ESQUECEU A SENHA?

Seja bem-vindo ao INDA!

Olá, seja bem-vindo
ao INDA!

05 de Abril de 2022

SIDERURGIA

Valor - SP   05/04/2022

Reajustes na casa dos 20% devem ser divididos em duas parcelas e começaram no dia 1º do mês

O mercado brasileiro de aços planos começa abril com um forte reajuste, na casa dos 20%. Novos aumentos, nos próximos meses, vão depender de uma série de fatores - da evolução das cotações do minério de ferro e do carvão (insumos cruciais), preços do aço no exterior, valorização do real frente ao dólar e futuro da guerra da Rússia na Ucrânia.

De acordo com avaliações de especialistas ouvidos pelo Valor, há um cenário de “imprevisibilidade” grande neste momento. O dólar a R$ 4,70 seria um fator para reduzir o prêmio entre aço importado e o nacional. Mas a moeda americana vai se desvalorizar mais? Ou, por quanto tempo ela pode se manter no atual patamar?

No dia 1º de abril, tanto CSN quanto Usiminas aplicaram os reajustes que vinha prometendo, de 20%. Será em duas vezes. A CSN começou com 12,5% e na segunda quinzena vai subir os 7,5% restantes. A siderúrgica mineira começou com 15% - os outros 5% virão 15 ou 20 dias depois.

A CSN, informou Luiz Fernando Martinez, diretor-executivo comercial, vai reajustar toda linha (laminados a quente e a frio, zincados, pré-pintados e longos), com exceção de folhas metálicas.

Usadas na fabricação de embalagens, como latas de tintas, de alimentos e outras, as folhas metálicas terão aumento de 7,5% no início de maio, disse Martinez.

A ArcelorMittal, que faz material plano em Serra (laminado a quente) e em São Francisco do Sul (laminado a frio e galvanizados), aplica a partir de hoje os mesmos percentuais de CSN e Usiminas, também distribuidos em duas parcelas, informou executivo da área de distribuição.

A Gerdau também decidiu fazer reajuste em seus laminados a quente e chapas grossas, mas ainda não informou detalhes do percentual e se será parcelado.

Os mercados consumidores que sofrerão reajustes são a construção civil, indústria (máquinas e equipamentos, bens eletrodomésticos, implementos agrícolas, tubos, autopeças e outros) e a rede de distribuição (que vende aço no varejo).

As montadoras de automóveis têm datas específicas de aumento do aço que compram - uma, ou duas vezes, por ano. A CSN, por exemplo, vai acertar reajuste em julho, informou Martinez. A previsão é na casa dos 15%.

“Vai ser uma pancada no nosso negócio, considerando que o mercado nacional já está todo abastecido”, disse uma fonte da rede de distribuição. O segmento é responsável por cerca de um terço do aço plano comercializado no país.

O mercado global de aço, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, dois produtores e exportadores de aço relevantes, teve choque de alta de preços desde o início do conflito. O choque de preços atingiu desde gás e petróleo até trigo e fertilizantes, além de aço, metais de base e matérias-primas como carvão.

As placas de aço, material semiacabado para fazer produtos laminados, saíram de US$ 600 a tonelada para a faixa de US$ 1.150 a US$ 1.180. Isso se deveu ao aumento do carvão, que praticamente dobrou de preço, indo a próximo de US$ 700 a tonelada. O minério ganhou alta na faixa de US$ 30 desde o início da guerra. “Toda cadeia setorial do aço foi impactada e não conseguimos ver um cenário de reequilíbrio da oferta e dos preços tão cedo”, comenta Martinez.

O preço da bobina a quente (BQ) - material de referência do mercado de aço - na China está entre US$ 880 e US$ 900 a tonelada. E praticamente não há disponibilidade para importar. Os chineses estão ocupando mercados europeus que eram das usinas russas e ucranianas.

A mesma BQ na Europa é comercializada na faixa de US$ 1.480 a tonelada, enquanto nos EUA - considerado o melhor mercado, hoje, para placas e laminados - chegou a US$ 2 mil, mas recuou para um patamar de US$ 1.560.

“Estamos, na CSN, exportando todo volume possível de BQ para nossa controlada em Portugal, a Lusosíder. Ela está substituindo material vendido, principalmente na Itália, que era feito com matéria-prima (placas) oriunda da Ucrânia”, disse o executivo.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   05/04/2022

A carga tributária bruta do governo geral – que inclui o governo federal, estados e municípios – somou 33,90% do PIB em 2021, de acordo com dados do Tesouro Nacional divulgados nesta segunda-feira. Essa é a maior carga tributária em relação ao PIB registrada na série histórica do Tesouro, que começou em 2010.

A arrecadação com tributos e impostos somou R$ 2,94 trilhões. O número representa um avanço de 2,14 pontos percentuais do PIB em relação ao registrado em 2020, que havia sido de 31,76%.

De acordo com o Tesouro, o comportamento foi influenciado pela reversão de incentivos fiscais que foram concedidos durante a crise da Covid-19 e também pelo crescimento econômico de 2021, sobretudo pela retomada das atividades de comércio e serviços.

A série histórica do Tesouro Nacional começa em 2010. Naquele ano, a carga tributária bruta foi de 32,79% do PIB. Em 2011, o número avançou para 33,05% do PIB e desde então vinha caindo. O menor patamar havia sido registrado em 2020.

A maior parte dos quase R$ 3 trilhões arrecadados foi para os cofres do governo federal. A União recebeu R$ 1,951 trilhão, o que representou um avanço de 1,53 ponto percentual (p.p.) em relação ao PIB na comparação com o volume arrecadado em 2020.

Os estados receberam R$ 789 bilhões, avanço de 1,55 p.p. em relação ao PIB, e municípios R$ 202,3 bilhões, crescimento de 0,06 p.p..

O Tesouto explica que na arrecadação federal, houve um aumento relevante das receitas com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), que cresceu 0,78 p.p. do PIB, e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), que avançou 0,26 p.p. do PIB. Esse aumento é explicado porque houve incremento real de arrecadação em três frentes: na estimativa mensal (37,96%), no balanço trimestral (68,24%) e no lucro presumido (19,82%).

A arrecadação do IOF também avançou 0,27 p.p. do PIB. Isso é explicado pela restauração das tributações de operações de crédito, que tiveram as alíquotas zeradas entre abril e dezembro de 2020.

Para os estados, pesou o aumento de 0,59 p.p. do PIB na arrecadação do ICMS. Já nos municípios houve estabilidade na arrecadação relacionada a serviços. O ISS avançou 0,06 p.p. do PIB.

