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07 de Abril de 2022

SIDERURGIA

Grandes Construções - SP   07/04/2022

Em 2021, a produção de aço bruto aumentou 15,7% em relação ao ano anterior, atingindo um total de 64,8 Mt, enquanto a produção de laminados aumentou 19,5% (55,7 Mt).

O ano terminou com um consumo regional total de 74,8 Mt, um aumento de 26,6% em relação ao ano anterior (59,1 Mt) e de 15,4% em relação a 2019 (64,8 Mt).

As exportações atingiram 9,0 Mt, 19,9% a mais que em 2020 (7,5 Mt). Já as importações acumuladas somaram 28,8 Mt, 46,7% acima do mesmo período de 2020 (19,6 Mt).

“Os números do ano passado mais uma vez mostram a resiliência do nosso setor, impulsionado pelos setores de construção, agrícola e automotivo”, afirma Alejandro Wagner, diretor executivo da Alacero (Associação Latinoamericana de Aço).

“Para 2022, espera-se uma leve queda de 2,1% no consumo aparente, principalmente devido a uma forte recomposição de estoque na cadeia”, revela. “Mesmo assim, é um bom nível em relação aos anos pré-pandemia, pois entre 2017-19, a média foi de 66,1 Mt/ano”, acrescenta.

Em fevereiro de 2022, a produção de aço bruto diminuiu 6,8% em relação ao mês anterior, atingindo 4,8 Mt. Com o acumulado de 10,0 Mt entre janeiro e fevereiro, o volume foi 2,2% inferior ao mesmo período de 2021, enquanto a produção de laminados foi 3,3% menor em relação a janeiro, totalizando 4,2 Mt.

A produção acumulada de laminados nos dois meses foi de 8,6 Mt, com 2,3% a mais que no ano anterior. Em janeiro de 2022, o consumo aparente foi de 5,6 Mt (-8,0% em relação a janeiro de 2021 e +4,6% em relação ao mês anterior).

O déficit comercial acumulado para 2021 ainda é crítico, 63,5% superior ao ano anterior, com -19,8 Mt. “Ainda não saímos do período de incertezas, pelo contrário, começamos um ano com incertezas domésticas com eleições, inflação e políticas monetárias rígidas que podem ter impacto sobre a atividade industrial”, avalia Wagner.

“E a tudo isso se soma a incerteza de um conflito global, com o aumento das matérias-primas do aço, bem como o custo da energia global”, conclui.

Diário do Aço - MG   07/04/2022

A Usiminas informa que apresentou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) o quinto “Estudo de percepção da população de incômodo causado pelas partículas sedimentáveis”. O estudo foi realizado pela CP2 Instituto de Pesquisa, que ouviu 1,1 mil moradores de 11 bairros, nos meses de fevereiro e março de 2022.

No primeiro trimestre do ano passado, quando foi realizado o primeiro estudo previsto no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o MPMG, 49% dos moradores afirmavam que as partículas sedimentáveis aumentavam a cada ano. Agora, no trimestre passado, houve uma redução de 19 pontos percentuais e 30% dos entrevistados fizeram a mesma afirmação. Por sua vez, 27% da população afirma perceber redução e para outros 39% há estabilidade, apontou a pesquisa.

“Nos últimos três anos foram investidos mais de R$ 100 milhões, em diversas iniciativas, e, entre 2022 e 2024, estão previstos mais R$ 400 milhões. Todo esse trabalho é também acompanhado junto à comunidade por meio de uma pesquisa semestral, que nos possibilita verificar a percepção dos moradores. Para nós, é muito positivo constatar que a percepção da comunidade acompanha os investimentos e os resultados obtidos”, explica Lucas Lima Mesquita, gerente-geral de Meio Ambiente da Usiminas.

As ações realizadas pela companhia nos últimos anos mostram importantes resultados, com uma redução significativa da taxa de deposição de partículas sedimentáveis nos bairros do entorno da usina. Em 2021, comparativamente ao período de referência definido no TAC (2018-2019), houve reduções da taxa de deposição de partículas sedimentáveis oriundas da operação da Usiminas em todos os locais monitorados, variando entre 13% e 66%. A próxima pesquisa deve ser realizada entre próximos meses de agosto e setembro.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   07/04/2022

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 2,37% em março, acima do 1,5% verificado em fevereiro. O acumulado do ano está em 6% e a alta chega a 15,57% em 12 meses. Em março do ano passado, o índice registrava inflação de 2,17% e acumulava alta de 30,63% em 12 meses.

Os dados foram divulgados hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O IGP-DI indica o movimento de preços em toda a cadeia produtiva: desde as matérias-primas agrícolas e industriais, passando pelos produtos intermediários até os de bens e serviços finais.

O coordenador dos índices de preços da FGV, André Braz, explica que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 2,8% em março, foi impactado pelos derivados de petróleo.

“O IPA, índice de maior expressão na composição do resultado do IGP, recebeu, nesta apuração, forte influência dos derivados do petróleo, cujos destaques foram diesel (de 2,7% para 16,86%), gasolina (de 1,71% para 12,69%) e adubos ou fertilizantes (-5,21% para 7,97%) que juntos responderam por 30% do resultado do IPA”.

Em fevereiro, o IPA subiu 1,94%. Por estágios de processamento, a taxa do grupo bens finais passou de 1,73% em fevereiro para 3,64% em março, sofrendo o impacto dos alimentos processados (de 0,61% para 4,03%). O índice de Bens Finais (ex), que exclui os alimentos in natura e combustíveis para o consumo, subiu 2,14% em março, depois da alta de 0,91% em fevereiro.

O grupo bens intermediários passou de 1,31% em fevereiro para 3,19% em março, com o avanço do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção (de 6,57% para 12,9%). O índice de bens intermediários (ex), calculado com a exclusão de combustíveis e lubrificantes para a produção, acelerou de 0,42% para 1,45% em março.

No estágio das matérias-primas brutas, a taxa desacelerou, variando 1,73% em março, depois da alta de 2,76% em fevereiro. Ocorreram reduções na variação de preço da soja em grão (de 10,16% para 3,48%), do café em grão (de 0,89% para -10,76%) e do milho em grão (de 4,92% para 1,49%). As principais altas foram no minério de ferro (-0,10% para 2,82%), na mandioca (-6,01% para 8,63%) e nas aves (0,39% para 6,95%).
IPC

De acordo com o Ibre/FGV, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 1,35% em março, após alta de 0,28% em fevereiro. Entre as oito classes de despesa componentes do índice, sete tiveram movimento de acréscimo na variação. Foram elas: transportes (de 0,07% para 2,51%), habitação (de 0,33% para 1,23%), alimentação (de 1,2% para 1,99%), educação, leitura e recreação (de -0,51% para 0,67%), saúde e cuidados pessoais (de -0,12% para 0,29%), vestuário (de 0,33% para 1,04%) e despesas diversas (de 0,08% para 0,39%).

O instituto destaca o comportamento dos preços da gasolina, que passou de variação de -1,35% em fevereiro para 5,08% em março, da tarifa de eletricidade residencial  (de -0,73% para 1,60%), hortaliças e legumes (de 8,44% para 14,79%), passagem aérea (de -4,09% para 3,26%), perfume (de -3,00% para 2,60%), roupas (de 0,34% para 1,17%) e serviços bancários (de 0,06% para 0,41%).

Também teve decréscimo na variação entre fevereiro e março o grupo comunicação, que passou de 0,08% para -0,11%, influenciado pela redução na tarifa de telefone residencial, que foi de -0,41% para -0,83%.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,86% em março, ante 0,38% em fevereiro deste ano. Entre os componentes do indicador, materiais e equipamentos passaram de 0,28% em fevereiro para 0,5% em março, serviços foram de 1,66% para 0,7% e a mão de obra acelerou de 0,25% para 1,21%.

O Estado de S.Paulo - SP   07/04/2022

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) subiu ainda mais o tom em relação aos serviços e funções do órgão que podem ser afetadas pela greve dos servidores. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 6, o Sinal afirmou que a greve continua por tempo indeterminado e que poderá afetar as atividades preparatórias para o Comitê de Política Monetária (Copom) e para o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), além de poder “afetar ainda mais” a divulgação do Boletim Focus e de diversas taxas financeiras, como a ptax.

