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07 de Junho de 2022

ECONOMIA

Globo Online - RJ   07/06/2022

Mais de um mês após a última divulgação do relatório Focus, o documento publicado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC) aponta para inflação em 8,89% em 2022 e 4,39% em 2023.

País do salário mínimo: Trabalhadores que ganham até o piso chegam a 38%Eletrobras: Governo tenta derrubar liminar que coloca em risco privatização da empresaFesta junina inflacionada: Quitutes típicos subiram mais de 13%Preço dos combustíveis: Governo estuda usar até R$ 25 bi para subsidiar diesel ou compensar estados por perda no ICMS

O número é bem superior aos projetados pelo mercado na última edição do Focus, publicado no dia 2 de maio. Naquela oportunidade, a mediana das expectativas era de 7,89% este ano e 4,1% em 2023.

A meta de inflação deste ano é de 3,5% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p). Em março, o BC já havia admitido alta probabilidade de descumprimento da meta. Para 2023, a meta é de 3,25%, com piso de 1,75% e teto de 4,75%.

Por conta da greve dos servidores do BC, o relatório Focus não foi publicado em quatro oportunidades durante o mês de maio. Com isso, as expectativas de mercado estavam defasadas desde o início do mês passado.

Para o crescimento do PIB, o mercado atualizou suas projeções para 1,2% em 2022 e 0,76% no próximo ano. Na última edição do Focus, a projeção dos agentes do mercado para o PIB era de 0,7% em 2022 e 1% em 2023.

Relembre: Governo já tentou 11 vezes, sem sucesso, baixar o preço do diesel

Já a expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 13,25% para o final deste ano e 9,75% em 2023. No início do mês, a mediana de mercado era que a taxa terminaria 2022 em 13,25% ao ano e caíssem para 9,25% em 2023.

Expectativas mais recentes

A divulgação do BC nesta segunda-feira foi parcial, diversos indicadores acabaram não sendo publicados, como as projeções mais longas, para 2024 e 2025, e de outros índices, como IGP-M, balança comercial e resultado primário.

No entanto, o BC divulgou a mediana das projeções dos últimos cinco dias, que traz um sinal de como as expectativas podem avançar nas próximas semanas. As expectativas principais consideram as projeções de mercado dos últimos 30 dias.

Levando em conta os últimos 5 dias, a inflação seria um pouco mais alta, de 9% em 2022 e 4,5% em 2023, assim como o PIB para este ano, que chega 1,5%. Já o crescimento para o ano que vem seria menor, de 0,47%.

Agência Brasil - DF   07/06/2022

A diminuição das tensões no exterior não ajudou o mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira (6). O dólar subiu e voltou a aproximar-se de R$ 4,80. A bolsa de valores caiu pela segunda sessão consecutiva e fechou no menor nível em pouco mais de duas semanas.

O dólar comercial encerrou esta segunda vendido a R$ 4,796, com alta de R$ 0,018 (+0,37%). A moeda norte-americana iniciou o dia em baixa, chegando a R$ 4,75 pouco depois das 9h. No entanto, ainda durante a manhã, a divisa inverteu o movimento e passou a subir. Na máxima do dia, por volta das 14h, aproximou-se de R$ 4,81.

No mercado de ações, o dia foi parecido, com as negociações iniciando com bom humor, mas deteriorando-se ao longo da sessão. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 110.986 pontos, com recuo de 0,82%. O indicador está no nível mais baixo desde 20 de maio.

O dia começou com o mercado financeiro reagindo bem à amenização das medidas de lockdown na China. Isso faz o dólar abrir em queda; e a bolsa, em alta. No entanto, dados do mercado doméstico mudaram o ritmo das negociações.

Com várias semanas de atraso, o Banco Central (BC) divulgou o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras. Os analistas de mercado aumentaram para 8,89% a estimativa de inflação para este ano.

A projeção trouxe instabilidade ao mercado, à medida que o BC, segundo a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), deve encerrar o ciclo de aumentos na taxa Selic (juros básicos da economia) na reunião dos dias 14 e 15 de junho. A alta da inflação reduz os juros reais (diferença entre os juros e a inflação), diminuindo a entrada de dólares no país.

Money Times - SP   07/06/2022

Apesar da frustração com o PIB do primeiro trimestre, indicadores de alta frequência mostram uma atividade acima do previsto, o que deve fazer o Banco Central elevar a Selic para 13,75% em agosto, diz Marcelo Toledo, economista-chefe da Bradesco (BBDC4) Asset Management, em entrevista.

Segundo Toledo, os núcleos de inflação, medidas que suavizam os efeitos de itens voláteis como alimentos e energia, estão em patamares acima do que seria esperado caso a economia estivesse com um hiato do produto, variável estimada para avaliar a ociosidade da economia, “razoável”.

“O BC estima que há capacidade ociosa grande da economia e o que a gente aqui discute é que, talvez, esse hiato não seja tão grande”, diz Toledo. “Provavelmente, ele é muito menor do que os modelos usuais estimam.”

No Relatório Trimestral de Inflação publicado em março, a autoridade monetária estimava um hiato de -1,8% para o primeiro trimestre de 2022.

Diante dos dados mais recentes de atividade, Toledo afirma que o nível de utilização da capacidade instalada da indústria está levemente acima da média histórica, o que indica que não há folga no setor.

Sobre o mercado de trabalho, o economista da BRAM cita a robusta geração de vagas e o aumento dos rendimentos nominais alinhados à inflação, além de queda bastante significativa da taxa de desemprego.

“Isso coloca uma visão para a política monetária de que o BC precisa continuar subindo juros, pois o ponto de partida da economia é mais forte do que ele estima que seria compatível com uma rápida desinflação”, afirma Toledo, prevendo mais duas altas de 0,5 ponto percentual nas reuniões de junho e agosto do Copom.

A BRAM trabalha com um cenário em que a inflação de bens deve desacelerar com mais força a partir do segundo semestre, com demanda menor e câmbio mais apreciado.

“Mas a inflação de serviços deve ainda permanecer em patamar bastante alto, até o efeito da política monetária ser transmitido para a atividade, e devemos colher os frutos de arrefecimento em 2023”, diz.

CNN Brasil - SP   07/06/2022

O IGP-M voltou a ficar abaixo do IPCA no acumulado de 12 meses, após quatro anos acima do indicador oficial da inflação no país. Conhecido como “a inflação do aluguel”, o índice da FGV (Fundação Getulio Vargas) atualmente acumula alta de 10,72% em 12 meses, contra 12,13% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo) na comparação.

A alta do IGP-M, que chegou a passar de 30% em 2021, fez com que alguns especialistas recomendassem aos inquilinos uma negociação para trocar o indexador e reajustar o aluguel.

Essa alta ocorre desde maio de 2018, quando o índice ultrapassou o IPCA, que é o índice usado para media a inflação oficial do país, no acumulado em 12 meses, mas teve uma aceleração mais forte com a pandemia da Covid-19, em 2020 e 2021.

“O IGP-M é muito citado em contratos de aluguel, mas dado que ele se distanciou muito do IPCA nos últimos meses, principalmente no ano passado, muitos inquilinos ficaram impossibilitados de pagar os reajustes orientados por ele”, lembrou André Braz, economista do FGV/Ibre.

No entanto, a volta do IGP-M a patamares mais próximos aos registrados antes da pandemia pode fazer com que os inquilinos considerem negociar uma mudança no contrato do aluguel, tendo em vista a atual porcentagem dos indicadores.

O CNN Brasil Business conversou com especialistas sobre as possibilidades de uma troca de indexador neste momento.

Para André Braz, os locatários podem tentar negociações sobre uma revisão no próprio valor do aluguel, dado que a demanda por imóveis não está aquecida como antes do coronavírus em detrimento da oferta por locações.

“Independentemente do índice que está no contrato, uma conversa entre inquilinos e proprietários é sempre bem-vinda, para ambas as partes, mesmo em um contexto de inflação mais baixa. Muitas vezes para o locador é vantajoso manter o inquilino bom pagador, mesmo por um preço menor “, avalia Braz.

