo ocorrida em 2018 foram um sopro de esperança para a solução do problema, já que um dos principais pontos da agenda econômica era o aumento da participação de agentes privados na execução de serviços públicos.

Diante das recentes notícias de uma nova paralisação dos rodoviários, a questão dos gargalos logísticos volta à tona e com ela a necessidade de expansão do transporte ferroviário, que atende dois requisitos considerados hoje imprescindíveis. O primeiro é o preço, já que o custo do transporte ferroviário é aproximadamente 50% inferior ao do rodoviário para distâncias superiores a 1.000 Km, impactando positivamente na competitividade dos produtos brasileiros no exterior ou mesmo beneficiando o mercado nacional com uma redução de preço ao consumidor final.

O segundo ponto, e que ganha cada vez mais força no mundo dos negócios, é a sustentabilidade ambiental, social e corporativa. Já há, inclusive, fundos que limitam a aplicação de recursos em projetos sustentáveis sob esses aspectos. Nesse sentido, o desenvolvimento do transporte ferroviário está em sintonia com essa diretriz, já que diminuiria a circulação de caminhões nas estradas, impactando diretamente na redução de poluentes.

Por isso, foi com bons olhos que se viu a prorrogação pelo prazo de 30 anos da concessão da Malha Paulista, detida pela Rumo Logística, e de duas ferrovias da Vale: a Vitória-Minas e a Carajás, que somam, além de aproximadamente R$ 15 bilhões em valor de outorga, quase R$ 19 bilhões em investimentos. Independentemente dos ganhos, a extensão dos contratos já teve reflexos na produção industrial, com o aumento do número de encomendas de locomotivas, vagões de carga e passageiros.

Além desses, o mercado ainda aguarda com ansiedade os desfechos de outras duas prorrogações: da Ferrovia Centro-Atlântica, administrada pela VLI, e da concessão gerida pela MRS Logística. Assim como as demais, ambas terão igualmente obrigatoriedade de investimento por parte das concessionárias, ajudando a impulsionar a indústria e contribuindo para a melhoria da logística.

Tão importante quanto as prorrogações de concessões, algumas delas com a previsão de investimento na construção de novos ramais, são os projetos de novas estradas de ferro que ampliarão a capacidade da malha. Dentre eles, destaca-se o da Ferrovia de Integração Oeste-Leste – FIOL (EF-334), ligando Ilhéus/BA a Figueirópolis/TO. A linha servirá tanto para escoamento de grãos provenientes do oeste baiano como de minérios extraídos no sul do estado. O leilão previsto para o dia 8 de abril prevê investimentos da ordem de R$ 5,5 bilhões, além do pagamento de uma outorga mínima.

Outra licitação prevista para este ano é a concessão da Ferrogrão (EF-170) por 69 anos, que fará a ligação entre o Centro-Oeste (SINOP/MT) e o estado do Pará (Miritituba). Além de permitir o escoamento da produção de grãos pelo porto de Santarém, a ferrovia consolida um corredor que tem como única via a BR-163. Pode-se imaginar o impacto relevante na competitividade dos grãos produzidos no Mato Grosso apenas constatando que, atualmente, essa produção é escoada pelos portos de Santos/SP e Paranaguá/PR.

Outro fator importante de atratividade para investidores dispostos a aportar R$ 8,4 bilhões é que a nova ferrovia atende à sustentabilidade, tendo em vista que não atravessa nenhuma unidade de conservação. Além disso, sendo paralela à BR-163, ainda funcionará como inibidor do desmatamento conhecido como “espinha de peixe”, que ocorre perpendicularmente ao traçado das rodovias, e reduzirá o tráfego de caminhões em uma região delicada sob o ponto de vista ambiental.

