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06 de Junho de 2022

INDA

Valor - SP   06/06/2022

Com o desaquecimento doméstico, aliado a um recuo dos preços do aço no mercado externo, as siderúrgicas que atuam no país decidiram rever o reajuste de 20% anunciado em abril e aplicado em duas parcelas

O mercado brasileiro de aço mostra fortes sinais de desaceleração desde abril, e a perspectiva não é muito promissora para os próximos meses. O cenário é de um mercado bastante morno.

As vendas no segmento de distribuição de aços planos — um termômetro importante de avaliação da demanda — tiveram queda de 11,8% em abril, na comparação anual, e de 27,7% contra o mês anterior (março deste ano), segundo números do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

A previsão para maio das empresas da rede, compiladas pelo Inda, era de retração de 5%, mas esse índice já foi reavaliado para cima no fim do mês. “A projeção é que ficará bem acima de 5%”, disse um executivo do setor. No quadrimestre, as vendas fecharam com uma queda de 1,6%.

Um forte sinal foi o decréscimo de quase 28% nas compras da rede em abril junto às siderúrgicas. Assim, conseguiram estabilizar os estoques em 2,5 meses de vendas, um patamar saudável.

Com esse desaquecimento doméstico, aliado a um recuo dos preços do aço no mercado externo, as siderúrgicas que atuam no país decidiram rever o reajuste de 20% anunciado em abril e aplicado em duas parcelas. As empresas, segundo informação obtida pelo Valor, congelaram a segunda parcela, que era de 5% a 8%.

Os preços cederam muito lá fora, explicou uma fonte, com a placa caindo cerca de US$ 200 a tonelada, para o patamar de US$ 750 a US$ 770 a tonelada. Na China, o valor da bobina a quente (BQ), material de referência, segundo informação da S&P Global Commodity Insights na sexta-feira (dia 27), estava em US$ 743 a tonelada.

Dessa forma, o prêmio do produto brasileiro frente ao importado, já internalizado, vinha variando entre 25% e 30%. No caso especifico da BQ, com o câmbio de R$ 4,74% no dia 27, o cálculo do prêmio atingia 35,2%. Isso favorece as importações, mas há receios com a volatilidade do câmbio no país e com a logística travada na China por causa da covid — o material tem demorado até 180 dias para desembarcar no país.

Os números de todo o setor, divulgados pelo Instituto Aço Brasil, corroboram esse comportamento do mercado. As vendas internas, somando aço plano e longo, registraram recuo de 8,7% em abril, na base anual, e de 15,2% no quadrimestre, ante mesmo período de 2021. Sobre março, a queda foi de 4,9%.

“Houve uma acomodação de demanda depois da euforia vista até julho de 2021. O mercado ficou superabastecido com grande entrada de importações até o início do ano”, disse um executivo da área de aço longo. “Agora, o mercado está encharcado de aço”, afirma.

Conforme o Aço Brasil, o consumo aparente de produtos siderúrgicos em abril — último dado disponível — ficou 5,3% abaixo do verificado em março. Na comparação com abril do ano passado, o recuo foi de 10,4%. E de janeiro a abril, retração de 14,2%.

A desaceleração se verifica tanto em aços planos — usados pela indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, bens eletrodomésticos e bens de capital — quanto em aços longos, que têm grande aplicação nos setores da construção civil e industrial.

Esse cenário de menor demanda interna, somado aos problemas causados globalmente pela guerra da Rússia na Ucrânia e pelos lockdowns da China, levou as empresas locais a intensificar exportações. Os embarques de abril tiveram alta de 58,3% em volume — 1,2 milhão de toneladas de laminados planos e longos mais semiacabados (placas e tarugos).

Por sua vez, as importações recuaram 37,4% em volume no mês. De janeiro a abril, a queda foi de 25,2%.

Os preços cederam muito lá fora, explicou uma fonte, com a placa caindo cerca de US$ 200 a tonelada, para o patamar de US$ 750 a US$ 770 a tonelada — Foto: Reprodução/Severstal

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   06/06/2022

Representantes da Coalizão da Indústria levaram ao ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamação sobre os cortes feitos pelo governo no Imposto de Importação, alegando ter havido quebra de um acordo que previa redução das tarifas apenas em caso de comprovada queda do custo Brasil.

O relato foi feito à Reuters pelo porta-voz do grupo de entidades, Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil. Além dele, gestores de oito entidades da indústria foram recebidos por Guedes em Brasília para um almoço nesta sexta-feira.

De acordo com Mello Lopes, o grupo contratou um estudo periódico para avaliação do cenário de competitividade para o setor produtivo brasileiro, o que teria sido aprovado por Guedes.

“Nós tínhamos um acordo com o ministro de que a redução do Imposto de Importação deveria ocorrer em sintonia com a redução do custo Brasil. O que se viu nessa última rodada é que a redução foi feita sem que se tivesse observado essa regra”, afirmou.

Segundo ele, a Coalizão da Indústria não se opõe à abertura comercial, mas é contra o que chamou de competição assimétrica, sem correção de problemas que tiram a competitividade da indústria nacional.

“Medidas pró-competitividade deveriam ser mensuradas e calculadas para depois fazer a redução das tarifas”, prosseguiu.

No almoço, segundo Mello Lopes, Guedes teria justificado que foi necessário fazer o corte de tarifas de maneira emergencial por causa da alta da inflação, com efeitos da guerra na Ucrânia e a pandemia de Covid-19. Procurado, o Ministério da Economia não respondeu de imediato.

Em maio, o governo anunciou nova redução de 10% nas alíquotas do Imposto de Importação sobre a maior parte dos produtos comprados no exterior.

Em novembro do ano passado, o governo já havia diminuído em 10% as alíquotas, dizendo haver urgência para lidar com a alta de preços.

Guedes vem argumentando que o governo tem feito a abertura comercial associada a uma redução de custos para a indústria ao promover cortes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida, porém, foi judicializada e parte de sua eficácia está suspensa.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, que também participou do almoço, disse que a suspensão parcial do corte de IPI está criando mais problemas para o setor.

“Temos que resolver essa questão no Supremo Tribunal Federal, está criando uma situação de insegurança jurídica”, disse.

Mello Lopes ressaltou que a redução do IPI atinge os setores de maneiras diversas porque alguns produtos já contavam com alíquotas zeradas. Por isso, justificou, a iniciativa não pode ser usada isoladamente para mensurar a redução de custos do país.

Segundo ele, no almoço também foi apresentado a Guedes o plano de investimentos dos setores ligados à Coalizão da Indústria nos próximos anos. Para o período entre 2023 e 2026, a previsão é que será investido pelo setor um montante de 340 bilhões de reais.

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

A atividade industrial apresentou sinais de perda de dinamismo no mês de abril, aponta a pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira, 3. Em abril, houve queda do faturamento real, do emprego, das horas trabalhadas na produção e da massa salarial, o que afetou negativamente o desempenho da indústria.

De acordo com a pesquisa, o faturamento real do setor caiu 0,6% em abril na comparação com março, na série livre de efeitos sazonais. Essa queda, destaca a CNI, reverte a alta de 0,7% registrada em março e leva o faturamento ao mesmo patamar em que começou o ano. Se comparado com abril de 2021, a queda real do faturamento é de 5,8%.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, "a fragilidade atual da indústria é resultado da persistência e do agravamento da escassez e do alto custo dos insumos, aliada a uma demanda também frágil, reduzida pela inflação alta".

"São quedas que revertem pequenos ganhos ocorridos no primeiro trimestre. Em um cenário de inflação persistente e juros altos é difícil prever desempenho muito positivo, sobretudo sustentado, nos próximos meses. A economia brasileira precisa de uma alavanca para atrair investimentos e voltar a crescer, que deveria ser a reforma tributária, mas todos os esforços nesse sentido têm sido frustrados", afirma Azevedo.