Na avaliação do Sinal, os relatórios e análises preparatórias para o Copom e para o Comef não são atividades essenciais, seguindo o parâmetro da lei da greve. Na terça, em resposta ao questionamento da reportagem, o Banco Central (BC) disse que o Boletim Focus, os indicadores selecionados e as notas estatísticas, como de crédito, só serão publicados após o fim do movimento, mas afirmou que “a produção das apresentações de conjuntura para o Copom é atividade essencial e, portanto, será realizada durante a greve”.

Segundo afirmou o presidente do Sinal, Fábio Faiad, ao Estadão/Broadcast, a negociação da lista de serviços essenciais ainda continua. O sindicato ainda reforçou que os servidores não vão interromper o Pix, mas que o serviço pode ser afetado parcialmente pelo monitoramento e manutenção precários durante a greve.

“A greve poderá interromper parcialmente a distribuição de moedas e cédulas. E poderá interromper, parcial ou totalmente, a divulgação do boletim Focus e de diversas Taxas, as atividades prévias de preparação do Comef e do Copom, o atendimento ao público, reuniões e eventos com o sistema financeiro e outras atividades”, disse, em nota.

“As atividades que forem colocadas em contingência terão ampliação de risco operacional e podem sofrer interrupções parciais por conta de problemas derivados disso, haja vista a precária manutenção e o insuficiente monitoramento causados pelo regime de contingência: mesas de operações, sistema do PIX etc”, completou.

A greve dos servidores do BC foi iniciada na última sexta-feira (1º) e tem prazo indeterminado, em busca de reestruturação de carreira e recomposição salarial de 26,3%. A expectativa é de adesão de 60% dos servidores, cerca de 725 dos comissionados já deixaram seus cargos, conforme o Sinal. Um analista do Banco Central recebe, em média, R$ 26,2 mil mensalmente.

O sindicato tem feito assembleias regulares para definir os rumos do movimento. Ontem, houve a presença de 1.270 servidores, segundo o Sinal, de um total de 3.500 na ativa, em que 90% votaram pela continuidade da paralisação. Na sexta-feira (8), deve ocorrer outra reunião.

A assembleia ocorreu após o encontro entre o Sinal e o secretário de Gestão de Pessoas do Ministério da Economia, Leonardo Sultani. Segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad, o governo não apresentou qualquer proposta oficial para a reestruturação da carreira e para aumentar os salários.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/04/2022

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) está “dando passos” para conter a inflação nos Estados Unidos, avalia a secretária do Tesouro do país, Janet Yellen, em testemunho no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, nesta quarta-feira. Ela destacou que o Fed está encarregado de controlar a inflação no país e ressaltou que a administração do presidente Joe Biden propôs um orçamento para o ano fiscal de 2023, cuja expectativa é reduzir o déficit do país.

A secretária afirmou que o aumento dos preços está se dando por fatores ainda ligados à pandemia, como os gargalos de oferta.

Duração da pandemia

Janet Yellen disse acreditar que a pandemia irá durar mais do que o previsto, o que deve impulsionar a inflação nos Estados Unidos. Ela foi questionada se ainda usaria a palavra “transitória” para classificar a alta inflação, como havia feito da vez anterior no Comitê, junto ao presidente do Fed, Jerome Powell.

“Quando usei a palavra transitória, achei que o avanço da inflação tinha relação com a pandemia. E, infelizmente, acho que pandemia vai durar mais do que antecipei”, disse ela, que pontuou que esse é “um dos fatores” que contribui para pressões inflacionárias no país.

Efeito da guerra

De acordo com Janet Yellen, as pressões inflacionárias devem escalar com as sanções impostas à Rússia. “As sanções que impusemos contra a Rússia elevam os preços de energia. É um preço válido a se pagar para punir a Rússia pelo que está fazendo na Ucrânia”, comentou.

Ela destacou que os preços de produtos ucranianos também estão subindo, assim como os de metais, como níquel e titânio, que têm papel importante na indústria.

Questão energética na Europa

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos disse ainda que o país está fazendo “tudo o que pode” para ajudar parceiros europeus para lidar com questão energética, uma vez que “infelizmente” vários ainda são dependentes de derivados de petróleo russos. Ela pontuou que o objetivo é “causar a máxima dor possível à Rússia e usar habilidade americana para blindar os EUA e seus parceiros”.

Depois de ler o discurso, divulgado antes do início da sessão, Janet Yellen passou a responder às perguntas feitas pelos membros do Comitê.

Infomoney - SP   07/04/2022

O Credit Suisse elevou as suas projeções para o PIB do Brasil em 2022, passando de queda de 0,5% para leve alta de 0,2% neste ano, enquanto manteve sua expectativa para inflação e juros.

Segundo os economistas Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho, que assinam o relatório, o governo implementou várias medidas para estimular o crescimento econômico de curto prazo, como redução de 25% no imposto sobre produtos industrializados (IPI) e liberação de saques do FGTS no valor de 0,4% do PIB.

Para 2023, a projeção de crescimento do PIB de 2,1% (em função da expectativa de flexibilização do ciclo monetário) se manteve.

Os especialistas apontam que os indicadores econômicos dos primeiros meses do ano vieram um pouco melhores do que as suas expectativas. Com isso, revisaram a projeção para a demanda doméstica, principalmente o consumo das famílias.

Os termos de troca mais altos terão um impacto duvidoso no crescimento do PIB em 2022, afirmam, pois a inflação e as taxas de juros podem compensar as exportações mais altas. Por outro lado, a partir de 2023, os termos de troca mais elevados terão um efeito positivo no consumo, provavelmente impulsionando os investimentos e podendo melhorar as contas públicas.

Já no caso da inflação, os economistas do banco suíço projetam avanço de 7,8% em 2022 e de 4,3% em 2023, ante as metas do Banco Central do Brasil de 3,5% e 3,25%, respectivamente.

“Os choques de alimentos e combustíveis causados pelo conflito ucraniano pioraram as já frágeis perspectivas para a inflação no Brasil, que estava sendo pressionada pela inércia, custos de insumos (por exemplo, eletricidade) e preços congelados durante a pandemia (por exemplo, cursos educacionais e planos de saúde)”, apontam os economistas.

As expectativas de inflação tanto no curto quanto no médio prazo aumentaram fortemente nos últimos meses, uma vez que a inflação continua surpreendendo para cima. Neste sentido, os economistas assumem que a taxa de juros aumentará 100 pontos-base em maio, 75 pontos-base em junho e 50 pontos-base em agosto, para 14%, mantendo-a nesse patamar até o fim do ano.

Os economistas acreditam que o Banco Central precisará continuar aumentando os juros depois de maio, pois os modelos apontam para taxas mais altas sendo necessárias para reduzir as expectativas de inflação frente as metas de 2023 e 2024. “Na última reunião [do Copom], a autoridade monetária indicou fortemente que uma última alta de 100 pontos-base em maio (para 12,75%)  é suficiente para reduzir a inflação para a meta em 2023, mas acreditamos que provavelmente precisará revisar suas projeções de inflação, já que ela provavelmente continuará surpreendendo para cima, afastando ainda mais as expectativas da meta”, avaliam.

Ainda no radar, a eleição presidencial será destaque nos próximos meses. De agora em diante, avaliam, as pesquisas provavelmente se tornarão um previsor mais confiável para a disputa a ser realizada em outubro, com os potenciais candidatos começando a fazer campanha, a porcentagem de eleitores indecisos devendo diminuir e coalizões políticas nos estados sendo formadas.

Atualmente, as pesquisas presidenciais mostram uma polarização da disputa entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula.

Segundo os economistas, é improvável que os principais concorrentes forneçam uma visão clara sobre sua equipe econômica e política econômica até o segundo turno.

Apesar disso, acreditam que os principais candidatos vão pressionar pelos principais reformas econômicas no primeiro ano da nova administração, especialmente o processo de consolidação fiscal.

Sem melhora no saldo primário e um redesenho do quadro fiscal – para reancorar as expectativas dos agentes econômicos sobre a sustentabilidade das contas públicas e redução de juros, a economia provavelmente terá um desempenho ruim, reduzindo o índices de aprovação do presidente e sua governabilidade, aponta o Credit. O que pode ser tirado de bom neste contexto, segundo o banco, é que os principais candidatos presidenciais entendem a importância dessas reformas. Além disso, as gestões anteriores conseguiram a aprovação do Congresso para reformas impopulares em seu primeiro ano.
XP também revisa projeções

Na véspera, a XP também revisou as suas projeções para alguns parâmetros da economia brasileira.