Segundo Braz, já era esperado que o IGP-M não ficasse tão distante do IPCA, mas a aproximação de percentual dos índices não significa que seja necessário repensar uma alteração no contrato do aluguel.

“Eu acho que existe um custo quando a gente troca o indexador, então em vez de voltar à mesa para negociar a volta do IGP-M no contrato, o que seria interessante é negociar justamente o reajuste do aluguel, independentemente do indexador”, disse.
De olho no dólar

Ainda que o IGP-M tenha voltado a ficar em patamares menores aos observados um ano atrás, o economista e professor de finanças do Insper Alexandre Chaia disse que o indicador é menos previsível que o IPCA. E a causa disso é bastante conhecida pelos brasileiros, que têm sofrido com ela nos últimos meses: a alta do dólar.

“Não dá para saber se o IGPM vai ficar acima ou abaixo do IPCA em razão da volatilidade do dólar, então, se amanhã tem alguma crise no país e o dólar disparar mais, o indivíduo com contrato atrelado ao IGP-M sai em desvantagem”, disse.

“Da mesma forma, o dólar pode cair e o IGP-M ficar cada vez mais baixo também, mas você não tem uma previsibilidade como na inflação medida pelo IPCA”, acrescentou.

O IGP-M é composto pela ponderação de três outros índices: IPA-M (60%), IPC (30%) e INCC (10%).

O primeiro é o Índice de Preços por Atacado, que acompanha a oscilação dos preços no comércio atacadista. Conforme explicação de Alexandre Chaia, esse indicador sofre muita oscilação com o dólar. Como mais da metade do IGP-M tem relação com o IPA-M, ele fica bastante atrelado às mudanças do câmbio.

“Acho que quem mudou o indexador para IPCA não deve trocar para o IGP-M novamente, porque não dá para saber se ele vai ficar acima ou abaixo do IPCA em razão da volatilidade do dólar”, declarou o professor.

O economista explicou que o IPCA é um indicador mais associado à pessoa física e à inflação média das famílias e, por isso, disse acreditar ser a melhor opção para indexar os contratos de tarifas, como energia, aluguel e automóvel.

“O IPCA normalmente é parâmetro de negociação em contrato de trabalho, então as categorias conseguem reposição do índice ou pelo menos vinculam um pouco o seu crescimento salarial a ele”, afirmou.

“Não acho que o IGPM ainda valha a pena manter como indexação para os contratos de tarifa e de revisão de contas. Em geral, os contratos estão sendo alterados para o IPCA porque ele virou o parâmetro básico da economia”, completou.
Índice Ivar

Os especialistas chamaram a atenção para o novo indicador feito pela FGV, criado com o intuito de analisar o comportamento do mercado mobiliário, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar).

No último resultado divulgado, equivalente a abril, o índice registrou subiu 0,81% e passou a acumular alta de 8,24% nos últimos 12 meses. Na comparação com o IGP-M e o IPCA, é o único ainda com taxa de um dígito.

“Olhando para um índice específico do mercado, talvez as partes tenham mais condição de negociar o reajuste ideal, sem a necessidade, claro, de aplicar exatamente o Ivar, pois em uma negociação pode ser que a não aplicação de um indexador seja vantajosa para ambos, mantendo o imóvel congelado, sem alterações no preço”, pontuou André Braz.

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

Com R$ 80,07 bilhões de superávit primário acumulado no ano, até abril, o governo central pode exibir, por enquanto, um balanço favorável de suas contas. Esse bom resultado é atribuível a dois fatores: à expansão dos negócios no primeiro trimestre e à inflação muito acelerada. O forte aumento de preços inchou os valores sujeitos a tributação e contribuiu para o farto abastecimento do Tesouro. Como tem ocorrido normalmente, uma respeitável parcela do ganho com impostos, contribuições e taxas diversas desapareceu no enorme buraco da Previdência Social. Desta vez, a sobra geral da arrecadação, de R$ 182,89 bilhões, foi em grande parte anulada pelo déficit previdenciário, de R$ 79,78 bilhões.

Acrescentados os R$ 62 bilhões de saldo primário dos governos estaduais e municipais e os saldos das estatais, excluídas Petrobrás e Eletrobrás, chega-se ao resultado primário do setor público, um superávit de R$ 148,49 bilhões em quatro meses. O saldo primário é calculado sem o custo dos juros da dívida pública.

Políticos têm apontado a situação fiscal dos Estados, confortável neste momento, como argumento a favor da redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e energia elétrica. O objetivo, estritamente demagógico, é reduzir os preços desses itens e conter parcialmente os efeitos da inflação. Mas é um absurdo tratar o ICMS – ou qualquer tributo indireto – como se fosse causa de inflação. Além disso, a redução, tal como indicada na última proposta, causará enorme perda fiscal, estimada em torno de R$ 90 bilhões, com graves prejuízos para Estados e municípios.

A boa situação fiscal deste momento de nenhum modo pode justificar mexidas irresponsáveis nas finanças da União, dos Estados ou dos municípios. Somados os juros, o resultado fiscal nesse período foi um déficit de R$ 5,98 bilhões, notavelmente pequeno, mas ninguém deve apostar na permanência de um quadro tão favorável quanto extraordinário. Os juros nominais contabilizados no primeiro quadrimestre, de R$ 154,47 bilhões, foram 36,16% maiores que os de um ano antes e esse item deverá continuar pesando muito no conjunto.

Não é hora de agir como se houvesse dinheiro à vontade, mas de agir com muito cuidado, evitar tentações demagógicas e eleitoreiras, combater a inflação e batalhar por melhores condições fiscais até o fim do ano. A dívida bruta do governo geral, de R$ 7,07 trilhões em abril, correspondeu a 78,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa porcentagem foi 0,2 ponto menor que a do mês anterior, mas foi muito maior que as proporções observadas em países emergentes e de renda média, raramente superiores a 60%.

A herança prevista para o próximo governo já inclui inflação elevada, juros altos, desemprego acima dos padrões internacionais e dívida pública muito grande para um país emergente. As autoridades federais darão apreciável contribuição se se abstiverem, até o fim de 2022, de cometer grandes imprudências e de promover mudanças importantes, como alterações do sistema tributário.

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

Até bem pouco tempo atrás, parecia que as recessões atingiam os Estados Unidos aproximadamente uma vez a cada década. Mas, apenas dois anos após os primeiros lockdowns, o ciclo econômico está mudando para um novo ritmo e outra recessão já parece estar a caminho.

Se você for como a maioria das pessoas, sua lembrança de crises terá como protagonistas as últimas duas – o enfarte financeiro entre 2007-2009 e o colapso causado pela pandemia em 2020. Ambas foram graves e altamente fora do comum. Pelos padrões delas, a próxima recessão dos EUA será quase com certeza mais branda e mais prosaica. Porém, assim como a economia mundial, os mercados de ativos e a política americana estão todos frágeis, e talvez isso ainda tenha consequências desagradáveis e imprevisíveis.

Não há como escapar do aperto à frente para a economia americana. A alta dos preços dos alimentos e do petróleo está consumindo os gastos das pessoas. Em abril, os preços ao consumidor foram 8,3% superiores aos do ano anterior. Mesmo excluindo os preços de alimentos e de energia, a inflação anual é de 6,2%. Os problemas na cadeia de suprimentos podem se intensificar enquanto a guerra assolar a Ucrânia e a China continuar com a política de tolerância zero contra a covid-19.

O mercado de trabalho americano está aquecido, com quase duas vagas para cada trabalhador desempregado em março, o maior registro desde 1950, quando os dados começaram a ser coletados. Uma medida do crescimento salarial do Goldman Sachs está em uma alta histórica de quase 5,5% – uma taxa que as empresas não podem suportar, a menos que continuem a aumentar os preços rapidamente.

