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04 de Janeiro de 2021

SIDERURGIA

Plano da China de reduzir produção de aço abala minério de ferro

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Money Times - SP   04/01/2021

O preço do minério de ferro sentiu o impacto dos planos da China de controlar a produção de aço no próximo ano, uma ameaça à demanda em um ano de fortes ganhos para a commodity. O abalo coincidiu com novos sinais de ampla oferta.

A China quer assegurar uma produção menor de aço bruto em 2021, segundo a agência de notícias Xinhua, que citou o ministro da Indústria, Xiao Yaqing. O governo planeja novas diretrizes para a substituição da capacidade de aço e também visa reduzir as emissões de carbono, disse.

O mercado global de minério de ferro gira em torno da força da indústria de aço da China, que compra mais da metade da oferta transoceânica de mineradoras na Austrália e no Brasil, como BHP, Rio Tinto e Vale.

A produção de aço na China registra ritmo recorde neste ano, quando o governo aumentou o estímulo para aliviar o impacto da pandemia de coronavírus. Esse fator e gargalos de oferta elevaram os contratos futuros ao maior nível desde pelo menos 2013.

O minério de ferro “caiu recentemente, principalmente por causa do aumento dos embarques ao exterior no final do ano”, disse por telefone Ma Liang, analista da Guotai Junan Futures. A notícia sobre o corte da produção de aço “abalou ainda mais o ânimo do mercado”, o que levanta questões se a demanda permanecerá elevada no próximo ano, disse Ma.

Os futuros mais ativos chegaram a cair 4,4%, para US$ 153,80 a tonelada na Bolsa de Cingapura, e eram negociados a US$ 155,20 às 13h34 no horário local. Seria o menor fechamento desde 16 de dezembro.Em Dalian, o minério de ferro caiu 3,7%, enquanto os contratos de aço subiram em Xangai.

Sinais de aumento na oferta de minério de ferro se acumulam. Os embarques da Austrália aumentaram para 20,1 milhões de toneladas na semana até 25 de dezembro, em relação a 15,8 milhões de toneladas na semana anterior, de acordo com dados preliminares da Global Ports compilados pela Bloomberg.

No Brasil, as exportações somaram, em média, 1,48 milhão de toneladas diárias nos primeiros 18 dias úteis de dezembro, acima do ritmo de novembro e da taxa no mesmo período do ano anterior.

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ECONOMIA

Inflação, gastos fixos e a volta do teto de gastos aumentam desafio do governo de conter a dívida pública

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Globo Online - RJ   04/01/2021

As contas públicas passarão por um teste de fogo em 2021. Com o estado de calamidade pública e do chamado “orçamento de guerra”— que permitiu ao governo ampliar despesas emergenciais para combater a pandemia este ano — se encerrando nesta quinta-feira, o Orçamento da União voltará a ser regido pelas regras fiscais tradicionais no próximo ano, com o aumento orçamentário limitado pelo teto de gastos.

A regra que impede expansão dos gastos da União além da inflação está cada vez mais pressionado pelo crescimento das despesas obrigatórias e pela inflação dos últimos meses de 2020. Além disso, o crescimento da dívida pública impõe um desafio extra ao governo nos primeiros quatro meses de 2021, quando o Tesouro precisará rolar quase R$ 700 bilhões em débitos.

Na quarta-feira, o Banco Central informou que a dívida bruta do governo atingiu no mês passado o equivalente a 88,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No ano, o aumento na relação dívida/PIB, até agora, foi de 13,8 pontos percentuais.

As despesas com a vacinação contra a Covid-19 e outros gastos da pandemia devem continuar fora do teto de gastos. Mas a meta de resultado das contas públicas voltará a vigorar no próximo ano, impondo ao governo o risco de bloqueio de algumas verbas no Orçamento e dificultando a gestão financeira dos ministérios.

O Congresso aprovou uma previsão de rombo de R$ 247 bilhões em 2021. Em 2020, o estado de calamidade pública dispensou o cumprimento da chamada meta fiscal. Junto com a volta da meta em 2021 vem o risco de contingenciamentos ao longo do ano, afetando serviços e a manutenção da máquina pública.

Ao mesmo tempo, o teto de gastos foi pressionado pela disparada da inflação nos últimos meses de 2020. Isso vai obrigar a equipe econômica a fazer cortes no Orçamento, que ainda não foi votado no Congresso. A previsão é de cortes de pelo menos R$ 20 bilhões.