O projeto da concessão da Ferrogrão ainda se mostra importante por colocar à prova uma novidade nas modelagens de concessão de ferrovias vistas até aqui. Num paralelo com o fundo garantidor previsto para as parcerias público-privadas, o modelo proposto para essa concessão prevê a formação de um fundo acessível pelo concessionário caso sejam verificados riscos não gerenciáveis do projeto, como, por exemplo, valores acima do estimado com compensações ambientais e desapropriações. Se aprovado o modelo, o fundo também poderá ser acessado caso haja queda da demanda ainda nos primeiros anos da concessão, quando o maior volume de investimentos invariavelmente pressiona os números do balanço para baixo.

Independentemente de ser um modal que demanda pesados investimentos e de ser de vital importância para o desenvolvimento da economia brasileira, o modelo utilizado na concessão da Ferrogrão pode servir de impulso para outros setores que demandam investimentos privados. Principalmente nos contratos de longo prazo, já se pode constatar que a partilha de riscos delineada em matrizes não é suficiente para prever todos os riscos que determinados projetos podem sofrer, muito menos para quantificá-los devidamente. A depender do resultado, o mecanismo poderá ser um importante marco para o desenvolvimento de novos projetos de grande porte.

Boa novidade em todos esses projetos é a possibilidade do operador utilizar a infraestrutura de outra ferrovia mediante pagamento (tráfego mútuo e direito de passagem), o que inclusive constitui fonte de receita acessória e significa mais um passo na direção da formação de uma verdadeira malha ferroviária nacional, que ainda precisa encaminhar uma solução sistêmica para as diferentes bitolas existentes na rede.

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Ministro da Infraestrutura garante extensão da Ferronorte para Cuiabá e Lucas, mas depende de votação

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Revista Ferroviaria - RJ   11/02/2021

Olhar Direto (MT) - O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, garantiu a autorização para a extensão dos trilhos da Ferronorte para Cuiabá e depois Lucas do Rio Verde - a chamada Ferrovia 'Senador Vicente Vuolo', durante reunião com os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (DEM) e com o líder do Governo, Fernando Bezerra (MDB-PE). No entanto, a certeza ainda depende da aprovação do novo Marco Regulatório das Ferrovias pelo Senado, que tem votação prevista para o dia 24.

Uma série de emendas será apresentada pelos dois senadores ao projeto original. Ao mesmo tempo, o Ministério da Infraestrutura, segundo explicou Tarcísio, irá determinar a avaliação dos estudos encaminhados pela concessionária à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Ferronorte deverá ser a primeira ferrovia brasileira a ser construída pelo regime simplificado de autorização. "Sou entuasiasta da Ferronorte", disse o ministro.

O senador Jayme Campos se disse satisfeito com o resultado da reunião e foi taxativo ao afirmar que "a Ferronorte será uma realidade". Ele fez questão de destacar que "o sonho do povo cuiabano, do povo mato-grossense, do senador Vicente Vuolo, será uma realidade". Jayme previu que entre o final de abril e o início de maio seja expedida a autorização, em evento em Cuiabá com a presença do ministro da Infraestrutura e também do presidente Jair Bolsonaro.

"Além do caráter histórico, a autorização para implantação da extensão da Ferronorte garante investimentos no Estado na ordem de R$ 8,5 bilhões pela concessionária Rumo, com a geração de milhares de empregos e avanços na nossa economia", salientou Fagundes.

Na reunião com Freitas, o senador Wellington Fagundes fez questão de destacar o trabalho realizado com Jayme Campos junto ao Tribunal de Contas da União, ANTT e Ministério da Infraestrutura para garantir a renovação antecipada da concessão da malha paulista. Esse fator, segundo o senador do PL, foi determinante para que a concessionária possa implantar novos trilhos em Mato Grosso.

De acordo com o projeto acordado pelos senadores com o Ministério da Infraestrutura, a Rumo irá expandir os trilhos de Rondonópolis, onde possui o maior terminal de cargas da América do Sul, em direção a Campo Verde, Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde. A direção da empresa informou que já adquiriu inclusive áreas para a construção dos terminais de carga nesse novo trecho.