Infomoney - SP   05/04/2022

A economista-chefe do banco Credit Suisse, Solange Srour, notou um aumento do interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil. A subida das taxas de juros e a inflação alta no mundo todo atraíram a atenção para os países emergentes.

A leitura é de que eles podem se beneficiar dos preços mais altos das matérias-primas e dos produtos agrícolas – as chamadas commodities. Só nos primeiros meses do ano, a Bolsa brasileira atraiu R$ 64 bilhões em capital estrangeiro. Mas, segundo a economista, o Brasil poderia receber uma parte maior do capital que está sendo deslocado no mundo.

O que impede a entrada mais forte de recursos são as dúvidas sobre a economia a partir de 2023, sem clareza sobre a política econômica que será adotada pelo próximo governo. A visão é de que o mercado poderia estar indo melhor. “Do portfólio global que está sendo deslocado para o Brasil, a gente está falando de menos de 2% ou 3% do total. Pode ser muito maior”, afirma ela na entrevista a seguir.

O que esperar para a economia este ano, com juros elevados e inflação ainda alta? Vai ser um ano em que a economia não deve andar. Deve ficar de lado, à espera do que vai acontecer em 2023. A gente vai ter um cenário um pouco mais claro só após as eleições. Até lá, o debate econômico está paralisado. E não vai se discutir qual vai ser a regra fiscal nova. E esse debate é importante para a confiança do empresariado e para a taxa de juros, que acaba afetando o crédito.

Quais são as suas projeções para o PIB?

A gente estava prevendo uma queda de 0,5% para este ano, mas vamos divulgar uma revisão, com viés para cima, próximo da estabilidade. Apesar das condições atuais, a economia teve uma pequena melhora no primeiro trimestre. Mas não é algo que mude o rumo.

Por que não?

Por conta de um juro real alto, que vai precisar se manter alto por causa do choque de inflação. Não é só o recente aumento das commodities, principalmente petróleo e produtos agrícolas, mas porque a inflação está elevada e espalhada há muito tempo. Isso atrapalha o crescimento. E é um ano difícil para investimentos, por causa da eleições. Apesar de a incerteza eleitoral não estar aparecendo no debate, é difícil haver investimento na economia real.

Por que os mercados ignoram a incerteza eleitoral?

Porque a conjuntura internacional está favorecendo os emergentes. A gente vê uma entrada de capitais na Bolsa elevada, derivada de uma mudança de portfólio, causada pelo aumento dos juros americanos e pelo fato de o Brasil já ter adiantado o processo (de aperto monetário). Outra questão é a guerra. A guerra trouxe um ganho de termos de troca (relação entre o valor das exportações e das importações) para o Brasil e outros emergentes. Setenta por cento da nossa pauta exportadora

Até quando dura esse fluxo positivo de capital?

Pelo perfil de investimentos que a gente está vendo, não é um fluxo de curto prazo. Mas, por mais alto que pareça ser, é uma parcela pequena do portfólio deslocado no mundo, de setores valorizados lá fora. Pode vir muito mais. O Brasil poderia se beneficiar mais desse fluxo. E aí, sim, para o investidor estrangeiro mais de longo prazo, faz a diferença ter um cenário mais claro para 2023. Se o cenário internacional continuar favorável e a gente tiver uma perspectiva mais clara da política econômica em 2023, esse fluxo pode se intensificar.

Qual é o volume de capital que está sendo deslocado?

Do portfólio global que está sendo deslocado para o Brasil, a gente está falando de menos de 2% ou 3% do total. Pode ser muito maior. A gente está vendo interesse do estrangeiro em conversar de novo sobre o Brasil, e sobre setores da economia real. O (capital) que entrou até agora é um gostinho do que pode acontecer.

O que se diz nas conversas?

Os investidores levantam a questão se os juros vão ficar altos por muito tempo. Se existe um problema não só de inflação, mas um problema fiscal mais crônico, que impeça uma queda do juro real. Perguntam não só sobre as eleições, mas qual será a força política do próximo presidente no Congresso, quem quer que ganhe. Porque o importante é não é só manter a agenda econômica, mas aprofundar a consolidação fiscal e aprovar reformas. E sobre as reformas microeconômicas, que são importantes para o investidor que busca um crescimento maior do Brasil.

O interesse não é só pelos setores exportadores?

Neste primeiro momento, tem um interesse pelos setores de commodities e por setores que protejam contra a inflação global. Existe uma visão de que o ciclo de alta das commodities não vai acabar com o conflito da Ucrânia. Vai ser mais longo. Mas existe interesse em entender os setores mais relacionados ao consumo e à infraestrutura, e setores que se beneficiariam de um crescimento econômico maior. Esse interesse aumentou porque o Brasil e vários emergentes ficaram para trás na valorização dos ativos pós-pandemia. A gente ficou barato. Agora, o quão barato a gente está é o que eles querem entender. E só dá para responder isso sabendo qual vai ser a agenda dos próximos anos.

IstoÉ Online - SP   05/04/2022

O recente aumento nos preços de alimentos e combustíveis está intensificando a pressão sobre os governos de todo o mundo para pagar a conta dos consumidores, pesando sobre já precárias finanças públicas e agravando a instabilidade política nas economias mais abaladas.

Assustados pelos protestos que eclodiram recentemente de Bangkok à Sicília, muitos governos adotaram subsídios ou isenções fiscais para proteger famílias e empresas dos preços em alta. No entanto, os repasses estão aumentando a já alta dívida, no momento em que os custos dos empréstimos estão subindo.

Na Europa, o ataque da Rússia à Ucrânia fez com que os preços da gasolina e do diesel dessem seus maiores saltos desde os choques do petróleo da década de 1970, em um cenário de inflação já galopante.

No mês passado, agricultores gregos dirigiram seus tratores ao Ministério da Agricultura em Atenas para exigir ajuda. Na Sicília, caminhoneiros em protesto interromperam as entregas de alimentos, incluindo as das famosas laranjas da ilha italiana. Na Espanha, caminhoneiros em greve causaram escassez de alimentos em algumas áreas e levaram empresas como Danone e Heineken a alertarem sobre cortes de produção.

Também em março, a França evitou uma greve semelhante com um pacote de ajuda de 400 milhões de euros, que inclui pagamentos diretos a caminhoneiros. Na Espanha, os grevistas rejeitaram um pacote de ajuda governamental de 500 milhões de euros por ser muito pequeno. A Alemanha divulgou recentemente pagamentos em dinheiro aos contribuintes, passagens de transporte público com grandes descontos e um teto temporário para a gasolina e o diesel.