A casa elevou suas estimativas de inflação para este ano e o próximo, embora tenha melhorado seu prognóstico para a taxa de câmbio ao fim de 2022, com o impacto da guerra na Ucrânia devendo pesar no bolso do consumidor.

Agora, a instituição financeira espera que o IPCA suba 7,0% em 2022 e 4,0% em 2023, contra taxas de 6,2% e 3,8%, respectivamente, previstas em cenário anterior.

“A mudança é resultado da incorporação tanto de resultados correntes mais fortes do que projetávamos, como também de um balanço de riscos pior para frente”, afirmou a XP em relatório assinado por economistas, estrategistas e analistas, entre eles Caio Megale, economista-chefe.

A XP citou “impactos mais persistentes da guerra” na Ucrânia e afirmou que os preços de alimentação e combustíveis estão turbinando a inflação corrente.

“Por outro lado, a taxa de câmbio mais apreciada ajudará a conter a inflação no ano”, ponderou a XP, que revisou sua projeção para o patamar do dólar ao fim de 2022 a R$ 5, contra R$ 5,20 previstos anteriormente. Para o encerramento de 2023, foi mantida estimativa de que a moeda norte-americana ficará em R$ 5,30.

Por trás da recente desvalorização do dólar –que acumula baixa de 15% no ano frente ao real, cujo desempenho no período é o melhor do mundo–, a XP apontou a elevação nos preços das commodities, a baixa vulnerabilidade da América Latina ao conflito na Ucrânia e o fato de o Banco Central ter começado a subir os juros mais cedo e em ritmo mais acelerado do que seus pares, tornando a renda fixa local mais atrativa.

“Mas há riscos adiante que tendem a reverter parcialmente o movimento” de depreciação da moeda norte-americana, alertou a instituição financeira. “Se a guerra na Ucrânia caminhar para uma solução, não esperamos altas adicionais nos preços de commodities. Da mesma forma, a reabertura das economias do leste europeu tende a gerar saídas de recursos hoje alocados na América Latina.”

Além disso, o relatório citou a normalização das políticas monetárias de países desenvolvidos e outras nações emergentes, bem como incertezas eleitorais domésticas, como possíveis fatores de suporte para o dólar ante o real.

Para a taxa Selic, a XP manteve projeção de que os juros chegarão a 12,75% ao fim do ciclo de aperto monetário do BC.

Também permaneceram inalterados os prognósticos de crescimento econômico para este ano e o próximo. “Mantemos a projeção de taxa de variação nula para o PIB de 2022, mas atribuímos viés de alta. Para o PIB de 2023, continuamos a prever crescimento de 1,2%, considerando a dissipação dos choques da pandemia e da guerra no leste europeu”, disse a XP.

IstoÉ Online - SP   07/04/2022

O Citi ajustou para cima sua projeção de alta do IPCA neste ano, a 7,6%, citando piora na qualidade da inflação e ímpeto cada vez maior da inércia de preços, o que também levou a aumento da estimativa para 2023.

Em cenário anterior, o Citi esperava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiria 6,7% em 2022. “Os desdobramentos globais, como o conflito na Europa e o aumento das restrições relacionadas à Covid-19 na Ásia, continuam adicionando pressões ao ambiente de inflação doméstico já complicado”, disse o banco em relatório nesta quarta-feira.

Sob os novos prognósticos, o Citi projeta o pico da inflação em abril, quando o IPCA deve avançar 11,7% em 12 meses.

“A qualidade da inflação está se deteriorando continuamente, com os preços inerciais ganhando força”, o que justificou revisão de sua projeção para a alta do índice no ano que vem a 3,9%, acima do centro da meta para o período pela primeira vez.

Os objetivos oficiais de inflação para 2022 e 2023 são de 3,5% e 3,25%, respectivamente, e têm margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O Citi avaliou que, mesmo com a valorização recente do real, que acompanhou uma disparada nos preços das commodities, o efeito líquido dos custos mais altos de produtos energéticos e agrícolas como consequência da guerra na Ucrânia se mostra majoritariamente inflacionário para o Brasil. O dólar acumula no ano queda de 16% contra o real, que é lider global de desempenho em 2022.

Apesar da percepção de uma inflação mais desafiadora do que o estimado anteriormente, o banco norte-americano manteve expectativa anterior de que a taxa Selic chegará a 13,25% ao fim do ciclo de aperto monetário atual.

O relatório do Citi chamou a atenção para o fato de o Banco Central ter mostrado intenção de estacionar os juros em 12,75% em maio “apesar do processo de desancoragem das expectativas de inflação”.

O Estado de S.Paulo - SP   07/04/2022

Surpresa para os analistas: em todo o mundo a inflação dispara. Na maioria dos países avançados, a inflação anual saltou para próximo ou acima dos 5% ,mais de 3 pontos porcentuais acima das metas estabelecidas. E, na maioria dos países em desenvolvimento, foi para além dos 7%.

Os bancos centrais vêm sendo cobrados para agir com rigor e isso terá consequências. Alguns analistas já dão como inevitável um período de dura recessão global.

Três são as causas principais desse estouro dos preços. Houve a desorganização dos fluxos de produção e distribuição pela pandemia que puxou pelos custos. A partir do fim de fevereiro, a guerra da Ucrânia lançou para o alto os preços do petróleo e dos alimentos, movimento que não tem prazo para acabar. A esses dois fatores somou-se outro, desta vez de demanda, que foi o forte crescimento do consumo, que o sistema produtivo atende apenas em parte, porque falta muita coisa: peças, chips, fertilizantes, combustíveis...

Em março de 1980, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) , dirigido então pelo economista Paul Volcker, decidiu enfrentar a inflação de custos, produzida pelo choque do petróleo, com juros inéditos até então, de 20% ao ano. A recessão foi implacável, o desemprego deu um salto, mas, aos poucos, a inflação saiu derrotada. A economia do Brasil, então altamente endividada em moeda estrangeira, não suportou a disparada dos juros e quebrou. E foram aquelas crises intermináveis.

Ninguém espera uma pancada nos juros como a de Paul Volcker. Mas ficou inevitável aplicar certa dose desse remédio. Perguntas: quanto a economia global terá de suportar em recessão e quais seriam as consequências políticas?

A principal incógnita dessa equação é o desdobramento da guerra da Ucrânia. A União Europeia decidiu suspender as importações de carvão mineral da Rússia. Mas poderá ir além nas suas sanções. Aumentam as pressões para que pare de importar também petróleo e gás natural, principais exportações da Rússia. A Europa, principalmente Alemanha e Itália, é altamente dependente do suprimento de gás e petróleo da Rússia. Se a decisão for essa, será inevitável forte racionamento de combustíveis e de energia elétrica que, por si só, empurraria a economia mundial para a recessão. Poderia vir acompanhada de mais inflação na medida em que os preços do petróleo e do gás também disparariam.

Enfim, tudo contado, estão à frente mais incertezas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

MINERAÇÃO

Valor - SP   07/04/2022

Com o desempenho de hoje, a principal matéria-prima do aço acumula valorização de 34,6% em 2022

Os preços do minério de ferro encerraram a quarta-feira com leve queda no mercado à vista, na contramão dos contratos futuros, que tiveram nova sessão de valorização em meio à expectativa de que o governo chinês anuncie novas medidas de estímulo econômico.

Segundo o índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o preço do minério com teor de 62% teve baixa de 0,4% no norte da China, para US$ 160,20 por tonelada.

Já na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, para setembro, subiram 2,2% na retomada das negociações após o feriado prolongado do “Tomb Sweeping-Day”, para 927 yuan por tonelada.

Com o desempenho de hoje, a principal matéria-prima do aço acumula valorização de 1,2% em abril e de 34,6% em 2022.

Revista Mineração - SP   07/04/2022

Pátios autônomos foram inaugurados este ano em Maranhão e Rio de Janeiro; já são 24 caminhões, 18 perfuratrizes e 30 máquinas de pátio em operação.

Inteligência artificial, sistemas de computador, GPS e radares fazem parte da rotina de mais de 300 empregados da Vale no Brasil que estão sendo beneficiados pela operação autônoma. Com essa tecnologia, que começou a ser utilizada há quatro anos, os equipamentos se movimentam sem operadores nas cabines, o que reduz significativamente os riscos a que os empregados estão expostos na área operacional, além de dar mais estabilidade à operação e gerar ganhos de eficiência.