As horas trabalhadas na produção registraram queda de 2,2% em abril ante março, na série dessazonalizada. Em relação a abril de 2021, o número de horas trabalhadas apresenta recuo de 0,2%.

O emprego industrial, segundo a pesquisa, consolidou queda em abril, após dar sinais de recuperação. O índice registrou queda de 0,5% no mês, reforçando "os sinais de perda de dinamismo do emprego nos primeiros meses do ano, após série de altas consecutivas ao longo da segunda metade de 2020 e 2021". Em relação a abril do ano passado, há um crescimento no emprego industrial de 1,6%.

Houve queda também na massa salarial real da indústria de transformação, de 0,5% na mesma base de comparação. "Apesar do patamar relativamente elevado no qual se encontra desde o início do ano, a massa salarial dá sinais de perda de dinamismo com o recuo de abril, após cinco meses de crescimento ou estabilidade", diz a CNI. Em relação a abril do ano passado, no entanto, a massa salarial ainda apresenta um pequeno crescimento de 0,2%.

Já o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria permaneceu estável em abril em relação a março, com uma ligeira alta de 0,1%. Isso, na avaliação da CNI, mostra a recuperação gradual dos rendimentos, que já acumula seis meses consecutivos de altas ou estabilidade. Apesar disso, na comparação com abril de 2021, o rendimento médio apresenta queda de 1,2%.

O levantamento apontou ainda que a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 0,1 ponto porcentual entre março e abril, ficando em 80,9%. Segundo a CNI, o nível de UCI dos primeiros quatro meses do ano é muito próximo, o que evidencia um cenário de estabilidade da UCI em 2022 até o momento, após quedas registradas no 2º semestre de 2021.

Infomoney - SP   06/06/2022

Após dois meses de um rigoroso lockdown em meio ao aumento dos casos de Covid-19, o regime de restrições em Xangai foi encerrado à meia-noite de quarta-feira (horário local), dia 1 de junho, levando a diversas comemorações na cidade de 25 milhões de habitantes. Com o fim do lockdown, a maioria da população pode sair de casa, voltar ao trabalho, utilizar o sistema de transporte público e dirigir seus carros.

Porém, os efeitos dessa política, criticada por muitos como insustentável, devem seguir sendo sentidos na economia não só da China, como do globo, em meio à retomada ainda lenta das cadeias de fornecimento logístico e com os sinais de uma desaceleração forte percebida já em abril e que pode se estender por mais meses.

O governo chinês parece estar longe de atingir a sua meta de crescimento do PIB em 5,5% este ano e várias casas de análise já revisaram as suas projeções para baixa. O gigante asiático vem anunciando medidas de estímulo que, por sua vez, mesmo que sejam vistos como insuficientes, trazem um alívio de curto prazo para o mercado.

Na última terça-feira, o gabinete do país anunciou um pacote de 33 medidas abrangendo políticas fiscais, financeiras, de investimento e industriais para reavivar sua economia devastada pela pandemia, acrescentando que inspecionará como os governos provinciais as implementarão.

O pacote de estímulo, que foi indicado pelo Conselho de Estado da China em uma reunião de rotina na semana passada, ressalta a mudança de Pequim em direção ao crescimento. Para reavivar o investimento e o consumo, o governo ordenou aos municípios que não ampliem as restrições às compras de automóveis e disse que aqueles que já adotaram restrições deveriam aumentar gradualmente suas cotas de propriedade de automóveis.

China tem nova onda de corte de projeções para o PIB de 2022: quais impactos para Brasil e EUA?

O Ministério das Finanças também disse que reduzirá pela metade o imposto sobre a compra de automóveis de pequeno porte. A China promoverá o desenvolvimento saudável das empresas plataforma, que devem desempenhar um papel na estabilização dos empregos, disse o Conselho de Estado.

As empresas plataforma também são encorajadas a fazer avanços em áreas que incluem computação em nuvem, inteligência artificial e tecnologias de blockchain, disse o Conselho de Estado, em um recente sinal de que a China está aliviando uma repressão às plataformas de comércio eletrônico e aos gigantes tecnológicos. O país também expandirá o investimento privado, acelerará a construção de infraestrutura e estimulará a compra de carros e eletrodomésticos para estabilizar os investimentos, de acordo com as medidas.

Já na quinta-feira, foi anunciado que os bancos estatais chineses mobilizarão uma linha de crédito de 800 bilhões de yuans (cerca de US$ 120 bilhões) para o financiamento de projetos de infraestrutura, o que impulsionou os preços das commodities.
Ameaças de novos lockdowns persistem

As medidas adicionais de estímulo devem ajudar a trazer a economia de volta e alcançar um crescimento moderado até o quarto trimestre 2022, avalia o banco suíço Julius Baer. Contudo, a equipe de análise pondera que não espera fortes impulsos na economia com a alta dos estímulos, ainda mais levando em conta as dificuldades em implantá-lo efetivamente, desde que a ameaça de novos bloqueios persista.

O medo de um novo bloqueio continua pairando em cada cidade chinesa, uma vez que a rigorosa estratégia zero-Covid-19 deve ser mantida. Assim, os líderes locais permanecerão cautelosos, apesar de seus esforços para apoiar as empresas. “Em suma, mantemos nossa previsão de crescimento do PIB em 4% para 2022. Esse número ilustra o quão difícil será para a liderança chinesa atingir sua meta de crescimento de 5,5% este ano”, destacou o banco.

Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG, também destacou no Macro Pickers (veja na íntegra assistindo ao vídeo acima) na última terça-feira que há questões sobre a sustentabilidade da política de Covid-zero, ainda mais levando em conta o fato da variante ômicron ser mais contagiosa, o que deve levar a uma maior incerteza sobre novas restrições futuras.

Os dados de abril da economia do país foram bastante negativos, gerando inclusive descontentamento social e aumentando a percepção de que talvez as políticas de restrição seriam relaxadas em decorrência dos impactos dos lockdowns. Contudo, só houve uma queda nas restrições com a baixa dos casos e a expectativa é de que não haja mudanças nas políticas de Covid-zero.

“Segundos cálculos do governo da China, se adotadas as políticas [contra Covid] que o Ocidente adotou, haveria por lá 5 milhões de mortes; tal número de mortes não vai ser admitido (cálculos foram feitos considerando que a China tem uma população 5 vezes maior do que a dos EUA, que atingiu a marca de 1 milhão de mortes em maio)”, avalia o economista.

Além disso, ressalta que a atuação de Pequim, que controlou o surto da doença antecipadamente e fez um lockdown mais suave depois, foi vista com melhores olhos do que a de Xangai, que “esperou” os casos aumentarem e depois teve que adotar uma política mais restritiva. “Esta foi uma vitória dos proponentes da política de Covid-zero”, avalia Fernolio.

Assim, o crescimento vai ser preterido em relação a questões de saúde no momento, aponta. A expectativa já é de que uma contração do PIB do segundo trimestre de 2022 de cerca de 1,5% ante os primeiros três meses do ano. “O cenário é mais de crescimento de 3%, 3,5%, o que para o padrão chinês é quase impensável, do que o crescimento de 5,5%”.

Fenolio acredita que as políticas de Covid-zero devam se estender até outubro ou novembro e, dependendo dos locais atingidos, os problemas nas cadeias de suprimento podem se manter. Isso é sentido no mundo, através de uma desinflação mais lenta, por exemplo, nos EUA.

Principalmente após a ata da última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), há uma visão de que o Federal Reserve elevará a taxa de juros em 0,5 ponto nas próximas duas reuniões (de junho e julho) e a partir de então olhe para os dados para uma eventual alta menos intensa de juros. “Se a inflação persistir, o Fed terá que seguir com alta de 0,5 ponto e não desacelerar para 0,25 ponto, avalio que é o maior risco”, aponta.
Recuperação gradual

Para o Morgan Stanley, a diminuição das restrições marca o início de uma recuperação abaixo da média, com produção e construção priorizadas sobre o consumo. “O plano de reabertura de Xangai aponta nossa visão de que o pior da interrupção da cadeia de suprimentos provavelmente ficou para trás”, apontam os analistas.