Toda a margem para aumento de gastos do teto já foi usada no Orçamento previsto para 2021, portanto não há como incorporar novas despesas sem corte equivalente. O problema disso é o descasamento entre o índice de inflação que corrige o teto de gastos e o indexador atrelado às principais despesas fixas do Orçamento.

O teto para o Orçamento de 2021 foi ampliado em 2,1%, seguindo o IPCA para o período de 12 meses encerrado em junho deste ano — e isso não muda. Por outro lado, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada no fim do ano teve como base um INPC de 4,1%, que é o índice que corrige, por exemplo, benefícios da Previdência Social.

Só essa diferença já obrigaria o governo a fazer um corte de R$ 10 bilhões. Mas a tesourada deve ser ainda maior, podendo chegar a R$ 20 bilhões, já que o governo espera que, com a alta da inflação no fim do ano, o INPC feche 2020 em 5,2%.

Também na quarta, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o salário mínimo será de R$ 1,1 mil em 2021, alta de 5,26% em relação ao deste ano. O impacto nas contas públicas vem do fato de a maior parte de aposentadorias, pensões e benefícios pagos a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda ser atrelada ao salário mínimo, corrigido pelo INPC.

Benefícios do INSS acima do mínimo também seguem o índice.

Mesmo uma improvável alta expressiva da arrecadação de impostos não faria diferença para o teto. O resultado dessa equação, dizem especialistas em contas públicas, é a necessidade de corte nas despesas.

Com mais de 90% de gastos fixos, o corte deve recair mais uma vez sobre obras e serviços públicos, podendo levar o montante para investimentos e custeio para menos de R$ 80 bilhões.

Seria o menor já registrado, o equivalente a 5,5% das despesas sujeitas ao teto, em 2021: R$ 1,45 trilhão.

— Corre-se o risco muito grande de paralisação de várias políticas públicas ou até mesmo da máquina pública. E, por outro lado, se não for isso, o teto é que corre o risco de ser rompido. Falta o governo dar maior clareza a respeito do ano que vem — diz o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, citando bolsas de estudos e emissão de passaportes como exemplos de programas e serviços vulneráveis.

Estratégia não é clara

A estratégia da equipe econômica para gerir as contas públicas em meio a tantas restrições em 2021 é acompanhada com atenção pelo mercado financeiro e vai influenciar na confiança de investidores e das empresas. A política fiscal do governo é decisiva para a contenção da dívida pública, que deve alcançar 91% do PIB neste ano.

Quanto mais ruído e incerteza, maior o prêmio que investidores cobram para emprestar ao governo. O custo médio da dívida interna hoje é de 7,36% ao ano — bem maior que a taxa básica de juros da economia (Selic), de 2%. Até abril, o governo precisa rolar R$ 654 bilhões da dívida pública. Qualquer turbulência pode fazer o juro subir mais.

— O governo precisa garantir uma quantia considerável de recursos no curto prazo já que a fatura a ser paga entre janeiro e abril de 2021 é mais que o dobro da média dos últimos cinco anos. E vai ser preciso comunicar isso de forma clara e rápida, pois já é grande a desconfiança de que o governo não vai conseguir rolar e vai acabar enfrentando dificuldades de colocar dívidas mais longas e juros baixos em mercado — diz Juliana Damasceno, pesquisadora de Economia Aplicada do Ibre/FGV.

Gabriel Leal de Barros, sócio e economista-chefe RPS Capital, avalia que o desiquilíbrio fiscal do país está afetando toda a economia. Para ele, a eleição para as presidências da Câmara e do Senado será decisiva para a agenda econômica:

— Dependendo de como a gente endereçar as questões fiscais a gente vai endereçar todo o resto. O cenário é desafiador. Se ele vai ser positivo ou negativo, vai depender de como o Congresso vai tomar decisões a partir de fevereiro.

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Os fatores que evitaram o maior desastre em 2020

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O Estado de S.Paulo - SP   04/01/2021

E o pior não aconteceu. No segundo trimestre, em plena pandemia, as projeções para o desempenho da economia do Brasil foram terríveis. Algumas chegavam a indicar um mergulho do Produto Interno Bruto (PIB) de quase 10% para todo o ano.

As novas previsões falam de uma queda de 4,4% (veja o gráfico). Essa é a última projeção do Banco Central, que coincide com a do mercado, como consta no Boletim Focus desta semana.