A entrada em operação do pátio autônomo no Terminal Ilha Guaíba, em Mangaratiba (RJ), esta semana, levou a empresa a alcançar a marca de 72 equipamentos autônomos em quatro Estados do país.

Em janeiro foi entregue a 18ª máquina do pátio autônomo no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), e em fevereiro começou a operar a 11ª perfuratriz em Itabira (MG). Os autônomos também estão presentes nas operações de Carajás (PA) e Brucutu (MG). No total já são 24 caminhões fora de estrada, 18 perfuratrizes e 30 máquinas de pátio operando de forma autônoma.

Além dos ganhos de segurança e eficiência comuns a todos os autônomos, há também benefícios de sustentabilidade no caso de equipamentos móveis, como caminhões fora de estrada e perfuratrizes, devido à redução do consumo de combustível e aumento da vida útil de componentes.

Os primeiros equipamentos autônomos a entrar em operação foram caminhões fora de estrada e perfuratrizes, em 2018, na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG). Atualmente estão operando também caminhões fora de estrada, perfuratrizes e máquinas de pátio em Carajás (PA); perfuratrizes em Itabira (MG); e os pátios inaugurados este ano em São Luís e Mangaratiba (RJ). Também há perfuratrizes e carregadeiras para minas subterrâneas no Canadá e um pátio na Malásia.
Protagonismo

Com o avanço dos autônomos, cerca de 300 empregados deixaram de atuar em áreas sujeitas aos riscos inerentes à operação, como as cavas das minas e os pátios de estocagem, nos estados de Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e Maranhão.

A implantação dos autônomos nas operações está sendo acompanhada de planos de qualificação dos empregados para atuarem com as novas tecnologias, tornando-os mais preparados para a mineração do futuro. Todos os empregados envolvidos no projeto receberam capacitação, seja para funções novas (como projetista de pistas de caminhões) ou para executar as mesmas funções de uma forma diferente, interagindo com os veículos autônomos.

Felipe Cordeiro é supervisor de Operações Autônomas em Carajás. Nascido no Pará, filho e neto de empregados da Vale, ele conta que a implantação dos caminhões, em setembro de 2021, também incluiu uma conscientização sobre os benefícios da tecnologia.

“Alguns tinham receio da novidade por conta das condições particulares de lavra em Carajás ou pelo impacto da mudança nas suas carreiras. Os primeiros resultados já mostram que os autônomos têm condições de tornar a operação mais segura, eficiente e sustentável. O pessoal entendeu que está diante de uma janela de oportunidade para o futuro”.

Em Brucutu, o operador de perfuratriz Claudinei Clemente dos Santos, 51 anos – 22 trabalhando na Vale – conta que a operação autônoma também favorece a inclusão. Em 2004 ele sofreu um acidente rodoviário, que o deixou com uma deficiência física. A tecnologia chegou para melhorar suas condições de trabalho.

“Quando me chamaram para operar a perfuratriz autônoma foi a maior felicidade. Antes eu tinha de subir no equipamento, fazer o furo, descer para conferir como tinha ficado e retornar ao equipamento. Hoje faço o levantamento na área e retorno para o centro de controle, insiro os dados na máquina e a perfuratriz executa a tarefa de forma autônoma. Tenho muito mais conforto”, explica.
Segurança

Segundo a Vale, a redução da exposição dos empregados ao risco é um dos benefícios mais relevantes da tecnologia. Ana Carolina Pacheco opera máquinas de pátio no Terminal Ilha Guaíba (TIG). Na operação convencional, ela subia vários degraus para acessar recuperadoras e empilhadeiras de até 40 metros de altura, que movimentam 8 mil toneladas de minério por hora cada uma. A partir deste mês, Carol vai controlar as três máquinas de dentro do Centro de Controle.

“A área operacional apresenta riscos, que diminuem bastante com a operação autônoma. Além disso, tem a questão da ergonomia. Na sala de controle fico mais bem instalada”, explica Carol, moradora da Praia Brava, distrito de Mangaratiba.

Em São Luís, os operadores de pátio foram retirados das cabines dos equipamentos há mais de dez anos, quando a operação se tornou semiautônoma. Com a implantação do pátio autônomo, as máquinas estão ainda mais confiáveis, com sensores e outras tecnologias, como explica a técnica Jersica Cantanhede, de 34 anos – 15 deles operando máquinas de pátio na Vale. “O fato de não estar mais exposta na cabine já foi um salto. Agora esperamos aumentar ainda mais a produtividade, mantendo a segurança em primeiro lugar”, explica.

Desde a implantação dos autônomos não foi registrado nenhum acidente envolvendo pessoas. No caso dos caminhões, por exemplo, situações de risco como tombamentos e colisões foram eliminadas. Ao detectar riscos, os caminhões paralisam suas operações até que o caminho volte a ser liberado. Os sensores do sistema de segurança são capazes de detectar tanto objetos de maior porte, como grandes rochas e outros caminhões, até seres humanos que estejam nas imediações da via.
Sustentabilidade

A tecnologia também traz ganhos ambientais. Em Itabira, as perfuratrizes autônomas apresentaram redução de 7,3% de combustível em comparação às tripuladas. É uma redução de cerca de 1.200 litros de combustível por ano, o que equivale a 2.966 tCO2 a menos na atmosfera. Para absorver essa quantidade de emissões seria necessária uma área de 22 mil m2 de florestas.

Já nos caminhões de Brucutu, os pneus tiveram um acréscimo de 25% na sua vida útil, levando a um menor descarte de resíduos. O aumento da vida útil dos motores também foi de 25%, o que gera uma redução de custo significativa para a empresa, já que cada troca de motor custa R$ 2,5 milhões.

A velocidade máxima dos caminhões em Brucutu, que era de 40 km/h, chegou a 60 km/h. A produtividade horária, medida pela quantidade de minério de ferro transportada por hora, teve aumento de cerca de 10%, segundo a mineradora.

Nos pátios autônomos de Carajás também já foi possível medir os ganhos de eficiência. Em dois pátios da usina 2, durante o processo de empilhamento e recuperação do minério, houve uma queda de 90% em desvios operacionais, como a formação de pilhas de minério fora do padrão. “Com menos desvios ganhamos em produtividade porque carregamos os trens mais rapidamente e em segurança ao minimizar o risco de deslizamentos na pilha”, explica Joyce Freitas, supervisora de pátio autônomo em Carajás.
Tecnologia

O programa de autônomos da Vale continua em expansão, com um investimento total de US$ 45 milhões em 2022. Até o final do ano entrarão em operação mais três caminhões, duas máquinas de pátio e cinco perfuratrizes em Carajás, além de mais um caminhão em Brucutu e três perfuratrizes em Itabira, elevando o número de equipamentos autônomos para 86 no Brasil.

“Os autônomos estão tornando os processos mais estáveis e alinhados com os padrões de segurança, apoiando a Vale na sua ambição de se tornar referência em segurança na mineração”, explica o gerente do programa, Pedro Bemfica. “Além disso, a introdução da tecnologia digital vem tornando os empregados ainda mais preparados para a tendência de transformação da indústria”.
Inovação

De acordo com a Vale, as iniciativas de inovação para a segurança estão agrupadas desde 2021 no Programa de Transformação de Segurança, que tem três objetivos principais: criar iniciativas para garantir processos seguros; acelerar a implantação de controles na operação; e remover pessoas de atividades de risco utilizando técnicas de operação remota, autônomos e robótica.

Estão dentro do escopo do programa, por exemplo, projetos para implantação de veículos autônomos, desenvolvimento de sistemas de detecção de fadiga em operadores e uso de realidade aumentada para inspeções e manutenções.

Valor - SP   07/04/2022

A queda do dólar para o patamar de R$ 4,65 ameniza um pouco o peso do custo, neste momento, mas não se sabe quando haverá uma estabilização, diz um especialista

A pressão de custos de matérias-primas e insumos metálicos na fabricação de aço por parte de siderúrgicas integradas pode se estender por um bom tempo ainda. Apenas os preços do minério de ferro e do carvão metalúrgico, os dois principais ingredientes, subiram cerca de US$ 324 a tonelada de janeiro até agora.

Segundo dados de consultorias, a cotação do minério de ferro passou de US$ 112,08 em 1º de janeiro para US$ 161,25 ontem no mercado chinês, conforme levantamento da Trading Economics. Ou seja, uma alta de quase US$ 50 a tonelada no período.