Com a retirada da “lista branca” para ter funcionários trabalhando em empresas a partir de 1 de junho, de forma a reduzir o gargalo logístico e apoiar o comércio exterior, o Morgan espera que o crescimento do frete de caminhões de carga de e para Xangai – um indicador chave para acompanhar a retomada da cadeia de suprimentos – melhore de queda de 80% na base anual no momento para -50% até o final de junho e entre -10% e -20% no terceiro trimestre.

Já a cadeia de suprimentos de automóveis na cidade, avaliam os estrategistas do banco, pode se normalizar em grande parte entre julho/agosto (versus utilização da capacidade em 50-60% do nível de pré-bloqueio agora). Isso ajudaria a reduzir as interrupções no fornecimento em todo o país, já que o porto de Xangai é o maior do mundo em movimentação de carga e abriga indústrias-chave (como fabricantes de automóveis e de equipamentos elétricos pesados).

Enquanto isso, o crescimento do capex (investimentos em capital) em infraestrutura provavelmente aumentará nos próximos meses.

“No entanto, desafiando algum apoio das medidas de estímulo ao consumo, a experiência de reabertura de Shenzhen sugere que uma recuperação neste segmento seria mais gradual, dadas as restrições contínuas de mobilidade em áreas de maior risco, retomada lenta de serviços não essenciais e requisitos de testes regulares de PCR para entrar em locais públicos”, avalia o Morgan.

Assim, os analistas mantêm a sua visão de que a economia da China terá uma recuperação abaixo da média a partir de junho, enquanto uma recuperação completa precisará esperar até o quarto trimestre.

O Morgan Stanley discorda da visão de que o crescimento econômico não segue sendo uma prioridade para o país. Para os estrategistas do banco, embora ainda não pareça uma “bazuca”, os estímulos estão aumentando drasticamente em infraestrutura, habitação e automóveis.

Em segundo lugar, apontam, a estratégia Covid-zero é transitória, sustentada por considerações políticas e preocupações de saúde pública, e o país acabará se adaptando, pois esses fatores serão endereçados provavelmente em 3-6 meses, na visão da casa.

“Por fim, a recente redefinição regulatória de vários setores desde 2021 representa um foco crescente em segurança e sustentabilidade, em vez de apenas eficiência (ou seja, crescimento); no entanto, a eficiência continua a ser um fator importante na tomada de decisões”, avaliam. Assim, esperam que o crescimento se recupere ciclicamente para 6,2% em 2023, partindo de uma base baixa dado o crescimento menor neste ano.

O UBS, por sua vez, aponta que, enquanto os investidores devem se preparar para mais volatilidade, há razões pelas quais o período recente de baixo desempenho chinês provavelmente terminará, destacando principalmente os estímulos com as políticas econômicas, que devem levar o país a ter um melhor segundo semestre, ainda que o saldo do ano não seja muito positivo.

CNN Brasil - SP   06/06/2022

Classificando a inflação elevada de “desafio número um” do Federal Reserve (banco central norte-americano) a vice-presidente Lael Brainard disse, nesta quinta-feira (2), apoiar pelo menos mais dois aumentos de 0,50 ponto percentual na taxa de juros, com mais à vista se as pressões sobre os preços não esfriarem.

“O mercado está precificando 50 pontos-base (de alta dos juros) potencialmente em junho e julho. A partir dos dados que temos hoje, parece um caminho razoável”, disse Brainard à CNBC.

“Mas se não virmos o tipo de desaceleração nas leituras mensais de inflação, se não virmos parte dessa demanda realmente quente começando a esfriar um pouco, então pode ser apropriado ter outra reunião em que prosseguimos no mesmo ritmo.”

O banco central dos Estados Unidos elevou as taxas de juros num acumulado de 0,75 ponto percentual neste ano, e a maioria das autoridades do Fed apoia elevação dos juros em 0,50 ponto em cada uma de suas próximas duas reuniões.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, sugeriu que até setembro o Fed deveria fazer uma pausa para avaliar o estado da economia antes de apertar ainda mais a política monetária.

Brainard disse que isso é improvável e indicou que a discussão será centrada apenas na questão de se o incremento será de 0,25 ponto ou 0,50 ponto naquele mês.

“Neste momento, é muito difícil ver justificativa para uma pausa”, disse à CNBC. “Ainda temos muito trabalho a fazer para reduzir a inflação para nossa meta de 2%.”

Brainard é normalmente vista como um dos membros mais “dovish” do Fed –ou seja, mais inclinada a uma política monetária acomodatícia em favor do crescimento econômico.

Mas em seu novo papel como vice-presidente do Fed seus comentários são vistos como reflexo da visão da liderança do banco central. Brainard foi empossada no mês passado como número dois do Fed.

Os membros do Fed se reúnem em meados de junho, e esta semana é a última em que estão livres para falar publicamente antes do período regular de silêncio que antecede o encontro do Fomc.

“Certamente faremos o que for necessário para trazer a inflação de volta para baixo”, disse Brainard nesta quinta-feira. “Esse é o nosso desafio número um agora. Estamos partindo de uma posição de força, a economia tem muito impulso.”

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

Os danos causados pela onda inicial da pandemia continuam marcando a indústria, o setor mais fraco da economia brasileira. A produção industrial cresceu 0,1% em abril e acumulou expansão de 1,4% em três meses consecutivos de aumento. Apesar disso, ainda foi 1,5% inferior à registrada em fevereiro de 2020, pouco antes do surto de covid-19. Ficaram abaixo desse patamar 16 dos 26 ramos cobertos pela pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos mais afetados, o segmento automotivo produziu 16,9% menos que no mês anterior à crise da saúde.

Primeiro setor atingido severamente pela pandemia, a indústria perdeu 4,5% de sua produção em 2020. O aumento contabilizado em 2021, de apenas 3,9%, ficou longe de compensar a redução do ano anterior. Em 2022, o volume produzido no primeiro quadrimestre foi 3,4% menor que o de um ano antes. Em abril, foi 0,5% inferior ao de igual mês de 2021. Foi o nono resultado negativo registrado, de forma consecutiva, nesse tipo de comparação. O balanço de 12 meses mostrou recuo de 0,3% em relação ao período imediatamente anterior.

Mas a crise industrial começou muito antes da pandemia. A produção da indústria geral diminuiu em sete dos dez anos de 2012 a 2021. Os piores desempenhos ocorreram em 2015 (-8,3%) e 2016 (-6,4%), na recessão do final do mandato da presidente Dilma Rousseff. Mas o setor, já enfraquecido por graves erros políticos, nunca se recuperou integralmente e, pior que isso, continuou perdendo vigor.

No trimestre móvel encerrado em abril a produção da indústria geral foi 18% inferior à contabilizada no pico da série histórica, em maio de 2011. O maior retrocesso ocorreu na fabricação de bens de consumo duráveis, reduzida a um nível 44,7% mais baixo que o ponto máximo da série, alcançado em março de 2011. No caso dos bens de capital, como máquinas e equipamentos, a diferença foi de 29,7% em relação ao ponto mais alto, atingido em abril de 2013.

Durante décadas, principalmente entre os anos 1950 e 1990, políticas de desenvolvimento contribuíram para a formação de um amplo e diversificado sistema industrial. Houve erros, mas o resultado geral foi positivo. No último decênio, no entanto, a cena econômica brasileira foi marcada por uma indisfarçável reversão desse processo. Não seria exagero descrever esse período como uma fase de desindustrialização.