São quatro as explicações para esse tombo menos acentuado.

A primeira delas é a de que o Tesouro despejou R$ 322 bilhões em auxílios emergenciais para a população (66 milhões de pessoas), recursos que permitiram uma sustentação da demanda de bens essenciais – especialmente alimentos, medicamentos e moradia – durante o isolamento social necessário para combater a covid-19. Foi uma demanda que permitiu que a atividade econômica não entrasse em colapso. O efeito colateral foi o avanço inesperado da inflação, que, no entanto, tende a ser limitado (veja o gráfico).

O segundo grande fator de sustentação da economia foi o excelente desempenho do agronegócio. Como mostram as últimas projeções do IBGE e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção física de grãos na safra de 2020/21 deverá ter um aumento de 3,5%, para alguma coisa em torno dos 266 milhões de toneladas. Os preços também ajudaram, seja pelo aumento da demanda interna de alimentos, como mencionado acima, seja pela forte importação da China.

A alta do dólar em reais também trabalhou na mesma direção. O impacto desses resultados no PIB ainda é relativamente baixo porque a agropecuária pesa apenas 5,6% na renda nacional.

O maior estrago aconteceu no setor de serviços (mais de 70% do PIB), especialmente nas viagens, no turismo, nos grandes eventos, no ensino, na saúde, no ramo dos bares e restaurantes e em grande parte no comércio varejista. Salvaram-se as vendas pela internet e os escritórios, graças aos serviços prestados em casa, o home office.

As avarias macroeconômicas foram enormes: investimentos adiados, obras paralisadas, um desemprego de 14,3% da força de trabalho e de outros 5,5% no desalento (desistiram de procurar emprego) e, mais que tudo, o alastramento do rombo fiscal e o avanço da dívida pública. Até agora, o governo não mostrou como vai enfrentar as exigências da lei do teto dos gastos nem como vai reequilibrar as contas públicas em 2021. Nem mesmo o Orçamento de 2021 foi aprovado.

As apostas se concentram agora na recuperação da atividade econômica, que já começou a mostrar as caras no último trimestre deste ano. O maior trunfo está na aplicação da vacina.

Cinco instituições internacionais já mostraram que superaram a terceira e decisiva fase de testes. O Instituto Butantã espera começar a vacinar ainda em janeiro e a Fiocruz tem planos para iniciar a aplicação das doses no fim de fevereiro. É provável que, já no primeiro semestre de 2021, boa parcela da população tenha sido atendida. Mas não será preciso esperar até que a maior parte da população tenha sido imunizada contra o novo coronavírus para contar com avanços na economia.

E há, também, sinais de excelente recuperação da economia mundial, especialmente da China e da Europa, também fortemente influenciados pela distribuição das vacinas. São fatores que indicam bons resultados na balança comercial do Brasil, especialmente ancorados pelo novo recorde de produção de commodities agrícolas.

A perspectiva de que a vacina esteja próxima e o afastamento da ameaça de novas ondas da pandemia, no Brasil e no resto do mundo, podem mudar corações e mentes. E esse novo ânimo tende a ser a melhor energia para revitalizar a atividade econômica.

Menos

Com preços em alta, commodities vão alavancar receitas de exportações

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IstoÉ Online - SP   04/01/2021

Impulsionadas principalmente pelo minério de ferro, as principais commodities produzidas no País devem alavancar as receitas brasileiras com exportações neste ano, amenizando a crise econômica remanescente da pandemia. Segundo estimativas da Tendências Consultoria, o minério, a soja e o petróleo devem registrar uma alta de 12,9% nos preços nos próximos 12 meses.

“Em 2021, devemos alcançar um nível de preços que não vimos nos últimos seis anos”, diz a economista Yasmin Riveli, da Tendências. Segundo um índice de preços da consultoria que engloba as três principais commodities exportadas pelo Brasil, as cotações do minério de ferro, da soja e do petróleo estarão, neste ano, 33% acima do verificado em 2016 – o pior ano da década para as commodities e o segundo pior para a economia brasileira.

Na comparação com o super ciclo do segmento ocorrido entre 2010 a 2014, porém, os preços ainda estarão 34% abaixo dos registrados em 2011, o melhor ano do período.

Yasmin explica que a cotação do minério de ferro vem batendo máximas históricas, mas os preços do petróleo e da soja, apesar de estarem se recuperando, devem continuar em níveis inferiores aos observados no início da década passada. Essa combinação acabará inviabilizando um novo super ciclo de commodities, como alguns analistas vinham projetando para 2021.