Esse valor resulta em aumento de US$ 80 para cada tonelada de aço produzida, uma vez que são necessários 1.600 quilos de minério na fabricação de 1 tonelada de aço bruto.

De carvão metalúrgico, que são usados 600 quilos para cada tonelada de aço, estima-se, no período, alta na faixa de US$ 400, com o insumo sendo negociado, após início da guerra da Rússia na Ucrânia, entre US$ 650 e US$ 700 a tonelada.

Com isso, somente deste insumo o custo adicional por tonelada é de US$ 240. Somando-se com os US$ 80 do minério, apenas o custo das duas matérias-primas atinge US$ 320 para as siderúrgicas.

A queda do dólar para o patamar de R$ 4,65 ameniza um pouco o peso do custo, neste momento, mas não se sabe quando haverá uma estabilização, diz um especialista. Há vários fatores em jogo, como a perspectiva de aumento de oferta, demanda da China, impactos da guerra.

Rússia e Ucrânia, esta principalmente, reduziram desde o começo da guerra a produção e a exportação de aço, o que gera impacto no mercado siderúrgico e de commodities. Ambos os países são autossuficientes em minério de ferro e carvão, e ainda exportadores relevantes das duas commodities do aço.

Na avaliação de José Carlos Martins, sócio da Neelix Consulting Mining & Metals, o cenário não mudou, embora a volatilidade tenha se reduzido. “Aparentemente, a esperada escassez causada pela guerra e as sanções ainda não se manifestaram com toda a intensidade em algumas commodities”, afirma.

Para ele, o mercado pode estar apostando em alguma forma de “drible” das sanções ou mesmo no arrefecimento da demanda global em função dos gargalos logísticos que estão surgindo e também no aumento das taxas de juros internacionais para coibir a demanda.

“No caso do minério de ferro, os preços tem se sustentado acima de US$ 150 a tonelada mais em função de uma recuperação da produção de aço na China do que vem acontecendo na realidade”, afirma Martins. Ele diz que há uma recuperação da produção de aço em relação ao final do ano passado, mas tem sido menor do que o esperado.

Segundo o consultor, o setor de propriedades imobiliárias, que responde por 25% da demanda de aço na China, continua bastante deprimido.

Ele informa ainda que os estoques de minério nos portos chineses têm se mantido em nível elevado — em torno de 155 milhões de toneladas — mesmo com o governo penalizando a retenção por parte de tradings e importadores. “Acredito que o governo chinês está fazendo vistas grossas visando garantir o abastecimento interno em função da guerra e das sanções sobre a Rússia”, diz.

Para Martins, a inflação de commodities, no geral, esta afetando todos os países e é cada vez mais provável um aumento generalizado das taxas de juros para conter a demanda. “Isso porque a oferta não sobe para acompanhar a demanda. Então, só restará conter a demanda com esse remédio armargo”, destaca.

“O efeito da guerra e das sanções, por enquanto, afetou mais as expectativas e o mercado futuro. O impacto real no balanço de oferta e demanda ainda não se fez sentir”, resume o consultor.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   07/04/2022

Símbolo da obsessão da indústria automotiva pelo crescimento, montadora alemã vai priorizar os veículos mais rentáveis

A Volkswagen, pioneira do “carro popular” que se tornou símbolo da obsessão da indústria automotiva pelo crescimento, vai cortar dezenas de modelos com motores a combustão até o fim da década e passar a vender uma quantidade menor de unidades, para priorizar a produção de veículos de alto padrão, de maior lucratividade.

“O objetivo principal não é o crescimento”, disse Arno Antlitz, diretor de finanças da empresa, dando meia-volta em relação à mentalidade de ex-executivos da Volkswagen. “Estamos [mais empenhados] na qualidade e nas margens, do que no volume e na participação de mercado.”

Montadora priorizou veículos mais caros, das marcas Audi e Porsche, responsáveis por grande parte do lucro

Nos próximos oito anos, segundo o executivo, a Volkswagen reduzirá em 60% sua linha de carros a gasolina e diesel na Europa - que consiste em pelo menos 100 modelos das várias marcas.

A nova estratégia da Volkswagen é sinal de transformações profundas no setor automotivo como um todo, que há décadas usa como estratégia para elevar os lucros a venda de uma quantidade cada vez maior de carros, ainda que para isso precisasse oferecer fortes descontos.

Martin Winterkorn, ex-executivo-chefe da Volkswagen, que renunciou na esteira do escândalo das emissões de seus carros a diesel, tinha traçado como objetivo superar Toyota e General Motors como a montadora “número um em volume [unidades]” até 2018.

Nessa busca pelo domínio mundial, a empresa de Wolfsburg manteve grandes presenças nos mercados deficitários da América do Norte e América do Sul, inundando-os com novos modelos mesmo diante de pesados prejuízos.

No entanto, a grave falta de chips provocada pela pandemia da covid-19 obrigou as montadoras a reduzir a produção em 2021, apesar do crescimento na demanda. Isso permitiu a marcas como Mercedes-Benz e BMW cobrarem mais por seus modelos, com o que registraram lucros recorde em 2021, apesar de venderem menos unidades.

Uma estratégia similar catapultou a Volkswagen para a liderança no ranking dos maiores lucros entre as empresas integrantes do índice acionário Dax, referencial do mercado alemão, ao ter contabilizado lucro, antes dos impostos, superior a € 20 bilhões. A empresa priorizou veículos mais caros, produzidos por suas marcas Audi e Porsche, que foram responsáveis por grande parte do lucro.

Executivos das três marcas fizeram questão de enfatizar que a prática persistirá mesmo depois que os gargalos na cadeia de abastecimento forem suavizados. “Gostaria de realmente enfatizar que não estamos conduzindo uma estratégia de volume”, disse em 2021 o executivo-chefe da BMW, Oliver Zipse.

Antlitz disse que mesmo a Volkswagen - que se orgulhava de ser a maior montadora do mundo antes de perder a “coroa do volume” para a Toyota e cujos executivos costumavam, reservadamente, traçar como meta a venda de 11 milhões de veículos em um único ano - não vinha mais tentando expandir-se apenas por expandir-se.

“Temos uma base de custos fixos [bem] menor, portanto, somos menos dependentes do volume e menos dependentes do crescimento”, disse o executivo, destacando o fato de a Volkswagen ter conseguido, antes do previsto, reduzir em 10% os custos fixos, que em 2019 somavam € 41 bilhões, investindo no desenvolvimento de softwares e em novas instalações.

Mesmo o investimento de € 52 bilhões da Volkswagen em veículos elétricos - o maior do tipo - não adicionará volume desnecessário, acrescentou Antlitz. “Não estamos aumentando a capacidade: retrabalhamos fábrica por fábrica”, disse, referindo-se às unidades em Zwickau e Emden, onde as linhas de produção de motores a combustão foram convertidas para montar carros elétricos, enquanto os trabalhadores vêm sendo recapacitados.

O executivo também admitiu, contudo, que o alto custo das matérias-primas das baterias colocou em dúvida o cálculo de que os veículos elétricos seriam em breve tão lucrativos para a Volkswagen quanto os modelos de motores a combustão.

“[As] cotações do níquel a US$ 50 mil por tonelada não foram basicamente levadas em conta nos preços, porque temos a esperança de que a guerra termine em breve e, em seguida, que os preços das matérias-primas recuem, pelo menos, um pouco mais”, disse Antlitz.

Ele acrescentou que o princípio de redução de custos ao longo do tempo permanece “intacto” e que novas tecnologias das baterias reduziriam preços no longo prazo.

Rodoviário

Valor - SP   07/04/2022

Projetos rodoviários são desafiados por inflação, juros e incertezas globais

A inflação de insumos e as incertezas globais têm afetado os leilões de rodovias deste ano, mas o calendário de projetos segue ativo. Em abril, estão previstos três projetos estaduais importantes: um bloco de estradas no Rio Grande do Sul; o Rodoanel de Belo Horizonte e o Rodoanel de São Paulo. Ao todo, os contratos somam ao menos R$ 11,4 bilhões de investimentos em novas obras.

Há grupos avaliando os três ativos, porém, o ambiente é de incerteza. No caso dos leilões de Minas Gerais e de São Paulo, marcados para a última semana de abril, grupos já pediram adiamento dos projetos, para ampliar o tempo de análise - por ora não há decisão dos governos. O Rio Grande do Sul optou por manter o calendário, mesmo diante dos riscos, em caráter de teste. A entrega de envelopes será feita nesta quinta (7), e a licitação será realizada no dia 13.

