Vendas de aço caem 24% em julho, para 261,4 mil toneladas, informa Inda

Valor – SP  25/08/2021

De janeiro a julho, no entanto, os distribuidores nacionais venderam 2,18 milhões de toneladas, uma alta de 18,9% no comparativo com o mesmo período de 2020

Por Ana Paula Machado, Valor — São Paulo

Gabriel Borges/Divulgação/CSN

O abastecimento de produtos siderúrgicos no mercado doméstico já está em níveis normais. Segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as vendas de aço em julho recuaram 24%, chegando a 261,4 mil toneladas. De janeiro a julho, no entanto, os distribuidores venderam 2,18 milhões de toneladas, uma alta de 18,9% no comparativo com o mesmo período de 2020. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pelo Inda.

“As vendas em julho foram piores do que imaginávamos. Isso muito em função das importações que cresceram no período. Para se ter uma ideia, foram importadas, 211,31 mil toneladas, quase o mesmo volume que os distribuidores venderam”, disse Carlos Loureiro, presidente executivo do Inda, ressaltando que as importações cresceram 181,9% em julho.

Segundo ele, as vendas diárias em julho, foram semelhantes aos níveis de 2015 a 2016, quando o mercado estava mais desaquecido. Diariamente, a rede comercializou 12,4 mil toneladas. No ano passado, as vendas diárias somavam 15 mil toneladas em julho. “Já trabalhamos com a perspectiva de estabilidade nas vendas este ano. Os números do segundo semestre de 2020 foram muito fortes, pois fizemos vendas para clientes das usinas. Estamos passando pela ressaca. A nossa estimativa anterior era de crescimento nas vendas de 5% a 6%.”

As compras de aço pelos distribuidores somaram 295,6 mil toneladas em julho, queda de 6,6%. No acumulado do ano, a rede de distribuição comprou 2,33 milhões de toneladas, uma alta de 24,9%.

Segundo os dados do Inda, os estoques em julho somaram 820,2 mil toneladas, uma queda de 1% no comparativo com o mesmo período de 2020. Com esse volume, a rede tem 3,1 meses de vendas, o que chegam ao giro normal dos distribuidores. “Entramos nos níveis históricos, mês que vem devemos passar o giro de 3,2 meses”, disse Loureiro.

O presidente do Inda ressaltou que, com os preços internacionais ainda fortes e o mercado doméstico abastecido, as usinas estão se voltando para as vendas externas. Segundo Loureiro, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas, Gerdau e ArcelorMittal já embarcaram produtos siderúrgicos em julho. “Essa tendência se acentua em agosto, vamos ter surpresas com os números de exportação. Há muito material que deve ser contabilizado para este mês.” Loureiro acrescentou que CSN enviou material para sua subsidiáira em Portugal e para os Estados Unidos está usando toda a sua cota de zincado, que é de 330 mil toneladas. “A CSN fechou volumes grandes de exportação, acima de 100 mil toneladas.”