O Fed está prometendo acalmar os ânimos. Os investidores esperam que o banco central americano aumente as taxas de juros em mais de 2,5 pontos porcentuais até o final de 2022. A instituição está cruzando os dedos, dizendo que pode alcançar sua meta de inflação de 2% sem causar uma recessão. Mas o histórico sugere que, ao agir para controlar a inflação, o banco fará com que a economia encolha. Desde 1955, as taxas têm subido tão rápido quanto este ano durante sete ciclos econômicos. Em seis deles, a recessão aconteceu após um ano e meio. A exceção foi em meados da década de 1990, quando a inflação estava baixa e o mercado de trabalho mais equilibrado. Em 1.º de junho, Jamie Dimon, presidente do JPMorgan Chase, o maior banco dos EUA, alertou para um “furacão” econômico que se aproximava.

Na verdade, embora uma recessão seja provável, ela deve ser relativamente superficial. Na crise de 2007-2009 o sistema financeiro congelou e, em 2020, a atividade em setores inteiros parou. Ambas as recessões viram as quedas iniciais mais nítidas do PIB desde a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, sem dúvida será diferente.

De certo modo, os EUA são resilientes. Os consumidores ainda estão com bastante dinheiro dos cheques de estímulo da pandemia e as empresas estão desfrutando de lucros abundantes. O mercado imobiliário está desacelerando conforme as taxas sobem, mas, ao contrário do fim dos anos 2000, não está prestes a prejudicar os bancos do país, que são fortes. E pelo menos o Fed não encara o dilema enfrentado na década de 1980.

Naquela época, a inflação estava acima de 5% havia seis anos e meio e o banco teve de aumentar as taxas para quase 20%, levando a taxa de desemprego para quase 11%. Hoje, a inflação está acima da meta há pouco mais de um ano. Deve ser mais fácil de dar um jeito.

Fragilidades

O problema é que mesmo uma recessão americana leve exporia fragilidades gritantes. Uma é a crise do preço das commodities na maior parte do mundo, consequência da invasão da Ucrânia pela Rússia. Os países do Oriente Médio à Ásia estão enfrentando uma grave escassez de alimentos e um aumento nas despesas com combustível. A zona do euro está lidando com uma crise energética particularmente forte à medida que deixa de usar petróleo e gás da Rússia. Em todo o mundo, as rendas das famílias estão sucumbindo em termos reais.

Uma recessão americana causaria outros impactos em partes vulneráveis da economia global ao reduzir a demanda por suas exportações. A política monetária mais rígida no Fed e a consequente força do dólar também agravariam o que já tem sido o maior sell off de títulos de mercados emergentes desde 1994. O FMI diz que cerca de 60% dos países pobres estão tendo dificuldades com dívidas, ou estão em alto risco de passar por isso.

Outra fraqueza está mais perto de casa, em Wall Street. Até agora, em 2022, o mercado de ações americano caiu 15% – comparável com a queda durante a leve recessão que começou em 1991. O sell off tem sido sistemático e os bancos americanos estão recheados de capital. Porém, depois de mais de uma década com empréstimos a taxas de juros muito baixas, ninguém pode ter certeza de como os preços estratosféricos dos ativos serão afetados pela combinação de taxas de juros mais altas e uma recessão induzida pelo Fed. As ações estão caras em relação aos lucros no longo prazo.

Um sistema de empréstimos baseado no mercado que surgiu de forma rápida desde 2007-2009 ainda precisa ser bastante testado. Ele inclui fundos de investimento que atuam como bancos, vastas câmaras de compensação de derivativos e traders de títulos de alta frequência. Se algo der errado, o Fed achará difícil resgatar Wall Street mais uma vez, porque ao mesmo tempo estará obrigando a classe média americana a lidar com taxas mais altas e perdas de empregos.

Uma última fragilidade é a política extremamente partidária dos EUA. Uma recessão talvez ocorra até o final de 2024, coincidindo com a campanha para as eleições presidenciais. Se a economia estiver encolhendo, é provável que a disputa pela Casa Branca em 2024 seja ainda mais tóxica que o esperado.

A política pode distorcer a resposta do governo a uma recessão. O Fed talvez seja arrastado para dentro de uma batalha política venenosa. Depois de receber ajudas financeiras equivalentes a 26% do PIB na pandemia, os eleitores e as empresas podem esperar que o Estado também os proteja das dificuldades desta vez. No entanto, os republicanos, que provavelmente controlarão o Congresso depois das eleições intermediárias em novembro, talvez não estejam dispostos a gastar dinheiro para evitar uma recessão se isso também arriscar beneficiar o presidente Joe Biden.
O populismo e Trump

Se a economia dos EUA encolher no próximo ano ou no seguinte, isso pode até mesmo alterar o rumo do país no longo prazo. A melhor resposta a uma crise durante a qual a inflação permanece alta seriam reformas em prol do crescimento, como tarifas mais baixas e maior concorrência. Em vez disso, a recessão talvez fomente o populismo e o protecionismo e até mesmo o retorno de Donald Trump à presidência. Três das últimas quatro recessões coincidiram com as eleições presidenciais ou ocorreram pouco antes delas. Todas as vezes o partido que controlava a Casa Branca deixou o poder.

Levando em consideração o critério tecnocrático do PIB perdido, a próxima recessão pode ser branda. Mas não quando considerado seu impacto no mundo emergente, nos mercados de ativos e na política americana. Não subestime os perigos que temos pela frente.

MINERAÇÃO

Valor - SP   07/06/2022

Em 25 anos, participação do país caiu de 30% para 20%; Austrália saiu de 20% e domina mais da metade do mercado transoceânico, liderado pela China

O Brasil vem perdendo participação no mercado mundial de minério de ferro ao longo dos últimos 25 anos. Foi gradualmente superado pela Austrália, que já detém 50% do comércio entre mares da principal matéria-prima do aço. Para os próximos anos não se vislumbra recuperação da fatia brasileira, que já foi 30%.

Essa era a participação do país no mercado transoceânico em 1997, tendo a Vale, MBR (grupo Caemi) e Samitri e Samarco (grupo Belgo-Mineira) como grandes exportadores de minério de ferro.

Ao mesmo tempo, a Austrália tinha cerca de 20%, com Rio Tinto e BHP exportando praticamente 100% da produção obtida na região de Pilbara. As duas companhias expandiram significativamente suas produções e a novata Fortescue Metals entrou depois, tornando-se a terceira produtora local e a quarta do mundo.

Mineradoras que operam na Austrália exportam mais de 800 milhões de toneladas por ano, a maior parte para a China

Segundo dados do The Observatory of Economic Complexity (OEC), uma ferramenta que mede o comercio internacional, a Austrália atingiu mais de 50% do mercado por volta de 2016/2017.

Já a participação brasileira foi caindo ao longo dos anos, chegando na mesma data em cerca de 17%. Atualmente, está pouco acima de 20%, com Vale, CSN Mineração e Anglo American. Juntas, exportaram 340 milhões de toneladas em 2019. Entre 2000 e 2005, a Vale adquiriu o controle das concorrentes locais, num processo de consolidação de ativos em minério de ferro.

Atualmente, a participação do país no mercado global é a mesma que atingiu em 2010 e 2011 (20%). Sofreu o baque da saída da Samarco - joint venture de Vale e BHP - quase no final de 2015.

A Samarco, que era uma das maiores produtoras de pelotas de minério de ferro do mundo, teve de suspender 100% da produção em novembro de 2015 com o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana (MG). A empresa fazia 28 milhões de toneladas do produto por ano, além de 2 milhões de concentrado.

A mineradora retomou de forma gradual a produção no final de 2020, com uma linha capaz de fazer 8 milhões de toneladas. As projeções da empresa são de dobrar em 2026 e atingir a plena capacidade por volta de 2029.

Outro baque para a Vale foi o rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho, em janeiro de 2019, causando mais de 270 perdas humanas e um grande desastre econômico-ambiental. Isso afetou outras operações da companhia em Minas Gerais, que tiveram de parar a produção devido ao mesmo tipo de barragem.