O setor de rodovias vive um momento desafiador. A disparada dos custos de matérias-primas - como asfalto e aço - se descolou muito do IPCA (indexador utilizado para o reajuste das tarifas) e elevou as projeções de investimento. Além disso, a alta das taxas de juros aumentam o custo da dívida para as companhias. Tudo isso em meio a um ano eleitoral no país e a incertezas globais quanto à guerra na Ucrânia.

“Há um desafio enorme, porque, entre o fechamento da modelagem dos projetos e a data da entrega das propostas, o mercado mudou muito”, afirma Guilherme Martins, chefe da área de Estruturação de Empresas e Desinvestimentos do BNDES. O banco está realizando os estudos de diversos projetos rodoviários, no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, entre outros.

Ele explica que esses desafios têm sido tratados caso a caso. Em alguns, haverá necessidade de ajustes, por exemplo, com a redução de obras obrigatórias ou aumento nas tarifas do edital.

No Rio Grande do Sul, a decisão foi testar o mercado. “Decidimos manter o leilão porque avaliamos que o projeto tinha uma ‘gordura’, que permitiria retorno mesmo com os desafios. Acreditamos que haverá interesse. Talvez menos do que em um ambiente de maior tranquilidade e talvez com um desconto [sobre a tarifa] não tão relevante. Se não for bem-sucedido, vamos reavaliar”, afirmou Leonardo Busatto, secretário de Parcerias do governo gaúcho.

A equipe ainda planeja licitar outros dois blocos de rodovias. O ativo que será ofertado neste mês será o lote 3, que reúne estradas de conexão entre Caixas do Sul e a capital e outras cidades do interior. “Priorizamos este bloco por ser menor e ter maior possibilidade de atrair interesse, inclusive de grupos regionais”, disse.

Para Martins, do BNDES, o leilão de rodovias gaúchas será um teste importante para os demais projetos de 2022. “É a primeira concessão rodoviária relevante do ano e desde o início da guerra. Será um termômetro”, afirmou.

Um dos leilões mais aguardados é o do Rodoanel Norte, de São Paulo. Trata-se de uma Parceria Público Privada (PPP) para a conclusão das obras do trecho e a operação da rodovia por 31 anos. Estão previstos R$ 3 bilhões de investimentos, sendo R$ 1,7 bilhão para o término da construção.

Por ser uma concessão patrocinada, parte dos aportes virão do poder público, que se dispôs a desembolsar cerca de R$ 2 bilhões (somando o aporte inicial para a obra e contraprestações anuais). O valor, porém, poderá sofrer desconto a depender do nível de concorrência, já que este será o critério de seleção do vencedor.

O projeto é considerado muito complexo. A principal preocupação é quanto às condições da via já construída. Nos últimos anos, foram entregues 75% da obra.

“Há uma dificuldade para entender o estado da obra executada, e há um temor de haver um descompasso entre a qualidade descrita e a efetiva”, afirma Caio Loureiro, sócio do Tozzini Freire. Para ele, o prazo dado até o leilão é considerado exíguo e há dúvidas sobre a participação do setor privado neste momento.

Procurado, o governo paulista afirma que “está confiante no resultado do leilão”. A gestão diz que foram contratados laudos técnicos independentes, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, e que o contrato prevê, após a assinatura, “um período de seis meses para um relator independente realizar uma análise da obra”. Além disso, “eventuais divergências poderão ser resolvidas por comissão técnica independente.”

Para Lucas Sant'Anna, sócio do Machado Meyer (que trabalhou na modelagem do projeto), a expectativa é positiva. “Temos visto um interesse razoável de grandes grupos do setor”, afirmou.

Entre analistas, a percepção é que o interesse pelo Rodoanel de Belo Horizonte tem sido maior do que em São Paulo. Há quatro empresas estudando o projeto mineiro, incluindo grupos de fora, diz Fernando Marcato, secretário de Infraestrutura do Estado.

Ele reconhece a possibilidade de adiar o leilão, a pedido dos interessados. “Por haver grupos estrangeiros, a crise na Rússia traz incerteza e demanda estudos adicionais. O setor vive circunstâncias difíceis. Estamos avaliando, mas há chance de adiar. Nosso interesse é que haja concorrência.”

O projeto do Rodoanel de Belo Horizonte também é uma PPP, que prevê R$ 5 bilhões de investimentos. Deste total, cerca de R$ 3 bilhões sairão do governo - os recursos vêm do acordo firmado pelo Estado com a Vale.

Por se tratar de um empreendimento “greenfield”, construído desde o zero, o contrato é visto como bastante complexo, mas atrativo, afirma Ana Cândida Carvalho, sócia da BMA Advogados.

Um dos principais riscos são as desapropriações necessárias para a obra. “Este é sempre um gargalo, e neste caso, por ser um anel metropolitano, a lista de imóveis é grande. A maior preocupação não é o custo, mas o cronograma, porque depende de ações judiciais”, diz. Ainda assim, ela enxerga bastante interesse, principalmente de operadores grandes.

Valor - SP   07/04/2022

Segmento de pesados, muito influenciado pelo agronegócio, caiu 8,43% no período

A produção de implementos rodoviários perdeu fôlego no primeiro trimestre de 2022 e praticamente empatou com o mesmo volume de emplacamentos dos primeiros três meses do ano passado. Segundo números da Associação dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) foram entregues 35.986 unidades neste ano, contra 35.885 produtos em 2021. O setor terminou o ano passado com crescimento de 33,47%, com 162,7 mil implementos licenciados.

Responsável pela expansão da produção e vendas nos últimos anos, o segmento de pesados (reboques e semirreboques) caiu 8,43% no primeiro trimestre, com o emplacamento de 19,5 mil unidades. O agronegócio é o principal cliente desses fabricantes, seguido da construção civil e infraestrutura. “Trata-se de uma situação de acomodação de mercado quando a demanda dos clientes do agronegócio começa a aquecer o segmento de reboques e semirreboques”, afirmou José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, em nota.

O segmento de leves, chamado no jargão do setor de “carroceria sobre chassis”, consegui manter o ritmo de crescimento, compensando a queda nos pesados. Foram licenciados 16,5 mil implementos, alta de 13% sobre o mesmo período de janeiro a março do ano passado. “No segmento de carroceria sobre chassis o resultado positivo é reflexo da continuidade das obras urbanas, em especial do mercado imobiliário”, disse Spricigo.

O presidente da Anfir classificou como positiva a criação do programa Renovar, pelo governo federal, para renovação da frota de caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. A Medida Provisória 112/2022 criando o programa foi publicada dia 1º de abril. Os veículos antigos serão desmontados e destinados à sucata. Inicialmente, o programa será experimental e começa com caminhões em Minas Gerais e ônibus no Rio Grande do Sul.

“Em um país onde 26% da frota tem mais de 30 anos de idade, precisamos muito de um programa como esse”, defende Spricigo, destacando principalmente a questão da segurança nas estradas.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   07/04/2022

O Porto do Itaqui realizou, nesta semana, com apoio da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) e Ministério da Infraestrutura (Minfra), o InovaPortos, primeiro evento brasileiro de inovação voltado para o setor portuário, com a participação de representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), dos Ministérios da Infraestrutura e da Economia, Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários e Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Secti).

—É uma grande honra realizar o primeiro InovaPortos aqui no Porto do Itaqui, um projeto nosso em parceria com o Minfra e a Abeph, e colocar em debate temas como o porto do futuro e novas ideias para o setor. O objetivo é preparar nossos portos para os desafios do presente e debater sobre ações, projetos e propostas que possam levar os portos brasileiros para o futuro— afirmou o presidente do Itaqui, Ted Lago.

Segundo o diretor de Gestão e Modernização Portuária do Minfra, Otto Burlier, o InovaPortos é “mais um passo para impulsionar a inovação nos portos organizados, potencializar a mudança cultural dentro do setor portuário a partir da inovação contínua”.

O encontro, em formato híbrido com transmissão ao vivo pelo YouTube, reuniu, no auditório da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), nomes dos setores portuário, da administração pública e das principais empresas especializadas em inovação no Brasil para debater os grandes temas dessa área. A quarta revolução industrial e a transformação digital, Governo Digital, Inovação, Tecnologia e Transformação na agenda ESG e Governança de Inovação no setor portuário, foram alguns dos temas apresentados em talks, painéis, pitches e cases.

