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01 de Junho de 2022

SIDERURGIA

Notícias de Mineração - SP   01/06/2022

A MRS Logística informou ao mercado nesta terça-feira (31) que assinou um contrato de R$ 409 milhões para prestação de serviços de transporte de produtos siderúrgicos com a Usiminas por ferrovia. O acordo vale até 31 de dezembro de 2023.

A companhia lembra que a Usiminas detém participação de 11,1% na MRS Logística e que não houve participação dos conselheiros indicados pela siderúrgica no âmbito do processo decisório.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   01/06/2022

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) subiu 1 ponto em maio, ficando em 115,9 pontos no mês. Os dados foram divulgados hoje (31) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

De acordo com a economista do instituto Anna Carolina Gouveia, o indicador apresentou acomodação acima da média apresentada nos cinco anos anteriores à pandemia de covid-19, mesmo com a queda expressiva registrada no mês anterior. Entre março de 2015 e fevereiro de 2020, o IIE-Br teve média de 114,4 pontos.

Ela explica que a acomodação em nível moderadamente alto reflete fatores econômicos internos e externos.

“No front internacional, a escalada de inflação em diversos países, o conflito no leste Europeu e a desaceleração da economia chinesa são fontes relevantes de incerteza. No Brasil, a perda de poder aquisitivo da população diante da inflação, o elevado nível de endividamento das famílias e a piora das condições fiscais ao longo de 2022 levantam dúvidas quanto à continuidade dos resultados positivos para a atividade econômica como os do primeiro trimestre”.

A economista ressalta que o cenário é desafiador para ambas conjunturas, internacional e doméstica, e que, com isso, o indicador deve continuar a oscilar em patamar elevado nos próximos meses.
Componentes

Os dois componentes do Indicador de Incerteza apresentaram a mesma tendência no mês de maio.

Segundo o FGV Ibre, o componente de Mídia, que é baseado na frequência de notícias com menção à incerteza nas mídias impressa e online, subiu 0,5 ponto, para 114,1 pontos. A contribuição para o índice agregado foi de 0,4 ponto.

Já o componente de Expectativas, que indica a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, subiu 2,4 pontos, para 116,4 pontos. A contribuição para a evolução na margem do IIE-Br foi de 0,6 ponto.

Globo Online - RJ   01/06/2022

A dívida pública completou o sexto mês seguido em queda ao chegar em 78,3% do PIB em abril deste ano. A estatística foi divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira.

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De acordo com o BC, o principal fator para a nova queda no indicador foi o crescimento do PIB nominal e o resgate da dívida. Pelo outro lado, os juros e a desvalorização cambial diminuíram a magnitude da queda.

Como o PIB é denominador da relação com a dívida, quando ele aumenta o resultado é a queda do indicador. Já a alta dos juros básicos impacta o indicador pela outra direção.

O indicador está em trajetória de queda desde fevereiro do ano passado, quando atingiu o pico histórico de 89% do PIB, impulsionado por gastos decorrentes do enfrentamento à pandemia.

Desde então, com a diminuição das despesas e vacinação, além de alta na arrecadação e da atividade econômica, a relação dívida/PIB começou a cair.

Em queda: Em março, a dívida/PIB retomava pela primeira vez o patamar de abril de 2020, do início da pandemia

Na avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, a dívida pública deve continuar abaixo de 80% do PIB durante este ano. A expectativa do mês passado era de 84,8%, mas foi revisada para 78,9% do PIB ao final de 2022.

“A revisão foi motivada pela expectativa de maior superávit primário do setor público no ano, em razão do desempenho positivo da arrecadação dos entes federados, especialmente dos governos regionais. O superávit, no entanto, deverá cair até 2025, fazendo com que a dívida bruta tenha ligeira alta”, aponta o relatório da instituição.

IBGE: Desemprego recua para 10,5% em abril e atinge 11,3 milhões

O indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque mede a capacidade do país de pagar suas dívidas. O número engloba o resultado do governo federal, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais.

Novo superávit

Assim como em março, abril também registrou superávit no setor público consolidado, que inclui o governo central, os governos regionais e estatais. O saldo positivo foi de R$ 38,9 bilhões, contra R$ 24,3 bilhões no mesmo mês de 2021.

Esse número é o maior para meses de abril da série histórica do Banco Central, iniciada em dezembro de 2021. O último recorde havia sido ano passado.

O BC aponta que o número é resultado de superávits no governo central, de R$ 29,6 bilhões, e nos regionais, de R$ 10,3 bilhões, além de um déficit de R$ 1 bilhão nas estatais em abril.

Nos doze meses encerrados em abril, o superávit chegou a R$ 137,4 bilhões, ou 1,52% do PIB.

O Estado de S.Paulo - SP   01/06/2022

O gabinete da China anunciou nesta terça-feira, 31, um pacote de 33 medidas abrangendo políticas fiscais, financeiras, de investimento e industriais para reavivar sua economia devastada pela pandemia, acrescentando que inspecionará como os governos provinciais as implementarão.

O pacote de estímulo, que foi indicado pelo Conselho de Estado da China em uma reunião de rotina na semana passada, ressalta a mudança de Pequim em direção ao crescimento, depois que as medidas de controle da covid-19 afetaram a economia e ameaçaram a meta de crescimento de 5,5% de Pequim para o ano.

Para reavivar o investimento e o consumo, o governo ordenou aos municípios que não ampliem as restrições às compras de automóveis e disse que aqueles que já adotaram restrições deveriam aumentar gradualmente suas cotas de propriedade de automóveis.

O Ministério das Finanças também disse nesta terça-feira que reduzirá pela metade o imposto sobre a compra de automóveis de pequeno porte.

A China promoverá o desenvolvimento saudável das empresas plataforma, que devem desempenhar um papel na estabilização dos empregos, disse o Conselho de Estado.

As empresas plataforma também são encorajadas a fazer avanços em áreas que incluem computação em nuvem, inteligência artificial e tecnologias de blockchain, disse o Conselho de Estado, no mais recente sinal de que a China está aliviando uma repressão às plataformas de comércio eletrônico e aos gigantes tecnológicos.

A China também expandirá o investimento privado, acelerará a construção de infraestrutura e estimulará a compra de carros e eletrodomésticos para estabilizar os investimentos, de acordo com as medidas.

O Estado de S.Paulo - SP   01/06/2022

Quase todos os analistas estão prevendo que a inflação acumulada em 12 meses irá permanecer em dois dígitos até agosto, resultando em um ano inteiro em que o IPCA mensal ficará em 10% ou mais nos 12 meses anteriores, o que deflagra o temor de que a memória inflacionária volte a criar raízes mais profundas.

Isso porque, se confirmadas essas projeções, esse será o mais longo platô em dois dígitos do índice de preços ao consumidor desde o período de novembro de 2002 até novembro de 2003. Lá atrás, o IPCA em 12 meses atingiu o pico de 17,24% em maio de 2003, durante o primeiro ano de mandato do então presidente Lula.

Na ocasião, o Banco Central foi obrigado a elevar os juros até 26,50% para tentar quebrar aquela escalada de preços. Mas o BC teve ajuda importante nessa tarefa: a política fiscal foi bastante contracionista, contribuindo ainda mais para conter a demanda. Em 2003, por exemplo, o governo conseguiu obter um superávit fiscal primário de 4,25% do PIB.

A recente disparada na inflação, por outro lado, é resultado de uma sucessão de choques de oferta nunca antes vistos: fenômenos climáticos adversos; gargalos nas cadeias mundiais de produção em razão da pandemia de covid, levando a escassez de insumos; e a guerra na Ucrânia, gerando uma disparada nos preços de commodities agrícolas e de energia.

Com a alta de combustíveis e de alimentos, a inflação em dois dígitos atingiu fortemente as classes de renda mais baixa na sociedade brasileira. Também os preços de bens industriais, em razão da escassez de matérias-primas essenciais para a manufatura, dispararam e afetaram o consumidor.

O argumento de muitos analistas é que, ao contrário de 2003, o BC não deveria subir tão mais a taxa Selic, hoje em 12,75%, uma vez que a política monetária não deveria combater com juros o impacto primário dos choques de oferta.

Mas, com a reabertura da economia, faxineiras, dentistas, cabeleireiros e outros profissionais estão reajustando o quanto cobram por seus serviços, pressionados pelo custo de vida mais alto. Ou seja, além dos preços de produtos, a classe média também vem tendo de lidar com reajustes de serviços, em alguns casos, em torno de dois dígitos.

A pressão inflacionária atual tem como pano de fundo um choque de oferta, mas a estrutura da economia brasileira, com a indexação de salários e de vários preços, como aluguéis, força o BC a ter de lidar mais energicamente com o platô da inflação acima de 10% por muito tempo. E põe em dúvida se o fim da alta de juros acontecerá em junho ou em agosto.

IstoÉ Online - SP   01/06/2022

O dólar à vista encerrou a sessão desta terça-feira, 31, praticamente estável, no patamar de R$ 4,75, muito influenciado por questões técnicas do mercado doméstico de câmbio. O dia foi marcado pela disputa em torno da formação da última taxa Ptax de maio – referência para liquidação de contratos futuros e fechamento de balanços corporativos – e pela típica rolagem de posições de fim de mês.