Vários erros explicam esse retrocesso. Baixa integração internacional, protecionismo excessivo, tributação inadequada, financiamento deficiente, pouco empenho em modernização e inovação e péssimas políticas, como a dos “campeões nacionais”, são partes desse conjunto. As possibilidades de correção foram desperdiçadas nos últimos anos. O grupo instalado na administração federal a partir de 2019 nunca propôs um plano de revitalização econômica, até porque esse tipo de preocupação jamais foi perceptível na agenda do presidente Jair Bolsonaro. Na melhor hipótese, ainda muito incerta, a reindustrialização será um dos objetivos do próximo governo.

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

Indexação na economia transforma inflação de dois dígitos em ‘bola de neve’ Prestadores de serviços reduzem repasses das altas de custos aos preços para não perder clientes

A forte resistência da inflação, na casa de dois dígitos em 12 meses desde setembro de 2021, acendeu o sinal de alerta para o aumento da inércia inflacionária. Essa inércia, que é a inflação do passado recente pesando sobre os preços atuais e futuros, dificulta o trabalho do Banco Central de segurar o repasse, mesmo subindo juros.

“Infelizmente, estamos carregando bastante essa inflação do passado para o presente”, afirma o economista da LCA Consultores Fábio Romão. Vários fatores têm contribuído para isso. Um deles é a inflação ter encerrado 2021 acima de 10%, o que faz dessa marca um parâmetro para os reajustes. Também há forte pressão de preços vinda do atacado para o varejo. E o descasamento das cadeias produtivas globais, agravado pela guerra na Ucrânia, dificulta a marcação de preços.

Boa parte da resistência da inflação, que em 12 meses até abril atingiu 12,1%, segundo o IPCA, foi alimentada pela indexação formal. São reajustes que seguem contratos, como aluguel, escola e plano de saúde, ou são autorizados pelo governo (combustível, energia).

A pedido do Estadão, Romão mediu o impacto da indexação formal na inflação e constatou que, na pandemia, o peso aumentou dois pontos porcentuais. Em dezembro de 2019, respondia por 32,05% do IPCA e, em abril de 2022, já era de 34,15%. Preços monitorados responderam por 50% do aumento, com destaque para gasolina, diesel e eletricidade.
Informal

Outra parte da resistência da inflação resulta da indexação informal, que turbina preços pelos aumentos de custos incorridos. É o caso do funileiro Vinicius Aguirre, que reajustou de R$ 350 para R$ 400 o valor por peça restaurada, pois a tinta automotiva, um derivado do petróleo, subiu. “A minha indexação é em função da tinta, que é o que mais onera.”

Outro fator que pesa nesse jogo é a expectativa. “Se agentes percebem que o BC está com dificuldade de cumprir a meta (de inflação), eles aumentam preços, antes de a inflação bater nos custos”, diz o coordenador de índices de preços da FGV, André Braz.

Indexação é um mecanismo de defesa contra a perda do poder de compra do dinheiro. “Quanto maior a inflação – e a de dois dígitos assusta –, é claro que há um incentivo ao aumento da indexação, seja formal ou informal”, afirma Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria. Por causa do passado de hiperinflação no Brasil, esse mecanismo talvez seja mais forte, observa.
Espalhamento

Para Romão, o espalhamento da inflação é a prova de que as pressões de preços por conta da indexação informal aumentaram. Em abril, 78,75% dos itens do IPCA tiveram variação positiva, resultado recorde. O movimento, segundo ele, é mais visível nos serviços. E esses reajustes ganham sinal verde neste momento em que o brasileiro opta por consumir mais serviços do que bens.

MINERAÇÃO

Construção Latino-americana - SP   06/06/2022

O aumento dos preços das mercadorias em geral, e do minério de ferro em particular, mudou a forma como os materiais inutilizáveis são vistos na extração do minério. Neste contexto, uma tela Rubble Master MSC8500M-3D está transformando resíduos antigos em um produto valioso e vendável. O desempenho da tela superou até mesmo as expectativas da Brazil Iron Mineração Ltda, empresa localizada no nordeste do Brasil, que produz cerca de 50.000 toneladas de minério de ferro de alta qualidade por mês.

Quando a Brazil Iron assumiu a operação da mina de Mocó há um ano e meio atrás, ela se viu com resíduos (0-20 mm) estocados em grandes quantidades da produção anterior de minério de ferro. Dado o alto teor de finos (0-2 mm), este material não era vendável e o reprocessamento não era uma opção na época, devido aos altos custos operacionais e baixos preços do minério de ferro. Entretanto, após alguns meses de produção, o preço de mercado do ferro começou a subir. Portanto, como agora valia a pena, foi decidido reprocessar este material. Foi necessária uma tela o mais rápido possível para peneirar as multas mais o superdimensionamento do produto rejeitado e assim transformá-lo em um produto final valioso e vendável.

O parceiro do Grupo RM no Brasil, Máquina Solo, encomendou uma tela completamente nova que estava pronta para ser usada dentro de 45 dias. Os requisitos técnicos eram difíceis, pois certas metas de produção tinham que ser atingidas para que a aplicação fosse rentável. O ferro do Brasil precisou de pelo menos 80 toneladas/h de 2-8 mm para justificar a operação. O RM MSC8500M-3D conseguiu isto e produziu com sucesso cerca de 260 toneladas/h no total, das quais cerca de 35% estavam dentro dos importantes tamanhos de 2-8 mm (90 toneladas/h). Portanto, a tela móvel de três decks excedeu em mais de 10% as expectativas/necessidades do cliente.

O RM MSC8500M-3D trabalhou em média 16 horas por dia por mais de 8 meses consecutivos em perfeito funcionamento.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

A Toyota acertou o acordo que prevê pagamentos que partem de 35 salários fixos aos trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), em processo de fechamento, que não quiserem se transferir a outras unidades da montadora no interior de São Paulo.

Para cada ano de casa, o funcionário terá direito a um salário adicional. Assim, por exemplo, um trabalhador com dez anos na empresa poderá receber 45 salários (35 salários mais um salário adicional a cada ano trabalhado), além das verbas rescisórias.

Aprovadas nesta sexta-feira, 3, pelos operários da Toyota em assembleia, as condições estão previstas no programa de demissão voluntária, o chamado PDV, a ser aberto na semana que vem aos funcionários da fábrica no ABC paulista, cujo desligamento está previsto até novembro do ano que vem.

Conforme informações do sindicato dos metalúrgicos do ABC, os trabalhadores que deixarem a empresa terão também assegurados 12 meses de assistência médica, assim como cursos profissionalizantes do Senai e Senac.

Já aos funcionários que aceitarem a oferta de transferência para as fábricas de Sorocaba, Indaiatuba ou Porto Feliz, a Toyota oferece dois salários nominais, já no ato da transferência, mais 2,4 salários pela mudança de endereço, além de bônus de transferência de R$ 15 mil e estabilidade de emprego até novembro de 2026.

A Toyota, que emprega cerca de 550 pessoas em São Bernardo do Campo, anunciou em abril o fechamento da unidade, onde são produzidas peças que abastecem outras fábricas da montadora no Brasil e na Argentina. Com isso, após o fechamento, os produtos feitos atualmente no local passarão a ser produzidos nas operações do interior de São Paulo. A companhia informou na época do anuncio que o objetivo é aumentar a sinergia entre suas operações no Brasil para melhorar a competitividade.

Valor - SP   06/06/2022

"Os caminhões estão dentro de bens de capital enquanto os automóveis impactam os bens de consumo duráveis”, aponta gerente do instituto

A indústria automobilística ajuda a explicar as quedas na produção de bens de capital e bens duráveis em abril, explicou nesta sexta-feira o gerente da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física (PIM-PF), André Macedo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a indústria geral cresceu 0,1% em abril, frente a março, mas houve retração da produção em bens de capital (-9,2%) e bens duráveis (-5,5%).

“Em comum para o resultado temos a indústria automobilística, que afeta tanto bens de capital quanto duráveis. Os caminhões estão dentro de bens de capital enquanto os automóveis impactam os bens de consumo duráveis”, afirma.

