Vendas de aço pelas distribuidoras caem 15% em março, aponta Inda

Valor Econômico 24/04/2020

As vendas de aços pelos distribuidores no país caíram 15,2% em março no comparativo com o mesmo período do ano passado, ficando em 265,3 mil toneladas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

Segundo o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a queda foi maior últimos 15 dias de março, quando as medidas de isolamento social foram intensificadas. Para abril, Loureiro acredita que a queda deverá ser em torno de 45%.

“A venda diária até o dia 15 de março estava entre 10% e 15% acima do que se comercializava em fevereiro. Mas, depois, com a parada de produção de muitos clientes, isso se inverteu. Para abril e maio a estimativa é que a queda seja em torno de 45%”, afirmou o dirigente.

Loureiro ressaltou que em função da parada de produção de muitos clientes, principalmente da indústria automobilística, as vendas de aços planos no semestre deverão apresentar uma queda de 35%.

“O setor que caiu menos nesse período foi o de construção civil, por isso, acreditamos em um recuo de 35% nas vendas de janeiro a junho. Para o ano, se ocorrer uma recuperação do mercado, acreditamos que poderemos ter um declínio de 20% a 25% nas vendas de aço no país. Mas ainda é cedo para fazer estimativas. O cenário ainda é muito nebuloso”, afirmou.

As compras de aço em março, de acordo com os dados do Inda, somaram 272,5 mil toneladas, 0,3% abaixo do registrado no mesmo mês de 2019.

Loureiro ressaltou que no mês passado as importações de produtos siderúrgicos que ocorreram foram contratos fechados antes da pandemia. Com isso, as empresas importaram 52,4% a menos do que em março do ano passado. Foram importadas 58,56 mil toneladas. No trimestre, o recuo foi de 25%, para 229,6 mil toneladas. “Ninguém fechou nenhum contrato, é loucura. Não se tem certeza do comportamento do dólar e da demanda do mercado brasileiro. Acredito que os números devem cair ainda mais em abril e maio”, ressaltou.

Com a queda nas vendas e nas importações, os estoques da rede distribuidora devem fechar em abril com o equivalente a 5,8 meses de vendas, totalizando 843,7 mil toneladas. “Até março, estávamos com um ritmo normal de 3,2 meses em estoque, mas, com todo esse movimento, abril e maio serão meses mais difíceis”, disse Loureiro.