Segundo profissionais do mercado, o anúncio de novos estímulos econômicos na China, que começa a relaxar restrições de combate à covid-19, e os dados domésticos positivos, como o resultado fiscal do setor público em abril (superávit primário de R$ 38,876 bilhões), teriam dado certo fôlego ao real, que conseguiu em parte se descolar do sinal predominante de alta da moeda americana no exterior.

Tirando uma escalada na primeira hora de negócios, quando correu até a máxima de R$ 4,7780, o dólar trabalhou a maior parte do dia entre estabilidade e leve baixa. Na mínima, pela manhã, chegou a romper o piso de R$ 4,70, ao marcar R$ 4,6985. No fim do pregão, era cotado a R$ 4,7526, variação de -0,02%. Mesmo com leve alta de 0,30% nesta semana, a moeda termina maio com queda de 3,85% – o que leva a desvalorização acumulada no ano a 14,77%.

O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – se recuperou do tombo de segunda-feira e operou em alta, mas não conseguiu se firmar acima dos 102,000 pontos. Quando o mercado local fechou, era negociado a 101,773 pontos, avanço de 0,45%. O dólar também ganhou força em relação à maioria das divisas emergentes e de exportadores de commodities, embora tenha recuado frente a pares do real como peso chileno e colombiano.

Para o economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos, os investidores estrangeiros estão retornando ao Brasil, tanto para capturar os juros altos da renda fixa quanto para investir em ações de empresas de commodities, de olho na reabertura da China. “Hoje é um dia especial pela formação da Ptax. Mas está entrando dólar no mercado e isso tem impactado bastante a moeda”, afirma.

Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 602,915 milhões na bolsa doméstica na sessão de sexta-feira, 27. Com a entrada de capital externo na B3 nos últimos dias, o saldo negativo acumulado no mês, que chegou a superar R$ 12 bilhões, agora está na casa de R$ 9 bilhões. Como não há dados atualizados do fluxo cambial, em razão da greve dos servidores do Banco Central, não é possível saber se houve aporte líquido de recursos no País em maio.

Analistas atribuem o tombo do dólar neste mês à redução dos temores de desaceleração forte da economia da China, o que ensejou recuperação de preços de commodities, e à perda de força do índice DXY, sobretudo com a recuperação do euro. Sinais do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) de que vai manter o ritmo de alta da taxa básica em 50 pontos-base nas próximas reuniões fizeram investidores apararem apostas em um dólar globalmente cada vez mais forte.

“A expectativa de alta das commodities com a reabertura da China favoreceu todas as moedas emergentes e fez o dólar se desvalorizar pouco mais de 3% frente ao real”, afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, que também observa uma aparente melhora da conjuntura doméstica como fator impulsionador da moeda brasileira. “Temos a expectativa de privatização da Eletrobras e a questão do teto do ICMS. A taxa de juros está elevada e o BC vai continuar subindo a Selic. Isso ajudou na entrada de fluxo neste mês.”

Nesta terça à tarde, em audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que o real tem tido o melhor desempenho ante o dólar entre todas as moedas dos países do G20 em 2022, em parte em razão da “mensagem do BC de combate à inflação”. Na segunda-feira, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, afirmou que a apreciação do real estaria contribuindo para suavizar o choque de preços de commodities e que a queda recente do dólar ainda se faria sentir com mais força nas leituras de inflação.

“O dólar corrigiu bastante neste mês. Houve fluxo forte para a Bolsa e ainda há oportunidades”, afirma head de câmbio da HCI Invest, Anilson Moretti, que não acredita, contudo, que o dólar possa romper o piso de R$ 4,60. “A inflação global ainda preocupa bastante o mercado e temos reunião do Fed em junho (dias 14 e 15). O dólar pode subir até a resistência de R$ 4,95”.

Agência Brasil - DF   01/06/2022

Em audiência pública hoje (31) na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, citou previsões de instituições financeiras que projetam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) de 1,5% a 2%. A previsão atual é de aumento em torno de 1%. Na audiência, o presidente do BC apresentou as perspectivas da autoridade monetária para juros e inflação no país.

“A gente tem visto revisões para cima no PIB brasileiro. O Brasil é um dos poucos países que tiveram revisão do PIB para cima. Já ouvimos muita gente falar em crescimento de 1,5% e 2%”, disse Campos Neto, que citou como indicativo da recuperação a reação nos setores de serviços, e de comércio e em parte da indústria.

Aos deputados, Campos Neto voltou a dizer que a pandemia de covid-19 resultou em aumento na demanda por bens, tendência que se manteve mesmo após a retomada das atividades no país. Somado a uma maior demanda por energia, com manutenção de um baixo investimento no setor, isso ajudou na manutenção da inflação global, afirmou.

Como forma de enfrentar a persistência da inflação, os diferentes bancos centrais começaram a subir a taxa de juros, lembrou o presidente do BC. Ele lamentou a alta na taxa de juros e disse que o ciclo de aumento da Selic está perto do fim.

“O mundo começa a subir os juros, e o Brasil foi bem na frente. Subiu os juros bem, foi um dos primeiros países a dizer publicamente que entendia que o problema da inflação seria mais persistente”, afirmou Campos Neto. “Muitos países ainda estão com juros reais negativos. Por isso, o mercado ainda espera que os países desenvolvidos subam muito os juros nos próximos meses”, acrescentou.

Desemprego

Ao comentar os dados sobre a taxa de desemprego de 10,5% no trimestre, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campos Neto manifestou surpresa e disse esperar que, até o fim do ano, o percentual fique abaixo de dois dígitos.

“Foi uma surpresa bastante positiva. Em termos de taxa de desocupação, quando a gente olha o trimestre, deu 10,5%. A gente está começando a falar que o desemprego este ano vai ser abaixo de dois dígitos. Lembrando que antes da pandemia, estava em 12%, então a gente já está em um nível bem melhor do que antes da pandemia”, afirmou.

Apesar de ter registrado queda no desemprego, o IBGE também apontou perda na capacidade de renda do trabalhador. Segundo o instituto, o rendimento médio real do trabalhador foi de R$ 2.569, com redução de 7,9% em relação ao mesmo trimestre de 2021, quando o apurado foi de R$ 2.790.

O presidente do BC disse que, com a convergência entre o aumento no número de empregos e a diminuição de renda, o resultado fica estável.

“A gente tem gerado mais emprego com renda menor e continua com a massa salarial mais ou menos estável.”

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   01/06/2022

A Vale (VALE3) informou ter efetuado depósito no valor de R$ 1,2 bilhão referente ao Acordo de Reparação por Brumadinho. O valor depositado em juízo será transferido ao Estado de Minas Gerais e revertido em projetos para melhoria de mobilidade urbana e serviços públicos, como pavimentação de estradas e reformas de hospitais.

O Acordo de Reparação, firmado em fevereiro de 2021 entre a empresa, o governo de Minas e instituições de justiça prevê que a Vale desembolse R$ 37,7 bilhões para reparar danos coletivos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. A mineradora já desembolsou R$ 18,5 bilhões até agora.

A Vale explica que o valor depositado nesta terça-feira (31) corresponde ao pagamento das terceiras parcelas, corrigidas pela inflação, para o Programa de Mobilidade Urbana de Minas Gerais. A mineradora também esclareceu que algumas obrigações do Acordo de Reparação já foram integralmente quitadas.

“Também foi transferido integralmente o saldo dos R$ 4,4 bilhões para implantação do Programa de Transferência de Renda (PTR), solução definitiva para os pagamentos emergenciais aos atingidos, pagos entre abril de 2019 e outubro de 2021 pela Vale”, afirma a mineradora.
: Vale (VALE3): Acordos individuais firmados pela mineradora por caso de Brumadinho superam R$ 3 bilhões

O PTR é gerido por instituições de justiça, sem a participação da Vale, e operacionalizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Brasil Mining - SP   01/06/2022

Após tragédias com deslizamentos, tecnologia tem sido mais utilizada e produz rejeito seco que pode ser usado com fins sustentáveis

Um dos maiores desafios ambientais do Brasil é dar seguimento à atividade econômica da mineração com segurança ambiental, após as tragédias ocorridas com deslizamentos em 2015 e 2019 em Minas Gerais, o que levou à proibição de alguns tipos de barragens. Como alternativa, uma solução que se mostra viável tecnicamente e tem sido cada vez mais aplicada nesse setor é a desidratação dos rejeitos da mineração até formar um resíduo seco – o que evita a formação de lagoas.

As vantagens incluem a redução do risco de escorregamento do material, e a possibilidade de sua reutilização de forma sustentável, na agricultura ou construção civil. Para isso, são utilizados equipamentos de grande porte, chamados “filtro-prensa”.

“O filtro-prensa nada mais é do que um sistema de filtragem, mas que usa a pressão para separar a solução rica, ou seja, parte sólida (chamada de torta de filtro), do rejeito líquido. Em termos práticos, você retira a água do processo por meio da pressão”, explica Benônimo Vaz Júnior, conselheiro de meio ambiente para o setor de mineração da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg). Segundo ele, essa é uma tendência para o futuro da mineração, uma mudança de mindset para empreendedores, mas que deve ser analisada caso a caso, pois, em grandes volumes, essa pode não ser uma solução tão facilmente aplicável.

Um grupo que produz o filtro-prensa é a paulista Imake. O diretor comercial da empresa, Davidson do Vale, explica que a filtração ocorre em três etapas: enchimento de filtros, quando a pressão interna sobe; início da permeabilidade, quando o líquido atravessa o tecido e ocorre a filtração, e, com ainda maior pressão, ocorre a compactação, com o surgimento da “torta seca”, que é a lama compactada.