As duas categorias econômicas, destaca o técnico do IBGE, vinham de dois meses de crescimento da produção, o que também provocou uma base de comparação mais elevada. A alta acumulada nos meses de fevereiro e março foi de 12,1% em bens de capital e de 3,8% em bens duráveis.

Para além da indústria automobilística, outras atividades também mostraram recuo dentro dessas categorias econômicas. Em bens de capital, isso aparece na produção de máquinas e equipamentos, tanto os seriados quanto os sob encomenda. No caso de bens duráveis, são destaques negativos a produção de bicicletas e de eletrodomésticos da linha marrom (TV e som).

— Foto: Marcos Issa/Bloomberg News

Valor - SP   06/06/2022

As opções estão praticamente restritas ao público de alta renda, pois custam em média de R$ 300 mil a R$ 500 mil

A quantidade ainda é pequena para um país do tamanho do Brasil, mas as vendas de veículos elétricos estão ganhando velocidade. Nos primeiros quatro meses deste ano foram comercializados 12.976 veículos leves elétricos ou eletrificados, 78% a mais que em igual período de 2021. Em contrapartida, o emplacamento total de veículos leves caiu mais de 20% no mesmo período.

A venda de caminhões elétricos segue a mesma tendência. Nos primeiros quatro meses, foram emplacados 379 veículos, 29% a mais do que no ano inteiro de 2021, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). “A venda de veículos elétricos nos últimos anos é de pura consistência”, afirma o vice-presidente do grupo de veículos leves da entidade, Thiago Suguhara.

Os veículos, que podem ser híbridos, eletrificados ou totalmente elétricos, ainda são adquiridos praticamente só pelo público de alta renda, pois custam em média de R$ 300 mil a R$ 500 mil. Os da Audi, por exemplo, passam de R$ 1 milhão. Mas há iniciativas para fazer com que circulem mais. A Renault acaba de colocar em pré-venda um modelo que custa R$ 143 mil. “Tivemos muito interesse por ele, acima do que imaginei”, diz o vice-presidente comercial, Bruno Hohmann.

A Volvo Car tem planos de, em cerca de dois anos, lançar produtos em uma faixa de preço mais baixa. “O mercado está em franca expansão no mundo e no Brasil não é diferente”, diz João Oliveira, diretor geral de operações e inovação da Volvo Car Brasil. A marca vende quatro modelos no Brasil (dois deles híbridos) e comercializou 759 veículos neste ano até maio, contra 350 no ano todo de 2021. Ela espera passar de 2,5 mil até o final do ano.

A expectativa é de que os preços caiam à medida que a tecnologia avance, principalmente das baterias. Elas respondem por 30% a 40% do preço total do veículo. E, ainda que o preço inicial do veículo seja alto, o carregamento com energia elétrica é várias vezes mais baixo do que com outros combustíveis, assim como o de manutenção. O “cost of ownership”, ou custo de propriedade, se paga em cinco anos, garante Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Algumas montadoras, com Audi e Renault, apostam no programa de “assinatura”, quando o cliente paga um valor mensal para usar o veículo.

Além do custo, há um outro obstáculo para a expansão do mercado: a infraestrutura de abastecimento. A menos que o veículo seja híbrido, sua autonomia não é suficiente para uma viagem mais longa. “O maior obstáculo para o veículo pesado é a longa distância”, afirma Alan Holzmann, diretor de estratégia de produto caminhões da Volvo.

As montadoras têm investido para solucionar a questão do abastecimento. As estratégias envolvem acordo com redes que atendem motoristas de caminhões nas estradas, instalação de carregadores rápidos, ampliação dos postos de abastecimento urbanos e carregamento feito em casa. A Volvo Car investiu R$ 13 milhões para instalar carregadores rápidos entre São Paulo e capitais próximas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Zero Hora - RS   06/06/2022

Gaúchos contrataram até agora 15,4% dos R$ 2,9 bilhões destinados ao Estado pelo programa no primeiro semestre do ano

Com R$ 445,7 milhões contratados em 3,9 mil financiamentos realizados no primeiro semestre pelo Casa Verde e Amarela (CVA), o Rio Grande do Sul demandou, até o momento, 15,4% dos R$ 2,9 bilhões destinados, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), ao Estado pelo programa habitacional em 2022.

No país, menos de 10% dos R$ 64,4 bilhões em recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) disponíveis foram utilizados no período. As informações constam no canal oficial do FGTS e consideram as Cartas de Crédito Individuais (CCI) contabilizadas até a última sexta-feira.

Lançado em agosto de 2020 para substituir o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o CVA tem a meta de financiar 1,6 milhão de moradias sociais até 2024 no Brasil. Conforme o Sistema de Gerenciamento da Habitação (Sishab), do MDR, com 497.923 imóveis contratados até junho e transcorridos 56% do prazo (41 meses), 31% da estimativa inicial foi efetivada.

Por e-mail, o MDR apresenta outra base de dados (com 624.019 moradias, o que elevaria a efetividade da meta a 39%). Questionado pela reportagem se nesse universo estariam contemplados outros programas, o órgão informou que usa como filtro de pesquisa, além da CCI, o "apoio à produção", modalidade oferecida pela Caixa às empresas de construção, e não às pessoas físicas incluídas no escopo do Verde e Amarela.

Até o fechamento dessa edição, o MDR não havia apontado as razões para a discrepância entre os 497.923 imóveis divulgados no portal oficial e as 624.019 unidades repassadas em resposta às demandas específicas da reportagem.

Para reverter o ritmo lento, a estratégia agora é ampliar de 12,5% a 21,4% os subsídios médios concedidos no valor de compra dos imóveis sociais. Ou seja, é o desconto no valor da unidade que será bancado pelo governo na entrada. A medida será colocada em prática ainda neste mês e é válida até o final do ano.

Para economistas, construtores e dirigentes do setor, a ação foi pensada para acelerar as contratações de créditos e lançar mão de fatia maior dos recursos do FGTS destinados ao CVA. No momento, o programa esbarra em aspectos econômicos, como a inflação, que o impedem de deslanchar, avalia a coordenadora de Projetos de Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Ana Castelo:

- É mais uma tentativa de impulsionar o CVA. As contratações estão muito aquém das metas e do próprio orçamento. Há, claramente, dificuldades que estão relacionadas com um contexto mais desafiador e que o programa não consegue dar conta.

Ana acrescenta que os custos representam desestímulo para as construtoras. E mesmo que as famílias do CVA não sejam afetadas com a alta dos juros (sem alterações no programa), pressões no orçamento limitam o interesse, avalia.

Preços

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RS) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ricardo Michelon, mais do que a mudança nos subsídios, o desafio seria dar conta da elevação dos preços. O programa tem como fonte o FGTS, e são dois os tipos de subsídio: nos juros (abaixo do mercado, que oscilam de 4,25% a 8,16% ao ano, conforme cada grupo de renda) e no desconto do valor dos imóveis.

É do segundo aspecto que trata a alteração anunciada para ampliar a participação do governo nos aportes ao programa. A ideia é que o benefício fique no intervalo de 12,5% a 21,4%. Isso será definido considerando critérios como a renda familiar, a região e a população do município.

- Vai levar tempo para chegar ao mercado. Dependendo da região e da renda, vai se ter direito a desconto maior. Funciona como uma entrada. Se é necessário dar R$ 20 mil, o percentual compatível com cada pessoa será abatido disso - exemplifica o dirigente.

A medida, afirma Michelon, ajuda, mas não afasta o impacto da inflação. No atual cenário, os construtores não conseguem corrigir os contratos do CVA, argumenta. Diferentemente do que acontece nas outras modalidades do mercado, em que existem índices de reajuste fixados, os de habitação popular já saem com contratos resolvidos desde a assinatura.

- Como construtores, ficamos muito expostos. Se explode a inflação em três anos (tempo médio de uma obra), fica-se com uma bomba-relógio na mão - comenta.

