ESQUECEU A SENHA?

Seja bem-vindo ao INDA!

Olá, seja bem-vindo
ao INDA!

06 de Maio de 2022

INDA

Neofeed - SP   06/05/2022

Após sofrer com a alta dos preços do coque e do carvão no começo do ano, a siderúrgica prioriza vendas para o mercado interno e vê espaço para realizar reajustes e repassar custos

Depois das tempestades do primeiro trimestre, literais e figurativas, a CSN espera começar a apresentar bons resultados a partir do segundo trimestre, com o aumento do volume e a demanda aquecida.

E para garantir que a companhia tenha um bom 2022 e não repita o desempenho do começo do ano, a ordem do presidente Benjamin Steinbruch é clara: a alta dos custos globais de produção será repassada em todos os segmentos produtivos nos quais a empresa atua – siderurgia, mineração e cimento.

“A alta de custos em todo mundo tem que ser repassada para não prejudicar as margens”, disse ele em teleconferência com analistas e investidores nesta quinta-feira, dia 5 de maio. “Vamos transferir os custos em todos os segmentos e continuar fazendo disso nossa principal bandeira.”

A pressão nos custos com a alta dos preços do carvão e do coque, junto às fortes chuvas nas operações em Minas Gerais e questões pontuais que prejudicaram a produção de aço, pesaram sobre as margens no primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2021, a margem Ebitda recuou 9,6 pontos percentuais, para 39,1%.

Para lidar com esta situação, a CSN planeja priorizar o mercado interno neste ano, mesmo plano estabelecido pela Usiminas, ao verem um ambiente interno positivo para reajustar os preços, com o aço se beneficiando da diminuição da importação, diante dos problemas logísticos em todo o mundo, e a volatilidade do câmbio.

Em abril, a empresa realizou dois aumentos de preços no aço, um de 12,5%, que entrou em vigor logo no começo do mês, e outro de 7,5%, a partir do dia 15.

“Não estamos sentindo pressão por descontos, porque o mercado está com estoque equilibrado”, diz Luiz Fernando Martinez, diretor da área comercial e de logística. “A oferta está em bons patamares e a instabilidade do câmbio inibe a importação, o que ajuda a manter preço no mercado interno.”

A CSN projeta que as vendas de aço no Brasil devem crescer entre 2,5% e 4% nesse ano, com a empresa registrando um crescimento de 10%. Já as importações devem ter redução de 26%.

O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) projeta que o setor irá fechar 2022 com um crescimento de 5% nas vendas de aço.

Resultados

Os contratempos operacionais enfrentados pela CSN no primeiro trimestre, acompanhados de um aumento das despesas financeiras líquidas, resultaram numa queda de 76% do lucro líquido, em base anual, para R$ 1,3 bilhão.

A receita líquida recuou 1,2%, para R$ 11,7 bilhões, com as chuvas e a interrupção da produção de aço afetando as vendas. O Ebitda ajustado somou R$ 4,7 bilhões, queda de 19% em base anual.

Para os analistas que acompanham a companhia, porém, o desempenho foi positivo quando comparado ao quarto trimestre de 2021. O Itaú BBA destacou que o Ebitda cresceu 27% nesse intervalo, graças ao desempenho da área de mineração, cujo Ebitda aumentou 2,7 vezes em função dos maiores preços realizados.

O Bank of America também elogiou o desempenho dos negócios de mineração e destacou que o segmento de aço teve um desempenho superior ao esperado, com vendas 11% acima do projetado, fazendo com que o Ebitda da divisão fechasse 4% acima das previsões.

Apesar das análises e da perspectiva positiva traçada pelos executivos, os investidores estão castigando as ações nesta quinta-feira.

Ainda que o pregão esteja sendo prejudicado pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, com indicação de alta dos juros, os papéis da CSN estão entre as principais quedas do Ibovespa.

Por volta das 14h, as ações da CSN caíam 7,55%, a R$ 19,85, com o Ibovespa recuando 3,43%, aos 104.624,48 pontos. No ano, os papéis da CSN acumulam queda de quase 19%, com o valor de mercado atingindo R$ 26,6 bilhões.

SIDERURGIA

Exame - SP   06/05/2022

A Gerdau (GGBR4) divulgou, nesta quinta-feira (5), seus resultados do primeiro trimestre de 2022.

A Gerdau registrou uma receita de R$ 20,33 bilhões que, um aumento de 24% em relação ao mesmo período em 2021, mas uma queda de 6% em relação ao 4T21.

O lucro líquido da siderúrgica também teve um andamento parecido, totalizando R$ 2,94 bilhões.

Uma queda de 17% em relação ao 4T21, quando foi de R$ 3,56 bi, mas um crescimento de 19% comparado ao mesmo período no ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia foi de R$ 5,82 bilhões, uma queda de 3% do resultado do 4T21 e aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano passado.

A produção de aço da Gerdau teve uma boa performance, totalizando 3,406 milhões de tonelada.

Um aumento de 4% da produção em relação ao 4T21 e de 8% em relação ao 1T21.

Por sua vez, o nível de vendas foi de 3,05 milhões de toneladas de aço. O pior resultados em vendas brutas dos últimos 5 trimestres.

A dívida líquida da Gerdau foi de R$ 5,1 bilhões, queda de R$ 10,7 bilhões em relação ao ano antes.

A dívida bruta também se reduziu, passando de R$ 17,7 bilhões, para R$ 12,7 bilhões.

A siderúrgica registrou uma redução do nível do indicador dívida líquida/Ebitda, passando de 0,30x, em 31 de dezembro de 2021, para 0,20x, em 31 de março de 2022.
Siderúrgica anuncia dividendos

Além da divulgação de resultados deste trimestre, a Gerdau e sua subsidiária, a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) anunciaram que irão realizar o pagamento de dividendos.

Com o objetivo de incentivar a recompra de ações, a Gerdau irá pagar R$ 0,20 por ação ordinária e preferencial em juros sobre capital próprio, enquanto a metalúrgica distribuirá R$ 0,57 por papel.

Para se beneficiar do pagamento de dividendos os interessados precisarão comprar ações até o dia 16 de maio, pois a partir de 17 de maio de 2022 as negociações serão realizadas ex-direito.
Gerdau (GGBR4) investe em ESG

Além de compartilhar os resultados financeiros, a gigante do aço também teve a oportunidade de comentar um pouco sobre suas iniciativas sociais e ambientais.

Um projeto social chamado "Reforma que Transforma" acabou de completar a reforma da primeira casa selecionada.

"A reforma foi feita na casa de um colaborador da Gerdau em Barão de Cocais, Minas Gerais, que teve o seu lar impactado pelas fortes chuvas naquele estado no início do ano.", informou a empresa na divulgação dos resultados, reforçando como "assim, reafirmamos o nosso compromisso de ser parte da solução aos desafios enfrentados pelos públicos com quem nos relacionamos e da sociedade em geral".

A Gerdau também demonstrou impacto na diversidade do ecossistema com o programa "Inspire Gerdau", que foca em desenvolver não apenas a empresa mas os parceiros da sua cadeia de fornecedores.

"Criado no final de 2020, o Programa Inspire Gerdau tem como objetivo mobilizar e incentivar a cadeia de fornecedores da Gerdau a consolidar as melhores práticas em diversidade e inclusão. No início de 2022, chegamos ao número de 203 empresas fornecedoras que aderiram ao pacto. A intenção é continuar trabalhando para ser uma produtora de aço cada vez mais inclusiva e diversa, além de engajar todo o ecossistema em que está presente" salientou a Gerdau.

Valor - SP   06/05/2022

A companhia disse que reiniciou lentamente as operações na Ucrânia e atualmente está operando um dos três altos-fornos em sua grande unidade de Kryvyi Rih

A ArcelorMittal disse que o lucro e as vendas do primeiro trimestre de 2022 subiram à medida que os preços mais altos do aço superaram a queda nos embarques devido à guerra na Ucrânia.

A maior siderúrgica da Europa divulgou nesta quinta-feira que o lucro líquido foi de US$ 4,13 bilhões nos três meses até o fim de março, 80,3% acima dos US$ 2,29 bilhões no mesmo período do ano anterior.

As vendas chegaram a US$ 21,84 bilhões, 34,9% acima dos US$ 16,19 bilhões do ano anterior, devido aos preços mais altos do aço, apesar de um declínio nos embarques em relação ao quarto trimestre de 2021.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de US$ 5,08 bilhões, 56,8% acima dos US$ 3,24 bilhões do ano anterior e próximo aos US$ 5,05 bilhões registrados no quarto trimestre de 2021.

Os analistas previam Ebitda em US$ 4,57 bilhões, de acordo com as expectativas de alguns analistas.

Os embarques trimestrais de aço foram de 15,3 milhões de toneladas métricas, queda de 2,7% em relação ao 4º trimestre de 2021, refletindo o impacto da guerra na Ucrânia, compensado em parte por melhores embarques de Nafta, disse a empresa.

A companhia disse que reiniciou lentamente as operações na Ucrânia e atualmente está operando um dos três altos-fornos em sua grande unidade de Kryvyi Rih.

A empresa agora espera que o consumo de aço tenha uma pequena contração neste ano, já que anteriormente esperava um aumento.

"No entanto, está claro que a perspectiva fundamental de longo prazo para o aço é positiva", disse o presidente-executivo Aditya Mittal.

A ArcelorMittal também lançou uma segunda recompra de ações de US$ 1 bilhão, elevando o total de recompras para 2022 anunciado até agora para US$ 2 bilhões.

IstoÉ Online - SP   06/05/2022

A CSN espera um segundo trimestre com resultados maiores do que os obtidos no início do ano, com preços de aços planos no Brasil elevados apesar do forte descompasso em relação aos valores praticados no exterior, afirmaram executivos da companhia nesta terça-feira.

O diretor comercial da CSN, Luiz Fernando Martinez, disse que os preços de aços planos no Brasil estão atualmente 24% mais altos que os praticados no exterior. Mas diante da volatilidade do câmbio e dificuldades logísticas, ele não espera que as importações no segundo trimestre aumentem a ponto da CSN ser forçada a conceder descontos.

“Não vejo importação maior no segundo trimestre. Tem um problema logístico enorme, com clientes, inclusive, tendo que esperar 120 dias para receber”, disse Martinez em conferência com analistas sobre o balanço do primeiro trimestre.

“Essa incerteza toda permite mantermos este prêmio. Não vemos pressão para descontos”, acrescentou, referindo-se a bobinas a quente.

Mas o foco da CSN está sobre produtos revestidos, com mais de 50% da produção dedicada ao segmento. Por isso, a companhia vai manter uma estratégia “mais agressiva” de preços no Brasil nesta área para enfrentar a concorrência de material importado, disse Martinez.

Em aços longos a situação é diferente, com preços no Brasil abaixo do exterior, disse o executivo. Por conta disso, a empresa elevou seus preços de vergalhão e fio-máquina em 12% em 1 de maio “e a ideia é recuperar esse prêmio ao longo do segundo trimestre”, disse o diretor comercial da CSN.

A previsão da companhia é que o mercado brasileiro de aço este ano cresça entre 2,5% e 4% e que as vendas da CSN subam 10% a 15%, afirmou Martinez.

