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05 de Março de 2021

SIDERURGIA

Futuros do minério de ferro sobem na China; aço fica estável

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BOL - SP   05/03/2021

Os futuros do minério de ferro avançaram na China nesta quinta-feira e o aço fechou estável, enquanto dados mostravam aumento na demanda por produtos siderúrgicos no país.

Os futuros de referência do minério na bolsa chinesa de Dalian encerraram o pregão com alta de 2%, a 1.175 iuanes por tonelada.

Já o vergalhão de aço para construção na bolsa de Xangai fechou praticamente sem alterações, com elevação de 0,1%, a 4.849 iuanes por tonelada.

A demanda por produtos siderúrgicos na China saltou 24,9% frente à semana anterior, para 9,28 milhões de toneladas, maior nível desde a semana encerrada em 21 de janeiro, mostraram dados da consultoria Mysteel.

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Usiminas intensifica visão estratégica

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Diário do Comércio - MG   05/03/2021

A WayCarbon, empresa mineira especializada em sustentabilidade, elaborou matriz de materialidade para intensificar a visão estratégica da agenda ESG na Usiminas, acompanhada de um roadmap para avanço na gestão, o que culminou na criação de uma Gerência e de um Comitê de Sustentabilidade ligados diretamente à alta direção da empresa

Reconhecida como líder no mercado de aços planos no Brasil, a siderúrgica Usiminas iniciou suas operações em 1962 e possui um dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina. A companhia conta com unidades industriais e logísticas localizadas em seis estados do País e está presente em toda a cadeia de produção – da extração do minério, passando pela produção de aço até sua transformação em produtos e bens de capital.

A empresa foi a segunda indústria siderúrgica do mundo e primeira no Brasil certificada com a ISO 14001, buscando maior produtividade com menor consumo de insumos não renováveis. Em 2018, em continuidade à intensificação de suas iniciativas de sustentabilidade, dentre outras ações, contratou a WayCarbon, empresa mineira especializada em soluções para economia de baixo carbono, para realizar o diagnóstico ESG (Environmental, Social and Governance, em português, governança ambiental, social e corporativa) da Usiminas e seu posicionamento no mercado neste tema.

Por meio dessa parceria, a Usiminas atualizou e redesenhou a sua matriz de materialidade, identificando os temas ESG estratégicos para o negócio e para suas partes interessadas, traçou um roadmap para a gestão ESG, definiu diretrizes para orientar a atuação da companhia e alinhou suas práticas de transparência à Norma GRI, internacionalmente reconhecida.

Assim, em 2019, a WayCarbon desenvolveu esse trabalho com o apoio dos principais stakeholders da Usiminas, que apontaram as ações necessárias para a integração holística de práticas ESG na companhia, contando também com a solução Climas, voltada tanto à gestão dos indicadores quanto à elaboração dos relatórios de sustentabilidade que a companhia disponibiliza publicamente.

“Nossa solução Climas contempla a descentralização da coleta dos dados como emissão de GEE, consumo de água e geração de resíduos, realizada de forma coletiva na Usiminas, oportunizando a gestão de atividades com foco na melhoria contínua de desempenho em ações para a sustentabilidade e compliance da companhia ao facilitar o acompanhamento das ações e a criação de planos de ação”, avalia a gerente de estratégias da WayCarbon, Mônica Árabe.

“A agenda ESG, obviamente com outras roupagens, sempre esteve na história da Usiminas. No início, nossa preocupação com o meio ambiente e social nos levou a criar a Fundação São Francisco Xavier, entidade filantrópica voltada à educação e saúde com sede em Ipatinga (Vale do Aço). A cidade se desenvolveu em conjunto com a nossa unidade e para a qual contribuímos com um plano de urbanização que respeitasse os índices de área verde, estratégicas para preservação da qualidade de vida das pessoas”, relembra o gerente geral corporativo de sustentabilidade da Usiminas, André Chaves.

Chaves diz que, a partir da matriz elaborada pela WayCarbon, a Usiminas redesenhou seu plano de ação de melhoria contínua em sustentabilidade. Também criou a Gerência Geral Corporativa de Sustentabilidade, que responde diretamente ao CEO da companhia, além de estruturar o Comitê de Sustentabilidade, que conecta todos os diretores da empresa e demais lideranças com o viés multidisciplinar que a pauta demanda.

“Na Usiminas, a alta liderança está sempre envolvida no processo decisório da área de sustentabilidade. Com o apoio da WayCarbon, ajustamos nossa matriz de materialidade, passo importante na identificação dos temas relevantes que agora estão sendo executados com apoio direto da alta administração e compartilhados com toda a companhia”, explica.

O tema da inovação e visão de futuro estão fortemente conectados à Agenda de Sustentabilidade da Usiminas. “Sempre digo que a área de sustentabilidade precisa estar conectada com o presente, mas com os olhos no futuro. Nossa agenda é fruto de um diálogo muito forte com clientes, investidores, comunidades e colaboradores. Todas as necessidades de melhorias e inovações que buscamos vão ao encontro do nosso objetivo de garantir a perenidade aos negócios, em sinergia com o meio-ambiente e as comunidades”, avalia Chaves.

Sustentabilidade na prática – Ao longo dos últimos cinco anos, a plataforma de ação Usiminas Mobiliza estreitou, ainda mais, o relacionamento da companhia com as comunidades por meio de parcerias e, especialmente, resultados sustentáveis.

Por meio do uso da Siderbrita, coproduto gerado a partir da escória de aciaria e repassado às prefeituras por meio do programa Usiminas Mobiliza pelos Caminhos do Vale, foram recuperados mais de 3 mil quilômetros de estradas rurais e vicinais, beneficiando cerca de 1,3 milhão de pessoas no Leste mineiro.

Na frente Usiminas Mobiliza Todos pela Água, também parte integrante do programa, foram recuperadas 4.590 nascentes e plantadas cerca de 1,13 milhão de mudas. Por fim, no programa Usiminas Mobiliza pelo Trabalho, cerca de 50 apenados do presídio de Timóteo trabalham em uma fábrica de blocos intertravados como parte do processo de ressocialização e gerando até 750 metros quadrados de blocos por mês a partir de matéria prima doada pela Usiminas.

“A Usiminas está sempre conversando com seus diversos públicos de relacionamento para compreender as necessidades de melhorias e inovações. Quando olhamos para o público interno, percebemos o avanço das políticas inclusivas da companhia, como a criação da nossa política de diversidade e inclusão, que são fruto da convergência dos nossos valores com as demandas do nosso tempo e integram nossa agenda de sustentabilidade para as próximas décadas”, destaca Chaves.

“O ano de 2020 foi totalmente voltado à preservação da vida, o que reforça nosso compromisso com resultados sustentáveis. Na Usiminas, vislumbramos fortalecer cada vez mais nossos cuidados com a qualidade e segurança dos processos, mantendo-nos na relação de ganha-ganha entre sociedade e governos cada vez mais equilibrados”, finaliza o executivo.

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Atraso nas entregas de aço poderá se estender por mais quatro meses

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Valor - SP   05/03/2021

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Liminar suspende benefício para setor metalmecânico no RJ; Estado recorre

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Valor - SP   05/03/2021

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ECONOMIA

Em meio à pandemia, atividade econômica cresce no Norte e Centro-Oeste

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Agência Brasil - DF   05/03/2021

Mesmo em meio à pandemia de covid-19, que provocou a redução da atividade econômica em todo o país, as regiões Norte e Centro-Oeste registraram desempenho positivo, em especial por causa da produção de grãos e desempenho do comércio. As demais regiões – Sul, Sudeste e Nordeste – tiverem contração da atividade. A análise desse cenário foi divulgada hoje (4) pelo Banco Central por meio do boletim regional.

De acordo com a publicação, ainda que o processo econômico - de queda intensa na atividade no segundo trimestre de 2020, com recuperação a partir do segundo trimestre do ano passado – tenha caracterizado todas as regiões, os resultados são heterogêneos sobre os setores e as regiões do país.

“Os programas governamentais de recomposição de renda favoreceram o setor de bens, enquanto as atividades de serviços, sobretudo as mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, enfrentaram maior redução da demanda, com desempenho relativamente mais positivo apenas no último trimestre do ano. Essa desigualdade setorial, aliada às especificidades das estruturas produtivas e do alcance das medidas governamentais, determinou os distintos resultados regionais”, diz o BC no estudo.