Participaram das atividades, no dia 04 de abril (segunda-feira), o professor Gil Giardeli, especialista em cultura digital, web ativista, difusor de conceitos e atividades ligadas à sociedade em rede, colaboração humana, economia criativa e inovação digital; o secretário de Governo Digital do Ministério da Economia, Fernando Coelho — ambos em modo remoto; e ainda o diretor de Gestão e Modernização Portuária do Ministério da Infraestrutura, Otto Burlier, e o superintendente de Inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Maranhão, Hermano Reis.

O segundo dia de atividades contou com uma rodada de pitches de startups e cases de inovação dos portos de Suape, Açu e Santos. Participaram dos painéis, dentre outros, a CEO da Companhia Docas do Ceará, Mayhara Chaves; o professor Sérgio Cutrim, coordenador do Grupo de Estudos em Logistica, Negócios e Engenharia Portuária; o CEO da CLI, Hélcio Tokeshi; o coordenador de Projetos Especiais da Subsecretaria de Sustentabilidade do Minfra, George Yun; o consultor sênior da Fundación Valenciaport, Jonas Constante; o gerente de Desenvolvimento de Negócios na Enterprise Singapore; e a gerente de Comunicação da EMAP, Deborah Baesse, membro da Comissão de Inovação do Porto do Itaqui.

Ao final do encontro, foi anunciada a sede do 2º InovaPortos, no Porto de Santos. Toda a programação foi gravada e será disponibilizada no canal do Porto do Itaqui no YouTube. | Andréa Oliveira

Portos e Mercados - SP   07/04/2022

Agora, depois que o grupo vencedor do leilão entregar os documentos do envelope 3, no próximo dia 11, a CLAP divulga a ata e começam a correr novos prazos, disponíveis no estudo completo, no site da Portos do Paraná

A Portos do Paraná leiloou uma área na semana passada por R$ 30 milhões. A FTS Participações Societárias S/A arrematou a área PAR32, de carga geral. Antes e depois da disputa na Bolsa de Valores, no entanto, há um longo caminho até a assinatura do contrato e início da operação, que deve começar daqui a dois ou três meses, segundo a expectativa da empresa pública.

Tudo começou com a elaboração do estudo para verificar se a viabilidade técnica, financeira e ambiental da concessão. Na sequência, após verificação da área técnica da Portos do Paraná e aprovação, foram feitas as minutas do edital e do contrato, com oficialização do poder público municipal (Prefeitura de Paranaguá) e da Receita Federal, com a validação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A fase seguinte foi a de audiência e consulta públicas e eventuais melhorias nos estudos e minutas. Uma vez aprovado, o processo seguiu com o encaminhamento dos documentos para os tribunais de contas da União e Estado.

Com o acórdão dos órgãos fiscalizadores, foi publicado o edital de licitação da área. Essa é a fase externa do processo. Ou seja, o leilão em si começou dias antes da data propriamente definida para a disputa.

Os interessados entregaram as propostas e a Comissão de Licitação de Áreas Portuárias (CLAP) da Portos do Paraná avaliou a aptidão. O leilão, então, aconteceu apenas com as classificadas. Ele foi por maior outorga e partiu de um lance mínimo de R$ 1. No viva voz, a Teapar ofertou R$ 25 milhões pela área, valor coberto pelo lance de R$ 30 milhões da FTS Participações.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   07/04/2022

- As refinarias estatais da China evitam novos contratos de petróleo russo, apesar de grandes descontos oferecidos por Moscou. Elas continuam honrando os contratos existentes, mas atenderam ao pedido de cautela de Pequim à medida que as sanções ocidentais aumentam contra a Rússia pela invasão na Ucrânia, disseram seis fontes à Reuters.

A estatal Sinopec, a maior refinaria da Ásia, a CNOOC, a PetroChina e a Sinochem ficaram à margem das negociações russas para os carregamentos de maio, afirmaram as fontes sob condição de anonimato dada a sensibilidade do assunto.

Sinopec e Petrochina não quiseram comentar. A CNOOC e a Sinochem não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A China e a Rússia desenvolveram laços cada vez mais estreitos nos últimos anos e, em fevereiro, anunciaram uma parceria “sem limites”. A China também se recusou a condenar a ação da Rússia na Ucrânia ou chamá-la de invasão e criticou repetidamente as sanções ocidentais contra a Rússia, embora um diplomata de alta hierarquia tenha dito no sábado que Pequim não está evitando deliberadamente as sanções contra a Rússia.

A China, o maior importador de petróleo do mundo, é o principal comprador de petróleo russo, com 1,6 milhão de barris por dia, metade dos quais fornecidos por oleodutos sob contratos governamentais. Fontes esperam que as estatais chinesas honrem os contratos de longo prazo existentes, mas evitem novos acordos.

Uma queda nas importações chinesas de petróleo russo pode levar as gigantes refinarias estatais a recorrer a fontes alternativas, o que aumenta as preocupações com a oferta global que levaram os preços de referência do petróleo Brent a US$ 140 por barril no início de março, os maiores preços em 14 anos. O aumento aconteceu depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, no dia 24 de fevereiro.

Desde então, o Brent caiu para menos de US$ 110, depois que os Estados Unidos e aliados anunciaram planos de liberar ações de reservas estratégicas.

‘Controle de risco e conformidade em primeiro lugar’

Antes da crise da Ucrânia, a Rússia era responsável por 15% das importações de petróleo da China - metade disso através dos oleodutos da Sibéria Oriental e Atasu-Alashankou e o restante por navios-tanque de seus portos do Mar Negro, Mar Báltico e do Extremo Oriente.

Após a crise, a Unipec, braço comercial da Sinopec e principal comprador de petróleo russo, alertou suas equipes globais em reuniões internas regulares nas últimas semanas contra os riscos de lidar com o petróleo russo. “A mensagem e o tom são claros: o controle de risco e a conformidade vêm antes dos lucros”, disse uma das fontes informadas sobre as reuniões.

“Embora o petróleo russo tenha grandes descontos, há muitos problemas, como garantir o seguro de transporte e problemas de pagamento.”
Saiba como a guerra na Ucrânia afeta os combustíveis russos

Novas sanções foram aplicadas como retaliação aos assassinatos de civis por tropas russas em Bucha, revelados no fim de semana

Outra fonte, responsável por uma refinaria que processa regularmente petróleo russo, disse que foi informada pela Unipec para encontrar um substituto para manter as operações normais. “Além dos embarques que chegaram em março e devem chegar em abril, não haverá mais petróleo russo daqui para frente”, disse essa fonte.

A Unipec carregou 500 mil de petróleo Urais (nome de referência ao petróleo russo) dos portos bálticos da Rússia em março, o maior volume em meses, fornecido pela companhia russa Surgutneftegaz em um contrato assinado entre a Unipec e a Ronesft - válido entre setembro de 2021 e março de 2022, depois de uma licitação ganha. A informação é de comerciantes e dados de embarque.

Os últimos negócios da Unipec com Urais são dois carregamentos neste mês de abril, que totaliza 200 mil toneladas da Surgutneftegaz, afirmaram dois negociadores com conhecimento de contrato.

Em contraste, a Índia até agora encomendou pelo menos 14 milhões de barris - cerca de 2 milhões de toneladas - de petróleo russo desde 24 de fevereiro, contra quase 16 milhões de barris em todo o ano de 2021, segundo cálculos da Reuters.

Outros compradores estatais chineses além da Sinopec - PetroChina, CNOOC e Sinochem - evitaram o petróleo da Rússia escoado através de oleodutos para o carregamento de maio, disseram fontes.

Além disso, uma das fontes afirma que a Sinopec enfrenta problemas de pagamento mesmo para acordos feitos anteriormente, já que bancos estatais avessos ao risco procuram reduzir o financiamento relacionados ao petróleo russo.

Refinarias independentes mantêm os negócios ‘em segredo’

Preocupações com sanções levaram os negócios de algumas refinarias independentes, um grupo dinâmico que chegou a consumir cerca de um terço das importações de petróleo da China pela Rússia, a passar despercebidos.

“As negociações do petróleo russo em oleodutos foram muito lentas e secretas. Alguns negócios estão sendo feitos, mas os detalhes são mantidos em sigilo. Ninguém quer ser visto comprando petróleo russo em público”, disse um negociante regular do mercado.

Para manter o fluxo de petróleo, essas refinarias implementam mecanismos alternativos de pagamento, como transferência de dinheiro, pagamento após a entrega da carga e uso de moeda chinesa.