E após as fortes chuvas, que derrubaram as vendas de minério de ferro da companhia, uma de suas principais áreas de negócios, a CSN espera “forte reação no segundo trimestre”, com volumes de vendas maiores, preços elevados e custo mais diluído, disse o diretor financeiro, Marcelo Ribeiro, na conferência.

Questionado sobre eventual interesse da CSN em aquisições em siderurgia e minério de ferro no Brasil, Ribeiro afirmou que a companhia está seguindo seu plano de dobrar de tamanho em três anos e que isso não necessariamente passa por compra de ativos.

“Em mineração temos um plano de investimento de 12 bilhões de reais para dobramos nossas operações na área e é essa a prioridade. No caso de siderurgia, temos uma série de projetos dentro de casa que vão tirar gargalos e aumentar a produção em mais ou menos 1,5 milhão de toneladas”, disse Ribeiro. Ele acrescentou que a empresa está trabalhando também em projetos novos de menor escala nos Estados Unidos em aços longos.

“Conseguiremos desta forma dobrar a companhia sem falar de fusões e aquisições. Nosso foco está sobre este plano”, disse.

Valor - SP   06/05/2022

A segunda maior companhia siderúrgica do mundo prevê que a demanda pelo metal cairá até 1% este ano

A ArcelorMittal está esperando uma queda no consumo de aço neste ano, com a guerra na Ucrânia e as restrições impostas pela covid-19 na China, desacelerando a recuperação da pandemia. A segunda maior companhia siderúrgica do mundo prevê que a demanda pelo metal cairá até 1% este ano.

A previsão se compara a uma expectativa anterior de um ligeiro crescimento de até 1%, antes da guerra na Ucrânia. “Nosso desempenho no primeiro trimestre foi ofuscado pela guerra na Ucrânia”, disse o presidente-executivo Aditya Mittal em um comunicado sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, que superaram as expectativas.

“Apesar desse cenário, agravado ainda mais pelo aumento das pressões inflacionárias no mundo todo, a ArcelorMittal obteve um forte desempenho no primeiro trimestre”, acrescentou Mittal, embora tenha alertado que o grupo agora “está antecipando que o consumo perceptível de aço terá uma ligeira contração neste ano em comparação a 2021”.

A companhia espera uma grande queda da demanda na Ucrânia e Rússia, enquanto o aumento das pressões inflacionárias na Europa também deverá prejudicar a demanda na região. A demanda chinesa cairá para o patamar mais baixo das previsões anteriores da companhia, dado o que ela disse ser “uma fraqueza temporária causada pelas restrições à covid-19”.

A ArcelorMittal é uma das maiores produtoras de aço da Ucrânia, com uma grande unidade em Kryvyi Rih, no sul. O país é um grande exportador de aço para a Europa e o conflito afetou muito a produção e o fornecimento.

A ArcelorMittal e a Metinvest, maior produtora da Ucrânia, que controla a siderúrgica sitiada de Mariupol, sob ataque constante dos russos, suspendeu temporariamente suas operações logo depois da incursão russa.

A ArcelorMittal disse nesta quinta-feira que reiniciou a operação de um de seus três altos-fornos de Kryviy Rih. Ela disse que a produção de minério de ferro está ocorrendo a cerca de 50% a 60% da capacidade.

Ela espera numa redução de mais de 10% na demanda na região da Comunidade dos Estados Independentes (CIS, na sigla em inglês), que inclui Ucrânia, Rússia e outros ex-países da União Soviética como Armênia, Azerbaijão, Belarus, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. Isso ficaria abaixo da precisão anterior de um crescimento de zero a 2%.

A previsão mais pessimista foi corroborada pela Eurofer, a associação comercial europeia, que alertou que o aumento dos preços da energia, as interrupções nas cadeias globais de suprimentos e a guerra na Ucrânia “deverão afetar muito as perspectivas para 2022”.

A evolução do mercado de aço para 2022 e 2023 continua sujeita a um alto grau de incerteza, que deverá continuar minando a demanda de setores dependentes do aço, disse Axel Eggert, diretor-geral da Eurofer.

Apesar das incertezas, a ArcelorMittal teve um forte começo de ano. Ela disse que os lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foram de US$ 5,08 bilhões, contra a média das previsões de US$ 4,57 bilhões.

Ela também anunciou um segundo programa de recompra de ações de US$ 1 bilhão para 2022. Os embarques de aço no período caíram 2,7% para 15 milhões de toneladas, comparado ao quarto trimestre do ano passado, em grande parte graças ao impacto da guerra na Ucrânia, segundo a companhia. As ações do grupo subiram 3% para 27,82 euros no fim da manhã desta quinta-feira em Amsterdã.

Monitor Digital - RJ   06/05/2022

Cerca de 400 representantes de todos os segmentos da reciclagem no Brasil, de ferro e aço, vidro, plástico, papel e alumínio, entre outros, estão reunidos hoje em Brasília para debater formas de tornar a atividade mais forte e com mais peso junto à sociedade em geral e órgãos governamentais responsáveis pelo meio ambiente e política nacional de resíduos sólidos.

Segundo Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata Ferro e Aço (Inesfa), “os recicladores sempre tiveram um papel essencial no Brasil, ao lado dos catadores (mais de 1,5 milhão de pessoas), na preservação e defesa do meio ambiente e na economia circular. Mas, apesar disso, ainda são pouco reconhecidos e estimulados, principalmente pelos três Poderes do país. São mais de 5 milhões de pessoas que sobrevivem da atividade de reciclagem no país, gerando impostos e garantindo empregos”, diz Alvarenga.

O Brasil, conforme o Inesfa, recicla muito mais do que os números divulgados pelo governo, mas ainda muito menos do que em outros países como Alemanha, Áustria e Coreia do Sul, por exemplo, que reciclam mais da metade dos resíduos que descartam.

Uma das principais demandas do setor no momento é reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou, no ano passado, em reunião plenária dos ministros, a isenção do PIS e Cofins nas operações de venda de materiais recicláveis à indústria de transformação. Essa isenção existia há mais de 15 anos e foi instituída na ocasião como um estímulo à reciclagem de insumos descartáveis.

Conforme Juliana Schunck, diretora da Massfix, a reciclagem do vidro é um desafio no Brasil, em razão do baixo valor agregado deste material, comparativamente a outros recicláveis.

“Cerca de dois milhões de toneladas de vidro são aterradas anualmente. A logística reversa estava reduzindo este número, mas o nosso trabalho está sendo prejudicado por essa decisão do STF, que gera insegurança jurídica e desestimula esse tipo de trabalho”. A reversão da decisão do Supremo é fundamental para a continuidade do movimento da reciclagem no Brasil. Sem esse estímulo, os indicadores tendem a despencar”, avalia.

“A decisão do STF desestimula toda a cadeia de reciclagem, dos catadores à indústria de transformação. Os impactos sociais, ambientais e econômicos vão afetar toda a sociedade e prejudicar ainda mais a imagem do Brasil no mundo”, afirma Rafael Risso de Barros, vice-presidente do Inesfa.

Já as exportações de sucata ferrosa, insumo usado na composição de aço pelas usinas siderúrgicas, somaram 31.191 toneladas em fevereiro, queda de 18% em relação às vendas externas de janeiro (38.203 toneladas), mas alta de 32% em comparação com os números de fevereiro de 21, quando atingiram 23.636 toneladas. No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações chegaram a 70.395 toneladas neste ano, ante 42.637 toneladas nos primeiros dois meses de 2021, um aumento de 65%, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.

Segundo Clineu Alvarenga, o conflito na Ucrânia já está afetando os preços da sucata metálica no mercado internacional.

“Nos primeiros 15 dias de março, os preços no Brasil se mantiveram estáveis, mas o viés é de alta até o final do mês e em abril”, afirma.

Alvarenga lembra que a paralisação de uma das maiores usinas de aço da Ucrânia em função da guerra, a Kryvyi Rih, controlada pela ArcelorMittal, está tendo reflexos em todo o setor, com alta forte de matérias-primas como minério de ferro, ferro gusa e sucata. A siderúrgica ucraniana produz mais de 6 milhões de toneladas de aço bruto por ano, 5 milhões de toneladas de produtos laminados e 5,5 milhões de toneladas de metal quente.  A empresa também possui minas de minério de ferro com produção de cerca de 24,5 milhões de toneladas por ano.

Conforme fontes consultadas pela S&P Global Platts, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmarks para os mercados de commodities, “os recicladores e compradores do mercado brasileiro de sucata ferrosa registraram estabilidade de preços na primeira quinzena de março”. Essas fontes temem, porém, que o cenário pode mudar, em função dos desdobramentos na invasão da Ucrânia pela Rússia.

Já segundo Alejandro Wagner, diretor-executivo da Associação Latino-americana de Aço (Alacero), “o aço faz parte da solução para chegarmos a uma economia circular e alcançar a sustentabilidade. Uma vez que é necessário emitir menos carbono, o material é 100% reciclável e está mais presente no nosso dia a dia do que se imagina. Além disso, é ele que compõe as fontes renováveis de energia, por exemplo, é de aço que são feitas as estruturas de torres de energia eólica e os painéis solares”.

Atualmente, 80% dos gases de efeito estufa provêm da emissão de dióxido de carbono na atmosfera e, desse total, entre 7% e 9% têm origem na indústria de aço global.

Valor - SP   06/05/2022

Excluídos os efeitos da recomposição de estoques em 2021, a demanda real de aços longos e planos no Brasil segue similar ao registrado no segundo semestre de 2021 e 25% acima da média de 2019 e 2020

Houve “certo pessimismo exacerbado” sobre a demanda de aço no mercado brasileiro no primeiro trimestre, mas o consumo já se recuperou e, em termos reais, segue em crescimento, disse o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, em teleconferência com analistas.

Conforme o executivo, excluídos os efeitos da recomposição de estoques em 2021, a demanda real de aços longos e planos no Brasil segue similar ao registrado no segundo semestre do ano passado e 25% acima da média de 2019 e 2020, o que sustenta a visão de que a demanda real no ano pode crescer até 4%.

“De fato, houve problemas em janeiro e fevereiro, com as chuvas em Minas e a covid-19, mas demanda já se recuperou em março e abril trouxe números muito bons”, afirmou o executivo. “Entendemos que em 2022, de forma geral, a demanda deve crescer 2% ante 2021, que foi um ano muito forte”.

Os problemas vistos no início do ano, comentou, foram relacionados à maior entrada de fio máquina importado e à queda de consumo na autoconstrução e varejo. Já as entregas de vergalhão subiram quase 10% na comparação anual e a de aços planos se manteve estável. “Há fundamentos fortes que nos fazem ter essa visão positiva”, disse.

Na Argentina, as vendas de aço foram puxadas pela construção e pelo agronegócio no primeiro trimestre e a perspectiva é positiva para o ano, em particular na construção. Para o Uruguai, a expectativa é similar. No Peru, onde a companhia vai expandir a capacidade de laminação, a demanda se mantém saudável apesar do impacto de uma greve na logística e das incertezas políticas.

Demanda de aço na América do Norte

Os resultados históricos alcançados pela Gerdau no primeiro trimestre foram influenciados por níveis elevados de demanda de aço na América do Norte.

“Os expressivos resultados no trimestre mostram a sólida presença da empresa em mercados em que atua e seu foco nas Américas”, afirmou Werneck.

Conforme o executivo, os primeiros efeitos da guerra na Ucrânia começaram a ser percebidos em meados de março, com aumento dos preços à vista de carvão e ligas e de energéticos, resultando em maior pressão de custos.