Outras ferrovias

O presidente da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura, Wellington Fagundes, destacou que o entendimento firmado em torno do Projeto de Lei 257/2018 pode ser classificado como "excelente para o Brasil". O projeto permite avançar as ferrovias para o Centro-Oeste em função da grande capacidade de produção.

Além da Ferronorte, os senadores trabalham para viabilizar a implantação da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), que liga Água Boa à Ferrovia Norte-Sul, e também da Ferrogrão, de Sinop a Miritituba (PA). "Isso vai trazer mais competitividade. Queremos as ferrovias funcionando e com fretes mais acessíveis, levando nossa produção e trazendo os insumos mais baratos", frisou Fagundes.

Fonte: https://www.olhardireto.com.br/agro/noticias/exibir.asp...

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NAVAL

Infraestrutura assina contratos de exploração de terminais portuários

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Agência Brasil - DF   11/02/2021

O Ministério da Infraestrutura assinou nesta quarta-feira (10) quatro novos contratos de adesão para exploração de Terminais de Uso Privado (TUPs) no estado do Pará. São eles: Petróleo Sabbá, Louis Dreyfus, Cargill e Administradora de Bens de Infraestrutura (ABI). Juntos, esses portos receberão investimentos de R$ 616,5 milhões para movimentação de cargas variadas, como grãos e combustíveis.

"Os novos contratos com os terminais irão suprir uma demanda de movimentação de cargas na região, que se tornou um corredor logístico estratégico em constante crescimento", declarou o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, durante cerimônia de assinatura dos contratos, em Brasília. O evento também contou com a participação do ministro Tarcísio Freitas.

Os terminais Cargill e Louis Dreyfus estão localizados nos municípios de Rurópolis e Itaituba, que fazem parte da rota de escoamento de exportação de granéis agrícolas do chamado Arco Norte, que reúne portos da região Norte e Nordeste do país de onde são exportados parte da produção agrícola brasileira. Segundo a pasta, esses terminais serão responsáveis por movimentar granéis sólidos, principalmente vegetais. A estimativa total de movimentação da carga de ambos terminais é de 6,7 milhões de toneladas/ano.

Já os terminais Petróleo Sabbá e ABI irão movimentar granéis líquidos combustíveis, que se destinam ao armazenamento, distribuição e ao abastecimento regional de combustíveis nos municípios de Itaituba e Santarém.

Os TUPs são terminais outorgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para empresas privadas. De acordo com o Ministério da Infraestrutura, nos últimos dois anos, foram assinados 78 contratos de adesão com empresas, que representam R$ 6 bilhões em investimentos no modal portuário.

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Terminal do Porto de Paranaguá amplia capacidade ferroviária

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Portos e Navios - SP   11/02/2021

A Cotriguaçu, um dos onze terminais que integram o Corredor de Exportação Leste do Porto de Paranaguá, inaugurou nesta quarta-feira (10) um novo desvio ferroviário. O investimento privado na remodelação, de R$ 8 milhões, vai ao encontro do Plano Estadual Ferroviário e dos projetos da Portos do Paraná para ampliação da capacidade e participação do modal no transporte de carga.

“A inauguração representa a força e a ousadia do sistema cooperativo do Estado. Aqui está o Brasil que deu certo. O Governo do Estado apoia as iniciativas de quem quer produzir”, destacou o chefe da Casa Civil, Guto Silva, durante o evento.

O secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, também acompanhou a entrega e lembrou que o investimento no terminal é importante para o escoamento da produção de todas as regiões do Estado.

“A obra que a Cotriguaçu entrega, em Paranaguá, conversa com os investimentos que o Governo do Estado está fazendo, que é o projeto do Moegão, uma moega exclusiva para descarga ferroviária, e o novo Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá, que vai ampliar a capacidade do complexo”, disse.