Todas essas despesas extras se juntam a três anos de aumento dos gastos públicos relacionados à pandemia. Os governos dos 19 países da zona do euro provavelmente terão déficits orçamentários de cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em média este ano, em parte devido a novos subsídios, segundo a Capital Economics.

Para os mercados emergentes em particular, o custo dos cofres públicos muitas vezes esgotados também é um problema. As economias emergentes devem refinanciar dívidas no valor de cerca de US$ 7 trilhões este ano, acima dos US$ 5,5 trilhões em 2021.

Economistas dizem que os países asiáticos estão em melhor forma para enfrentar o choque inflacionário da guerra do que em crises anteriores, com finanças públicas mais sólidas e menor dependência de capital estrangeiro. Alguns, como Malásia e Indonésia, são exportadores líquidos de commodities. Receitas mais altas dessas exportações podem ajudar a financiar subsídios sem abrir grandes buracos em seus orçamentos, dizem os economistas.

Globo Online - RJ   05/04/2022

A guerra na Ucrânia agravou problemas que o Brasil já enfrentava desde o ano passado, como o crescimento da inflação e a alta no preço de combustíveis e alimentos, e causou novas preocupações, como a possível escassez de fertilizantes, importados principalmente da Rússia.

A busca por mais autossuficiência das economias e por fornecedores mais próximos são mudanças que já se percebiam com a pandemia e tendem a se acentuar a partir do conflito no Leste Europeu. E, mesmo depois de um acordo e um cessar fogo, as sanções impostas à Rússia tendem a continuar e terão efeitos nas cadeias produtivas e nos sistemas financeiros mundo afora.

Todas essas questões foram discutidas na primeira edição do ano do encontro “E Agora, Brasil?”, com o tema “Os impactos da guerra na Ucrânia na economia brasileira”. O debate reuniu Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente e conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri); o economista Armando Castelar, professor da FGV Direito Rio e do Instituto de Economia da UFRJ; Gustavo Theodozio, vice-presidente de investimentos e controladoria da M. Dias Branco, fabricante de biscoitos, massas e outros alimentos; o senador Jean Paul Prates (PT-RN), relator de dois projetos de lei sobre preços de combustíveis; e Luís Rua, diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O encontro foi mediado pela editora de Economia do GLOBO, Luciana Rodrigues, e por Fernando Exman, chefe da redação da sucursal de Brasília do Valor Econômico. O "E Agora, Brasil?" é realizado pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

Os participantes concordaram com a necessidade de persistir nas medidas do governo de controle da inflação. Mencionaram também a importância do estímulo à produção local.

— Há um consenso de que a inflação vai ser o principal impacto (da guerra). Já vinha alta, corroendo a renda do trabalhador. Lidar com isso é o grande desafio deste ano e provavelmente do ano que vem. E não deve ficar só com o Branco Central. De um lado as commodities altas aumentam a arrecadação pública, o que dá espaço para fazer uma política fiscal que ajudaria a continuar a valorização do real, a mitigar o impacto dos preços que subiram muito lá fora. É importante ter cuidado para não fazer políticas erradas com a desculpa da Ucrânia. É hora de estar vigilante, melhorar o ambiente de negócio e a questão tributária — afirmou Castelar.

Luís Rua mencionou que Rússia e Ucrânia respondem por quase 30% das exportações mundiais de trigo e 15% a 20% do comércio de trigo. O aumento desses preços reflete diretamente no mercado de carne de frango e suína.

— Talvez este seja o primeiro conflito da era da globalização em que duas potências importantes do ponto de vista dos mercados agropecuários estão envolvidas. Os custos de produção têm sido majorados nos últimos tempos, especialmente agora.

Gustavo Theodozio lembrou que o cenário já era de dificuldades:

—A própria pandemia gerou uma instabilidade no mundo e as commodities vêm subindo. Quando a gente achava que o mundo ia ficar um pouco mais tranquilo, surge a guerra. E no Brasil tem eleições este ano. O desafio é ver o que a gente pode fazer em termos de produtividade e eficiência para tentar minimizar os efeitos desse momento conturbado globalmente.

Em comparação a países diretamente afetados pela tragédia da guerra, o Brasil está em posição mais segura, destacou Rubens Ricupero. No entanto, o país está inserido em um cenário estratégico delicado.

— Quanto mais provável for a instalação de uma situação permanente de guerra fria, mais difícil vai ficar a atuação brasileira. É um país dividido: está na área estratégica geopolítica de influência do Ocidente, mas ao mesmo tempo tem trocas comerciais concentradas na China.

Ao comentar o preço dos combustíveis, Jean Paul Prates insistiu em uma nova política de preço do petróleo, em alternativa ao preço de paridade de importação (PPI).

— Há setores industriais que ainda acreditam que ter PPI é vantagem para o Brasil, como se fosse um dogma no livre mercado. Uma soberania inteligente e moderna vai exigir que a gente separe os setores que têm competitividade nata, positiva e construtiva e os que merecem cuidado estatal.A guerra na Ucrânia agravou problemas que o Brasil já enfrentava desde o ano passado, como o crescimento da inflação e a alta no preço de combustíveis e alimentos, e causou novas preocupações, como a possível escassez de fertilizantes, importados principalmente da Rússia.

A busca por mais autossuficiência das economias e por fornecedores mais próximos são mudanças que já se percebiam com a pandemia e tendem a se acentuar a partir do conflito no Leste Europeu. E, mesmo depois de um acordo e um cessar fogo, as sanções impostas à Rússia tendem a continuar e terão efeitos nas cadeias produtivas e nos sistemas financeiros mundo afora.

Todas essas questões foram discutidas na primeira edição do ano do encontro “E Agora, Brasil?”, com o tema “Os impactos da guerra na Ucrânia na economia brasileira”. O debate reuniu Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente e conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri); o economista Armando Castelar, professor da FGV Direito Rio e do Instituto de Economia da UFRJ; Gustavo Theodozio, vice-presidente de investimentos e controladoria da M. Dias Branco, fabricante de biscoitos, massas e outros alimentos; o senador Jean Paul Prates (PT-RN), relator de dois projetos de lei sobre preços de combustíveis; e Luís Rua, diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O encontro foi mediado pela editora de Economia do GLOBO, Luciana Rodrigues, e por Fernando Exman, chefe da redação da sucursal de Brasília do Valor Econômico. O "E Agora, Brasil?" é realizado pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

Os participantes concordaram com a necessidade de persistir nas medidas do governo de controle da inflação. Mencionaram também a importância do estímulo à produção local.

