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09 de Maio de 2022

SIDERURGIA

Portal Fator Brasil - RJ   09/05/2022

Garantir a sustentabilidade é uma das metas do festival.

Após dois anos de pandemia, o Rock in Rio volta a ser realizado na cidade do Rio de Janeiro. No dia 06 de maio (sexta-feira), a organização do evento apresentou o Palco Mundo em uma coletiva de imprensa, onde esteve, jornalistas, convidados como a cantora Ivete Sangalo e, influenciadores. O palco será o principal e a maior estrutura para os shows do festival. A novidade é que será feito em aço, com estrutura reutilizada e 100% reciclável.

—Cada vez a gente mostra que é possível sonhar grande e fazer acontecer. Esse palco é mais um exemplo disso. A gente entende que nossa história vai inspirar a de outras pessoas. É essa história que a gente quer contar —diz o CEO Rock In Rio, Luis Justo. Ele destaca que garantir a sustentabilidade e envolver todos os parceiros nessa política é uma das metas fixadas pelo festival.

O palco este ano será feito em parceria com a Gerdau, a maior empresa brasileira produtora de aço. Segundo o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, a sustentabilidade é também uma preocupação da empresa. —Temos que implantar ações o mais rápido possível, para que possamos continuar usando recursos que existem no planeta e deixar para as gerações que vêm depois de nós —afirma.

A parceria com o festival vai ao encontro da grande transformação que a Gerdau vem passando nos últimos anos, buscando ser parte das soluções aos dilemas e desafios da sociedade. —Estamos muito orgulhosos de levar o aço da Gerdau ao maior festival de música e entretenimento do planeta. O mesmo aço que gera milhares de empregos, recicla mais de 11 milhões de toneladas de sucata e proporciona soluções de mobilidade e construção dará palco para alguns dos maiores artistas do mundo, levando esperança e alegria para as milhares de pessoas que acompanham o festival. Essa parceria com o Rock in Rio, que vai muito além do aço, unindo tecnologia e conhecimentos, reforça o processo de modernização e inovação pelo qual a Gerdau tem passado — conclui Werneck.

Sobre manifestações políticas no evento, Justo ressaltou que a organização não tem nenhum posicionamento partidário. De acordo com o CEO, o Rock In Rio “nunca teve e nunca terá nenhum tipo de posicionamento político”. Isto, no entanto, segundo ele, “não impede que pessoas tenham posicionamentos, [sejam] artistas ou público. É inerente à democracia e sempre esteve presente na história do festival”.

Estrutura do o Palco Mundo: aproximadamente 200 toneladas de aço: equivalentes a fabricação de 200 carros 30 metros de altura: similar a um prédio de dez andares, 104 metros de largura: equivalente a duas piscinas olímpicas 100% reciclável, a cenografia do Palco Mundo será eternamente reaproveitada, quando deixar de ser palco, podendo se transformar em casas, edifícios, carros, centros hospitalares, entre outros.

Ao todo, mais de um milhão de pessoas, incluindo catadores e cooperativas, estão envolvidas no processo de reciclagem da Gerdau. A maior parte ,73%, do aço da Gerdau é produzida a partir da reciclagem da sucata metálica.

— O Rock in Rio, desde seu início em 1985, assume um compromisso com a sociedade: o de sermos agentes ativos na construção de um mundo melhor e levarmos isso conosco para qualquer lugar. Entendemos a nossa responsabilidade e o agente mobilizador que somos, por isso, queremos provocar a transformação de mentalidades e de comportamentos em toda a cadeia produtiva, também servindo de exemplo e inspiração para o público. No ano passado, lançamos nossas metas de sustentabilidade a serem cumpridas até 2030. Quando temos conosco uma empresa pioneira de reciclagem em seu mercado e que está alinhada ao nosso compromisso de melhoria contínua, ela contribui para uma concretização ainda mais rápida dos nossos objetivos na construção de um mundo melhor — afirma Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio.

Programação Palco Mundo — Rock In Rio Brasil 2022 será nos dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro: 2 de setembro: Iron Maiden, Dream Theater e Sepultura; 3 de setembro: Post Malone, Jason Derulo, Marshmello e Alok; 4 de setembro: Justin Bieber, Demi Lovato, Migos e Iza; 8 de setembro: Guns N’ Roses, Måneskin, The Offspring e CPM 22; 9 de setembro: Green Day, Fall Out Boy, Billy Idol e Capital Inicial; 10 de setembro: Coldplay, Camila Cabello, Bastille e Djavan; 11 de setembro: Dua Lipa, Megan Thee Stallion, Rita Ora e Ivete Sangalo.

Desde 1985, o Rock in Rio teve 20 edições, no Rio de Janeiro e em outras cidades do mundo, como Lisboa, Portugal, Madrid, na Espanha, e Las Vegas, nos Estados Unidos, com apresentação de mais de 2,3 mil artistas e 10,2 milhões de pessoas na plateia além de 12 milhões de fãs online.

Segundo Justo, a expectativa é que o festival deste ano, depois de dois anos de pandemia, tenha clima semelhante ao primeiro. —A gente vai estar preparado para a euforia —diz.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   09/05/2022

Uma semana de decisões de política monetária. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) aumentou a taxa básica de juros em 0,5 ponto de porcentagem, antecipou novos aumentos nas próximas reuniões e iniciou o processo de redução de liquidez com a venda de ativos (Treasuries e MBS). Nos primeiros três meses serão vendidos, no máximo, US$ 47,5 bilhões e, a partir do quarto mês, as vendas poderão atingir no máximo US$ 95 bilhões.

Ao contrário do que muitos analistas esperavam, o comitê não indicou que irá acelerar o ritmo de aperto da política monetária, e o presidente da instituição, Jerome Powell, desconsiderou explicitamente a possibilidade de aumentar a taxa dos Fed funds em 0,75 ponto de porcentagem na próxima reunião. Ainda assim o dirigente tentou passar a ideia de que o Fed está efetivamente preocupado com o nível atual e a trajetória de inflação nos próximos meses.

Para os investidores, o sinal inicial foi de que o Fed não pretende endurecer a política monetária neste momento, o que refletiu imediatamente nos preços dos ativos (dólar e juros em queda e bolsas em alta). Entretanto, dados os elevados níveis de inflação, o mercado de trabalho apertado com taxa de desemprego muito baixa, os aumentos de salários incompatíveis com a meta para a inflação e os persistentes choques de oferta, o consenso entre os analistas é de que a política monetária está atrasada e que, eventualmente, o Fed terá de acelerar o ajuste. A “ressaca” que dominou o mercado financeiro no dia seguinte à reunião reflete essa percepção.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu aumentar a taxa Selic em 1,0 ponto de porcentagem e, no comunicado, antecipou um “provável aumento adicional de menor magnitude” na próxima reunião, ou seja, deixou em aberto a possibilidade de que o aperto monetário ainda tenha algum fôlego no futuro.

Como o Banco Central brasileiro iniciou o processo de regularização da política monetária mais cedo que outros bancos centrais, está em estágio mais avançado, tendo, a nosso ver, já atingido um nível de taxa de juros acima do neutro. Com isso, está menos pressionado a acelerar o ajuste dos juros nas próximas reuniões. Entretanto, dados os persistentes choques de oferta, ao deixar aberta a porta para novos aumentos da Selic, o BC dá o sinal de que está disposto a fazer o que for necessário para manter a inflação sob controle no longo prazo.

O Estado de S.Paulo - SP   09/05/2022

A balança comercial brasileira registrou superávit (ou seja, as exportações superaram as importações) de US$ 8,148 bilhões em abril, o segundo melhor resultado para o mês na série histórica, só atrás do saldo positivo de US$ 9,963 bilhões de abril do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 05, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia. O superávit em abril ficou 13,9% menor do que o registrado no mesmo mês de 2021. No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 24,0% e chegou a US$ 49,656 bilhões.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, destacou que as exportações de US$ 28,902 bilhões em abril foram recorde para o mês na série histórica da balança comercial.

Embora o valor tenha crescido 35,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, houve queda de 8% no volume de bens exportados, enquanto os preços aumentaram 19,9% na mesma comparação.

“Essa redução de volume exportado em abril foi pontual, não é tendência. Apenas os produtos da indústria da transformação registraram crescimento no volume exportado no mês passado”, avaliou Brandão. “Por conta de questões climáticas devemos ter uma menor produção de soja neste ano. Ainda assim, tivemos a maior média diária de exportações da história, já que abril tem menos dias úteis”, completou Brandão.

Já as importações de US$ 20,754 bilhões em abril foram o segundo maior valor da série para o mês, apenas atrás dos US$ 21,8 bilhões de abril de 2013. Embora o valor tenha crescido 35,7% em relação a abril do ano passado, também houve aumento de preço (34,4%) e redução de volume (-6,9%) nas compras do exterior.

Em abril, na comparação pela média diária do mesmo mês de 2021, as exportações tiveram alta de 12,7% em Agropecuária, retração de 10,2% em Indústria Extrativa e crescimento de 35,0% em produtos da Indústria de Transformação.

Já nas importações, houve aumento de 33,0% em Agropecuária, crescimento de 51,8% em Indústria Extrativa e alta de 35,5% em produtos da Indústria de Transformação.

Nos primeiros quatro meses de 2022, a balança comercial acumula superávit de US$ 19,947 bilhões. O valor é 10,5% maior do que o mesmo período do ano passado. Houve um aumento de 23,8% nas exportações e de 27,6% nas importações nessa mesma comparação.
Impacto da guerra

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, afirmou que o conflito no Leste Europeu já tem impactado o comércio do Brasil com a Ucrânia e a Rússia. Ele avaliou, porém, que os efeitos para o comércio global como um todo depende da categoria de produtos vendidos pelo Brasil. “Com a guerra e uma demanda menor da economia russa, já houve uma exportação menor para Rússia em abril. Já as importações da Rússia continuam crescendo”, destacou.

De acordo com os dados do ministérios, as exportações para a Rússia somaram US$ 91,9 milhões em abril, uma queda de 30,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já as importações brasileiras da Rússia somaram US$ 805,9 milhões em abril, alta de 211,3%. Apenas as compras de fertilizantes russos somaram US$ 526,6 milhões no mês passado, alta de 315,9% (sendo 38,3% em quantidade e 200,4% em preço).

“Esse crescimento do volume importando de fertilizantes ocorre porque houve uma antecipação muito grande de compras de insumos para a agricultura, antes mesmo da guerra. E agora esses navios estão chegando ao Brasil”, explicou Brandão.

Já o comércio brasileiro com a Ucrânia, que já era pequeno, ficou ainda menor. As exportações para a Ucrânia somaram apenas US$ 1,250 milhão em abril, uma queda de 92,9% em relação a mesmo mês do ano passado. Já as importações ficaram em US$ 5,400 milhões em abril, uma queda de 78,7% na mesma comparação.

