Consumo de aço deverá ficar estável este ano, projeta Inda

Valor Econômico 25/03/2020

O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, disse que o consumo aparente de aço neste ano deverá ficar estável. Isso porque, segundo ele, o primeiro semestre já foi comprometido com a parada da economia em função da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“Vínhamos em um bom ritmo em janeiro e fevereiro e até meados de março. Quando começaram as medidas de contenção do novo coronavírus, as compras deram uma parada. Em março, estimamos que será estável, mas abril com toda certeza terá uma queda. Com isso, se o consumo de aço for igual ao do ano passado, será até bom”, afirmou Loureiro. Segundo ele, a retomada no segundo semestre vai depender da capacidade de recuperação do setor industrial brasileiro.

“As montadoras todas pararam e com isso as autopeças também devem paralisar as operações.” Essa parada em vários clientes deve afetar até mesmo os reajustes previstos para abril. As siderúrgicas já preparavam aumentos de preços para o próximo mês. “Os aumentos que as siderúrgicas deram em março foram implementados, mas os reajustes de abril são uma incógnita. Não tem demanda para esse movimento”, disse Loureiro.

Em fevereiro, as compras de aços planos crescerem 27,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Inda, os distribuidores compraram 306,8 mil toneladas de produtos siderúrgicos, ante 239,5 mil toneladas em igual período de 2019. As vendas caíram 8,1%, passando de 309,8 mil toneladas para 284,6 mil toneladas. Com isso, os estoques fecharam em alta de 2,6% no mês passado, alcançando o volume de 839,7 mil toneladas, o que representa três meses de vendas. As importações caíram 31,2%, saindo de 94,18 mil toneladas para 64,8 mil toneladas.