O Índice de Atividade Econômica Regional da Região Norte apresentou crescimento de 0,4% em 2020. De acordo com o BC, a economia do Norte foi especialmente estimulada pelo desempenho do comércio – cujos resultados foram superiores aos das demais regiões –, decorrente em parte do aumento da renda das famílias, favorecido pela concessão do auxílio emergencial, que atingiu 57% dos domicílios da região em novembro.

Além disso, a agricultura, com alta de 5,2% na produção de grãos, e a construção civil, que totalizou geração de 9,3 mil vagas de emprego formal, impulsionaram o resultado. A indústria apresentou comportamento diverso entre os ramos: a extrativa teve modesta expansão, enquanto a de transformação foi bastante afetada pela crise sanitária.

Já o Centro-Oeste teve alta de 0,2% na atividade econômica devido a sua estrutura produtiva, de atividades agrícolas que não sofreram restrição ao funcionamento, combinada à safra recorde de grãos e às cotações das commodities, em especial de soja e carnes, que impulsionaram as vendas externas. A produção agrícola registrou elevação nas colheitas dos três principais grãos (soja, milho e algodão) e houve crescimento na fabricação de alimentos. Além disso, o crescimento na região também foi favorecido pelas altas no varejo e nos serviços de transporte.
Queda da atividade

No Sudeste, a retração na atividade econômica em 2020 foi de 1,3%. De acordo com o BC, a estrutura produtiva diversificada da região permitiu que as atividades mais impactadas pela crise tivessem seus resultados compensados, em parte, pela evolução favorável de outras. No setor de serviços, o segmento de atendimento às famílias permaneceu deprimido, enquanto que os serviços financeiros, fortemente concentrados na região, tiveram alta significativa, refletindo a maior demanda das empresas por recursos e o acesso às linhas especialmente criadas para combate aos efeitos econômicos da pandemia.

No segmento industrial do Sudeste, a menor produção de veículos contrapôs-se à ampliação em alimentos, produtos químicos, farmoquímicos e de limpeza e higiene pessoal. A construção civil, embora tenha recuado no ano, apresentou crescimento no quarto trimestre, em relação ao anterior, nos dados ajustados. Já a redução do estoque de imóveis e a geração líquida de 45,6 mil empregos formais em 2020 sugere para o BC a continuidade do processo de recuperação da atividade na Região Sudeste.

Apesar do desempenho agrícola, o menor ritmo da atividade no Nordeste, que teve queda de 2,1%, decorreu sobretudo das restrições aos serviços de maior interação entre as pessoas, que têm maior peso na região. De acordo com o estudo, isso impactou o mercado de trabalho, com efeitos sobre o comércio, cujo volume acumulou queda. Como fator de mitigação, o Nordeste foi beneficiado pela concessão do auxílio emergencial, que atingiu 55,3% dos domicílios da região em novembro.

No Sul, a contração econômica também atingiu 2,1%. A produção de grãos da região recuou em 2020, pelas quebras das safras de verão no Rio Grande do Sul (soja e milho), não contribuindo para atenuar os efeitos da pandemia, a exemplo do ocorrido nas demais regiões.

No indicador geral, indústria e comércio recuaram no Sul, porém com resultados díspares entre os segmentos. A produção industrial registrou recuo em veículos, vestuário e calçados, e destacou, positivamente, a indústria de alimentos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, produtos de metal, refino de petróleo e celulose. No comércio, o padrão observado foi similar ao das demais regiões, com destaque para a alta nas vendas de produtos alimentícios. A construção civil, condicionada pelos resultados de Santa Catarina e Paraná, com redução do estoque de imóveis residenciais, apresentou crescimento no ano.
Emprego

O Banco Central analisou também a variedade de comportamento do emprego formal nas microrregiões brasileiras, que teve influência de fatores relacionados à pandemia, estrutura produtiva local e políticas públicas.

No que diz respeito à covid-19, a crise sanitária teve intensidade e duração própria em cada região, com impactos na restrição de circulação de pessoas e/ou na adoção de medidas de suspensão de atividades econômicas. De acordo com o BC, nesse ambiente, as políticas públicas adotadas – sobretudo os programas de transferência de renda e os de acesso a crédito, com ênfase no auxílio emergencial e no crédito às micro, pequenas e médias empresas – contribuíram para conter a retração da atividade econômica.

Algumas atividades econômicas também foram mais penalizadas pelo distanciamento social, como comércio, alojamento e alimentação, atividades imobiliárias, educação e esportes e recreação. O BC observa, para o país, menor retração do grupo de atividades regulares no início da pandemia, seguida por recuperação mais rápida. Nesse grupo estão atividades como agropecuária, indústria extrativa e de transformação, construção civil, atividades financeiras e administração pública. “Dessa forma, obtém-se que microrregiões mais atingidas pela epidemia tiveram maior contração do emprego”, diz o BC.

No que se refere às políticas públicas, o auxílio emergencial e os programas de crédito às empresas estão positivamente associados à criação de emprego, segundo o estudo. A contribuição do auxílio é maior nos estados do Norte e Nordeste do que nos estados das demais regiões. Já a estrutura produtiva local, menos baseada em atividades que exigem maior contato social, e os programas de crédito tiveram maior participação na decomposição do crescimento do emprego nos estados do Sul. Além disso, observa-se que o crescimento do emprego foi maior para os estados da Região Norte.

O BC alerta, entretanto, que esses resultados devem ser interpretados com cautela, pois podem existir outras variáveis que explicam a diferença do emprego formal entre microrregiões.

O índice de emprego formal, calculado dessazonalizado pelo Banco Central a partir de dados do Ministério da Economia, retornou, em dezembro de 2020, ao nível observado no período pré pandemia (média de janeiro e fevereiro de 2020). De acordo com o BC, regionalmente, a maior expansão ocorreu no Norte, 2,7%, onde o crescimento foi disseminado em todas as unidades da federação. Em sentido contrário, no Sudeste, a queda alcançou 0,8%, sendo que no Rio de Janeiro a queda chegou a 3,9%.

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Na contramão do país, PIB de São Paulo cresce 0,4% em 2020

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Globo Online - RJ   05/03/2021

O PIB do Estado de São Paulo cresceu 0,4% em 2020, segundo dados da Fundação Seade apresentados pelo governo estadual nesta quinta-feira. O número contrasta com a queda de 4,1% no PIB do país, divulgado na quarta-feira, e com o recuo da economia mundial, de 3,5%.

O desempenho paulista foi influenciado pelo segmento de serviços e tecnologia, que representa 77% da economia do Estado e cresceu 1,8% no ano, de acordo com a Secretaria da Fazenda do Estado. A indústria e o agronegócio, por outro lado, recuaram 2,9% e 1,7%, respectivamente.

A retomada da atividade econômica no Estado se deu a partir do terceiro trimestre do ano passado, com um crescimento de 9,8% em relação ao período de abril a junho, quando a economia paulista havia recuado 6,3% na comparação com o período anterior. Nos últimos três meses do ano, o crescimento foi de 2,5%.

O desempenho de São Paulo foi melhor que o do Brasil nos três primeiros trimestres de 2020, mas nos últimos três meses do ano o país cresceu 3,2%, contra a taxa de 2,5% de São Paulo.

No resultado anual, a economia paulista teve desempenho superior ao registrado nos anos de 2014 a 2017, e inferior apenas às taxas de crescimento obtidas nos dois anos anteriores, de acordo com Henrique Meirelles, secretário da Fazenda de São Paulo.

— Esse crescimento é fruto de um conjunto de ações do governo estadual e também na iniciativa privada. Mantivemos o programa de desestatização, em 2020 e o mantemos no mesmo trilho em 2021. Também mantivemos o programa de concessões, com leilões nas áreas rodoviária, ferroviária e de parques — disse o governador João Doria (PSDB) a jornalistas.

Segundo Meirelles, o desempenho do setor de serviços foi influenciado principalmente pelo bom desempenho do setor financeiro. Os serviços prestados às famílias, os mais afetados com meddias de restrições à mobilidade, tiveram queda.