Por outro lado, restrições de suprimento de matérias-primas e a redução da oferta de aço acabaram resultando em alta de preços no mundo todo. “Nossas operações não foram afetadas por eventuais disrupções porque trabalhamos com estoques de segurança e base diversificada de fornecedores”, comentou.

Depois de registrar Ebitda recorde na América do Norte, de R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, a Gerdau prevê continuidade das margens elevadas na região, com spreads metálicos perto das máximas históricas. Naquele mercado, a demanda de aço foi puxada pela construção não residencial e manufatureira.

“Para o segundo trimestre, as perspectivas seguem bastante positivas, com ‘backlog’ acima da média histórica”, disse Werneck. Neste momento, o backlog de pedidos é equivalente a 180 dias de compra, com mais de 1 milhão de toneladas, as fábricas da Gerdau na região exibem taxas de operação acima de 90%.

A companhia permanece otimista com demanda por aço na região no médio prazo, principalmente na indústria da construção e o pacote de infraestrutura anunciado pelo governo. Para fazer frente à demanda adicional na região, a Gerdau vai investir R$ 300 milhões neste ano para modernizar a aciaria no Canadá, elevando em 200 mil toneladas a capacidade na usina, com foco em perfis estruturais.

Em aços especiais, nos Estados Unidos e no Brasil, as montadoras seguem pressionadas pela falta de chips, reduzindo o crescimento da produção de veículos leves. Para veículos pesados, a perspectiva é mais positiva nos dois mercados.

Recompra de ações

Os programas de recompra de ações abertos por Gerdau e Metalúrgica Gerdau após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre refletem a confiança na capacidade de geração de caixa, disse o vice-presidente de finanças e de relações com investidores da siderúrgica, Rafael Japur.

Os programas abrangem 5% e 10% das ações preferenciais em circulação da Gerdau e da Metalúrgica Gerdau, respectivamente, com prazo de 18 meses.

“Entendemos que as ações estão subavaliadas nos últimos meses”, afirmou o executivo. “Entendemos que o desconto é importante em relação a nossos pares na América do Norte, por isso abrimos o programa”, acrescentou.

Japur também destacou o perfil financeiro confortável da companhia neste momento, com alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda de apenas 0,2 vez em março, a menor da história, o que permitiu nova rodada de distribuição de dividendos.

Custos

O maior desafio em termos de custos, neste momento, está relacionado ao carvão metalúrgico que é usado pela Gerdau Açominas, em Ouro Branco (MG). A inflação da sucata, por sua vez, já foi incorporada.

“Agora é gerenciar a cadeia de suprimentos para que as disrupções não afetem a capacidade produtiva, sobretudo na América do Norte”, afirmou Werneck.

Conforme o executivo, há escassez de sucata “prime” nos Estados Unidos, por causa da queda na produção das montadoras. Já a sucata de obsolescência, que é usada pela Gerdau em usinas de aços longos, exibe oferta adequada.

“A perspectiva do spread metálico, que está em patamares historicamente elevados, é bastante positiva. Isso, mais a evolução do nosso desempenho na América do Norte, vai sustentar, ao longo de 2022, o mesmo nível de resultados visto no primeiro trimestre”, acrescentou, referindo-se às margens na região.

Werneck disse ainda que a Gerdau deve aprovar um novo investimento no Texas, ainda em 2022, para aumento da capacidade a 2 milhões de toneladas.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/05/2022

O economista Aldo Mendes, ex-diretor do Banco Central (BC), vê um cenário complicado para a inflação brasileira neste ano, que, na sua avaliação, poderá beirar 10%. Fatores externos incontroláveis, a reativação de mecanismos de indexação e as expectativas domésticas deterioradas por conta do quadro eleitoral e da própria atividade são fatores que devem continuar pressionando os preços.

Mesmo com o forte aperto na taxa básica de juros, a Selic, que deve chegar a 14% ao final do ciclo de alta, Mendes acredita que será factível trazer a inflação para a meta (3%) em 2024.

Na sua opinião, atingir esse objetivo não depende só da política apertada de juros empreendida pelo BC neste ano, mas também da postura do novo presidente da República, empossado a partir de 2023. “Seja lá quem for eleito, ele tem que dar, logo no começo, uma mensagem muito clara que pretende readequar a questão das finanças públicas e retomar o controle sobre o Orçamento, que hoje, em grande parte está na mão do Legislativo.” A seguir os principais trechos da entrevista.

Como o sr. vê a inflação brasileira hoje?

Não se trata de um processo simples, mas intrincado. Tem um componente importado, por conta da guerra (entre Rússia e Ucrânia) e da desarticulação da oferta em virtude da pandemia. Há um componente inercial de indexação ou da memória inflacionária, muito característico do Brasil. E um componente de expectativas internas por um conjunto de fatores, seja de política ou de expectativa econômica, que faz com que alguns agentes comecem a fazer remarcações preventivas (de preço) por causa da incerteza à frente.

A inflação está descontrolada?

Acho que ainda não. Mas é um quadro que gera muita preocupação.

Por quê?

Hoje temos um único instrumento que está sendo utilizado para lidar com esse quadro, que é o aumento de juros, que é a política monetária executada pelo Banco Central. Ele está sozinho nessa cruzada. O governo está muito envolvido na campanha eleitoral e o Orçamento está sendo usado. O pior é que há uma falsa ilusão monetária pelo lado da receita do governo, onde a inflação está fazendo com que se arrecade mais.

Como assim?

Os preços aumentam e muitos impostos são baseados em preços das mercadorias vendidas. Isso, no curto prazo, aumenta a arrecadação. Essa ilusão monetária pelo lado da receita virou quase uma licença para gastar e está se gastando com uma cabeça eleitoreira. Mas, é óbvio que, lá na frente, o gasto do governo vai aumentar também por conta da própria inflação.

Qual é a sua expectativa de inflação para este ano?

Acima de 8%, perigando chegar a 10%. Corremos esse risco porque temos um componente estrangeiro (na inflação) que não controlamos, um componente fiscal que está solto e flutuando em torno da uma questão eleitoral. Também tem o componente da realimentação dos preços.

Até onde o Banco Central deve subir os juros para conter a inflação?

Olhando os núcleos, (da inflação) vemos que a alta de preços é razoavelmente generalizada. Corremos o risco de terminar esse ciclo alta de juros com a Selic perto de 14%.

Quando a inflação voltará para a meta?

Esse é o segundo grande desafio do BC: tentar trazer as expectativas de volta para a meta. Em 2022, a gente está fora e, em 2023, estamos correndo um sério risco.

É factível voltar para a meta em 2023?

Acho mais factível trazer a inflação para a meta em 2024, mas é preciso começar esse trabalho em 2023. O trabalho tem que ser muito forte no sentido de recoordenar as expectativas. Isso vai depender muito do tom do novo governo que teremos a partir do ano que vem. Seja lá quem for eleito, ele tem que dar, logo no começo, uma mensagem muito clara que pretende readequar a questão das finanças públicas, retomar o controle sobre o orçamento, que hoje, em grande parte está na mão do Legislativo. Isso evidentemente não é fácil do ponto de vista político, mas tem que ser feito. Se conseguirmos jogar forte com as expectativas inflacionárias a partir de 2023, retomando o controle do orçamento, estabilizando a relação dívida/PIB, passaremos a ter algo mais racional do ponto de vista do gasto público. Com isso, certamente a gente melhora as expectativas em 2023 e a possibilidade de o Banco Central ancorar (a inflação) em 2024.

O aperto monetário iniciado pelo banco central dos Estados Unidos, o Fed, tem impacto na inflação brasileira?

A alta dos juros nos Estados Unidos pode impactar a inflação brasileira, principalmente pelo câmbio. Quando os juros sobem nos EUA, o dólar se fortalece. Certamente o real sofre em relação a isso. Esse é mais um motivo para que o Banco Central aumente os juros aqui dentro.

Qual é o impacto na atividade de uma Selic que pode chegar a 14% frente uma inflação que pode atingir 10%?

Se, hipoteticamente, a taxa de juros em termos reais for de 4%, é uma notícia ruim para a economia real. No curto prazo, a atividade esfria. Mas se conseguirmos gerar a expectativa de que a inflação será controlada lá na frente, haverá condições melhores até para o crescimento. Paga-se um preço no curto prazo, a atividade esfria, a inflação é controlada. Mas gera-se um ambiente propício para o futuro, com o investimento nacional e estrangeiro voltando. Supondo uma taxa real de juros no Brasil de 4% ou qualquer valor igual, maior ou que seja o dobro da taxa de juros real dos Estados Unidos, é possível atrair capitais de volta ao País, isso se conseguirmos ter um ambiente confiável. Não faltam setores para investir no Brasil. Mas tem que haver confiança. E confiança depende de estabilidade das regras e previsibilidade.

CNN Brasil - SP   06/05/2022

O gigantesco setor de serviços da China acaba de se contrair no segundo ritmo mais acentuado já registrado, à medida que os bloqueios contra a Covid-19 atingem fortemente as empresas.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin (publicação financeira), um indicador observado de perto para avaliar o estado da economia, despencou para 36,2 em abril, de 42 em março, de acordo com uma pesquisa divulgada pela IHS Markit na quinta-feira (5). Uma leitura abaixo de 50 indica contração, enquanto qualquer coisa acima desse indicador mostra expansão.

O setor de serviços responde por mais da metade do PIB do país e mais de 40% de seu emprego. E com os dados da pesquisa mostrando que o setor manufatureiro da China também encolheu no mês passado, a segunda maior economia do mundo retrocedeu em abril.

Embora as condições possam melhorar este mês, à medida que as taxas de infecções por Covid-19 diminuem e as autoridades tentam limitar os danos à economia, grande parte de Pequim acaba de ser colocada sob restrições mais rígidas e alguns economistas agora estão prevendo que o PIB chinês diminuirá no segundo trimestre.

A capital do país fechou efetivamente seu maior distrito, Chaoyang, suspendendo o transporte dentro dele e incentivando 3,5 milhões de moradores a trabalhar em casa como parte de seu mais recente esforço para conter os casos da doença, anunciaram as autoridades locais na quarta-feira (4).

O declínio de quase 6 pontos na atividade de serviços em abril ficou atrás apenas do colapso em fevereiro de 2020, quando a economia da China quase parou enquanto lutava para conter o surto inicial de coronavírus que começou em Wuhan. Naquele mês, o PMI de serviços da Caixin caiu para 26,5 de 51,8 em janeiro.

As empresas da segunda maior economia do mundo já estavam enfrentando o aumento dos custos de energia e matérias-primas, quando os bloqueios para conter o coronavírus prejudicaram ainda mais suas operações.

Também ficou mais difícil para as empresas repassar os preços mais altos aos consumidores, devido ao impacto que as restrições contra a Covid-19 têm na demanda dos clientes. Isso se traduziu em empregos ainda mais baixos.

“Algumas empresas, afetadas pela queda nos pedidos, demitiram trabalhadores para reduzir custos”, disse Wang Zhe, economista sênior do Caixin Insight Group. A medida para o emprego no setor de serviços está abaixo de 50 por quatro meses consecutivos, mostrou a pesquisa.

Os dados vieram poucas horas depois que a China relatou uma queda acentuada nos gastos turísticos para o feriado nacional do Dia do Trabalho.