Em razão disso, a Vale está com operações comprometidas em várias de suas minas, que tiveram de passar por mudança no sistema de deposição de rejeitos, de barrragens de lama para empilhamento a seco. Estima-se cerca de 100 milhões de toneladas afetadas, com lenta retomada.

O comércio transoceânico de minério de ferro supera 1,6 bilhão de toneladas por ano, de acordo com dados da World Steel Association, com base em números de 2019 e 2020. O Brasil embarcou 340 milhões de toneladas em 2019, ao passo que a Austrália exportou 836 milhões.

Além dos dois países, quem supre o mercado entre mares, que tem a China como grande comprador - mais de 1,1 bilhão de toneladas - são a África do Sul, Índia, Canadá, Rússia e Ucrânia, e vários pequenos chamados exóticos - Peru, Irã, Malásia e muitos outros, diz José Carlos Martins, sócio-consultor da Neelix Consulting Mining & Metals.

“Ninguém tem crescido por aqui [Brasil]. A Vale caiu devido ao acidente de Brumadinho e à falta de licenças ambientais para retomada de minas. Até em Carajás [mina no sul do Pará, na província de Carajás], onde não teve acidente, a empresa não consegue crescer”, diz o consultor.

A CSN Mineração, que exporta em torno de 35 milhões de toneladas, incluindo minério de pequenas mineradoras em Minas Gerais, tem plano de ampliar a produção. Em 2026 prevê dobrar o volume atual e atingir acima de 100 milhões de toneladas/ano em 2032.

A Anglo American não prevê por ora nada além das atuais 26 milhões de toneladas. O projeto da Bamin, na Bahia, de 20 milhões de toneladas, depende da conclusão da ferrovia Fiol e da construção de um terminal portuário em Ilhéus (BA). O grupo ERG, do Casaquistão, busca parceiro para dividir o investimento de R$ 10 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

Os contratos futuros de minério de ferro na bolsa de Dalian alcançaram o maior valor em 10 meses nesta segunda-feira, com a redução dos estoques do ingrediente siderúrgico nos portos chineses alimentando um rali estimulado pelo otimismo em torno da demanda no maior produtor de aço do mundo.

O carvão metalúrgico, outro insumo da siderurgia, também ampliou os ganhos para atingir um pico de seis semanas após uma enxurrada de notícias recentes sobre a determinação da China de estimular sua economia em desaceleração e medidas para aliviar suas restrições contra a Covid-19.

O minério de ferro de referência para setembro na bolsa de commodities de Dalian da China encerrou as negociações diurnas em alta de 0,7%, a 925 iuanes (139,02 dólares) a tonelada, depois de atingir 948 iuanes no início da sessão, o maior valor desde a primeira semana de agosto.

Máquinas e Equipamentos

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   07/06/2022

A Volvo Construction Equipment anuncia a retomada do evento Volvo Days, programa que destaca novidades em sustentabilidade, eletromobilidade e serviços da marca sueca para o mercado europeu.

Com início em 31 de maio em Eskilstuna, na Suécia, o evento tem duração de três semanas e, pela primeira vez, a fabricante disponibilizará uma plataforma virtual para que qualquer pessoa possa participar da ação.

“Pela primeira vez, estamos garantindo que nossos clientes, parceiros e acionistas em todo o mundo não percam a emoção do Volvo Days”, diz Carl Slotte, diretor de vendas da fabricante na Europa.

Por meio de uma experiência digital imersiva, o público pode conferir diversas atrações, incluindo a nova linha de máquinas elétricas e soluções de carregamento da marca.

Dentre os equipamentos expostos está a EC230 Electric, a maior escavadeira elétrica da Volvo, atualmente em fase de testes na Noruega.

Outros destaques incluem a nova carregadeira de rodas L200H High Lifts e a versão atualizada da carregadeira de rodas L350H, reformulada para entregar mais resistência e durabilidade.

A nova pista de testes e demonstrações da Volvo para soluções autônomas também está sendo mostrada pela primeira vez ao público no Volvo Days.

“Queremos impulsionar a mudança em nosso próprio setor rumo a zero emissões e, ainda, apoiar nossos clientes a descarbonizar suas operações”, afirma Melker Jernberg, presidente da Volvo CE.

“O Volvo Days é a oportunidade para mostrar como estamos atingindo essas ambições com soluções de energia sustentável. Por meio de uma estreita cooperação na cadeia de valor, podemos fazer essa mudança acontecer”, acredita.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   07/06/2022

A fabricante chinesa apresenta ao mercado brasileiro sua nova linha STC 2022 de caminhões-guindastes, composta por três modelos equipados com motorização Cummins.

O modelo STC 600 T5 tem capacidade máxima de elevação de 60 t, com altura máxima de 66 m e comprimento máximo da lança de 45,5 m, enquanto o STC 800 T5 oferece capacidade de elevação de 80 t, altura máxima de 68 m e comprimento máximo da lança de 49,5 m.

Já o modelo de grande porte STC 1100 T6 (na imagem acima) traz contrapeso de 30,2 t e disponibiliza capacidade máxima de elevação de 110 t, com comprimento da lança de 60 m.

Equipado com motor Cummins ISLe375-30, de 275 kW a 2.100 rpm, o guindaste inclui lança básica de 12,9 m, que chega a 60 m quando totalmente estendida, além de trazer lança com jib de 88 m e lança pinada de 6 seções (oviforme).

Outras características do modelo STC 1100 T6 incluem transmissão Fast Gear, chassi com patolamento em H, sistema de freio a disco nas quatro rodas dianteiras e freio Retarder opcional.

“Além de eixos direcionais com sistema ‘caranguejo’, o modelo também inclui travamento dos eixos traseiros, anemômetro, cabine com inclinação de até 20º e câmera de vídeo no tambor de cabo principal e auxiliar”, descreve a fabricante.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   07/06/2022

Apoiada nos compromissos com a prática ESG, montadora utilizará metade do gás produzido pela Raízen em Piracicaba a partir de resíduos de cana


Di Si: “Antes eu só sabia que etanol servia para colocar no tanque do carro” — Foto: Claudio Belli/Valor

Há quatro meses, a Volkswagen fechou acordo com o Bradesco para uma dívida bancária atrelada a compromissos com a prática ESG (ambiental, social e de governança corporativa, na sigla em inglês), que envolvem a redução de emissões de CO2 de origem fóssil na operação industrial. Há poucas semanas, a Raízen anunciou a construção de uma nova fábrica de biogás em Piracicaba (SP). Dessa unidade sairá o biometano que a Volks se compromete a adquirir para começar a substituir o gás de origem fóssil em duas fábricas no Estado de São Paulo - Taubaté e São Bernardo do Campo.

A prática ESG tem mudado as relações entre empresas. Ao mesmo tempo em que aproxima setores que antes não tinham interesses em comum provoca novas discussões entre empresas que já tinham vínculos. Os compromissos assumidos por duas empresas - Volkswagen e Yara, uma das maiores fabricantes de fertilizantes do mundo - para o uso de energias renováveis sustentarão a fase inicial da operação da nova fábrica da Raízen. Volks e Yara ficarão, cada uma, com metade da produção de biometano em Piracicaba, prevista para começar em 2023.

No caso da Volks, segundo a empresa, o uso do biometano reduzirá em mais de 90% as emissões de dióxido de carbono em relação ao gás natural. As fábricas de Taubaté e São Bernardo utilizarão, juntas, mais de 50 mil metros cúbicos de biometano por dia, a partir de 2023 e 2024, respectivamente. Com isso, ambas deixarão de emitir cerca de 19 mil toneladas de CO2 de origem fóssil por ano.

O presidente da Volks na América Latina, Pablo Di Si, lembra que principalmente a área de pintura dos carros opera com gás. Segundo a Volks, o mesmo duto usado pela Comgás hoje para levar o gás natural até essas instalações será usado para o transporte do biometano, que, no caso da Raízen, será produzido a partir de resíduos agrícolas, num parque industrial onde a companhia já tem uma usina de etanol.