Margens

Eduardo Fischer, CEO da construtora MRV, avalia que o impacto é sentido nas margens de lucro do setor e, em igual compasso, atinge o poder de compra. No CVA, a empresa tem 17 empreendimentos em construção e outros 23 em venda no RS. Entre eles, o Porto Lisboa, em Canoas, que deverá ser entregue ainda neste mês e conta com 200 apartamentos a preço médio de R$ 150 mil. Também em junho será lançado mais um projeto, desta vez, em Gravataí, já dentro da nova modalidade.

Com opções a partir de R$ 159 mil, a previsão da construtora é de que os subsídios possam chegar até R$ 40 mil, dependendo do grupo de renda. Segundo o executivo, o movimento, colocado em prática pelo governo federal, demonstra "preocupação real com as questões sociais e de habitação":

- Sinaliza que busca o reequilíbrio, criando condições para que mais pessoas e famílias tenham acesso à casa própria. Entendemos que esta primeira ação, foi muito acertada para a retomada do CVA.

Valor - SP   06/06/2022

Empresas alegam dificuldade para honrar os contratos das obras e pedem revisão de acordos firmados com o setor imobiliário

Odair Senra, presidente do Sinduscon-SP, diz que é preciso que todo o setor da construção tenha boa vontade de dialogar neste momento de alta dos custos — Foto: Claudio Belli/Valor

As empresas de construção estão com dificuldades para honrar os contratos com incorporadoras, devido ao aumento dos custos de produção. O alerta vem do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), que promoveu na última semana evento para orientar os empresários a lidar com as elevações de preço.

Apesar de aparecerem às vezes como sinônimos, incorporadoras e construtoras têm funções diferentes. As primeiras idealizam o projeto, vendem unidades e captam recursos, enquanto as segundas constroem o prédio. Há incorporadoras que também constroem, mas existem as “puras”, que terceirizam a obra.

O contrato entre essas partes é, em geral, de preço fechado, o preço máximo garantido (PMG), e reajustado pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). O problema, de acordo com o sindicato, é que o índice não tem conseguido refletir o aumento dos materiais, e as construtoras têm que absorver o prejuízo.

Na teleconferência para divulgar resultados do primeiro trimestre, a Helbor, por exemplo, ressaltou o fato de ser uma incorporadora pura como um dos motivos para o ganho de margem, apesar da inflação. Na ocasião, o diretor-financeiro Franco Gerodetti, afirmou que, por ter contrato de preço fechado, as construtoras arcavam com essa diferença.

Segundo Odair Senra, presidente do Sinduscon, é preciso sensibilizar o setor de que tanto incorporadoras quanto construtoras devem ter boa vontade no momento. Quem tem a responsabilidade de entregar as unidades vendidas são as incorporadoras, que podem ter problemas se suas parceiras não conseguirem realizar as obras. Caso as construtoras provem que os custos estão fora do previsto inicialmente, e por fatores que não dependem da sua vontade e capacidade técnica, podem abandonar o canteiro. De acordo com o sindicato, isso não está ocorrendo, mas as empresas estão preocupadas e é preciso agir para evitar um cenário do tipo, “péssimo para o mercado”.

Cesar Silveira, diretor-presidente da construtora e incorporadora Árbore Engenharia, que também faz obras para terceiros, afirma que tem sido procurado por concorrentes que estão com dificuldades para tocar os projetos, devido ao aumento dos custos. “Tem muita gente desesperada tentando milagre, muitos não vão conseguir honrar esses contratos”, diz.

Na sua empresa, ainda não há problema para tocar os projetos, mas as margens estão sendo comprimidas pela inflação e eles estão revendo o modelo de contrato de preço fechado para novas obras.

Yorki Estefan, vice-presidente institucional do Sinduscon, critica a elevação de preços feita por parte da indústria dos materiais, principalmente de aço e cimento. Os fabricantes estariam elevando preços para compensar a perda de vendas no varejo. “A longo prazo, o que adianta uma empresa subir tanto assim os seus valores se ela não vai ter pra quem vender?”, questiona. “A indústria tem que ter bom senso e visão sistêmica”.

Já os fabricantes de materiais questionam a dimensão dos aumentos. “O insumo subiu demais na opinião de quem? Tem guerra na Ucrânia, todo mundo sabe o que está acontecendo, as matérias-primas e insumos energéticos subiram por conta desse fator”, afirma Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Aço Brasil. Ele diz ainda que a narrativa do setor de construção “já cansou”.

No último mês, produtores e construtores tiveram um embate antes do governo aprovar a redução no imposto de importação do vergalhão de aço, material básico para o setor, de 10,8% para 4%, até o final deste ano. Os produtores diziam que o Brasil tem um dos vergalhões mais baratos do mundo e que o aumento, de 45% nos últimos 12 meses, foi menor do que na Europa e nos Estados Unidos.

Os produtores de aço e cimento alegam também que a elevação dos insumos de suas indústrias ainda está acontecendo, e que o mercado imobiliário tem conseguido repassar essas elevações dos materiais ao preço das unidades.

A solução indicada pelo Sinduscon para resolver o desequilíbrio nos contratos das obras é renegociar seus termos e incluir uma cláusula que deixe claro que, se a variação dos insumos for maior do que o que está refletido no INCC, há espaço para revisão.

Para o conselheiro jurídico do sindicato, Olivar Vitale, em contratos firmados antes da pandemia é possível alegar o princípio da imprevisibilidade para pedir uma revisão dos valores. Em contratos recentes isso fica difícil, daí a importância de incluir a observação sobre os custos da obra. “Os construtores têm que se unir, não dá mais para aderir aos contratos sem as cláusulas necessárias”, disse.

O setor da construção diz que o INCC também precisa refletir melhor a situação atual das obras e incluir novos métodos produtivos e tecnologias. Segundo Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sinduscon-SP, há um estudo para isso, mas a atualização não deve sair antes de três anos.

Enquanto isso, incorporadoras que terceirizam a obra encontram maneiras de auxiliar suas parceiras a atravessar o momento. A NextRealty, que faz prédio para locação residencial, tem conversado com as construtoras e adiantado a compra de insumos que vêm subindo mais, como caixilhos, fiação de cobre e aço. “Antecipamos essas aquisições e armazenamos junto com os fornecedores, no canteiro ou em galpão alugado, para não sofrer tanto impacto”, afirma Felipe Antunes, um dos fundadores da empresa.

Ele analisa que, com o dissídio dos trabalhadores da construção paulista, aprovado em maio, de 12,47%, o INCC deve aumentar nos próximos meses, o que vai ajudar a reequilibrar os contratos. O índice elevado também pesa mais nas parcelas de quem comprou um imóvel na planta, o que, associado à inflação geral do país e ao aumento dos juros, pode reduzir os novos lançamentos. Se isso ocorrer, a venda de materiais de construção também cai, o que tende a equilibrar os preços pedidos pelos fabricantes. O problema é que esse ciclo de regulação do mercado leva tempo para acontecer.

Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, afirma que a inflação é a principal preocupação do setor no momento, mas pondera que não é um problema apenas no Brasil. Para ele, deve haver arrefecimento das altas de preço em breve. “A tendência é começar a tender para estabilidade”, diz.

Os dados do Sindicato da Habitação, o Secovi-SP, sobre abril, mostram queda de 43,76% nos lançamentos de novas unidades na capital paulista, em relação a março, e de 15,4% nos lançamentos. Em divulgação dos resultados de abril, o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) já demonstrou preocupação com essa queda.

Rodoviário

Valor - SP   06/06/2022

Ao todo, o novo contrato prevê R$ 10 bilhões de investimentos em obras, além de R$ 4 bilhões de custos operacionais ao longo do contrato, de 30 anos

Após o fracasso em dois leilões de concessões rodoviárias — a do Litoral Paulista e do Rodoanel Norte —, o governo de São Paulo publica neste sábado (4) o edital de um terceiro projeto: o lote Noroeste Paulista. A concorrência foi marcada para 15 de setembro.