Brandão lembrou que a OMC e o FMI já revisaram para baixos suas expectativas para o crescimento do PIB mundial e do comércio internacional em 2022. “A guerra pode afetar exportações brasileiras de maneira heterogênea. Por exemplo, temos observado um crescimento mais acentuado nas exportações de alimentos. Por outro lado, a desaceleração global pode afetar demanda e preço de insumos utilizados na indústria, como o minério-de-ferro”, avaliou.

Agência Brasil - DF   09/05/2022

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve inflação de 0,41% em abril deste ano, taxa inferior aos 2,37% observados em março. Com o resultado, o indicador acumula taxa de 6,44% no ano e 13,53% em 12 meses.

Em abril de 2021, o IGP-DI havia registrado inflação de 2,22% no mês e 33,46% em 12 meses. Os dados foram divulgados hoje (6) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A queda da taxa de março para abril foi puxada pelo atacado, medido pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), e pelo varejo, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

A inflação medida pelo IPA caiu de 2,8% em março para 0,19% em abril. Já a taxa do IPC recuou de 1,35% para 1,08% no período.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por outro lado, teve alta na taxa, ao passar de 0,86% em março para 0,95% em abril.

Exame - SP   09/05/2022

Após uma elevação de quase 10 pontos percentuais na taxa Selic, a inflação ainda está em alta no Brasil. O aperto significativo na política monetária ainda não teve efeito na economia e as expectativas de inflação futura também permanecem desancoradas.

A defasagem dos efeitos parece ser maior que o esperado e os mercados tendem a reagir a dados econômicos e fundamentos, mas muitas vezes também são influenciados pela confiança, ou pela falta dela.

A política monetária no Brasil passou por várias mudanças nos últimos anos. O último aperto monetário foi iniciado em 2013 e foi um dos mais longos. A taxa Selic chegou a 14,25% em julho de 2015 e somente em outubro de 2016 o Banco Central iniciou o processo de normalização.

A inflação, que teve seu pico em 12 meses em 10,7% em janeiro de 2016, teve rápida desaceleração para 4,5% até março de 2017, e a taxa Selic foi reduzida ao nível próximo de neutro de 6,5% em 2018. Também observamos a partir daí um longo ciclo de taxas baixas, chegando na mínima de 2% após o choque deflacionário e a forte recessão resultado da paralização de diversos setores no início da pandemia.

Mas desde o primeiro choque da pandemia, a retomada das atividades e o comportamento da inflação global permanecem bastante imprevisíveis. Sim, nunca os economistas erraram tanto. Uma das surpresas aqui no Brasil tem sido o pouco efeito do aperto monetário na inflação, incluindo as expectativas.

Parte da explicação está nos sucessivos choques de oferta, que além de imprevisíveis, como a Guerra na Ucrânia reduzindo a oferta de grãos, fertilizantes e petróleo e gás, resultam em reajustes de preços que não respondem à política monetária. O acúmulo dos choques, vem elevando a inflação de maneira persistente e cumulativa. Nos últimos 24 meses, o índice de commodities global, segue em tendência de alta e acumula quase 200%.

Somado à inflação de bens, causada pelos sucessivos choques de oferta em alimentos e energia, a retomada dos setores de serviços em diferentes estágios também vem prolongando os reajustes e resultando em contaminação maior que o esperado pelos choques, mesmo em meio ao aperto monetário em curso.

Por sua vez, a persistência da inflação vem ampliando a falta de confiança do mercado na convergência para a meta, mesmo no prazo relevante da política monetária. Ainda que considerando a defasagem do impacto das elevações da Selic, já era esperado alguma retração da inflação nesse momento, o que não ocorreu.

A elevada dose do aperto, vindo agora de um Banco Central independente, ainda não resultou em impacto significativo nas expectativas de inflação. No mercado de juros, os títulos longos precificam taxas de 12% e inflação implícita está próxima de 6% pelos próximos 5 anos.

O que pode explicar essa falta de confiança do mercado na capacidade do Banco Central de trazer a inflação para a meta no médio e longo prazo? A inflação corrente mais alta tende a contaminar boa parte dos modelos, considerando nosso histórico de inércia inflacionária com uma economia ainda bastante indexada.
Expansão fiscal

Mas existe também uma desconfiança na condução da políticas fiscal, que explicam os juros de mercado nesse patamar. Tomando nosso passado recente, o custo de uma expansão fiscal descontrolada são juros mais elevados.

Apesar de o governo ter entregue o maior ajuste fiscal dos últimos 30 anos, saindo de um déficit de 9% em 2020 par um superavit de 1,4% hoje, acumulado em 12 meses, em ano eleitoral, as discussões e propostas de aumentos de gastos e medidas com viés populista deterioram a confiança dos agentes econômicos na trajetória futura da dívida, e os investidores acabam exigindo mais juros e esperando que o ajuste fiscal virá via inflação.

Como reverter o quadro atual? O Banco Central vai entregar um aperto monetário bem maior do que esperado. O ajuste que começou como parcial, passou para neutro, e agora vai para território bastante contracionista, deve perdurar por um bom tempo. Com a defasagem ainda que maior, a convergência deve seguir em um prazo mais longo do que se esperava.

O debate sobre a política econômica precisa estar ancorado na responsabilidade fiscal, e a partir daí embasar as propostas de novas políticas para promover o crescimento e bem-estar social. A política monetária terá mais potência caso a credibilidade na condução da consolidação fiscal seja maior. É preciso resgatar a confiança para que as expectativas de inflação passem a refletir o cenário de aperto monetário e fiscal já dado.

MINERAÇÃO

Revista Mineração - SP   09/05/2022

O minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Commodities de Dalian na China encerrou as negociações diurnas cotado a US$ 123,47.

Os contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura caíram mais de 5% no final das negociações nesta sexta-feira (06/05), com a China reforçando sua dura política de resposta à Covid-19 que atingiu a atividade econômica, levando os traders a serem mais cautelosos.

O minério de ferro mais negociado para setembro na Bolsa de Commodities de Dalian na China encerrou as negociações diurnas em queda de 5,1%, a 825 yuans (US$ 123,47) a tonelada, após um avanço de quatro sessões.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato de junho mais ativo do ingrediente siderúrgico caiu 5,4%, para US$ 137,45 a tonelada, encaminhando-se para a quinta perda semanal.

A China combaterá quaisquer comentários e ações que distorçam, duvidem ou neguem a política de resposta à Covid-19 do país, informou a televisão estatal na quinta-feira, após uma reunião do mais alto órgão decisório do país.

Traders estavam esperançosos de que o apoio político da China à sua economia em desaceleração pudesse continuar a reforçar a confiança do mercado.

O Banco Central da China prometeu tomar medidas de política monetária para ajudar as empresas atingidas pelos surtos de coronavírus, enquanto Pequim prometeu intensificar o apoio às políticas.

O minério de ferro spot com teor de 62% com destino à China, maior produtora de aço do mundo, atingiu US$ 138,50 a tonelada nesta sexta-feira, um recuo de US$ 6 ante o fechamento de quinta-feira, segundo dados da consultoria SteelHome.

O vergalhão de aço para construção, a bobina laminada a quente e o aço inoxidável na Bolsa de Futuros de Xangai caíram 3,7% cada.

O carvão de coque de Dalian perdeu 3% e o coque retraiu 2,7%.

Valor - SP   09/05/2022

Segundo a consultoria GMK Center, 60% das exportações ucranianas de ferro são despachadas por navios; 40% são enviados por via férrea para a Europa

O mercado mundial de minério de ferro, com forte dependência da demanda das usinas de aço da China, teve impacto menor, até o momento, no suprimento oriundo da Ucrânia. O país, no entanto, sofre restrições logísticas. A avaliação é da consultoria ucraniana GMK Center, especializada em informações de mineração e siderurgia.

A Ucrânia, quarto maior exportador global de minério ferro (finos e pelotas), está sob ataque da Rússia desde 25 de fevereiro. O país é também grande exportador de ferro-gusa, aço semi-acabado e laminado a quente e aços longos.

Segundo a GMK, com base em informações disponíveis até o fim de abril, minas de ferro locais não haviam sido atingidas durante os ataques russos, embora o volume de produção e exportação tenha se retraído devido ao fechamento de portos.

Conforme a consultoria, a produção diminuiu 50% e as exportações, 30%. Usualmente, 60% das exportações ucranianas de ferro são despachadas por navios, enquanto 40% são enviados por via férrea para a Europa. Esta última opção ainda se encontrava em operação. As mineradoras podem, inclusive, elevar os embarques ferroviários, mas o gargalo está na ponta dos países receptores. Avalia-se que isso pode ser resolvido em 2023.

A queda nas exportações de minério de ferro é estimada em 1 milhão de toneladas mensais, sendo 500 mil toneladas de pelotas de ferro e 500 mil toneladas material tipo finos. O problema tem sido exportar para China, responsável por 43% dos despachos do produto ucraniano no ano passado. Países da União Europeia são destino de 46%.

Em 2021, a Ucrânia produziu 79 milhões de toneladas de minério de ferro (finos e pelotas) e exportou 44 milhões, das quais 78% oriundos de Kryvyi Rih - conhecida como “a capital do minério de ferro”. Está localizada a cerca de 80 km da zona de conflito. Portanto, o risco de alteração da situação é bastante considerável, observa a consultoria.

A mineração de ferro no país tem quatro grandes empresas produtoras - Metinvest (37%), Southern GOK (17%), ArcelorMittal (Kryvyi Rih, com 15%) e Ferrexpo (14%). Outros respondem por 17%.

Na avaliação da GMK, dado o dano mínimo ao minério de ferro e ativos portuários, as exportações de finos e pelotas podem se normalizar dentro de três a seis meses em caso de paz, enquanto os portos podem retomar as operações em um a dois meses, no caso de suspensão da guerra.

A consultoria estima que as exportações de minério podem cair de 400 mil a 1 milhão de tonelada ao mês no caso de um conflito congelado e normalizar dentro três a seis meses no caso de paz.

Austrália e Brasil são os dois grandes exportadores de minério de ferro para a China, que adquire no exterior 1,1 bilhão de toneladas ao ano. A seguir vêm África, Ucrânia e Rússia.

Germano Mendes de Paula, professor-doutor da Universidade Federal de Uberlândia, e especialista em indústria siderúrgica, diz que uma forma de acompanhar a situação da mineração de ferro da Ucrânia é seguir a evolução das ações da Ferrexpo, que é a terceira maior exportadora de pelotas de ferro do mundo.

Como é listada na Bolsa de Londres, a empresa tem que divulgar relatórios financeiros com regularidade, bem como fatos relevantes. Conforme informações obtidas pelo especialista, em 2021 as receitas da Ferrexpo foram de US$ 2,5 bilhões, representando expansão de 48% frente a 2020. O empresário ucraniano Kostyantin Zhevago é o acionista majoritário da companhia.