O minério de ferro é a commodity cujo preço mais depende da economia chinesa, e a demanda no país está acelerada com a retomada da indústria. Durante o ano passado, o preço do produto subiu 94,7% (leia mais informações nesta página).

Já o petróleo e a soja estão mais conectados com o restante do mundo, que ainda patina com a instabilidade econômica decorrente da pandemia. Ainda assim, problemas climáticos e a demanda da China – cujo governo estimulou o aumento de estoques de grãos, preocupado com uma possível falta de alimentos por conta da covid – fizeram com que o preço da soja subisse 35,6% em 2020.

Única commodity das mais importantes exportadas pelo Brasil a ter queda na cotação em 2021, o petróleo também está em situação que pode ser considerada positiva. O preço do barril caiu 22,5% no ano passado, mas teve uma recuperação de 163% desde que atingiu o fundo do poço, ao ser cotado a US$ 19,54 em abril, quando o mundo estava em lockdown.

Incertezas

A economista Lia Valls, do FGV Ibre, reconhece que a expectativa no mercado é que os preços continuem em patamares elevados no primeiro semestre deste ano, mas alerta que as incertezas também são altas. “Não é certo se haverá um novo ciclo. As pessoas estão vendo a economia começar a se recuperar, mas ninguém sabe quão forte será a segunda onda da pandemia.”

Para Júlia Passabom, economista do Itaú Unibanco, há espaço “na margem” para novos aumentos. “Podemos continuar vendo preços mais altos, uma vez que tem o La Niña (fenômeno climático que reduz a produção agrícola) e os estoques (de grãos) caem. O minério também está bastante atrativo, mas é preciso observar se tem fôlego para andar mais do que já andou”, afirma.

A economista diz também não esperar que a alta das commodities pressione ainda mais a inflação. “Há espaço para a inflação desacelerar, porque o choque vai se dissipando”, acrescenta.

Minério pode ir a US$ 180 com menor produção

O minério de ferro, que passou 2020 todo em alta, acelerou o ritmo em dezembro e bateu a casa dos US$ 160 por tonelada no fim do ano. A divulgação de estimativas de produção decepcionantes pela Vale tornou remoto o cenário de equilíbrio entre oferta e demanda e agiu como catalisador da curva de alta, que vinha sendo sustentada pela forte demanda da China no pós-pandemia.

A mineradora brasileira divulgou, no início de dezembro, que espera entregar neste ano entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas. Em 2019, a empresa havia anunciado uma projeção diferente: de 375 milhões a 395 milhões de toneladas para 2021.

Em relatório, a consultoria australiana Macquarie afirmou que, com a redução das projeções da Vale, ficou difícil enxergar como o mercado pode atingir o equilíbrio – até porque, com a chegada da vacina contra a covid, a tendência é de retomada da produção de aço em países da Europa e no Japão, aquecendo a demanda.

A Macquarie calcula uma falta de 50 milhões de toneladas de minério em 2021 e diz que as opções de oferta adicional – como maior exportação pela Índia e a reativação de mineradoras chinesas de alto custo – não estão à mão de imediato. A conclusão é que um aumento adicional nos preços é uma possibilidade real.

Projeções

Apesar do aumento nos preços do minério de ferro em 2020, analistas esperavam um freio para este ano, com a entrada de novas capacidades no mercado e menor consumo. Depois que a Vale anunciou uma redução na estimativa de produção, porém, o fim do rali da commodity saiu do horizonte de economistas, que revisaram seus cálculos.

Em dezembro, o Safra elevou sua projeção média de preços em 2021, de US$ 75 por tonelada para US$ 100. O Itaú BBA alterou de US$ 100 por tonelada para US$ 110. Já o BTG Pactual indagou, em relatório sobre a Vale, se a próxima parada do preço será na marca dos US$ 180 por tonelada.

O Credit Suisse afirmou a clientes, também em dezembro, que a queda nos embarques brasileiros, a projeção de produção da Vale e a demanda aquecida das siderúrgicas chinesas tornam factível que o preço se mantenha no patamar de US$ 150 por tonelada. O Goldman Sachs passou a ver este mesmo nível como justo para a média dos próximos seis meses e projeta preço médio por tonelada em US$ 120 para este ano, uma elevação substancial frente à estimativa feita em setembro, de US$ 90 por tonelada.