Trata-se da relicitação de duas concessões que chegam ao fim, a Tebe (controlada por empresas de engenharia) e a Triângulo do Sol (do grupo italiano Atlantia e o Bertin). O bloco inclui 600 km de estradas, que interligam cidades como São José do Rio Preto, Araraquara, São Carlos e Barretos. Ao todo, o novo contrato prevê R$ 10 bilhões de investimentos em obras, além de R$ 4 bilhões de custos operacionais ao longo do contrato, de 30 anos.

Segundo Rodrigo Maia, secretário de Projetos e Ações Estratégicas do governo paulista, o ativo tem atraído interesse de grupos que já operam no setor, fundos de investimentos e bancos.

“A expectativa é positiva, porque são duas concessões maduras e com grande demanda [que serão relicitadas]. Então, mesmo neste momento de dificuldade, de economia parando, taxa de juros alta, acredito que a adequação do projeto nos dá garantia de que vai ser uma licitação exitosa”, afirmou ao Valor.

— Foto: Claudio Belli/Valor

Para ele, o fato de serem rodovias em operação é um fator importante para atrair o setor privado, porque há geração de receita desde o início do contrato e os dados de demanda são conhecidos.

Além disso, Maia destaca que os valores das obras foram atualizados em março de 2022. Então, diferentemente de projetos recentes, que foram prejudicados por apresentarem defasagem, os estudos do lote já estão em linha com o atual cenário de inflação.

Dos R$ 10 bilhões de investimentos previstos, metade deverá ser aplicado nos sete primeiros anos da concessão. As obras preveem 122 km de duplicações, 95 km de terceiras faixas, 43 km de marginais e 75 km de ciclovias.

O edital, que prevê uma redução de 10% das tarifas cobradas atualmente (15% para veículos que adotarem tag de pagamento automático), inclui também mecanismos de desconto de tarifa para usuários frequentes e um sistema de cobrança de pagamento livre - não se trata do chamado "free flow" (em que há cobrança por quilômetro rodado), mas sim um modelo de "praças de pedágio virtuais".

No leilão, vencerá a disputa quem oferecer o maior valor de outorga fixa, que será paga ao Estado. O montante mínimo fixado em edital é de R$ 5 milhões.

Após o sucesso do leilão do corredor rodoviário de Piracicaba-Panorama (Pipa) — arrematado no início de 2020 por um consórcio do Pátria e do fundo soberano de Cingapura GIC —, o governo paulista viu outros dois leilões rodoviários fracassarem.

O primeiro deles, o lote Litoral Paulista, chegou a ter a licitação marcada para setembro de 2021, mas esta foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apontou problemas no edital. O projeto sofreu com a resistência do município de Mogi das Cruzes à instalação da praça de pedágio. O segundo leilão cancelado, em abril deste ano, foi o do Rodoanel Norte, que acabou não atraindo nenhum interessado.

Maia afirma que o projeto do Litoral Norte deverá ficar para 2023, mas o Rodoanel Norte ainda poderá sair neste ano. “O Rodoanel é complexo. O mercado estava inseguro, por se tratar de uma obra parada. Mas é um compromisso viabilizar a licitação.”

A equipe reuniu junto ao setor privado uma lista de preocupações e fatores de insegurança no projeto, com o objetivo de fazer os ajustes necessários. A principal questão é quanto ao estado da obra, que terá que ser assumida pelo novo concessionário. Um dos desafios é dar mais segurança de que, se a estrutura estiver em uma situação diferente da projetada, haverá uma compensação.

O governo havia cogitado fazer o novo leilão do Rodoanel em setembro, juntamente com o lote Noroeste Paulista, mas não será possível. “É uma licitação mais difícil. Estamos acelerando o trabalho, mas é preciso ter segurança jurídica, para que investidores de fato tenham interesse.”

O secretário nega que haja pressão eleitoral para tirar mais um leilão rodoviário do papel. O atual governador paulista, Rodrigo Garcia (PSDB), que liderou o programa paulista de desestatizações durante a gestão, é candidato à reeleição e irá concorrer contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também ficou conhecido pelas concessões no Ministério de Infraestrutura.

Maia afirma que o governo paulista tirou muitos projetos do papel, como a retomada das obras da Linha 6-Laranja do Metrô e o leilão de 22 aeroportos regionais — ao todo, foram 12 contratos firmados desde 2019, segundo ele — e diz que é o governo federal que “ficou muito aquém em São Paulo”. Ele cita o leilão da rodovia Dutra, que incluiu mais obras no Rio de Janeiro que na parte paulista da via.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   06/06/2022

Faturamento de R$ 132,6 milhões no quadrimestre, aumento de 12,1% ante o mesmo período em 2021.

O primeiro quadrimestre de 2022 foi positivo para o Porto do Rio de Janeiro, com uma movimentação total de 3,327 milhões de toneladas, nos meses de janeiro a abril, superando em 15,1% os números do mesmo período do ano passado. A informação é da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), responsável pela administração do complexo portuário fluminense, que inclui também os portos de Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis.

De acordo com o levantamento do setor de Planejamento de Negócios da Autoridade Portuária, a tendência de crescimento na movimentação de carga conteinerizada no Porto do Rio de Janeiro, já observada em meses anteriores, se manteve com alta de 23,3%, em comparação com o mesmo período de 2021. Em TEUs, o volume movimentado ( 172.228) representou um acréscimo de 27,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A análise indica ainda que houve crescimento na movimentação de contêiner no Porto do Rio de Janeiro em todos os meses de 2022 em relação a 2021.

Faturamento — O faturamento do Porto do Rio de Janeiro, no primeiro quadrimestre de 2022, foi de R$ 132,6 milhões. O valor corresponde a um aumento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2021, desconsiderando os valores devidos a título de Quantidade Faltante por Movimentação Mínima Anual.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   06/06/2022

A ANP aprovou ontem (2/6) a realização de consulta pública sobre o relatório da análise de impacto regulatório (AIR) que tem o objetivo de aperfeiçoar a aplicação da Resolução ANP n° 19/2013, que estabelece os critérios e procedimentos para execução das atividades de certificação de conteúdo local. O relatório e demais documentos relacionados poderão ser acessados na página da consulta, assim que houver a publicação de aviso no diário oficial da união.

Os compromissos de conteúdo local são os assumidos pelas empresas de exploração e produção de petróleo e gás natural de contratação de um percentual mínimo de bens e serviços nacionais. A atividade de certificação, regulada pela Resolução ANP n° 19/2013, é exercida por instituições acreditadas pela ANP (os organismos de certificação) e consiste em aferir o percentual de conteúdo local em determinado fornecimento de bem ou serviço e atestá-lo publicamente.

A ANP identificou oportunidades de melhoria no que está previsto na resolução em relação à definição do "Valor Total do Sistema Completo" de sistemas de origem estrangeira sem documento fiscal de transação comercial, de modo a assegurar a aplicação do método de cálculo do conteúdo local de dedução em fornecimentos estrangeiros que contenham componentes nacionais incorporados, previsto na Cartilha de Conteúdo Local constante do Anexo II da Resolução. Um sistema, no contexto do conteúdo local, é uma reunião coordenada e lógica de um grupo de equipamentos, máquinas, materiais e serviços associados que, juntos, funcionam como estrutura organizada destinada a realizar funções específicas - por exemplo, uma plataforma ou um navio de apoio completos.

Para o aperfeiçoamento das regras em vigor, a Agência deu início a uma análise de impacto regulatório (AIR), que é um procedimento prévio e formal regulamentado pelo Decreto n° 10.411/2020, que visa à reunião da maior quantidade possível de informações sobre um determinado tema regulado pela Agência, para avaliar os possíveis impactos das alternativas de ação disponíveis para o alcance dos objetivos pretendidos.