A Ferrexpo respondeu por 14% da produção ucraniana de minério de ferro em 2021. De janeiro ao fim de março, produziu 2,7 milhões de toneladas de pelotas, registrando uma queda de 11% em relação ao trimestre anterior.

Na divulgação dos resultados, a empresa informou que a principal razão da queda são as restrições operacionais e logísticas após a invasão da Ucrânia pela Rússia. As vias logísticas para a Europa (ferroviária e barcaças) continuam abertas, enquanto a atividade no porto de Pivdennyi, no Mar Negro, continua suspensa.

Por causa do conflito, a empresa decidiu suspender a expansão do projeto que ampliaria a capacidade de produção de pelotas em 3 milhões de toneladas. Com o investimento, passaria de 12 milhões para 15 milhões de toneladas anuais dentro de três anos.

Segundo o executivo-chefe da empresa, Jim North, as operações e comunidades locais estão fora das principais zonas de conflito na Ucrânia, permitindo continuar as atividades, incluindo a entrega de pelotas para clientes na Europa via ferrovia e barcaça, que historicamente representaram cerca de 50% das vendas.

“O porto de Pivdennyi, no entanto, onde está localizado o cais do grupo, permanece fechado e estamos analisando métodos alternativos de entrega de nossos produtos aos mercados marítimos”, disse o executivo.

Devido aos riscos da guerra, o grupo ArcelorMittal decidiu adiar a construção de uma usina de pelotização de ferro no país, apta a fazer 5 milhões de toneladas por ano. Estava planejada para ser concluída no quarto trimestre de 2023. Com a usina, moderna, o objetivo era baixar a pegada ambiental - menos emissões de CO2. Iria substituir duas plantas de sinterização (aglomeração de minério fino) existentes. Os investimentos no projeto são estimados em US$ 300 milhões.

Máquinas e Equipamentos

Diário do Aço - MG   09/05/2022

Em função da pandemia causada pela covid-19, os anos de 2020 e 2021 foram bastante desafiadores, particularmente para a indústria de máquinas e equipamentos. O cenário sensível demandou resiliência e interlocução por parte dos setores produtivos com as diversas instâncias do governo federal, objetivando demonstrar às autoridades públicas em todas as suas esferas, a relevância que temos para o PIB, para a geração de emprego e arrecadação de impostos. Também reforçamos as peculiaridades da cadeia produtiva, a qualidade da mão de obra empregada, a importância da obtenção de capital de giro e financiamento para a modernização das máquinas compatíveis com a atividade realizada, entre outros fatores.

A realização da 27 º edição da Agrishow nos demonstrou, entretanto, a pujança do setor de máquinas e equipamentos como um todo e do agro em particular. Tivemos 520 mil metros quadrados de exposição a céu aberto, com mais de 800 marcas presentes no evento, entre nacionais e internacionais, tendo recebido mais de 150 mil visitantes altamente qualificados, do Brasil e do exterior, oriundos de mais de 70 países.

Pudemos assistir o que de mais moderno existe no mundo em tecnologia de máquinas agrícolas, para atender a necessidade de Agricultura 4.0 digital, a maior revolução do campo.

No entanto, o setor enfrenta hoje um grande desafio: Precisamos de um Plano Safra 2022/2023 compatível, que leve em consideração que 50% das máquinas agrícolas brasileiras em uso no campo tem mais de quinze anos. E esse parque precisa ser modernizado. E esta modernização passa pelo novo plano Safra que está sendo está sendo elaborado dentro do governo. E para isto nós temos que pensar em investimentos com juros compatíveis às necessidades do setor produtivo.

Importante notar que o contínuo aperfeiçoamento das máquinas e implementos agrícolas e o advento da digitalização na agricultura, constituem importante fator de aumento da produtividade das lavouras e da competitividade do agronegócio Brasileiro. Desse modo, nossas sugestões para as linhas de financiamento são baseadas em alguns pontos fundamentais:

“A indicação de novo recorde de safra
demonstra que o Brasil consegue responder
a contento à demanda mundial crescente por alimentos”

Previsibilidade e estabilidade na oferta de crédito;
Volume de recursos adequados; e
Juros fixos e compatíveis com a atividade econômica.

“Precisamos voltar a acreditar no
Brasil, o nosso potencial é fabuloso”

Especificamente com relação ao Moderfrota, sugerimos uma ampliação do volume de recursos para R$ 32 bilhões. Especificamente com relação ao Pronaf Mais Alimentos, sugerimos um volume de recursos de R$ 11 bilhões.

Para o Inovagro e Moderagro, estimamos que sejam necessários no mínimo R$ 8,15 bilhões de Reais.
Nossas sugestões para o PCA - Programa para Construção e Ampliação de Armazéns pedem um aporte de recursos da ordem de R$ 15 bilhões, de forma a evitar a ampliação do déficit de armazenagem no Brasil.

A positiva indicação de um novo recorde de safra no país, demonstra que o Brasil consegue responder a contento à demanda mundial crescente por alimentos. Mas, por outro lado, pressiona ainda mais o déficit de armazenagem de grãos no país, que está próximo aos 100 milhões de toneladas e beirando o caos logístico.

Sabemos ainda que atualmente, menos de 15% da área total cultivada no Brasil utiliza a tecnologia da irrigação, no entanto, representa mais de 40% dos alimentos produzidos. Assim, sugerimos que o Proirriga - Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido tenha uma ampliação do volume de recursos para R$ 5 bilhões.

Só para se ter uma ideia, a China irriga 70 milhões de hectares, os Estados Unidos 17, e no Brasil 7. Por isso que necessitamos de investimento. Para continuar produzindo, alimentando o povo brasileiro, e gerando divisas para o País.

Para crescer devemos investir, não há outro caminho. Precisamos voltar a acreditar no Brasil, o nosso potencial é fabuloso, vivemos em um país rico e abundante. Precisamos voltar a administrar a abundancia e não a escassez. Nesse momento, quero demonstrar meu otimismo e a fé de que neste ano do bicentenário da independência, nos renovamos a esperança que os governos, atuais e futuros, voltem a reconhecer a importância que a indústria tem, para o desenvolvimento do Brasil.

Globo Online - RJ   09/05/2022

O governo ampliou a redução linear nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para 35%. A medida, que passa a valer a partir de 1º de maio, foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

Dessa vez, porém, o governo tirou do corte do imposto a maior parte dos produtos feitos na Zona Franca de Manaus (veja a lista abaixo). Dessa forma, esses produtos permanecem com corte de 25%. Os demais produtos, que não têm equivalentes na Zona Franca, terão corte de 35%.

Na Zona Franca, a indústria é isenta de IPI e, portanto, um corte em outras regiões tira a atratividade das fábricas instaladas em Manaus.

No total, a redução do IPI de 35% terá um impacto de R$ 23,4 bilhões na arrecadação federal deste ano. O governo também estimou a renúncia de arrecadação para os três anos seguintes: R$ 27,4 bilhões em 2023, R$ 29,3 bilhões em 2024 e R$ 32 bilhões em 2025.

A União vem registrando recordes de arrecadação, mas tem gastado mais do que arrecada também e fechou março com as contas no vermelho. Como sustenta que esse aumento é estrutural, apesar de isso não ser consenso entre especialistas, vem promovendo a redução de alguns tributos.

— Esperamos que reduza os preços para o consumidor final. O nosso mantra é transferir o excesso de arrecadação de tributos para a sociedade e continuaremos buscando soluções nessa direção. A medida de hoje tem impacto muito importante para a reindustrialização do Brasil — disse a secretária especial de Competitividade e Produtividade do Ministério da Economia, Daniella Marques.

Ficaram de fora aqueles com tabaco na composição, por exemplo. A medida abrange, por outro lado, produtos da linha branca, como geladeira e máquina de lavar.

O Ministério da Economia não estimou qual o impacto da medida para a redução da inflação, que já acumula alta de mais de 10%.

Menos R$ 71,9 bi em arrecadação

"A presente medida objetiva estimular a economia, afetada pela pandemia provocada pelo coronavírus, com a finalidade de assegurar os níveis de atividade econômica e o emprego dos trabalhadores. Dessa forma, espera-se promover a recuperação econômica do país", afirmou o Planalto em nota.

De acordo com o Executivo, o corte das alíquotas vai representar uma diminuição da carga tributária de R$ 71,9 bilhões até 2024. A estimativa é de que o governo deixe de arrecadar R$ 15,2 bilhões em 2022, R$ 27,4 bilhões em 2023 e R$ 29,3 bilhões em 2024.

"Por se tratar de tributo extrafiscal, de natureza regulatória, é dispensada a apresentação de medidas de compensação, como autorizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal", explicou o Planalto.

A possibilidade da ampliação do corte do IPI foi antecipada na quarta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

— Acabamos de reduzir em 25% e vamos para mais uma rodada, baixando para 35% a queda do IPI — afirmou.

O corte é uma nova mudança do Executivo em relação ao tema, após Guedes indicar que iria aprofundar redução do IPI, mas recuar da decisão.

Inicialmente, a previsão era ampliar a redução para 33% para alguns produtos, ao mesmo tempo em que haveria uma reversão do corte para bens produzidos na Zona Franca de Manaus. Isso foi um pedido da bancada de parlamentares do Amazonas para manter a competitividade das indústrias da região.

No entanto, a medida foi adiada após Bolsonaro se irritar com uma ação judicial pedindo a suspensão do decreto. A situação gerou uma queda de braço com parlamentares amazonenses, que insistem em ir à Justiça contra a redução do IPI de produtos fabricados em Manaus.

Agora, o governo amplia o corte de IPI, excluindo em parte a Zona Franca.

O governo também zerou os incentivos para o xarope de refrigerante fabricado em Manaus, numa medida que também desagradou os parlamentares.

Na quarta-feira, Guedes voltou a afirmar que todo excesso de arrecadação será transformado em redução de tributos.

Já foram zerados, até o fim deste ano, o imposto de importação sobre o café, a margarina, o queijo, o macarrão, o óleo de soja e o açúcar. Também foi zerado o imposto de importação do etanol, que é misturado na gasolina e também vendido separadamente.
Repercussão

Na avaliação de Daniel Couri, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, a redução das alíquotas do IPI podem ter algum impacto, ainda que incerto, na economia, mas seguramente representa uma piora do lado fiscal para o governo:

— Você tem uma ajuda duvidosa do ponto de vista macroeconômico e tem certamente um impacto fiscal que não é só para a União. O IPI é um imposto compartilhado, e mais da metade da arrecadação cai para estados e municípios. Essa é uma medida que vai impactar todos os entes.

Do ponto de vista macro, a medida pode estimular o consumo e até melhorar os preços, o que teria um efeito marginal na inflação. O problema é o impacto nas contas públicas.