Os fornecedores russos - Rosneft, Surgutneftegaz e Gazprom Neft, e produtores independentes representados pela trader suíça Paramount Energy - devem enviar um recorde de 3,3 milhões de toneladas de petróleo do porto de Kozmino em maio. /REUTERS

IstoÉ Dinheiro - SP   07/04/2022

Em sabatina com poucos questionamentos, a Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou os indicados para compor a diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os nomes ainda precisam ser chancelados pelo plenário do Senado. Foram quatro indicações aprovadas pela comissão: de Fernando Wandscheer de Moura Alves, Claudio Jorge Martins de Souza, Daniel Maia Vieira e Symone Christine de Santana Araújo, que é diretora da ANP desde novembro de 2020 e é candidata à recondução ao cargo.

Apenas o senador Jean Paul Prates (PT-RN) dirigiu perguntas aos sabatinados. Uma delas foi a Alves, em razão de o indicado não ter trabalhado previamente no setor de óleo e gás. Em resposta ao senador, Alves afirmou que pode acompanhar discussões do mercado durante sua passagem pela Casa Civil da Presidência da República, e também no posto de secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente.

Já o indicado Daniel Maia foi questionado por Jean Paul Prates sobre eventual conflito de interesse, já que tem relações familiares com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz. “Não tenho nada a esconder. Não me sinto em situação alguma conflitada.”

Currículos

Fernando Wandscheer de Moura Alves iniciou carreira profissional no Ministério da Defesa em 2004. Entre 2010 e 2018, exerceu cargos gerenciais em empresas dos ramos de tabaco, papel, saúde e comunicação. Em 2019, retornou à administração pública federal, onde ocupou cargos como Secretário Executivo Adjunto da Casa Civil da Presidência da República, Secretário de Articulação e Parcerias do Ministério da Cidadania, Secretário de Modernização Institucional da Secretaria Geral da Presidência da República e Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente.

Já Claudio Jorge Martins de Souza trabalhou na iniciativa privada como geólogo na área de petróleo, e de recuperação ambiental. Entrou na ANP como servidor em 2005, e já ocupou a vaga de Superintendente Adjunto de Dados Técnicos e, desde 2017, tem atuado como Superintendente de Dados Técnicos na ANP.

Daniel Maia Vieira foi Analista de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), entre 2006 e 2008, e Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU). No TCU, ocupou o cargo de diretor substituto na Secretaria de Fiscalização de Desestatização (Sefid) e de diretor na Secretaria de Fiscalização de Desestatização em Energia e Comunicações (SefidEnergia). Foi também Secretário da Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura em Energia Elétrica (SeinfraElétrica) e Assessor na Secretaria-Geral de Controle Externo (Segecex).

Já Symone Christine de Santana Araújo assumiu vaga na diretoria da ANP em novembro de 2020 e está sendo reconduzida ao cargo. Atuou no Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, e também foi membro dos Conselhos Fiscais da Petrobras, da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. (PPSA), e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Globo Online - RJ   07/04/2022

O mercado reagiu com cautela à indicação pelo governo de novos nomes para o Conselho de Administração da Petrobras, na quarta-feira, após o fechamento dos pregões.

De um lado, analistas esperam o fim da “crise da sucessão” na estatal com nomes de reconhecido perfil técnico de José Mauro Ferreira Coelho (apontado para presidir a estatal) e de Marcio Weber (designado para chefiar o conselho).

De outro, lembram a falta de experiência de José Mauro em cargos executivos e das incertezas que ainda rondam a companhia após a cobrança do presidente Jair Bolsonaro em relação à política de preços.

Rodrigo Crespi, da Guide Investimentos, pondera que a reação dos investidores não deve ser tão negativa como quando o governo optou por um militar para ocupar o cargo, mas o temor do risco de ingerência na companhia permanece:

— Precisamos entender o que José Mauro pensa sobre política de paridade internacional — afirmou, em referência ao repasse aos preços cobrados na refinaria da flutuação do petróleo e do dólar, modelo que guia os reajustes da Petrobras.

José Mauro já defendeu esse alinhamento de preços no passado. A dúvida dos investidores é como reagirá a partir de agora no comando da estatal.

Marcio Felix, ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, destacou a experiência de José Mauro no setor de óleo e gás.

— O José Mauro é um servidor público exemplar e especialista com doutorado no setor de óleo, gás e energia e relevantes serviços prestados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Ministério de Minas e Energia (MME) e Pré-Sal Petróleo SA (PPSA).

Weber bem aceito

Um executivo do setor mencionou, porém, que mesmo com vasta experiência no setor e visão integrada de energia, José Mauro terá uma espécie de mandato-tampão em razão das incertezas envolvendo a eleição deste ano.

Um outro executivo do setor de petróleo, que pediu para não ser identificado, afirmou que José Mauro tem conhecimento da área, com ampla passagem pelo setor público, mas não tem experiência na condução de empresas, sobretudo de uma estatal de grande porte e complexidade, como a Petrobras.

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Ele resumiu dizendo que resta saber se ele terá pulso para pilotar a Petrobras, que comparou a um transatlântico. A preocupação é se ele vai conseguir “virar a chave” na transição entre setor público e privado, em um cenário de preços de combustíveis em alta e pressão do governo em ano eleitoral.

Já a indicação de Márcio Andrade Weber para a presidente do Conselho de Administração da Petrobras é elogiada por representantes do setor de petróleo. Ele tem experiência, já foi da Petrobras e é conselheiro, disseram especialistas.

Para o economista Álvaro Bandeira, o mercado deve receber bem a indicação por se tratar de alguém do setor e com experiência, mas pondera que a empresa paga o preço de constantes trocas de comando.

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Marco Saravalle, sócio do SaraInvest, avalia que os dois indicados devem manter a política de preços:

— Eles devem ser bem recebidos pelo mercado. São dois nomes bem ligados à parte estatal, mas o importante é ter uma leitura de que são pessoas técnicas, capazes e que vão respeitar a governança. O mais difícil era atender os pré-requisitos para ocupar essas posições.

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Ilan Arbetman, da Ativa Research, avalia que o mercado não verá ruptura no perfil dos executivos com os fundamentos da empresa:

— Além de perfil técnico, ele dispõe de boa interligação com o Executivo, detendo bom relacionamento com o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia). Para a presidência do conselho, o MME recorreu a uma solução simples e efetiva, indicando Márcio Weber, nome já submetido ao crivo regulatório da empresa.

TN Petróleo - RJ   07/04/2022

Dados da ANP mostram que está havendo retomada na produção de petróleo em 124 campos produtores cedidos pela Petrobras a outras empresas, a partir de 2019, como parte do processo de desinvestimentos realizado pela empresa. No período entre 2012 e 2020, antes dos desinvestimentos, a produção desses campos caiu aproximadamente 60%, chegando a 57,7 mil barris de petróleo por dia (bbl/d). Para esses mesmos campos, a previsão de crescimento até 2025 é de 122%, alcançando 125,6 mil bbl/d.

Os campos em questão estão localizados tanto em ambiente terrestre quando marítimo. Os polos terrestres de Alagoas (AL), Cricaré (ES), Lagoa Parda (ES), Macau (RN), Miranga (BA), Ponta do Mel e Redonda (RN), Remanso (BA), Riacho da Forquilha (RN), Rio Ventura (BA) e Tucano Sul (BA) possuem como novas concessionárias empresas de grupos econômicos brasileiros como 3R, Imetame, Origem, PetroRecôncavo, Potiguar, Recôncavo E&P, Seacrest Cricaré e SPE Miranga. Os campos dos polos marítimos de Baúna (Bacia de Santos), Maromba, Pampo-Enchova e Pargo (Bacia de Campos), agora são operados por empresas dos grupos Karoon, BW Offshore, Perenco e Trident Energy.

A base das informações é o Programa Anual de Produção (PAP), documento apresentado pelas empresas titulares de contratos de exploração e produção à ANP, no qual discriminam as previsões de produção, injeção, movimentação e queima de petróleo, gás natural, água e outros fluidos, referentes ao processo de produção de cada campo ou área de desenvolvimento.

Adicionalmente, esta previsão de retomada da produção poderá ser acrescida, considerando que a perspectiva é que os novos concessionários submetam novas revisões dos Planos e Programas, objetivando a extensão de vida útil dos campos e a prorrogação dos contratos de concessão da rodada zero.

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