“É difícil falar de limite. O mercado deve continuar com oferta-demanda justa nos próximos meses”, diz Daniel Sasson, do Itaú BBA.

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2020 fecha pior década da história

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Correio Braziliense - DF   04/01/2021

O ano de 2021 começa repleto de dúvidas, especialmente, em relação ao início da vacinação em massa contra a covid-19 no Brasil. Já as certezas são muitas. Uma delas é que o impacto da pandemia na atividade econômica acabou sendo menor do que o inicialmente esperado, devido às medidas fiscais adotadas pelos governos globalmente. Caso contrário, a queda seria mais do que o dobro, de acordo com analistas ouvidos pelo Correio. Um consenso entre eles é de que a década encerrada em 2020 foi a pior da história, ou, pelo menos, dos últimos 120 anos.

Levantamento do Credit Suisse, considerando uma retração de 4,3% da economia brasileira em 2020 — uma das previsões mais otimistas do mercado —, estima que o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) da década ficará em 0,2%, abaixo do verificado nos anos 1980, quando a taxa foi de 1,6%.

“A recessão provocada pela pandemia foi profunda, mas as medidas fiscais impediram uma recessão bem mais grave”, destaca Solange Srour, economista-chefe do Credit Suisse Brasil. Para ela, a covid-19 foi uma “tempestade perfeita” que se abateu sobre o já baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos. E, entre os muitos desafios em 2021, o governo vai ter que lidar com o legado de deficit fiscal e pressão inflacionária, fatores que podem travar uma retomada mais robusta da atividade.

A previsão do banco suíço para a expansão do PIB brasileiro de 2021, de 4%, está acima da mediana das estimativas do mercado, de 3,5%. Apesar das perspectivas positivas, o Brasil ainda deverá crescer menos do que a média global e do que vários países vizinhos e emergentes, pois o principal motor para um crescimento sustentável, o investimento, continuará fraco, devido à desconfiança dos agentes econômicos.

Um dos motivos é que grande parte desse avanço será meramente estatístico. Conforme estimativas dos especialistas, a taxa de carregamento para o PIB do ano que vem, devido à base muito baixa deste ano, varia entre 2% e 3,5%.

“Se o PIB cair 4,5% neste ano, o crescimento no ano que vem facilmente chegará a 3,5%, porque o nível de comparação será muito baixo”, afirma o economista Simão Silber, professor da Universidade de São Paulo (USP). Ele acredita que, depois de 2021, o desempenho será muito parecido com o padrão anterior à pandemia, com crescimento de 2% ao ano, “o que é muito modesto”.

Desemprego

Vale lembrar que, antes mesmo da chegada da covid-19, o país já não vinha conseguindo avançar em ritmo forte depois da recessão de 2014 a 2016. Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, destaca que há muitas incertezas em relação ao próximo ano, especialmente, na área fiscal. Segundo ela, 2021 não poderá ser pior do que 2020, mas a recuperação do mercado de trabalho será lenta, e ainda haverá aumento do desemprego, com chances de a taxa de desocupação romper a barreira de 17%. “O cenário é bem desafiador, ainda que o processo de recuperação da economia esteja em curso”, alerta.

Uma das maiores preocupações dos especialistas é com o atraso no processo de vacinação no Brasil. Sem imunização em massa, diz a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), não será possível uma retomada do setor de serviços, que tem o maior peso no PIB, e não se confirmará a retomada em V apontada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Conforme estimativas do instituto, considerando uma queda de 5,4% no PIB per capita de 2020, a queda média anual do PIB entre 2011 e 2020 foi de 0,6%, desempenho pior do que o dos anos 1980. “Esta é a verdadeira década perdida; o quadro é péssimo”, resume Silvia Matos.

Menos

A China deve se tornar o país mais rico do mundo muito antes do previsto

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Exame - SP   04/01/2021

Que a economia chinesa estava fadada a ultrapassar a americana em algum momento, era sabido. Mas um novo estudo divulgado no apagar das luzes desde 2020 gerou um pequeno frenesi entre os economistas mundo afora e veículos especializados: a projeção de que o PIB da China será superior ao dos Estados Unidos já em 2028.

A estimativa é da consultoria britânica Centre for Economics and Business Research (CEBR), em seu World Economic League Table, estudo sobre a economia global publicado anualmente desde 2009.