— Juntando com outras medidas que têm sido lançadas pelo governo, e algumas delas sem a correta compensação fiscal, você cria um risco para a frente quando passado esse choque da inflação na arrecadação, sem desprezar algum ganho estrutural, você pode se ver em uma situação mais delicada do ponto de vista fiscal — argumenta Couri, frisando a incerteza em relação ao desempenho da arrecadação e uma piora das contas públicas no médio prazo.

A ampliação da redução nas alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para 35% é muito positiva para a economia brasileira, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

— A desoneração se contrapõe às pressões inflacionárias que a indústria vem sofrendo e beneficia consumidores e todos os setores produtivos, além de aumentar a atratividade de investimentos na indústria brasileira — afirma.

Lista de produtos que permanece com corte de 25%:
Artigos de joalheria de outros metais preciosos Aparelhos de barbear Aparelhos de ar-condicionado Placas-mãe Fornos de micro-ondas Smartphones Modems Câmeras Aparelhos de televisão Motocicletas Bicicletas Relógios de pulso Consoles e máquinas de jogos de vídeo Impressoras

Uma versão anterior desta reportagem informava que os carros também seriam beneficiados com o corte adicional de IPI. O Ministério da Economia esclareceu neste sábado, porém, que os carros não tiveram o IPI reduzido nessa nova rodada, mantendo o corte anterior, anunciado em fevereiro.

Valor - SP   09/05/2022

Mercado apresenta demanda fraca e produtos mais caros com repasse de custos

Com inflação e juros em alta, a produção de eletrodomésticos começou 2022 em queda superior a 20%. O segmento, que já vinha sofrendo com a dificuldade de acesso a insumos e aumento de custo por causa de desorganização da cadeia produtiva e elevação dos preços de commodities trazidos pela pandemia, sente cada vez mais o orçamento apertado do consumidor, corroído por mais gastos com alimentos, energia e combustível.

No primeiro trimestre, a produção de eletrodomésticos caiu 25,3% em relação a igual período do ano passado, segundo informações detalhadas da pesquisa de produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o terceiro trimestre seguido de queda no indicador. A retração também aparece com dois dígitos em subgrupos como linha branca (geladeira, fogão, máquina de lavar), linha marrom (TV e som) e outros (eletroportáteis). Ao mesmo tempo, os preços de eletrodomésticos e equipamentos subiram 7,46% em igual período, acumulando alta de 20,43% nos 12 meses até março, segundo dados também do IBGE, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), refletindo repasse do aumento de custo de produção do setor.

A guerra na Ucrânia e o novo surto de covid-19 na China agravam ainda mais o cenário, classificado por executivos das empresas como “desafiador”, para evitar o tom negativo. As paradas nas fábricas chinesas por causa de “lockdowns”, especialmente na região de Xangai, já se refletem em algumas companhias.

Há quem já tenha buscado as segundas opções de fornecedores para os insumos — a prática do chamado “dual sourcing” se expandiu por causa dos problemas enfrentados com a pandemia — e também o frete aéreo, para encurtar o tempo do trajeto, no caso de alguns produtos, enquanto outros ainda estejam monitorando a questão e vejam efeito só mais à frente. Todos descartam possibilidade de interrupção de produção de algumas linhas, mas admite-se que parte do mercado pode enfrentar esse risco.

“A queda no primeiro trimestre está muito relacionada com o caixa do consumidor. A inflação subiu muito e a inadimplência também aumentou. O dinheiro disponível do consumidor brasileiro para uma parcela de eletrodoméstico foi sendo consumido pela comida, pela energia, pela gasolina”, afirma Sergei Epof, vice-presidente da Panasonic Brasil responsável pela chamada área de “appliances”, que responde principalmente pela linha branca, já que a empresa interrompeu a produção de linha marrom no Brasil no ano passado, seguindo uma estratégia global.

O mercado brasileiro vive hoje, de acordo com ele, uma combinação entre uma demanda mais fraca com um produto mais caro — por causa de parte do repasse pelo aumento de custo — e um crédito também mais caro. Diante da alta de juros, o consumidor tem pagado mais pelos empréstimos e há aumento da inadimplência.

“A demanda caiu e o eletrodoméstico aumentou de preço. Tivemos muito aumento de custo, que passa pelo frete internacional, por causa do petróleo, o dólar, que se mantém em patamar alto, mesmo com pequena queda recente, e insumos como aço, resina, semicondutores”, explica Epof, afirmando que parte desse custo foi repassado para o consumidor.

Diretor-superintendente da Esmaltec — fabricante de eletrodomésticos do grupo cearense Edson Queiroz —, Marcelo Campos argumenta que “a demanda praticamente sumiu” como resultado da inflação dos insumos e da queda do poder aquisitivo. Os resultados frustraram a partir de meados do ano passado, diz ele, especialmente no último trimestre do ano, época tradicionalmente boa para as vendas de bens duráveis, com a Black Friday e o Natal. Isso ocorreu depois de um movimento de aumento da procura por eletrodomésticos depois dos meses iniciais da pandemia, já que as pessoas estavam mais em casa.

Campos destaca a magnitude do aumento do custo dos componentes, que impactam especialmente empresas como a dele, que trabalham com os chamados produtos de entrada, com preço mais baixo. O aço subiu 163% em 2021, segundo ele, e já acumula alta de 20% em 2022. Isso afeta itens como compressores, evaporadores e condensadores para refrigeradores, por exemplo. “Parte do custo foi repassada ao consumidor, mas também há um esforço grande para rever negociações com fornecedores e processos para segurar parte dessa pressão”, diz.

A piora dos casos de covid-19 na China trouxe de novo a preocupação de fábricas paradas, no momento em que a situação de fornecimento de insumos já tinha se normalizado, conta Silvia Tamai, diretora de marketing da Philips Walita, divisão dos eletroportáteis da empresa.

“A situação de atraso e falta de insumos já tinha minimizado bem. Nossa perspectiva em janeiro era bem positiva, tínhamos retomado para o nível normal. Mas a condição voltou a preocupar há um mês, um mês e meio”, conta ela, que ainda assim espera volume maior de vendas em 2022 que no ano passado.

Os problemas afetam tanto os insumos usados diretamente na fábrica de Varginha (MG), quanto a parcela dos produtos que são importados diretamente de outras unidades, como alguns modelos de cafeteiras que vêm da Europa, por exemplo. A maior parte dos insumos e dos produtos vendidos é produzida no Brasil, explica ela, mas ainda assim a parte importada acaba tendo impacto no fluxo de produção.

“Tem um filtro que vai para a máquina de café expresso que vem da China. A gente traz o produto da Europa, mas eles por lá também dependem de algum componente que vem da China”, observa.

Em seu balanço global para o primeiro trimestre de 2022, a Electrolux creditou a queda nas vendas na América Latina ao recuo da demanda no Brasil, já que inflação e juros altos afetaram o poder de compra do consumidor.

Já a Whirlpool (dona das marcas Brastemp e Consul) não cita o cenário no Brasil em seu relatório para o período de janeiro a março, mas tem previsão de recuo da indústria de eletrodomésticos como um todo na América Latina em 2022, situação que se repete para a região de Europa, Oriente Médio e África.

AUTOMOTIVO

Correio Braziliense - DF   09/05/2022

O engenheiro italiano Antonio Filosa, presidente (COO) da Stellantis para a América do Sul, maior montadora do país, dona de praticamente um terço do mercado, diz que o Brasil passará pela transição do carro elétrico, mas admite que o país tem uma vantagem competitiva que é o etanol. “O Brasil não pode parar o progresso. E o progresso da indústria automobilística vai pela eletrificação”, afirma. E, para isso, a empresa pretende investir em novos modelos, entre eles, carros híbridos combinando a motorização da eletricidade com o etanol. “O argumento de que o país não precisa do carro elétrico não é puramente verdadeiro. O carro elétrico é o progresso”, frisa.

A Stellantis completou um ano desde a fusão dos grupos ítalo-norte-americano Fiat Chrysler e do francês PSA Peugeot Citroën, com mais de 20 marcas sob o guarda-chuva. A nova holding encerrou o primeiro ano de operações com faturamento de 152 bilhões de euros (R$ 814,7 bilhões), dos quais 10,7 bilhões de euros (R$ 57,3 bilhões) foram provenientes do continente sul-americano. A região comercializou 830 mil veículos e registrou lucro operacional de R$ 5,6 bilhões.

A empresa, hoje, é líder do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves. Globalmente, a Stellantis planeja investir 14 bilhões de euros por ano (R$ 75 bilhões), com ênfase em projetos de eletrificação e software. “A indústria está em uma fase de transição, esperando os novos marcos regulatórios”, destaca. E dois deles serão decisivos para a velocidade desse processo no Brasil: o Rota 2030, que definirá o novo objetivo de emissões de CO2 da indústria e o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve 8), o equivalente ao Euro VI. Para isso, será preciso muito diálogo. “O governo deve cuidar de colocar todos à mesa, entender o ponto de vista de cada um e tomar a melhor decisão para a indústria do país”, defende.

No entender de Filosa, a redução de 35% na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é “louvável”, mas não evita o aumento dos preços dos carros. A inflação de matérias-primas e componentes está “quatro a cinco vezes” acima do custo de vida oficial. Ele acrescenta, ainda, que a falta de competitividade da indústria brasileira acontece da porteira para fora, e os principais problemas são: carga tributária elevada, infraestrutura precária e falta de isonomia territorial. Só resolvendo esses problemas, o país será competitivo.

Estamos em um ano eleitoral, com muita volatilidade no mercado financeiro. Como o senhor e os executivos da companhia estão vendo o Brasil?

Digamos que estamos em transição. Nada de novo em relação a outros anos eleitorais.

Mas o Brasil nunca teve uma polarização como a de agora. O país está dividido…

No final, o Brasil, sempre, assim como todo país do mundo, escolhe um de dois. É uma polarização necessária.

É, mas no segundo turno. Antes, havia mais competição. Agora, uma terceira via está sem espaço. Abrindo as pesquisas, vemos mais de 70% dos votos consolidados em dois candidatos. Ou seja, o que vai decidir é a rejeição?

Provavelmente. Quem tiver maior rejeição, perde.

E para a empresa, como é atuar e fazer negócio no Brasil? Outras montadoras fecharão as fábricas no país, como a Ford?

Sinceramente, não sei. A decisão da Ford até se arrastou por alguns anos, acredito. Não sei se haverá outras (marcas) deixando (o país). Seguramente, algumas reduzirão a própria atividade. Os segmentos mais vulneráveis são os fornecedores, porque dependem da indústria e têm menos ferramentas. A indústria está em uma fase de transição, está esperando os novos marcos regulatórios e na fase de introdução da eletrificação. Esse, por si só, é um desafio.

O que são esses marcos regulatórios e o que vocês esperam?

