Vendas de aço têm alta anual de 106% em abril, apontam distribuidores

Valor – SP   19/05/2021

Volume diário chegou a 17,2 mil toneladas, melhor marca desde 2013, quando se atingiu 17,4 mil toneladas

Por Ana Paula Machado, Valor — São Paulo

18/05/2021 13h15  Atualizado 18/05/2021

As vendas de aço pelos distribuidores cresceram 106,1% em abril no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Foram comercializadas 343,1 mil toneladas, ante 166 mil toneladas em abril de 2020. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

No acumulado do ano, a alta nas vendas dos distribuidores foi de 31,2%, chegando a 1,3 milhão de toneladas. Nos 12 meses terminados em abril, segundo o Inda, foram comercializadas 3,92 milhões de toneladas, um aumento de 21,4%.

Segundo o presidente executivo do Inda, Carlos Loureiro, a venda diária em abril foi a melhor desde 2013, quando se chegou a 17,4 mil toneladas. No mês passado, os distribuidores venderam diariamente 17,2 mil toneladas. “No ano passado, abril foi o pico da crise, chegamos a vender 8,7 mil toneladas por dia. Mas, apesar do bom momento no mês passado, acredito que haverá uma acomodação ao longo do ano, e deveremos fechar 2021 com uma alta de 8%”, disse.

Nas compras, segundo os dados do Inda, a alta foi de 92,7% em abril no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Os distribuidores compraram 345,1 mil toneladas, ante 179,1 mil toneladas. No acumulado do ano, as compras chegaram a 1,34 milhão de toneladas, aumento de 27,4%. Em doze meses, compraram 3,75 milhões de toneladas, uma alta de 17,1%.

Os estoques, apesar do aumento nas compras, ficaram praticamente estáveis no comparativo a março, 713,2 mil toneladas. Esse volume, no entanto, equivale a 2,1 meses de vendas. “O estoque ideal é de 2,5 meses de vendas. Não é aconselhável voltar aos níveis de 3,2 meses a 3,5 meses como era no passado, principalmente agora que estamos em um ciclo de alta, com os preços muito elevados lá fora”, disse Loureiro.

Segundo ele, deverá haver uma acomodação nos preços daqui para frente e ter um estoque formado com os valores atuais pode reduzir as margens das empresas. “O prêmio em relação ao preço na China é de 5%, o que é suportável. Não vejo dificuldades nesse nível de preços. No entanto, o aumento desse percentual vai depender do comportamento do dólar e do preço internacional. Por isso, algumas usinas já pensam em novos reajustes em junho. A CSN deverá dar aumento de 5% a 10%, mas não tem uma decisão final. As outras estão estudando o que fazer.”