— Os serviços financeiros, de tecnologia da informação e as atividades imobiliárias cresceram bastante porque houve movimentação grande durante a pandemia, com a reestruturação de espaços corporativos, e pessoas buscando áreas com maior espaço (em imóveis residenciais), inclusive em razão da pandemia — afirmou o secretário.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Helen, afirmou ainda que o governo estadual manteve os níveis de investimento em ciência e tecnologia em 2020 na casa dos R$ 10 bilhões, o que também influenciou o desempenho positivo de São Paulo.

— O investimento do governo federal se reduziu a um terço do que era, e em São paulo nós até aumentamos os recursos, porque a economia gerada com a reforma administrativa pode ser revertida para investimentos — destacou ela.
Vacinação

A estimativa de Meirelles é que a economia paulista cresça 5% em 2021, ante uma projeção de alta entre 3% e 3,5% paa o PIB brasileiro. O secretário afirmou que o ritmo de vacinação contra o coronavírus é crucial para destravar o crescimento econômico.

O governador João Doria reafirmou a promessa de vacinar todos os residentes em São Paulo ainda neste ano, o que garantiria um bom desempenho econômico no Estado em 2021.

— A alta de contaminações (pelo coronavírus) já deve prejudicar o PIB nacional no primeiro trimestre. Vamos aguardar o segundo e o terceiro, muito dependentes da vacinação. A economia vai crescer dependendo do ritmo de vacinação. Em São Paulo, o cronograma segue o planejado, e o Estado inclusive está providenciando a compra de outras vacinas, o que nos dá a confiança de que São Paulo deve atingir um bom nível de crescimento — disse Meirelles.

O governo não divulgou estimativas sobre o impacto econômico das novas medidas restritivas à circulação de pessoas tomadas para combater o avanço da pandemia. A partir de sábado, o estado volta à fase vermelha do Plano São Paulo, em que apenas atividades essenciais têm permissão de funcionar.

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O futuro não chega

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Globo Online - RJ   05/03/2021

A aposta parecia factível em 2003. Se o Brasil crescesse em média 3,6% ao ano, chegaria em 2050 a ser a quinta economia do mundo, ultrapassando a Itália em 2025, a França em 2031, Inglaterra e Alemanha em 2036. Ela constava de estudo da Goldman Sachs que lançou ao mundo a sigla Brics, países que eram vistos como o futuro da economia mundial: Brasil, Índia, Rússia e China.

Mas a projeção não levou em conta peculiaridades brasileiras, como o maior escândalo de corrupção já desvendado no país, quiçá no mundo, uma crise econômica provocada por uma presidente que acabou impedida pelo Congresso de continuar governando, a chegada ao governo de um capitão tresloucado, uma pandemia que mata mais de 1.800 pessoas por dia. Resultado: a economia brasileira teve um crescimento na última década de pífio 0,3% ao ano, com o resultado de 4,1% negativos anunciado ontem pelo IBGE.

Após crescer 4,7%, em média, durante o período de 2004 a 2007 e de se expandir em 5,2% em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, em 2009, caiu 0,3%. De 1990 a 2003, o crescimento médio foi de 1,8%; de 80 a 2003, 2%. Essa média cresceu um pouco com o resultado dos 8 anos do governo Lula, que teve um crescimento médio de 4% ao ano, mas voltou ao nível de 2% no governo Dilma.

O país já teve também períodos de crescimento sustentado de níveis asiáticos: de 1950 a 1980, média de 7,15%; de 1960 a 1969, média de 6,12%; de 1970 a 1979, de 8,78%. O problema é que já tivemos crescimento médio de 5,3% durante 50 anos, mas ele caiu nos últimos 40 anos, crescendo menos que o PIB mundial. Entre 1981 e 1990, o PIB brasileiro cresceu a mísero 1,55% ao ano. Daí até 2000, o crescimento médio foi de 2,65% ao ano, até 2010 chegou a 3,7%, retomando a performance prevista pela Goldman Sachs.

De um país que era visto como o futuro da economia mundial, junto com Rússia, Índia e China (Brics), o Brasil perdeu quase metade de sua participação no PIB do mundo nos últimos anos. Em 1980, representava 4,3% e, nesta década, passará a menos de 2,5%. O estudo da Goldman Sachs, coordenado pelo economista Jim O’Neill, lançado em 2003, mas com a medição a partir de 2000, mostra que o Brasil manteve-se no trilho da projeção até 2014, quando a crise do segundo governo Dilma jogou o número para baixo.

O economista Robinson Moraes, coordenador de pesquisa econômica do jornal “Valor”, fez uma projeção para o crescimento do Brasil nas duas últimas décadas, comparando com o previsto pelo estudo americano: deveríamos ter crescido 101,7% nos últimos 20 anos e crescemos apenas 43,6%. O Brasil, que no começo da década era a sétima economia do mundo, passou a cair de posição a partir de 2014, chegou a oitava economia em 2017, a nona até 2019 e hoje encontra-se na 12ª posição entre as maiores economias, ultrapassado por Canadá, Coreia do Sul e Rússia.

O ministro Paulo Guedes, numa espécie de recado metafórico, disse que, se o país tomar o rumo errado, dentro em pouco seremos uma Argentina, ou talvez até Venezuela. Isso na semana em que se debatia a intervenção do presidente Bolsonaro na Petrobras, para controlar o reajuste de preços da gasolina (“o cidadão tem que encher o tanque do carro”, disse o futuro presidente da Petrobras, general Joaquim Luna e Silva) e do diesel, por causa dos caminhoneiros.

A desmoralização que vem sofrendo com as seguidas intervenções do presidente na área econômica — também o Banco do Brasil vai trocar seu presidente, que pediu para sair depois que Bolsonaro estranhou o fechamento de agências — parece ter colocado Guedes em posição de aguardo. Está tentando a última cartada, apostando no compromisso do presidente da Câmara, Arthur Lira, de levar adiante as reformas.

Mas, se ficar aguardando essa boa vontade dos parlamentares e o engajamento de Bolsonaro, pode ficar sem tempo de reagir. A partir do segundo semestre, não haverá mais espaço para discussão de reformas, ainda mais as impopulares, como a administrativa, e as difíceis, como a tributária. Guedes também alertou que, se quisermos ser igual à França ou à Alemanha, teremos que fazer um esforço para o outro lado, durante bons 20 a 30 anos. Em 2050, onde estaremos?

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China prevê crescimento de pelo menos 6% em 2021

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BOL - SP   05/03/2021

A China prevê um crescimento de pelo menos 6% este ano, apesar das incertezas geradas pela pandemia do coronavírus que continua a atingir a economia mundial, anunciou o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, nesta sexta-feira (5, quinta no Brasil).

Este ano, "a China continuará a enfrentar inúmeros riscos e desafios para o desenvolvimento", declarou Li Keqiang em um longo discurso na abertura da sessão parlamentar anual.

"Mas os fundamentos econômicos que irão sustentar o crescimento de longo prazo permanecem inalterados", garantiu a cerca de 3.000 deputados, a maioria dos quais protegidos com máscaras azuis.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento de 8,1% para a segunda economia mundial.

Primeiro país afetado pelo coronavírus e que viu sua economia ser atingida pela pandemia, a China havia desistido de estabelecer uma meta de crescimento anual em 2020, decisão rara na história recente do gigante asiático.

Após medidas de contenção sem precedentes que afundaram a atividade econômica, a China registrou uma queda histórica no crescimento no primeiro trimestre de 2020 (-6,8%).

A progressiva melhora das condições sanitárias a partir da primavera boreal fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) voltasse a crescer e fechou 2020 com avanço de 2,3%, ao contrário das principais economias mundiais que registraram quedas históricas.

No entanto, o crescimento do gigante asiático no ano passado foi o menor desde 1976.

Para sustentar a economia em meio a uma pandemia, a China aumentou seu déficit orçamentário no ano passado para 3,6% do PIB, o que será reduzido para 3,2% em 2021, revelou o primeiro-ministro chinês.

A China não registra superávit orçamentário desde 2007.

Pequim pretende criar cerca de 11 milhões de empregos este ano, um número superior ao do ano passado (9 milhões), mas semelhante ao de 2019, antes da pandemia.

A segunda economia mundial também tem uma taxa de desemprego de 5,5%, após 5,6% no ano passado e o recorde absoluto de 6,2% registrado em fevereiro de 2020, em plena epidemia.