A AIR tem como finalidade orientar e subsidiar a tomada de decisão e contribuir para tornar a regulação mais efetiva, eficaz e eficiente. Com base nos estudos realizados até o momento, inclusive por meio de outra AIR elaborada em 2021 que havia apontado a alternativa de aprofundamento dos estudos, a ANP elaborou um novo relatório de AIR especificamente para este tema, que entra agora em consulta pública. O objetivo é permitir a participação do mercado e da sociedade no levantamento de informações e receber contribuições para o aprofundamento desses estudos.

Após o período de consulta, a ANP analisará as contribuições e elaborará nova versão do relatório de AIR, que será submetido para aprovação e manifestação da Diretoria Colegiada da Agência. Esse relatório trará a proposta de ação regulatória a ser tomada para se alcançar o objetivo pretendido. Caso a decisão seja pela alteração da Resolução ANP n° 19/2013, essa futura minuta passará então por consulta e audiência públicas.

Conteúdo local: aprovada alteração na Resolução 19/2013

Foi aprovada ontem (2/6) alteração da Resolução ANP n° 19/2013, que estabelece os critérios e procedimentos para execução das atividades de certificação de conteúdo local. As mudanças estão relacionadas aos seguintes procedimentos de certificação: conversão de moedas; operações de revenda de produtos nacionais; serviços e conjuntos de origem estrangeira; e parâmetros de certificação de Sistemas nacionais.

A alteração é resultado de relatório de análise de impacto regulatório (AIR) realizado pela ANP em 2021 e também passou por consulta e audiência públicas em 2022.

Os compromissos de conteúdo local são os assumidos pelas empresas de exploração e produção de petróleo e gás natural de contratação de um percentual mínimo de bens e serviços nacionais. A atividade de certificação, regulada pela Resolução ANP n° 19/2013, é exercida por instituições acreditadas pela ANP (os organismos de certificação) e consiste em aferir o percentual de conteúdo local em determinado fornecimento de bem ou serviço e atestá-lo publicamente.

Um sistema, no contexto do conteúdo local, é uma reunião coordenada e lógica de um grupo de equipamentos, máquinas, materiais e serviços associados que, juntos, funcionam como estrutura organizada destinada a realizar funções específicas — por exemplo, uma plataforma ou um navio de apoio completos

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

Os contratos futuros de petróleo registraram ganhos, nesta sexta-feira. Os preços chegaram a recuar no início do dia, mas inverteram o sinal e confirmaram ganhos na semana, com indicadores, avaliações sobre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e o embargo da União Europeia ao óleo da Rússia no foco dos investidores.

O petróleo WTI para julho fechou em alta de 1,71% (US$ 2,00), a US$ 118,87 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para agosto subiu 1,79% (US$ 2,11), a US$ 119,72 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

Os contratos recuavam logo no início do dia, devolvendo parte dos ganhos da véspera. Na Europa, a UE formalizou a adoção do sexto pacote de sanções contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, inclusive com o gradual embargo a importações de petróleo do país. As autoridades do bloco dizem que a redução deve ser de 90% até o fim deste ano.

O Estado de S.Paulo - SP   06/06/2022

A produção brasileira de petróleo atingiu 2,99 milhões de barris diários em abril, volume que representa uma alta de 0,6% ante março e de 0,8% ante igual mês de 2021, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta sexta-feira.

Já a produção de gás natural do Brasil ficou em 137 milhões de metros cúbicos diários em abril, aumento de 1,8% em relação a março e de 4,1% na comparação anual.

No total, o país produziu 3,860 milhões de barris de óleo equivalente por dia no mês, disse a ANP.

Valor - SP   06/06/2022

Em visita à Alemanha, no mês passado, presidente argentino disse que campo de gás e petróleo na Patagônia é o “depósito que o mundo precisa neste momento”

Será que a proibição imposta pela União Europeia (UE) na semana passada à maior parte do petróleo importado da Rússia vai instilar nova vida em uma vaca morta da Patagônia?

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, acha que sim. Ele fala com empolgação do potencial do segundo maior depósito de gás de xisto e da quarta maior reserva de petróleo de xisto do mundo para ocupar o vácuo deixado pelo crescente embargo aos produtos energéticos da Rússia. A Argentina, disse ele a seus anfitriões alemães ao visitar Berlim no mês passado, é “um depósito do que o mundo precisa neste momento: alimentos e energia”.

A Chevron, a Petronas e a Shell estarão entre as empresas internacionais que se beneficiarão do projeto de petróleo argentino de Vaca Muerta caso finalmente deslanche. A produção de gás “poderá disparar... tornando a Argentina uma concorrente da Austrália e do Catar no mercado de gás natural liquefeito (GNL) em uma época de crescimento da demanda”, segundo relatório recente da S&P.

Miguel Galuccio, CEO da Vista, a segunda maior produtora de petróleo de Vaca Muerta, diz que o depósito já transformou a Argentina em um exportador de petróleo (embora em uma escala muito pequena) e enfatiza seu potencial futuro, graças a custos de produção relativamente baixos e à produção baixa de carbono.

Mas há um empecilho acima do solo sob a forma de decisões passadas do governo argentino. Anos de badalação em torno de Vaca Muerta e sua atraente configuração geológica não foram acompanhados de políticas suficientemente atraentes - nem da parte do governo anterior de Mauricio Macri nem do governo atual até agora - para atrair os bilhões de dólares de investimentos necessários.

Vaca Muerta vem sendo desenvolvida há uma década e, apesar de os custos de produção terem caído para níveis próximos aos do xisto americano, menos de 10% da área está sendo explorada. Mas o governo diz que, se 50% dos recursos de Vaca Muerta entrarem no mercado, a Argentina gerará mais de US$ 30 bilhões ao ano de receita adicional de exportações.

Por que isso não aconteceu? Um dos grandes responsáveis por isso é o rígido regime de controle cambial, que impede que os lucros sejam repatriados. Após anos de “lobby”, o governo acaba de concordar em permitir que as empresas de petróleo e gás convertam a receita gerada por parte de sua produção adicional em dólares, mas isso fica bem aquém da liberdade que elas usufruem quase em todos os outros países.

Segundo as novas regras, os grupos de energia têm de solicitar autorização para trocar uma quantidade limitada de seus pesos, em rápida desvalorização, para moeda americana a uma taxa oficial que mal corresponde à metade da cotação no mercado negro.

Outro ponto negativo é a fixação de longa data da Argentina aos subsídios aos combustíveis. O petróleo é vendido no mercado interno a preço controlado, cerca de metade ao do nível internacional.

Finalmente, o país sul-americano precisa de mais infraestrutura energética. A produção de gás de Vaca Muerta é limitada pela capacidade dos gasodutos atuais. Um contrato de US$ 3,4 bilhões para a construção de um novo gasoduto que ligará Vaca Muerta a Buenos Aires ainda não foi concedido, e o diretor do projeto pediu demissão em 30 de maio (o governo diz que lançará um edital em breve).

A petrolífera nacional YPF está buscando locais na costa para construir uma unidade destinada a liquefazer gás natural para exportação, mas atualmente, apesar de todo o potencial de Vaca Muerta, a Argentina continua sendo um importador líquido de gás. “Temos de continuar investindo em gasodutos e deveríamos ter preços do mercado interno mais competitivos”, disse Galuccio.

Mas nem todos estão dispostos a esperar pacientemente. A Sinopec chinesa vendeu sua posição na Argentina no ano passado e a ConocoPhillips também saiu.

Num momento em que as sanções contra a Rússia levam a um redesenho do mapa energético global, o governo argentino precisa se movimentar mais rapidamente e de forma mais arrojada para que as empresas que permaneceram fiéis a Vaca Muerta sejam recompensadas com um cavalo de corrida, e não com uma vaca letárgica.

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