Di Si diz estar fascinado com o que tem aprendido sobre o etanol desde que começou a pesquisar melhor a respeito desse combustível, há três anos. “Antes eu só sabia que servia para colocar no tanque do carro”, afirma.

No caso do biometano adquirido pela Volks, a primeira montadora a anunciar o uso desse gás, a extração será a partir da vinhaça, resíduo obtido depois da destilação do caldo de cana, e da chamada torta de filtro, composto orgânico que sai da filtração do caldo.

“Há uns 20 anos o bagaço do etanol era desperdiçado”, afirma Di Si, cujo interesse no etanol não está apenas no gás que seus resíduos podem produzir. O executivo é um dos líderes do movimento que pretende fazer do Brasil um centro de desenvolvimento de veículos híbridos movidos a etanol.

Para ele, a especialidade no derivado da cana poderá conduzir o Brasil a posições de destaque num momento em que países desenvolvidos se concentram nos carros 100% elétricos. “Imagine o impacto positivo disso na cadeia produtiva e nos empregos do país”.

O projeto da Volks para usar o biometano começa pelas fábricas de São Paulo em razão da estrutura planejada pela Raízen e Comgás. Mas, segundo Di Si, a montadora já estuda um plano para a fábrica de São José dos Pinhais (PR). “Temos metas para descarbonização; isso requer projetos”, diz.

A Volks anunciou o compromisso de, até 2024, transferir 12% das emissões de CO2 de origem fóssil para biogênica, e elevar a participação de biometano para 20% no total de gás consumido nas fábricas da região. No mundo, o grupo anunciou o plano de zerar a emissão de carbono em suas operações até 2050.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   07/06/2022

A ferrovia Nova Ferroeste, um projeto do governo do Paraná que vai ligar o Porto de Paranaguá a Maracaju, no Mato Grosso do Sul, por trilhos, poderá chegar até o Rio Grande do Sul. Depois que um estudo de viabilidade técnico e econômico foi contratado para analisar uma incorporação de um ramal ferroviário entre Cascavel (PR) e Chapecó (SC), representantes do setor produtivo gaúcho também pediram um trabalho similar para um traçado entre Passo Fundo e Chapecó, conectado ao novo trecho, a ser realizado nos próximos meses.

Uma reunião de articulação, coordenada pelo senador Luis Carlos Heinze Heinze, foi realizada nesta semana para traçar estratégicas e formas de estender a ferrovia. A proposta inclui a revitalização de um trecho já existente entre Erechim e Passo Fundo e construção de um novo desde Erechim, até o vizinho estado catarinense. “A proposta é acrescentar o ramal ao edital que será lançado ainda neste ano, para ganharmos tempo. Ou ainda, criar condições para anexação futura sem necessidade de recomeçar o processo do zero”, explicou Heinze.

O senador detalhou que a mobilização tem como base o modelo implementado pelo governo federal que concede autorização de longo prazo. “Os projetos nesse tipo de modal passaram a ser mais atrativos, pois agora a União concede permissão para que o empreendimento seja gerido pela iniciativa privada por 99 anos prorrogáveis. Diante da viabilidade econômica, reunir interessados é factível”, assegura.

O grupo que hoje inclui produtores de frangos, suínos e leite contratou a empresa que fez a análise em Santa Catarina para elaborar o estudo de viabilidade técnica e econômica da expansão. O parlamentar garante que todo o trabalho busca reduzir os custos logísticos que tem afetado a competitividade gaúcha, além de beneficiar os produtores que possuem deficit de milho. O senador ressaltou que já tratou a questão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério da Infraestrutura.

Também participaram da reunião representantes das associações Comercial Industrial de Chapecó (Acic), Gaúcha de Avicultura (Asgav), da Cooperativa Aurora e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

A NOVA FERROVIA

O traçado inicial da Ferroeste prevê a ligação de 1.591 km entre Maracajú, no Mato Grosso do Sul; ao Porto de Paranaguá, no Paraná. Com a incorporação de mais 263 quilômetros a malha, a partir de Cascavel (PR), terá dois ramais ligando Foz do Iguaçu e Chapecó. A previsão de investimento total na obra, já somados os R$ 6,8 bilhões até Chapecó, é estimado em R$ 35 bilhões. A estimativa do senador é de que para operacionalizar os 180 quilômetros do Rio Grande do Sul, sejam necessários mais R$ 4,3 bilhões.

Revista Ferroviaria - RJ   07/06/2022

O STF (Supremo Tribunal Federal) marcou para o próximo dia 15 julgamento de ação que paralisa a Ferrogrão, projeto ferroviário que liga Mato Grosso ao Pará e enfrenta resistências de ambientalistas, lideranças indígenas e do Ministério Público.

Com investimentos estimados em R$ 21,5 bilhões e 933 quilômetros de extensão, o empreendimento foi suspenso por liminar de março de 2021 que questiona a alteração dos limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, para a passagem dos trilhos.

A liminar foi concedida pelo ministro Alexandre Moraes a pedido do PSOL. Dois meses depois, a Procuradoria do Distrito Federal pediu ao TCU (Tribunal de Contas da União) análise sobre o modelo de concessão do projeto, por envolver risco de aporte de dinheiro público.

A ideia da ferrovia foi lançada há pelo menos sete anos pela iniciativa privada e é de interesse de multinacionais como ADM, Cargill e Amaggi. Ganhou força durante o governo Jair Bolsonaro, que se dispôs a usar recursos obtidos com a renovação de outras ferrovias para viabilizar o projeto.

Em defesa da ferrovia, o governo diz que o projeto reduz o custo do transporte de grãos do Mato Grosso e tem benefícios ambientais ao substituir milhares de caminhões que hoje trafegam pela BR-163, rota usada para escoar a produção por portos fluviais no Pará.

A pressão contrária não se limita ao Brasil. Em agosto de 2021, uma delegação internacional de ativistas e políticos de esquerda esteve no país para questionar o projeto, que é encarado como uma “nova Belo Monte”, em referência à criticada hidrelétrica concedida pelo governo Dilma Rousseff, também no Pará.

Na Ação Direta de Inconstitucionalidade que o STF julga no próximo dia 15, o PSOL defende que a alteração dos limites da floresta não poderia ter sido feita por conversão de MP (medida provisória) em lei e que essas modificações afetam povos indígenas da região.

A liminar frustrou planos do governo para licitar o projeto, uma das prioridades do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, ainda em 2021, e deu aos opositores da obra mais tempo para questioná-la.

Em requerimento de audiência pública sobre o projeto na Câmara dos Deputados, os deputados federais Joenia Wapichana (Rede-RR), Vivi Reis (PSOL-PA), Túlio Gadelha (Rede-PE), Airton Faleiro (PT-PA) e José Ricardo (PT-AM) alegam ainda que não houve consulta prévia aos povos indígenas afetados.

“Desde o anúncio do projeto, povos indígenas do Xingu e do Tapajós requerem o cumprimento de seu direito de Consulta Livre, Prévia e Informada sobre o empreendimento”, afirmam, citando estudo da UFMG que indicaria impactos maiores do que os identificados no estudo feito pelo governo.

“O Parna [Parque Nacional] de Jamanxim é uma das Unidades de Conservação que mais sofre com o desmatamento ilegal e os povos indígenas estão preocupados e determinados a lutar pela sua conservação”, continuam.

Na proposta de audiência, os deputados querem ouvir, além de lideranças indígenas, o economista Cláudi Frischtak, para quem o modelo proposto repassa ao governo riscos bilionários, ao oferecer aos concessionários garantias de receita ou ajuda em caso de gastos não previstos.

Dos R$ 21,5 bilhões em investimento previsto, R$ 8,4 bilhões seriam gastos para colocar a linha férrea em operação. Como contrapartida, o governo se comprometeu a cobrir custos adicionais com reassentamentos e desapropriações ou com condicionantes ambientais.