Esses dados traçam um quadro incompleto da situação econômica, uma vez que o cálculo do desemprego não inclui os quase 300 milhões de trabalhadores migrantes de origem rural, muitos dos quais perderam o emprego durante a crise.

Na quinta-feira, Pequim anunciou um projeto de reforma eleitoral em Hong Kong, que abre caminho para a possível marginalização de candidatos pró-democracia da oposição no território semi-autônomo.

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Aumenta a dependência do Brasil em exportações para a China

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Monitor Digital - RJ   05/03/2021

As exportações brasileiras apresentaram relativa resiliência em 2020, durante a pandemia, impulsionadas pela evolução das vendas de produtos básicos. Segundo o Banco Central (BC), destacaram-se os bons desempenhos da soja, com aumento na quantidade exportada, notadamente na região Centro-Oeste, e do minério de ferro, no Norte, que apresentou melhora de preços.

As exportações de manufaturados diminuíram, reflexo da desaceleração econômica mundial, impactando sobretudo os resultados das regiões Sudeste e Sul. A análise desse cenário foi divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, no âmbito dos seus boletins regionais.

O Banco Central também avaliou o aumento de concentração das exportações em todas as regiões, impulsionado por maiores compras da China. “Tal resultado sugere, de forma generalizada, maior influência da evolução da atividade econômica chinesa sobre as vendas externas brasileiras, principalmente para as regiões Norte e Centro-Oeste. Quando excluída a China da análise, observa-se aumento da concentração no destino das exportações apenas no Nordeste e Sudeste”, diz o estudo.

“A comparação internacional mostra o Brasil em posição intermediária no que se refere à diversificação de parceiros comerciais de acordo com os dados do World Integrated Trade Solution. De maneira geral, observa-se tendência de elevação da concentração na maioria dos países, mas o aumento no Brasil foi mais intenso do que a média”, diz o BC.

Entre as exportações de produtos manufaturados, o BC destaca as retrações na venda de aviões e máquinas e aparelhos para terraplanagem, concentradas no Sudeste e destinadas sobretudo aos Estados Unidos. Recuaram também as vendas externas de automóveis de passageiros, com maior retração no volume, destinadas especialmente para a Argentina, mais intensamente no Sudeste, Sul e Nordeste.

Em 2020, Estados Unidos e Argentina absorveram, respectivamente, US$ 5,1 bilhões e US$ 1,3 bilhão a menos de produtos manufaturados brasileiros em relação a 2019.

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MINERAÇÃO

ICSK começa a atuar no setor de mineração no Brasil

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Grandes Construções - SP   05/03/2021

O mercado brasileiro de mineração tem pelo menos 70 projetos em estudo por parte de empresas mineradoras, que podem absorver investimentos de R$ 40 bilhões em ativos a serem construídos ou revitalizados nos próximos três anos, segundo indica mapeamento realizado pela ICSK, uma das principais empresas de Engenharia e Construção da América do Sul, que iniciou sua atuação neste ano no mercado de mineração brasileiro, com a assinatura de seu primeiro contrato no setor.

Este primeiro contrato representa o início da implementação do plano estratégico da ICSK para que o setor de mineração represente, até 2023, pelo menos 50% de sua carteira de clientes no país – concentrada, até agora, no setor elétrico –, posicionando-a entre as principais empresas na realização de obras para este setor, a exemplo do Chile, onde detém 40% do mercado.

“O setor de mineração é o de maior interesse da ICSK no Brasil e será o maior foco de seu crescimento em 2021 e nos próximos dois anos”, afirma Robson Campos, diretor geral da ICSK no Brasil.

Em fevereiro, a ICSK iniciou as obras de revitalização da uma moagem de minério de ferro, um trabalho previsto para ser realizado durante os próximos dois anos.

O diretor geral da ICSK no Brasil destaca que, apenas na área de cobre, há potencial para R$ 5 bilhões em projetos no país.

“Estamos focando em projetos de cobre e de outros minérios, onde temos grande expertise na área, especialmente nas minas de cobre no Chile", afirma Campos, ao ressaltar que a ICSK tem mais de 140 projetos em mineração já realizados na América Latina, dos quais 38 projetos de moagens já executados.

Mineração

Atualmente, mais de 80% da produção de cobre chileno conta com a expertise de engenharia e construção da ICSK, que está apta a desenvolver projetos similares no Brasil como epecista e fornecedora de serviços de engenharia, construção e montagem de projetos, além de equipamentos.

No Chile, a ICSK já executou projetos para as indústrias de cobre, ouro, prata, aço, zinco e lítio, e foi responsável pela construção de projetos de infraestrutura utilizados por 17 das 28 maiores mineradoras presentes naquele país, incluindo Anglo American, AMSA, Codelco e MMG.

Além do desenvolvimento de mais de 100 projetos de mineração no Chile, a ICSK também possui outros marcos neste setor.

Segundo o executivo, ela foi pioneira na construção e montagem de concentradores – máquinas que separam minério através do processo de centrifugação –, e construiu, nos últimos 10 anos, mais de 50 km de correias transportadoras, utilizadas para transportar minérios, entre elas, as mais resistentes do mundo, que se encontram na parte subterrânea da maior mina a céu aberto do mundo, em Chuquicamata, no Chile.

Mercado brasileiro

Antes do primeiro contrato para o setor de mineração no Brasil, a atuação da empresa estava concentrada na área de transmissão de energia.

A ICSK já atingiu a marca de 2.000 Km de linhas de transmissão instaladas no país e consolida-se como uma das principais fornecedoras de serviços para o setor de energia, com projetos desenvolvidos na Bahia, Pará, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, para clientes vencedores de alguns dos maiores leilões de energia do País.

Recentemente inaugurou seu novo escritório em São Paulo e anunciou a chegada do executivo Robson Campos como novo diretor geral da ICSK Brasil, com a missão de ampliar o escopo de atuação da empresa no mercado brasileiro.

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Mineradoras preocupadas com empregados

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Brasil Mineral - SP   05/03/2021

Segundo a pesquisa "Plano de Prevenção e Gestão da Covid-19 no Setor de Mineração" realizada pela Mercer Marsh Benefícios, consultoria de gestão de saúde e benefícios, as empresas do setor de mineração reavaliaram e colocaram em prática novas estratégias de governança e compliance para gerenciar os riscos de contaminação pelo novo Coronavírus entre os seus colaboradores. O levantamento foi realizado com 33 mineradoras (58% multinacionais e 42% nacionais) na América Latina - instaladas no Brasil, Peru, Chile, Argentina e México. Das 33 empresas participantes, dez operam no Brasil.

Com o objetivo de preservar a segurança dos funcionários e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade dos negócios, mais da metade (61%) das mineradoras paralisaram as operações e priorizaram, parcialmente, as atividades essenciais, depois das diretrizes de distanciamento social estabelecidas pelos órgãos públicos de saúde. As políticas de contenção dos riscos de contaminação entre os trabalhadores seguem uma série de estratégias: 67% reduziram a quantidade de pessoas das equipes administrativas e operacionais que trabalhavam dentro da planta da mineração, e 79% alteraram a carga horária (redução, por exemplo) e os dias de descanso. O total de dias de descanso tem sido igual ou superior ao tempo máximo de incubação do vírus (14 dias).

Os refeitórios das empresas de mineração foram reduzidos por 85% das empresas, enquanto 67% ampliaram o horário de funcionamento dos locais para que os trabalhadores tenham mais tempo disponível de revezamento. As companhias também instalaram divisórias entre as mesas para que os colaboradores possam manter uma distância segura entre eles. Outros locais de aglomeração como áreas de lazer e entretenimento também foram incluídos no rol de medidas preventivas: 45% suspenderam o uso de academias, quadras de futebol e basquete e 53% fecharam outras áreas de lazer como salas de TV, jogos e lan house, por exemplo.

