Para alinhar preço ao importado, siderúrgicas vão sustar descontos

Valor Econômico 25/09/2019

As fabricantes de aço plano no país vão realinhar seus preços aos patamares do último reajuste, efetivado no início de abril, a partir de 1º de outubro. Desde então, com a demanda fraca no mercado brasileiro, as empresas vinham concedendo descontos aos seus clientes porque não conseguiram emplacar os percentuais definidos, informou ontem ao Valor o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro.

Na época, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas, Gerdau e ArcelorMittal aplicaram reajustes de preços entre 10% e 15% em seus produtos. As novas tabelas foram enviadas aos setores de distribuição, linha branca, máquinas e equipamentos, construção e de autopeças.

O aumento de preços não se sustentou junto aos clientes porque a demanda de aço ficou abaixo do esperado devido ao enfraquecimento da economia. O consumo aparente de aço neste ano, que já teve a projeção do início do ano revisada para baixo pelo Instituto Aço Brasil, pode ficar no zero a zero. No máximo subir 1%.

Nas últimas semanas, com a alta verificada no câmbio – valorização do dólar frente ao real -, o prêmio do produto importado internado atingiu 10% em relação ao nacional. Isso estimulou as siderúrgicas a retirar gradualmente os descontos até o fim do mês.

Com as montadoras de automóveis, os reajustes são anuais. O novo aumento, a partir de janeiro de 2020, começou a ser negociado neste mês entre as usinas de aços planos e empresas automotivas.

Conforme o Inda divulgou ontem, as vendas de aços planos no mercado interno em agosto recuaram 6,4% na comparação com mesmo mês do ano passado. O volume comercializado na rede atingiu 279,9 mil toneladas. Um ano atrás foram 299,2 mil toneladas. Já no acumulado do ano, foi registrado aumento de 5,7%, com comercialização de 2,238 mil toneladas.

As distribuidoras decidiram fazer menos pedidos no mês devido à fraca demanda no país. O volume adquirido nas usinas caiu 6,8%, para 279,7 mil toneladas, ante agosto de 2018. De janeiro a agosto, foram 2,06 milhões de toneladas, 3,5% de retração em comparação com igual período.

O giro dos estoques na rede ficou em 2,7 meses de vendas – 762,5 mil toneladas. Em agosto de 2018 passava de três meses, com 920 mil toneladas.

Conforme o Inda, as importações de aços planos somaram 89,8 mil toneladas no mês passado, queda de 9,5% na base anual. De janeiro a agosto, a entrada de material estrangeiro totalizou 775,6 mil toneladas, retração de 8,8% sobre igual período de 2018.

Em agosto, 37% do aço importado veio da Rússia, seguida por China, com 26,4%, Áustria, 14,3% e Coreia do Sul, 8%, entre outros. No acumulado, incluindo placas, a China liderou com 53,2%%. Rússia e Coreia do Sul vieram a seguir com 19% e 6,6%, respectivamente.