Os gastos dos turistas foram de apenas 64,7 bilhões de yuans (US$ 9,8 bilhões) durante o feriado de cinco dias, uma queda de 43% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um comunicado do Ministério da Cultura e Turismo na quarta-feira.

As pessoas fizeram 160 milhões de viagens turísticas domésticas durante o feriado, uma queda de 30% em relação ao ano anterior. Os dados novamente destacam como a política de ‘zero Covid’ da China afetou fortemente sua economia.

No sábado (30), as pesquisas do PMI do governo indicaram que as atividades fabris e não manufatureiras caíram em abril para seus piores níveis desde fevereiro de 2020.

“As tendências recentes de mobilidade sugerem que o ritmo de crescimento da China se deteriorou significativamente em abril”, escreveram analistas da Fitch Ratings na terça-feira (3). Eles esperam que o PIB contraia no segundo trimestre, antes que a produção se recupere no segundo semestre.

Os analistas do Nomura também alertaram no mês passado para um risco crescente de “recessão” no segundo trimestre, à medida que os bloqueios, o encolhimento do setor imobiliário e a desaceleração das exportações atingem fortemente a economia.

À medida que a variante Omicron altamente transmissível se espalha rapidamente na China, o país está enfrentando seu pior surto em mais de dois anos.

Até agora, pelo menos 27 cidades chinesas estão sob bloqueio total ou parcial, o que pode afetar até 185 milhões de habitantes em todo o país, de acordo com o último cálculo da CNN.

Isso inclui Xangai – o principal centro financeiro do país e um importante centro de fabricação e transporte. A cidade está fechada desde 28 de março. Embora as autoridades tenham começado a suspender algumas restrições no mês passado, mais de 8 milhões de moradores ainda estão proibidos de deixar seus complexos residenciais.

O governo chinês ainda adere à sua rigorosa política de zero Covid mais de dois anos após o surto inicial – em um momento em que o resto do mundo está aprendendo a viver com a Covid-19. A política envolve testes em massa obrigatórios e bloqueios rigorosos para conter a propagação do vírus.

Mas os custos econômicos estão aumentando.

Muitos economistas rebaixaram suas metas de crescimento do PIB da China para este ano, citando riscos da política de zero Covid. No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento da China para 4,4%, bem abaixo da meta oficial do governo de cerca de 5,5%.

Nos últimos dias, os líderes chineses tentaram repetidamente tranquilizar o público sobre como consertar a economia. O presidente Xi Jinping pediu na semana passada uma onda de gastos em infraestrutura para promover o crescimento. E o Politburo do Partido Comunista prometeu na sexta-feira  “medidas específicas” para apoiar a economia da internet.

Agência Brasil - DF   06/05/2022

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 8,14 bilhões em abril, informou a Secretaria do Comércio Exterior, do Ministério da Economia, nesta quinta-feira (5). Os bens exportados somaram US$ 28,9 bilhões e os bens importados, US$ 20,7 bilhões.

Em termos de valor exportado, foi o maior já registrado para o mês de abril em toda a série histórica. Mesmo assim, o superávit ficou menor do que em abril do ano passado, quando registrou US$ 10 bilhões.

Um dos fatores que impulsionaram o resultado no mês passado foi o aumento de quase 20% no preço dos produtos exportados pelo país, principalmente as commodities agrícolas. Em termos de volume de produtos exportados, houve uma queda de 8% nos embarques.

No acumulado do ano até abril, as exportações totalizam US$ 101,185 bilhões e as importações, US$ 81,238 bilhões, com saldo positivo de US$ 19,947 bilhões, valor 10,5% maior do que o do mesmo período do ano passado.

De janeiro a abril deste ano, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) ficou em US$ 182,424 bilhões, 25,5% superior ao mesmo quadrimestre de 2021.

Setores

Comparado com abril do ano passado, houve crescimento no valor das exportações da agropecuária, que registrou 12,7% (US$ 48,73 milhões).

Os produtos com as maiores variações positivas no preço foram milho não moído, com 655,4% de aumento (US$ 10,43 milhões na média diária), café não torrado, com aumento de 53,8% (US$ 12,51 milhões na média diária), trigo e centeio, com 359.555,5% de aumento (US$ 2,90 milhões na média diária) e soja, com 7,1% (US$ 23,52 milhões na média diária).

A indústria de transformação registrou crescimento de 35% nas exportações em abril, na comparação com abril do ano passado, totalizando US$ 202,31 milhões a mais no valor embarcado.

Os produtos com maior destaque no setor foram óleos combustíveis de petróleo (57,2% com aumento de US$ 23,76 milhões na média diária); carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (72,1% com aumento de US$ 21,56 milhões na média diária); farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais (55,4% com aumento de US$ 18,58 milhões na média diária); e carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (44,1% com aumento de US$ 12,07 milhões na média diária).

Na indústria extrativa, houve queda de US$ 34,02 milhões (10,2%) na comparação com abril de 2021.

Em relação às importações, houve crescimento de 33% na compra de produtos agropecuários (US$ 6,31 milhões); crescimento de 58,1% da compra de produtos da indústria extrativa (US$ 27,52 milhões) e aumento de 35,5% nas aquisições de produtos da indústria de transformação (US$ 257,56 milhões), comparados a abril de 2021.
Estimativa

O Ministério da Economia manteve a previsão de que o superávit comercial este ano será de US$ 111,6 bilhões. As projeções do governo são de que as exportações somem US$ 348,8 bilhões, alta de 24,2% na comparação com o ano passado (US$ 280,8 bilhões), e que as importações de produtos somem US$ 237,2 bilhões, uma alta de 8,1% em relação 2021 (US$ 219,4 bilhões).

O Estado de S.Paulo - SP   06/05/2022

Sem meios para frear os preços internacionais, afetados pela guerra de Vladimir Putin e pelos cortes de produção chinesa no combate à covid, o Banco Central (BC) tenta conter a inflação brasileira elevando os juros ao nível mais alto em cinco anos. Os benefícios poderão ser modestos em 2022 e mais sensíveis em 2023, mas os custos para o crescimento econômico tendem a ser imediatos. Não há, no entanto, alternativas visíveis neste momento para o combate ao surto inflacionário, já intenso antes da invasão da Ucrânia.

Na décima alta consecutiva, anunciada na quarta-feira, a taxa básica subiu 1 ponto e chegou a 12,75% ao ano, mas ficará aí por pouco tempo. Um novo aumento em junho já foi apontado como “provável” pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do BC, em nota divulgada após a última reunião. No próximo ajuste, a taxa alcançará 13,25%, segundo a aposta dominante no mercado, e há quem preveja 13,50%. Mas ninguém tem base para dizer se o aperto do crédito vai parar nesse ponto ou continuar aumentando.

Não há sinal de trégua por parte do BC. O aperto poderá ficar mais suave, mas a intenção declarada é continuar “avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, segundo a nota. A estratégia será mantida, promete o Copom, até se alcançarem dois objetivos, a reversão do impulso inflacionário e a “ancoragem das expectativas” em torno das metas oficiais. Notas anteriores citaram o compromisso com esses objetivos.

Em 2022, a inflação, estimada em 7,3% pelo BC e mais perto de 8% pelo mercado, ainda passará bem acima do teto da meta, fixado em 5%. No ano passado a meta era de 5,25% e os preços aumentaram 10,03%. Em 2023, o número final, estimado em 3,4% no informe do Copom, poderá ficar bem perto do centro do alvo, de 3%.

Também na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adicionou 0,5 ponto porcentual a seus juros básicos, elevando-os para a faixa de 0,75% a 1% ao ano. A inflação americana atingiu 8,5% nos 12 meses até março, a maior taxa desde 1981. Novos aumentos de juros poderão ocorrer, segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, mas ele descartou variações de 0,75 ponto.

Essa ressalva diminuiu tensões no mercado, mas, ainda assim, o aperto monetário nos Estados Unidos limita o espaço de ação do BC brasileiro. Com taxas mais altas na maior potência econômica mundial, qualquer afrouxamento no Brasil poderá resultar em indesejável saída de dólares, com mais efeitos inflacionários no País.

Incapaz de frear a inflação internacional, o Copom também é impotente em face de alguns importantes fatores inflacionários internos, como os desmandos eleitoreiros do presidente Jair Bolsonaro e a gastança promovida ou favorecida por parlamentares. Parte desses problemas é visível nas pressões por aumentos salariais de várias categorias do funcionalismo, desatadas pelo presidente ao prometer reajustes a grupos por ele selecionados. Essas pressões, até com greves, são componentes das incertezas e riscos apontados pelo BC.

Globo Online - RJ   06/05/2022

O Brasil voltou a ocupar uma incômoda posição no ranking juros reais: o país tem a maior taxa, descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses. Os juros reais no Brasil, já considerando a alta de 1 ponto percentual da Selic, anunciada nesta quarta pelo Banco Central, são de 6,69%, segundo o ranking mundial de juros reais elaborado pelo portal pelo portal MoneYou e pela gestora Infinity Asset Management.

Até fevereiro passado, o Brasil aparecia no topo do ranking. Mas acabou sendo ultrapassado pela Rússia, em março, quando o país fez uma forte elevação dos juros, para 20% ao ano, com objetivo de conter os danos financeiros causados pelas sanções ocidentais impostas ao país com o início da guerra na Ucrânia.

Mês passado, porém, a Rússia cortou a taxa de juros para 14% ao ano, muito próximo da inflação do país, o que deixa a taxa de juros real dos russos muito baixa.

- Com isso, o Brasil voltou ao topo da lista. Tivemos uma das maiores elevações de juros no mundo e em alta velocidade - explica o economista Jason Vieira, da Infinity Asset Management, lembrando que a taxa de juros reais na Rússia está em 1,36% atualmente.

Com a alta da inflação global, mesmo com algumas elevações de juros, a maioria dos países passou a apresentar taxa real de juros negativas. No ranking de 40 países, 55% mantiveram, 40% elevaram as taxas e 5% cortaram.

Para chegar ao valor dos juros reais, o ranking considera a taxa de juros do depósito interbancário (DI) de um ano, com vencimento em maio de 2023, e desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses, de 5,91%, na pesquisa Focus do Banco Central, no caso brasileiro.

O Brasil está à frente de países como Colômbia (segunda colocada com taxa de juros reais de 3,86%), México (terceiro colocado e taxa de 3,59%), Indonésia (quarta colocada e juros reais de 2,39%) e Chile (quinto colocado com juros de 1,84%), mostra o levantamento. A Rússia aparece em sexto lugar.

Em termos nominais (ou seja, sem descontar a inflação), o Brasil está na quarta colocação, atrás da Argentina (taxa de juros nominais de 47% ao ano), Rússia (14% ao ano) e Turquia (14% ao ano).

Infomoney - SP   06/05/2022

Depois de ter elevado a Selic – a taxa básica de juros da economia – em 1 ponto percentual nesta quarta-feira (4), o Banco Central está mais próximo de encerrar o atual ciclo de aperto monetário. Para Luiz Fernando Figueiredo, sócio da gestora Mauá Capital e ex-diretor de política monetária do BC, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve fazer mais uma alta de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em junho, e terminar com a taxa aos 13,25% ao ano.

Com a elevação de ontem, a Selic chegou a 12,75% ao ano, maior patamar dos últimos cinco anos.