O levantamento aponta que 55% das companhias de mineração colocaram em prática medidas para mapear colaboradores em situação de risco de contaminação. A maioria (83%) mapeou e identificou colaboradores que tiveram contatos com pessoas suspeitas de contaminação ou casos confirmados. Outras (72%) mapearam o meio de transporte utilizado pelos funcionários para se deslocar para o trabalho, enquanto 50% estudaram a localização de domicílios dos funcionários que estão em áreas de alta incidência de casos de Covid-19 e o número de pessoas residentes na casa. Para trabalhadores acima de 60 anos, pouco mais da metade (52%), redesenhou a rotina de trabalho, enquanto 30% disponibilizaram EPIs (equipamentos de proteção pessoal) como máscaras e protetor ocular. Em relação aos testes, somente um pequeno grupo (27%) de mineradoras passou a fazer exames periódicos nos colaboradores.

Os equipamentos de proteção individual (EPIs), ao mesmo tempo que são instrumentos de prevenção contra o vírus da COVID-19, também oferecem riscos aos trabalhadores se descartados de maneira incorreta. Por isso, mais da metade (58%) das mineradoras instalou coletores específicos para descarte de máscaras, luvas e outros EPIs.

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Após deixar o cargo, diretor da Agência Nacional de Mineração revela 'ameaças e retaliações'

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Globo Online - RJ   05/03/2021

Após deixar o cargo nesta quinta-feira, o diretor Eduardo Araújo Leão, da Agência Nacional de Mineração (ANM), enviou uma mensagem aos servidores do órgão revelando que “retaliações e ameaças”, assim como processos judiciais contra ele foram fatores que pesaram para sua decisão. A agência vive uma situação precária com apenas 250 técnicos para monitorar as 35 mil minas regulamentadas no país, segundo reportagem do GLOBO.

A informação da renúncia de Leão foi confirmada mais cedo pelo Ministério de Minas de Energia. A ANM é comandada por uma diretoria colegiada. Em mensagem enviada a servidores e colegas, Leão expôs os motivos para deixar o cargo.

“O alto risco da função, a exposição pessoal e profissional, as diversas retaliações e ameaças que sofremos ao tentar inovar e construir uma agência aberta e transparente, assim como os inúmeros processos judiciais que respondemos (uma infeliz herança de gestões anteriores, ainda do DNPM), foram, todos, fatores que levei em consideração em minha decisão” , diz Leão.

No texto, ele reclama também do vazamento de sua carta de renúncia enviada à direção colegiada do órgão.

"Este é apenas mais um exemplo do conjunto das razões que me motivaram a tomar esta difícil decisão: um comunicado restrito à diretoria colegiada, de um assunto extremamente sério, viralizou por meio obscuro em menos de duas horas, sem dar a chance de ser explicado e discutido com meus pares".

Na carta de renúncia, ele alega "motivos de cunho pessoal e familiar" para deixar a função. A ANM é comandada por uma diretoria colegiada.

No final do ano passado, a ANM aprovou pelo menos 58 requerimentos de pesquisa ou lavra de minério em terras indígenas da Amazônia, apesar de a atividade ser proibida. O levantamento foi realizado pelo projeto Amazônia Minada, do InfoAmazonia.

A exploração de terras indígenas é uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Um projeto de lei que permite a exploração econômica, como a extração de minério, está entre as pautas consideradas prioritárias neste ano no Congresso.

Antes de assumir a agência e passar a ser responsável por fiscalizar a atuação das mineradoras no país, Leão foi funcionário da Vale entre 2007 e março de 2015. Ele chegou a ocupar também o cargo de gerente do Meio Ambiente do Projeto Carajás, o maior empreendimento de extração de minério de ferro do mundo.

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FERROVIÁRIO

Trecho de 172 km da ferrovia Norte-Sul é aberto e liga São Simão (GO) à malha paulista

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Jornal de Brasília - DF   05/03/2021

A rota entre São Simão e o porto de Santos será feita com trens de 120 vagões, e não mais de 80, o que significa mais eficiência

Por Redação Jornal de Brasília 04/03/2021 10h59

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto, SP

A inauguração do trecho da ferrovia Norte-Sul entre São Simão (GO) e Estrela D’Oeste (SP), nesta quinta-feira (4), fará com que a concessionária Rumo tenha conexões nos seis principais estados produtores do país, além de ligá-la à Malha Paulista.

O trecho, de 172 quilômetros, operava em fase de testes desde a segunda semana de fevereiro e será o primeiro da Malha Central da Rumo, após investimento de R$ 711 milhões -no terminal, em pontes e em dezenas de quilômetros de trilhos.

A rota entre São Simão e o porto de Santos será feita com trens de 120 vagões, e não mais de 80, o que significa mais eficiência, com ganhos em emissão de gases e economia de combustível. Cada composição passou de 1,5 km para 2,2 km de comprimento.

“É emblemática porque a ferrovia, principalmente para grandes distâncias -essa é de mais de 1.500 quilômetros-, tem uma série de benefícios. O Brasil tomou a decisão nas últimas décadas de privilegiar rodovias, isso não só traz custo para o processo produtivo, mas também mais emissão de carbono, estradas, manutenção, acidentes. O Brasil é o único país continental, se formos pegar os maiores do mundo, que não tem uma malha ferroviária adequada”, disse João Alberto Abreu, presidente da Rumo Logística.

O trecho total tem 1.537 quilômetros, entre Porto Nacional (TO) e a cidade paulista, e foi concebido para ser uma espécie de espinha dorsal do sistema ferroviário no país, permitindo a conexão com outras malhas ferroviárias.

Um outro trecho da ferrovia já está em operação, entre Açailândia (MA) e Porto Nacional (TO), sob concessão da VLI.

A Norte-Sul possibilitará, ao chegar a Estrela D’Oeste, a conexão com a malha paulista, também operada pela Rumo, que obteve em 2020 a renovação antecipada da concessão, que agora vai até 2058 -com a obrigatoriedade de investir R$ 6 bilhões.

O terminal ferroviário foi construído em parceria com a Caramuru, que já é sócia da concessionária em Santos, e terá capacidade de escoar até 5 milhões de toneladas por ano.

Com a nova rota, as operações da concessionária chegarão a Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul, principais produtores do país, e a um total de 14 mil quilômetros de ferrovias, ligando aos principais portos.

O modal ferroviário é responsável por transportar 15% das cargas no Brasil, muito inferior aos índices de países como EUA (43%) e Rússia (81%), conforme dados da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários).

“Qualquer grande nação, China, EUA, Austrália, opera com 40% no modal ferroviário. É a oportunidade de começar a reverter essa situação num país continental, que tem produção distante dos seus portos de escoamento, precisando de logística eficiente para colocar seus produtos no destino com velocidade, eficiência e custo baixo. O Brasil está numa posição bastante robusta no agronegócio e o desafio agora é tirar mais de 50 anos de atraso na infraestrutura e o sistema ferroviário é um deles”, afirmou o presidente da Rumo.

A empresa venceu o leilão do trecho da Norte-Sul em março de 2019 com um lance de R$ 2,719 bilhões, considerado agressivo pelo mercado, já que o valor do pagamento ao governo federal ficou 100,9% acima do mínimo exigido pelo edital. Até então, a ferrovia estava nas mãos da estatal Valec.

“A malha central tem hoje perspectiva até melhor do que prevíamos quando fizemos o lance. Goiás tem um plano de crescimento ambicioso, uma série de produtos e projetos que não estavam mapeados começaram a ser desenvolvidos. Esse tipo de investimento faz com que outros negócios fomentem uma série de outras coisas. Provavelmente daqui a dois anos terá oportunidade de minério também. Estamos bastante confiantes com o potencial dessa nova operação”, disse Abreu.

O contrato com o governo foi assinado em 31 de julho de 2019 e estipulava como prazo para o início das operações 1º de agosto deste ano.

Além do terminal aberto oficialmente nesta quinta, outros dois, em Rio Verde (GO) e Iturama (MG), serão inaugurados. Na cidade goiana, a previsão é que ocorra até junho, também para operar grãos e fertilizantes, e, no município mineiro, no fim do primeiro semestre do próximo ano (açúcar).

O segundo trecho da concessão da Rumo na Norte-Sul será até Rio Verde e o terceiro, até Porto Nacional.

Abreu, da Rumo, afirma que ainda faltam investimentos importantes nesses trechos. “O que decidimos fazer foi colocar de pé esse pedaço mais ao sul, que era a parte mais complicada em função das grandes obras. Partimos para o trecho 2 e na sequência vamos concluir alguns investimentos no trecho 3. Esse é o plano de investimento do sul em direção ao norte.”