As mineradoras precisam obter um rejeito concentrado isento de água, bem seco, para possibilitar o empilhamento. “Apesar de essa ser uma técnica já antiga, hoje ela avança por meio da automatização, e o filtro-prensa já é o equipamento que faz a torta mais seca possível, pois outras máquinas, como centrífugas ou o uso do vácuo, não conseguem obter o mesmo nível de compactação”, acrescenta o diretor.

“Com a tendência de trazer maior segurança às barragens, vemos cada vez menos o uso do rejeito líquido com lama, e cada vez mais o seu tratamento. E para retirar essa umidade da lama e usar o rejeito em outras áreas, como a construção civil, são necessários equipamentos que permitam o fluxo desse fluido com segurança, sem vazamentos e corrosão do sistema”, acrescenta o gerente-geral de vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas e Sistemas de Medição e Controle, Mateus Souza. As válvulas que compõem esse sistema podem ser de vários tipos: esfera, borboleta, globo, guilhotina, entre outras – dependendo da parte do processo e contanto que tenham confiabilidade do fabricante.

A FIEG, a GEMÜ e a Imake foram alguns dos expositores da Brasmin – Feira da Indústria da Mineração, que ocorreu em Goiânia (GO) de 24 a 26 de maio de 2022.

Sobre a GEMÜ – A filial da multinacional alemã criada por Fritz Müller na década de 1960 disponibiliza ao mercado brasileiro válvulas de extrema eficiência e qualidade. A planta situada em São José dos Pinhais (PR), que conta com 100 colaboradores e soma mais de 40 anos no Brasil, produz válvulas e acessórios para o tratamento de água e efluentes em indústrias de todas as áreas, como siderurgia, mineração e fertilizantes, bem como para integrar sistemas de geração de energia. Na área de PFB (farmacêutica, alimentícia e biotecnologia), a GEMÜ é líder mundial e vende para toda a América Latina produtos de alta precisão, com atendimento local, além de consultoria com profissionais capazes de orientar na escolha da melhor solução em válvulas para cada aplicação. Mais informações: https://www.gemu-group.com/pt_B

Brasil Mineral - SP   01/06/2022

A Invest Mining, rede de financiamento para o desenvolvimento e atração de investimento na mineração, lançou a primeira chamada para empresas interessadas em estabelecer contatos com investidores para seus projetos de mineração. O lançamento foi feito na manhã do dia 30 de maio, no auditório do BNDES e reuniu representantes do Banco, do Ministério de Minas e Energia, do Ibram, da ABPM, da Adimb (algumas das instituições que fazem parte da Rede), bem como executivos de fundos de investimentos e corretoras. O objetivo da rede Invest Mining é introduzir novos mecanismos de financiamento para a mineração à semelhança do que já existe em outros países, além de estimular a adoção de práticas de ESG em novos projetos do setor. Com a chamada, pretende-se consolidar uma carteira de empreendimentos naquilo que está sendo chamado de hub de projetos.

Como explicou o coordenador do Invest Mining, Miguel Cedraz Nery, o edital lançado no dia 30 estará vigente de 1 de junho até 31 de julho. Nesse período, serão colhidas informações dos projetos que estão em fase de captação de recursos financeiros. E a partir das informações que estarão disponíveis na base, a Rede fará a aproximação com as instituições financeiras tentando viabilizar a parceria entre os empreendedores e os possíveis financiadores. O formulário para inscrição de projetos interessados em obter financiamento estará disponível no site do Invest Mining (www.investmining.com.br).

Fazem parte da rede Invest Mining diversas organizações: bancos; fundos; gestores de ativos e bolsas; IBRAM; ABPM; Conselho Temático de Mineração (COMIN) da Confederação Nacional da Indústria (CNI); ADIMB; Câmara de Comércio Brasil-Canadá (BCCC, sigla em inglês); BNDES, Agência Nacional de Mineração (ANM), Ministério de Minas e Energia via Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (MME/SGM).

Para o secretário de Geologia, Mineração e Treansformação Mineral do MME, Pedro Paulo Dias Mesquita, o financiamento à mineração no Brasil está em transformação, citando como exemplo a possibilidade de que o empresário possa dar título de lavra como garantia nos financiamentos e prometeu, ainda para o mês de junho, novas mudanças, incluindo a possibilidade de que outros títulos minerários, além da concessão de lavra, possam ser dados em garantia. Ele disse, também, que o risco na mineração é financiado de forma compartilhada e a Rede tem um papel muito importante nesse sentido.

Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram, disse que a união entre setor privado, setor público e investidores em mineração é muito benvinda, salientando que se os grandes players já contam com suas próprias fontes de financiamento, a maior parte das empresas que atuam no setor não tem. Ele elogiou a possibilidade de se dar o direito minerário como garantia, mas lamentou que o Brasil ainda tenha somente 27% do seu território mapeado na escala 1:250.000 e só 3% na escala 1:50.000.

Bruno Aranha, Diretor de Crédito Produtivo e Socioambiental do BNDES, afirmou que a instituição já te um histórico de R$ 28,7 bilhões de financiamento a projetos de mineração e que poderá oferecer, como parte da rede Invest Mining, várias modalidades de financiamento, como Opções, Fundos Garantidores, Project Finance, Blended Finance (reembolsáveis ou não) e que todos são acessíveis a empreendedores de pequeno, médio e grande porte.

Marcos André Gonçalves, presidente do conselho da Adimb, disse que a iniciativa vem coroar um esforço que está sendo desenvolvido desde 2010 e que a mesma abre novas perspectivas para o setor mineral brasileiro.

Luís Maurício Azevedo, presidente da ABPM, comentou que apesar da força da mineração brasileira, o setor conta com apenas cinco empresas com valuation acima de 1 bilhão de dólares na bolsa brasileira, o que marca uma grande desigualdade na mineração. Eliminar essa desigualdade é um dos objetivos da Rede, segundo ele.

Flávio Moraes da Mota - Chefe do Departamento de Indústria de Base e Extrativa do BNDES, disse que o hub de projetos trará ganhos para que os agentes financeiros possam entender e ver melhor como viabilizar os projetos de mineração, salientando que o BNDES apoia projetos que tenham o menor impacto possível ao meio ambiente.

Daniel Renner, da XP Investimentos, disse que o setor financeiro sabe que existe muito potencial para desenvolver no setor de mineração e que a iniciativa de lançar uma carteira de projetos é fundamental para sair do plano teórico e ir para o plano objetivo. Ele explicou que atualmente a XP tem quase R$ 1 trilhão em custódia na sua base e uma parte importante disso é do mercado de capitais, lembrando que a instituição participou dos IPOs da Aura Minerals e CSN Mineração. O representante da XP também salientou que os empreendedores precisam ter muito cuidado coma questão socioambiental, porque isto está no radar dos investidores. E que é preciso transformar o ESG em oportunidades.

Eduardo Cardoso, representante da Ore Investment, primeira gestora brasileira de fundos exclusivos para mineração, que até agora já captou R$ 300 milhões, afirmou que a plataforma é um gatilho para desenvolver a mineração brasileira.

Já Felipe Holzhacker Alves, da Frontera Minerals, disse que é importante ter a presença da B3 na Rede e que avanços como a criação das normas brasileiras para quantificação e qualificação de recursos e reservas permite ao investidor ter qualidade da informação e maior previsibilidade do risco. Ele chamou a atenção para o desafio de se conseguir multiplicar o fluxo de caixa dos empreendimentos, como acontece em países como Austrália e Canadá. O que é necessário, acrescentou, é que haja conhecimento dos investidores, organização dos tomadores, estabilidade e previsibilidade da regulação no setor.

Para Frederico Beldrán, diretor de Geologia e Produção Mineral do MME, o lançamento da plataforma inicia o caminho para trazer o setor financeiro para a mineração, salientando que cada empresa precisa de um bom geólogo e um bom CFO. Ele lembrou que há um universo muito interessante que o mercado financeiro precisa olhar, além do minério de ferro, cobre, zinco, fertilizantes, informando que anualmente 600 novas portarias de lavra são publicadas e somente 5% são de grandes projetos. O restante é rocha ornamental, água mineral, agregado, calcário para corretivo, projetos de 15 a 25 milhões de reais. Porém, isso totaliza mais 2 bilhões de reais a ser olhado. Somando-se mais R$ 1 bilhão em pesquisa mineral, o montante sobe para R$ 3 bilhões. Em sua opinião, são projetos que dão nova cara ao setor mineral brasileiro.

Valor - SP   01/06/2022

Commodity do aço segue em terreno positivo, com valorização de 14,8% no mercado à vista no ano, cotada a US$ 136,60 a tonelada

Na reta final de maio, os preços do minério de ferro reduziram a 4% a baixa acumulada no mês, em meio à crescente expectativa de anúncio de um pacote de estímulo econômico na China, para compensar os efeitos negativos de mais de dois meses de lockdowns. Apesar do segundo mês consecutivo de correção, a commodity segue em terreno positivo - valorização de 14,8% no mercado à vista em 2022.

As medidas de estímulo foram anunciadas ontem por Pequim e ainda há incertezas quanto ao ritmo de retomada do maior consumidor mundial da matéria-prima. Mas a expectativa para os próximos meses é de desempenho melhor do que o visto no início do ano, tanto para a economia chinesa quanto para o minério de ferro.