São basicamente dois. O primeiro é a próxima onda do Rota 2030, que vai definir qual é o novo objetivo de emissões de CO2 da indústria. E o segundo, o Proconve 8, que definirá as novas regulamentações adicionais sobre gases poluentes (e deve vigorar a partir de 2025). Esses dois marcos serão definidos nos próximos meses. E eles mostrarão o quão rápido será a entrada do produto elétrico na indústria automobilística brasileira. O Brasil, muito mais do que outros países, tem uma alternativa para a matriz energética de autopropulsão que é o etanol. Na equação de emissão de CO2, medida desde o plantio da cana-de-açúcar até o uso do etanol nos motores, ele é quase neutro. É quase como um carro elétrico. E, para atender aos próprios objetivos (de redução) de emissões de CO2, o Brasil tem essa grande fortaleza que ninguém tem. Então, nessa decisão, (o país) definirá a velocidade da eletrificação da indústria.

Qual vai ser o papel do governo nessa questão?

Esperamos que, como sempre foi feito, o governo continue com a abertura ao diálogo, porque são decisões técnicas que impactam a produção e a velocidade de industrialização do país. O governo deve cuidar de colocar todos à mesa, entender o ponto de vista de cada um e tomar a melhor decisão para a indústria do país. É reconhecido que o Brasil tem essa fortaleza do etanol, e deve continuar cultivando-a.

Os produtores de etanol dizem que, no caso do Brasil, o carro elétrico não é necessário, devido ao enorme custo para construir uma rede de abastecimento, estimado entre R$ 300 bilhões e R$ 1,3 trilhão. E, para o etanol, a infraestrutura já existe. Há mais de 70 mil postos espalhados pelo país. Outro argumento é que a matriz energética que abastece o carro elétrico é mais suja que a do etanol. No Brasil, nem tanto, mas, na Europa, por exemplo, tem até carvão. O senhor acredita que o Brasil consegue conciliar essa questão?

Acho que o Brasil não pode parar o progresso. E o progresso da indústria automobilística passa pela eletrificação. O Brasil tem essa fortaleza do etanol, mas um não dispensa o outro. Um é alternativa ao outro. O Brasil será, no futuro, um dos pouquíssimos países que terá uma matriz de autopropulsão, com uma série de possibilidades. Para atingir os objetivos de redução de CO2, a maioria dos países é forçada a adotar unicamente a eletrificação. O Brasil poderá adotar uma mistura, de pura eletrificação, de eletrificação híbrida, com motor elétrico e de etanol. Isso é bom, é saudável, porque deixa as portas abertas ao progresso inevitável, que é a eletrificação, mas oferece ao mercado alternativas mais competitivas. Então, o argumento de que o país não precisa do carro elétrico não é puramente verdadeiro. O carro elétrico é o progresso.

Mas é tão caro aqui no Brasil…

É caro, mas não apenas no Brasil. É caro no mundo. O custo das células das baterias ainda é muito alto, porque não se atingiu a vantagem da economia de escala de outras alternativas. Mas é claro que, à medida que a demanda (pelo carro elétrico) aumentar e a produção crescer, o custo das células das baterias vai cair. Será daqui a 10, 15 anos uma alternativa de competitividade razoável. Nesse período transitório de 15 anos, os governos dos demais países podem pensar em incentivo ao consumo. O Brasil pode não pensar nisso, porque tem o etanol.

O governo, agora, deu incentivo à indústria por meio da redução do IPI, e o setor automotivo também foi beneficiado. Primeiro, um corte de 25% e, agora, de 35%. Por que essa redução não está sendo repassada para os consumidores? O preço do carro não cai, muito pelo contrário. Só sobe…

(A redução do IPI) está sendo repassada (aos consumidores). (Sem a diminuição do IPI), os preços dos carros subiriam muito, mas muito mais. A inflação global é enorme. Nós, da indústria, negociamos aço nos últimos três anos com média de mais de 54% de aumento de ano sobre ano. O preço do aço mais do que dobrou nesse período. O carro é feito com mais de 60% de aço, e não podemos fazer nada contra isso. Então, o incentivo do IPI é laudável. O preço do plástico também está aumentando, porque é derivado do petróleo. Tem muitos itens elétricos e eletrônicos que estão ficando mais caros. A inflação de todas as commodities que a indústria usa para fazer carros está muito elevada, na ordem de quatro a cinco vezes a inflação normal. Não repassamos todos os custos para os preços dos carros face às nossas eficiências. A redução do IPI é saudável, porque dá uma ferramenta a mais para conter um pouco o repasse da inflação, que, se não fosse feito, mataria a indústria.

E como está o fornecimento dos microprocessadores, que prejudicou a produção mundial de veículos durante a pandemia?

Está ainda restrito. De verdade, este seria o ano para começarmos a ver algumas relevantes melhorias, mas fatos novos surgiram. Entre eles, o problema geopolítico da guerra entre Rússia e Ucrânia. E, claramente, tudo o que aconteceu na China com a nova onda da covid-19, é outro. Então, tudo isso, desacelerou a melhora que vai ocorrer no começo do ano que vem.

Carro vai ser artigo cada vez mais de luxo no Brasil? O país teve um período, sobretudo no fim dos anos 2000, em que o brasileiro teve muito acesso, porque tinha o carro popular e o crédito em até 60 meses. Dada a queda na renda do brasileiro, só rico vai ter carro?

Não. Primeiro, é preciso olhar o tema da mobilidade, e não dos carros. Existem novos modelos de mobilidade que estão propondo ao consumidor alternativas diferentes. Nós, como Stellantis, por exemplo, estamos propondo uma série de planos relacionados a isso. Um deles, temos uma empresa dentro do grupo chamada Flua, que prevê ao consumidor subscrições de longo termo, de 12 a 24 meses. Ou seja, no lugar de comprar o carro, você pode comprar a exclusiva mobilidade de um modelo. É quase um leasing. Sobre o fato de o carro ser um bem de luxo ou não, depende de qual é a definição de bem de luxo.

Valor - SP   09/05/2022

Inflação e juros altos agora também afetam segmento de veículos usados, que salvou o setor em 2021

Se em 2021 a venda de veículos usados mais do que compensou a queda no mercado de novos e propiciou um ano recorde para o crédito automotivo, agora o cenário é bem menos animador. Com juros e inflação nas alturas, a comercialização de automóveis usados também passou a cair. Como a inflação eleva os volumes financiados, as carteiras ainda não têm recuado, mas os bancos já veem um ano bem mais difícil. A inadimplência, enquanto isso, está em alta nítida, embora não se espere nada nem próximo do salto nos calotes visto na crise de uma década atrás.

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de autos e comerciais leves usados somam de janeiro a março 2,003 milhões de unidades, uma queda de 24,71% na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Já as vendas de veículos novos totalizam 510,846 mil de janeiro a abril, com baixa de 22,80% sobre o mesmo período do ano anterior — nesse caso, além da inflação e dos juros, o mercado sofre o impacto da falta de componentes em decorrência da pandemia. Dados do setor mostram que o financiamento de veículos usados totalizou R$ 31,909 bilhões no primeiro trimestre, com alta anual de 28,1%, enquanto o de novos somou R$ 10,191 bilhões para novos, com queda de 14,3%.

“A aceleração da inflação corrói o rendimento do trabalhador e começou este ano afetando um pouco mais o veículo usado. Além disso, os bancos também ficaram um pouco mais restritivos no crédito no primeiro trimestre, com sinais de deterioração na carteira”, diz André Novaes, diretor de financiamento do Santander, um dos líderes em crédito automotivo, com uma carteira de mais de R$ 64 bilhões, considerando a fatia do grupo nos bancos Renault, Hyundai e Peugeot. Na teleconferência de resultado do banco, o vice-presidente financeiro, Angel Santodomingo, mencionou duas vezes, espontaneamente, que a situação no crédito automotivo estava difícil para a indústria como um todo.

Para Rodnei Bernardino de Souza, diretor de negócios de veículos do Itaú Unibanco, 2022 vai ser um ano difícil. “O ano passado foi extraordinário, foi recorde, e achávamos que este ano ficaria um pouco de lado. Mas o mercado começou a ficar mais complicado, com juros em alta, inflação elevada. Em setembro, outubro do ano passado começamos a observar um aumento da inadimplência nas novas safras, o que acendeu um sinal amarelo e nos levou a fazer alguns ajustes”, diz.

No Banco Pan, Alex Sander, diretor comercial e de produtos, diz que a alta dos juros e as incertezas do cenário político e econômico podem afetar a demanda por financiamento. Para manter o ritmo de crescimento e ampliar a estratégia digital, a instituição financeira adquiriu no ano passado a Mobiauto, plataforma com mais de 6 milhões de acessos mensais, o que lhe deu a capacidade de ofertar crédito para um maior número de pessoas. “Quanto ao mercado de carros usados, mesmo estimando uma retração do crédito no primeiro semestre, acreditamos em uma recuperação a partir do segundo semestre, fechando o ano em linha com 2021”, afirma.

No Bradesco, o presidente Octavio de Lazari Jr, disse em entrevista à imprensa que, nos financiamentos para clientes do banco, a inadimplência está estável. Porém, o executivo admitiu que o índice de atrasos tem subido um pouco na financeira do grupo, que atua com não correntistas, até porque aumento a proporção de carros usados no volume de operações. E eles têm uma taxa de juros maior. “Mas a margem compensa com sobra a inadimplência”, argumentou.

Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), diz que as concessões totais para o setor automotivo têm caído desde agosto do ano passado, com os bancos adotando uma postura mais seletiva. “A inadimplência vai continuar subindo, mas com uma acomodação no ritmo de alta, dada essa maior seletividade dos bancos nas concessões. Mas não vejo uma restrição total dos bancos. É uma carteira de quase R$ 250 bilhões, é um segmento importante.”

A inadimplência de pessoas físicas na aquisição de veículos ficou em 4% em fevereiro, mesmo nível de janeiro e o maior patamar desde julho de 2020. Na esteira da crise de 2011, chegou ao recorde de 7,2%. Para Novaes, do Santander, o segmento fez uma “correção” na carteira no fim do ano passado, mas o executivo diz que não foi uma “tirada de pé do acelerador. Ele aponta ainda que o banco deve lançar em breve novos modelos de crédito, com uso intensivo de dados e, assim, vai manter seu foco no segmento.

“As correções que existem são naturais, todos os concorrentes fizeram. Estou superotimista com o segundo semestre. Não tem a menor chance de ocorrer algo similar a 2011. Não temos uma explosão de inadimplência. Hoje o mercado está mais maduro, estruturado. Os níveis de financiamento em relação ao valor total do carro são bem menores”, diz Novaes. Essa visão é corroborada por Marcondes, do Pan. “Ao longo dos últimos anos o mercado foi aprimorando as regras de concessão de crédito, contribuindo para que não alcance patamares observados em períodos de crise anteriores.”