“Tem aí um certo jogo de expectativas, porque a gente não para de ter surpresas com a inflação”, disse ao InfoMoney. No entanto, considerando que a perspectiva é de que o aumento dos preços arrefeça nos próximos 12 meses, juros de 13,25% ao ano já seriam bastante altos. Na visão de Figueiredo, com uma inflação em torno de 5,5% nos próximos 12 meses, a taxa nesse patamar seria “juro pra burro”.

“São juros muitíssimo acima dos juros neutros, que devem ser de inflação mais 3%, talvez inflação mais 4%, sendo mais pessimista. Então, dá conta do recado sim”, afirmou.

Para o economista, a curva de juros futuros – que reflete as expectativas do mercado para as taxas nos próximos meses – de longo prazo “tem prêmio demais”. “Ela embute juro real demais. Se minimamente a gente trouxer a inflação pra perto da meta nos próximos anos, essa curva tem que fechar muito”, avalia.

Em comunicado divulgado após a decisão de ontem, o Copom indicou que o ambiente externo seguiu se deteriorando e as pressões inflacionárias decorrentes da pandemia se intensificaram, com uma nova onda de Covid-19 na China. A elevação de juros em economias desenvolvidas aumentam as incertezas e geram volatilidade adicional para os países emergentes. Com essa justificativa, apontou para um novo ajuste, em menor magnitude, na próxima reunião.

Foi uma mudança de tom em relação ao que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, defendeu após a reunião de março. Em mais de uma ocasião, demonstrou que o desejo da autoridade monetária era de encerrar o ciclo agora, em maio, com a Selic aos 12,75% ao ano.

“O Banco Central tinha dito claramente: vou parar depois da alta de um ponto de maio, e assim eu encerro o ciclo de aperto monetário – a não ser que o cenário mude. Acontece que o cenário mudou”, avaliou Figueiredo. No comunicado de ontem, diz o economista, o BC “deixou a porta aberta, com uma probabilidade maior de fazer um ajuste adicional, muito provavelmente de cinquenta pontos”.

Para o economista, dado o diferencial de taxa de juros entre o Brasil e o resto do mundo, a tendência é de que o câmbio volte a apreciar, como ocorreu no primeiro trimestre e em parte do mês de abril. Isso mesmo diante do ambiente de incertezas na economia global, agravado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. “Os principais produtos que o Brasil vende subiram de preço, então o nosso balanço de pagamentos melhorou bastante em função desse choque, principalmente por conta das commodities”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   06/05/2022

A possibilidade de o Brasil registrar, pelo segundo ano seguido, uma inflação acima de 10% começou a entrar no radar dos economistas. A possibilidade vem crescendo em meio aos persistentes impactos da guerra na Ucrânia, dúvidas sobre o efeito da política de "covid zero" na China nas cadeias produtivas, aumento dos juros nos Estados Unidos e o espalhamento das altas de preços no Brasil. Além disso, o cenário eleitoral no Brasil também aparece como fator de pressão adicional.

Se isso de fato acontecer, será a primeira vez, desde o início do Plano Real, que o País teria inflação de dois dígitos por dois anos seguidos - no ano passado, ficou em 10,06%. Com esse cenário, a taxa de juros básica, que foi elevada pelo Banco Central nesta quarta-feira, 4, para 12,75% ao ano, teria provavelmente de subir acima dos patamares hoje projetados e se manter alta por mais tempo. E começam a voltar também os temores de inércia inflacionária e indexação, "doenças" da época da hiperinflação em que as altas de preços passadas acabavam se refletindo nos preços futuros e mantendo a inflação em alta.

O banco BNP Paribas foi o primeiro a elevar, oficialmente, a projeção de IPCA em 2022 para 10% - o dobro do teto da meta. "Esperamos pressão dos mesmos setores, mas com impacto mais forte e duradouro", disseram Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina do BNP, e Laiz Carvalho, economista para Brasil da instituição, em relatório. "E esperamos que parte dos aumentos de preços em 2022 afetem a inflação de 2023." A projeção do BNP Paribas para o IPCA fechado no ano que vem subiu de 4,5% para 5% (o teto da meta no ano que vem é de 4,75%).

Segundo Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, a probabilidade de o IPCA atingir dois dígitos em 2022 aumentou de 10% para 30% nos últimos dois meses. Ela atribui o risco crescente à mudança de dinâmica da inflação.

"Há alguns meses, imaginávamos que essa inflação mais elevada tinha a mesma característica de 2021. Hoje, vemos uma situação diferente, com espalhamento preocupante e núcleos afetados, sem a evolução esperada para os itens que o BC tem maior condição de controlar", diz. "Nossa expectativa atual para o IPCA 2022 está em 8,4%, mas pode chegar a um patamar até mais elevado que o de 2021. É uma possibilidade que não é remota."

João Fernandes, economista da Quantitas, elevou, nos últimos dias, a projeção de IPCA de 2022 de 8,8% para 9%, e alertou que os riscos ainda são para cima. Um novo reajuste de preços de combustíveis por parte da Petrobras, por exemplo, adicionaria até 0,2 ponto porcentual à estimativa.

"Nós temos ficado, ao longo de todo esse ciclo, na banda superior das projeções de inflação, mas algumas coisas vêm se materializando em um sentido ainda mais de alta do que o esperado", diz Fernandes. Entre as pressões sobre o IPCA o economista cita os aumentos de vestuário, devido à alta do algodão no mercado internacional, além de reajustes acima do esperado para distribuidoras de energia e das altas de passagens aéreas.
Preços dos alimentos

De acordo com o BNP Paribas, a principal pressão virá de alimentos, cuja taxa deve ter a maior variação de preços em 2022, de 17%. Mas o banco estima ainda impactos vindos do petróleo, de problemas na cadeia de suprimentos mundial e da expectativa de aceleração da atividade de serviços no Brasil.

"O impacto de alimentos é por conta de vários fatores. Com a guerra - e sua continuidade - acaba tendo impacto na produção de trigo para o mundo e na demanda por outros grãos. Já vemos preços mais altos de milho, trigo. Tem pressão sobre combustíveis. Uma outra preocupação é com a política de 'covid zero' na China, que tem elevado custos com fretes, enquanto há portos parados", diz Laiz Carvalho, do BNP Paribas.

Na XP Investimentos, as projeções para o IPCA são atualmente 7,4% para 2022 e 4% para 2023, mas o economista-chefe, Caio Megale, admite que uma taxa de 9% este ano é um cenário bastante plausível, mesmo com a Selic alcançando 13,75% em junho.

Megale cita riscos para cima na projeção de preços de alimentos, de serviços, sustentado pela reabertura econômica e programas de antecipação de renda do governo, no setor industrial, com os lockdowns na China, e também em preços administrados, com os reajustes anuais nas distribuidoras rodando em torno de 20%.

"Quando começa a apertar item por item, só tem risco para cima. Não vamos mexer na projeção ainda. Mas, fazendo uma pequena análise de sensibilidade, o 7,4% vira 9% muito fácil", diz. "Se escorregar para faixa 9% de fato, a projeção para 2023 não vai ficar em 4%. Pode colocar mais 0,5 ponto a 1 ponto. Já fica muito no limiar da banda de tolerância ou até talvez acima", diz Megale, sobre o teto da meta de 4,75% no ano que vem.
Efeito das eleições

Loureiro, da Trafalgar, também reconhece risco para cima para o IPCA em caso de uma tensão eleitoral que leve a um aumento mais forte do dólar. Em 2023, o economista espera um IPCA próximo de 4%, mas também vê a chance de um nível maior, a depender da política econômica e fiscal adotada pelo próximo governo. O economista lembra que os dois líderes das pesquisas já sinalizaram perspectivas de flexibilizar o teto de gastos.

"O tema é: vai ser quase inevitável falar de mais impostos, mas qual é o apetite do Congresso e da sociedade para aceitar isso? Esse é um cenário que pode contaminar mais as expectativas e levar a uma convergência da inflação para patamares mais altos", afirma.

Carla Argenta, da CM, acrescenta ainda que medidas de cunho populista do governo, como o aumento do Auxílio Brasil e programas robustos de curto prazo, acabam minimizando os efeitos da política monetária no combate à inflação. "Quando analisamos sob essa perspectiva, quase não existem vetores que fariam a gente enxergar um arrefecimento inflacionário mais significativo", afirma.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   06/05/2022

Os contratos futuros de minério de ferro e aço da China subiram nesta quinta-feira (5), depois que o banco central do país disse que tomaria medidas de política monetária para ajudar as empresas atingidas pelo surto de Covid-19 e apoiar uma recuperação no consumo.

Retornando de um intervalo de cinco dias do feriado do Dia do Trabalho, os traders também estavam otimistas que a demanda de reabastecimento permaneceria forte para o ingrediente siderúrgico no maior produtor de aço do mundo.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian da China encerrou as negociações diurnas em alta de 1,9%, a 871,50 iuanes (US$ 131,74) a tonelada.

O contrato tocou 881,50 iuanes no início da sessão, o maior nível desde 25 de abril.

O Banco Popular da China prometeu na última quarta-feira “não perder tempo planejando ferramentas políticas incrementais para apoiar o crescimento econômico estável, estabilizar o emprego e os preços para fornecer um ambiente monetário e financeiro justo”.

As observações, sem detalhes, vieram depois que um órgão decisório do Partido Comunista prometeu na semana passada apoiar a economia.

Tais promessas podem funcionar bem para reforçar a confiança, mas analistas dizem que quaisquer ganhos de mercado podem não ser sustentáveis na ausência de planos claros.

A implementação de medidas adicionais de estímulo tornou-se mais urgente em meio às duras restrições contra a Covid-19 na China, disseram analistas.

O vergalhão de aço na Bolsa de Futuros de Xangai subiu 1,2%, enquanto a bobina laminada a quente ganhou 1,3% e o aço inoxidável subiu 1,5%.

O carvão metalúrgico de Dalian caiu 0,2%, enquanto o coque avançou 0,6%.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   06/05/2022

A Caoa Chery anunciou nesta quinta-feira, 5, que sua fábrica de Jacareí (SP) ficará fechada até 2025, período em que vai ser remodelada para produzir veículos elétricos e híbridos. Boa parte dos 627 funcionários da unidade serão demitidos e receberão indenização extra, segundo informou a empresa.

As indenizações serão negociadas com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. A entidade afirma que a empresa falou em 485 demissões, número que inclui todo o pessoal da produção e cerca de metade da administração. A fábrica produzia o SUV Tiggo 3x, que sairá de linha, e o sedã Arrizo 6, que passará a ser importado.

Como os funcionários da produção estão em licença remunerada desde 21 de março, nenhum carro foi produzido desde então. O presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, chamou os trabalhadores para um assembleia nesta sexta-feira, 6, às 10h, para discutir medidas para evitar a suspensão das atividades da fábrica.

O grupo pretende ampliar a produção da unidade de Anápolis (GO), onde são produzidos os SUVs Tiggo 5x, Tiggo 7x e Tiggo 8. A empresa afirma que vai eletrificar todos os modelos de suas das marcas a partir de 2023.

"A empresa está atenta às demandas globais em relação à mobilidade sustentável e assume o compromisso com o Brasil e seus consumidores de eletrificar todos os modelos de seu portfólio", afirma em nota.