Para o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o aprimoramento do modal ferroviário, nos portos, é uma necessidade. “Entre 15 e 20% de toda a nossa movimentação de carga se dá pelo modal ferroviário. Sabemos que, se a gente quiser expandir mais terá que ser pelo modal ferroviário. Esse investimento da Cotriguaçu é só um começo”.

FUTURO – Um dos projetos futuros, ao qual esse investimento do terminal se integra, é o chamado Asa Leste, que visa ampliar ainda mais a produtividade e participação do modal ferroviário no transporte de carga do segmento (Graneis Sólidos de Exportação).

Localizado em uma área pública no Corredor Leste, entre os terminais da Cotriguaçu e Rocha, o Asa Leste será um novo pátio para composições maiores e melhor distribuição para os terminais. O projeto é da Rumo, em parceria com a Portos do Paraná e os dois terminais. Funcionará como um “pulmão”, dando mais fôlego, eficiência e celeridade à distribuição dos vagões para descarga – otimizando as manobras internas.

“Tudo isso olhando a longo prazo, visando atender as demandas presentes e futuras, de forma adequada”, afirma o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

OBRA - Com trilhos mais modernos, os ganhos com a obra da Cotriguaçu são, principalmente, mais segurança às operações e aos trabalhadores; aumento na produtividade do terminal; e, com o apoio da concessionária que administra a ferrovia, a Rumo, a redução das intervenções na passagem de nível na avenida José Lobo.

Segundo o gerente-geral do terminal portuário da Cotriguaçu em Paranaguá, Rodrigo Buffara Farah Coelho, a empresa fazia a descarga de 80 vagões por dia – de soja, milho e farelos. “Com a remodelação ferroviária, este ano a descarga deve chegar a 150 vagões/dia. Atualmente a participação do modal ferroviário nas nossas operações é de 35%. Nossa meta é equalizar os modais rodoviário e ferroviário em 50% cada, assim garantimos mais competitividade para os nossos clientes”, afirmou.

Além de terminal, a Cotriguaçu também é operadora portuária e presta serviços de recepção, armazenagem e expedição de graneis. Nos últimos anos, a empresa investiu cerca de R$ 15 milhões em melhoria no acesso rodoviário, pátio interno para 80 caminhões, e repotenciamento das linhas de embarque, ampliando de 1.500 para 2.000 toneladas/hora.

INTEGRAÇÃO – O novo desvio, segundo a Cotriguaçu, já está pronto para receber locomotivas e vagões maiores e mais modernos. Cada vagão, desses atuais, tem capacidade para 50 toneladas de graneis. Os mais modernos, que devem ser implantados pela concessionária, têm capacidade para até 80 toneladas.

Segundo o diretor-presidente da Cotriguaçu no Paraná, Irineo da Costa Rodrigues, o investimento no desvio e na remodelação da moega de descarga ferroviária da empresa, em Paranaguá, é um investimento em modernização.

“Estamos tornando todas as operações da Cotriguaçu, em Paranaguá, mais dinâmicas, mais ágeis, e, claro, mais seguras para os trabalhadores e para os clientes. Estamos dando a nossa contribuição a um porto que está se destacando bastante em todo Brasil, e precisa ter clientes que fazer sua parte, seus próprios investimentos”, afirma.

Na medida em que o terminal amplia as estruturas, segundo Rodrigues, também investe na cidade. “Vamos gerar mais empregos, qualificar mais a mão de obra e, mais qualificados, terão melhores remunerações. Com volumes crescentes de operações, por aqui, o município tem mais arrecadação”, pontua.

Segundo o prefeito Marcelo Roque, também presente na inauguração, 60% do que Paranaguá arrecada vem da atividade portuária. “O sucesso das empresas é o sucesso do nosso município”, disse.

Também participaram do evento o secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes; o presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin; e o deputado estadual Paulo Roberto da Costa (Deputado Galo).

 

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