Consumo de aço deve sofrer com a parada de clientes

Valor Econômico 20/03/2020

As siderúrgicas brasileiras devem sentir o impacto econômico provocado pela pandemia do coronavírus mais adiante. Segundo o presidente executivo do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, nos próximos meses a demanda por aço deverá cair com a parada de produção de grandes clientes, como as montadoras de automóveis e fabricantes de linha branca.

As montadoras americanas, General Motors e Ford paralisaram as operações na América do Sul. A Mercedes-Benz e Scania, fabricantes de veículos pesados, também anunciaram férias coletivas em suas fábricas. Já a alemã Volkswagen informou que avalia a parada de produção.

“Não dá para sabermos o tamanho dessa queda, mas ela virá. A partir de abril, acontecendo a evolução esperada da pandemia, a demanda por aço vai cair, só não sabemos quanto”, disse Loureiro.

Na CSN os altos-fornos ainda estão trabalhando normalmente. A usina de Volta Redonda (RJ) continua produzindo e a siderúrgica adotou medidas de segurança para inibir a transmissão do novo coronavírus, segundo informação. Uma delas, segundo uma fonte da siderúrgica, é o escalonamento no refeitório para não haver aglomerações no local no horário de almoço. Além disso, a siderúrgica cancelou todas as viagens tanto nacionais quanto internacionais e adotou reuniões por teleconferência, mesmo dentro da usina de Volta Redonda.

A companhia criou, ainda, um comitê de crise em cada unidade para avaliar as medidas de segurança corretas a serem tomadas para manter os empregados saudáveis. A empresa, no entanto, não adotou o trabalho remoto como forma de prevenir a contaminação pelo novo coronavírus.

Já a Gerdau informou que está seguindo todas as orientações de prevenção ao coronavírus divulgadas pelos órgãos de saúde competentes nos países em que opera. Segundo comunicado da companhia, empresa adotou uma série de medidas para mitigar o risco de transmissão nos locais de trabalho, como a instalação de comitês de crise, recomendação de home office, o cancelamento de viagens nacionais e internacionais e a participação em eventos externos. “A Gerdau reforça, ainda, que a saúde e a segurança das pessoas são valores inegociáveis para a empresa.” A produção na siderúrgica segue, ainda, em plena atividade, conforme a empresa.

Sobre reajustes de preços propostos pelas siderúrgicas para os próximos meses, Loureiro, do Inda, disse que não devem ser implementados justamente por falta de demanda, mesmo com prêmio negativo frente o importado devido ao dólar. “Além da indústria, construção civil também está sendo afetada pela crise. Alguns empreendimentos podem sofrer atrasos e isso vai chegar nas encomendas.”