— Há um consenso de que a inflação vai ser o principal impacto (da guerra). Já vinha alta, corroendo a renda do trabalhador. Lidar com isso é o grande desafio deste ano e provavelmente do ano que vem. E não deve ficar só com o Branco Central. De um lado as commodities altas aumentam a arrecadação pública, o que dá espaço para fazer uma política fiscal que ajudaria a continuar a valorização do real, a mitigar o impacto dos preços que subiram muito lá fora. É importante ter cuidado para não fazer políticas erradas com a desculpa da Ucrânia. É hora de estar vigilante, melhorar o ambiente de negócio e a questão tributária — afirmou Castelar.

Luís Rua mencionou que Rússia e Ucrânia respondem por quase 30% das exportações mundiais de trigo e 15% a 20% do comércio de trigo. O aumento desses preços reflete diretamente no mercado de carne de frango e suína.

— Talvez este seja o primeiro conflito da era da globalização em que duas potências importantes do ponto de vista dos mercados agropecuários estão envolvidas. Os custos de produção têm sido majorados nos últimos tempos, especialmente agora.

Gustavo Theodozio lembrou que o cenário já era de dificuldades:

— A própria pandemia gerou uma instabilidade no mundo e as commodities vêm subindo. Quando a gente achava que o mundo ia ficar um pouco mais tranquilo, surge a guerra. E no Brasil tem eleições este ano. O desafio é ver o que a gente pode fazer em termos de produtividade e eficiência para tentar minimizar os efeitos desse momento conturbado globalmente.

Em comparação a países diretamente afetados pela tragédia da guerra, o Brasil está em posição mais segura, destacou Rubens Ricupero. No entanto, o país está inserido em um cenário estratégico delicado.

— Quanto mais provável for a instalação de uma situação permanente de guerra fria, mais difícil vai ficar a atuação brasileira. É um país dividido: está na área estratégica geopolítica de influência do Ocidente, mas ao mesmo tempo tem trocas comerciais concentradas na China.

Ao comentar o preço dos combustíveis, Jean Paul Prates insistiu em uma nova política de preço do petróleo, em alternativa ao preço de paridade de importação (PPI).

— Há setores industriais que ainda acreditam que ter PPI é vantagem para o Brasil, como se fosse um dogma no livre mercado. Uma soberania inteligente e moderna vai exigir que a gente separe os setores que têm competitividade nata, positiva e construtiva e os que merecem cuidado estatal.

O Estado de S.Paulo - SP   05/04/2022

As principais instituições financeiras estão revendo, para cima, suas projeções para o comércio exterior brasileiro. Já há previsões de superávit de US$ 75 bilhões em 2022, bem maior do que os US$ 61,4 bilhões do ano passado. Não há, porém, razões para comemorar esse desempenho. A alimentar essas projeções está a guerra da Ucrânia, que provocou mudanças expressivas e imediatas no mercado mundial de alguns dos produtos mais comercializados. Seus impactos, embora positivos para a balança comercial, são muito mais amplos e, na maior parte dos casos, negativos.

Além dos riscos para a paz mundial e dos dramas humanos expressos nas mortes, sobretudo de civis, e na existência de mais de 4 milhões de ucranianos refugiados, a criminosa invasão da Ucrânia decidida pelo governo russo chefiado por Vladimir Putin resultou em altas de muitos produtos e dificultou o fornecimento ou o fluxo de vários outros. O mundo enfrenta, simultaneamente, pressões inflacionárias e o risco de redução do ritmo de muitas atividades, por escassez de itens como fertilizantes e componentes industriais. Essas consequências chegaram ou estão chegando ao Brasil.

Os números recentes mais do que explicam as projeções para o comércio exterior. Em março, o Brasil exportou US$ 7,383 bilhões mais do que importou. Por causa da alta das commodities, o saldo comercial no mês foi 19,3% maior do que o de um ano antes. No trimestre, o superávit chegou a US$ 11,313 bilhões, 37,6% maior do que o dos três primeiros meses de 2021.

Novos choques de oferta em razão da guerra ou de novas ondas de covid-19 na China não estão descartados. Altas expressivas nas cotações de petróleo, gás natural, trigo, níquel, soja, milho e minério de ferro, entre outros produtos de grande peso no comércio mundial, não dão indicações de que poderão arrefecer no curto prazo. A balança comercial, assim, continuará a registrar resultados muito favoráveis.

Mas outros efeitos da guerra já preocupam setores produtivos no Brasil e ameaçam algumas atividades. O Brasil importa, por exemplo, 85% dos fertilizantes consumidos internamente e que estão na base da produtividade e do bom desempenho do campo nos últimos anos. Do total importado, 25% são de origem russa.

A alta das commodities, de sua parte, pressiona também os preços internos, o que tende a manter o custo da alimentação como um dos itens que pressionam a inflação já alta no Brasil, o que prejudica mais as camadas mais pobres da população. Trigo mais caro implica alta do preço do pão e das massas. A alta do petróleo tem impacto no preço dos combustíveis, o que pressiona o orçamento das famílias e também os custos de produção e transporte de mercadorias.

A alta das matérias-primas já preocupa um terço das indústrias paulistas. Além disso, a guerra fez ressurgir dificuldades de suprimento, que a pandemia havia criado, mas estavam sendo superadas.

Nada disso parece preocupar o governo. Quem o presidente Jair Bolsonaro culpará desta vez?

Investing - SP   05/04/2022

Os juros futuros de médio e longo prazos terminaram a segunda-feira em queda, influenciados pela valorização do câmbio. As taxas curtas ficaram estáveis, após mais cedo ensaiarem realização de lucros a partir da alta nas cotações das commodities. Mesmo com o Copom marcado para daqui a um mês e com os preços das matérias-primas em patamar elevado, a melhora do câmbio acaba por reforçar o plano de voo do Banco Central de apenas mais um aumento da Selic.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular na mínima de 12,62%, estável em relação ao ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2024 terminou em 11,825%, de 11,84%. A do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,159% para a mínima de 11,095%. E a do DI para janeiro de 2027 fechou em 10,855%, de 10,979%.

As taxas se movimentaram num ambiente de liquidez reduzida, como costuma ocorrer às segundas-feiras e com a agenda de eventos e indicadores por ainda se desenrolar nos próximos dias. Na quarta-feira, sai a ata da reunião do Federal Reserve e na sexta-feira, o IPCA de março. Ainda, no exterior, o mercado acompanha a evolução do conflito no Leste Europeu, que continua pressionando para cima os preços do petróleo e das commodities agrícolas diante da expectativa de mais aperto nas sanções contra a Rússia.