O Itaú, no entanto, demonstra preocupação com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender, em todo o país, as ações de busca e apreensão. O órgão resolveu julgar, em caráter repetitivo, se as notificações enviadas pelos bancos aos seus clientes endividados podem ser assinadas por terceiros. Segundo Teresa Cristina Marcondes, diretora jurídica do banco, desde 2018 a jurisprudência consolidada é a de que o envio da carta é suficiente, mas agora, com a decisão do STJ, muitos tribunais estão exigindo o protesto da dívida, o que é muito mais caro, demorado e trabalhoso. “Acreditamos que a discussão no STJ terá um resultado positivo, mas enquanto isso já estamos estudando os fluxos de protestos em alguns lugares mais rígidos.”

Souza diz que, por enquanto, o imbróglio do STJ não está provando uma desaceleração na concessão de crédito pelo Itaú, mas se o impasse perdurar isso pode mudar. “Arrumando a questão do STJ, com a volta da segurança jurídica, esperamos um segundo semestre muito parecido com a segunda metade do ano passado, em termos de volume financeiro, embora em unidades financiadas haja uma queda. Se não arrumar (...) as taxas praticadas hoje dependem da busca e apreensão, para ter uma sustentabilidade do negócio”, afirma.

Depois de um período difícil em seu negócio automotivo em meados da década passada, o Itaú repensou o produto, adotando uma postura muito mais conservadora. Nos últimos dois anos, no entanto, com uma carteira mais saudável, o banco viu que dava para assumir um pouco mais de risco, indo inclusive com mais força para o mercado de usados. “A inadimplência no mercado estava entre 3,5% e 4%, e a gente estava 30%, 40% abaixo disso. Aí vimos que trabalhar com a inadimplência média do mercado ainda era bom para nós e, com cautela, ganhamos share no mercado de usados”, afirma.

Para Souza, o desafio é encontrar o equilíbrio entre ganhar participação de mercado e manter a inadimplência sob controle. O executivo diz que o banco não voltará para a postura conservadora que o fez perder market share, mas também não quer uma liderança a qualquer custo. “Já fomos líderes, tínhamos mais de 30% do mercado, mais aí vieram a inadimplência, os juros, e esses empréstimos não foram pagos. Não adianta uma liderança que não se sustenta no tempo.”

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   09/05/2022

Incorporadoras de padrão econômico, que atendem o programa Casa Verde e Amarela, têm limitações para repassar os custos

A margem de lucro das incorporadoras de imóveis de capital aberto deve ter redução no primeiro trimestre, com as empresas pressionadas pelo aumento do custo da construção e os juros elevados, problemas que acompanham o setor desde 2021. Esse é o cenário que aparece em relatórios feitos por analistas da XP, Itaú BBA e Bank of America (BofA).

As incorporadoras de padrão econômico, que atendem o programa Casa Verde e Amarela, têm limitações para repassar os custos, porque há um teto para o valor de venda das unidades — em São Paulo e no Rio de Janeiro é de R$ 264 mil. Elas também já costumam trabalhar com eficiência elevada, o que dificulta novos ganhos operacionais para reduzir margens.

Incorporadoras que atuam na faixa 2 do programa, para famílias com renda de até R$ 4 mil, devem ter mais dificuldades, escreve Ygor Altero, analista-chefe do setor de construção da XP. “Continuamos vendo forte pressão nos custos de construção para os nomes de baixa renda, impactando negativamente a margem bruta e a geração de caixa das empresas”.

Dentro desse setor, a Tenda é citada pelos analistas como provável fonte de resultados negativos. Na prévia, apresentou queda de lançamentos e de vendas líquidas (de 23,5% e 17,8%), após um quarto trimestre também fraco.

“Reconhecemos os esforços da companhia para recuperar margens, mas os resultados do primeiro trimestre devem continuar sob pressão. A margem bruta deve retornar ao território positivo, embora em um nível ainda fraco, enquanto as despesas financeiras mais pesadas devem pressionar ainda mais os resultados”, escrevem André Dibe, Bruna Breunig e Alejandro Fuchs, do Itaú BBA. Analistas do BofA colocaram recomendação de venda para a ação, com preço-alvo de R$ 8.

Companhias que optaram por atuar na faixa mais elevada do programa e ligeiramente acima dele devem ter resultados melhores, como é esperado para a Cury, elogiada por seu desempenho em 2021 e na prévia operacional do primeiro trimestre. Altero, da XP, estima aumento de 25% na receita da empresa na comparação anual, para R$ 423 milhões, e uma leve melhora na margem, de 0,7 ponto percentual, para 36,2%.

A incorporadora é escolha de “compra” do BofA, assim como a MRV, a preços-alvos de R$ 13 e R$ 18 por ação, respectivamente. Para os analistas, ambas possuem oportunidades de crescimento. Eles acreditam que a AHS, operação americana da MRV, ainda não está precificada na ação.

A Direcional, que divulgou seu balanço na quinta-feira (05), também era bem avaliada pela XP. A companhia reportou vendas líquidas de R$ 622 milhões, alta de 21% sobre o mesmo período do ano passado e o melhor resultado para o início de ano em sua história.

O segmento de médio e alto padrão, que tinha mais chance de escapar da pressão nas margens por possuir espaço para elevar preço, também deve sentir esses efeitos no trimestre. A velocidade de venda, já afetada pela sazonalidade do início do ano, deve se reduzir. Os analistas esperam resultados modestos dessas incorporadoras, pouco acima do apresentado no primeiro trimestre de 2021.

“As construtoras de média e alta renda também devem começar a ver maior compressão nas margens em meio a uma nova onda de inflação de custos e deterioração na acessibilidade de crédito, com um repasse mais desafiador”, escrevem os analistas Carlos Peyrelongue e Aline Caldeira, do BofA.

Nesse cenário, empresas que atuam mais no alto padrão podem se sair melhor. O BofA recomenda a compra de ações da Cyrela, com preço-alvo de R$ 25. A XP também destaca JHSF, Lavvi e Melnick como incorporadoras que devem ser mais resilientes.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   09/05/2022

O Porto de Itaguaí, administrado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), completa 40 anos no dia 07 de maio (sábado) com projetos em andamento para a melhoria da infraestrutura, além de grandes perspectivas de crescimento para os próximos anos. A Autoridade Portuária comemora as conquistas do porto, consolidado como maior porto público do Brasil na movimentação de minério de ferro e que, em 2021, ficou na 2ª posição do ranking dos dez maiores portos públicos em movimentação de cargas, segundo dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Ao longo desses 40 anos de história do Porto de Itaguaí, o superintendente de Gestão Portuária de Itaguaí e Angra dos Reis, Alexandre Neves, lembra que foram desenvolvidos diversos projetos de terminais e de obras de infraestrutura, que elevaram o porto ao patamar de destaque no cenário atual do setor portuário brasileiro: “Inicialmente, o então Porto de Sepetiba, atual Porto de Itaguaí, foi concebido para atender à Companhia Siderúrgica Nacional na importação de carvão pelo TECAR, visando a produção de aço, e, simultaneamente, foi construído o terminal de alumina da ValesuL. Depois, tivemos ainda a construção do terminal arrendado de minério de ferro da Vale-CPBS e o terminal arrendado de contêiner e carga geral da Sepetiba Tecon”.

Para o superintendente Alexandre Neves, as obras de infraestrutura que vêm sendo executadas deixam claro a visão da Docas do Rio de continuar esse processo de desenvolvimento do Porto de Itaguaí, em atendimento às demandas atuais e futuras: “Estamos aprimorando cada vez mais nossas condições operacionais e de infraestrutura, que atendam às necessidades do mercado com segurança e qualidade”.

Acesso Aquaviário — O superintendente destaca que foram fundamentais para o crescimento do porto “as adequações realizadas na infraestrutura aquaviária, tais como: o alargamento e aprofundamento do canal principal, visando atender aos navios ‘tipo’ que surgiram com os terminais e novas cargas; a otimização do acesso aquaviário, com a criação de novas áreas de fundeio que proporcionaram ganhos de produtividade aos terminais, gerando crescimento na movimentação de cargas; e a implementação do ‘Canal Derivativo’, que permitiu um acesso ao porto da entrada da Baía de Sepetiba até os terminais, dentro da poligonal do porto organizado, sob gestão direta da Autoridade Portuária”.

Acesso Terrestre — Na infraestrutura terrestre, Alexandre Neves ressalta que “a Docas do Rio investiu na ampliação da portaria principal, com novos ‘gates’ de entrada e saída, adequando a capacidade instalada à duplicação da Rodovia Rio-Santos e ao Arco Metropolitano, e vem modernizando a iluminação e a sinalização das pistas, no intuito de proporcionar maior segurança ao tráfego de veículos”. Também foram realizados investimentos no acesso ferroviário, por parte da concessionária e dos terminais, para ampliação dos ramais e aumento de linhas em atendimento às novas demandas do porto. Por fim, ele acrescentou que “os terminais arrendados investiram em novos equipamentos operacionais que potencializaram a capacidade de recebimento, embarque e desembarque de mercadorias no porto”.

Movimentação de cargas — De acordo com o Estatístico Aquaviário da agência reguladora, em 2021, o Porto de Itaguaí movimentou 51,7 milhões de toneladas, volume que representou um incremento de 11,9% em comparação com 2020. Dos 51,7 milhões de toneladas movimentadas no ano passado, 44,8 milhões foram de minério de ferro, o que corresponde a 87% do total e a um aumento de 11,7% em relação ao total de minério movimentado em 2020.

Investimentos Privados — Atualmente, o Porto de Itaguaí conta com dois terminais de minério, arrendados para as empresas CSN Mineração e Vale, além de um terminal de contêineres, cuja arrendatária é a empresa Sepetiba Tecon, do grupo CSN. Essas três parceiras de negócios têm um montante de investimentos previstos que supera os R$ 4 bilhões para os próximos anos.

Novos Negócios — Do ponto de vista comercial, o Porto de Itaguaí está se preparando para uma grande expansão. Com mais de 2 milhões de m² de área disponível, em breve, serão licitadas uma área de apoio operacional e dois terminais de granéis sólidos. Os projetos para a exploração dessas novas áreas já estão em curso e o montante de investimentos previsto é superior a R$ 3 bilhões. Pelos planos da Empresa de Pesquisa Energética, o Porto de Itaguaí será conectado por uma dutovia às bacias produtoras de óleo e gás do pré-sal, o que o tornará em um hub da indústria de gás e energia, com potencial de atrair indústrias com uso intensivo de energia no seu processo produtivo.