O grupo fundado pelo empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, falecido em agosto do ano passado, aos 77 anos, informa que a adaptação da unidade de Jacareí terá como parâmetro os processos produtivos flexíveis já adotados na fábrica de Anápolis (GO), que já tem capacidade para produzir veículos híbridos.

Diz também que a suspensão dos processos industriais em Jacareí será compensada pela ampliação da produção em Anápolis, que está sendo preparada para lançamentos no segundo semestre. Com isso, mantém sua meta de comercializar 60 mil unidades no mercado nacional neste ano.
Plano de investimento

O investimento para os novos projetos está incluído no plano de R$ 1,5 bilhão para o período de 2021 a 2025. O grupo informa que será pioneiro no desenvolvimento e produção de veículos “verdes” no País.

O movimento da companhia ocorre em um momento em que a chinesa Great Wall passa a operar no Brasil com projetos de fabricação de carros eletrificados na fábrica adquirida da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP). A BYD, outra chinesa que já produz ônibus elétricos em Campinas (SP), está ampliando sua oferta de automóveis movidos a eletricidade por enquanto importados.

A fábrica de Jacareí foi construída pela chinesa Chery, que depois teve metade das ações adquiridas pela Caoa, e divide a produção de modelos dessa marca e da coreana Hyundai com a fábrica goiana.

A empresa afirma que a ação “faz parte da transição tecnológica da Caoa Chery que visa aumentar sua competitividade no âmbito nacional e internacional , seguindo um dos maiores movimentos tecnológicos da indústria automotiva mundial com forte foco no mercado brasileiro”.
Capacidade produtiva

Gonçalves afirma que a entidade desconfia da declaração da empresa de que retomará atividades em 2025 e afirma que a entidade "não vai aceitar o fechamento da fábrica". Ele lembra que o terreno onde a Chery está instalada foi doado pela Prefeitura, que será procurada para discutir a decisão da empresa.

O sindicalista também lembra que, no ano passado, a empresa contratou 280 funcionários com planos de produzir 40 mil veículos neste ano, ante 14 mil em 2021. A planta tem capacidade para 50 mil unidades ao ano, mas, desde sua instalação na cidade, em 2014, nunca atingiu esse volume. "O maior volume foi o do ano passado."

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   06/05/2022
Incorporador argentino prevê que preços do mercado imobiliário vão subir bastante

- Foto: Lula 

De paletó azul marinho, calça cinza, camisa azul e sapatos mocassim, o argentino Jorge M. Pérez, de 72 anos, sente-se em casa na sala de estar decorada pelo arquiteto Carlos Rossi. Enquanto se dirige para a mesa na qual o almoço será servido, o incorporador comenta com os filhos - Jon Paul, de 37 anos, e Nicholas, de 33 - sobre a valorização de um artista plástico que ajudou a incluir no acervo do Museu Reina Sofia.

“Uma obra dele acaba de ser vendida por US$ 5,5 milhões”, informa, omitindo o nome do artista. “Sabem quanto paguei por um trabalho dele com o dobro do tamanho? US$ 600 mil, US$ 600 mil!” Para o museu madrileno, ele doou há três anos uma série de obras avaliadas em US$ 1 milhão, além de US$ 500 mil destinados à expansão do acervo. À indiferença dos filhos, Pérez reage com um autoelogio: “Uau, eu sou bom em comprar arte”.

Em seguida, pede uma Coca-Cola para o garçom ao lado e dá início a este “À Mesa com o Valor”, realizado numa quinta-feira luminosa de abril. O local escolhido para o almoço, que começa por volta das 13h40, confere um quê teatral para o encontro. A sala em que estamos, afinal, integra o estande de vendas do Parque Global, complexo imobiliário do qual a incorporadora do argentino, o Related Group, é sócia.

Jorge Pérez diz que São Paulo está barata quando comparada a outras grandes cidades — Foto: Silvia Zamboni/Valor

O cômodo parece uma extensão da simulação, ao lado, de um dos apartamentos em construção. As roupas que se avistam no closet e nos armários desse imóvel, decorado pelo arquiteto Dado Castello Branco, pertencem a um morador hipotético - uma das camas sustenta um trompete dentro de um estojo. E vale o mesmo para os objetos que decoram a sala escolhida para a entrevista. Como estamos no térreo, tudo o que a janela descortina é o canteiro de obras de uma das cinco torres residenciais.

A comida que chega à mesa de quatro lugares não vem da requintada cozinha decorada por Castello Branco, mas de outra, a metros dali, que só funciona quando o estande promove eventos ou recebe convidados ilustres. O almoço é assistido por garçons e também por assessores que, postados ao redor, aumentam o ar de encenação.

Mas nada disso parece afetar a conversa, da qual Jon Paul e Nicholas participam praticamente só como ouvintes - o primeiro preside o Related Group desde 2020 e o caçula ocupa a vice-presidência desde 2022. CEO da empresa, fundada em 1979, o pai ganhou o apelido de rei dos condomínios de Miami. Um dos imigrantes mais ricos dos Estados Unidos, ele tem uma fortuna de US$ 1,7 bilhão, segundo a “Forbes”.

Em frente ao rio Pinheiros, entre a ponte do Morumbi e o Parque Burle Marx, o Parque Global é um marco na internacionalização do Related Group. Tido como um dos maiores projetos imobiliários da América Latina, espalha-se por um terreno de 218 mil m2 - quase um terço da área do Jockey Club de São Paulo.

A fase de número 1 do empreendimento, com entregas a partir de 2023, envolve as cinco torres residenciais, que têm 47 andares. Praticamente todos os apartamentos dos três primeiros edifícios já foram vendidos e do quarto restam só 20%. As menores unidades da última torre, a Imperial, cujas vendas começaram em abril, têm 166 m2 e custam a partir de R$ 3,3 milhões. As maiores, as penthouses e os duplex, com direito a piscina privativa e até 597 m2, chegam a R$ 19,3 milhões.

Um dos atrativos mais alardeados do complexo é a futura área verde, de 58 mil m2, pouco maior que o terreno do estádio do Pacaembu. A área de lazer incluirá piscinas, quadras de beach tennis, squash e tênis, pistas de boliche, academia, simulador de golfe, wine bar e circuito para corridas com 1,6 km de extensão, entre outras opções.

A fase 2 do complexo, que deverá ser finalizada em 2024, envolve um shopping center vizinho às torres - a empresa responsável pelo centro de compras ainda não foi definida. A fase derradeira, cujas obras devem se estender até o mesmo ano, consiste na construção de um complexo pensado para abrigar faculdades, escritórios e um hospital - o operador é mantido em sigilo.

O projeto pertence ao grupo paulistano Bueno Netto, que atua nos ramos de construção e incorporação, e ao Related Group, que possui um braço local, comandado pelo empresário Daniel Citron (a empresa de Pérez só é sócia da parte residencial, com 50%). O custo do empreendimento não é revelado, só o valor geral de vendas, de R$ 11,5 bilhões.

Ele será interligado a uma estação da Linha Ouro do Metrô, que em algum momento vai ligar o Morumbi ao Aeroporto de Congonhas - o governo estadual diz que as obras desse trajeto encontram-se “em reprogramação”. De sua parte, o Parque Global fará uma passarela de 330 metros sobre o rio Pinheiros, conectando o futuro centro de compras à estação de trem Granja Julieta, na outra margem. Na extensão de seu terreno, o empreendimento vai adicionar três novas pistas à marginal do rio Pinheiros.

No ano passado, os construtores formaram um consórcio com três empresas para transformar a margem do rio voltada para o empreendimento em um parque linear. O trecho concedido pelo governo estadual tem 8,2 km de extensão e deverá ganhar acessos, pista de caminhada, ciclovia, cafés e banheiros. São previstos R$ 50 milhões de investimento nos próximos cinco anos.

Com a promessa de entregar os primeiros apartamentos em 2016, o empreendimento foi lançado três anos antes. Em 2014, no entanto, as obras foram embargadas a pedido do Ministério Público, que viu problemas no processo de licenciamento ambiental.

Em sua sentença, o juiz Adriano Laroca alertou para o fato de os órgãos ambientais terem liberado a derrubada de dezenas de árvores nativas. “O licenciamento ambiental dado pela Cetesb, por suas características técnicas, em juízo preliminar, não promove a remediação ambiental da área”, decretou.

O projeto também provocou a ira de moradores do entorno, a exemplo da arquiteta Helena Caldeira, que em 2014 presidia a Associação Morumbi Melhor. “Não queremos essa verticalização por aqui, a região pode virar um novo Campo Belo”, declarou ela na época. “Essa é a última faixa de mata nativa que existe entre a represa do Guarapiranga e o rio Pinheiros. Não pode ser transformada em jardins particulares.”

Diante das ameaças à conclusão do projeto, parte dos compradores iniciais também acionou judicialmente o Parque Global, que diz ter ressarcido todos eles. Até a suspensão do embargo, em 2020, após uma batalha jurídica que chegou à terceira instância da Justiça, cerca de 280 pessoas haviam adquirido apartamentos no complexo. Desse grupo, quase 70 voltaram a fechar negócio quando o empreendimento foi relançado.

“O motivo do embargo foi muito frívolo, nunca vimos nenhuma base legal para o processo desencadeado, pois já tínhamos obtido todas as licenças ambientais”, diz o incorporador argentino, em inglês, o idioma usado durante toda a conversa. “Mesmo assim, foi preciso gastar mais de US$ 3 milhões com a nossa defesa em uma briga injusta.”

Depois diz que, ao longo da batalha jurídica, jamais cogitou pular fora do negócio. “Nunca perdemos fé no projeto, que não tem paralelo em São Paulo”, justifica. “Fizemos um lançamento muito bem-sucedido lá atrás e outro similar quando recomeçamos. Não, não me arrependo de ter investido aqui de forma alguma.”

Chegam a salada e as entradas (mix de folhas com figo, noz-pecã e lascas de parmesão; mussarela de búfala com tomates assados e manjericão; e queijo brie derretido com mel trufado e pistache), e ele continua a se derramar em elogios ao Parque Global.

“Acho que esse vai ser um dos projetos mais bonitos de São Paulo”, acredita. “Não me vejo como um construtor de edifícios, mas como um construtor de comunidades. Fui atraído, primeiramente, pela magnitude do empreendimento, capaz de influenciar a maneira como a cidade progride. No passado, os edifícios de São Paulo eram construídos colados uns nos outros, com janelas pequenas e poucos atrativos. Queria mudar isso. Este complexo não tem apenas edifícios que descortinam a cidade, ele dispõe de metros e metros a céu aberto para que os moradores convivam em segurança.”

Depois diz o seguinte, emendando uma risada: “Eles não vão precisar sair daqui para nada. Poderão se divertir no complexo, trabalhar, namorar e até ir a um hospital se ficarem doentes”.

Quando faz uma pausa, digo a todos para ficarem à vontade para começar a comer, o que ninguém havia feito até então. Pérez aproveita a deixa para apontar para o pedaço de brie que lhe serviram e perguntar: “O que é isso?”. A resposta parece contentá-lo.

Como pratos principais, a cozinha expede ravióli com recheio de mussarela de búfala; stinco com arroz; e abóbora cabotiá, abobrinha, berinjela, mandioquinha, rabanete, cenoura e minimilho, tudo cozido. O entrevistado come rapidamente. Quando o garçom retira os principais, informa que não vai querer sobremesa sem nem saber do que se trata - mil-folhas e mousse de chocolate.