Segundo ele, a pandemia provocou queda em 2020 na demanda em alguns produtos, especialmente no segundo trimestre, mas o agronegócio seguiu com demanda. “Grãos, açúcar, celulose, essa é uma economia que continua forte, continua trabalhando.”

De acordo com o executivo, o setor ferroviário precisa aproveitar o momento de “disponibilidade” do governo federal para contar com a iniciativa privada para tocar os projetos. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) devem participar da inauguração.

“O país vive um desafio fiscal muito grande e a iniciativa privada tem condições de regras claras de longo prazo, com marco legal, com segurança jurídica, fazer os investimentos necessários que o país precisa”, disse.

“Essa parceria precisa continuar. A malha central é um exemplo disso. Uma obra que vinha sendo tocada pelo governo, mais de 30 anos, e não era concluída.”

A Norte-Sul é uma ferrovia cuja história se arrasta desde a década de 1980.

Em 13 de maio de 1987, a Folha publicou reportagem de Janio de Freitas que mostrou que a concorrência para a construção da ferrovia tinha sido uma farsa. De forma cifrada, o resultado das empresas vencedoras tinha sido publicado cinco dias antes.

As informações são da FolhaPress

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Ferrovia Norte-Sul deve entrar em operação no segundo semestre

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Veja - SP   05/03/2021

O presidente Jair Bolsonaro visita, nesta quinta-feira, a cidade de São Simão (GO) para inaugurar um importante trecho da ferrovia Norte-Sul — que se tornará a mais importante do país. Serão aproximadamente 170 km de trilhos entre a cidade goiana e a paulista Estrela D’Oeste. É o penúltimo trecho a ser inaugurado. A celebração deverá contar com o envio de um trem carregado com destino ao porto de Santos (SP).

Com as obras aceleradas pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, o último trecho, que vai até Anápolis (GO) será inaugurado até junho. A expectativa é que a ferrovia já faça a conexão do Sul e o Centro-oeste do país a Santos em julho.

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NAVAL

Porto do Rio Grande atinge crescimento de 4,2% na movimentação

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Portal Fator Brasil - RJ   05/03/2021

E está na sexta colocação dos Portos Organizados com mais movimentação em 2020.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) divulgou no dia 1º de março (segunda-feira), os resultados do Estatístico Aquaviário 2020 com os dados dos portos públicos e privados do Brasil. A cerimônia online contou com a presença do ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, do Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA) Diogo Piloni, do diretor-geral da Ataq Eduardo Nery e da diretora interina da Antaq Gabriela Costa. Os dados apresentados são da Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

O destaque apresentado foi o crescimento de 4,2% da movimentação portuária em 2020 no país em relação à 2019. Os Portos organizados e terminais privados movimentaram juntos 1,151 bilhão de toneladas, sendo que os Portos Públicos do Rio Grande do Sul (Rio Grande — somados os cinco terminais arrendados, Porto de Pelotas e Porto de Porto Alegre) representam 26.397.380 de toneladas em movimentação.

O Porto do Rio Grande ficou em sexto lugar na lista dos 20 Portos Organizados com mais movimentação em 2020, sendo mais de 24.661.138 de toneladas de carga somente no complexo público (incluindo os 5 terminais arrendados). Um dos destaques do ano foi o mês de junho, período em que foi movimentado o montante de 4.401.716 toneladas, batendo o recorde que havia sido verificado no mês de setembro de 2018, quando haviam sido 4.340.915 toneladas. Junho de 2020 foi o melhor mês da história do Porto do Rio Grande. A movimentação total no somatório dos terminais públicos, arrendados e terminais de uso privado no complexo do Superporto do Rio Grande foi ratificada em 36.532.226 t ao longo do ano de 2020.

Já na lista dos 20 Terminais de Uso Privado com mais movimentação em 2020 o Terminal Aquaviário de Osório e o Terminal Graneleiro Termasa ficaram, respectivamente, em 15° e 20°, os terminais citados fazem parte do Sistema Hidroportuário do Rio Grande do Sul. Além disso, o Terminal Aquaviário de Osório obteve um crescimento na movimentação de Granel Líquido com 10,4% a mais. Tal incremento contribuiu para o valor de 289,5 milhões de toneladas de graneis líquidos movimentados com o crescimento de 14,8% em relação à 2019, sendo o maior crescimento entre os perfis de carga.

Com relação a movimentação de contêineres os portos brasileiros movimentaram 118,2 milhões de toneladas, sendo mais de 1,1% em relação à 2019 apresentando um expressivo crescimento de participação dos Terminais de Uso Privado (TUP).

Com relação ao ano de 2021 nos Portos do Rio Grande do Sul o Superintendente, Fernando Estima, afirma que 2021 se mostra uma grande janela para o fomento da logística multimodal através de ações e políticas públicas que já se tornaram realidade no ano anterior, como a homologação do novo calado do Complexo do Porto do Rio Grande. Além disso, o executivo também destaca a celebração de acordos e tratativas com a iniciativa privada na busca de novas parcerias negociais para o mercado logístico, em especial para o projeto Rio Grande Porto Indústria e o Terminal Logístico do Arroz com capacidade de armazenagem para 50 mil toneladas.

Entre outras conquistas que podemos verificar é o fato de que já em 2021 que o Porto do Rio Grande apresentou uma movimentação total em janeiro de 2.377.030 t, que representa o aumento de 26% das movimentações em relação ao mesmo período de a 2020.

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Descaso nas políticas públicas para navegação marítima leva a riscos ambientais e econômicos

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O Estado de S.Paulo - SP   05/03/2021

Nós, brasileiros, somos um povo resiliente. Pouco antes da pandemia do Covid-19 alcançar o país, em 2020, no ano anterior, estávamos às voltas com o derramamento de óleo que atingiu o litoral de nove estados do Nordeste e dois do Sudeste, afetando 130 municípios costeiros. As tragédias enfrentadas no Brasil têm exigido das instituições públicas medidas capazes de proteger a sociedade, ao mesmo tempo em que são desafiadas a instrumentalizar a modernização em diversos setores produtivos. Em busca saídas para as crises instaladas, reformas para o setor de transporte e logística podem ser trunfos para a diminuição do custo-Brasil e promoção do desenvolvimento, por meio da geração de emprego e renda. Mas, será que algumas opções, hoje ventiladas no Congresso Nacional ou impostas por regime regulatório interessam mesmo ao país?

Neste sentido, passo a fazer algumas considerações sobre um setor muito específico de transporte, a navegação marítima. Tal tema se caracteriza por ser uma atividade que é tratada, em vários países, de forma muito cuidadosa. Essa atividade traz reflexos na soberania nacional, possui alta relevância para atração de investimentos na indústria, gerando empregos e aprimoramento tecnológico. Por outro lado, se não for executada corretamente, pode trazer graves consequências, entre elas, riscos ao meio ambiente e desarranjos fiscais.

Para esta seara, cabe à Agência Nacional de Transporte Aquaviários (ANTAQ), segundo a Lei 10.233/ 2001, dispor sobre a ordenação dos transportes pelas vias marítimas e fluviais, nos termos do art. 178 da Constituição Federal, para o gerenciamento do Sistema Federal de Viação e a regulação da prestação de serviços de transporte aquaviário. A lei também prevê prerrogativas para as operações logísticas pelas empresas brasileiras de navegação, as EBN, considerando o alcance regulatório, para fins de fiscalização das atividades.

Apesar disso, há quase um ano, uma mudança normativa retirou a exigência para que as operações marítimas para o transporte a granel de petróleo, seus derivados, gás natural e biocombustíveis sejam feitas por empresas genuinamente nacionais. Em 16 de março de 2020, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) emitiu a resolução 811 que modificou a regulamentação vigente há mais de vinte anos, sem qualquer alteração legislativa prévia. A nova regulação passa a permitir o transporte de longo curso do petróleo por empresas com capital estrangeiro, em detrimento das empresas brasileiras de navegação.

A resolução atravessou o fundamento constitucional que estabelece que o transporte de longo curso do petróleo seja realizado, exclusivamente, por empresa nacional, como decorrência lógica da proteção atribuída pelo monopólio conferido à União, combinado com o artigo 5º da Lei 9.432/1997, que expressamente estabelece que a navegação de longo curso é aberta às EBN. Mesmo diante do descumprimento da legislação vigente e dos questionamentos à resolução feitos por representantes do setor náutico às agências reguladoras, incluindo a possibilidade de extrapolação de competência por parte da ANP sobre a Antaq, nenhuma medida foi tomada.