Nas mesas de operação, a leitura é que o impacto das commodities na inflação deve ser amortecido pelo câmbio, com o dólar em queda livre e chegando nesta segunda a R$ 4,60. "O dólar cai e a curva vai junto. A Selic deve permanecer ainda por um bom tempo acima de 12%, o que dá para aguentar ainda muito desaforo da inflação", comentou o operador de renda fixa da Mirae Asse Paulo Nepomuceno.

Em sua Carta Mensal, a Greenbay Investimentos afirma que, diante da proximidade do fim de "um grande ciclo de aperto monetário", mantém posição aplicada nos vértices mais curtos da estrutura a termo e comprada em inclinação de juros. "Ainda que o fim do processo de elevação dos juros possa ser adiado na margem, por conta do cenário inflacionário ainda pressionado no curto prazo, acreditamos que ambas as posições deverão performar com a redução da inflação à frente", afirma a instituição, que projeta inflação de 2023, horizonte relevante da política monetária, de 3,3%, muito próximo do centro da meta no ano que vem (3,25%).

Por ora, a greve dos funcionários do Banco Central e a mobilização dos servidores do Tesouro seguem apenas sendo monitoradas, na medida em que operações essenciais têm sido preservadas. O Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal) informou que terá reunião com o secretário de Gestão e Desempenho Pessoal do Ministério da Economia, Leonardo Sultani, nesta terça-feira.

MINERAÇÃO

Valor - SP   05/04/2022

O acordo, assinado em 2012, prevê o transporte de 3,25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano na Hidrovia Paraguai-Paraná

A Hidrovias do Brasil disse nesta segunda-feira que o contrato de transporte fluvial entre a Girocantex, controlada da companhia, e a Mineração Corumbaense Reunida, subsidiária da Vale, continua em vigor, com prazo até março de 2039, com a operação e prestação de serviços sendo realizada normalmente.

De acordo com a empresa, o acordo, assinado em 2012, foi celebrado na modalidade “take or pay” (em que o contratante paga a quantia independente do volume transportado) e prevê o transporte de 3,25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano na Hidrovia Paraguai-Paraná.

“A cessão deste contrato por qualquer das partes, bem como qualquer alteração relacionada à garantidora do contrato, só pode ocorrer com a aprovação prévia da outra parte, nos termos previstos no contrato”, diz a Hidrovias.

Hidrovias do Brasil: Contrato de transporte fluvial entre a Girocantex, controlada da companhia, e a Mineração Corumbaense Reunida, subsidiária da Vale, continua em vigor, com prazo até março de 2039 — Foto: Divulgação

AUTOMOTIVO

Infomoney - SP   05/04/2022

A Tesla (TSLA34), fabricante de Elon Musk, anunciou a entrega recorde de mais de 310 mil veículos elétricos no primeiro trimestre deste ano, um salto de 68% em relação ao mesmo período de 2021. O desempenho superou as expectativas do mercado norte-americano, de 309 mil.

“Este foi um trimestre excepcionalmente difícil devido a interrupções na cadeia de suprimentos e à política de zero Covid da China”, escreveu o fundador da Tesla, Elon Musk, em seu perfil no Twitter. “O excelente trabalho da equipe da Tesla e dos principais fornecedores salvaram o dia”, acrescentou.

A produção da Tesla no primeiro trimestre foi de mais de 305 mil veículos, um aumento de 69% em relação ao mesmo período do ano passado. No comparativo trimestral, porém, foi vista uma queda. Foram produzidos exatos 305.407 veículos elétricos de janeiro a março ante 305.840 unidades nos três meses imediatamente anteriores. A companhia afirmou que enfrentou no período desafios contínuos da cadeia de suprimentos e a paralisação de uma fábrica na China, mencionados pelo seu fundador.

A Tesla informou ainda que divulgou apenas dados preliminares e seus demonstrativos financeiros serão conhecidos no próximo dia 20, quando a companhia publicará o balanço do primeiro trimestre.

“As entregas de veículos da Tesla representam apenas uma medida do desempenho financeiro da empresa e não devem ser consideradas como um indicador de resultados financeiros trimestrais”, explicou.

O Estado de S.Paulo - SP   05/04/2022

A Mercedes-Benz vai suspender toda a produção de veículos e peças entre 18 de abril e 3 de maio em suas duas fábricas no País. Cerca de 5 mil funcionários da unidade de São Bernardo do Campo (SP) e 600 de Juiz de Fora (MG) entrarão em férias coletivas. O motivo, mais uma vez, é a falta de semicondutores para a produção.

Em março, a montadora já havia suspendido os contratos de 600 trabalhadores por 12 dias, até o dia 25. Logo após o retorno deles, outros 600 entraram em lay-off também por 12 dias até 8 até abril. A nova parada ocorre em um momento em que o mercado de caminhões está em alta, enquanto o de automóveis segue em queda.

A fabricante informa que, em razão da crise global de abastecimento de semicondutores, está ajustando sua produção de caminhões, chassis de ônibus e agregados (câmbios, motores e eixos) nas duas fábricas. Em nota, afirma reforçar seu compromisso em atender aos clientes.

“Temos adotado diversas alternativas junto à cadeia brasileira de suprimentos e ao grupo Daimler Truck mundialmente para enfrentar os desafios diários de abastecimento de peças, situação que afeta toda a indústria global”, acrescenta a fabricante.

O coordenador do Comitê Sindical na Mercedes-Benz, Sandro Vitoriano, lamenta que, com a medida, “todo o processo de produção ficará parado neste período e novamente haverá interrupção dos processos de contratações”.

Segundo ele, a empresa havia iniciado processo de contratação em fevereiro, mas foi suspenso no mês seguinte em razão da escassez de peças. “Nossa apreensão é como ficará o cenário no segundo semestre com tantas ncertezas”, diz.

RENAULT TAMBÉM ESTÁ PARADA

Outras fábricas também seguem adotando medidas similares pelo mesmo motivo - a falta de semicondutores que afeta o setor automotivo globalmente há mais de um ano como um dos reflexos da pandemia.

A Renault suspendeu toda a produção de automóveis, comerciais leves e motores no complexo de São José dos Pinhais (PR) durante esta semana e dispensou os 4.5 mil funcionários da área produtiva.

Na Scania, outra fabricante de caminhões e ônibus em São Bernardo, perto de 3,8 mil operários tiveram folgas no dia 1, hoje e terão novamente na segunda-feira, 11.