O prazo é cinco anos mais cedo do que a projeção do ano passado da própria consultoria, que previa esse movimento só em 2033. Projeções de outras instituições anteriores à pandemia da covid-19 também apontavam que a China iria ultrapassar os EUA somente na próxima década.

“À medida em que praticamente todos os países foram afetados pela pandemia, um de seus impactos foi redistribuir o momentum econômico entre os países, com a Ásia se saindo melhor”, aponta o relatório. A partir de 2021, a CEBR calcula que a China vai crescer anualmente cerca de 5,7% até 2025 (depois 4,5% por ano entre 2026-30 e, por fim, 3,9% entre 2031-35).

O estudo chamou atenção por cravar uma projeção que já vinha sendo aguardada desde o começo da pandemia: o fato de que a crise da covid-19 deve antecipar a chegada chinesa ao topo, em detrimento da economia americana e de países europeus.

Mesmo sem covid-19, o crescimento chinês nas últimas décadas têm sido meteórico, em uma combinação de pujança do mercado interno e crescimento das exportações, com industrialização, empresas de tecnologia se destacando no mundo e bons resultados educacionais.

A China foi de quinta maior economia do mundo em 2005 para segunda em 2010, posto em que se mantém desde então. Sua fatia na economia global subiu de 3,6% em 2000 para 17,8% em 2020.

Os EUA estão no posto de maior economia do mundo desde a década de 1920, consolidando a liderança global após as duas guerras mundiais.

O ano de 2021 marcará também o começo do novo “Plano Quinquenal” chinês, que vai de 2021 a 2025. Com o mote de fazer o mercado interno e externo “se complementarem”, nas palavras do presidente Xi Jinping, o plano já traz de forma clara que a guerra comercial com os EUA deve perdurar e, para além disso, o mercado consumidor externo não deve se recuperar rapidamente da crise da covid-19.

A China é o país mais populoso do mundo, com quase 1,44 bilhão de habitantes em 2020, mais de 18% da população mundial. Os milhões de consumidores chineses e a crescente influência da China entre os vizinhos asiáticos serão necessários como nunca.

A projeção do CEBR é ainda que a China se torne uma economia desenvolvida (ou high income economy) em 2023, também antes do previsto. Uma economia desenvolvida tem, segundo o Banco Mundial, um determinado PIB per capita (de 12.536 dólares, nos números de 2019), mas o termo também é frequentemente usado para se referir aos “países de primeiro mundo”.

A China está entre os poucos países que deve encerrar 2020 com crescimento do PIB. Segundo estimativa de outubro do Fundo Monetário Internacional (FMI), só 25 países terão saldo positivo na economia neste ano, a maioria países da Ásia e da África que já vinham em alto crescimento antes da crise, com situação melhor também para os que conseguiram controlar a pandemia, como foi o caso da China.

A estimativa do FMI é que a China cresça 1,9% neste ano, muito abaixo do crescimento nos anos anteriores diante da crise, mas ainda um feito enquanto a maioria dos países enfrenta recessão.

Os EUA devem ter recessão de 4,3% neste ano, segundo a projeção do FMI. No combinado de todo o grupo dos países ricos (como Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Reino Unido), a previsão é ainda maior, de queda de 5,8% em 2020, puxada por desempenhos ruins na Europa.

No Brasil, a título de comparação, a projeção é de recessão de mais de 5,8% pelas contas do FMI (que economistas têm considerado elevadas para o cenário brasileiro), ou de 4,4% segundo os analistas ouvidos pelo boletim Focus do Banco Central nesta semana. Boa parte do crescimento brasileiro na retomada econômica diante da covid-19 dependerá, inclusive, da própria China, atualmente maior parceiro comercial do Brasil.

Garantir que a China não vá longe demais em sua expansão global — incluindo na influência sobre outros países, como o Brasil — deve ser um dos principais objetivos do presidente eleito nos EUA, Joe Biden. De todas as coisas que Biden pretende fazer diferente do atual presidente, Donald Trump, a fala grossa com a China não deve ser uma delas, disse em entrevista à EXAME o analista americano Francis J. Kelly, chefe de Relações com o Governo e Assuntos Públicos para as Américas do Deutsche Bank.

“O presidente eleito entende que o mundo mudou [desde o governo Obama] e a China é um lugar diferente agora. Acho que o que se verá com a China é uma continuação de negociações comerciais muito duras e até do que vimos sob Trump”, disse Kelly.