Ontem, segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o minério com teor de 62% se manteve o nível de US$ 136,60 a tonelada no norte da China, sem variação ante a véspera. Na Bolsa de Commodity de Dalian, os contratos mais negociados, de setembro, subiram 2%, a 892,50 yuan.

Em nota a clientes, a economista Susan Joho, do banco Julius Baer, lembrou que, após os fracos números de abril, a China adotou uma série de medidas para reativar a atividade, em particular no setor imobiliário, com cortes nas taxas de juros e flexibilização de outras restrições. “A implementação efetiva estímulo depende sobretudo das medidas de confinamento [contra covid-19]. Nesse contexto, a reabertura de Xangai é uma boa notícia. Essas medidas provavelmente ajudarão a estabilizar a economia e trazê-la aos níveis pré-lockdown”.

Diante disso, a previsão é de “leve recuperação” da economia chinesa no terceiro trimestre. Maior produtora mundial de aço bruto, a China é também a principal consumidora de minério de ferro.

Para os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner, do BTG Pactual, a demanda chinesa por commodities parece ter atingido o fundo do poço entre abril e maio, e deve se acelerar no segundo semestre, com o relaxamento dos lockdowns e uma série de medidas de estímulo, em particular aos setores imobiliário e de infraestrutura.

Além disso, os analistas apontaram que os estoques de minério nos portos chineses vinham caindo rapidamente, diante da menor oferta das importações, e que a queda nos preços do aço laminado a quente na China levou as siderúrgicas a operarem com margens negativas, o que não é sustentável. “Com algum nível de reabertura e estímulo, esperamos recuperação relevante nas próximas semanas”.

IstoÉ Online - SP   01/06/2022

A mineradora Vale pagou 9,3 bilhões de dólares em impostos e royalties globalmente em 2021, aumento de 63% em relação a 2020, em grande parte devido aos preços mais elevados de minério de ferro e cobre, disse a companhia nesta terça-feira.

Do total de tributos pagos pela Vale, 89% foram arrecadados no Brasil, onde está a maior parte das operações da empresa –o equivalente a 45 bilhões de reais.

“Nossa contribuição tributária tem um papel fundamental no apoio às comunidades, pessoas e governos das regiões onde operamos, gerando um forte e positivo legado econômico, social e ambiental”, disse o diretor Tributário Global, Octavio Bulcão, em nota.

Os dados fazem parte da terceira edição do Relatório de Transparência Fiscal da Vale, que compartilha detalhes dos tributos que a empresa paga e das contribuições que faz para os lugares onde atua.

Já a chamada “contribuição econômica global” da Vale alcançou 45,6 bilhões de dólares em 2021 e 317 bilhões de dólares nos últimos dez anos. Esse valor considera, além dos tributos, os montantes pagos a fornecedores, os salários de mais de 200 mil empregados próprios e terceiros, os reinvestimentos, entre outros.

O relatório, que teve sua primeira edição publicada em 2020, detalha os princípios para a abordagem da Vale em relação a tributos e investimentos.

Inclui informações relativas a tributos sobre renda, mineração, folha de pagamentos e produtos e serviços, entre outros, e fornece dados sobre valores pagos no Brasil, Canadá, Indonésia e Moçambique.

Valor - SP   01/06/2022

Companhia quer usar seu portfólio de metais e minerais ferrosos para se posicionar na transição energética global


Luciano Siani, vice-presidente de estratégia: “Vamos olhar oportunidades no Brasil, mas não vamos fazer loucuras” — Foto: Leo Pinheiro/Valor

Antes mesmo de a Vale chegar aos 80 anos, data que se completa hoje, a pergunta sobre qual será o futuro da mineradora tem sido repetida com frequência por investidores, analistas de bancos e outros públicos de interesse. A indagação se justifica pelo porte da empresa, dona da ação mais líquida da B3 no momento e que, no ano passado, gerou US$ 20 bilhões (R$ 108 bilhões) em fluxo livre de caixa, o saldo depois do pagamento de todos os compromissos. A magnitude dos números leva o mercado a questionar o que a Vale quer ser para além de uma “cash cow” [vaca leiteira], uma das dez maiores pagadoras de dividendos do mundo, como mostrou, em abril, o Valor.

A alta administração da Vale vem discutindo o planejamento para 2023-2027. A curto e médio prazos há questões que a empresa precisa resolver, incluindo dificuldades nas operações de minério de ferro e níquel, os dois principais produtos do portfólio junto com o cobre. O mercado cobra que a empresa entregue os resultados. Atingir a capacidade de produção de 400 milhões de toneladas de minério de ferro por ano tornou-se mais difícil depois das restrições no uso de barragens, fruto do problema com Brumadinho, em 2019. Mas a Vale continua a perseguir a meta a “médio prazo”. Este ano deve produzir entre 320 milhões e 335 milhões de toneladas da commodity.

A mais longo prazo a mineradora debate, no conselho de administração, sobre o que pretende ser quando completar um século daqui a 20 anos - em 2042. Pelas dificuldades de se fazer previsões no Brasil, o que se soma a um mundo cada vez mais incerto, o planejamento funciona como exercício intelectual. Mas que aponta tendências com base na realidade do presente. A Vale quer voltar a crescer, mas pretende fazê-lo de forma diferente do que fez no passado, apoiada em grandes aquisições.

A mineradora quer se valer das vantagens que tem na produção de níquel, cobre e outros metais, e também no minério de ferro, para se posicionar de forma competitiva na transição energética, movimento em que países e empresas buscam implementar medidas para reduzir as emissões de gases poluentes. Embora esteja bem situada, a Vale tem desafios: tem forte dependência de um único cliente, a China, e é menos eficiente na operação, da porta da mina para dentro, do que os australianos, embora seja mais forte na logística.

A eletrificação da economia a partir de fontes mais “limpas” parece hoje inexorável e tem, como consequência, o crescimento de projetos de geração de energia eólica e solar, os quais são intensivos no consumo de cobre. As vendas de carros elétricos, por sua vez, estão em alta e demandam níquel, cobalto e lítio. Há ainda a descarbonização de indústrias tradicionais como de cimento e aço, clientes da Vale. A siderurgia responde por 9% das emissões globais de CO2. A Vale quer estar pronta para atender a todas essas demandas.

As expectativas em relação à companhia também são determinadas pela história recente, marcada por grandes aquisições, nos anos 2000, e pelas maiores tragédias socioambientais do país nos últimos sete anos. No começo do século, a Vale fez uma consolidação no setor no Brasil ao comprar outras empresas produtoras de minério de ferro: Caemi, Ferteco, Samitri e Socoimex. Junto vieram barragens a montante, como as que se romperam em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019).

As duas tragédias foram responsáveis por perdas humanas (289 mortes no total) e socioambientais, incluindo, ironicamente, a poluição do rio Doce, berço da companhia, constituída, por decreto do presidente Getúlio Vargas, em 1º de junho de 1942, em Itabira (MG). Mariana e Brumadinho incorporaram à Vale riscos e incertezas que se refletem até hoje na companhia. Um deles se explicita na diferença de valor de mercado da empresa em relação aos concorrentes australianos Rio Tinto e BHP Billiton (ver quadro acima).

Como uma das principais multinacionais brasileiras, a atuação da Vale fora do Brasil também tem um papel relevante na estratégia da companhia. Um passo importante na internacionalização da empresa foi a compra, em 2007, da Inco, produtora de níquel, no Canadá. A operação canadense mostrou-se problemática, mas deixa a mineradora hoje, 16 anos depois da aquisição, em posição vantajosa para fornecer níquel para a indústria de carros elétricos. Em maio, a empresa confirmou ter assinado contrato de longo prazo para fornecer níquel “classe 1” para a Tesla, nos Estados Unidos, a partir do Canadá.

Se o futuro oferece oportunidades de crescimento para a Vale a partir de operações no exterior, no passado alguns movimentos de internacionalização terminaram não dando certo. Estimativas de investidores indicam que entre 2005 e 2016 a mineradora brasileira aplicou US$ 25 bilhões em projetos em Moçambique (carvão), Nova Caledônia (níquel) e Argentina (potássio), investimentos que não foram recuperados. Em abril, a Vale concluiu a venda dos ativos de carvão de Moçambique para a Vulcan Resources, iniciativa que pode ser interpretada como o fim de uma era de grandes projetos e aquisições pela empresa, amparada no “superciclo” das commodities, nos anos 2000, em que os preços do minério de ferro atingiram picos de US$ 200 por tonelada.

O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, disse ao Valor, que a empresa está preparada para crescer e liderar a indústria de mineração do futuro (ver entrevista ‘Meu legado vai ser de excelência operacional’). Engenheiro de formação, o executivo está no cargo há três anos. Assumiu como CEO logo depois do rompimento da barragem de Brumadinho, e tem mandato até 26 de maio de 2024, com possibilidade de renovação. É considerado por investidores um gestor com experiência em “chão de fábrica”.

Para a Vale, a mineração do futuro será dos que conseguirem dominar determinadas competências e colocar de pé projetos de acordo com as demandas dos públicos de interesse e das políticas ESG, a sigla que designa as agendas ambiental, social e de governança corporativa. A tendência é que seja uma mineração mais baseada em tecnologia. “Em 20 anos, não vemos a presença de seres humanos em nossas minas subterrâneas, que são ambientes hostis [no Canadá]. Gostaríamos de ter minas todas automatizadas”, afirma Luciano Siani Pires, vice-presidente de estratégia e transformação de negócios da Vale.