Já a fábrica da Jeep em Goiana (PE) opera seis dias por semana em três turnos, mas os utilitários esportivos produzidos na unidade (Renegade, Compass e Commander) têm longas filas de espera em razão da insuficiência de itens eletrônicos para atende a demanda. A empresa informa não ter, no momento, previsão de paradas na planta, “mas está sempre monitorando a disponibilidade de semicondutores”.

No primeiro trimestre deste ano, a venda total de automóveis, comerciais leve, caminhões e ônibus somou 402,6 mil unidades, 23,7% menos que no mesmo período do ano passado e 27,8% inferior aos dos três primeiros meses de 2020, pouco antes do estouro da pandemia.

FALTA DE PLANEJAMENTO

Para o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, o anúncio de mais períodos de férias coletivas mostra a falta de planejamento e de debate por parte do governo federal sobre novas tecnologias, inovação e desenvolvimento.

“Esse é um debate antigo que estávamos fazendo no Brasil. Já sabíamos que precisávamos desenvolver alguma parte da cadeia de valor de semicondutores e o que o governo atual fez foi o desmonte do segmento no País. Agora estamos reféns, mais do que nunca, da importação dos semicondutores”, afirma Silva.

CONSTRUÇÃO CIVIL

IstoÉ Online - SP   05/04/2022

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação, sem restrições, da venda da unidade brasileira da Holcim para a subsidiária de cimentos da CSN, segundo despacho no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.

O negócio foi anunciado em setembro do ano passado, por cerca de 1,025 bilhão de dólares.

FERROVIÁRIO

InfraRoi - SP   05/04/2022

Redação (com informações da SIE/SC) – 04.04.2022 – Apenas nos projetos, o Governo do Estado deverá investir cerca de R$ 40 milhões

O governo de Santa Catarina autorizou o lançamento de dois editais de licitação para projetos que criam novas ferrovias no estado. Trata-se do Corredor Ferroviário Catarinense, que ligará Chapecó a Correia Pinto e terá 319 quilômetros de extensão, e a nova Ferrovia Interportos, entre Itajaí e Araquari, com 72 quilômetros de comprimento. Apenas nos projetos, o Governo do Estado deverá investir cerca de R$ 40 milhões.

De acordo com o governo estadual, o custo do transporte ferroviário é até 20% menor que o rodoviário. Segundo o planejamento estratégico para o ano de 2035, Santa Catarina contará com 2,1 mil quilômetros de ferrovias em operação, o que inclui a construção de novos ramais, a recuperação de trechos e a manutenção dos traçados já existentes.

Rodovia no litoral

Além dos editais ferroviários, o governo de Santa Catarina também apresentou o projeto do novo corredor litorâneo. A nova rodovia terá 145 quilômetros de extensão e ligará Joinville a Biguaçu, na Grande Florianópolis, três faixas de rolamento em cada sentido. O investimento para implantação está estimado em R$ 6 bilhões.

Rodoviário

Portos e Navios - SP   05/04/2022

Ligação seca entre Santos e Guarujá (SP) é reivindicação antiga da comunidade portuária local e está no escopo do projeto de desestatização do porto

Foi publicado no Diário Oficial da União o decreto que qualifica os estudos para desenvolvimento do túnel imerso do Porto de Santos no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A implantação e exploração da ligação seca entre os municípios de Santos e Guarujá (SP) faz parte do projeto da desestatização do porto, prevista para acontecer ainda este ano.

Nos estudos a serem contratados, deverão constar aspectos relacionados à definição de tarifas, modelagem jurídica, avaliação de engenharia, projeção de demanda e de tráfego, aspectos socioambientais e avaliação econômico-financeira do projeto.

O resultado será avaliado pelo Ministério da Infraestrutura (MInfra) e depois submetido à participação popular, momento em que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) disponibilizará os documentos para contribuições e esclarecimentos de dúvidas por meio de consulta e audiência públicas.

Em seguida, os documentos serão ajustados e encaminhados para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Com a aprovação da Corte de Contas, a modelagem será submetida ao conselho do PPI e, caso aprovada, os documentos serão encaminhados à agência reguladora para elaboração da minuta do edital para publicação e do contrato de concessão.

A ligação seca entre os municípios de Santos e Guarujá é uma reivindicação antiga da região. A opção do túnel foi escolhida por trazer o menor impacto para a infraestrutura e para as operações do porto organizado.

Na elaboração dos estudos de desestatização, optou-se pela inclusão no contrato de concessão a obrigação do futuro concessionário integrar o valor necessário para a construção do empreendimento, estimado em R$ 3 bilhões.

Diário do Aço - MG   05/04/2022

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DER-MG) lançaram, nesta segunda-feira (4), um pacote de obras rodoviárias de R$ 2 bilhões em investimentos, o Provias vai requalificar trechos da malha mineira com obras de pavimentação, construção de pontes e recuperação funcional das rodovias, informou o governo estadual, destacando que a expectativa é que sejam gerados pelo menos 8 mil empregos diretos e 24 mil indiretos com a execução das obras.

As ações se dividem em dois eixos: recuperação funcional, com objetivo de promover melhorias no pavimento das estradas em pior estado de conservação; e pavimentação e construção de pontes, com foco em viabilizar novas ligações entre importantes regiões de Minas.

No total, serão 55 obras de recuperação funcional em 1.770 quilômetros da malha rodoviária e 44 empreendimentos pavimentações e construção de pontes, que somam cerca de 807 quilômetros.

Dos recursos destinados ao programa, R$ 1,4 bilhão é oriundo do Termo de Reparação assinado com a Vale em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho. Além disso, cerca de R$ 120 milhões têm origem no Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado entre o Governo de Minas e a Fundação Renova. O restante é fruto convênios e emendas parlamentares estaduais e federais, parcerias com empresas e convênios com prefeituras.

O programa ainda tem potencial de adicionar ao PIB mineiro o montante de R$ 1,3 bilhão e aumentar a arrecadação com impostos indiretos em cerca de R$ 225 milhões.

Obras

Um dos exemplos de obras de pavimentação está na LMG-760, entre o Parque Estadual do Rio Doce e o entroncamento para a BR-262, em São José do Goiabal. O empreendimento que está previsto para ser concluído em setembro de 2022 conta com investimento de R$ 128 milhões e tem 57 quilômetros de extensão.

“As ações do Provias vão trazer uma melhora significativa às rodovias mineiras. Grande parte das intervenções já está acontecendo e as demais já têm recurso garantido para serem realizadas”, afirma o secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato.

