Importação de aço sobe 103% de janeiro a junho

Valor – SP  21/07/2021

Compras no exterior de produtos siderúrgicos (semi-acabados e laminados) planos atingiram volume de 944 mil toneladas

Carlos Loureiro, do Inda, diz que com o aumento da demanda pelo produto importado, distribuidores teve suas margens reduzidas no primeiro semestre — Foto: Silvia Costanti/Valor

As importações de aços planos dispararam este ano. Os constantes reajustes de preços e um período de desabastecimento, fizeram com que os consumidores locais buscassem aço no exterior para manter suas operações. Segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), no primeiro semestre as importações cresceram 103,8%, somando 944,39 mil toneladas, Em junho, a alta foi de 118,1% no comparativo com o mesmo período do ano passado, somando 226 mil toneladas.

Os aços planos são usados em maior parte nos setores automotivo, de linha branca, máquinas e equipamentos, bens de capital e também na construção. As fabricantes no país são Usiminas, CSN, ArcelorMittal e Gerdau.

Segundo o presidente executivo do Inda, Carlos Loureiro, somadas às compras de aço semi-acabado (placas), a entrada de aço somou 364 mil toneladas em junho. “As importações são fator importante na diminuição das margens dos distribuidores. Isso porque os volumes que chegaram foram comprados em janeiro e fevereiro a valores cerca de US$ 200 a US$ 300 mais baixos que o fabricado no país. Acredito que as importações devem aumentar a participação no consumo aparente no ano”, disse.

Pelos dados do Inda, as vendas no país em junho somaram 300 mil toneladas, uma alta de 3,3% em relação ao mesmo período ano passado. No comparativo com maio, no entanto, recuaram 6,4%. No acumulado do ano, os distribuidores comercializaram 1,92 milhão de toneladas, alta de 28,8% ante o primeiro semestre de 2020. Em 12 meses, cresceu 25,7%, a 4 milhões de toneladas.

“Estamos chegando ao nível normal. Em junho, as vendas diárias somaram 13,6 mil toneladas. A nossa estimativa é de que em julho o volume vendido apresentará queda de 7,7% em relação a junho, chegando a 277 mil toneladas”, afirmou Loureiro.

As compras da rede somaram 347 mil toneladas, alta de 16,8% em relação a um ano atrás. Já no comparativo com maio, as compras ficaram estáveis – leve alta de 0,5%. Pelos dados do Inda, no acumulado do ano, os distribuidores adquiriram 2 milhões de toneladas, evolução de 31,3%. Em 12 meses, o crescimento foi de 22,5% chegando a 3,94 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos.

Com essa dinâmica, os estoques nos distribuidores somaram 786 mil toneladas, uma queda de 8,2% no comparativo com o mesmo período de 2020. Esse volume representa 2,6 meses de vendas. “Os estoques subiram quase 50 mil toneladas de maio a junho. E acreditamos que deverá apresentar alta em julho também, representando um giro de 3,1 meses. Um volume alto, considerando a nova dinâmica do mercado e os preços que estão maiores do que no ano passado”, disse Loureiro.

Os preços, aliás, segundo o dirigente, já subiram 65% este ano. Em doze meses, o reajuste ficou entre 160% e 170%, disse Loureiro. No entanto, ele acredita que não há espaço para novos aumentos no curto prazo. “Hoje. a paridade entre o produto importado e o nacional está em torno de 15%. Com dólar entre R$ 5,20 e menos de R$ 5, os preços da sucata, minério de ferro e carvão estáveis no mercado internacional não há espaço para reajuste no curto prazo”, ressalta o executivo do Inda.