Ao flexibilizar a regulação sobre o setor de navegação de longo curso, para o transporte de petróleo, a ANP também desmobiliza as ações fiscalizatórias destinadas a assegurar proteção aos trabalhadores da marinha mercante, ao meio ambiente e os ganhos fiscais do setor, responsáveis por fazer girar a corrente de comércio brasileiro.

Porém, o setor ainda aguarda uma manifestação oficial da Antaq sobre a resolução, por meio da Superintendência de Regulação da Agência. Fato é que, desde meados do ano passado, a referida superintendência não emitiu sua posição oficial trazendo uma enorme insegurança jurídica ao setor.

Para este segmento, também está sendo tratado no Senado Federal, o programa BR do Mar, cujo Projeto de Lei 4199/2020, proposto pelo Ministério da Infraestrutura. Aprovado pela Câmara dos Deputados em tempo recorde, o projeto também culmina na precariedade normativa, em desfavor das empresas genuinamente brasileiras. Neste caso, o que se propõe é ampliar o acesso da navegação por cabotagem a multinacionais, levando ao desmonte definitivo das Empresas Brasileiras de Navegação.

O descaso da superintendência da Antaq acerca dos riscos levantados, por quem opera no setor, é no mínimo algo a ser considerado para elaboração de novas normas. Este cenário é preocupante, em um país em que são encontradas toneladas de petróleo em suas praias e, mesmo com graves consequências, não se sabe sequer a quem responsabilizar.

Muito mais poderia ser dito, mas esse breve texto é apenas para chamar atenção de um tema tão complexo e que jamais poderá ser tratado de maneira displicente ou escondido em gavetas da burocracia.

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AGRÍCOLA

Com supersafra de grãos, agropecuária evitou queda maior do PIB de 2020

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O Estado de S.Paulo - SP   05/03/2021

RIO - A supersafra de grãos impulsionou o resultado da agropecuária em 2020. A despeito do choque na economia provocado pela pandemia do novo coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 2,0% no ano passado, na contramão da queda de 4,1% da economia como um todo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira, 3.

O bom desempenho das lavouras de soja, café e milho puxou o setor agropecuário para o melhor desempenho desde 2017. Naquele ano, a recuperação de uma quebra de safra em 2016 para uma produção recorde levou a um salto de 14,2% no PIB da agropecuária.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima um crescimento de 2,5% do PIB da agropecuária em 2021. “O resultado deve ser puxado pela forte produção de grãos e carnes, com firme demanda internacional por grãos e consumo interno de alimentos aquecido”, disse o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon. “Mas o crescimento pode ser limitado pelo possível impacto das adversidades climáticas sobre as culturas de milho de segunda safra, café e suco de laranja.”

Caso não houvesse crescimento da agropecuária, o declínio do PIB nacional seria ainda maior. “O crescimento da agropecuária foi importante não somente para esse indicador econômico, mas também na geração de empregos, na exportação, entre outros. Mesmo que o setor tenha apresentado um crescimento mais modesto, ele vem dando importantes contribuições para economia como um todo”, apontou o coordenador da CNA.

Pelo lado da oferta, apenas quatro atividades ficaram no azul em 2020: agropecuária, serviços financeiros, atividade imobiliária e indústria extrativa mineral. Somadas, esses setores respondem por pouco mais de um quarto de todo o PIB. Em 2020, a agropecuária aumentou sua importância no PIB brasileiro, crescendo de uma fatia de 5,1% da economia brasileira em 2019 para 6,8% no ano passado. “A agropecuária ganhou bastante peso, porque (a produção) cresceu e porque os preços subiram. A indústria e os serviços perderam”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A indústria de transformação reduziu seu tamanho no PIB de 11,8% em 2019 para uma participação de apenas 11,3% em 2020. Prejudicados pela necessidade de medidas de distanciamento social em função da pandemia de covid-19, os serviços encolheram de uma proporção de 73,5% no PIB de 2019 para 72,8% em 2020. As atividades mais afetadas do setor foram hotelaria, restaurante e bares.

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RIO - A retomada econômica perdeu fôlego no último trimestre do ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB, todo o valor gerado na economia) cresceu 3,2% em relação ao terceiro trimestre, informou nesta quarta-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante da redução do auxílio emergencial, extinto desde janeiro, e da piora da pandemia de covid-19, a desaceleração já era esperada. Com o dado do quarto trimestre, o PIB caiu, na média de 2020, 4,1% ante 2019, o terceiro pior resultado da história.

O tombo foi menor do que a retração de 4,35% registrada em 1990, ano do confisco das poupanças pelo governo Collor, que segue marcado com a maior retração econômica anual de que se tem registro, numa série histórica desde 1901, compilada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O segundo pior desempenho desde o século 20 foi registrado em 1981, em meio à crise da dívida externa, quando o tombo foi de 4,25%. Também veio melhor do que as projeções do mercado financeiro, que apontavam para uma retração de 4,2%, segundo pesquisa do Projeções Broadcast.

Fortemente afetado pelas medidas de restrição de circulação para conter o avanço do coronavírus, o setor de serviços encolheu 4,5% no ano e a indústria registrou queda de 3,5%. Por outro lado, a agropecuária cresceu 2%.

Pesou no resultado anual de 2020 o segundo trimestre, auge das medidas de restrição ao contato social para tentar conter a covid-19, com tombo de 9,2% ante os três primeiros meses do ano. Entre abril e junho, a retração foi tão maior do que outras já verificadas na história porque houve uma paralisação quase completa das atividades, a partir de meados de março do ano passado.

Em outras crises - causadas por inflação, desequilíbrios nas contas externas ou bolhas financeiras, entre outras causas -, as empresas entram em dificuldade, suspendem investimentos e demitem funcionários, ou a renda das famílias é corroída, e elas consomem menos. Assim, lojas vendem menos, mas seguem vendendo. Indústrias veem a demanda cair e reduzem a produção, mas seguem produzindo.

Em 2020, a crise foi diferente. A pandemia fechou lojas, que não podiam receber clientes, e fábricas, que não podiam aglomerar trabalhadores. Vendas e produção foram para perto de zero ao mesmo tempo, provocando uma enorme queda na comparação com o PIB de períodos anteriores.

Para Entender
Como o PIB é calculado

O Produto Interno Bruto (PIB) é utilizado para medir a atividade econômica do país. Economistas costumam dizer que o PIB é um bom indicador de crescimento, mas não de desenvolvimento. Confira.

A partir de meados do ano, as medidas de restrição ao contato social começaram a ser relaxadas País afora. Só isso já foi suficiente para dar início à retomada, lembrou a economista-chefe da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro. É o que economistas chamam de “recuperação cíclica”. As medidas adotadas pelo governo para mitigar a crise, com destaque para o auxílio emergencial, deram um impulso adicional.

“Uma coisa é parar tudo e reabrir. Só com isso, já tem uma reação da economia. Depois, o auxílio (emergencial) foi muito importante, mas houve outros estímulos”, afirmou Alessandra, citando a baixa da taxa básica de juros (a Selic, que chegou aos atuais 2,0% ao ano, menor da história) e outras medidas do Banco Central (BC) sobre o crédito, o programa de preservação de empregos formais e o Pronampe, linha de financiamentos para pequenas empresas com garantia do Tesouro, operada pelo Banco do Brasil.

Portanto, a ação do governo e do Congresso Nacional evitou um resultado anual ainda pior. Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho na América Latina, Luciano Rostagno, a história da retomada da atividade econômica no ano passado só pode ser contada tendo os estímulos fiscais, monetários e creditícios, “sem precedentes”, como protagonistas. No momento mais pessimista das pesquisas do Projeções Broadcast, quando o IBGE informou o PIB do primeiro trimestre, no fim de maio, as projeções apontavam para uma retração de 6,5% em 2020. Dali em diante, os analistas foram revisando para cima as projeções, à medida que foram sendo divulgados dados econômicos.