Sustentabilidade — O crescimento do Porto de Itaguaí vem ocorrendo com foco na responsabilidade socioambiental. Recentemente, o porto teve seu licenciamento ambiental renovado para os próximos seis anos. Na busca de mitigar os impactos ambientais da sua operação, os investimentos previstos mencionados contemplam diversas obras e equipamentos para tornar as operações no porto mais limpas e seguras para o meio ambiente e os trabalhadores. Além disso, estão sendo elaborados projetos sociais de apoio às comunidades vizinhas ao porto, com o objetivo de fortalecer e estreitar a boa relação entre o Porto de Itaguaí e a população que vive no seu entorno.

Na expectativa de novos terminais, novas operações, novos clientes e relevantes investimentos, o Porto de Itaguaí faz 40 anos, como um importante gerador de riqueza e postos de trabalho na sua região, com excelentes perspectivas para se consolidar como um dos maiores polos industriais e de logística do estado, com consciência de seu papel na responsabilidade socioambiental.

Veja - SP   09/05/2022

Meteorologista conceituado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Edward Lorenz entrou para o universo da cultura pop quando citou o chamado efeito borboleta em um congresso de cientistas em 1969. Ele ganhou fama global ao dizer que o bater de asas de uma borboleta na China é capaz de desencadear tufões e tempestades nos Estados Unidos. Controversa do ponto de vista das ciências físicas, a metáfora do americano é, hoje, perfeita sob o aspecto econômico. Na quarta-feira 4, o Federal Reserve, Banco Central americano, elevou a taxa básica de juros para 0,5 ponto porcentual, com intervalo entre 0,75% e 1% ao ano, no maior aumento nos últimos 22 anos, uma tentativa radical de conter a inflação histórica no país. Entre os motivos que levaram à decisão está a preocupação com o impacto dos lockdowns na China causados pela eclosão da variante ômicron do coronavírus e o colossal desarranjo que tal paralisação tem provocado na logística de distribuição de produtos mundo afora.

Dos 9 000 navios porta-contêineres em operação atualmente, cerca de 1 800 estão fora de ação, retidos em engarrafamentos portuários espalhados pelo globo. Para esse fenômeno contribuem desde os resquícios da pandemia que ainda afetam os sistemas de produção e distribuição de mercadorias em alguns países até os recentes embargos provocados pela invasão da Ucrânia pela Rússia, comprometendo o tráfego marítimo na região do Báltico e do Mar Negro. No entanto, a situação piorou — e muito — desde março, quando, em uma medida de rigor sem precedente adotada pelo governo do presidente Xi Jinping, batizada como Covid Zero, foram enclausurados dentro de casa os habitantes de 27 cidades chinesas, em um severo regime de isolamento. Entre as metrópoles interditadas estão megalópoles costeiras como Shenzhen, Guangzhou e, principalmente, Xangai, dona do maior porto do mundo. Ali, são movimentados 43 milhões de contêineres por ano, três vezes mais que o de Roterdã, na Holanda. Com todas as atividades de embarque e desembarque drasticamente reduzidas, o prazo de liberação de contêineres nos portos do país passou de três para vinte dias. O resultado foram colossais filas de navios à espera de autorização para atracar. A consultoria internacional especializada em navegação Windward calcula que, na última semana de abril, aglomeravam-se nos portos da China pelo menos 506 embarcações de grande porte, entre navios de carga e petroleiros, a maioria delas parada nos arredores de Xangai.

O caos logístico que se instalou no comércio internacional — e, em particular, na China — tem origem em um descompasso entre oferta e demanda ocorrido na transição da primeira para a segunda fase da pandemia, em meados do ano passado. Com o rápido reaquecimento econômico decorrente do fim dos primeiros lockdowns, a partir do segundo semestre de 2020, criou-se uma situação de escassez de produtos e matérias-primas nas cadeias de suprimentos em escala global. Tal desequilíbrio estava em fase de normalização no início do ano quando a nova onda da epidemia atingiu as grandes metrópoles chinesas, sede de fábricas que abastecem o mercado internacional de manufaturados, eletrônicos e componentes industriais.

Como a China é detentora de uma fatia de 15,4% do total das exportações comerciais globais, é natural que o país desperte a preocupação do resto do mundo. O mercado de alguns tipos de produto com alta dependência das fábricas chinesas, como chips e semicondutores, por exemplo, vive uma crise sem igual. Na semana passada, a Volkswagen do Brasil anunciou a paralisação das atividades de sua fábrica em São Bernardo do Campo por vinte dias em decorrência da falta desses dispositivos eletrônicos para instalar em seus automóveis. “Países como o Brasil ainda vão continuar sentindo os efeitos dos gargalos, principalmente na parte de componentes elétricos e eletrônicos, e isso terá um considerável impacto nos preços”, avalia Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. A crise também tem afetado o fornecimento de insumos para a indústria farmacêutica nacional, o que tem preocupado tanto fabricantes de medicamentos básicos, como antibióticos e dipirona, quanto os que produzem remédios de alta complexidade para o tratamento de câncer e outras doenças graves. “O transporte marítimo é uma parte crucial da cadeia de suprimentos e, mesmo quando voltar à normalização, ainda implicará a adaptação dos outros elos hoje afetados nesse processo”, diz Antonio Wrobleski, especialista em software para a cadeia logística.

O problema se estende ainda para setores como o do agronegócio, que já registra queda no ritmo de exportação por consequência da desaceleração na economia chinesa. Grandes bancos, entre eles o suíço UBS, reduziram as projeções de crescimento do PIB chinês de 5% para 4,2% após o decreto dos lockdowns. Para o Brasil, que tem na China seu maior parceiro comercial, trata-se de notícias preocupantes. No ano passado, a balança comercial entre os países somou 136 bilhões de dólares. Sem nenhuma previsão de prazo para ser solucionada, a crise logística traz ainda complicadores como o elevado preço dos fretes marítimos, que passou de 8 100 dólares por contêiner em março para os atuais 8 900 dólares. Antes do coronavírus, o valor era de, aproximadamente, 3 000 dólares. Em um cenário assim, a única previsão possível é que, mesmo quando a borboleta parar de bater as asas na China, o vendaval ainda continuará surtindo efeito no resto do mundo.

Agrolink - RS   09/05/2022

O volume de granéis sólidos embarcado pelo Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá foi 7,4% maior no primeiro quadrimestre deste ano, comparado ao mesmo período de 2021. Em 2022, de janeiro a abril, 5.975.114 toneladas de soja, farelo, trigo e milho saíram pelo complexo. Nos mesmos meses do ano passado, foram 5.561.822 toneladas.

“Os principais responsáveis pela alta foram farelo de soja e milho carregados pelos três berços que compõem o corredor”, explica o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Em percentual, o maior aumento ocorreu nos embarques de milho, com alta de 35%: 798.152 toneladas neste ano e 591.538 toneladas em 2021. Em volume, pesaram os embarques de farelo de soja. Enquanto no ano passado as exportações somaram 1.288.261 toneladas, nos últimos quatro meses foram 1.551.553 toneladas – 20,4% mais.

De soja em grão, neste ano, o volume somou 3.592.513 toneladas, apenas 75.510 toneladas a menos que no ano passado (3.668.023 toneladas). O trigo, um produto que costuma ser importado pelo Porto de Paranaguá, teve um pequeno saldo de exportação pelo Corredor Leste. Em fevereiro, neste ano, 32.805 toneladas foram embarcadas, mais que o dobro das 14 mil toneladas registradas no mesmo mês, em 2021.

No ano passado, nos meses de março e abril, não houve embarque de milho pelo Corredor de Exportação do porto paranaense. Já em março e abril deste ano, 107.232 e 371.992 toneladas do grão, respectivamente, saíram pelos três berços. O volume registrado em abril foi quase 247% maior que o registrado no mês anterior.

COREX

O sistema paranaense de embarque de granéis é único no Brasil. A carga pode ser embarcada simultaneamente por três berços de atracação e é possível que um mesmo navio receba mercadorias de diferentes produtores, inclusive dos pequenos. Atualmente, nove terminais privados ou arrendados operam no Corredor: Agtl Cargill, Centro Sul, Cimbessul, Coamo I e II, Cotriguaçu, Interalli, Louis Dreyfus e Rocha. Juntos, eles somam 1,025 milhão de toneladas de capacidade global.

Além disso, cinco silos públicos também estão interligados ao complexo: um vertical, com capacidade estática de 100 mil toneladas, e quatro horizontais, com capacidade total de 60 mil toneladas. Por estes, operam Céu Azul, Grano Logística, Gransol, Marcon, Sulmare, Tibagi e Transgolf, que trabalham com diversos exportadores menores.

NAVIOS

No primeiro quadrimestre deste ano 102 navios atracaram no complexo para carregar grãos – sete a mais que em 2021, no mesmo período.

A Tribuna - SP   09/05/2022

Criado em outubro do ano passado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o grupo de trabalho (GT) que debate com o setor portuário os impactos da crise de contêineres que atinge o mundo todo desde o início da pandemia de covid-19 deve encerrar os trabalhos no próximo mês.

A escassez de caixas metálicas no mercado motivou a criação do GT para que a agência reguladora conseguisse mensurar os reflexos desse cenário no setor portuário brasileiro, por meio de reuniões com representantes de terminais portuários, armadores e embarcadores. Segundo apurado por A Tribuna, as conversas chegarão ao fim no primeiro semestre deste ano.

A Antaq confirmou à Reportagem que as reuniões tiveram início há sete meses, mas não comentou os avanços das conversas. No entanto, o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Conceição da Silva, adiantou que a associação participou de diálogos com a agência antes mesmo do GT ser formado e explicou que empresas associadas à ABTP e que atuam nos portos de Santos e Paranaguá foram consultadas.

“A Antaq quer identificar todas as causas (da crise) e ver se as soluções que estão sendo adotadas realmente vão resolver essa escassez. Será feita uma amostragem com os portos, uma técnica muito boa de pesquisa”, explica Silva, dizendo que não é possível atribuir à crise apenas uma causa. “São vários motivos e infelizmente todos têm uma origem comum, que é a questão da pandemia”.

De acordo com o diretor-presidente da ABTP, além dos lockdowns pelo mundo, houve aumento do consumo por parte da população. “Durante a pandemia, houve um aumento muito grande de importação e exportação”, relata, citando máscaras, galões de oxigênio e outros produtos usados para prevenção e tratamento da covid-19. “Eram equipamentos transportados por contêineres”.

Devido à mudança de consumo, houve uma demanda mundial diferenciada. “Obviamente, a logística não estava preparada. Isso gerou uma escassez grande durante a pandemia”, ressalta, para em seguida dizer que, mesmo após a vacinação em massa, a demanda continuou elevada. Dessa vez, com importações feitas por áreas de serviço que atendem os ambientes que as pessoas voltaram a frequentar.

Silva ainda enfatiza que a falta de contêineres também está relacionada à escassez de navios. “Os navios ficavam parados”, relembra, citando o ápice da pandemia. De acordo com ele, a expectativa era de que a situação melhorasse em 2022, porém, a variante Ômicron voltou a impactar o setor. “Agora, há um lockdown em Xangai, na China. Com isso, o maior porto de transação de contêineres, que faz recepção e distribuição de cargas conteinerizadas, está fechado. Isso acirra um pouco a questão”.