Na fase de operação, o governo ajudaria a pagar os custos operacionais e os juros de dívidas se houver queda na demanda por quebra de safra e caso o ramal da ferrovia Rumo ligando o Mato Grosso ao Porto de Santos chegue aos produtores antes de 2045.

Esse ramal foi licitado pelo governo de Mato Grosso em 2021, sob o modelo de autorização. Ainda não há um prazo para início das operações.

O Ministério da Infraestrutura não havia respondido ao pedido de entrevista até a publicação deste texto. Em entrevistas sobre o tema à Folha, representantes do ministério defendem que o modelo proposto para a ferrovia já vem sendo usado em licitações de rodovias no país.

Alega ainda que não há aporte de dinheiro público na obra. O governo já separou R$ 2,2 bilhões pagos pela Vale para renovar concessões rodoviárias, para depósito em uma conta vinculada à concessão para a cobertura de riscos não gerenciáveis.

Essa conta seria necessária, segundo o ministério, para bancar eventuais reequilíbrios econômicos e financeiros do projeto, o que não poderia ser feito por aumento de tarifas durante a fase de construção nem com extensão do prazo de concessão, que já é de 69 anos.

Rodoviário

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

A licitação do lote noroeste do programa de concessões rodoviárias do Estado de São Paulo prevê uma redução de 10% no valor do pedágio para todos os usuários. O lote abrange 600 quilômetros de rodovias das regiões de São José do Rio Preto, Araraquara, Barretos e São Carlos, incluindo a maior parte da rodovia Washington Luís (SP-310), uma das principais do Estado. O edital da licitação, que renova a concessão atual nessas rodovias e prevê investimentos de R$ 13,9 bilhões em 30 anos, foi publicado no sábado, 4.

A nova concessionária vai construir a terceira faixa na Washington Luís do km 425 ao km 454,3, entre Cedral e Mirassol, passando por Rio Preto, e duplicar 122 quilômetros ao longo do trecho concedido. Também estão previstos 43 quilômetros de marginais para eliminar gargalos em rodovias que cruzam as áreas urbanas de Rio Preto, Araraquara e São Carlos. Do investimento total, R$ 5 bilhões devem ser feitos nos sete anos iniciais da concessão.

Atualmente, o lote está dividido entre as concessionárias AB Triângulo do Sol e Tebe, que mantêm nove praças de pedágio com tarifas básicas que vão de R$ 6,70 a R$ 18,70. De acordo com o secretário de Projetos e Ações Estratégicas do Estado, Rodrigo Maia, o edital prevê redução de 10% na base tarifária para todos os usuários, mais 5% para os veículos com tag (cobrança automática).

Segundo ele, uma parte dos motoristas também poderá optar pelo sistema de descontos progressivos na tarifa para usuário frequente, modalidade criada para diminuir o custo da viagem de quem faz várias passagens pela praça de pedágio no mesmo mês. Os descontos tarifários progressivos, que variam de 15% a 83% nessa concessão, de acordo com a frequência de uso, estarão disponíveis para todos que fazem pagamento eletrônico das tarifas.
Cobrança 100% automática

Maia acredita que a redução na tarifa atual do pedágio não vai reduzir o interesse das empresas pela concessão. "São rodovias que têm uma demanda forte e bastante consolidada em uma região com alta produção agroindustrial e muito atrativa para investimentos. O lote noroeste foi desenhado para superar o cenário atual e dinamizar os investimentos no Estado, apesar da situação econômica do país", disse.

Conforme o secretário, a concessão prevê ainda a construção de 75 quilômetros de ciclovias, além de 95 quilômetros de terceiras faixas. A expectativa é de criação de criação de 30 mil empregos diretos e indiretos, nos primeiros três anos. Entre as inovações previstas na nova concessão está o sistema de pagamento livre - de cobrança 100% automática -, com a eliminação de todas as praças de pedágio, que serão substituídas por pórticos. O sistema será implantado progressivamente nos trechos do lote noroeste.

A licitação do lote noroeste é aberta à participação de empresas nacionais e estrangeiras, de forma isolada ou por consórcio. O critério de julgamento será o de maior valor da outorga fixa a ser paga ao poder concedente, considerando o valor mínimo de R$ 5 milhões, conforme estabelecido no edital.

O leilão está previsto para 15 de setembro na B3. O edital ficará disponível para consulta no site oficial da Agência de Transportes do Estado de São Paulo, que conduzirá o procedimento licitatório.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

O novo secretário nacional de Portos do Ministério da Infraestrutura, Mário Povia, reconhece que a pasta trabalha com um prazo apertado, “no limite”, para privatizar o Porto de Santos ainda neste ano. Segundo ele, diante desse cenário, o governo quer entregar um projeto de muita qualidade ao Tribunal de Contas da União (TCU), e com isso mitigar o risco de intercorrências que possam atrasar o processo. “Isso é importante, que nós sejamos transparentes de reconhecer que nós não temos folga nesse prazo”, afirmou.

Povia confirmou que, segundo o cronograma atual, a modelagem será enviada ao TCU até o fim do mês. A Corte de Contas precisaria dar aval à operação em três meses para o edital ser publicado em outubro, como programado pelo governo.

O leilão então ocorreria em dezembro – com esforço de realizá-lo até o dia 14. Diante do espaço mínimo com o qual o governo trabalha, Povia também não descarta um “plano B”, em que apenas o edital seria publicado neste ano, jogando o leilão para 2023.

Modelagem

“Não é nosso plano A, mas é um cenário importante para nós também, de pelo menos terminar a modelagem e lançar o edital”, diz. Se isso ocorrer, o certame do maior complexo portuário da América Latina poderá ficar nas mãos de um novo governo, no cenário em que o presidente Jair Bolsonaro não consiga a reeleição.

“Não tem agenda oculta, estamos reconhecendo os prazos que estão no limite, e que precisamos azeitar uma estratégia com o TCU, e assim iremos fazer”, disse Povia, que assumiu a secretaria após a saída de Diogo Piloni. O novo secretário já foi diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

O projeto de venda do Porto de Santos é a próxima grande aposta da agenda de privatização do governo Bolsonaro, que começou a se desenrolar apenas neste ano, com o leilão da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) e a aprovação da capitalização da Eletrobras pelo TCU.

Ao reconhecer o calendário apertado, Povia disse que a cobrança por qualidade está “acima de tudo”, para que os estudos sejam entregues ao TCU no “estado da arte”. “Estamos num bom caminho”, afirmou o secretário, lembrando que o formato também não é estranho ao Tribunal de Contas, que recentemente aprovou a privatização da Codesa, arrematada em leilão realizado em março. “É algo que está com as turbinas quentes”, disse Povia.
Processo transcende ideologias, diz secretário

O novo secretário nacional de Portos do Ministério da Infraestrutura, Mário Povia, afirma não conseguir “enxergar” quem possa se posicionar de modo contrário ao modelo de desestatização portuária que o governo quer aplicar no Porto de Santos, “qualquer que seja a ideologia”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está à frente nas pesquisas eleitorais, vem de uma base que reprova as privatizações implementadas pelo governo Bolsonaro, algumas delas criticadas diretamente por Lula.

Povia confirmou que, mesmo no cenário em que o leilão ocorra neste ano, a assinatura do contrato ficaria para o próximo ano. Defendeu, por sua vez, que “infraestrutura é assunto de Estado” e que transcende questões ideológicas.

Para o secretário, a privatização do Porto de Santos passa ao largo desse debate porque é uma necessidade do País, diante das restrições fiscais e do esgotamento da possibilidade de investimentos pelo Estado. O projeto prevê R$ 18 bilhões em investimentos.

Para o secretário, a grandiosidade do ativo, assim como a “seriedade da proposta” mitigam todas essas incertezas políticas. “O ativo é tão importante, interessante, e acho que os interessados, sejam brasileiros ou estrangeiros, sabem da seriedade da proposta, e não se permitir contaminar com agenda eleitoral”, afirmou.