A pandemia também desorganizou a economia. Com as famílias passando mais tempo em casa, o comércio eletrônico permitiu que o consumo de bens fosse mantido, beneficiando a recuperação da indústria. Com isso, o PIB industrial avançou 1,9% no quarto trimestre ante o terceiro, fechando 2020 com queda de 3,5% sobre 2019.

Por outro lado, o isolamento social seguiu afetando a prestação de serviços como alimentação fora, lazer e viagens. Com isso, o PIB de serviços avançou 2,7% sobre o terceiro trimestre, mas isso não foi suficiente para evitar a queda de 4,5% em 2020 ante 2019.

A desorganização dificulta a retomada, porque o setor de serviços responde por 73% do PIB. Esse peso também se reflete no consumo, direcionado em sua maioria para os serviços. Mesmo com o impulso do auxílio emergencial, a alta de 3,4% no consumo das famílias no quarto trimestre sobre o terceiro não evitou a queda de 5,5% em 2020.

Como a redução do poder de fogo das medidas do governo já era conhecida - em setembro, o auxílio emergencial foi reduzido de R$ 600 para R$ 300 mensais, com o último pagamento feito em dezembro - e houve a piora da pandemia em dezembro, a perda de fôlego da retomada no fim do ano era esperada. A desaceleração da recuperação continuou neste início de ano, sem o auxílio e com os sistemas de saúde no limite, e vários economistas já esperam uma retração do PIB no primeiro trimestre.

“2020 é o ano que não terminou. O ano de 2021 é um ‘repeteco’, e agravado. Estamos vendo uma rebarba forte da pandemia, sem os instrumentos (para mitigar a crise), como o auxílio (emergencial), e com o desemprego e a inflação mais elevados. É um 2020 piorado”, afirmou o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.

Segundo Alessandra Ribeiro, da Tendências, dados de dezembro, janeiro e fevereiro apontam que o fim do auxílio emergencial tem causado impacto negativo “mais importante” do que o inicialmente estimado. Por isso, e por causa da piora na pandemia, a consultoria projetava crescimento abaixo de 3,0%, antes de saírem os dados do quarto trimestre.

Ao mesmo tempo, lembrou a economista, as discussões em torno da reedição da transferência de renda trazem à tona as incertezas sobre os desequilíbrios fiscais. O governo federal já vinha com déficits nos últimos anos por causa da crise fiscal que se arrasta desde a recessão de 2014 a 2016, mas o quadro se agravou com a pandemia. Ano passado, o déficit primário nas contas do governo - que não considera as despesas financeiras com juros da dívida - foi de R$ 743,087 bilhões, ou 10% do PIB, o maior rombo da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997.

Agora, após dois meses sem pagar o auxílio emergencial, o governo ainda negocia com o Congresso uma reedição da medida, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza a inclusão da transferência de renda no Orçamento deste ano, mas cria novas medidas de ajuste das despesas no futuro. A PEC está prevista para ser votada nesta quarta-feira, 3.

Na visão de Alessandra, o controle da pandemia e o ritmo da vacinação são mais importantes para definir o ritmo da recuperação econômica em 2021, mas a questão fiscal poderá tirar ainda mais fôlego da retomada.

O efeito aí é indireto. Com as incertezas sobre o equilíbrio das contas do governo, agentes do mercado financeiro passam a buscar taxas de juros mais elevadas ao investir nos títulos públicos. Isso contribui para a elevação das cotações do dólar. O câmbio mais elevado serve de combustível para a inflação e poderá levar o BC a elevar os juros básicos. A elevação geral dos juros encarece investimentos e pode reduzir o ritmo de crescimento.

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, as incertezas fiscais preocupam mais. Isso porque Megale - que integrava a equipe do Ministério da Economia, ocupando três cargos diferentes, até julho de 2020 - aposta que a vacinação contra avançará e que, mesmo sem o auxílio emergencial, recursos poupados pelas famílias manterão o consumo.

“O que pode piorar o cenário de PIB em 2021 não é a pandemia, não é a redução dos estímulos, mas uma piora relevante da percepção de risco”, afirmou o economista da XP.

Para Megale, a percepção de risco piorou recentemente, com a crise na Petrobrás - o presidente Jair Bolsonaro criticou a política de preços dos combustíveis e indicou um novo presidente para a estatal - e as sinalizações de que o auxílio emergencial poderá ser reeditado com poucas contrapartidas de cortes de gastos.

“Nesse ambiente, o câmbio talvez não seja tão favorável quanto a nossa projeção de R$ 4,90 (para o fim do ano). Se o câmbio for R$ 5,50, a inflação vai ficar mais pressionada, o Banco Central vai ter que antecipar a alta de juros, o que pode comprometer o crescimento no fim deste ano e do ano que vem”, completou o economista da XP.

O professor Lacerda, da PUC-SP, vê a reedição do auxílio como inevitável. Diante da elevação dos déficits nas contas públicas em todos os países, por causa do cenário inédito da pandemia, o problema maior é o governo federal não ter um plano de longo prazo de equilíbrio. No curto prazo, sem a transferência de renda emergencial, o desempenho da economia será pior em 2021, derrubando a arrecadação de tributos e, portanto, ampliando o rombo fiscal da mesma forma, segundo o economista.

“Não vamos conseguir o equilíbrio fiscal negando os recursos (para o auxílio), porque a arrecadação vai cair ainda mais, vai haver atrasos no pagamento de tributos. Não há muita alternativa se não fazer (uma nova rodada do auxílio)”, afirmou Lacerda. COLABORARAM THAÍS BARCELLOS e GREGORY PRUDENCIANO

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Para uma economia que, em algum momento no início da pandemia, chegou-se a prever uma queda em torno de 10%, recuar 4,1% é quase um alívio. Mas não nos enganemos: é um número muito ruim. Seria diferente, claro, se a economia brasileira viesse num ritmo pujante e tivesse apenas sido abatida pela pandemia. Nesse caso, seria um tropeço numa trajetória virtuosa. Mas estamos muito longe disso.

Nos últimos dez anos, o crescimento brasileiro foi pífio, incluindo as quedas de 3,55% em 2015 e de 3,31% em 2016. Depois disso, foram três anos de crescimento em torno de 1%, culminando agora com mais uma queda significativa. Uma década - mais uma - perdida.

Os números são fortes, mas não são a coisa mais importante. No cenário atual, o problema é o que vem pela frente. O passado é bem ruim. Mas, olhando para o futuro, o que nos espera? A falta de rumo assusta muito mais do que saber que a economia não sai do lugar (na verdade, anda para trás) há uma década.

A nova matriz econômica imaginada no governo Dilma Rousseff, em 2011, trocou o tripé macroeconômico do governo Fernando Henrique Cardoso (câmbio flutuante, meta fiscal e meta de inflação) por um aumento dos gastos públicos, juros baixos (na marra), crédito barato via bancos estatais e desvalorização forçada do real, entre outros pontos. Deu no que deu, já conhecemos essa história.

Essa política foi revertida com a queda de Dilma e a chegada de Michel Temer. E a aposta dos empresários e do mercado financeiro era que essa mudança seria aprofundada com o governo Jair Bolsonaro, que angariou a simpatia desse segmento ao levar para sua equipe o economista Paulo Guedes, o seu 'posto Ipiranga', com sua pregação liberal.

Dois anos depois, pouco sobrou do discurso liberal. Gente que foi para o governo acreditando nesse caminho já pulou fora do barco (Salim Mattar, Paulo Uebel, entre outros). Alguns foram saídos pelas antipatias irracionais de Bolsonaro (Joaquim Levy, do BNDES; e Roberto Castello Branco, da Petrobrás).

O episódio Petrobrás, aliás, jogou por terra qualquer esperança que alguém ainda tivesse da orientação liberal do governo Bolsonaro na economia. Pressionado pela alta de preços, a saída do presidente foi pelo caminho do populismo, puro e simples. Troca-se o comandante da empresa por um que siga as ordens do capitão. Não por acaso, cinco conselheiros da Petrobrás, entre eles ex-presidentes de grandes empresas, pediram para deixar o conselho.

Sem agenda liberal, sem privatizações, sem reformas, não há farol à vista para a economia brasileira. O que Bolsonaro mira é a sua reeleição, e vai trabalhar apenas para isso. Serão medidas de curto prazo, quando o País precisa mesmo é de um plano de longo prazo e de alguém que o abrace, de verdade. Estamos à deriva.

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