Escalada de valor do aço plano tende a arrefecer

Diário do Comércio 17/06/2021

No último mês, a Companhia Siderúrgica Nacional, por exemplo, divulgou reajustes nos preços do aço de até 15%

O preço do aço plano, após os reajustes que ocorreram em junho, deve se estabilizar nos próximos meses, segundo o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro. O que baliza o preço interno são os custos de produção, que já foram repassados para a rede de distribuição.

“O que vai ocorrer nos próximos meses são reajustes pontuais, de acordo com os contratos de fornecimento, que são negociados individualmente. Mas a distribuição dificilmente terá outro reajuste pela frente”, avalia.

Loureiro também observa que, no mercado internacional, o dólar está em perspectiva de queda abaixo dos R$ 5.

“Há um senso comum de que há uma estabilização, se não houver uma explosão da moeda, possibilidade pouco provável. A meu ver, o preço internacional está em seu patamar mais elevado. Nos EUA, por exemplo, o preço da tonelada estava em US$ 520 em agosto e, agora, US$ 1.800. Não há muito espaço para subir mais”, disse. Nessa perspectiva, Loureiro acredita que estes reajustes internacionais devem ser os últimos do ano, com provável tendência de estabilização ou até uma queda futura.

Em maio, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) divulgou reajustes nos preços do aço de até 15%, em duas etapas, sendo aumento de 7,5% em junho e de 7,5% em julho. Segundo a companhia, esta alta consecutiva teve como objetivo, de modo geral, facilitar as compras de clientes e do mercado. Segundo a companhia, um aumento de 70% foi aplicado também na linha branca, sem reajustes desde janeiro deste ano.

Para o analista de investimentos na Mirae Asset Corretora Pedro Galdi, os aumentos consecutivos no preço do aço acompanham a alta do minério de ferro e da sucata. O patamar alto no preço do dólar também foi um fator de atratividade no preço local em relação ao mercado externo. Com a vacinação avançando no mundo, a economia global sinaliza forte retomada.

“Na minha opinião, o preço do minério deve seguir na faixa dos US$ 200 (a tonelada). Mas se o dólar cair, retira a força das siderúrgicas para novos reajustes no preço do minério, com risco de importação. Portanto, creio que os preços devam se manter nos níveis atuais”, ponderou.

Avaliação da Platts

Na segunda semana de junho, o mercado doméstico brasileiro de aços planos enfrentou intensas negociações, mas os últimos níveis de preços podem marcar o pico, já que os compradores estão se tornando resistentes a novos aumentos.

De acordo com a S&P Global Platts, fornecedora líder global de preços, informações e análises de energia e commodities, os distribuidores dizem que a queda nas compras no mercado é uma forma de pressionar as usinas a repensar os ajustes recentes.

“Não há espaço para aumentos de preços”, disse um distribuidor à Platts, citando o fechamento dos contratos de bobina a quente (BQ) a R$ 7.270 / mt e R$ 8.220 / mt para a bobina a frio (BF).

Fontes ouvidas pela Platts afirmam que, em breve, deve ocorrer um equilíbrio entre oferta e demanda de aço no País. Com relação à forte demanda por BQ, ela deve diminuir no mercado interno e aumentar as importações, com base no atual prêmio do material doméstico em relação ao estrangeiro.

De acordo com cálculos da Platts, o preço da bobina a quente brasileira estava com ágio de 18,6% em relação ao preço da chinesa entregue nos portos brasileiros, a US$ 1.153 / mt na semana encerrada em 11 de junho. O câmbio estava em US$ 1 / R$ 5,12. “Os compradores locais agora estão muito mais inclinados a comprar no exterior devido aos longos atrasos das usinas”, disse uma fonte à S&P Global Platts.

No Nordeste, fontes informaram à Platts que empresas que já têm acesso ao mercado internacional farão até pedidos de BQ, muito menos tradicionais por questões de certificação. A S&P Global Platts avaliou em 11 de junho a BQ doméstica brasileira em R$ 7.000 / mt, excluindo impostos, inalterado na semana. Ele foi baseado em uma faixa de R$ 6.900-7.100 / mt. No acumulado do ano, a BQ doméstica brasileira cresceu 73,3% e 18,6% no mês. Nos últimos 12 meses, aumentou 172,4%, segundo dados da Platts.