Porto Gente - SP   07/06/2022

No Rio de Janeiro, Brasil, em 1992, a primeira Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ECO-92, é o marco do atual debate do futuro do planeta.

A forte transição energética que vem ocorrendo nos principais portos do mundo, com a participação de importantes parceiros financeiros, é um sinal inconteste da prioridade em reduzir as emissões de gazes de efeito estufa (GEE) e adotar práticas sustentáveis. Por seu amplo papel logístico, os portos têm possibilidades relevantes no processo de descarbonização, tanto na sua atividade quanto na sua cadeia de suprimento. Esta Semana do Meio Ambiente é um imperativo para conhecer e debater o programa do ministério da Infraestrutura- Minfra para descarbonização dos portos brasileiros.

Na última sexta-feira (3/6), em Valência, Espanha, o estudo conjunto das Organização e Federação de Portos Marítimos e Interiores da Europa (ESPO-EFIP), sobre as implicações da mudança do cenário energético nos portos da Europa, foi apresentado e divulgado nessa Conferência Anual da ESPO. O objetivo desse estudo é traçar uma imagem abrangente do impacto da transição energética nos portos europeus, considerando o ordenamento do território e necessidade de infraestrutura. Com destaque, o papel da Autoridade Portuária.

Pela importância dos oceanos no clima e vida no planeta é oportuno também alertar sobre a probabilidade da contaminação por água de lastro. Utilizada para dar estabilidade ao navio, compensando a insuficiência de carga para navegar no calado de projeto, essa água, quando captada em águas distantes e despejada sem tratamento prévio em portos brasileiros, pode trazer organismos. Já foi detectada a presença de até 5,4 milhões de bactérias por litro e, inclusive, do agente da cólera.

As questões do gás de efeito estufa e da poluição das águas são diversas, quanto são os portos e respectivas logísticas. Portanto, a solução deve estar no âmbito de cada porto brasileiro mudar o modo de fazer as coisas, inovando a atividade portuária para utilizar energia limpa e renovável, reciclagem de material descartado e tratamento de água de lastro nos portos. Isto fomenta uma economia verde, da produção sustentável, lastreada em títulos verdes e meta na neutralidade de carbono.

Essa realidade adentrou o século XXI a partir da Rio92 da ONU e vem transformando o mundo nos parâmetros da ESG, sigla correspondente à Sustentabilidade, Social e Governança, em português. Uma ampla transição está em curso no contexto institucional dos setores portuário e financeiro. Um caminho sem volta para um patamar tecnológico e operacional, tão alto quanto foi o salto para o porto de hoje, a partir dos antigos portos romanos.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

As petroleiras que deixaram de operar na Venezuela como consequência das sanções impostas pelos Estados Unidos ao país poderão voltar às atividades, após Washington entregar novamente as licenças para a retomada da produção, segundo disse o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em entrevista a uma rádio argentina.

O presidente confirmou informações que os EUA já tinham antecipado ao anunciarem, em meados de maio, que suspenderiam certas sanções econômicas, incluindo a proibição da petroleira americana Chevron de negociar com a estatal venezuelana PDVSA, em troca da reativação do diálogo entre o governo de Maduro e a oposição no México.

O diálogo foi suspenso em outubro do ano passado devido a uma decisão unilateral do governo, em protesto contra a extradição do empresário Alex Saab - suposto testa de ferro de Maduro - para os EUA para enfrentar um julgamento por crimes de lavagem de dinheiro.

Segundo Maduro, que assegurou que já tinham sido concedidas várias licenças a empresas estrangeiras para a produção de petróleo e gás na Venezuela, a americana Chevron, a italiana Eni e a espanhola Repsol, que ainda não se pronunciaram, estão entre as empresas que se beneficiaram.

“Os Estados Unidos deram alguns passos pequenos, mas significativos, uma semana atrás, ao concederem licenças a Chevron, Eni e Repsol para iniciarem processos que levarão à produção de gás e petróleo na Venezuela para exportação para os seus mercados naturais”, disse o presidente em entrevista a uma estação de rádio argentina.

No entanto, Maduro assegurou que manterá as suas “exigências” para o levantamento de todas as sanções, mas não confirmou se, em troca, está disposto a cumprir com as da outra parte no que diz respeito a retomar o diálogo na Cidade do México. /EFE

Valor - SP   07/06/2022

Preços haviam chegado a novas máximas por temores sobre os embargos ao petróleo russo e a expectativa de recuperação da demanda da China

Os contratos futuros do petróleo fecharam no vermelho, mas longe das perdas vistas pela manhã. Com a queda, os preços recuaram das máximas de três meses alcançadas na sexta-feira, mas não tiveram ímpeto para anotar perdas mais acentuadas, sem um catalisador claro para derrubar os preços.

O contrato do petróleo Brent para agosto, a referência global da commodity, fechou em leve queda de 0,17%, a US$ 119,51 por barril, enquanto o do WTI americano para julho recuou 0,31%, a US$ 118,50 por barril.

Os preços do petróleo fecharam a semana passada em novas máximas desde março, com os temores sobre embargos ao petróleo russo e a expectativa de recuperação da demanda da China - conforme ela deixa para trás semanas de lockdowns para controlar a covid-19 - compensando o anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que ela produzirá 648 mil barris adicionais de petróleo por dia nos próximos dois meses, ao invés do aumento esperado de 432 mil barris diários.

No entanto, o mercado continua a duvidar da capacidade do grupo de atender à demanda, já que vários países membros lutam para elevar a produção, em um momento em que a demanda tende a aumentar devido à temporada de verão nos EUA e na Europa, e à medida que a China afrouxa as medidas de bloqueio à atividade relacionadas à pandemia.

Dennis Kissler, da BOK Financial, disse à "Dow Jones Newswires" que as condições do mercado de petróleo estão "excessivamente compradas" depois de atingir os picos na sexta-feira passada, mas complementa que "os verdadeiros fundamentos, mesmo com a expectativa de aumento da produção da Opep, permanece favorável a altas, com as reservas americanas de petróleo bruto ainda 74 milhões de barris abaixo da média dos últimos cinco anos, e a destruição da demanda por gasolina ainda não se mostrando de forma significativa".

A subida recente nos preços do petróleo mantém os investidores apreensivos em relação à inflação e a resposta a ser dada pelo Federal Reserve. “O forte relatório de emprego nos Estados Unidos na sexta-feira significa que os investidores terão poucas razões para esperar que o Fed pare os esforços de restrição [da política monetária] em um futuro próximo”, dizem os analistas do IG em nota.

— Foto: Carina Johansen/NTB Scanpix via AP

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

Quando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, encontrar o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na Arábia Saudita, ele estará repetindo os passos de presidentes como Jimmy Carter, que voou ao Teerã em 1977 para trocar brindes com o xá do Irã na véspera do Ano Novo.

Como príncipe saudita, o xá era um monarca não eleito e com um histórico manchado de violações aos direitos humanos. Entretanto, Carter comemorou com ele por uma causa que era de grande preocupação para os americanos: a gasolina mais barata e o abastecimento seguro de petróleo.

Assim como Jimmy Carter, Biden tem poucas ferramentas para reduzir os custos do combustível na bomba, especialmente no momento em que a Rússia, um dos maiores produtores de energia do mundo, vive uma guerra. Na época de Carter, a questão que ameaçava os suprimentos de petróleo no Ocidente eram as revoluções no Oriente Médio.

Durante a campanha para presidente em 2020, Biden prometeu transformar a Arábia Saudita em um “pária” pelo assassinato de um opositor conhecido, o jornalista Jamal Khashoggi. Agora, ele planeja visitar o país nos próximos meses, no sinal mais recente de que o petróleo recuperou a centralidade na geopolítica.