A partir de hoje, o Valor publica uma série de reportagens sobre a Vale valendo-se da efeméride dos 80 anos para discutir o presente e as perspectivas da companhia, que hoje tem o maior valor de mercado da B3, à frente da Petrobras. Esta primeira parte oferece uma visão geral dos desafios e das oportunidades da empresa. Na próxima semana haverá uma edição dedicada às operações no Pará, na Amazônia, por onde passa o futuro do crescimento da mineradora. E na semana do dia 12 outra edição vai contemplar a situação em Minas Gerais, onde a Vale nasceu. Para fazer a reportagem, o Valor ouviu executivos da empresa e representantes de investidores, da sociedade civil e de governos.

“Estamos com esse movimento de tentar imaginar e conceber o que será essa empresa em 20 anos”, diz Siani. A Vale, afirma, está pronta para voltar a crescer e fazer “coisas novas”. “Mas ao invés de ter um negócio de minério de ferro, nos próximos 20 anos a Vale vai ter um portfólio de negócios associados à descarbonização da siderurgia”, afirma. Nos últimos 20 anos, a mineração foi uma história de urbanização da China e de procura dos chineses por todo tipo de mineral e metal, diz o executivo. Esse roteiro continua, mas a diferença, hoje, é que o mundo se voltou para a transição energética, compara.

No conjunto de soluções para descarbonizar a siderurgia, a Vale aposta na tecnologia tecnored, que permite produzir o chamado ferro-gusa verde, a partir da substituição de carvão metalúrgico por biomassa. Conta também com o briquete verde de minério de ferro, um novo produto, resultado de mais de 20 anos de pesquisa, que pode permitir uma redução de mais de 10% das emissões de gases de efeito estufa na produção de aço. A Vale também não vai se furtar de olhar oportunidades em outras áreas, como o lítio, usado nas baterias dos carros elétricos, e pode até mesmo ter algum papel na reciclagem dessas baterias.

Existem ainda oportunidades de novos empreendimentos. No cobre, por exemplo, a empresa tem perspectivas de desenvolver o projeto de Alemão, no Pará, e de Hu’u, na Indonésia. No minério de ferro, carro-chefe da companhia, há vários projetos em carteira. “A Vale vai olhar para oportunidades no Brasil que tenham sinergia [com as operações atuais] e se relacionem com as competências da empresa. Não vamos fazer loucuras”, diz Siani.

Valor - SP   01/06/2022

Fundação da Vale, em 1942, em plena 2ª Guerra, foi estratégica e nacionalizou o minério de ferro

Quando o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto-lei número 4.352 criando a Companhia Vale do Rio Doce, em 1º de junho de 1942, o mundo vivia um momento conturbado, em plena II Guerra Mundial.

Naquela data, o país estava imerso em uma crise institucional que tinha como ponto central a decisão sobre a entrada do país na Guerra. Vinte dias antes, o navio mercante Comandante Lira fora torpedeado em águas brasileiras, entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, em atentado atribuído a submarinos alemães.

Nos dias que se seguiram, outros três navios brasileiros tiveram o mesmo destino - o último deles, o Alegrete, exatamente em 1º de junho, data de criação da Vale.

Em outubro daquele ano seria criado o Cruzeiro, a primeira modificação na moeda brasileira desde a Independência, em 1822. Em 1942, o Brasil precisava de divisas e a nacionalização do minério de ferro, a partir da criação da Vale, foi estratégica. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) havia sido criada um ano antes, em 9 de abril de 1941. A Companhia Vale do Rio Doce, empresa capaz de alavancar o fornecimento de ferro para a indústria bélica americana, era fundamental.

Criada a partir da incorporação da Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia S. A. e da Itabira de Mineração S.A., trazia, no pacote de fundação, a manutenção, a exploração e a ampliação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). No pacote viria também a Mina do Cauê - minimamente explorada durante a passagem de Percival Farquhar pela presidência da Itabira Iron Ore Company -, que se transformaria em uma espécie de símbolo dos primeiros tempos da Vale. Cauê faz hoje parte do Complexo de Itabira, o berço da Vale, onde a empresa segue operando.

O primeiro bloco de pedra foi retirado pela Vale em 24 de outubro de 1944. Era o marco inicial de um projeto que iria além da mina em si e começaria a traçar a própria história da mineração no Brasil.

O texto original, no qual se apoia o relato, faz parte do livro “Nossa História”, publicado em 2012 pela Vale em homenagem aos 70 anos da empresa.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   01/06/2022

A Honda registrou o maior declínio ano a ano, de 54%, fabricando 190 mil carros em abril. A Mazda seguiu com uma redução de 50%, para 46 mil carros

A produção global de oito montadoras japonesas em abril caiu 21% em relação ao mesmo mês do ano passado, para 1,63 milhão de veículos, com a produção sendo reduzida pelos bloqueios anticovid-19 na China, de acordo com anúncios divulgados na segunda-feira. A Honda teve a maior queda.

A produção diminuiu em relação ao ano anterior pelo segundo mês consecutivo, pois os surtos de covid-19 continuaram a assombrar a China. A aquisição de peças de automóveis tornou-se difícil à medida que bloqueios rígidos foram impostos em Xangai e outras cidades.

Dos oito fabricantes – Toyota, Nissan, Honda, Mitsubishi, Suzuki, Mazda, Subaru e Daihatsu – sete registraram quedas na produção global de automóveis.

A Honda registrou o maior declínio ano a ano, de 54%, fabricando 190 mil carros em abril. A Mazda seguiu com uma redução de 50%, para 46 mil carros. A Mitsubishi registrou uma queda de 31%, para 53 mil carros. A produção da Toyota caiu 9%, para 692 mil veículos.

Apenas a produção da Subaru aumentou, saltando 63%, uma vez que se recuperou do forte declínio em abril de 2021, quando a empresa reduziu drasticamente a produção em casa e no exterior. A montadora produziu 70 mil veículos em abril deste ano.

A produção combinada das montadoras no Japão foi de 548 mil carros em abril, 19% menor que no ano anterior. Os fornecedores de peças chineses não conseguiram operar edurante o bloqueio. Atrasos no envio afetaram a aquisição de peças para carros fabricados no Japão.

A produção da Honda em sua principal fábrica, Suzuka, na província de Mie, no oeste do Japão, foi metade do plano anunciado em fevereiro. Sua produção doméstica em abril caiu 58%, para 27 mil veículos em relação ao mesmo mês do ano anterior.

A Mazda suspendeu a produção por oito dias em abril em duas fábricas no Japão, com a produção caindo 53%, para 30 mil veículos. A produção da Nissan para o mês caiu 44%, a 30 mil veículos.

A produção no exterior das oito montadoras totalizou 1,08 milhão de carros. Todas as empresas sofreram uma queda significativa na produção na China devido aos bloqueios. A produção chinesa da Honda despencou 81%, para 31 mil veículos, uma vez que foi duramente atingida por uma paralisação de cinco dias de duas de suas fábricas de automóveis em joint venture no país.

A Toyota suspendeu a produção até o final de abril em sua fábrica de automóveis de passageiros, que opera com uma empresa local em Changchun, na província de Jilin, nordeste da China. Isso resultou em uma queda de 34% na produção da empresa na China, para 93 mil unidades.

O bloqueio em Xangai deve ser suspenso em junho e as montadoras esperam uma recuperação gradual. No entanto, as preocupações permanecem. Um alto funcionário de uma grande montadora japonesa disse: "A política de zero covid da China continuará sendo um risco de produção". Com a crise global de chips também lançando uma sombra e não mostrando nenhum sinal de resolução, a produção de automóveis provavelmente permanecerá volátil.

Os fornecedores de peças chineses não conseguiram operar durante o bloqueio, e os atrasos no envio afetaram a aquisição de peças para carros fabricados no Japão — Foto: Jason Alden/Bloomberg

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   01/06/2022

Até o final deste ano, a Wabtec, uma das maiores fornecedoras líder global no segmento de equipamentos, locomotivas de carga, sistemas, soluções digitais e serviços para o transporte ferroviário de carga e de passageiros – entregará 25 novas locomotivas da série ES44ACi.

Em abril deste ano, Suzano, MRS e Rumo recebem as primeiras máquinas no Brasil da ES44ACi (ES, de Evolution Series), a mais recente inovação tecnológica das locomotivas diesel-elétricas. Elas são uma evolução da AC44i e um passo a mais na jornada da descarbonização das ferrovias brasileiras.

Segundo Juliano Andrade, diretor Comercial Latam da Wabtec, a ES44ACi é um projeto em conjunto com as operadoras. Daqui para frente, conforme ele, a evolução será ainda maior, com máquinas movidas a baterias, por exemplo. O objetivo – e capacidade – da Wabtec é colocar um volume de cem novas locomotivas no mercado brasileiro em menos de dez anos. “Isso, não só melhorará todo o sistema, mas será uma evolução de todo o transporte de cargas do País.”

“Para a Wabtec, sustentabilidade significa operar de maneira ética e socialmente responsável, mantendo uma cultura de segurança, protegendo o meio ambiente, apoiando nossas comunidades e desenvolvendo nossos funcionários. Foi esse o principal conceito aplicado na ES44ACi. Queremos, assim, construir um futuro melhor e mais sustentável”, afirma Andrade.