No Brasil, ele revela que a ABTP recebeu embarcadores com muitos problemas envolvendo contêineres. “Eles tiveram que optar por outros tipos de navios, como os break bulks, por exemplo. Muita soja que era embarcada por contêineres voltou para os navios graneleiros”.

Em nota, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) diz não enxergar no dia a dia uma crise envolvendo os contêineres. “Do ponto de vista do operador portuário, não há crise de contêineres, visto que, no Porto de Santos, houve um crescimento de 14% na movimentação deles em 2021, na comparação com 2020”, relata a entidade, em nota. “No Porto de Santos pode não ser tão perceptível, mas esse efeito chegou sim ao Brasil”, contesta Silva.

Solução

Para o diretor-presidente da ABTP, a solução seria a fabricação de mais contêineres e navios. “Mudou o padrão de consumo. A falta não é só em função das retenções que ocorreram, é em função também do aumento da demanda. E com aumento da demanda, mais navios e contêineres precisam ser colocados no mercado”.

Outra solução está extremamente ligada ao combate ao coronavírus, pois, de acordo com Silva, toda a cadeia logística fica bagunçada com lockdowns em série e os contêineres acabam parados nos portos. “Se isso tudo ocorrer, até o final desse ano a situação estará muito melhor”, finaliza.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   09/05/2022

A Petrobras e outras empresas do setor com ações em bolsa devem seguir apresentando bons resultados nos próximos trimestres, na opinião de analistas consultados pelo Broadcast. A estatal divulgou seu balanço na noite da quinta-feira, 5, mostrando um aumento de 3.718% no lucro no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, e de 41,4% em relação aos últimos três meses do ano, totalizando R$ 44,5 bilhões.

O motivo para o otimismo com o setor é a perspectiva de que as cotações do petróleo continuem em alta, com a demanda superando a oferta, em razão das sanções impostas pela União Europeia à Rússia, com embargo total da commodity, afirma Nicolas Silvas, responsável da Mesa Expert da CM Capital. Segundo ele, mesmo com o plano da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de manter os aumentos modestos na produção do petróleo, a queda nos estoques tende a levar a uma alta nos preços.

Em abril, o cenário internacional conturbado ajudou as empresas do setor a desafiarem o comportamento do mercado. As ações se destacaram enquanto a bolsa local e as internacionais tiveram quedas fortes, lembra Fernando Damasceno, analista sênior do Modalmais. Somado a isso, as empresas quase não registraram paradas de manutenção. Damasceno acredita que as cotações do petróleo brent devem se manter acima de US$ 100 nos próximos meses, o que garantirá bons resultados às petroleiras.

Outro impulso ao setor, em específico a Petrobras, é o pagamento de dividendos. Ontem a empresa anunciou proventos antecipados referentes ao primeiro trimestre de R$ 3,17 por ação a serem pagos aos acionistas que estiveram na base de dados da empresa até 23 de maio. Na opinião de Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, a notícia pode manter os investidores “animados” no curto prazo, deixando em segundo plano a preocupação com o aumento de 5% ao ano nos custos de extração previsto para as companhias do setor.

As duas ressalvas ao prognóstico positivo são apenas os efeitos ainda incertos dos lockdowns na China, motivados pelos surtos de covid-19, que podem comprometer o ritmo de crescimento do país asiático, com reflexos na economia mundial. E ainda a proximidade das eleições no Brasil, que causam turbulências e podem respingar sobretudo na Petrobras, em razão do risco de interferência política, destaca Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos. Ontem, durante a divulgação do balanço, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a empresa, a criticar seu lucro, e pediu mais uma vez o não repasse de novos aumentos de preços dos combustíveis.

Valor - SP   09/05/2022

Os preços dos contratos do Brent para julho terminaram o dia em alta de 1,34%, a US$ 112,39 o barril, enquanto os preços dos contratos para junho do WTI subiram 1,39%, a US$ 109,77 o barril

O petróleo terminou mais uma sessão em alta, acumulando ganhos nesta semana, a segunda consecutiva de avanço. Um possível banimento dos europeus ao petróleo russo continua a pressionar o lado da oferta e elevando os preços da commodity. Outra informação que pesou sobre os mercados nesta sexta-feira (6) foi a de que os Estados Unidos planejam comprar petróleo no outono para repor suas reservas estratégicas.

No fim da sessão desta sexta, os preços dos contratos do Brent, a referência global, para julho terminaram o dia em alta de 1,34%, a US$ 112,39 o barril, na ICE, em Londres, enquanto os preços dos contratos para junho do WTI, a referência americana, subiram 1,39%, a US$ 109,77 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). Na semana, o Brent acumulou ganhos de 4,9%, enquanto o WTI avançou 4,85%.

Nesta semana, a União Europeia anunciou que desenvolveu um plano para bloquear o petróleo russo. Isso deu espaço para que a commodity avançasse, ainda que haja dúvidas sobre o real impacto à oferta, se houver tal banimento. Além disso, informações de que os EUA pretendem comprar petróleo no outono para repor suas reservas também geraram temores.

Ainda, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) mantiveram, nesta semana, a expansão de 432 mil barris diários para o mês de junho. Os membros da organização, porém, vêm tendo dificuldades de cumprir com o total da produção projetada.

Para o Commerzbank, já está claro que a produção será expandida em um grau significativamente menor.

A Opep pode enfrentar outros problemas, conforme lembra o banco alemão. Um comitê do Senado dos EUA aprovou, ontem, um projeto de lei que pode permitir ao procurador-geral dos EUA entrar com uma ação no tribunal federal contra a Opep por conluio ilegal de preços. “Para que esse projeto se torne lei, precisaria ser aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados e depois assinado pelo presidente. Até agora, isso foi considerado improvável, mas a inflação recorde e as eleições para o Congresso a serem realizadas neste outono aumentam a probabilidade de sua ratificação.”

AGRÍCOLA

Auto Industria - SP   09/05/2022

Com a finalidade de facilitar a vida de seus clientes, a New Holland Agriculture, marca da CNH Industrial, acaba de colocar no ar uma plataforma exclusiva para o comércio eletrônico de peças genuinas para maquinas agrícolas. A base de distribuição é a rede de concessionárias da marca, formada por mais de 220 lojas espalhadas em todo o País.

O serviço não tem custo adicional para o produtor, que pode receber em casa itens como filtros, óleos e cabos, todos com garantia de fábrica.

“É uma iniciativa pioneira no setor agrícola brasileira, mas que já nasce com um know-how de dois anos adquirido a partir de site similar lançado pela nossa marca co-irmã, a New Holland Construction, de peças para máquinas de construção”, explica  Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina.

Fernando Gaya, vice-presidente de Parts & Service da CNH Industrial para a América Latina, explica que o novo site tem a vantagem de ser leve, rápido e objetivo, podendo ser acessado a partir de qualquer dispositivo.plataforma

“Queremos que o cliente não encontre dificuldade alguma para acessar e comprar peças por meio da  virtual. Ele vai conseguir localizar a peça que procura de maneira bastante objetiva, colocá-la no carrinho e finalizar a compra de modo simples e com todo o conforto”, garante Gaya.

Segundo ele, o portfólio de produtos disponíveis na plataforma estará em constante expansão, com previsão de novas funcionalidades sendo implementadas no futuro. O serviço de compra online está disponível no https://loja.newhollandag.com.br/.

AgriWorld - SP   09/05/2022

Equipamentos agrícolas inteligentes apresentam como diferencial um sistema operacional inovador e intuitivo

Reconhecida pelos maquinários agrícolas inteligentes, tecnológicos e de nível incomparável de qualidade, a Fendt apresentou, na edição 2022 da Agrishow, as novas gerações de tratores da marca, o Fendt Vario 900 G7 e o Fendt Vario 1000 G3, com o diferencial de um ambiente de trabalho mais conectado e intuitivo. Outro lançamento que também traz inovação ao campo é o Fendt Connect, plataforma que permite ao agricultor ter informações valiosas disponíveis em tempo real por meio de telemetria.

A tecnologia atende à demanda de grandes produtores que buscam se beneficiar de inovações para melhorarem desempenho, eficiência e lucratividade nos negócios. As mudanças vêm de dentro para fora do trator, por meio do conceito operacional FendtONE que, com modernos painéis, deixa a informação a um toque do produtor e sempre de forma intuitiva. Coletar e avaliar os dados em tempo real dos maquinários agrícolas para otimizar e tornar mais precisa a operação no campo é uma das soluções inteligentes que a nova geração de tratores Fendt também oferece ao produtor.

“Antecipamos um caminho para o futuro, em que sistemas digitais permitem que os processos e as operações de campo sejam organizados de maneira mais inteligente e eficaz”, comenta José Galli, diretor Fendt América do Sul.

As novidades intensificam ainda mais a posição de liderança em alta tecnologia da marca alemã, que faz um balanço de seus três anos de chegada no Brasil, anunciada na Agrishow 2019. Galli comenta o salto positivo de resultados em relação ao projetado para o país. “Estamos entregando, em 2022 os resultados previstos para 2025. Nossa projeção é que, em 2026, tenhamos crescido oito vezes o faturamento de 2021 da Fendt no Brasil. Entendemos que diferenciais que só a marca tem impulsionam esse resultado, expansão da rede, novas contratações de equipe comercial, técnico de campo e ainda equipe de fábrica. Estamos na jornada de ser o melhor pós-venda de máquinas agrícolas com a tecnologia sendo o ponto principal.”

Segundo Galli, a estratégia da Fendt no Brasil foi de tamanho sucesso que a marca acelerou as inaugurações de concessionárias, devido à alta demanda por máquinas. “Em curto prazo e de maneira sólida, superamos o desempenho do mercado em geral ”, ressalta. Em três anos a Fendt passou por ampliação da rede de concessionárias, como unidade hoje em Sorriso (MT); Balsas (MA); Campo Novo do Parecis (MT); Sidrolândia, Maracaju, São Gabriel do Oeste e Dourados (MS); Rio Verde (GO) e Luis Eduardo Magalhães (BA); e com próximas inaugurações a ocorrerem em Imperatriz (MA); Primavera do Leste, Querência, Juara e Nova Mutum (MT) e Chapadão do Sul (MS).

Ainda em 2022, vai expandir o atendimento para Piauí, Tocantins e Pará, completando o Cerrado; e chegar a outra região produtora, com a primeira concessionária do Sul do país, inaugurada em Passo Fundo (RS). Em 2023 a marca já anuncia que vai passar a atender o Paraná, aumentando a representatividade no Sul, e ainda atender ao Sudeste, em São Paulo, além de estender sua atuação para a América do Sul, começando com Chile e Paraguai, com planos para outros países.

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