Para os analistas, embora seja impossível voltar atrás na visão da China como grande rival americana construída sob Trump, as empresas americanas — muitas com negócios na China e querendo chegar ao bilionário mercado asiático — também têm “muito em jogo”.

“A gestão do assunto ‘China’ é conduzida por três grupos concorrentes nos EUA: segurança nacional, interesses comerciais e interesses nacionalistas”, aponta relatório da Gavekal Research publicado pela Exame Research sobre a relação China-EUA (). Equilibrar essas três frentes será um desafio e tanto no governo Biden.

O fenômeno de crescimento maior da China é natural — desde a década de 1990 o crescimento dos emergentes têm sido maiores que os das economias já desenvolvidas. Mas se a pandemia acelerou transformações no mundo, como a adoção de novas tecnologias, acelerou também uma mudança profunda na hegemonia econômica.

Menos

CONSTRUÇÃO CIVIL

Construção civil lida com retomada gradativa e incerta, prevendo queda de 2,5% em seu PIB até o fim deste ano

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O Estado de S.Paulo - SP   04/01/2021

A construção civil apresentou resultados bastante positivos nos últimos meses, mas ainda lida com um futuro incerto. A expectativa de crescimento prevista no início do ano mudou com a chegada da pandemia. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) avalia a possibilidade de uma queda de 2,5% no PIB do setor até o encerramento deste ano. Segundo a entidade, os rendimentos atuais não são capazes de assegurar uma recuperação consistente do segmento.

Estimulada pela majoração do número de obras de reparo durante a pandemia, a construção civil viveu um período de grandes avanços em 2020. Entre dezembro de 2019 e outubro deste ano, o setor gerou cerca de 138 mil vagas de emprego com carteira assinada no Brasil e acabou incentivando o desenvolvimento de várias outras áreas e segmentos. A comercialização de cimento, por exemplo, registrou uma elevação de 10,1% entre os meses de janeiro e outubro deste ano, tendo por comparação o mesmo intervalo de tempo de 2019.

A busca por novas obras, tanto por parte de famílias quanto de empresas, aumentou muito ao longo da temporada de isolamento social, principalmente, as de menores proporções. O surgimento do auxílio emergencial também contribui significativamente para a criação do cenário recente.

Para manter o contexto favorável, o sucesso da construção civil deve ser acompanhado pela boa performance de outros setores. No entanto, isso não está acontecendo. A retomada econômica está ocorrendo de maneira distinta para cada segmento. Esse fato fica evidente quando observamos alguns dados recentes. Conforme o Sinduscon, as vendas de varejo alcançaram uma alta de 7,8% entre janeiro e outubro, enquanto a produção industrial apresentou um declínio de 4,7% no mesmo período. A pesquisa de Sondagem da Construção, realizada pela FGV-Ibre, ainda mostrou a diminuição das taxas de atividade do setor nos segmentos de instalações, acabamentos, construção, edificações, obras viárias, obras voltadas a criação de túneis, pontes ou viadutos e a preparação de terrenos. Esta análise também revelou que os maiores obstáculos que o setor enfrenta atualmente são baseados na insuficiência de demanda, crescimento da rivalidade e disputa entre empreendimentos do próprio setor e o encarecimento de matérias-primas.

A obtenção de alguns materiais ficou mais difícil, mas isso não chegará a acarretar a escassez dos mesmos. O problema maior neste momento é a elevação dos preços de produtos que estão sob o domínio de poucos fornecedores, como por exemplo, o PVC, que teve um significativo aumento. Além disso, a alta do dólar, que atingiu os 40% no último ano, afetou a fabricação de todos os materiais provenientes do petróleo.

A inércia econômica atrapalha bastante o movimento de recuperação. A situação de incertezas, dúvidas e insegurança acaba adiando a concretização de grandes investimentos no Brasil. Hoje, o nosso país possui intensos problemas fiscais e a sua economia expõe uma produtividade muito baixa. A junção destes fatores faz com que os avanços da construção civil se mostrem instáveis e oscilantes com o passar dos anos.

De acordo com o Sinduscon, os efeitos do aquecimento do mercado imobiliário durante a pandemia – em razão da evolução do crédito e diminuição das taxas de juros – não foram sentidos em todas as regiões de nosso território. Esse mercado demonstrou ganhos mais suntuosos em cidades com maiores rendas, como São Paulo, mas o seu deslocamento ascendente não se fez presente no Rio de Janeiro e em Recife, por exemplo. Entretanto, apesar de todo este contexto e a preocupação com os altos preços dos insumos, a previsão é que em 2021 a construção civil se recupere e registre um aumento de 3,8% no PIB.