A LOCOMOTIVA HEAVY-HAUL MAIS SUSTENTÁVEL DO BRASIL

– Conforme Daniela Ornelas, vice-presidente de Produtos da Wabtec, ES44ACi é a locomotiva de carga com as mais modernas tecnologias diesel-elétricas em sustentabilidade e descarbonização em âmbito mundial. “No coração das locomotivas ES44ACi estão os motores diesel da série Evolution que, com apenas 12 cilindros, produzem os mesmos 4.500 HP que seus predecessores de 16 cilindros. Isso representa maior eficiência energética e menores emissões, graças a um projeto voltado à eficiência térmica da combustão aliado a um sistema duplo de resfriamento do ar de admissão adotado nestes motores de quatro tempos, turboalimentados equipados com injeção eletrônica de combustível”, explica, acrescentando que a ES44ACi é totalmente customizada para as ferrovias brasileiras.

Segundo ela, essa tecnologia permite que a máquina, além da economia de combustível, que pode chegar a 6% em redução de consumo, e maior potência, seja um avanço na jornada de sustentabilidade e descarbonização que as operadoras procuram e precisam. Os materiais de alta resistência empregados na ES44ACi também melhoram a confiabilidade do motor diesel e aumentam drasticamente os intervalos para as grandes manutenções, diminuindo os custos operacionais no ciclo de vida da locomotiva.

Os filtros centrífugos adotados nesses motores permitem dobrar o intervalo entre trocas de óleo lubrificante, diminuindo as perdas e aumentando a disponibilidade operacional da locomotiva. Toda esta tecnologia é do ARC (Advanced Rail Cleaner), o mais moderno sistema de limpeza de trilhos para aumentar a aderência das locomotivas e consequentemente incrementar a capacidade de tração e evitar paradas indesejadas por falta de aderência com trilhos molhados. “Estamos diante de uma alternativa para melhorar ainda mais a eficiência das nossas ferrovias, além de reduzirmos a emissões e reduzir custos operacionais” complementa Daniela.

RUMO E MRS

Maior operadora de ferrovias do Brasil, a Rumo recebeu a ES44 no final de março. Para a empresa, as novas aquisições para a frota reforçam as iniciativas tecnológicas focadas na eficiência e segurança das operações.

“Nossa prioridade é promover uma operação cada vez mais sustentável, não somente no aspecto econômico, mas também social e ambiental”, afirma Marcus Rogério Vianna Jorge, diretor de Material Rodante da Rumo. “Com as constantes renovações da frota, ganhamos em eficiência no escoamento das cargas agrícolas e industriais, além de contribuir de forma significativa para a redução de emissões”, destaca.

Para a MRS, operadora logística que administra 1.643 km de malha nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a ES44ACi, chegou à empresa em meados de abril e vem para otimizar o sistema, leva ainda mais tecnologia e avanço para o setor ferroviário nacional neste importante momento em que a renovação da sua concessão caminha para a reta final no Tribunal de Contas da União (TCU).

“A MRS vem investindo fortemente na ampliação da sua frota para contribuir com ainda mais eficiência ao sistema logístico nacional, gerando ganhos em eficiência energética. Estamos adquirindo a ES44ACi porque esperamos ser uma locomotiva de grande potência e menor consumo de diesel. Ela incorpora dois pilares da companhia: a busca por mais produtividade e a redução no volume de emissões, a consolidação de uma operação mais sustentável”, afirma Anelise Salzani, gerente-geral de Engenharia de Manutenção da MRS.

NAVAL

SEGS.com.br - SP   01/06/2022

As obras de expansão do Porto Itapoá já tiveram início e serão concluídas até o fim de 2023. A expansão representa um importante passo para as atividades do Terminal, uma vez que a capacidade de movimentação de carga vai praticamente dobrar. O pátio vai dos atuais 250 mil m² para 455 mil m².

As obras seguem o cronograma, sendo que atualmente estão na etapa dos trabalhos de infraestrutura de drenagem, com instalação da tubulação e concretagem das placas de proteção. A próxima fase da obra, programada para iniciar em junho, é chamada de aterro de sobrecarga. A expansão será fruto de um investimento de R$ 750 milhões.

O presidente do Porto Itapoá, Cássio Schreiner, mostrou satisfação em ver o bom andamento da obra. “Temos feito constantes investimentos em infraestrutura e tecnologia, sempre com foco em desempenho”, ressaltou. “Esta expansão vai nos proporcionar aumentar nossa capacidade de movimentação, passando de 1,2 milhão de TEUs por ano para 2 milhões de TEUs”, explicou Schreiner.

Investimento em infraestrutura

Com a previsão de ampliar sua capacidade de atendimento, o Porto Itapoá vem fazendo investimentos em infraestrutura. Foram adquiridos mais cinco RTGs, guindaste móvel sobre pneus, próprio para movimentação de contêineres no pátio. O Terminal já conta com 17 destes equipamentos, da marca ZPMC, mas os novos serão operados por controle remoto – o Porto Itapoá será o primeiro do Brasil a contar com essa tecnologia. A entrega destas máquinas será em janeiro de 2023.

O Porto Itapoá também adquiriu duas novas empilhadeiras Reach Stacker – já em operação - que serão empregadas nas operações no pátio do Terminal. O objetivo é potencializar o atendimento entre navio e o pátio, complementando as operações com o RTG, um guindaste móvel usado em operações dentro de portos para movimentar e empilhar os contêineres.

Outra importante aquisição são os nove caminhões terminal tractors (TTs) – que chegam em julho -, além de nove buggies, as “carretas” dos TTs – que já chegaram. Os veículos juntam-se à frota de 40 unidades da marca Rucker, que podem carregar, cada um, 65 toneladas, equivalente a dois contêineres de 20 pés.

Desenvolvimento regional

A ampliação da capacidade de movimentação do porto terá impacto direto no município, aumentando a arrecadação via ISS (Imposto Sobre Serviço). Outro importante detalhe, a ampliação do porto torna mais atrativa a chegada de outras empresas que prestam suporte à atividade portuária em Itapoá e Garuva. Assim, além do aumento do ISS gerado por elas, as mesmas poderão gerar empregos de diferentes naturezas, em toda a região.

Sobre o Porto Itapoá

O Porto Itapoá iniciou suas operações em junho de 2011, sendo considerado um dos terminais mais ágeis, eficientes e sustentáveis da América Latina e um dos maiores e mais importantes do País na movimentação de cargas conteinerizadas, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Situado no litoral norte de Santa Catarina, o Porto Itapoá está posicionado entre as regiões mais produtivas do Brasil, contemplando importadores e exportadores de diversos segmentos empresariais.

Sua localização privilegiada, na Baía da Babitonga, proporciona condições seguras e facilitadas para a atracação dos navios. Com águas calmas e profundas, a Baía é ideal para receber embarcações de grande porte, uma tendência cada vez mais adotada na navegação mundial.

Petro Notícias - SP   01/06/2022

A indústria naval brasileira vive um período desafiador, mas enxerga um horizonte de novas oportunidades. Essa é a visão do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), que completou recentemente 67 anos de existência. Ao longo de toda essa trajetória, a entidade viu os momentos de ouro do setor naval brasileiro. A realidade atual, no entanto, é outra. Com pouquíssimas encomendas, os estaleiros do país estão, em sua maioria, apenas realizando serviços de reparo. Um desperdício e tanto de talentos e conhecimento técnico. O vice-presidente executivo do Sinaval, Sergio Bacci, lembra que o país já teve mais de 40 estaleiros em funcionamento. Hoje, são apenas 24. “No período de 2004 a 2014, foram construídas 250 embarcações offshore no país. Naquele período, a Petrobrás ainda encomendava no Brasil e existia uma política de conteúdo local fortalecida”, recorda. Ainda assim, Bacci diz que o setor tem um certo otimismo para o futuro. Uma das oportunidades em vista é oferecer os estaleiros para atender possíveis demandas do mercado eólico offshore. “Isso está no radar da indústria naval. Estamos conversando para que os estaleiros estejam preparados assim que essa demanda existir”, afirma. O entrevistado também revela que o Sinaval vai entregar propostas do setor para os candidatos à Presidência nas eleições de 2022, destacando as principais demandas do segmento. O documento vai propor, entre muitos pontos, a volta das construções da Petrobrás no Brasil, a criação de uma política de Estado para a indústria naval e a revisão da política de conteúdo local. “Acreditamos que não é preciso chegar a 65% [de conteúdo local], como era antes, mas qualquer coisa em torno de 45% e 50% seria um número bastante importante”, projetou.

Nesse momento em que o Sinaval completa 67 anos, gostaria que falasse um pouco sobre como a entidade está avaliando o momento atual da indústria naval brasileira.

Ao longo de sua existência, o Sinaval sempre pautou a sua atuação na defesa dos interesses do Brasil, gerando muito emprego através dos seus associados. Desde a criação do Sinaval, muitos estaleiros foram construídos no Brasil, gerando muitos empregos. Infelizmente, esse setor é feito de baixas e altas. No momento atual, estamos em baixa. Contudo, em um passado recente, a indústria naval estava gerando muitos empregos. O Sinaval comemora seus 67 anos em um momento ruim para a indústria, mas temos uma expectativa que, em um futuro breve, as encomendas nos estaleiros nacionais possam ser retomadas.

Poderia fazer um balanço geral sobre a situação dos estaleiros brasileiros?