Pérez diz que o Parque Global vai melhorar a cidade. “Empreendimentos do tipo, com espaços a céu aberto e empregos e shopping ao lado, desestimulam os moradores a entrar em carros, que poluem o meio ambiente”, diz. “E quanto mais você gasta com a construção de um edifício, mais bonita fica a cidade. As pessoas viajam para Paris ou Londres por causa da beleza das construções antigas dessas metrópoles. Quero que as construções daqui virem marcos de São Paulo.”

Questionado se vê alguma solução para as favelas - Paraisópolis, uma das maiores da capital, não fica muito longe -, diz que o tema está muito acima de sua faixa salarial. “Infelizmente, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na Europa, a distância entre os muito ricos e os muito pobres cresceu”, observa. “Garantir moradia acessível para a população é muito difícil. Demanda somas vultosas do governo e empregos que paguem bem. Se eu tivesse solução para isso, fariam de mim presidente do mundo.”

A conversa então envereda para a escalada global dos custos da construção civil - como a compra de aço, por exemplo. “Nos últimos dois anos, os gastos do setor subiram 30% nos Estados Unidos e no Brasil foi bem parecido”, reclama. “As rupturas nas cadeias de suprimento provocadas pela pandemia e, agora, pela guerra na Ucrânia, aumentaram os nossos custos e vão continuar aumentando por mais um ano, no mínimo. E esses aumentos serão repassados para os consumidores. Mas estamos diante de um impasse. Porque se subimos os preços, para manter nossa margem de lucro, menos pessoas podem comprar.”

Conta em seguida que o Related Group, com mais de 70 projetos em execução, suspendeu as obras de alguns na esperança de que os custos voltem aos patamares de antes da pandemia. Com sede em Miami, onde Pérez mora, a incorporadora já ergueu mais de 100 mil condomínios e apartamentos, a maioria no sul da Flórida. Totalizam 1,5 milhão de m2 construídos e renderam mais de US$ 50 bilhões. Fora dos Estados Unidos e do Brasil, a companhia também atua no México, na Argentina e no Panamá.

Ele não enxerga riscos na alta da construção civil em São Paulo, que está verticalizando centenas de quadras de bairros como Pinheiros e Vila Madalena. “A cidade tem compradores suficientes para tantos lançamentos, e é por isso que o Parque Global tem ido tão bem”, acredita. “Em algum momento, porém, o surgimento de novos produtos como o nosso vai depender do crescimento da classe média brasileira.”

Ele sustenta, no entanto, que São Paulo está barata, comparada a outras grandes cidades de fora do país. “Os preços de um empreendimento como este em Miami são três ou quatro vezes maiores”, diz ele, que está à procura de terrenos para novos espigões paulistanos. “Com o passar do tempo, os empreendimentos imobiliários de São Paulo terão aumentos significativos.”

Já tiveram. “Quando começamos a fazer o Parque Global, o metro quadrado estava estimado em R$ 12 mil. O da última torre custa R$ 20 mil, em média. E a expectativa é que os preços subam de 20% a 30% quando as outras fases do empreendimento estiverem concluídas. Na região da Faria Lima o metro quadrado chega a custar R$ 50 mil.”

Filho de cubanos exilados, o argentino cresceu em Bogotá, na Colômbia, que trocou pelos Estados Unidos no fim dos anos 1960. Cidadão americano desde 1976, graduou-se em planejamento urbano na Universidade de Michigan. “Nos Estados Unidos, você é julgado pelo que realiza. Na América Latina, você é julgado por pertencer a essa ou aquela família”, declarou certa vez. “Sinto-me profundamente em dívida com os Estados Unidos. Embora eu saiba que há preconceito e intolerância, experimentei muito pouco ou nada disso em minha carreira.”

Fundou o Related Group em parceria com o incorporador americano Stephen M. Ross. Inicialmente, a companhia apostava em imóveis mais acessíveis, pouco a pouco substituídos por condomínios verticais luxuosos como o modernoso Icon Brickell, em Miami, projetado pelo escritório Arquitectonica e com design de interiores do francês Philippe Starck. É um dos dois projetos que o entrevistado cita quando é instado a apontar o seu favorito, entre os que tirou do papel.

O outro é o chamativo St. Regis, na mesma cidade, ainda em execução - com apartamentos que partem de US$ 2,9 milhões, é obra do arquiteto americano Robert A. M. Stern. “Acho que vai ser considerado um dos edifícios mais bonitos de Miami, o que me deixa extremamente orgulhoso”, justifica. “Mas gosto muda com o tempo.”

Em 2005, Pérez apareceu no ranking dos mais ricos da “Forbes” pela primeira vez. No mesmo ano, por pouco não deu um passo que poderia ter colocado a companhia em maus lençóis. Em parceria com o ator George Clooney e o empresário Rande Gerber - marido da modelo Cindy Crawford -, começou a tirar do papel um complexo de US$ 3 bilhões em Las Vegas, o Las Ramblas, com direito a hotel, cassino e residências. Quando Pérez fez as contas, porém, constatou que sairia no prejuízo e pulou fora.

Outro ex-sócio ilustre do entrevistado é Donald Trump, de quem foi amigo próximo até a chegada dele à Casa Branca. Apesar de ter apoiado publicamente a campanha de Hillary Clinton - e de ter acompanhado Barack Obama na histórica visita deste, como presidente, a Cuba, em 2016 -, Pérez foi convidado para ocupar dois cargos no governo do republicano.

Recusou os dois convites e também um terceiro: Trump quis que ele construísse o famigerado muro entre os Estados Unidos e o México. “Quando estiver terminado, de que lado eu estarei?”, ironizou na época o imigrante, publicamente. Sobre o projeto, declarou o seguinte: “É a coisa mais idiota que já ouvi na minha vida”.

Daí para romper todos os laços com o republicano foi um pulo. “Fomos muito próximos, vivemos bons momentos com nossas famílias, mas nossas visões políticas são muito diferentes”, diz o entrevistado, que, por causa dos negócios, costumava ser chamado de Donald Trump dos trópicos.

“Trump errou completamente ao propor a construção do muro, ao tentar acabar com o Obamacare, ao sair do Acordo de Paris e ao falar coisas boas a respeito do senhor Putin, que é um ditador completo e criminoso de guerra”, avalia. “Senti-me obrigado a expressar as minhas opiniões por meio da imprensa, e por causa disso a nossa amizade acabou.”

Faz em seguida uma breve avaliação do governo de Joe Biden, em quem votou. “Foi um centrista a maior parte da vida e acho que está posicionado um pouco demais à esquerda”, diz. “O Biden propôs programas muito necessários para combater o aquecimento global, garantir habitação acessível e assistência médica para os pobres.”

Depois lembra que a cisão entre democratas e republicanos aumentou como nunca, o que torna a aprovação das propostas de Biden no Congresso mais difícil. “Mas ainda é muito cedo para julgar seu mandato”, desconversa.

“Gostaria, no entanto, que ele tivesse dado uma resposta mais forte à invasão da Ucrânia, por exemplo, e que fosse mais proativo na aproximação com a América Latina”, argumenta. “A pouca atenção à região abriu espaço para a chegada de investimentos da Rússia e da China nos países daqui. Daí a conversão de muitos a regimes de esquerda. Se ajudasse a promover governos democráticos na região, a presidência de Biden seria mais bem-sucedida.”

Comenta a decisão de aderir ao The Giving Pledge, movimento criado por Bill Gates e Warren Buffett que convoca os endinheirados a doar parte de suas fortunas - deixar como herança não vale. “Acho que os muito ricos têm a absoluta obrigação de devolver algo para a sociedade”, afirma. “Fico muito irritado quando ouço que os latino-americanos não fazem tantas doações como os nascidos em outras regiões, o que é verdade. Por isso, me impus a missão de convencer os mais ricos daqui a contribuir. Para que tenhamos mais paridade econômica e social.”

Quando o encontro caminha para o fim, diz que a parte que mais lhe agrada em seu ofício é a criativa. “Não sou a pessoa mais criativa do mundo, mas sou bom em selecionar e coordenar os gênios que tiram nossos empreendimentos do papel. É o que difere um grande incorporador de um medíocre”, afirma. “No final das contas, minha função é encontrar um grande terreno, visualizar algo para ele e trazer um grande time para executar a minha visão.”

Encerra a conversa falando sobre um de seus assuntos preferidos: arte. Em 2011, ele doou US$ 40 milhões, em espécie e em obras, para o Museu de Arte de Miami - que, em troca, mudou de nome para Pérez Art Museum Miami. Ex-presidente do conselho da instituição, Mary Frank foi uma das vozes contrárias à mudança. “É o Museu de Arte de Miami, não o Museu do Pérez”, criticou na época. “O nome do museu não deveria ser vendido a nenhum indivíduo.”

Em 2019, o argentino montou o centro cultural El Espacio 23, em Miami, cuja principal razão de ser é exibir sua valiosíssima coleção. “Tenho provavelmente umas 300 obras de uns 80 artistas brasileiros”, informa ele, que aproveitou a passagem pelo Brasil para conferir a última SP-Arte. “A cena artística brasileira sempre foi muito forte”, elogia. “Vik Muniz é um dos meus artistas favoritos e Sebastião Salgado e Miguel Rio Branco estão entre os melhores fotógrafos do mundo. Mas ainda há muitos nomes daqui que não descobri.”

PETROLÍFERO

Valor - SP   06/05/2022

Consenso entre os países da organização é de que o cenário é de um mercado equilibrado e que efeitos geopolíticos da guerra da Ucrânia e da continuidade da pandemia continuam afetando o setor

Em reunião realizada nesta quinta-feira (05), os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep +) decidiram manter o ritmo gradual de aumento de produção, de 432 mil barris diários por mês, definidos no ano passado.

Para os países da Opep+, o consenso é de que o cenário é de um mercado equilibrado e que efeitos geopolíticos da guerra da Ucrânia e da continuidade da pandemia continuam afetando o setor.

A decisão do grupo também foi amparada pela boa receita que vem obtendo com os preços altos do petróleo, e que servem de proteção para a Rússia contra as sanções ocidentais.

O aumento incremental para junho está alinhado com o que o cartel, chamado Opep +, concordou no ano passado como parte de um plano para aumentar a produção para níveis pré-pandêmicos. Isso ocorre apesar dos repetidos apelos nos últimos meses dos EUA e de outras grandes nações consumidoras de petróleo para que a Arábia Saudita e outros membros da Opep + aproveitem os milhões de barris de capacidade restante do grupo para bombear mais petróleo para ajudar a controlar os preços.

Para Edward Gardner, economista de commodities da Capital Economics, a Opep+ aumentará a produção de petróleo neste ano, apesar da queda na produção russa. "Mas o grupo não conseguirá realizar plenamente sua expansão de produção planejada. Assim, prevemos que os preços do petróleo permaneçam altos e se estabeleçam em torno de US$ 100 por barril até o final do ano."

O Estado de S.Paulo - SP   06/05/2022

Em apenas dois meses, a prioridade energética do mundo mudou. Petróleo e gás natural deixaram de ser de objetos de transição energética imediata para fontes de energia limpa e passaram a ser matéria de segurança energética.