NAVAL

Construção Latino-americana - SP   05/04/2022

Na primeira desestatização portuária da história, o leilão de três terminais e a assinatura de contratos de arrendamento de sete diferentes áreas vão garantir R$ 2,675 bilhões em investimentos privados nos próximos anos em diversos estados brasileiros.

Os certames e a formalização das concessões ocorreram na última semana, na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.

Respectivamente, a primeira administração portuária a ser alienada pela União, a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), trará R$ 850 milhões em investimentos privados.

Já os terminais leiloados – STS11, PAR32, e SUA07 – terão aporte de R$ 828,7 milhões durante a duração dos seus contratos. Além deles, a assinatura dos sete contratos de arrendamentos de áreas já concedidas pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, garante R$ 997 milhões.

“É um dia histórico, o primeiro leilão de privatização portuária. Estou feliz pelos empregos que serão gerados e pela flexibilidade para a administração portuária”, destacou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele acrescentou que o leilão terá impacto importante na economia do Espírito Santo, “um estado com vocação para ser um terminal de logística, uma ponte para o comércio exterior”.

A Codesa foi arrematada pela empresa Fip Shelf 119 Multiestratégia, que se comprometeu pagar R$ 106 milhões pela outorga.

São R$ 850 milhões em investimentos previstos, sendo R$ 335 milhões em novas instalações e melhorias nos portos de Vitória e Barra do Riacho e outros R$ 515 milhões em obras de manutenção, como de dragagem dos canais de acesso aos terminais. De acordo com o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, o desafio do projeto de privatização da Codesa foi equilibrar uma série de obrigações atribuídas ao concessionário ao interesse público, sem gerar falta de atratividade para a iniciativa privada. “O resultado do leilão confirma que conseguimos encontrar o equilíbrio, com um contrato que atinge o objetivo de política pública com o interesse da iniciativa privada”, disse.

Porto Gente - SP   05/04/2022

A cena do leilão da Codesa representa o discurso do programa da desestatização dos portos. Vencido pela Shelf 119 Multiestratégia, da gestora Quadra Capital, com outorga inicial de R$ 106 milhões, resta adquirir as ações da Codesa por R$ 326 milhões e pagar outros R$ 186 milhões em 25 parcelas anuais. Portogente encaminhou perguntas ao ministério da Infraestrutura sobre este certame e aguarda a resposta, para ampliar esse debate.

Refletindo esse cenário para o processo de desestatização do Porto de Santos, o principal do Brasil, o ministro Tarcísio de Freitas, emocionado e deixando o ministério para ser candidato a governador do Estado de São Paulo, anunciou o leilão para o próximo novembro. Animada com o resultado da Codesa, a Quadra Capital está articulando conversas mirando o complexo portuário santista. Uma iniciativa com oportunidades e bons potenciais.

Sem sombra de dúvida, do jeito que vem sendo administrado o Porto de Santos os resultados desejados e potenciais serão inalcançáveis. Por entender ser a melhor solução, para a produtividade desse porto, para o desenvolvimento regional e para o progresso nacional, Portogente propugna a sua Regionalização. Um processo imediato, atribuindo ao Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp), juntamente com o Conselho de Autoridade Portuária (CAP), a gestão do porto com o mesmo status concedido ao Porto de Paranaguá, pelo ministério da Infraestrutura (Minfra).

Mesmo que tivesse sido concluído o processo de desestatização da Codesa, compará-lo com a privatização da autoridade portuária do Porto de Santos não faz sentido, pelas dimensões e características díspares desses portos. Entretanto, o evento dos portos do Espírito Santo deu mais estímulo ao debate da bastante necessária desestatização dos portos, tão desgastados pela corrupção e incompetência políticas, incompatíveis com a gestão portuária.

Três elementos têm significados no entendimento da complexa e milenar atividade portuária. O capital privado é fundamental, mas não é suficiente. Porto é um processo logístico. A atividade portuária é um fator de desenvolvimento. Neste contexto e espelhado na desestatização da Codesa, convém analisar a condição da Quadra Capital dando o fôlego financeiro, o SOPESP buscando produtividade na operação e o CAP zelando pelos interesses do porto e da sua comunidade, na constituição da Agência de Desenvolvimento do Porto de Santos – ADPS.

O resultado dessa concepção é uma modelagem contemporânea para atrair investidores e cargas, promover produtividade e sustentabilidade, bem como fomentar progresso com equidade. Ou seja, uma outra visão, além da limitada preocupação de privatizar e através de uma gestão inovadora, para vislumbrar as realidades que a sociedade vive.

Portos e Mercados - SP   05/04/2022

Proposta apresentada pelo Executivo ganhou prioridade por ser apensado a outro PL com mesmos objetivos. Tema será apreciado em comissões na Câmara dos Deputados. Praticagem do Brasil afirmou que categoria não foi consultada pelo governo.

O governo apresentou, na última terça-feira (29), um projeto de lei que visa estabelecer a competência da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para atuar na regulação econômica dos serviços de praticagem. O PL 757/2022, que altera a Lei 9.537/1997 (Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário) e a Lei 10.233/2001 (Lei que criou a Antaq), está sujeito à apreciação das comissões temáticas na Câmara dos Deputados. O texto do poder executivo recebeu prioridade, conforme o regimento, porque foi apensado ao PL 4392/2020, de autoria do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), que também trata da regulação da atividade de praticagem pela agência reguladora.