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NAVAL

Companhia Docas do Rio de Janeiro bate recorde histórico de faturamento

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Portal Fator Brasil - RJ   04/01/2021

Com um crescimento de 21% na receita, o faturamento foi de aproximadamente, R$ 630 milhões, significa o recorde absoluto e é o maior crescimento dos últimos dez anos.

A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), Autoridade Portuária que administra os Portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis encerra o ano de 2020 com um crescimento de 21% na receita. O faturamento de, aproximadamente, R$ 630 milhões significa o recorde absoluto e é o maior crescimento dos últimos 10 anos, numa sucessão de elevações consecutivas de 19,4% em 2017 (segunda maior alta do período), 16,8% em 2018 (terceira maior alta do período) e de 13,6% em 2019 (quarta maior alta do período).

Segundo os números divulgados pela diretoria de Relações com o Mercado e Planejamento, o faturamento foi superior ao de 2019 em R$ 108 milhões. Os dados também incluem projeções para o mês de dezembro.

O número histórico deve-se a uma conjugação de fatores: a sustentação das operações durante a pandemia, a resiliência dos operadores de contêineres durante a crise, a recuperação da movimentação do minério de ferro após uma queda em 2019, as negociações bem-sucedidas com parceiros comerciais e à grande elevação do preço do minério de ferro em reais.

Como na quase totalidade dos negócios que não puderam parar no auge das medidas de isolamento social, a empresa teve que adaptar rapidamente seus processos de trabalho em parceria com os operadores portuários para garantir a continuidade das operações. Assim, com a sustentação da demanda por minério de ferro (principal produto exportado pelos portos da CDRJ), o volume total movimentado pela companhia cresceu 7% em relação ao ano passado.

Nos terminais de minério, que respondem por, aproximadamente, 72% do volume movimentado nos portos administrados pela CDRJ, houve recuperação da movimentação que havia caído em 2019, após queda na produção das minas do Sudeste, como consequência do desastre de Brumadinho. Assim, no último trimestre do ano, a empresa atingiu volumes movimentados superiores aos do primeiro trimestre de 2019, nos meses anteriores ao desastre. Com isso, o resultado de 2020 na movimentação de minério tende a ser próximo a 3% maior que em 2019.

Os terminais de contêineres conseguiram se recuperar após um vale de queda de movimentação do segundo quadrimestre do ano e movimentaram consistentemente mais no último quarto de 2020, chegando a atingir, no consolidado do ano, uma elevação de 7% em relação a 2019. Esse crescimento no final do ano deveu-se ao fato desses terminais terem buscado outros tipos de cargas, além de sua carga principal de contêineres.

Os demais terminais, cujas cargas principais não são nem contêineres nem minério de ferro, apresentaram, no conjunto, um crescimento de mais de 30% no volume movimentado em relação ao ano passado, puxado pelo crescimento de 56% na movimentação de ferro gusa. Assim, no consolidado de 2020, a movimentação dos portos administrados pela CDRJ ficará próxima de 55 milhões de toneladas, atingindo em torno de 7% acima do resultado de 2019.

O crescimento aproximado de R$108 milhões em relação ao faturamento de 2019 está, na sua maioria, concentrado nos terminais de minério cuja alta foi de 66% em relação ao ano passado. Segundo o diretor de Relações com o Mercado e Planejamento, Jean Paulo Castro e Silva, —esse aumento deve-se ao acordo amigável com um dos nossos principais parceiros comerciais de pagamento da diferença em relação ao mínimo contratual não atingido em 2019, à elevação da movimentação em relação ao ano passado e à grande valorização do minério de ferro em reais, resultado da conjugação da alta do valor da commodity nos mercados internacionais e grande apreciação do dólar em relação ao real—.

Para o diretor-presidente da CDRJ, Francisco Antonio de Magalhães Laranjeira, — atingir o recorde histórico no momento de pandemia é um marco importante e demonstra que os portos não pararam em nenhum momento—. Apesar das dificuldades decorrentes da pandemia, a Docas do Rio e seus parceiros comerciais tiveram a resiliência necessária para adaptar suas operações e aproveitar bem as oportunidades que se ofereceram nessa conjuntura de mercado e alcançar um resultado excepcional em 2020.

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