A situação dos estaleiros brasileiros está difícil. Em 2014, o país contava com 42 estaleiros construindo embarcações. Hoje, nós temos cerca de 24 unidades funcionando. A maioria desses estaleiros está, basicamente, trabalhando em serviços de reparo naval. As atividades de construção estão concentradas em alguns poucos estaleiros. Os estaleiros da região Norte, por exemplo, estão construindo algumas barcaças. O Jurong, no Espírito Santo, também tem alguma atividade. Em algumas situações, também surgem construções para o estaleiro Keppel, por conta de demandas que surgem da matriz da empresa, em Singapura. O restante da indústria vive basicamente de serviços de reparos. Mas, como eu disse antes, estamos com uma expectativa para a retomada do setor.

Do ponto de vista do Sinaval, quais são as medidas necessárias para viabilizar o reaquecimento da indústria naval brasileira?

Eu costumo dizer que, na vida, não podemos ficar inventando a roda. Até porque a roda já foi inventada há muitos anos. A história da indústria naval no mundo mostra que, independente da matriz ideológica dos países, toda a indústria naval só funciona se tiver um apoio do governo. A China, por exemplo, que tem uma ideologia mais socialista, tem o Estado como acionista dos estaleiros. O Japão, por sua vez, que é um país mais capitalista, tem uma política de conteúdo local e até mesmo, às vezes, uma taxa de financiamento negativa.

No país mais capitalista do mundo, os Estados Unidos, existe uma reserva de bandeira através do Jones Act. Por conta dessa norma, os navios para a cabotagem precisam ser construídos nos Estados Unidos e tripulados por americanos. Então, nos locais onde a indústria naval é forte, é porque existe a mão forte do Estado ajudando de alguma maneira.

Aqui no Brasil, quando isso aconteceu, a indústria naval foi competitiva. No período de 2004 a 2014, foram construídas 250 embarcações offshore no país. Naquele período, a Petrobrás ainda encomendava no Brasil e existia uma política de conteúdo local fortalecida. Além disso, existia também um financiamento bastante atrativo com a Marinha Mercante. Por isso, os estaleiros estavam funcionando a pleno vapor. Mas, de 2014 para cá, o que vimos foi um retrocesso. A política de conteúdo local foi praticamente por água abaixo para atender interesses das petroleiras. Enquanto isso, o Fundo da Marinha Mercante arrecada, mas não consegue financiar ninguém, porque não tem demanda.

Então, ao nosso ver, a indústria naval brasileira precisa de uma política de Estado. Não adianta o país ter só uma política de governo para a indústria naval. O que acaba acontecendo é que um determinado governo ativa a indústria naval, enquanto o seu sucessor deixa esse setor de lado. Então, deveríamos deixar de ter políticas de governo e passar a ter uma política de Estado. Em paralelo, queremos também diversificar a nossa indústria.

Seria muito interessante se falasse mais sobre esse interesse na diversificação da indústria naval brasileira.

Hoje, basicamente, a indústria naval sobrevive quando tem obras da indústria do petróleo. Mas há uma nova matriz energética aparecendo, que é a energia eólica offshore. Haverá uma demanda grande para esse setor. Por isso, a indústria naval está trabalhando no sentido de oferecer serviços dos estaleiros para a indústria eólica. Não só através do fornecimento de embarcações, como também para construção das torres eólicas.

Estamos buscando informações, conversando com o governo e as entidades representativas do setor eólico. Ainda não existe uma demanda concreta no setor eólico offshore. O governo apresentou um estudo do mapeamento de potenciais plantas de energia eólica na costa brasileira. É uma coisa impressionante. Isso está no radar da indústria naval. Estamos conversando para que os estaleiros estejam preparados assim que essa demanda existir.

Diante desse período de estagnação da nossa indústria naval, o Brasil tem perdido muita qualificação técnica?

Estamos praticamente há sete anos com a nossa indústria em decadência. Então, se retomarmos a atividade do setor hoje, muitos profissionais que eram muito qualificados no passado vão precisar de um novo treinamento. Como todos nós sabemos, a tecnologia avança a passos largos. Por isso, precisaremos de uma requalificação de mão de obra assim que a indústria naval for retomada.

Mas acho que isso não será um problema. No passado, tivemos períodos de estagnação da indústria naval. Mas nos momentos de retomada, vários cursos de qualificação surgiram. Um exemplo concreto disso foi Pernambuco, que não tinha histórico de indústria naval, mas que conseguiu formar profissionais muito qualificados.

Por fim, o senhor pode falar das próximas ações do Sinaval no sentido de fomentar o setor ?

Este é um ano eleitoral e um dos papéis fundamentais do sindicato é dialogar com todas as forças políticas que estão colocadas na disputa presidencial. Desde 2010, o Sinaval prepara um documento para ser entregue a todas as forças políticas, reunindo as demandas da indústria naval. Para este ano, essa é a grande tarefa do sindicato.

Nosso documento tem alguns pontos. Um deles é a política de conteúdo local, que precisa ser revista. Do jeito que está, não há condições de realizar construções no Brasil com essa atual política de 25%. Acreditamos que não é preciso chegar a 65%, como era antes, mas qualquer coisa em torno de 45% e 50% seria um número bastante importante.

Outro ponto é a política industrial. O Sinaval acredita que a indústria naval precisa estar dentro de um contexto de política industrial de Estado. O terceiro ponto é a retomada, por parte da Petrobrás, das construções de embarcações offshore no Brasil. A indústria naval brasileira já foi muito bem sucedida nisso. Se houver essa retomada, é possível reativar a indústria em um curto espaço de tempo, com um setor naval bastante agressivo em termos de qualidade e preço.

PETROLÍFERO

Valor - SP   01/06/2022

Preço do Brent no mercado internacional encerrou maio cotado a US$ 115,60 o barril, com média de US$ 109,8, que representou alta anual de 61%

O barril de petróleo no mercado internacional aumentou ao longo do mês de maio e a expectativa é que os preços sigam elevados em junho, apontam analistas. A cotação do Brent, principal referência para a commodity, encerrou ontem a US$ 115,60 o barril, o que levou a média dos preços no mês a US$ 109,8 o barril, valor 61% maior do que o registrado em maio do ano passado.

Já o WTI, referência americana, encerrou o mês a US$ 111,91 o barril. A média mensal para o WTI foi de US$ 107,49, aumento de 65% em relação a maio de 2021. Os cálculos são do Valor Data e levam em consideração os preços futuros em negociações para entrega em agosto. Especialistas apontam que é improvável que as cotações sofram quedas significativas em junho.

Do lado da oferta, contribui para a alta da commodity as restrições às exportações da Rússia, devido à guerra na Ucrânia. Esta semana, a União Europeia chegou a um acordo para um embargo parcial às compras de petróleo e derivados russos, o que contribuiu para que o Brent superasse a barreira dos US$ 120 o barril na segunda-feira.

Além disso, a oferta da commodity pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) segue restrita, já que o grupo optou por manter um aumento gradual da produção depois das cotas de extração combinadas pelos países do cartel e aliados durante a pandemia.

“Ainda é cedo para vermos uma queda nos preços, já que a oferta continua fraca e deve cair mais com as sanções europeias contra o petróleo russo. O crescimento de produção pode demorar ainda mais alguns meses. Vemos pressões inflacionárias no custo de extração em todo o mundo e a Opep não parece disposta a aumentar exportações”, afirma o analista sênior da Bloomberg Intelligence para o setor, Fernando Valle.

Já pela demanda, a recuperação do consumo na China com o relaxamento de medidas de distanciamento social para combater a contaminação pela covid-19 também ajuda a manter as cotações elevadas. “Com a expectativa da volta do consumo chinês, os preços aumentaram fortemente no final do mês. O fim dos lockdowns na China e estímulos para o consumo interno podem levar a uma maior demanda e a preços ainda mais altos”, acrescenta Valle.

A consultoria S&P Global Commodity Insights aponta em relatório mensal para junho que há riscos macroeconônicos que podem levar a reduções no consumo global e que precisam ser observados com atenção, como o poder de compra reduzido do consumidor com a inflação. Mesmo assim, diz a consultoria, ainda não é clara a rapidez com que os altos preços podem começar conter a demanda.

Os preços do barril estão altos desde o começo do ano, com a recuperação do consumo depois dos efeitos da pandemia. As cotações superaram a barreira dos US$ 100 em março, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, uma das principais exportadoras globais da commodity.

De acordo com o coordenador do Instituto de Estudos Estratégico de Petróleo (Ineep), Rodrigo Leão, não há, no curto prazo, uma expectativa de grandes mudanças na demanda que possam impactar os preços.

Segundo ele, um dos principais fatores que pode influenciar as cotações no mês de junho é o comportamento da China nas importações para suprir o aumento do consumo depois do relaxamento dos lockdowns.

“Se a China voltar a comprar mais petróleo da Rússia, isso pode ajudar a aumentar as cotações do petróleo russo, mas não mexeria tanto com o WTI e o Brent. Acho que, na melhor das hipóteses, vai haver um cenário de estabilização dos preços internacionais, mas não vejo uma tendência de queda”, afirma.

Valor - SP   01/06/2022

YPFB considera incompreensível que estatal brasileira não queira discutir novos valoresdo produto, como já ocorreu no passado

Gasoduto Brasil-Bolívia: negociação com Argentina reduziu entrega para Petrobras — Foto: Divulgação

A YPFB procurou a Petrobras para renegociar os preços do gás natural fornecido pela empresa boliviana, em meio a um cenário de alta da cotação do insumo no mercado internacional, mas não obteve resposta formal da estatal brasileira até o momento, apurou o Valor.