Procurada pela Portos e Navios, a Praticagem do Brasil informou que não foi consultada sobre o projeto de lei do governo federal que passa a regulação econômica do serviço da Marinha do Brasil para a Antaq. “O texto parte da premissa de que a praticagem tem participação significativa nos custos totais de transporte, prejudicando o desenvolvimento da cabotagem, situação que não corresponde aos números”, salientou a categoria em nota. A entidade mencionou que, no ano passado, o transporte de cargas entre portos da costa brasileira cresceu 13,9% segundo dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).
A Praticagem afirmou que os preços praticados no Brasil pela categoria costumam são, na maioria das vezes, inferiores ou no mesmo patamar dos praticados internacionalmente. A entidade citou estudo realizado em 2021 pelo Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que analisou a participação do custo da praticagem na cadeia logística de exportação de soja, principal produto do agronegócio e comparou o preço do serviço em portos com características similares no mundo. A Praticagem ressaltou que o Labtrans possui trabalhos de referência em análises no setor, inclusive para o próprio governo.
O estudo apontou que o valor de R$ 0,66 por tonelada praticado no Porto de Santos é menor do que nos portos de Quequén e Bahía Blanca, na Argentina, e de Norfolk, nos Estados Unidos. A avaliação, segundo a Praticagem do Brasil, é que a representatividade dos serviços dos práticos no valor CFR (custo e frete) da soja exportada é de 0,03%. Já a participação no total dos custos logísticos varia entre 0,11% e 0,18%, enquanto no valor do frete entre 0,36% e 0,54%. “Esses percentuais na cabotagem são ainda menores, já que os preços da praticagem para o segmento são mais reduzidos e as cargas conteinerizadas têm valor agregado superior ao das commodities”, alegou a entidade.
O argumento da praticagem é que as reclamações sobre preço do serviço costumam partir de grupos de armadores estrangeiros e de terminais controlados por esses players, visando diminuir custos de escala para aumentar o lucro da viagem, sem assumir o compromisso de reduzir o frete para o dono da carga. A Praticagem do Brasil alertou que esses grandes armadores também controlam empresas de cabotagem e pleiteiam junto à Marinha isenção desse serviço para navios maiores, o que colocaria em risco a segurança da navegação.
De acordo com a praticagem, a atividade é privada e a interferência do Estado na formação do preço do serviço só deveria ser admitida em situações excepcionais de total desordem de mercado, e por prazo limitado, conforme entendimento pacificado no Supremo Tribunal Federal (STF) após dezenas de ações judiciais. A Praticagem destacou que praticamente 100% das manobras ocorrem após acordos comerciais com os armadores e que a Marinha pode fixar o preço em caráter temporário, a fim de assegurar o atendimento nas situações em que não haja acordo na negociação com os donos dos navios.
A entidade afirmou que, apesar de ser um serviço exercido em regime de exclusividade no mundo inteiro, em razão da segurança da navegação, tanto a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lei 9.537/1997) quanto o decreto que a regulamenta (Decreto 2.596/1998) e a Normam-12 da Diretoria de Portos e Costas (DPC) asseguram instrumentos regulatórios eficientes sobre a atividade.

PETROLÍFERO

IstoÉ Online - SP   05/04/2022

A Petrobras, em continuidade aos comunicados divulgados em 23/9/2016 e 4/4/2017, informa que recebeu nesta segunda-feira US$ 1 bilhão da Nova Infraestrutura Gasodutos (NISA), empresa detida pelo Nova Infraestrutura, fundo de investimentos gerido pela Brookfield e Itaúsa.

O montante, segundo a petrolífera, corresponde à última parcela da venda de 90% das ações da Petrobras na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para o FIP e a Itaúsa. Esta última parcela, de US$ 850 milhões atualizados, já possuía previsão para pagamento em cinco anos após o fechamento da operação, que ocorreu em 4 de abril de 2017.

Investing - SP   05/04/2022

A Exxon Mobil (NYSE:XOM) decidiu nesta segunda-feira investir 10 bilhões de dólares em um quarto projeto de produção de petróleo na costa da Guiana, o maior do país.

A Guiana é uma das principais apostas da Exxon para o crescimento futuro de produção, com previsão de produção de até 1,2 milhão de barris por dia de petróleo e gás até 2027.

A Exxon e os parceiros Hess e CNOOC iniciaram na Guiana em 2019 e são responsáveis por toda a produção no país. Eles descobriram mais de 10 bilhões de barris de petróleo recuperável.

Espera-se que o desenvolvimento Yellowtail da Exxon no bloco Stabroek produza cerca de 250 mil barris de petróleo por dia a partir de 2025. O projeto de 10 bilhões de dólares é um dos até 10 que as empresas planejam instalar na Guiana.

O quarto projeto da Exxon em Yellowtail "fornecerá ao mundo outra fonte confiável de energia para atender à demanda futura e garantir uma transição energética segura", disse Liam Mallon, presidente da empresa de upstream da Exxon.

A decisão final de investimento foi tomada após receber aprovações governamentais e regulatórias na sexta-feira.

AGRÍCOLA

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   05/04/2022

Um serviço que permitirá registrar tratores e máquinas agrícolas entrará em atividade a partir de outubro, por meio do Ministério da Agricultura: o Registro Nacional de Tratores e Máquinas Agrícolas (Renagro).

Segundo nota da pasta, a ideia é que o produtor tenha acesso, gratuitamente, a um documento com registro e diversos dados sobre os equipamentos em sua posse, "garantindo a propriedade do bem e segurança na sua comercialização".

"Se o trator for roubado, as Polícias Federal, Rodoviária Federal e estaduais poderão entrar no cadastro e ajudar na procura", exemplificou, na nota, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

"Se você quiser vender o veículo, terá registrado o ano e também poderá ter acesso a um seguro mais barato."

Ao registrar o trator ou a máquina agrícola, o proprietário terá acesso ao documento Renagro por meio de sistema informacional IDAgro. Além disso, o sistema permitirá alterações sobre a informação de propriedade do registro do trator de forma facilitada e acessível.

Para isso, os fabricantes, os importadores e os agentes autorizados de tratores e de máquinas agrícolas deverão pré-cadastrar as informações relativas aos bens produzidos ou importados na base nacional de tratores e de máquinas agrícolas do Renagro.

A partir daí, um novo proprietário poderá ter seu novo equipamento cadastrado no sistema, após uma simples análise documental.

A diretora de Apoio à Inovação para a Agropecuária do Mapa, Sibelle Silva, explica que, atualmente a falta de um sistema de registro de tratores agrícolas e aparelhos automotores traz dificuldades ao produtor rural tanto na comercialização do bem, com o registro e com os altos custos cartorários, como na contratação do seguro do veículo.

“Com o Renagro, o Mapa passa a atender a legislação, registrando os tratores sem custo para o produtor rural e contribuindo para formulação e fortalecimento de políticas públicas e promoção da inovação no agronegócio”, acrescentou.

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que sejam adquiridos aproximadamente 35 mil novos tratores a cada ano no Brasil.

Associe-se!

Junte-se a nós e faça parte dos executivos que ajudam a traçar os rumos da distribuição de aço no Brasil.

INDA

O INDA, Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, é uma Instituição Não Governamental, legalmente constituída, sem fins lucrativos e fundada em julho de 1970. Seu principal objetivo é promover o uso consciente do Aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema Siderúrgico Brasileiro como um todo.

Rua Silvia Bueno, 1660, 1º Andar, Cj 107, Ipiranga - São Paulo/SP

+55 11 2272-2121

contato@inda.org.br

© 2019 INDA | Todos os direitos reservados. desenvolvido por agência the bag.

TOP