Nesta quarta-feira, a União Europeia anunciou planos a serem executados em seis meses para embargar o petróleo e o gás da Rússia e, em até um ano, os produtos refinados. A decisão deverá ser ratificada pelos governos do bloco em alguns dias. E, nesta quinta-feira, Lituânia e Polônia inauguraram gasoduto de 500 km destinado a cortar fornecimentos de gás da Rússia.

Antes da guerra, nada menos que 27% do petróleo e 40% do gás natural queimados na União Europeia eram de origem russa. Essa forte dependência se tornou questão delicada de segurança para a União Europeia porque a Rússia mostrou que não é fornecedor confiável. Passou não só a usar petróleo e gás como arma, como, também, passou a usar instrumentos de pagamento para fazer chantagem, na medida em que exige pagamento em rublos para driblar as sanções econômicas que enfrenta.

A decisão da União Europeia e de outros países vizinhos tem altíssimo custo. Vai encarecer seu suprimento energético e exigir mais sacrifícios da população para economizar energia. Ficou inevitável certa queda do PIB de toda a região – o que produzirá impacto sobre toda a economia global. É mais um fator que tende a puxar para cima a inflação mundial.

O pressuposto é o de que essa radicalização das sanções ficará ainda mais insuportável para a Rússia, de Vladimir Putin, que faturou em torno de US$ 120 bilhões em 2021 com esses produtos.

Os ambientalistas radicais já começaram a protestar porque entenderam que foram subvertidos os já avançados cronogramas de substituição da energia fóssil por fontes renováveis. E, também, porque essa decisão obriga os governos da área a trazer de volta fontes poluidoras, como o carvão mineral, ou perigosas, como as usinas nucleares.

Alguém poderia imaginar que essa inversão de prioridades seja temporária, a funcionar apenas enquanto durar a guerra na Ucrânia. No entanto, a percepção mais importante é a de que a excessiva dependência de fornecimento de petróleo e gás da Rússia, o terceiro maior produtor mundial, é obstáculo estratégico de força maior. As receitas com petróleo e gás estão sendo usadas pela Rússia para financiar a expansão de território e, portanto, para ameaçar a soberania de países europeus. E este é fator que tende a tornar permanente a política de redução da dependência energética.

Outra consequência da decisão tomada será o aumento dos investimentos em petróleo e gás em outros países, especialmente nos Estados Unidos. O Brasil pode ser beneficiado com essa diversificação desde que aproveite a oportunidade.

Valor - SP   06/05/2022

Petroleira espera fechar ao menos um contrato no mercado livre em 2022

Magalhães, presidente da petroleira: “Temos conversado com empresas de comercialização e armazenamento” — Foto: Divulgação

A petroleira independente PetroRecôncavo está negociando contratos de fornecimento de gás natural com clientes no Nordeste, tendo em vista a abertura do mercado no Brasil e o aumento dos preços do gás natural liquefeito (GNL) no mercado internacional com a guerra na Ucrânia.

Segundo o presidente da companhia, Marcelo Magalhães, há, por exemplo, conversas em andamento para acordos para suprimento interruptível, ou seja, de volume fixo baixo e com possibilidade de entregas maiores a depender da demanda do cliente. “O preço de gás no mercado internacional está muito alto e esse tipo de contrato, que não é de base, nos permite monetizar eventuais volumes de produção excedente, a preços mais próximos do mercado de curto prazo. Para o cliente, é uma condição melhor do que o GNL do exterior. Temos conversado com empresas de comercialização e armazenamento, por exemplo”, diz.

A empresa espera fechar ao menos um contrato no mercado livre em 2022. A PetroRecôncavo tem acordos de suprimento com distribuidoras, como Potigás (RN), PBGás (PB) e Bahiagás (BA). Para Magalhães, o fato de a empresa ter produção integrada na Bacia Potiguar e na Bacia do Recôncavo ajuda a garantir o fornecimento. “Conseguimos nos posicionar como o maior fornecedor privado de gás natural do Nordeste. Muitos estão batendo à nossa porta querendo fechar contratos”, afirma.

Em paralelo, a companhia anunciou esta semana que foi selecionada em um consórcio em conjunto com a Eneva para as negociações exclusivas no processo de aquisição do Polo Bahia Terra, parte do programa de venda de ativos da Petrobras. Magalhães classifica a área como a mais atrativa de todo o processo de desinvestimentos da estatal entre os ativos terrestres.

Segundo o presidente da PetroRecôncavo, caso as empresas concluam o processo de aquisição, pode haver possibilidade de desenvolver projetos de produção de gás integrada à geração de energia elétrica (conhecidos como “gas-to-wire”) na região. Até o momento, a PetroRecôncavo não tem projetos desse tipo, mas a Eneva já aplicou o modelo em áreas na Bacia do Parnaíba e na Bacia do Amazonas.

“Eneva e PetroRecôncavo têm complementariedades. Vamos avaliar essa possibilidade, que em algumas circunstâncias pode fazer sentido. O governo tem feito leilões de reserva de capacidade de energia elétrica, por exemplo, e, nesse caso, ter uma reserva de gás própria acaba se tornando muito atrativo para esse tipo de projeto”, afirma Magalhães.

A PetroRecôncavo obteve lucro de R$ 401,8 milhões no primeiro trimestre de 2022, frente ao prejuízo de R$ 12,9 milhões em igual período de 2021. A receita líquida nos três primeiros meses deste ano foi de R$ 703,5 milhões, alta de 186,2% na comparação anual. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 414,7 milhões, 215,1% maior.

O diretor de controladoria da empresa, Lucas Neves, aponta que a entrada da companhia no mercado de gás ajudou nos resultados. O segmento de gás foi responsável por 37% das receitas do trimestre, resultado também do fornecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP) a distribuidoras do “gás de cozinha”. “Tivemos novas formas de monetizar o gás e isso levou ao crescimento da receita de gás e dos subprodutos”, diz Neves.

O crescimento nos resultados financeiros também reflete o aumento da produção de petróleo e gás. A PetroRecôncavo produziu 19,45 mil barris de óleo equivalentes por dia (boe/dia) no primeiro trimestre, alta de 67,8% na comparação anual. Esse foi o primeiro trimestre completo em que a companhia contou com a produção do campo de Miranga, na Bacia do Recôncavo, comprado nos desinvestimentos da Petrobras.

Magalhães diz que a companhia pode ter interesse em avaliar a compra do Polo Urucu, na Bacia do Solimões, caso a Petrobras abra novo processo de venda, depois que encerrou sem sucesso negociações com a Eneva.

Globo Online - RJ   06/05/2022

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) informou nesta quinta-feira que pretende promover leilões para vender o gás que é produzido nos campos do pré-sal que foram concedidos no regime de partilha.

A PPSA foi criada para comercializar a parte do petróleo e gás natural que pertence à União nos campos dentro do polígono do pré-sal. Há alguns anos a estatal já vem vendendo petróleo atrávés de leilões.

Agora, a PPSA já está consultando informalmente as petroleiras potencialmente interessadas no gás natural da União para entender as principais demandas e formatar sua estratégia comercial.

Segundo a PPSA, a ideia é promover um processo competitivo no segundo semestre deste ano. Neste primeiro momento, a PPSA oferecer o gás dos campos do Entorno de Sapinhoá, de Búzios e da Jazida Compartilhada de Tupi. Essas três áreas já têm gasodutos ligando os campos até a costa.

No comunicado, a PPSA diz que "a ideia inicial é possibilitar que as empresas comprem o gás natural na boca do poço". Ou seja, uma fonte explicou que esse gás poderá ser oferecido às petroleiras que já têm contratos de acesso com a Petrobras para usar parte do espaço desses gasodutos (a Rota 1 e a Rota 2).

Outra hipótese em estudo é que a PPSA tenha a possibilidade de contratar o escoamento e entregar o gás natural ao comprador na saída do duto de escoamento, já em terra. Mas a Petrobras também pode comprar esse gás se ela toiver interesse.

Com o início da operação do gasoduto chamado Rota 3, a PPSA pretende incluir a comercialização do gás natural da União dos campos de Sépia e Atapu. Isso, pelas contas da PPSA, vai permitir comercializar uma produção de cerca de 200 mil metros cúbicos por dia no próximo ano, o dobro do volume previsto neste ano.

Mas, para Rivaldo Moreira, CEO da consultoria Gas Energy, os volumes são pequenos, o que não traz impacto grande para o mercado. Para ele, há duvidas sobre a recorrência desses volumes.

- Esse gás vai estar disponível por quanto tempo? É um gás firme? A questão é por quanto tempo esse gás estaria disponível? É por um ano, um mês ou dia? A PPSA estaria entregando esse gás por quanto tempo? Não está definido como esse acesso será feito. Parece que, embora a medida seja positiva, estamos longe de um modelo que possa gerar efeitos em preço para o mercado consumidor.

Ele destacou que Sapinhoá e Tupi foram os primeiros campos do pré-sal e já estão em produção.

- O problema aqui não é a infraestrutura nem para processar nem trasportar esse gás. A dúvida é se a PPSA vai fazer leilão só para as empresas que já têm acesso negociado com a Petrobras não só no gasoduto como nas UPGNs ou se vai abrir para as outras companhias. Aí, elas teriam que negociar condições de acesso - ressaltou Moreira.

Bruno Armbrust, da ARM Consultoria, diz que a inciciativa é interessante "se tiver capacidade de escoamento e processamento".

- Importante o gás ser dirigido ao mercado livre.

Valor - SP   06/05/2022

Segundo o plano, o Departamento de Energia solicitará ofertas ainda neste ano para comprar 60 milhões de barris de petróleo, que serão entregues em um "momento futuro"

O governo dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que iniciará o processo de reabastecimento dos estoques estratégicos de petróleo do país a partir de setembro, após liberar uma quantidade recorde de barris para conter o preço dos combustíveis.

Segundo o plano, o Departamento de Energia solicitará ofertas ainda neste ano para comprar 60 milhões de barris de petróleo, que serão entregues em um "momento futuro", quando os preços do barril deverão estar significativamente mais baixos.

Para conter a alta dos preços dos combustíveis, o presidente americano, Joe Biden, anunciou recentemente que liberaria 180 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos EUA ao longo de seis meses.

A Casa Branca espera que, ao divulgar o plano para adquirir os barris quando os preços estiverem mais baixos, ajude a incentivar a produção doméstica de petróleo no curto prazo, reduzindo o risco de que as cotações caiam muito no futuro.

Biden tem tentado fazer com as empresas americanas aumentem a produção de petróleo, mas os produtores relutam em ampliar as extrações devido à volatilidade nos preços causada pela guerra da Rússia contra a Ucrânia.

A secretária de Energia, Jennifer Granholm, disse em comunicado que o governo deve ser "estratégico" ao reabastecer sua reserva emergencial, assim como foi ao decidir liberar os 180 milhões de barris para conter os preços.

Os republicanos criticaram o plano da Casa Branca para conter os preços dos combustíveis, dizendo que a liberação da reserva estratégica deixa os EUA vulneráveis a futuras crises de energia.

Associe-se!

Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.

INDA

O INDA, Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, é uma Instituição Não Governamental, legalmente constituída, sem fins lucrativos e fundada em julho de 1970. Seu principal objetivo é promover o uso consciente do Aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema Siderúrgico Brasileiro como um todo.

Rua Silvia Bueno, 1660, 1º Andar, Cj 107, Ipiranga - São Paulo/SP

+55 11 2272-2121

contato@inda.org.br

© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.

TOP