Há apenas alguns anos, muitos legisladores em Washington e executivos de petróleo e gás do Estado do Texas se elogiavam por um boom no setor energético que transformou os EUA em um exportador de petróleo e derivados e os tornou mais independentes em energia. Entretanto, com os preços subindo, essa conquista agora parece ilusória.

Os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo e gás natural do mundo, mas respondem por apenas cerca de 12% do suprimento global de petróleo. O preço do combustível, o principal custo da gasolina, ainda pode disparar ou cair no país a depender dos eventos do outro lado do planeta. E nenhum presidente, por mais poderoso ou competente que seja, pode fazer muito para controlá-lo.

Esses fatos, no entanto, não tranquilizam os americanos que descobriram que uma parada no posto de gasolina pode facilmente custar cem dólares, muito mais do que apenas um ano atrás. Quando os preços dos combustíveis sobem, os consumidores exigem ações e podem se voltar contra presidentes que parecem relutantes ou incapazes de baixá-los.

A insatisfação leva os presidentes, principalmente em períodos mais próximos as eleições, a achar impossível não bajular os produtores estrangeiros e domésticos por mais perfuração e produção de petróleo. “Um presidente tem que tentar”, disse o ex-secretário de energia do governo Clinton, Bill Richardson. “Infelizmente, existem apenas opções ruins. E quaisquer opções alternativas são provavelmente piores do que pedir aos sauditas que aumentem a produção.”

Dois outros países produtores de petróleo que poderiam aumentar a produção – Irã e Venezuela – são opositores dos EUA e foram eliminados em grande parte do mercado global por sanções impostas pelos americanos e aliados. Qualquer acordo de Biden com os líderes destes países sem garantir grandes concessões em questões como enriquecimento nuclear e reformas democráticas é considerado politicamente perigoso.

Especialistas em energia disseram que mesmo um acordo com a Arábia Saudita, país amplamente reconhecido como o mais capaz de aumentar a produção de petróleo, pode não reduzir os preços automaticamente. Isso porque a produção de petróleo russo está em queda e pode ser ainda menor à medida que os europeus param de comprá-lo.

“Os presidentes podem ser a figura mais poderosa do governo americano, mas não podem controlar o preço do petróleo na bomba”, disse Chase Untermeyer, embaixador dos EUA no Catar durante o governo de George W. Bush. “Mesmo que os preços caiam por motivos fora de seu controle, Biden provavelmente também não receberá muito crédito por isso.”

Alguns legisladores republicanos e executivos de petróleo argumentaram que Biden poderia fazer mais para aumentar a produção local de petróleo e gás. Eles afirmam que o governo pode conceder mais terras e águas para a perfuração de poços em lugares como o Alasca e Golfo do México. Outro argumento diz que Biden poderia facilitar a regulamentação da construção de oleodutos para que os produtores canadenses possam enviar mais petróleo.

Entretanto, essas iniciativas – às quais ambientalistas e muitos democratas se opõem porque retardariam os esforços para combater as mudanças climáticas – teriam pouco impacto imediato. As novas perfurações levariam meses até começar a produzir e os oleodutos levariam anos para serem construídos.

“Mesmo se o governo atender toda a lista de desejos da indústria, o impacto nos preços de hoje seria modesto porque os desejos são muito mais ligados sobre a produção futura”, avaliou o diretor do Centro de Energia Global da Universidade de Columbia e ex-conselheiro do presidente Barack Obama, Jason Bordoff. “Isso traria desvantagens consideráveis no nível político, social e ambiental”.

Biden e seus assessores pressionam os executivos americanos a bombear mais petróleo, mas obtêm pouco sucesso. A maioria das companhias relutam em expandir a produção porque temem que novos poços causem um excesso de produção e uma consequente queda de preços – um temor que viram acontecer no início da pandemia, quando os preços ficaram abaixo de zero. Companhias como Exxon Mobil, Chevron, BP e Shell mantiveram em grande parte os orçamentos de investimento que estabeleceram no ano passado antes da Rússia invadir a Ucrânia.

Comerciantes de energia estão tão convencidos de que a oferta de petróleo vai permanecer limitada que os preços de referência do combustível subiram -- nos EUA e no mundo -- após a notícia de que Biden planeja viajar para a Arábia Saudita. Os preços passaram para cerca de US$ 120 o barril na sexta-feira. Já nos EUA, o preço médio do galão de gasolina comum ficou em US$ 4,85 no domingo, 20 centavos a mais do que na semana anterior e US$ 1,80 acima do ano passado.

Outro esforço do governo Biden que parece ter fracassado é a decisão de liberar diariamente um milhão de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. Analistas disseram que era difícil discernir qualquer impacto desses lançamentos.

Diálogos com Venezuela e Irã estão em andamento

Biden também mantêm diálogo com a Venezuela e o Irã, mas o progresso de possíveis acordos está paralisado.

Com relação à Venezuela, o governo americano renovou recentemente uma licença que isenta a petrolífera americana Chevron das sanções destinadas a paralisar a indústria de petróleo do país. Em março, três funcionários de Biden foram à Caracas para convencer o presidente Nicolás Maduro a negociar.

Na Europa, as sanções contra a Venezuela também ficaram mais brandas. A Repsol, da Espanha, e a Eni, da Itália, foram autorizadas a enviar em algumas semanas para a Europa pequenas quantidades de petróleo venezuelano, segundo informou a Reuters neste domingo, 5.

A Venezuela, que já foi um grande exportador para os Estados Unidos, possui as maiores reservas de petróleo do mundo. Entretanto, a indústria de petróleo do país está tão prejudicada que pode levar meses ou até anos para o país aumentar substancialmente as exportações.

Já com o Irã, Biden tenta reviver um acordo nuclear de 2015 que foi cancelado no mandato de Donald Trump. O acordo poderia autorizar o Irã a exportar mais de 500 mil barris de petróleo diariamente, o que causaria alívio na crise de oferta global e compensaria parte dos barris que a Rússia parou de vender. O Irã tem cerca de 100 milhões de barris armazenados, que podem ser liberados rapidamente.

Entretanto, as negociações parecem estar paralisadas em discordâncias e não devem ter resultados agora.

Além disso, qualquer acordo dos EUA com a Venezuela ou o Irã pode se tornar um peso político para Biden porque a maioria dos republicanos e até alguns democratas se opõem a possíveis compromissos com estes países.

“Nenhum presidente quer remover a Guarda Revolucionária do Irã da lista de terroristas”, disse Ben Cahill, especialista em energia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, sobre um dos pontos de discórdia nas negociações com o Irã. “Os presidentes desconfiam de qualquer movimento que pareça fazer sacrifícios políticos e conceda vitórias aos adversários dos Estados Unidos”, acrescentou.

Especialistas em política externa avaliam que, embora as crises de energia durante guerras sejam inevitáveis, elas sempre surpreendem os governos, que geralmente não estão preparados para a próxima crise. “A história das crises do petróleo mostra que, quando há uma crise, os políticos correm perdidos tentando descobrir o que fazer para fornecer alívio imediato aos consumidores”, disse o ex-conselheiro de Obama, Bordoff.

Ele sugere que o país invista mais em automóveis elétricos e encoraje o uso mais eficiente e conversador de energia para diminuir a demanda. Para ele, os líderes americanos precisam preparar melhor o país para “a próxima vez que houver uma inevitável crise do petróleo”.

O Estado de S.Paulo - SP   07/06/2022

A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, elevou os preços do petróleo bruto em julho para compradores asiáticos para níveis acima do esperado, em meio a preocupações com oferta apertada e expectativas de forte demanda no verão.

O preço de venda oficial (OSP) para carregamento do petróleo tipo Arab Light para a Ásia em julho foi elevado em 2,1 dólares por barril, para 6,5 dólares por barril acima das cotações de Omã/Dubai.

A alta foi muito superior à prevista pela maioria do mercado, que esperava um aumento de cerca de 1,5 dólares. Apenas um dos seis entrevistados em uma pesquisa da Reuters previu um salto de 2 dólares.

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