A negociação de gás natural entre a YPFB e a Argentina que reduziu a entrega para a Petrobras em 30% (6 milhões de milhões de m3 /dia) teve motivação apenas comercial.

A Argentina tem alto consumo de gás no inverno, para calefação. Diante deste cenário, a YPFB viu uma oportunidade de negociar com o país, mesmo tendo que arcar com o custo de uma cláusula chamada “delivery or pay”.

Isso porque o contrato com a Petrobras prevê o fornecimento de 20 milhões de m3 /dia, com entrega mínima de 14 milhões de m3 /dia - uma cláusula prevê o pagamento do valor do gás em caso de entrega abaixo do valor contratado. O valor pago pela Petrobras, hoje, é de US$ 7 por um milhão de BTU (British thermal unit), unidade de medida não métrica utilizada para gás.

Seguindo o contrato, a empresa manteve o fornecimento mínimo e negociou os 6 milhões de milhões de m3 /dia por US$ 19/MMBTU (milhão de BTU).

Como a YPFB pagaria os mesmos US$ 7/MMBTU para a Petrobras, a empresa ainda teria um ganho de US$ 12/MMBTU.

Segundo uma fonte a par do tema e que falou sob a condição de anonimato, a YPFB considera incompreensível que a Petrobras não queira renegociar preços do gás, como já ocorreu no passado ao mesmo tempo que a companhia brasileira tem adquirido gás natural liquefeito (GNL) a valores entre US$ 23 e US$ 25/MMBTU.

“A YPFB não quer causar dano ao Brasil”, disse, ressaltando que o mercado brasileiro é importante para a Bolívia. Petrobras e YPFB são sócias na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) e na GTB (Gas TransBoliviano, administradora do gasoduto transnacional pelo lado boliviano), além das atividades de exploração e produção naquele país.

“Queremos ser um parceiro de longo prazo do Brasil, mas não se pode fazer [parcerias] às custas de não valorizarmos nossas reservas”, acrescentou a fonte.

Procurada pelo Valor, a Petrobras reafirmou que, desde o início de maio, a YPFB reduziu de forma unilateral em 6 milhões de m3 /dia as entregas de gás natural. “A Petrobras vem exercendo seu papel diligentemente, reivindicando o cumprimento do contrato com a YPFB e adotando as medidas para assegurar o fornecimento aos seus clientes”, disse.

A companhia salientou que situações pontuais de falhas com fornecedores não afetam os contratos vigentes entre ela e seus clientes. “Tais contratos possuem preço previamente estabelecido, cuja atualização é baseada em fórmulas paramétricas atreladas a indicadores de mercado e acordadas entre as partes.”

A redução no fornecimento de gás não traz riscos para o sistema, de acordo com Celso Dall’Orto, sócio e gerente de projetos da PSR Consultoria. Segundo ele, o momento atual é de tranquilidade no setor elétrico, com reservatórios cheios em três dos quatro submercados do país (Norte, Nordeste e Sul) e com níveis de armazenamento considerados satisfatórios no Sudeste/Centro-Oeste. Esse quadro tira a necessidade de elevados despachos das termelétricas no momento, o que ameniza qualquer pressão pelo fornecimento de gás.

Ele lembra ainda que no ano passado entrou em operação comercial uma grande quantidade de usinas eólicas e solares bem como linhas de transmissão, o que minimiza a necessidade de elevado uso das térmicas.

Excluindo a geração termelétrica, grande consumidora de gás e que depende de ordens de geração pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o consumo de gás natural tende a ser estável em todos os demais segmentos, como residências, indústrias e uso veicular, e em volumes mais baixos.

Assim, avalia Dall’Orto, a maior questão envolvendo as duas empresas é mais comercial do que operacional.

O redirecionamento de parte do gás da Petrobras para a Argentina também foi alvo de insinuações, sem provas, do presidente Jair Bolsonaro de que a Bolívia teria cortado o fornecimento de gás natural que envia para o Brasil para favorecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na corrida presidencial.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, foi ministro da Economia de Evo Morales, e Lula é um tradicional aliado boliviano. A Argentina é presidida há um ano por Alberto Fernández, também um governo de esquerda - o que teria motivado as afirmações do presidente brasileiro, de ultradireita.

“A Bolívia cortou 30% do nosso gás para entregar à Argentina. Como agiu a Petrobras nesta questão também? Parece que é tudo orquestrado. Um gás que, se tiver que comprar de outro local, é cinco vezes mais caro”, disse Bolsonaro, na semana passada.

Valor - SP   01/06/2022

Apesar da queda desta terça (31), os preços da commodity terminaram o mês de maio com ganhos acumulados, com ambos os contratos, Brent e WTI, avançando pelo sexto mês consecutivo

Os preços do petróleo reverteram os ganhos no fim da sessão desta terça-feira (31) e passaram a cair em meio a relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estaria considerando elevar sua produção. Com isso, os barris se afastaram do preço de US$ 120 o barril. Apesar da queda de hoje, os preços do petróleo terminaram o mês de maio com ganhos acumulados, com ambos os contratos avançando pelo sexto mês consecutivo.

No fim da sessão, os preços dos contratos do Brent, a referência global, para agosto terminaram em queda de 1,70 %, a US$ 115,60 o barril, na ICE, em Londres, enquanto os preços dos contratos do WTI, a referência americana, para julho recuaram 0,35%, a US$ 114,67 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex). No acumulado de maio, porém, o contrato Brent subiu 5,72%, enquanto o WTI avançou 9,5%.

Segundo delegados da Opep informaram ao “Wall Street Journal”, a organização estaria considerando isentar a Rússia, país aliado do cartel, do acordo de produção de petróleo, já que as sanções ocidentais e o embargo europeu começam a minar a capacidade de Moscou de bombear mais. Com isso, a isenção da Rússia das metas de produção de petróleo poderia abrir caminho para a Arábia Saudita. Os Emirados Árabes Unidos e outros produtores da Opep bombearem significativamente mais petróleo, algo que os EUA e os países europeus vinham pressionando desde o início da guerra da Ucrânia.

Além disso, outros países-membros, principalmente do Golfo Pérsico, estariam planejando elevar a produção em algum momento nos próximos meses, para compensar qualquer potencial déficit russo, embora não haja nenhuma pressão formal para isso. A Rússia é um dos três maiores produtores de petróleo do mundo e concordou, no ano passado, com a Opep e outros nove países não pertencentes ao cartel a bombear cada vez mais petróleo a cada mês. Porém, a produção russa deve cair cerca de 8% este ano.

Pela manhã, o petróleo avançava diante do relaxamento do lockdown na China e também após a União Europeia adotar um embargo parcial à commodity vinda da Rússia. Diante disso, o setor de energia se beneficiava, segundo os índices acionários do S&P 500. Com a informação de um bombeamento maior pela Opep, o segmento também reverteu os ganhos e perto das 16h20 operava em queda de 1,12%. As ações da Chevron caíam 2,14%, enquanto as da Exxon Mobil recuavam 1,29%.

— Foto: Pixabay

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   01/06/2022

A balança comercial do agronegócio paulista registrou superávit de US$ 5,67 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano, representando aumento de 33,7% em comparação com igual período de 2021 (US$ 4,24 bilhões). O desempenho é resultado de aumento de 26,1% nas exportações no período (para US$ 7,30 bilhões), o que compensou a alta de 5,2% nas importações (para US$ 1,63 bilhão). O levantamento é do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista de janeiro a abril de 2022 foram: complexo sucroalcooleiro (US$ 1,82 bilhão sendo que, desse total, o açúcar representou 85,1% e o álcool, 14,9%); complexo soja (US$ 1,43 bilhão); setor de carnes (US$ 1,15 bilhão, dos quais a carne bovina respondeu por 86,8%); produtos florestais (US$ 825,93 milhões, com participações de 48,7% de celulose e 41,8% de papel) e sucos (US$ 527,12 milhões, dos quais 97,1% referentes a suco de laranja).

Esses cinco agregados representaram 78,9% das vendas externas setoriais paulistas. Já o grupo de café, tradicional nas exportações, aparece na sexta colocação, com vendas de US$ 368,27 milhões (75,2% referentes ao café verde).

No primeiro quadrimestre de 2022, em comparação com o mesmo período de 2021, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com aumentos para os grupos de produtos florestais (66,4%), carnes (59,9%), café (53,4%), complexo soja (42,8%), sucos (1,3%) e complexo sucroalcooleiro (0,3%).

Os pesquisadores do IEA, Carlos Nabil Ghobril, José Alberto Angelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, explicam que essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

Os principais produtos da pauta de importação do agronegócio paulista nos quatro primeiros meses de 2022 foram: salmões (US$ 132,90 milhões), trigo (US$ 110,38 milhões), papel (US$ 109,13 milhões) e óleos de dendê e palma (US$ 97,18 milhões). Os dez principais produtos, que representam 48,1% (US$ 785,15 milhões) do total importado em 2022 (US$ 1,63 bilhão).

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do Estado no período é de 36,7%, enquanto a participação das importações setoriais é de 6,9%. As exportações setoriais paulistas no período representaram 15,0% em relação ao agronegócio brasileiro.

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